Alopecia Areata

CID-10: L63.9 - Alopecia areata, não especificada

Introdução

  • A alopecia areata é uma doença autoimune dirigida ao folículo piloso em fase anágena e uma causa comum de alopecia não cicatricial [1].

  • Costuma se manifestar antes dos 40 anos, sem predileção por sexo ou etnia, e até 60% dos casos começam nas duas primeiras décadas de vida [1].

  • O risco de desenvolver a doença ao longo da vida é estimado em 2%, e as formas graves são menos frequentes [1].

  • O tratamento é guiado pela gravidade, medida pela extensão da alopecia no couro cabeludo (escore SALT), e não pela forma clínica [1]. Nenhuma terapia comprovadamente modifica o curso da doença a longo prazo [1].

🔑 Pontos-chave:

  • Qualquer um (descamação, pústulas, crostas, eritema com adenopatia local): pensar em tinea capitis, que exige outra conduta [2][3]

  • Ausência de óstios foliculares sugere alopecia cicatricial: encaminhar ao dermatologista [2]

  • Forma difusa aguda em geral evolui para alopecia total em até 3 meses [1]: encaminhar ao dermatologista

  • Doença grave (50% ou mais do couro cabeludo, ou leve ou moderada que subiu de nível): encaminhar ao dermatologista; inibidores de JAK exigem rastreio prévio de tuberculose e sorologias [1]

  • Gravidade pelo SALT: leve até 20%, moderada 21% a 49%, grave 50% a 100% do couro cabeludo [1]

  • Leve ou moderada sobe um nível de gravidade se qualquer um: impacto psicossocial negativo; acometimento evidente de sobrancelhas ou cílios; resposta inadequada após pelo menos 6 meses de tratamento; teste de tração positivo multifocal [1]

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🎯 Fluxograma de manejo

O fluxograma organiza o manejo da alopecia areata no adulto e na criança. Parte da suspeita de alopecia areata, com alopecia em placas circunscritas, ovais ou arredondadas, ou outra forma clínica (conferir em Formas clínicas). Faz-se o exame do couro cabeludo, dos pelos do corpo e das unhas, com teste de tração (conferir em Diagnóstico). Pergunta-se se há qualquer um: descamação, pústulas, crostas ou eritema com adenopatia local; óstios foliculares ausentes; fios de comprimentos diferentes em área geométrica. Se sim, considerar outro diagnóstico (conferir em Diagnóstico diferencial). Se não, calcula-se o SALT e classifica-se a gravidade: leve até 20%; moderada de 21% a 49%; grave de 50% a 100% (conferir em Avaliação da gravidade). Em seguida, pergunta-se se a doença leve ou moderada tem qualquer um: impacto psicossocial negativo; acometimento evidente de sobrancelhas ou cílios; resposta inadequada após pelo menos 6 meses de tratamento; teste de tração positivo multifocal. Se sim, sobe-se um nível de gravidade. Nos dois casos, em todos, explicar a doença e oferecer apoio psicológico e camuflagem (conferir em Abordagem geral e psicossocial). Pergunta-se a faixa etária. No adulto, pergunta-se a gravidade. Na doença leve: triancinolona hexacetonida intralesional, 5 mg/mL no couro cabeludo, com sessões a cada 4 a 6 semanas; na recusa da infiltração, corticoide tópico de muito alta potência; como adjuvante, minoxidil tópico 5% (conferir em Tratamento local no adulto). Depois, pergunta-se se houve resposta adequada após pelo menos 6 meses de tratamento, com infiltração ou corticoide tópico: se sim, manter o tratamento e o seguimento, com infiltração a cada 4 a 6 semanas e tratamento tópico domiciliar a cada 2 a 3 meses (conferir em Seguimento); se não, encaminhar ao dermatologista. Na doença moderada: tratamento local como na leve e encaminhamento ao dermatologista para avaliar tratamento sistêmico (conferir em Quando encaminhar). Na doença grave: encaminhar ao dermatologista. Na criança, pergunta-se se há forma extensa ou atividade evidente: se sim, encaminhar ao dermatologista; se não, corticoide tópico de média a alta potência, com oclusão noturna quando possível (conferir em Tratamento na criança). O encaminhamento ao dermatologista remete a Tratamento pelo especialista. Um ícone de alerta marca a triancinolona hexacetonida, após o nome; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: SALT, escore de extensão da alopecia no couro cabeludo. Fonte: referências [1], [2] e [5] do artigo.

Formas clínicas

Forma

Apresentação

Em placas

Áreas de alopecia circunscritas, ovais ou arredondadas, únicas ou múltiplas

Total

Alopecia de todo o couro cabeludo

Universal

Alopecia de todo o corpo

Ofiásica

Alopecia em faixa nas regiões laterais e occipital do couro cabeludo

Sisaifo (ofíase inversa)

Alopecia na área frontoparietal, poupando as regiões laterais e occipital

Difusa

Redução global da densidade, sem placas

Difusa aguda e total

Queda difusa, progressiva e rápida, que em geral evolui para alopecia total em até 3 meses

Fonte: [1]

Diagnóstico

  • Diagnóstico clínico e dermatoscópico [1]:

    • Histopatologia: pode ser feita em casos duvidosos [1]

  • Achados ao exame [2]:

    • Placas circunscritas, ovais, da cor da pele, em qualquer parte do corpo

    • Pelos em ponto de exclamação: mais finos junto ao couro cabeludo

    • Pelos velos curtos, pontos amarelos ou pretos e hastes quebradas, achados que não são específicos da alopecia areata

    • Depressões puntiformes nas unhas (pitting) podem estar associadas

  • Teste de tração [2]:

    • Técnica: segurar cerca de 40 a 60 fios pela base, entre polegar, indicador e médio, e tracionar suavemente para longe do couro cabeludo

    • Positivo: mais de 10% dos fios arrancados; indica queda ativa e sugere eflúvio telógeno, eflúvio anágeno ou alopecia areata

    • Teste negativo não exclui essas condições

    • Positivo em vários locais (multifocal): critério que aumenta a gravidade da alopecia areata [1]

  • Exames complementares, não obrigatórios, conforme a suspeita clínica [1]:

    • Hemograma e glicemia de jejum

    • FAN

    • Sorologia para sífilis (conferir o protocolo Sífilis no Adulto)

    • TSH, T4 livre, anti-TPO e antitireoglobulina

    • 25-OH vitamina D, vitamina B12, zinco e ferritina

    • Proteína C reativa

Diagnóstico diferencial

Condição

Achados que ajudam a diferenciar

Tinea capitis

Qualquer um sugere infecção: descamação, pústulas, crostas, erosões ou eritema com adenopatia local [2]. Alopecia areata em geral não descama, mas pode ter eritema; distinguir ponto de exclamação dos pelos quebrados da tinea [3][4]

Tricotilomania

Fios de comprimentos diferentes, em vários estágios de recrescimento, em área de alopecia geométrica [5]; alteração de pele no local sugere outro diagnóstico [5]

Alopecia cicatricial

Óstios foliculares ausentes indicam provável alopecia cicatricial [2]

Alopecia androgenética

Padrão masculino ou feminino, com couro cabeludo de aspecto normal e história familiar [2]

Eflúvio telógeno

Queda difusa, couro cabeludo normal, com evento desencadeante nos meses anteriores [2] (conferir o protocolo Eflúvio Telógeno)

Fonte: [2][3][4][5]

  • Conduta nas condições acima:

    • Conferir o protocolo específico "Tinea capitis", "Tricotilomania", "Alopecias cicatriciais primárias", "Alopecia androgenética masculina" ou "Alopecia androgenética feminina"

Avaliação da gravidade

  • Escore SALT (percentual do couro cabeludo com alopecia) [1]:

    • Dividir o couro cabeludo em 4 regiões: superior (40%), lateral direita (18%), lateral esquerda (18%) e posterior (24%)

    • Estimar a área de alopecia em cada região e somar

    • Exemplo: metade da região superior (20) mais um quarto da posterior (6) = SALT 26

    • Áreas de alopecia incluem as sem cabelo e as com cabelo fino

Gravidade

Extensão da alopecia

Leve

20% ou menos do couro cabeludo

Moderada

21% a 49% do couro cabeludo

Grave

50% a 100% do couro cabeludo

Subir um nível (leve ou moderada), se qualquer um

Impacto psicossocial negativo; acometimento evidente de sobrancelhas ou cílios; resposta inadequada após pelo menos 6 meses de tratamento; teste de tração positivo multifocal

Fonte: [1]

  • Para onde ir, por gravidade:

    • Leve: tratamento local (conferir em "Tratamento local no adulto" ou "Tratamento na criança")

    • Moderada: tratamento local e avaliação do dermatologista para tratamento sistêmico (conferir em "Quando encaminhar")

    • Grave: encaminhar ao dermatologista (conferir em "Tratamento pelo especialista")

Prognóstico

  • Placa única [1]:

    • Cerca de 50% repilam espontaneamente nos primeiros 6 meses e 70% no primeiro ano

    • Recidiva possível após a remissão

  • Formas extensas e ofiásica [1]:

    • Em geral respondem mal ao tratamento

    • Cerca de 7% progridem para alopecia total ou universal; nos casos graves, a recuperação espontânea ocorre em menos de 7%

  • Fatores de pior prognóstico, qualquer um [1]:

    • Início na infância

    • Duração maior que 12 meses

    • Acometimento ungueal

    • Atopia

    • Doença autoimune associada

    • História familiar de alopecia areata

Abordagem geral e psicossocial

  • Explicar ao paciente a natureza e o curso da doença e as terapias disponíveis, com discussão realista das expectativas [1]

  • Apoio psicológico ao paciente e, na criança, aos cuidadores; a alopecia areata não deve ser tratada como "só queda de cabelo" ou condição "cosmética" [1]

  • Camuflagem, estimulada inclusive durante o tratamento [1]:

    • Próteses capilares parciais ou totais, extensões e apliques; peruca ou prótese quando não há remissão [1][2]

    • Fibras, sprays, ceras e pós pigmentados

    • Tricopigmentação do couro cabeludo e das sobrancelhas; cílios postiços e próteses de sobrancelha

Esquema de tratamento

  • O que o generalista conduz e o que é do especialista:

    • Tratamento local: conferir em "Tratamento local no adulto" e "Tratamento na criança"

    • Tratamento sistêmico, imunoterapia tópica e antralina: conferir em "Tratamento pelo especialista" e "Quando encaminhar"

  • Adulto [1]:

    • Leve:

      • Escolha: corticoide intralesional

      • Alternativas: corticoide tópico associado a minoxidil tópico; antralina; imunoterapia tópica

    • Moderada:

      • Opções da leve

      • Considerar: minoxidil oral; corticoide sistêmico por curto período; outros imunossupressores

    • Grave:

      • Escolha: inibidores de JAK, com minoxidil oral como adjuvante

      • Progressão rápida: corticoide sistêmico

      • Inibidor de JAK indisponível: imunossupressores

  • Criança [1]:

    • Primeira opção, sobretudo nos casos leves: corticoide tópico de média a alta potência

    • Contraindicação ou falha do corticoide tópico: antralina, difenciprona ou minoxidil, que podem ser usados em combinação

    • Formas extensas ou com atividade evidente: considerar tratamento sistêmico

  • Em qualquer idade:

    • Explicar a doença, oferecer apoio psicológico e camuflagem (conferir em "Abordagem geral e psicossocial") [1]

    • Barba, sobrancelhas e cílios: conduta própria (conferir em "Barba, sobrancelhas e cílios") [1]

  • Manutenção [1]:

    • Formas localizadas e leves: dispensável

    • Formas graves: a interrupção costuma levar à recidiva

Tratamento local no adulto

  • Corticoide intralesional, primeira opção na doença leve a moderada e adjuvante na grave [1]:

    • Procedimento realizado por médico treinado na técnica

    • Melhores candidatos: placas isoladas pequenas (menores que 3 cm), ocupando menos de 25% do couro cabeludo [1]

    • Resposta em geral percebida 6 semanas após o início; resposta significativa costuma aparecer após 3 sessões [1]

    • Esquemas [1][6][7]:

      • Triancinolona hexacetonida (Triancil®) susp. inj. 20 mg/mL (frasco-ampola 5 mL)

        • Concentração final, por área:

          • Couro cabeludo: 5 mg/mL de triancinolona (faixa clássica de 2,5 a 10 mg/mL)

          • Face (inclusive barba) e sobrancelhas: 2,5 mg/mL

          • Outras áreas do corpo: 2,5 a 5 mg/mL

        • Técnica: 0,02 a 0,1 mL por ponto, com 0,5 a 1 cm entre as punções

        • Sessões a cada 4 a 6 semanas

        • Máximo por sessão: 40 mg de triancinolona ou equivalente

        • Suspender se não houver melhora após 6 meses do início das infiltrações

        • Administração:

          • Via intralesional, na derme ou na porção superior do subcutâneo; evitar injeção superficial fora do plano correto

          • Diluir em soro fisiológico ou solução glicosada, com ou sem lidocaína

          • Dor: anestésico tópico, vibração ou resfriamento local antes da aplicação

          • Diluente sem conservante; usar imediatamente após a diluição

      • Betametasona (Diprospan®) susp. inj. dipropionato de betametasona 5 mg/mL + fosfato dissódico de betametasona 2 mg/mL (ampola 1 mL)

        • Equivalência a triancinolona 2,5 mg/mL: 0,05 mL de betametasona diluídos em 0,95 mL de SF 0,9%

        • Mesma técnica, intervalo e limite por sessão da triancinolona

        • Administração:

          • Via intralesional, na derme ou na porção superior do subcutâneo

          • Não usar por via intravenosa ou subcutânea

      • Considerações:

        • Não usar lidocaína com metilparabeno, propilparabeno ou fenol no veículo: floculação do corticoide e maior risco de atrofia [1]

        • Reduzir o risco de atrofia: volumes pequenos, concentrações mais diluídas, punções mais espaçadas [1]

        • Efeitos adversos: dor e sangramento no local, cefaleia, atrofia, discromia, absorção sistêmica e, muito raramente, anafilaxia [1]

        • Sobrancelhas: aumento da pressão intraocular e catarata após múltiplas sessões [1]

        • Triancinolona hexacetonida: contraindicada se qualquer um: tuberculose em atividade; ceratite herpética; micoses sistêmicas; estrongiloidíase; psicose aguda [6]; processo infeccioso [6][7]

        • Triancinolona hexacetonida: tuberculose latente ou reatividade à tuberculina, observar pelo risco de reativação [7]

        • Triancinolona hexacetonida: maior risco de atrofia cutânea [1]

        • Triancinolona hexacetonida: uso fora da bula; a bula indica uso intra-articular [6]

        • Betametasona: contraindicada em micose sistêmica [6][7] e abaixo de 15 anos [6]

  • Corticoide tópico [1]:

    • Indicação: paciente que recusa a infiltração; isolado, em geral só na doença leve; associado ao tratamento sistêmico nos casos extensos

    • Preferir muito alta potência (clobetasol), em espuma, creme ou pomada [1]

    • Esquemas [1][7][8]:

      • Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)

        • Aplicar nas placas até 5 vezes por semana, para prevenir atrofia

        • Frequência diária e duração não declaradas na fonte; reavaliar a resposta no seguimento

        • Lavar o local 12 horas após a aplicação, para reduzir foliculite

        • Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos

      • Considerações:

        • Oclusão parece aumentar a eficácia e pode aumentar os efeitos adversos [1]

        • Efeitos adversos: foliculite, atrofia, estrias, erupção acneiforme, telangiectasias, discromia e, raramente, supressão adrenal [1]

        • Uso fora da bula: a bula indica dermatoses do couro cabeludo, como psoríase e eczema [8]

        • Contraindicado em infecção do couro cabeludo [8]

  • Minoxidil tópico, adjuvante, sobretudo nas formas localizadas com repilação parcial [1]:

    • Esquemas [1][9][10]:

      • Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)

        • 1 ou 2 aplicações diárias

        • Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto

        • Administração:

          • Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos

          • Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos

          • Lavar bem as mãos após a aplicação

      • Considerações:

        • Efeitos adversos esperados: hipertricose, dermatite de contato e prurido [1]

        • Uso fora da bula; a bula contraindica o uso em mulheres [9][10]

Tratamento na criança

  • Primeira opção, sobretudo nos casos leves: corticoide tópico de média a alta potência, da mometasona ao clobetasol 0,05% [1]

    • Oclusão noturna quando possível: touca de banho, touca de natação ou filme plástico [1]

    • Esquemas [1][8][11]:

      • Mometasona (Elocom®) creme 1 mg/g ou pomada 1 mg/g (bisnaga 20 g)

        • Aplicar nas placas, com oclusão noturna quando possível

        • Frequência e duração não declaradas na fonte

        • Administração: via tópica; oclusão somente quando prescrita

      • Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)

        • Aplicar nas placas, com oclusão noturna quando possível

        • Frequência e duração não declaradas na fonte

        • Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos

      • Considerações:

        • Atentar a alterações de crescimento, metabolismo e imunidade em qualquer tratamento na infância [1]

        • Clobetasol solução capilar: contraindicado abaixo de 1 ano [8]

        • Mometasona: contraindicada abaixo de 2 anos [11]

        • Oclusão e áreas extensas aumentam a absorção sistêmica, com risco de supressão adrenal, sobretudo em crianças [11]

        • Uso fora da bula: as bulas de mometasona e de clobetasol indicam dermatoses como psoríase e eczema, sem alopecia areata [8][11]

  • Contraindicação ou falha do corticoide tópico: antralina (0,5% a 1%), difenciprona ou minoxidil, que podem ser usados em combinação [1]

    • Antralina e difenciprona: conferir em "Tratamento pelo especialista"

    • Minoxidil tópico na criança: concentração não declarada na fonte

  • Corticoide intralesional: eficaz, mas limitado pela dor e pelo medo de agulha, comuns nessa faixa etária [1]

  • Formas extensas ou com atividade evidente: tratamento sistêmico pelo especialista (conferir em "Tratamento pelo especialista") [1]

Barba, sobrancelhas e cílios

  • Barba [1]:

    • Opções, qualquer uma:

      • Corticoide tópico, seguido de intralesional

      • Intralesional diretamente

    • Triancinolona intralesional a 2,5 mg/mL na face (conferir o bloco em "Tratamento local no adulto")

    • Minoxidil como adjuvante

  • Sobrancelhas [1]:

    • Corticoide tópico de preferência de média potência, em creme, sem escorrer para pálpebras e olhos

    • Triancinolona intralesional a 2,5 mg/mL, para reduzir o risco de atrofia

    • Múltiplas sessões: risco de aumento da pressão intraocular e catarata

  • Cílios [1]:

    • Análogos de prostaglandina, sobretudo bimatoprosta 0,03% solução: únicos agentes tópicos indicados (conferir em "Tratamento pelo especialista")

    • Risco de hiperpigmentação palpebral e escurecimento da íris

  • Gravidade [1]:

    • Acometimento evidente de sobrancelhas ou cílios sobe um nível e pode indicar tratamento sistêmico (conferir em "Avaliação da gravidade")

Tratamento pelo especialista

  • Corticoide sistêmico [1]:

    • Indicação: doença moderada, por curto período; grave com progressão rápida ou extensa com sinais de atividade

    • Prednisona oral, deflazacorte, pulsoterapia, ou corticoide de depósito IM; recidiva frequente com a redução ou a suspensão

    • Uso prolongado: monitorização endocrinológica, densitometria óssea e suplementação de cálcio e vitamina D

  • Inibidores de JAK [1]:

    • Baricitinibe (a partir de 18 anos) e ritlecitinibe (a partir de 12 anos): aprovados pela Anvisa para alopecia areata grave

    • Uso limitado pelo custo; recidiva alta após a suspensão exige tratamento contínuo

    • Antes de iniciar:

      • Não recomendados na gestação e na lactação

      • Avaliar risco de trombose, neoplasia e eventos cardiovasculares; conferir interações

      • Exames: hemograma, função renal, transaminases, bilirrubinas e perfil lipídico

      • Infecções: sorologias para hepatites B e C e HIV; PPD ou quantiferon e radiografia de tórax

      • Vacinas: atualizar e considerar vacina contra herpes-zóster

    • Cautela em idosos, tabagistas e pessoas com risco aumentado de trombose, neoplasia ou eventos cardiovasculares

    • Seguimento clínico e laboratorial trimestral

  • Imunossupressores (poupadores de corticoide ou na indisponibilidade de inibidor de JAK) [1]:

    • Metotrexato:

      • Suplementar ácido fólico

      • Antes de iniciar: radiografia de tórax, sorologias para hepatites B e C e HIV, hemograma, beta-hCG e funções renal e hepática

      • Criança: junto com corticoide sistêmico, é o sistêmico preferido

    • Ciclosporina: limitada por nefrotoxicidade, imunossupressão e hipertensão arterial

    • Azatioprina: considerar na doença recalcitrante; associação com metotrexato com cautela

  • Imunoterapia tópica com difenciprona (manipulada) [1]:

    • Indicação: doença grave sem sinais de atividade ou localizada refratária, sobretudo em quem não pode ou não quer tratamento sistêmico

    • Trocar de tratamento após 6 meses sem resposta

    • Corticoides antagonizam o efeito da antralina e da difenciprona

  • Outras opções [1]:

    • Minoxidil oral: adjuvante, sobretudo nos casos extensos em tratamento sistêmico; dose não definida na fonte

    • Antralina (manipulada): segunda ou terceira linha na doença leve do adulto; opção na criança; adjuvante na grave

    • Excimer laser ou luz excimer: alternativa nos casos leves e moderados refratários, sobretudo com atrofia por corticoide ou dermatite de contato por outras terapias

    • Bimatoprosta 0,03%: cílios

💊 Como prescrever?

Triancinolona hexacetonida [1][6]:

  • Triancinolona hexacetonida (Triancil®) susp. inj. 20 mg/mL (frasco-ampola 5 mL)

    • Concentração final, por área:

      • Couro cabeludo: 5 mg/mL de triancinolona (faixa clássica de 2,5 a 10 mg/mL)

      • Face (inclusive barba) e sobrancelhas: 2,5 mg/mL

      • Outras áreas do corpo: 2,5 a 5 mg/mL

    • Técnica: 0,02 a 0,1 mL por ponto, com 0,5 a 1 cm entre as punções

    • Sessões a cada 4 a 6 semanas

    • Máximo por sessão: 40 mg de triancinolona ou equivalente

    • Suspender se não houver melhora após 6 meses do início das infiltrações

    • Administração:

      • Via intralesional, na derme ou na porção superior do subcutâneo; evitar injeção superficial fora do plano correto

      • Diluir em soro fisiológico ou solução glicosada, com ou sem lidocaína

      • Dor: anestésico tópico, vibração ou resfriamento local antes da aplicação

      • Diluente sem conservante; usar imediatamente após a diluição

Betametasona [1][6]:

  • Betametasona (Diprospan®) susp. inj. dipropionato de betametasona 5 mg/mL + fosfato dissódico de betametasona 2 mg/mL (ampola 1 mL)

    • Equivalência a triancinolona 2,5 mg/mL: 0,05 mL de betametasona diluídos em 0,95 mL de SF 0,9%

    • Mesma técnica, intervalo e limite por sessão da triancinolona

    • Administração:

      • Via intralesional, na derme ou na porção superior do subcutâneo

      • Não usar por via intravenosa ou subcutânea

Clobetasol, adulto [1][8]:

  • Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)

    • Aplicar nas placas até 5 vezes por semana, para prevenir atrofia

    • Frequência diária e duração não declaradas na fonte; reavaliar a resposta no seguimento

    • Lavar o local 12 horas após a aplicação, para reduzir foliculite

    • Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos

Minoxidil [1][9]:

  • Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)

    • 1 ou 2 aplicações diárias

    • Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto

    • Administração:

      • Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos

      • Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos

      • Lavar bem as mãos após a aplicação

Mometasona, criança [1][11]:

  • Mometasona (Elocom®) creme 1 mg/g ou pomada 1 mg/g (bisnaga 20 g)

    • Aplicar nas placas, com oclusão noturna quando possível

    • Frequência e duração não declaradas na fonte

    • Administração: via tópica; oclusão somente quando prescrita

Clobetasol, criança [1][8]:

  • Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)

    • Aplicar nas placas, com oclusão noturna quando possível

    • Frequência e duração não declaradas na fonte

    • Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos

Quando encaminhar

  • Encaminhar ao dermatologista, qualquer um:

    • Forma difusa aguda, que em geral progride para alopecia total em até 3 meses [1]

    • Óstios foliculares ausentes (suspeita de alopecia cicatricial) [2]

    • Doença grave: 50% ou mais do couro cabeludo, ou leve ou moderada que subiu de nível [1]

    • Criança com forma extensa ou atividade evidente, em que se indica tratamento sistêmico [1]

    • Doença moderada com indicação de tratamento sistêmico [1]

    • Sem melhora após 6 meses de infiltração, quando a infiltração deve ser suspensa [1]

    • Indicação de difenciprona ou antralina

    • Dúvida diagnóstica: a histopatologia pode ser feita em casos duvidosos [1]

  • Considerar encaminhamento:

    • Alopecia além do couro cabeludo [2]

Seguimento

  • Intervalo de retorno [1]:

    • Infiltração: a cada 4 a 6 semanas

    • Tratamento tópico domiciliar: a cada 2 a 3 meses

    • Difenciprona: semanal ou quinzenal

    • Tratamento sistêmico: conforme o fármaco e o estado do paciente

  • Registro [1]:

    • Fotografias clínicas padronizadas (topo, laterais e occipital) na consulta inicial e no mínimo trimestralmente

    • SALT e acometimento de unhas e pelos do corpo em prontuário

  • Reavaliar a gravidade a cada consulta: resposta inadequada após pelo menos 6 meses de tratamento sobe um nível de gravidade (conferir em "Avaliação da gravidade") [1]

Referências

[1] RAMOS, Paulo Müller; ANZAI, Alessandra; DUQUE-ESTRADA, Bruna; et al. II Consensus of the Brazilian Society of Dermatology for the treatment of alopecia areata. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 100, n. 2, p. 328-341, 2025. DOI: 10.1016/j.abd.2024.10.001. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.abd.2024.10.001. Acesso em: 23 out. 2026.

[2] PHILLIPS, T. Grant; SLOMIANY, W. Paul; ALLISON, Robert. Hair Loss: Common Causes and Treatment. American Family Physician, v. 96, n. 6, p. 371-378, 2017. Disponível em: https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2017/0915/p371.html. Acesso em: 23 out. 2026.

[3] FULLER, L. C.; BARTON, R. C.; MOHD MUSTAPA, M. F.; et al. British Association of Dermatologists' guidelines for the management of tinea capitis 2014. British Journal of Dermatology, v. 171, n. 3, p. 454-463, 2014. DOI: 10.1111/bjd.13196. Disponível em: https://doi.org/10.1111/bjd.13196. Acesso em: 23 out. 2026.

[4] DEUTSCHE DERMATOLOGISCHE GESELLSCHAFT (DDG). S1-Leitlinie Tinea capitis. AWMF-Register-Nr. 013-033. Versão 4.0. Dez. 2025. Disponível em: https://register.awmf.org/de/leitlinien/detail/013-033. Acesso em: 23 out. 2026.

[5] PEREYRA, Aubree D.; SAADABADI, Abdolreza. Trichotillomania. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK493186/. Acesso em: 23 out. 2026.

[6] HOSPITAL SÃO CAMILO. Guia Farmacêutico: triancinolona hexacetonida; dipropionato de betametasona + fosfato dissódico de betametasona. 2022. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br/. Acesso em: 23 out. 2026.

[7] HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Manual Farmacêutico: Triancil (atualização em 09/08/2018); Diprospan (atualização em 11/01/2021); Psorex creme (atualização em 13/07/2024). Disponível em: https://aplicacoes.einstein.br/manualfarmaceutico/. Acesso em: 23 out. 2026.

[8] GLAXOSMITHKLINE BRASIL. Psorex® capilar (propionato de clobetasol): solução tópica 0,5 mg/g. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 03/10/2025. Disponível em: https://br.gsk.com/media/o3yp2ou3/psorex-capilar.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.

[9] ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS. Pant Sec 5% (minoxidil): solução capilar 50 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 23/12/2024. Disponível em: https://www.ache.com.br/wp-content/uploads/PANT-SEC-VPS-SITE-3.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.

[10] EUROFARMA. Pilox (minoxidil): solução spray capilar 5%. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 18/12/2025. Disponível em: https://momentafarma.com.br/produtos/bulas/healthcare/pt/bula-pilox.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.

[11] HYPERMARCAS S.A. Elocom® (furoato de mometasona): creme 1 mg/g e pomada 1 mg/g. Bula para o paciente (versão BU04_042014). Texto de bula incluído em 25/06/2014, conforme histórico de alteração da bula. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 23 out. 2026.

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