Queda de Cabelo: Diagnóstico Diferencial

CID-10: L65.9 - Perda de cabelos ou pêlos não cicatriciais, não especificada;

CID-10: L66.9 - Alopécia cicatricial, não especificada

Introdução

  • Alopecia é a ausência ou a perda de cabelo em área onde ele deveria estar presente; pode ser localizada ou difusa, temporária ou permanente, e acomete os dois sexos em todas as idades [2].

  • A primeira separação é entre alopecia não cicatricial, mais frequente e potencialmente reversível, e alopecia cicatricial, permanente [1][2].

    • Em clínicas especializadas, os diagnósticos mais frequentes são alopecia androgenética, alopecia areata e eflúvio telógeno [2]

    • Alopecia androgenética: forma mais comum de queda de cabelo em homens e mulheres [1]

🔑 Pontos-chave:

  • Óstios foliculares ausentes: provável alopecia cicatricial; encaminhar ao dermatologista [1]

  • Armadilha: a alopecia cicatricial pode se apresentar só como redução difusa da densidade, com discreto eritema e descamação perifoliculares, e ser confundida com eflúvio difuso ou com alopecia androgenética com dermatite seborreica [4]

  • Qualquer um (descamação, pústulas, crostas, erosões, eritema com adenopatia local): sugere infecção [1]

  • Tinea capitis exige tratamento sistêmico [1]

  • Placa de alopecia sem descamação não exclui tinea capitis [1]

  • Queda difusa: perguntar por quimioterapia ou outra exposição nos dias a semanas anteriores (eflúvio anágeno) e por gatilho 2 a 5 meses antes (eflúvio telógeno) [1]

  • Teste de tração negativo não exclui eflúvio telógeno, eflúvio anágeno ou alopecia areata [1]

  • Medicamento suspeito de causar a queda: teste de suspensão é razoável [1]

  • Exames laboratoriais não são de rotina: pedir quando anamnese ou exame sugerirem comorbidade [1]

  • Tricotilomania: o paciente pode não admitir que arranca os fios; o padrão e o aspecto do cabelo fazem o diagnóstico [1]

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🎯 Fluxograma de manejo

O fluxograma organiza a avaliação inicial da queixa de queda de cabelo ou de rarefação, em adultos e crianças, até o protocolo específico. Começa pela anamnese (eflúvio ou alopecia, início e evolução, distribuição, medicamentos, gatilhos, história familiar) e pelo exame do couro cabeludo, da face e das unhas, com teste de tração se houver queda excessiva e tricoscopia (conferir em Anamnese e em Exame físico). Pergunta-se se os óstios foliculares estão preservados, sem nenhum sinal de alopecia cicatricial (área persistente sem recrescimento; fios isolados remanescentes). Se não, provável alopecia cicatricial: encaminhar ao dermatologista para biópsia (conferir o protocolo Alopecias cicatriciais primárias). Se sim, pergunta-se se há qualquer um: descamação, pústulas, crostas, erosões, eritema com adenopatia local. Se sim, suspeita de infecção, como tinea capitis (conferir o protocolo Tinea capitis). Se não, pergunta-se se há fios secos e quebrados, com nós brancos na haste. Se sim, tricorrexe nodosa (conferir em Tricorrexe nodosa). Se não, define-se o padrão da queda. Focal, em placas: pergunta-se o achado nas placas. Todos: placa lisa, oval, cor da pele, em geral sem descamação, eritema possível, indica alopecia areata, com pelos em ponto de exclamação na periferia de lesões ativas (também descritos no eflúvio anágeno por quimioterapia); placa sem descamação também pode ser tinea capitis (conferir o protocolo Alopecia areata). Placas frontoparietais, com cabelo irregular e fios torcidos ou quebrados, indicam tricotilomania (conferir o protocolo Tricotilomania). Margem do couro cabeludo ou padrão linear, curvo ou geométrico, com penteado de tração: alopecia de tração (conferir o protocolo Alopecia de tração). Padronizada (no homem, rarefação bitemporal, frontal e do vértice; na mulher, rarefação difusa do vértice com a linha frontal preservada): pergunta-se homem ou mulher. No homem, alopecia androgenética masculina (conferir o protocolo Alopecia androgenética masculina); na mulher, alopecia androgenética feminina, com sinais de hiperandrogenismo conferidos em Exames complementares (conferir o protocolo Alopecia androgenética feminina). Difusa: pergunta-se se houve quimioterapia nos dias a semanas anteriores, ou exposição a outro fármaco ou toxina que causa eflúvio anágeno. Se sim, eflúvio anágeno (conferir o protocolo Eflúvio anágeno). Se não, pergunta-se se a queda difusa acomete todo o couro cabeludo ou vai além dele. Se sim, alopecia areata extensa, grave: considerar encaminhamento (conferir o protocolo Alopecia areata). Se não, pergunta-se se houve gatilho 2 a 5 meses antes, qualquer um: doença febril, gestação, cirurgia, estresse, doença grave, medicamento. Se sim, eflúvio telógeno; com medicamento suspeito, teste de suspensão (conferir o protocolo Eflúvio telógeno). Se não, exames conforme a clínica (hemograma e TSH) e rever o diagnóstico diferencial (conferir em Exames complementares e em Diagnóstico diferencial). Abreviações: TSH, hormônio tireoestimulante. Fonte: referências [1], [2], [3], [4], [5], [6] e [8] do artigo.

Diagnóstico diferencial

  • Cicatricial ou não cicatricial: primeira pergunta [1][2]

    • Não cicatricial: folículos preservados; perda potencialmente reversível [2]

    • Cicatricial: folículos destruídos de forma irreversível; perda permanente [2]; rara [1]

  • Não cicatricial, pelo padrão:

    • Focal (em placas): alopecia areata, tinea capitis e tricotilomania [1]

    • Padronizada: alopecia androgenética, que também pode ser difusa e evoluir para calvície completa [1]

    • Difusa: eflúvio telógeno e eflúvio anágeno [1]

    • Margem do couro cabeludo (frontal, temporal e occipital): alopecia de tração, que se torna cicatricial nos casos crônicos [3]

  • Cicatricial [1][2]:

    • Causas incluem doenças autoimunes, como o lúpus eritematoso discoide [1]

    • As mais comuns são a alopecia frontal fibrosante e o líquen planopilar [2]

  • Do achado à hipótese: linhas ordenadas pelo padrão da queda, depois pela pista da história, depois pelo couro cabeludo e sintomas sistêmicos

Achado

Diagnóstico provável

Investigação e comentários

Protocolo

Queda em placas

Alopecia areata, tricotilomania

Anamnese e exame fazem o diagnóstico

Alopecia Areata; Tricotilomania

Queda em placas

Tinea capitis

Prurido, descamação, pústulas e linfonodomegalia podem estar presentes; cultura para fungos

Tinea Capitis

Padrão masculino ou feminino

Alopecia androgenética

Anamnese e exame fazem o diagnóstico; couro cabeludo de aspecto normal

Alopecia Androgenética Masculina; Alopecia Androgenética Feminina

Penteados de tração; perda na margem do couro cabeludo ou em padrão linear, curvo ou geométrico

Alopecia de tração

Moldes capilares (hair casts) indicam doença ativa

Alopecia de Tração

Queda difusa

Eflúvio telógeno

Anamnese e exame fazem o diagnóstico

Eflúvio Telógeno

Queda difusa dias a semanas após quimioterapia

Eflúvio anágeno

Mais evidente após 1 a 2 meses

Eflúvio Anágeno

Queda difusa que acomete todo o couro cabeludo ou vai além dele

Alopecia areata extensa (total: todo o couro cabeludo; universal: todo o corpo)

Considerar encaminhamento; quimioterapia também leva à perda de todo o couro cabeludo, com ou sem sobrancelhas, cílios e pelos do corpo (eflúvio anágeno)

Alopecia Areata

Queda difusa

Doença sistêmica (ex.: hipotireoidismo, deficiência de ferro, outro distúrbio nutricional)

Exames conforme anamnese e exame: hemograma e TSH

Conferir em "Doenças associadas" mais abaixo neste protocolo

Início abrupto da queda

Eflúvio telógeno relacionado a evento específico

Perguntar pelo evento desencadeante

Eflúvio Telógeno

Início gradual da queda

Alopecia androgenética

História familiar e padrão específico são importantes

Alopecia Androgenética Masculina; Alopecia Androgenética Feminina

Início gradual da queda

Alopecia cicatricial

Encaminhar se houver suspeita de cicatriz

Alopecias Cicatriciais Primárias

Trauma físico ou emocional recente

Eflúvio telógeno

Couro cabeludo de aspecto normal; a perda pode não ser evidente

Eflúvio Telógeno

Uso de medicamento

Vários tipos de queda, sobretudo eflúvio telógeno

Medicamento suspeito: teste de suspensão é razoável

Eflúvio Telógeno

Ansiedade ou doença psiquiátrica

Tricotilomania

Obter a história psiquiátrica; o paciente pode não admitir que arranca os fios; o padrão e o aspecto do cabelo fazem o diagnóstico

Tricotilomania

Uso intenso de produtos capilares ou penteados apertados

Tricorrexe nodosa

Fios quebrados vistos com pequena ampliação

Conferir em "Tricorrexe nodosa" mais abaixo neste protocolo

Doença de pele

Alopecia cicatricial, tinea capitis; a maioria das alopecias não cicatriciais tem couro cabeludo relativamente normal

Anamnese e exame fazem o diagnóstico

Alopecias Cicatriciais Primárias; Tinea Capitis

Sintomas sistêmicos

Doença sistêmica

Exames conforme anamnese e exame

Conferir em "Doenças associadas" mais abaixo neste protocolo

Fonte: [1][3][5]

  • Confirmar a hipótese: achados que diferenciam cada diagnóstico

Diagnóstico

Achados que diferenciam

Protocolo

Alopecia androgenética masculina

Rarefação bitemporal, frontal e do vértice, ou perda completa com cabelo residual occipital e nas franjas temporais [1]; teste de tração em geral negativo [2]

Alopecia Androgenética Masculina

Alopecia androgenética feminina

Rarefação difusa do vértice, com a linha frontal preservada; algumas mulheres têm afinamento na lateral do couro cabeludo [1]; teste de tração em geral negativo [2]

Alopecia Androgenética Feminina

Alopecia areata

Placas agudas, circunscritas, ovais e da cor da pele [1], lisas e sem cicatriz [2]; sem sinais de inflamação [2] e em geral sem descamação, podendo ter eritema eventual [6]; pelos curtos velus, pontos amarelos ou pretos e hastes quebradas, não específicos [1]; pelos em ponto de exclamação na periferia de lesões ativas: StatPearls (2024), patognomônicos [2]; também descritos no eflúvio anágeno por quimioterapia [5]; depressões puntiformes nas unhas [1][2]

Alopecia Areata

Tinea capitis

Alopecia em placas com ou sem descamação, às vezes em todo o couro cabeludo; linfonodomegalia e prurido; na criança, kerion (placa dolorosa, eritematosa e amolecida, muitas vezes com secreção purulenta) [1]

Tinea Capitis

Tricotilomania

Placas frontoparietais que progridem para trás e podem incluir cílios e sobrancelhas; cabelo irregular, com fios torcidos ou quebrados [1]

Tricotilomania

Alopecia de tração

Perda na margem do couro cabeludo (frontal, temporal e occipital); franja de fios finos na linha frontal ou temporal ("sinal da franja"); padrão linear, curvo ou geométrico; sobrancelhas, pelos do corpo, pele e unhas poupados [3]

Alopecia de Tração

Eflúvio telógeno

Início relativamente súbito; afinamento uniforme; fios caem em punhados no banho ou na escova [1]

Eflúvio Telógeno

Eflúvio anágeno

Queda difusa, em geral abrupta, dias a semanas após quimioterápico [1]

Eflúvio Anágeno

Tricorrexe nodosa

Fios secos e quebrados, com nós brancos na haste [1]

Conferir em "Tricorrexe nodosa" mais abaixo neste protocolo

Alopecia cicatricial

Óstios foliculares ausentes [1]; área persistente sem recrescimento; fios isolados remanescentes [4]

Alopecias Cicatriciais Primárias

Fonte: [1][2][3][4][5][6]

  • Diagnósticos que se confundem [2]:

    • Alopecia androgenética: alopecia areata, eflúvio telógeno, alopecia de tração, tricotilomania, alopecia frontal fibrosante, líquen planopilar e alopecia cicatricial centrífuga central

    • Alopecia areata em placas: tinea capitis, tricotilomania e alopecia triangular temporal

    • Alopecia areata difusa: alopecia androgenética feminina, eflúvio telógeno e alopecia induzida por fármaco

    • Eflúvio telógeno: alopecia androgenética e formas difusas de alopecia areata

    • Alopecia frontal fibrosante e líquen planopilar: lúpus eritematoso cutâneo crônico, alopecia cicatricial centrífuga central e foliculite decalvante

  • Alterações que sugerem outro diagnóstico no lugar de eflúvio telógeno [1]:

    • Qualquer um (eritema, descamação ou inflamação; distribuição alterada ou desigual; alteração de calibre, comprimento, forma ou fragilidade da haste): sugere outro diagnóstico

Anamnese

  • Queixa principal [2]:

    • Distinguir área visível sem cabelo (alopecia) de aumento da queda diária de fios (eflúvio)

  • Perguntar [2]:

    • Idade de início, evolução no tempo e progressão

    • Distribuição: focal (em placas), padronizada ou difusa

    • Sintomas associados

    • Medicamentos recentes ou em uso

    • História familiar de queda de cabelo

    • Dieta

    • Mulher: história ginecológica e obstétrica

    • Exposições ambientais e cirurgias recentes

  • Pistas da anamnese [1]:

    • Eflúvio telógeno:

      • Fios que caem em punhados

      • Doença febril, evento estressante ou gestação recente

      • Outros gatilhos: doença crônica grave, cirurgia, febre alta, desnutrição, infecção grave, doença endócrina; medicamentos (retinoides, anticoagulantes, anticonvulsivantes, betabloqueadores, antitireoidianos) e suspensão de anticoncepcional oral

      • Uso de medicamento: vários tipos de queda, sobretudo eflúvio telógeno

      • Tempo entre o gatilho e a queda:

        • AAFP (2017):

          • Queda 3 a 5 meses após o estressor físico ou emocional [1]

          • Perguntar por gatilho 2 a 5 meses antes do início [1]

        • StatPearls (2024):

          • Queda cerca de 2 a 3 meses após o evento desencadeante [2]

    • Eflúvio anágeno:

      • Quimioterapia nos dias a semanas anteriores à queda difusa

      • Outros causadores: tamoxifeno, alopurinol, levodopa, bromocriptina e toxinas (bismuto, arsênico, ouro)

    • Alopecia androgenética:

      • História familiar de queda de cabelo

    • Hipotireoidismo:

      • Fadiga e ganho de peso

      • História familiar de hipotireoidismo: pode justificar exame para essa doença

    • Tricotilomania:

      • Ansiedade ou doença psiquiátrica

    • Tricorrexe nodosa:

      • Uso intenso de produtos capilares, como alisantes ou certos xampus, ou de penteados apertados

  • Penteados de tração [3]:

    • Penteados que tracionam a raiz de forma contínua (tranças apertadas, rabo de cavalo, coque, extensões, apliques): alopecia de tração

Exame físico

  • Como examinar [2]:

    • Paciente sentado em cadeira, e não na maca, com boa iluminação e, se possível, ampliação

    • Examinar couro cabeludo, face e unhas

    • Procurar eritema, pápulas, descamação, pústulas e crostas

    • Nas unhas, procurar alteração de cor e depressões puntiformes

  • Comorbidade [1]:

    • Procurar sinais de doença associada indicados pela revisão de sistemas

  • Achados e o que sugerem:

    • Sinal que muda a conduta:

      • Óstios foliculares ausentes: provável alopecia cicatricial; encaminhar ao dermatologista [1]

      • Qualquer um (área persistente sem cabelo com óstios obliterados; ausência de recrescimento; fios isolados remanescentes na área): suspeitar de alopecia cicatricial [4]

      • Qualquer um (descamação, pústulas, crostas, erosões, eritema com adenopatia local): infecção [1]

      • Linfonodomegalia retroauricular: ajuda a diferenciar tinea capitis de outras causas inflamatórias de alopecia [1]

    • Achado que orienta o diagnóstico:

      • Fios secos e quebrados: tricorrexe nodosa [1]

      • Acometimento só do couro cabeludo: procurar o padrão masculino ou feminino típico da alopecia androgenética [1]

      • Depressões puntiformes nas unhas: associadas à alopecia areata [1][2]

  • Tricoscopia (dermatoscopia do couro cabeludo) [2]:

    • Essencial para ver estruturas que não são visíveis a olho nu

  • Teste de tração [1][2]:

    • Indicação: paciente com queda excessiva de fios [2]

    • Técnica:

      • Segurar cerca de 40 a 60 fios pela base, com polegar, indicador e médio, e tracionar com firmeza, mas suavemente, para longe do couro cabeludo [1][2]

      • Repetir em 3 a 4 áreas [2]

    • Positivo:

      • Critério tradicional: mais de 10% dos fios (4 a 6) [1][2]

      • Critério mais recente: mais de 3 fios em 60 [2]

    • Interpretação:

      • Positivo indica queda ativa e sugere eflúvio telógeno, eflúvio anágeno ou alopecia areata [1]

      • Negativo não exclui essas condições [1]

      • Difícil de padronizar, com risco de interpretação falsa [1]

    • Por diagnóstico [2]:

      • Eflúvio telógeno: positivo em vários locais sugere fortemente queda ativa

      • Alopecia androgenética: em geral negativo

      • Alopecia areata: fazer na borda da placa e no lado oposto sem lesão; positivo na borda indica doença ativa; positivo no lado sem lesão pode indicar progressão para alopecia total

Exames complementares

  • Sem exames de rotina para queda de cabelo [1]

  • Quando pedir:

    • AAFP (2017):

      • Quando anamnese ou exame sugerirem comorbidade [1]

    • StatPearls (2024):

      • Quando anamnese ou exame sugerirem comorbidade, ou quando a causa não estiver clara [2]

  • Quais:

    • AAFP (2017):

      • Hemograma e TSH, conforme anamnese e exame [1]

    • StatPearls (2024):

      • Hemograma, painel metabólico completo, ferro sérico, ferritina, capacidade total de ligação do ferro, TSH e 25-hidroxivitamina D [2]

  • Por suspeita:

    • Mulher com sinais de hiperandrogenismo (hirsutismo, irregularidade menstrual, acantose nigricans, acne do adulto): testosterona livre ou total, com ou sem sulfato de deidroepiandrosterona (SDHEA) [2]

    • Eflúvio telógeno, se necessário: hemograma, ferro sérico, ferritina, capacidade total de ligação do ferro, TSH, T3 e T4 [2]; zinco sérico e fator antinuclear podem estar indicados [2]

    • Alopecia areata com diagnóstico incerto: sorologias para outras doenças autoimunes ou infecciosas (ex.: sífilis), cultura para fungos e biópsia [2]

    • Tinea capitis:

      • AAFP (2017):

        • Diagnóstico incerto: exame micológico direto do raspado da borda ativa (KOH) [1]

        • Cultura para fungos pode levar até 6 semanas [1]

      • BAD (2014) e AWMF (2025):

        • Coletar material de todo caso suspeito para exame micológico direto e cultura, antes de iniciar o tratamento ou para continuar um tratamento já iniciado [6][7]

      • Conferir o protocolo Tinea Capitis

    • Tricorrexe nodosa com diagnóstico incerto: conferir em "Tricorrexe nodosa"

  • Biópsia do couro cabeludo [2]:

    • Essencial na alopecia cicatricial; na suspeita, encaminhar ao dermatologista para biópsia

    • Na não cicatricial, acrescenta informação

Tricorrexe nodosa

  • O que é [1]:

    • Fios que quebram por trauma ou por fragilidade (congênita ou genética); acomete a haste proximal e, às vezes, a distal

  • Traumas causais [1]:

    • Físicos: escovação excessiva, calor, penteados apertados, tricotilomania e condições com coçadura excessiva do couro cabeludo

    • Químicos: uso excessivo de descolorante, tintura, xampu, permanente ou alisante; exposição excessiva à água salgada

  • Exame [1]:

    • Nós brancos na haste, que são pontos de fratura em que a haste se abre em vários fios

    • Dermatoscopia: fios com aspecto de duas vassouras ou pincéis encostados

  • Diagnóstico incerto [1]:

    • Exames: hemograma, perfil de ferro, cobre, função hepática, TSH e aminoácidos séricos e urinários

    • Raramente é manifestação de hipotireoidismo

  • Conduta [1]:

    • Evitar ou reduzir o trauma físico e químico

Doenças associadas

  • Doença tireoidiana [1]:

  • Deficiência de ferro [1]:

  • Desnutrição [1]:

    • Imita a alopecia androgenética

  • Eflúvio telógeno com suspeita de doença de base [1]:

    • Investigar quando a clínica sugerir: anemia ferropriva, deficiência de zinco, doença renal ou hepática, doença tireoidiana

  • Sífilis:

    • Alopecia sifilítica é causa de alopecia não cicatricial [2]

    • Excluir sífilis quando estiver no diagnóstico diferencial [4]

    • Conferir o protocolo Sífilis no Adulto

  • Lúpus eritematoso discoide [1][2]:

Quando encaminhar

  • Ao dermatologista:

    • Suspeita de alopecia cicatricial: encaminhar para biópsia [1][2]

    • Alopecia areata com queda difusa que acomete todo o couro cabeludo ou vai além dele, sem quimioterapia ou outra exposição que cause eflúvio anágeno [1][5]:

      • AAFP (2017): considerar encaminhamento [1]

      • II Consenso SBD (2025): 50% a 100% do couro cabeludo acometido é alopecia areata grave [8]

      • Conferir o protocolo Alopecia Areata

    • Demais casos: conforme o tipo, a gravidade e o impacto no paciente [2]

  • Ao psiquiatra:

    • Tricotilomania: encaminhamento psiquiátrico pode estar indicado [1]

  • Critérios de cada diagnóstico: conferir o protocolo específico

Orientação e abordagem psicossocial

  • Impacto [2]:

    • Ansiedade e depressão em ambos os sexos e em todas as idades

    • Mulheres têm mais consequências psicossociais, como menor contato social e menor autoestima

    • Crianças e adolescentes com alopecia areata são vulneráveis a isolamento social e bullying

  • Conduta [1][2]:

    • Considerar apoio psicossocial no manejo de todo paciente com alopecia [2]

    • Eflúvio anágeno: o apoio do médico é especialmente importante [1]

Referências

[1] PHILLIPS, T. Grant; SLOMIANY, W. Paul; ALLISON, Robert. Hair Loss: Common Causes and Treatment. American Family Physician, v. 96, n. 6, p. 371-378, 2017. Disponível em: https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2017/0915/p371.html. Acesso em: 23 out. 2026.

[2] SYED, Hasnain A.; ZITO, Patrick M. Alopecia. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. Atualizado em: 26 fev. 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK538178/. Acesso em: 27 out. 2026.

[3] SYED, Hasnain A.; KALIYADAN, Feroze. Traction Alopecia. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Atualizado em: 4 maio 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470434/. Acesso em: 23 out. 2026.

[4] KANTI, Varvara; RÖWERT-HUBER, Joachim; VOGT, Annika; BLUME-PEYTAVI, Ulrike. Cicatricial alopecia. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, v. 16, n. 4, p. 435-461, 2018. DOI: 10.1111/ddg.13498. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ddg.13498. Acesso em: 23 out. 2026.

[5] SALEH, Dahlia; NASSEREDDIN, Ali; SALEH, Haitham M.; COOK, Christopher. Anagen Effluvium. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024. Última atualização em 30 abr. 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482293/. Acesso em: 23 out. 2026.

[6] FULLER, L. C.; BARTON, R. C.; MOHD MUSTAPA, M. F.; PROUDFOOT, L. E.; PUNJABI, S. P.; HIGGINS, E. M. British Association of Dermatologists' guidelines for the management of tinea capitis 2014. British Journal of Dermatology, v. 171, p. 454-463, 2014. DOI: 10.1111/bjd.13196. Disponível em: https://doi.org/10.1111/bjd.13196.

[7] DEUTSCHE DERMATOLOGISCHE GESELLSCHAFT (DDG). S1-Leitlinie Tinea capitis. AWMF-Register-Nr. 013-033. Versão 4.0. Coordenação: MAYSER, Peter; NENOFF, Pietro. Dez. 2025. Disponível em: https://register.awmf.org/de/leitlinien/detail/013-033. Acesso em: 23 out. 2026.

[8] RAMOS, Paulo Müller; ANZAI, Alessandra; DUQUE-ESTRADA, Bruna; et al. II Consensus of the Brazilian Society of Dermatology for the treatment of alopecia areata. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 100, n. 2, p. 328-341, 2025. DOI: 10.1016/j.abd.2024.10.001. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.abd.2024.10.001. Acesso em: 23 out. 2026.

Autoria e Curadoria

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