Eflúvio Telógeno

CID 10: L650 - Eflúvio telógeno

Introdução

  • Eflúvio telógeno é uma forma reversível de alopecia não cicatricial, caracterizada por queda difusa de cabelo, geralmente de início agudo, resultante da conversão precoce e excessiva de folículos capilares da fase anágena (crescimento) para a fase telógena (repouso) [3][4][5].

  • A proporção fisiológica de fios é de 90% em anágeno e 10% em telógeno segundo Landells 2025, que descreve alteração para aproximadamente 70% e 30%, respectivamente, no eflúvio telógeno, com a queda diária aumentando de 100 para até 300 fios [3]. Segundo o StatPearls, a proporção fisiológica é de 85% em anágeno e 15% em telógeno e, sob estresse significativo, aproximadamente 70% do cabelo anágeno passa para a fase telógena [4].

  • O eflúvio agudo tem duração inferior a 6 meses [4][5]; o início da queda ocorre cerca de 3 meses após o gatilho [3][4], com variação de 1 a 6 meses [4], ou de 2 a 3 meses [5]. O eflúvio crônico tem duração superior a 6 meses [3][5], curso flutuante e predomina em mulheres de meia-idade [5].

  • É uma das causas mais comuns de alopecia [3][5]. Não há predileção racial e afeta homens e mulheres [4][5], com maior procura por atendimento entre mulheres, por maior sensibilidade à perda capilar e por gatilhos hormonais, como o pós-parto [4][5]. Idosas têm maior suscetibilidade ao eflúvio agudo após febre, trauma, hemorragia ou estresse psicológico [5].

  • A incidência real é desconhecida, pela alta proporção de casos subclínicos [5]. A proporção de casos agudos sem causa identificada é de 30% [2] ou 33% [5].

🔑 Pontos-chave:

  • Excluir alopecia areata, eflúvio anágeno, alopecia androgenética, alopecia cicatricial, sífilis e tricotilomania antes de fechar o diagnóstico [3][4]

  • Eflúvio telógeno crônico (mais de 6 meses): investigar disfunção tireoidiana [3][4]; a tireoidite de Hashimoto é a doença autoimune mais comumente associada [2]

  • Revisão completa de medicamentos é obrigatória: a queda por fármaco costuma surgir após 12 semanas de uso, e mudanças recentes de dose também podem desencadeá-la [5]

  • O gatilho costuma ocorrer 1 a 6 meses (em média 3) antes do início da queda; o paciente frequentemente já se recuperou do evento agudo e não reconhece a relação temporal, o que exige busca ativa na história [4]

  • Reasseguração e educação do paciente são parte central do tratamento; o crescimento reinicia em 3 a 6 meses após a correção do gatilho [3]; a restauração completa pode levar de vários meses a 1 ano [4]

  • Minoxidil oral: contraindicado em feocromocitoma e porfiria [9]

  • Minoxidil oral: monitorar pressão arterial, frequência cardíaca e sinais de retenção hídrica [8]

  • Minoxidil solução capilar a 5%: contraindicado para mulheres, segundo bula brasileira; nesse grupo, a opção é a concentração de 2%, manipulada [6]

  • Minoxidil solução capilar a 5%: a bula não recomenda na perda repentina de cabelos nem quando a queda decorre de medicamento, deficiência alimentar, quimioterapia ou enfermidades [6]

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🎯 Fluxograma de manejo

Diante de queda difusa de cabelo, realizar anamnese, exame do couro cabeludo e teste de tração, com busca ativa de gatilhos e revisão completa das medicações. Se houver queda em placas, descamação, crostas ou pústulas, ausência de óstios foliculares ou fios anágenos no teste de tração, investigar outros diagnósticos, incluindo alopecia areata, eflúvio anágeno, alopecia androgenética, alopecia cicatricial e sífilis; na presença de descamação ou pústulas, considerar raspado e cultura.

Na ausência desses achados, considerar eflúvio telógeno provável e investigar causas associadas com hemograma, ferritina, TSH, vitamina D, zinco e vitamina B12, acrescentando investigação para sífilis quando houver indicação clínica. Se a queda persistir por mais de 6 meses, considerar eflúvio telógeno crônico, investigar disfunção tireoidiana e considerar biópsia do couro cabeludo.

Em seguida, avaliar a situação do gatilho. Se estiver identificado e já resolvido ou for autolimitado, orientar e tranquilizar o paciente, podendo considerar minoxidil tópico. Se houver gatilho reversível ainda presente, como deficiência nutricional, disfunção tireoidiana ou medicamento suspeito, corrigir a deficiência, tratar a disfunção e suspender ou substituir o fármaco quando clinicamente apropriado. Se o gatilho não for identificado ou não for reversível, oferecer educação e suporte, podendo considerar minoxidil tópico, nutracêuticos ou aminexil.

Em todos os casos, realizar reasseguramento e acolhimento, validar a queixa e orientar sobre a evolução: o crescimento capilar costuma reiniciar em aproximadamente 3–6 meses após a correção do gatilho, enquanto a recuperação completa da densidade pode levar vários meses, chegando a cerca de 1 ano ou mais.

Fonte: adaptação das referências [1], [3], [4] e [5] do artigo de origem do fluxograma.

Quadro clínico

Eflúvio agudo:

  • Queda difusa, abrupta, geralmente sem outros sintomas [4]

  • Exame do couro cabeludo geralmente normal ao olhar casual; comparação com fotografias antigas ajuda a perceber a perda de volume [4]

  • Puxão suave durante a fase ativa extrai fios com facilidade (ver Diagnóstico) [3][4]

Eflúvio crônico:

  • Predomina em mulheres de meia-idade, com curso prolongado e flutuante [5]

  • Cabelo mantém espessura aparentemente normal, com fios mais curtos em crescimento nas regiões frontal e bitemporal [5]

  • Se isolado, não costuma causar rarefação visível do couro cabeludo; volume e comprimento diminuem progressivamente ao longo dos ciclos [2]

Sintoma associado:

  • Tricodínia (sensibilidade dolorosa, dor, ardência, prurido ou picada no couro cabeludo) [5];

  • Prurido mais evidente na região posterior [2]

Diagnóstico diferencial

Doenças a excluir antes de fechar o diagnóstico [3][4]:

  • Alopecia areata

  • Eflúvio anágeno

  • Alopecia androgenética

  • Alopecia cicatricial

  • Sífilis

  • Tricotilomania

Etiologia e gatilhos

Intrínsecos:

  • Hipotireoidismo, deficiência de ferro, deficiência de vitamina D [3]

  • Hipertireoidismo [5]

Extrínsecos:

  • Estresse físico ou emocional intenso, febre alta, infecção aguda [2][3]

  • Procedimento cirúrgico de grande porte, sobretudo bariátrico, pela perda sanguínea e pelo estresse metabólico associados [2][3]

  • Perda de peso acentuada e dietas muito restritivas [2][3][5]

  • Pós-parto, com queda 2 a 3 meses após o parto [2]; 2 a 5 meses [5]

  • Mudança hormonal [3]

  • Quimioterapia: listada entre os gatilhos [3]; os agentes citotóxicos constam entre as causas de eflúvio anágeno [1]

  • Distúrbio inflamatório do couro cabeludo, como psoríase e dermatite seborreica [5]

Medicamentos:

  • A queda costuma surgir após 12 semanas de uso; alterações de dose também podem desencadeá-la [5]

  • Mais frequentemente implicados: betabloqueadores, retinoides (incluindo excesso de vitamina A), anticoagulantes, propiltiouracila, carbamazepina e imunizações [4]

  • Outras classes associadas [1]:

    • Anti-hipertensivos: inibidores da ECA (lisinopril, captopril); betabloqueadores (metoprolol, propranolol, timolol)

    • Psicofármacos: antidepressivos (fluoxetina, paroxetina, trazodona); antipsicóticos (haloperidol, olanzapina, risperidona); estabilizadores de humor (lítio)

    • Anticonvulsivantes: ácido valproico, carbamazepina, fenitoína

    • Anticoagulantes: heparina, warfarina, apixabana, rivaroxabana

    • Retinoides: isotretinoína, acitretina

    • Hormonais: anticoncepcionais orais com progestina androgênica ou alta dose de progesterona

    • Antifúngicos: terbinafina, fluconazol

    • Outros: antirretrovirais, agonistas dopaminérgicos, anti-inflamatórios/analgésicos, antagonistas H2

Diagnóstico

História clínica:

  • Tempo entre o gatilho suspeito e o início da queda, duração e evolução do quadro [1]

  • Sintomas do couro cabeludo (ardência, coceira, dor, eritema, descamação) e sintomas sistêmicos associados [1]

  • Revisão completa de medicamentos, incluindo prescrição e uso isento de prescrição [1]

  • História familiar (alopecia androgenética, alopecia areata) e história ginecológica/reprodutiva (síndrome dos ovários policísticos, gestação, hirsutismo) [1]

Exame físico:

  • Inspeção da distribuição (difusa ou em placas), densidade capilar e integridade dos fios [1][3]

  • Presença de escama, crosta ou pústula sugere processo infeccioso e requer raspado e cultura [1]

  • Presença de óstios foliculares; sua ausência é sinal cardinal de alopecia cicatricial [1]

  • Tricoscopia do couro cabeludo [1][3]

Testes de queda:

  • Teste da tração (hair pull test): pinçar 40 a 60 fios com polegar e indicador e aplicar tração suave e firme, afastando-os do couro cabeludo [3]

    • Positividade:

      • Landells 2025:

        • Mais de 5 a 6 fios extraídos [3]

      • StatPearls:

        • Pelo menos 4 fios extraídos a cada tração [4]

    • Fase dos fios extraídos:

      • Telógenos sugerem eflúvio telógeno; anágenos sugerem eflúvio anágeno ou processo cicatricial [3]

  • Teste do lavado (wash test): realizado após 5 dias sem lavar o cabelo, lavando-o em pia coberta com gaze, contando os fios coletados e o percentual de fios velus [5]

    • Interpretação:

      • Mais de 100 fios e menos de 10% velus: eflúvio telógeno

      • Menos de 100 fios e mais de 10% velus: alopecia androgenética

      • Mais de 100 fios e mais de 10% velus: associação entre eflúvio telógeno e alopecia androgenética

      • Menos de 100 fios e menos de 10% velus: normal ou eflúvio telógeno em remissão

  • Teste do lavado refinado: lavar o cabelo 24 horas antes do início, depois lavá-lo uma vez ao dia por 3 dias consecutivos, coletando, secando e contando os fios de cada dia [3]

    • Interpretação: média de aproximadamente 125 fios, cerca de 4,5 vezes o valor normal, sugere o diagnóstico [3]

  • Coleta seriada de fios, quando a biópsia não é aceita pelo paciente [3][4]:

    • Técnica: não lavar o cabelo por 24 horas e coletar todo fio caído nesse período, repetindo semanalmente por 3 a 4 coletas

    • Interpretação: 100 ou mais fios em 24 horas sugere eflúvio telógeno; redução progressiva do número de fios ao longo das coletas sugere melhora

Exames complementares:

  • Tricograma: arrancar 40 a 60 fios de uma área definida do couro cabeludo; mais de 25% dos fios em fase telógena é o achado do eflúvio telógeno [5]

  • Biópsia do couro cabeludo: teste mais útil para confirmar o diagnóstico, embora raramente necessário quando o teste da tração já produz numerosos fios telógenos [3][4]

    • Diagnóstico histológico confirmado quando 25% a 50% dos folículos estão em fase telógena [4]

    • Queda por mais de 6 meses: biópsia recomendada; múltiplas biópsias aumentam a acurácia [5]

Laboratório:

  • Hemograma completo [1][3]

  • Ferritina; se inconclusiva, complementar com ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro e saturação de transferrina, já que a ferritina se eleva como reagente de fase aguda em processos inflamatórios [1][4]

  • TSH [1][3][4]; T3 e T4 [3]

  • Vitamina D [1][3]

  • Zinco [1][3] e vitamina B12 [1] em pacientes com dieta restritiva

  • Sífilis: solicitar quando houver sintomas sugestivos (fadiga, queda em placas, dor de garganta, linfonodomegalia) [4]

    • Iniciar pelo teste treponêmico, preferencialmente o teste rápido [10]

    • Diagnóstico confirmado por teste treponêmico reagente (teste rápido, FTA-Abs, TPHA ou EQL) associado a teste não treponêmico reagente (VDRL ou RPR) [10]

    • Cicatriz sorológica não confirma o diagnóstico: persistência de resultados reagentes com baixa titulação após tratamento adequado, afastada reinfecção [10]

Tratamento e manejo

Conforme o gatilho:

  • Gatilho identificado e já resolvido ou autolimitado:

    • Reassegurar o paciente; o crescimento deve reiniciar em 3 a 6 meses [3]

    • Tratamento medicamentoso desnecessário [4]

    • Minoxidil tópico: opcional (eficácia não comprovada), para o paciente que deseja papel ativo no tratamento [4]

  • Gatilho reversível (deficiência nutricional, hipotireoidismo, medicamento suspeito):

    • Corrigir a causa [3][4][5]:

      • Deficiência nutricional: reposição de ferro, vitamina D ou zinco

      • Disfunção tireoidiana: tratamento

      • Fármaco suspeito: suspensão ou substituição, quando clinicamente seguro e em conjunto com o médico prescritor

  • Gatilho não identificado ou não reversível (eflúvio crônico):

    • Educar o paciente sobre a condição e oferecer suporte para aceitação [3]

    • Considerar tratamento adjuvante, por consenso de painel de especialistas: minoxidil tópico, nutracêuticos ou aminexil [3]

    • Corticosteroide sistêmico: eflúvio crônico, sobretudo como manifestação de doença sistêmica subjacente, como LES; dose não declarada na fonte [5]

Situações específicas:

  • Paciente saudável com dificuldade de uso do minoxidil tópico: minoxidil oral como alternativa [4][8]

  • Tricodínia: corticosteroide tópico; fármaco e dose não declarados na fonte [5]

Em todos os casos:

  • Reasseguração e acolhimento fazem parte do tratamento; mostrar empatia e validar a queixa são recomendados [3][4]

  • Informar o tempo esperado de recuperação:

    • Crescimento reinicia cerca de 3 meses após a correção do gatilho, com o cabelo crescendo em média 1 cm por mês [3]

    • Pode levar até 6 meses para reiniciar, e a restauração completa, de vários meses a 1 ano [4]

Minoxidil (tópico ou oral) [3][4][7]

  • Minoxidil solução capilar 50 mg/mL (5%), frasco com válvula spray

    • Homens: 1 mL (aproximadamente 6 borrifadas), 2 vezes ao dia, no couro cabeludo; dose diária máxima de 2 mL

    • Administração: aplicar sobre a área afetada e adjacências, iniciando pelo centro; lavar bem as mãos após a aplicação; benefício esperado após, no mínimo, 2 meses de uso contínuo; produto inflamável, não aplicar ao fumar ou perto de fontes incandescentes; evitar contato de crianças com o local de aplicação

  • Minoxidil solução capilar 20 mg/mL (2%), manipulada

    • Mulheres: 1 mL, 2 vezes ao dia, no couro cabeludo; dose diária máxima de 2 mL

    • Administração: aplicar sobre a área afetada e adjacências, iniciando pelo centro; lavar bem as mãos após a aplicação

  • Minoxidil cápsulas 0,25 mg, 1 mg, 2,5 mg ou 5 mg, manipuladas

    • 0,25 a 5 mg/dia, via oral, em dose única diária, com início e ajuste individualizados

    • Administração: via oral, sem orientações específicas

  • Considerações

    • Minoxidil, tópico e oral: uso off-label no eflúvio telógeno; a bula do minoxidil 5% indica apenas alopecia androgenética em homens adultos [6] e a do comprimido de 10 mg, apenas hipertensão arterial [9]

    • Minoxidil, tópico: gestação e lactação, uso pode ser prejudicial [6]

    • Minoxidil 5% tópico:

      • Contraindicado para mulheres: não proporciona melhor resultado que a concentração de 2% e pode causar crescimento facial de cabelos [6]

      • Não recomendado na perda repentina ou fragmentada de cabelos, nem quando a queda decorre de medicamento, deficiência alimentar, quimioterapia ou enfermidades [6]

      • Verificar se o couro cabeludo está saudável antes do uso; não associar a tretinoína, ditranol ou outros agentes tópicos que aumentem a absorção cutânea [6]

      • Aumento transitório da queda 2 a 6 semanas após o início: suspender se persistir por mais de 2 semanas [6]

    • Minoxidil oral:

      • Antes de prescrever:

        • Contraindicado em feocromocitoma, porfiria e hipersensibilidade ao minoxidil [9]

        • Cautela em angina ou doença coronariana, infarto do miocárdio recente (tratar só após situação pós-infarto estável), insuficiência cardíaca e insuficiência renal [9]

        • Interação com guanetidina (efeitos ortostáticos profundos) e com agentes que produzem hipotensão ortostática (redução excessiva da pressão) [9]

        • Gestação: não recomendado na gestação nem em mulheres em idade fértil sem método contraceptivo [9]

        • Lactação: há excreção no leite materno; decidir entre interromper a amamentação e suspender o minoxidil [9]

      • Dose:

        • Eflúvio telógeno crônico em mulheres: doses de 0,25 a 2,5 mg/dia descritas, a maioria com 1 mg/dia [11]

        • Doses acima de 5 mg/dia não devem ser consideradas padrão para queda de cabelo; se necessário, aumentar a dose gradualmente [7]

      • Acompanhamento:

        • Monitorar pressão arterial, frequência cardíaca e sinais de retenção hídrica (ganho de peso, edema) [8]

        • Taquicardia, hipotensão e edema permanecem preocupação mesmo em doses baixas [7]

        • Efusão pericárdica e pleural idiossincrática descrita com 0,25 mg/dia [7]; na suspeita de efusão pericárdica, realizar ecocardiograma [9]

        • Aumento transitório da queda por 3 a 6 semanas: advertir o paciente para evitar abandono do tratamento [8]

        • Hipertricose facial é efeito adverso frequente em mulheres: orientar a paciente [11]

💊 Como prescrever?

O tratamento medicamentoso é normalmente reservado para eflúvio crônico, com gatilho não identificado ou não reversível (Ver “Tratamento e manejo”).

  • Minoxidil solução capilar 50 mg/mL (5%), frasco com válvula spray

    • Homens: 1 mL (aproximadamente 6 borrifadas), 2 vezes ao dia, no couro cabeludo; dose diária máxima de 2 mL

    • Administração: aplicar sobre a área afetada e adjacências, iniciando pelo centro; lavar bem as mãos após a aplicação; benefício esperado após, no mínimo, 2 meses de uso contínuo; produto inflamável, não aplicar ao fumar ou perto de fontes incandescentes; evitar contato de crianças com o local de aplicação

  • Minoxidil solução capilar 20 mg/mL (2%), manipulada

    • Mulheres: 1 mL, 2 vezes ao dia, no couro cabeludo; dose diária máxima de 2 mL

    • Administração: aplicar sobre a área afetada e adjacências, iniciando pelo centro; lavar bem as mãos após a aplicação

  • Minoxidil cápsulas 0,25 mg, 1 mg, 2,5 mg ou 5 mg, manipuladas

    • 0,25 a 5 mg/dia, via oral, em dose única diária, com início e ajuste individualizados

    • Administração: via oral, sem orientações específicas

⚠️ Considerações importantes:

  • Minoxidil, tópico e oral: uso off-label no eflúvio telógeno; a bula do minoxidil 5% indica apenas alopecia androgenética em homens adultos e a do comprimido de 10 mg, apenas hipertensão arterial

  • Minoxidil, tópico: gestação e lactação, uso pode ser prejudicial

  • Minoxidil 5% tópico:

    • Contraindicado para mulheres: não proporciona melhor resultado que a concentração de 2% e pode causar crescimento facial de cabelos

    • Não recomendado na perda repentina ou fragmentada de cabelos, nem quando a queda decorre de medicamento, deficiência alimentar, quimioterapia ou enfermidades

    • Verificar se o couro cabeludo está saudável antes do uso; não associar a tretinoína, ditranol ou outros agentes tópicos que aumentem a absorção cutânea

    • Aumento transitório da queda 2 a 6 semanas após o início: suspender se persistir por mais de 2 semanas

  • Minoxidil oral:

    • Antes de prescrever:

      • Contraindicado em feocromocitoma, porfiria e hipersensibilidade ao minoxidil

      • Cautela em angina ou doença coronariana, infarto do miocárdio recente (tratar só após situação pós-infarto estável), insuficiência cardíaca e insuficiência renal

      • Interação com guanetidina (efeitos ortostáticos profundos) e com agentes que produzem hipotensão ortostática (redução excessiva da pressão)

      • Gestação: não recomendado na gestação nem em mulheres em idade fértil sem método contraceptivo

      • Lactação: há excreção no leite materno; decidir entre interromper a amamentação e suspender o minoxidil

    • Dose:

      • Eflúvio telógeno crônico em mulheres: doses de 0,25 a 2,5 mg/dia descritas, a maioria com 1 mg/dia

      • Doses acima de 5 mg/dia não devem ser consideradas padrão para queda de cabelo; se necessário, aumentar a dose gradualmente

    • Acompanhamento:

      • Monitorar pressão arterial, frequência cardíaca e sinais de retenção hídrica (ganho de peso, edema)

      • Taquicardia, hipotensão e edema permanecem preocupação mesmo em doses baixas

      • Efusão pericárdica e pleural idiossincrática descrita com 0,25 mg/dia; na suspeita de efusão pericárdica, realizar ecocardiograma

      • Aumento transitório da queda por 3 a 6 semanas: advertir o paciente para evitar abandono do tratamento

      • Hipertricose facial é efeito adverso frequente em mulheres: orientar a paciente

Prognóstico e seguimento

  • Eflúvio agudo:

    • Autolimitado [4]; remissão espontânea em aproximadamente 95% dos casos [5]

    • Duração de 2 a 4 meses quando não há doença de base associada [2]

  • Eflúvio crônico: bom prognóstico cosmético, mesmo que a queda persista [4]

  • Sem relatos de mortalidade associada; morbidade limitada a alterações cosméticas [4]

  • Impacto psicológico significativo; acolhimento e suporte emocional são parte do manejo em todas as fases [3][4]

Referências

[1] WORKMAN, Kaelynn; PILIANG, Melissa. Approach to the patient with hair loss. Journal of the American Academy of Dermatology, v. 89, n. 2S, p. S3-S8, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jaad.2023.05.040.

[2] SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Eflúvio Telógeno. Disponível em: https://www.sbd.org.br/doencas/efluvio-telogeno/. Acesso em: 17 set. 2026.

[3] LANDELLS, Ian; GUPTA, Aditya K.; JASSO OLIVARES, Julio C.; et al. A Canadian Algorithm on the Management of Telogen Effluvium. Journal of Cutaneous Medicine and Surgery, v. 29, n. 5S, p. 15S-19S, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1177/12034754251355198.

[4] HUGHES, Elizabeth C.; SYED, Hasnain A.; SALEH, Dalia. Telogen Effluvium. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2026 jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430848/.

[5] ASGHAR, Fahham; SHAMIM, Nazia; FAROOQUE, Umar; SHEIKH, Haris; AQEEL, Ramsha. Telogen Effluvium: A Review of the Literature. Cureus, v. 12, n. 5, e8320, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.7759/cureus.8320.

[6] ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S.A. Bula do medicamento Minoxidil 5% (minoxidil), solução capilar. Disponível em: https://www.ache.com.br/produto/genericos-sob-prescricao/minoxidil-5/.

[7] SANABRIA, Baltazar Dias; PERDOMO, Yuri Chiarelli; MIOT, Hélio Amante; RAMOS, Paulo Müller. Oral minoxidil 7.5 mg for hair loss increases heart rate with no change in blood pressure in 24 h Holter and 24 h ambulatory blood pressure monitoring. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 99, n. 5, p. 734-735, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.abd.2023.08.016.

[8] RANDOLPH, Michael; TOSTI, Antonella. Oral minoxidil treatment for hair loss: a review of efficacy and safety. Journal of the American Academy of Dermatology, v. 84, n. 3, p. 737-746, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jaad.2020.06.1009.

[9] LABORATÓRIOS PFIZER LTDA. Bula do medicamento Loniten® (minoxidil), comprimidos de 10 mg. Guarulhos, 2012. Disponível em: https://www.pfizer.com.br.

[10] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br.

[11] PERERA, Eshini; SINCLAIR, Rodney. Treatment of chronic telogen effluvium with oral minoxidil: a retrospective study. F1000Research, v. 6, 1650, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.12688/f1000research.11775.1.

Autoria e Curadoria

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