Alopecia Areata
CID-10: L63.9 - Alopecia areata, não especificada
Introdução
A alopecia areata é uma doença autoimune dirigida ao folículo piloso em fase anágena e uma causa comum de alopecia não cicatricial [1].
Costuma se manifestar antes dos 40 anos, sem predileção por sexo ou etnia, e até 60% dos casos começam nas duas primeiras décadas de vida [1].
O risco de desenvolver a doença ao longo da vida é estimado em 2%, e as formas graves são menos frequentes [1].
O tratamento é guiado pela gravidade, medida pela extensão da alopecia no couro cabeludo (escore SALT), e não pela forma clínica [1]. Nenhuma terapia comprovadamente modifica o curso da doença a longo prazo [1].
🔑 Pontos-chave:
Qualquer um (descamação, pústulas, crostas, eritema com adenopatia local): pensar em tinea capitis, que exige outra conduta [2][3]
Ausência de óstios foliculares sugere alopecia cicatricial: encaminhar ao dermatologista [2]
Forma difusa aguda em geral evolui para alopecia total em até 3 meses [1]: encaminhar ao dermatologista
Doença grave (50% ou mais do couro cabeludo, ou leve ou moderada que subiu de nível): encaminhar ao dermatologista; inibidores de JAK exigem rastreio prévio de tuberculose e sorologias [1]
Gravidade pelo SALT: leve até 20%, moderada 21% a 49%, grave 50% a 100% do couro cabeludo [1]
Leve ou moderada sobe um nível de gravidade se qualquer um: impacto psicossocial negativo; acometimento evidente de sobrancelhas ou cílios; resposta inadequada após pelo menos 6 meses de tratamento; teste de tração positivo multifocal [1]
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza o manejo da alopecia areata no adulto e na criança. Parte da suspeita de alopecia areata, com alopecia em placas circunscritas, ovais ou arredondadas, ou outra forma clínica (conferir em Formas clínicas). Faz-se o exame do couro cabeludo, dos pelos do corpo e das unhas, com teste de tração (conferir em Diagnóstico). Pergunta-se se há qualquer um: descamação, pústulas, crostas ou eritema com adenopatia local; óstios foliculares ausentes; fios de comprimentos diferentes em área geométrica. Se sim, considerar outro diagnóstico (conferir em Diagnóstico diferencial). Se não, calcula-se o SALT e classifica-se a gravidade: leve até 20%; moderada de 21% a 49%; grave de 50% a 100% (conferir em Avaliação da gravidade). Em seguida, pergunta-se se a doença leve ou moderada tem qualquer um: impacto psicossocial negativo; acometimento evidente de sobrancelhas ou cílios; resposta inadequada após pelo menos 6 meses de tratamento; teste de tração positivo multifocal. Se sim, sobe-se um nível de gravidade. Nos dois casos, em todos, explicar a doença e oferecer apoio psicológico e camuflagem (conferir em Abordagem geral e psicossocial). Pergunta-se a faixa etária. No adulto, pergunta-se a gravidade. Na doença leve: triancinolona hexacetonida intralesional, 5 mg/mL no couro cabeludo, com sessões a cada 4 a 6 semanas; na recusa da infiltração, corticoide tópico de muito alta potência; como adjuvante, minoxidil tópico 5% (conferir em Tratamento local no adulto). Depois, pergunta-se se houve resposta adequada após pelo menos 6 meses de tratamento, com infiltração ou corticoide tópico: se sim, manter o tratamento e o seguimento, com infiltração a cada 4 a 6 semanas e tratamento tópico domiciliar a cada 2 a 3 meses (conferir em Seguimento); se não, encaminhar ao dermatologista. Na doença moderada: tratamento local como na leve e encaminhamento ao dermatologista para avaliar tratamento sistêmico (conferir em Quando encaminhar). Na doença grave: encaminhar ao dermatologista. Na criança, pergunta-se se há forma extensa ou atividade evidente: se sim, encaminhar ao dermatologista; se não, corticoide tópico de média a alta potência, com oclusão noturna quando possível (conferir em Tratamento na criança). O encaminhamento ao dermatologista remete a Tratamento pelo especialista. Um ícone de alerta marca a triancinolona hexacetonida, após o nome; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: SALT, escore de extensão da alopecia no couro cabeludo. Fonte: referências [1], [2] e [5] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1793127889532_1f0f5736.png)
Formas clínicas
Forma | Apresentação |
|---|---|
Em placas | Áreas de alopecia circunscritas, ovais ou arredondadas, únicas ou múltiplas |
Total | Alopecia de todo o couro cabeludo |
Universal | Alopecia de todo o corpo |
Ofiásica | Alopecia em faixa nas regiões laterais e occipital do couro cabeludo |
Sisaifo (ofíase inversa) | Alopecia na área frontoparietal, poupando as regiões laterais e occipital |
Difusa | Redução global da densidade, sem placas |
Difusa aguda e total | Queda difusa, progressiva e rápida, que em geral evolui para alopecia total em até 3 meses |
Fonte: [1]
Diagnóstico
Diagnóstico clínico e dermatoscópico [1]:
Histopatologia: pode ser feita em casos duvidosos [1]
Achados ao exame [2]:
Placas circunscritas, ovais, da cor da pele, em qualquer parte do corpo
Pelos em ponto de exclamação: mais finos junto ao couro cabeludo
Pelos velos curtos, pontos amarelos ou pretos e hastes quebradas, achados que não são específicos da alopecia areata
Depressões puntiformes nas unhas (pitting) podem estar associadas
Teste de tração [2]:
Técnica: segurar cerca de 40 a 60 fios pela base, entre polegar, indicador e médio, e tracionar suavemente para longe do couro cabeludo
Positivo: mais de 10% dos fios arrancados; indica queda ativa e sugere eflúvio telógeno, eflúvio anágeno ou alopecia areata
Teste negativo não exclui essas condições
Positivo em vários locais (multifocal): critério que aumenta a gravidade da alopecia areata [1]
Exames complementares, não obrigatórios, conforme a suspeita clínica [1]:
Hemograma e glicemia de jejum
FAN
Sorologia para sífilis (conferir o protocolo Sífilis no Adulto)
TSH, T4 livre, anti-TPO e antitireoglobulina
25-OH vitamina D, vitamina B12, zinco e ferritina
Proteína C reativa
Diagnóstico diferencial
Condição | Achados que ajudam a diferenciar |
|---|---|
Tinea capitis | Qualquer um sugere infecção: descamação, pústulas, crostas, erosões ou eritema com adenopatia local [2]. Alopecia areata em geral não descama, mas pode ter eritema; distinguir ponto de exclamação dos pelos quebrados da tinea [3][4] |
Tricotilomania | Fios de comprimentos diferentes, em vários estágios de recrescimento, em área de alopecia geométrica [5]; alteração de pele no local sugere outro diagnóstico [5] |
Alopecia cicatricial | Óstios foliculares ausentes indicam provável alopecia cicatricial [2] |
Alopecia androgenética | Padrão masculino ou feminino, com couro cabeludo de aspecto normal e história familiar [2] |
Eflúvio telógeno | Queda difusa, couro cabeludo normal, com evento desencadeante nos meses anteriores [2] (conferir o protocolo Eflúvio Telógeno) |
Fonte: [2][3][4][5]
Conduta nas condições acima:
Conferir o protocolo específico "Tinea capitis", "Tricotilomania", "Alopecias cicatriciais primárias", "Alopecia androgenética masculina" ou "Alopecia androgenética feminina"
Avaliação da gravidade
Escore SALT (percentual do couro cabeludo com alopecia) [1]:
Dividir o couro cabeludo em 4 regiões: superior (40%), lateral direita (18%), lateral esquerda (18%) e posterior (24%)
Estimar a área de alopecia em cada região e somar
Exemplo: metade da região superior (20) mais um quarto da posterior (6) = SALT 26
Áreas de alopecia incluem as sem cabelo e as com cabelo fino
Gravidade | Extensão da alopecia |
|---|---|
Leve | 20% ou menos do couro cabeludo |
Moderada | 21% a 49% do couro cabeludo |
Grave | 50% a 100% do couro cabeludo |
Subir um nível (leve ou moderada), se qualquer um | Impacto psicossocial negativo; acometimento evidente de sobrancelhas ou cílios; resposta inadequada após pelo menos 6 meses de tratamento; teste de tração positivo multifocal |
Fonte: [1]
Para onde ir, por gravidade:
Leve: tratamento local (conferir em "Tratamento local no adulto" ou "Tratamento na criança")
Moderada: tratamento local e avaliação do dermatologista para tratamento sistêmico (conferir em "Quando encaminhar")
Grave: encaminhar ao dermatologista (conferir em "Tratamento pelo especialista")
Prognóstico
Placa única [1]:
Cerca de 50% repilam espontaneamente nos primeiros 6 meses e 70% no primeiro ano
Recidiva possível após a remissão
Formas extensas e ofiásica [1]:
Em geral respondem mal ao tratamento
Cerca de 7% progridem para alopecia total ou universal; nos casos graves, a recuperação espontânea ocorre em menos de 7%
Fatores de pior prognóstico, qualquer um [1]:
Início na infância
Duração maior que 12 meses
Acometimento ungueal
Atopia
Doença autoimune associada
História familiar de alopecia areata
Esquema de tratamento
O que o generalista conduz e o que é do especialista:
Tratamento local: conferir em "Tratamento local no adulto" e "Tratamento na criança"
Tratamento sistêmico, imunoterapia tópica e antralina: conferir em "Tratamento pelo especialista" e "Quando encaminhar"
Adulto [1]:
Leve:
Escolha: corticoide intralesional
Alternativas: corticoide tópico associado a minoxidil tópico; antralina; imunoterapia tópica
Moderada:
Opções da leve
Considerar: minoxidil oral; corticoide sistêmico por curto período; outros imunossupressores
Grave:
Escolha: inibidores de JAK, com minoxidil oral como adjuvante
Progressão rápida: corticoide sistêmico
Inibidor de JAK indisponível: imunossupressores
Criança [1]:
Primeira opção, sobretudo nos casos leves: corticoide tópico de média a alta potência
Contraindicação ou falha do corticoide tópico: antralina, difenciprona ou minoxidil, que podem ser usados em combinação
Formas extensas ou com atividade evidente: considerar tratamento sistêmico
Em qualquer idade:
Explicar a doença, oferecer apoio psicológico e camuflagem (conferir em "Abordagem geral e psicossocial") [1]
Barba, sobrancelhas e cílios: conduta própria (conferir em "Barba, sobrancelhas e cílios") [1]
Manutenção [1]:
Formas localizadas e leves: dispensável
Formas graves: a interrupção costuma levar à recidiva
Tratamento local no adulto
Corticoide intralesional, primeira opção na doença leve a moderada e adjuvante na grave [1]:
Procedimento realizado por médico treinado na técnica
Melhores candidatos: placas isoladas pequenas (menores que 3 cm), ocupando menos de 25% do couro cabeludo [1]
Resposta em geral percebida 6 semanas após o início; resposta significativa costuma aparecer após 3 sessões [1]
Esquemas [1][6][7]:
Triancinolona hexacetonida (Triancil®) susp. inj. 20 mg/mL (frasco-ampola 5 mL)
Concentração final, por área:
Couro cabeludo: 5 mg/mL de triancinolona (faixa clássica de 2,5 a 10 mg/mL)
Face (inclusive barba) e sobrancelhas: 2,5 mg/mL
Outras áreas do corpo: 2,5 a 5 mg/mL
Técnica: 0,02 a 0,1 mL por ponto, com 0,5 a 1 cm entre as punções
Sessões a cada 4 a 6 semanas
Máximo por sessão: 40 mg de triancinolona ou equivalente
Suspender se não houver melhora após 6 meses do início das infiltrações
Administração:
Via intralesional, na derme ou na porção superior do subcutâneo; evitar injeção superficial fora do plano correto
Diluir em soro fisiológico ou solução glicosada, com ou sem lidocaína
Dor: anestésico tópico, vibração ou resfriamento local antes da aplicação
Diluente sem conservante; usar imediatamente após a diluição
Betametasona (Diprospan®) susp. inj. dipropionato de betametasona 5 mg/mL + fosfato dissódico de betametasona 2 mg/mL (ampola 1 mL)
Equivalência a triancinolona 2,5 mg/mL: 0,05 mL de betametasona diluídos em 0,95 mL de SF 0,9%
Mesma técnica, intervalo e limite por sessão da triancinolona
Administração:
Via intralesional, na derme ou na porção superior do subcutâneo
Não usar por via intravenosa ou subcutânea
Considerações:
Não usar lidocaína com metilparabeno, propilparabeno ou fenol no veículo: floculação do corticoide e maior risco de atrofia [1]
Reduzir o risco de atrofia: volumes pequenos, concentrações mais diluídas, punções mais espaçadas [1]
Efeitos adversos: dor e sangramento no local, cefaleia, atrofia, discromia, absorção sistêmica e, muito raramente, anafilaxia [1]
Sobrancelhas: aumento da pressão intraocular e catarata após múltiplas sessões [1]
Triancinolona hexacetonida: contraindicada se qualquer um: tuberculose em atividade; ceratite herpética; micoses sistêmicas; estrongiloidíase; psicose aguda [6]; processo infeccioso [6][7]
Triancinolona hexacetonida: tuberculose latente ou reatividade à tuberculina, observar pelo risco de reativação [7]
Triancinolona hexacetonida: maior risco de atrofia cutânea [1]
Triancinolona hexacetonida: uso fora da bula; a bula indica uso intra-articular [6]
Betametasona: contraindicada em micose sistêmica [6][7] e abaixo de 15 anos [6]
Corticoide tópico [1]:
Indicação: paciente que recusa a infiltração; isolado, em geral só na doença leve; associado ao tratamento sistêmico nos casos extensos
Preferir muito alta potência (clobetasol), em espuma, creme ou pomada [1]
Esquemas [1][7][8]:
Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)
Aplicar nas placas até 5 vezes por semana, para prevenir atrofia
Frequência diária e duração não declaradas na fonte; reavaliar a resposta no seguimento
Lavar o local 12 horas após a aplicação, para reduzir foliculite
Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos
Considerações:
Oclusão parece aumentar a eficácia e pode aumentar os efeitos adversos [1]
Efeitos adversos: foliculite, atrofia, estrias, erupção acneiforme, telangiectasias, discromia e, raramente, supressão adrenal [1]
Uso fora da bula: a bula indica dermatoses do couro cabeludo, como psoríase e eczema [8]
Contraindicado em infecção do couro cabeludo [8]
Minoxidil tópico, adjuvante, sobretudo nas formas localizadas com repilação parcial [1]:
Esquemas [1][9][10]:
Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)
1 ou 2 aplicações diárias
Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto
Administração:
Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos
Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos
Lavar bem as mãos após a aplicação
Considerações:
Efeitos adversos esperados: hipertricose, dermatite de contato e prurido [1]
Uso fora da bula; a bula contraindica o uso em mulheres [9][10]
Tratamento na criança
Primeira opção, sobretudo nos casos leves: corticoide tópico de média a alta potência, da mometasona ao clobetasol 0,05% [1]
Oclusão noturna quando possível: touca de banho, touca de natação ou filme plástico [1]
Esquemas [1][8][11]:
Mometasona (Elocom®) creme 1 mg/g ou pomada 1 mg/g (bisnaga 20 g)
Aplicar nas placas, com oclusão noturna quando possível
Frequência e duração não declaradas na fonte
Administração: via tópica; oclusão somente quando prescrita
Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)
Aplicar nas placas, com oclusão noturna quando possível
Frequência e duração não declaradas na fonte
Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos
Considerações:
Atentar a alterações de crescimento, metabolismo e imunidade em qualquer tratamento na infância [1]
Clobetasol solução capilar: contraindicado abaixo de 1 ano [8]
Mometasona: contraindicada abaixo de 2 anos [11]
Oclusão e áreas extensas aumentam a absorção sistêmica, com risco de supressão adrenal, sobretudo em crianças [11]
Uso fora da bula: as bulas de mometasona e de clobetasol indicam dermatoses como psoríase e eczema, sem alopecia areata [8][11]
Contraindicação ou falha do corticoide tópico: antralina (0,5% a 1%), difenciprona ou minoxidil, que podem ser usados em combinação [1]
Antralina e difenciprona: conferir em "Tratamento pelo especialista"
Minoxidil tópico na criança: concentração não declarada na fonte
Corticoide intralesional: eficaz, mas limitado pela dor e pelo medo de agulha, comuns nessa faixa etária [1]
Formas extensas ou com atividade evidente: tratamento sistêmico pelo especialista (conferir em "Tratamento pelo especialista") [1]
Barba, sobrancelhas e cílios
Barba [1]:
Opções, qualquer uma:
Corticoide tópico, seguido de intralesional
Intralesional diretamente
Triancinolona intralesional a 2,5 mg/mL na face (conferir o bloco em "Tratamento local no adulto")
Minoxidil como adjuvante
Sobrancelhas [1]:
Corticoide tópico de preferência de média potência, em creme, sem escorrer para pálpebras e olhos
Triancinolona intralesional a 2,5 mg/mL, para reduzir o risco de atrofia
Múltiplas sessões: risco de aumento da pressão intraocular e catarata
Cílios [1]:
Análogos de prostaglandina, sobretudo bimatoprosta 0,03% solução: únicos agentes tópicos indicados (conferir em "Tratamento pelo especialista")
Risco de hiperpigmentação palpebral e escurecimento da íris
Gravidade [1]:
Acometimento evidente de sobrancelhas ou cílios sobe um nível e pode indicar tratamento sistêmico (conferir em "Avaliação da gravidade")
Tratamento pelo especialista
Corticoide sistêmico [1]:
Indicação: doença moderada, por curto período; grave com progressão rápida ou extensa com sinais de atividade
Prednisona oral, deflazacorte, pulsoterapia, ou corticoide de depósito IM; recidiva frequente com a redução ou a suspensão
Uso prolongado: monitorização endocrinológica, densitometria óssea e suplementação de cálcio e vitamina D
Inibidores de JAK [1]:
Baricitinibe (a partir de 18 anos) e ritlecitinibe (a partir de 12 anos): aprovados pela Anvisa para alopecia areata grave
Uso limitado pelo custo; recidiva alta após a suspensão exige tratamento contínuo
Antes de iniciar:
Não recomendados na gestação e na lactação
Avaliar risco de trombose, neoplasia e eventos cardiovasculares; conferir interações
Exames: hemograma, função renal, transaminases, bilirrubinas e perfil lipídico
Infecções: sorologias para hepatites B e C e HIV; PPD ou quantiferon e radiografia de tórax
Vacinas: atualizar e considerar vacina contra herpes-zóster
Cautela em idosos, tabagistas e pessoas com risco aumentado de trombose, neoplasia ou eventos cardiovasculares
Seguimento clínico e laboratorial trimestral
Imunossupressores (poupadores de corticoide ou na indisponibilidade de inibidor de JAK) [1]:
Metotrexato:
Suplementar ácido fólico
Antes de iniciar: radiografia de tórax, sorologias para hepatites B e C e HIV, hemograma, beta-hCG e funções renal e hepática
Criança: junto com corticoide sistêmico, é o sistêmico preferido
Ciclosporina: limitada por nefrotoxicidade, imunossupressão e hipertensão arterial
Azatioprina: considerar na doença recalcitrante; associação com metotrexato com cautela
Imunoterapia tópica com difenciprona (manipulada) [1]:
Indicação: doença grave sem sinais de atividade ou localizada refratária, sobretudo em quem não pode ou não quer tratamento sistêmico
Trocar de tratamento após 6 meses sem resposta
Corticoides antagonizam o efeito da antralina e da difenciprona
Outras opções [1]:
Minoxidil oral: adjuvante, sobretudo nos casos extensos em tratamento sistêmico; dose não definida na fonte
Antralina (manipulada): segunda ou terceira linha na doença leve do adulto; opção na criança; adjuvante na grave
Excimer laser ou luz excimer: alternativa nos casos leves e moderados refratários, sobretudo com atrofia por corticoide ou dermatite de contato por outras terapias
Bimatoprosta 0,03%: cílios
💊 Como prescrever?
Triancinolona hexacetonida [1][6]:
Triancinolona hexacetonida (Triancil®) susp. inj. 20 mg/mL (frasco-ampola 5 mL)
Concentração final, por área:
Couro cabeludo: 5 mg/mL de triancinolona (faixa clássica de 2,5 a 10 mg/mL)
Face (inclusive barba) e sobrancelhas: 2,5 mg/mL
Outras áreas do corpo: 2,5 a 5 mg/mL
Técnica: 0,02 a 0,1 mL por ponto, com 0,5 a 1 cm entre as punções
Sessões a cada 4 a 6 semanas
Máximo por sessão: 40 mg de triancinolona ou equivalente
Suspender se não houver melhora após 6 meses do início das infiltrações
Administração:
Via intralesional, na derme ou na porção superior do subcutâneo; evitar injeção superficial fora do plano correto
Diluir em soro fisiológico ou solução glicosada, com ou sem lidocaína
Dor: anestésico tópico, vibração ou resfriamento local antes da aplicação
Diluente sem conservante; usar imediatamente após a diluição
Betametasona [1][6]:
Betametasona (Diprospan®) susp. inj. dipropionato de betametasona 5 mg/mL + fosfato dissódico de betametasona 2 mg/mL (ampola 1 mL)
Equivalência a triancinolona 2,5 mg/mL: 0,05 mL de betametasona diluídos em 0,95 mL de SF 0,9%
Mesma técnica, intervalo e limite por sessão da triancinolona
Administração:
Via intralesional, na derme ou na porção superior do subcutâneo
Não usar por via intravenosa ou subcutânea
Clobetasol, adulto [1][8]:
Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)
Aplicar nas placas até 5 vezes por semana, para prevenir atrofia
Frequência diária e duração não declaradas na fonte; reavaliar a resposta no seguimento
Lavar o local 12 horas após a aplicação, para reduzir foliculite
Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos
Minoxidil [1][9]:
Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)
1 ou 2 aplicações diárias
Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto
Administração:
Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos
Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos
Lavar bem as mãos após a aplicação
Mometasona, criança [1][11]:
Mometasona (Elocom®) creme 1 mg/g ou pomada 1 mg/g (bisnaga 20 g)
Aplicar nas placas, com oclusão noturna quando possível
Frequência e duração não declaradas na fonte
Administração: via tópica; oclusão somente quando prescrita
Clobetasol, criança [1][8]:
Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)
Aplicar nas placas, com oclusão noturna quando possível
Frequência e duração não declaradas na fonte
Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos
Quando encaminhar
Encaminhar ao dermatologista, qualquer um:
Forma difusa aguda, que em geral progride para alopecia total em até 3 meses [1]
Óstios foliculares ausentes (suspeita de alopecia cicatricial) [2]
Doença grave: 50% ou mais do couro cabeludo, ou leve ou moderada que subiu de nível [1]
Criança com forma extensa ou atividade evidente, em que se indica tratamento sistêmico [1]
Doença moderada com indicação de tratamento sistêmico [1]
Sem melhora após 6 meses de infiltração, quando a infiltração deve ser suspensa [1]
Indicação de difenciprona ou antralina
Dúvida diagnóstica: a histopatologia pode ser feita em casos duvidosos [1]
Considerar encaminhamento:
Alopecia além do couro cabeludo [2]
Seguimento
Intervalo de retorno [1]:
Infiltração: a cada 4 a 6 semanas
Tratamento tópico domiciliar: a cada 2 a 3 meses
Difenciprona: semanal ou quinzenal
Tratamento sistêmico: conforme o fármaco e o estado do paciente
Registro [1]:
Fotografias clínicas padronizadas (topo, laterais e occipital) na consulta inicial e no mínimo trimestralmente
SALT e acometimento de unhas e pelos do corpo em prontuário
Reavaliar a gravidade a cada consulta: resposta inadequada após pelo menos 6 meses de tratamento sobe um nível de gravidade (conferir em "Avaliação da gravidade") [1]
Referências
[1] RAMOS, Paulo Müller; ANZAI, Alessandra; DUQUE-ESTRADA, Bruna; et al. II Consensus of the Brazilian Society of Dermatology for the treatment of alopecia areata. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 100, n. 2, p. 328-341, 2025. DOI: 10.1016/j.abd.2024.10.001. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.abd.2024.10.001. Acesso em: 23 out. 2026.
[2] PHILLIPS, T. Grant; SLOMIANY, W. Paul; ALLISON, Robert. Hair Loss: Common Causes and Treatment. American Family Physician, v. 96, n. 6, p. 371-378, 2017. Disponível em: https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2017/0915/p371.html. Acesso em: 23 out. 2026.
[3] FULLER, L. C.; BARTON, R. C.; MOHD MUSTAPA, M. F.; et al. British Association of Dermatologists' guidelines for the management of tinea capitis 2014. British Journal of Dermatology, v. 171, n. 3, p. 454-463, 2014. DOI: 10.1111/bjd.13196. Disponível em: https://doi.org/10.1111/bjd.13196. Acesso em: 23 out. 2026.
[4] DEUTSCHE DERMATOLOGISCHE GESELLSCHAFT (DDG). S1-Leitlinie Tinea capitis. AWMF-Register-Nr. 013-033. Versão 4.0. Dez. 2025. Disponível em: https://register.awmf.org/de/leitlinien/detail/013-033. Acesso em: 23 out. 2026.
[5] PEREYRA, Aubree D.; SAADABADI, Abdolreza. Trichotillomania. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK493186/. Acesso em: 23 out. 2026.
[6] HOSPITAL SÃO CAMILO. Guia Farmacêutico: triancinolona hexacetonida; dipropionato de betametasona + fosfato dissódico de betametasona. 2022. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br/. Acesso em: 23 out. 2026.
[7] HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Manual Farmacêutico: Triancil (atualização em 09/08/2018); Diprospan (atualização em 11/01/2021); Psorex creme (atualização em 13/07/2024). Disponível em: https://aplicacoes.einstein.br/manualfarmaceutico/. Acesso em: 23 out. 2026.
[8] GLAXOSMITHKLINE BRASIL. Psorex® capilar (propionato de clobetasol): solução tópica 0,5 mg/g. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 03/10/2025. Disponível em: https://br.gsk.com/media/o3yp2ou3/psorex-capilar.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.
[9] ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS. Pant Sec 5% (minoxidil): solução capilar 50 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 23/12/2024. Disponível em: https://www.ache.com.br/wp-content/uploads/PANT-SEC-VPS-SITE-3.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.
[10] EUROFARMA. Pilox (minoxidil): solução spray capilar 5%. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 18/12/2025. Disponível em: https://momentafarma.com.br/produtos/bulas/healthcare/pt/bula-pilox.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.
[11] HYPERMARCAS S.A. Elocom® (furoato de mometasona): creme 1 mg/g e pomada 1 mg/g. Bula para o paciente (versão BU04_042014). Texto de bula incluído em 25/06/2014, conforme histórico de alteração da bula. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 23 out. 2026.
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