Alopecia de Tração

CID-10: L65.8 - Outras formas, especificadas, não cicatriciais, de perda de cabelos ou pelos

Introdução

  • A alopecia de tração é a perda capilar causada por tensão contínua ou repetida sobre a raiz dos fios, decorrente de penteados que tracionam o cabelo [1].

  • Tem padrão bifásico: na fase precoce é não cicatricial e reversível; na fase crônica leva a alopecia cicatricial permanente [1].

  • Afeta sobretudo mulheres de ascendência africana com cabelo crespo [1]. Em geral começa na infância, e a prevalência aumenta com a idade até atingir o pico em mulheres adultas [1].

🔑 Pontos-chave:

  • Aberturas foliculares ausentes indicam provável alopecia cicatricial: encaminhar ao dermatologista [2]

  • A fase precoce é reversível; a tração crônica leva a alopecia cicatricial permanente, que não responde ao tratamento clínico [1]

  • Perda na margem do couro cabeludo, ou em padrão linear, curvo ou geométrico, em quem usa penteado de tração: suspeitar de alopecia de tração [1]

  • Sobrancelhas, pelos do corpo, pele e unhas são poupados [1]; perda de sobrancelhas: considerar alopecia frontal fibrosante [3]

  • Primeira medida na fase precoce: afrouxar o penteado, evitar tratamentos químicos e calor [1]

  • Orientar todo paciente a alternar penteados e reduzir a tensão [1]

  • Moldes capilares (hair casts) indicam doença ativa [1]

  • Crianças e adolescentes têm os folículos mais vulneráveis: orientar pais e responsáveis sobre penteados [1]

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🎯 Fluxograma de manejo

O fluxograma organiza o manejo da alopecia de tração. Parte da suspeita de alopecia de tração: perda na margem do couro cabeludo ou em padrão linear, curvo ou geométrico, em quem usa penteado de tração. Pergunta-se se há qualquer um: perda de sobrancelhas; descamação, pústulas, crostas, erosões ou eritema, com linfonodomegalia local; placas circunscritas e ovais. Se sim, considera-se outro diagnóstico, como alopecia frontal fibrosante, tinea capitis ou alopecia areata (conferir em Diagnóstico diferencial). Se não, pergunta-se se as aberturas foliculares estão ausentes. Se sim, encaminha-se ao dermatologista, por alopecia provavelmente cicatricial, com transplante capilar ou micropigmentação, mantendo a redução da tensão e a orientação sobre penteados (conferir em Tratamento por estágio). Se não, afrouxa-se o penteado e reduz-se a tensão, evitam-se tratamentos químicos e calor, com escovação suave, usa-se minoxidil tópico no couro cabeludo para o recrescimento e orientam-se paciente e família (conferir em Orientação ao paciente e à família). Em seguida, pergunta-se se há qualquer um: descamação, eritema, dor ou pústulas. Se sim, na inflamação, usa-se corticoide tópico ou triancinolona intralesional na periferia da área de perda; nas pústulas, clindamicina tópica (solução ou gel) ou doxiciclina por via oral (conferir em Corticoide intralesional e em Antibiótico); depois, segue-se para a etapa seguinte. Se não, segue-se diretamente para ela: manter as medidas e reavaliar, lembrando que moldes capilares persistentes indicam doença ativa (conferir em Seguimento e prognóstico). Pergunta-se então se não houve resposta ao corticoide tópico e ao minoxidil tópico, sem alopecia cicatricial. Se não, mantêm-se as medidas. Se sim, pergunta-se se o paciente é adulto: se sim, considera-se minoxidil por via oral em dose baixa (conferir em Minoxidil); se não, encaminha-se ao dermatologista. Um ícone de alerta marca a triancinolona, a doxiciclina e o minoxidil oral, após o nome; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: VO, via oral. Fonte: referências [1], [2], [3], [4], [5], [6], [7] e [15] do artigo.

Fatores de risco

  • Penteados e práticas que tracionam o cabelo [1]:

    • Tranças apertadas, cornrows, torções (twists), dreadlocks e sister locks

    • Rabo de cavalo, maria-chiquinha e coque

    • Apliques (weaves), extensões e bobes

    • Lenço ou turbante amarrado apertado

  • Outros fatores de risco [1]:

    • Acessórios de cabelo que aumentam a tensão

    • Relaxantes químicos e alisamento térmico: não causam a doença sozinhos, mas aumentam a suscetibilidade quando associados a penteado de alta tensão

    • Cabelo crespo

  • Grupos com práticas de risco [1]:

    • Mulheres e meninas de ascendência africana

    • Bailarinos, militares e meninos sikh

Quadro clínico

  • Localização [1]:

    • Margem do couro cabeludo: regiões frontal, temporal, pré-auricular, acima das orelhas e occipital

    • Outras áreas, conforme o penteado, como no padrão de cornrows

    • O padrão da perda corresponde às áreas de tração

  • Achados que levantam suspeita [1]:

    • Perda em padrão linear, curvo ou geométrico

    • Sinal da franja: faixa de fios finos e miniaturizados preservada na linha de implantação frontal ou temporal

    • Sinais precoces: eritema perifolicular e recuo da linha de implantação

    • Foliculite, densidade reduzida com substituição por fios velos e fios quebrados

    • Áreas poupadas: pelos do corpo, sobrancelhas, pele e unhas

  • Sintomas [1]:

    • Cefaleia que alivia ao soltar o cabelo

    • Desconforto, prurido ou sensibilidade do couro cabeludo

  • Sinal de atividade [1]:

    • Moldes capilares (hair casts): indicam doença ativa ou persistente

  • Complicações [1]:

    • Inflamação, eritema e pústulas, às vezes com infecção bacteriana secundária (foliculite)

    • Alopecia cicatricial permanente na tração crônica

Diagnóstico

  • Clínico, pelo exame do couro cabeludo [1]

  • Dermatoscopia (tricoscopia) [1]:

    • Forma marginal ou em placas: densidade folicular reduzida, aberturas foliculares ausentes e muitos moldes capilares móveis na periferia da área afetada

    • Forma difusa: densidade capilar normal, com número aumentado de moldes capilares

    • Moldes capilares: não aderentes, brancos ou castanhos, cilíndricos, envolvendo a haste proximal

  • Teste de tração, para outras causas de queda [2]:

    • Técnica: segurar cerca de 40 a 60 fios pela base, entre polegar, indicador e médio, e tracionar suavemente para longe do couro cabeludo

    • Positivo: mais de 10% dos fios (4 a 6) arrancados; indica queda ativa e sugere eflúvio telógeno, eflúvio anágeno ou alopecia areata

    • Negativo: não exclui essas condições

Diagnóstico diferencial

Condição

Pista que diferencia da alopecia de tração

Conferir

Alopecia frontal fibrosante (alopecia cicatricial)

Recuo da linha de implantação frontal, com eritema e hiperceratose perifolicular na margem; perda ou rarefação das sobrancelhas em 50% a 95% dos pacientes, que pode preceder o recuo em vários anos; afeta principalmente mulheres na pós-menopausa [3]

Protocolo específico "Alopecias cicatriciais primárias"

Alopecia cicatricial centrífuga central

Placa alopécica no vértice com progressão periférica lenta, frequentemente simétrica [3]

Protocolo específico "Alopecias cicatriciais primárias"

Tinea capitis [1][2]

Descamação, pústulas, crostas, erosões ou eritema com linfonodomegalia local sugerem infecção [2]

Protocolo específico "Tinea capitis"

Alopecia areata [2][4]

Forma ofiásica: alopecia em faixa nas regiões lateral e occipital do couro cabeludo [4]; placas circunscritas, ovais, da cor da pele [2]; pelos curtos e velos, pontos amarelos ou pretos e hastes quebradas podem ser vistos, mas não são específicos [2]

Protocolo específico "Alopecia areata"

Alopecia androgenética

Rarefação temporal pode fazer parte do padrão genético, sem tração [1]

Protocolos específicos "Alopecia androgenética masculina" e "Alopecia androgenética feminina"

Tricorrexe nodosa

Fios secos e quebrados, com nós brancos que correspondem a pontos de fratura da haste; dermatoscopia: fios com aspecto de duas vassouras ou pincéis encostados; causada por trauma físico (escovação excessiva, calor, penteados apertados) ou químico (descolorante, tintura, permanente, relaxante) [2]

Conduta: evitar ou minimizar o trauma físico e químico [2]

Fonte: [1][2][3][4]

  • Outros diagnósticos a considerar [1]:

    • Dermatite atópica e dermatite seborreica

    • Alopecia por fricção

    • Nevo epidérmico

    • Esclerodermia

    • Histiocitose

    • Sífilis secundária: conferir o protocolo Sífilis no Adulto

Estágios

Estágio

Característica

Para onde ir

Prevenção

Crianças, adolescentes e adultos jovens expostos a práticas de tração

Orientar: conferir em "Orientação ao paciente e à família"

Precoce

Unidades foliculares intactas; perda reversível

Conferir em "Tratamento por estágio"

Longa duração

Alopecia cicatricial permanente, sem resposta ao tratamento clínico; aberturas foliculares ausentes sugerem alopecia provavelmente cicatricial; tração de longa duração é causa de alopecia cicatricial secundária

Encaminhar ao dermatologista: conferir em "Quando encaminhar"

Fonte: [1][2][3]

Tratamento por estágio

  • Prevenção [1]:

    • Orientar pais, crianças, adolescentes e adultos jovens sobre cuidados com o cabelo, porque nesse período os folículos são mais vulneráveis

  • Estágio precoce, com unidades foliculares intactas [1][5]:

    • Objetivo principal: reduzir a tensão, com penteados mais soltos [1]; o alívio da tração é a base do manejo em qualquer estágio [5]

    • Evitar tratamentos químicos e calor [1][5]

    • Escovação suave da área afetada [1]

    • Inflamação, qualquer um (descamação, eritema, dor) [1]:

      • Corticoide tópico ou intralesional [1][5]:

        • Tópico: na margem da área de perda [5]

        • Intralesional: na periferia da área de perda [1]

      • Conferir em "Corticoide tópico" e em "Corticoide intralesional"

    • Pústulas [1]:

      • Antibiótico oral ou tópico, pelo efeito anti-inflamatório [1][5]

      • Conferir em "Antibiótico"

    • Recrescimento: minoxidil tópico, junto com a mudança de penteado, melhora o resultado da intervenção precoce [1]; conferir em "Minoxidil"

  • Estágio de longa duração, com alopecia cicatricial [1][2][5][6]:

    • Perda permanente, que não responde ao tratamento clínico [1]

    • Manter a redução da tensão e a orientação sobre penteados: aberturas foliculares ausentes podem coexistir com moldes capilares, sinal de doença ativa [1]

    • Aberturas foliculares ausentes: alopecia provavelmente cicatricial; encaminhar ao dermatologista [2]

    • Transplante capilar ou micropigmentação: encaminhar ao dermatologista (conferir em "Quando encaminhar"):

      • Transplante capilar: microenxertos, minienxertos, enxertos por punch ou transplante de unidades foliculares [1][6]; pode exigir vários procedimentos [6]

      • Transplante com alopecia cicatricial associada: cautela, pelo risco de fenômeno de Koebner [6]

      • Micropigmentação do couro cabeludo nas cicatrizes extensas, para reabilitação estética [1]

Orientação ao paciente e à família

  • Penteados [1]:

    • Evitar penteados de alta tensão, como tranças apertadas, apliques e extensões

    • Alternar penteados e reduzir a tensão

    • Preferir penteados de proteção e fazer pausas periódicas no uso de extensões

    • Manter cuidado adequado com o couro cabeludo

  • Sinais precoces a reconhecer: eritema perifolicular e recuo da linha de implantação [1]

  • Crianças e adolescentes: orientar pais e responsáveis, porque os folículos são mais vulneráveis nessa faixa etária [1]

  • Impacto psicológico: pode ser significativo, sobretudo quando o cabelo está ligado à identidade e à autoimagem [1]

Quando encaminhar

  • Encaminhar ao dermatologista se qualquer um:

    • Aberturas foliculares ausentes: alopecia provavelmente cicatricial [2]

    • Indicação de transplante capilar ou micropigmentação

    • Indicação de infiltração intralesional, sem médico treinado na técnica no serviço

    • Criança sem resposta ao corticoide tópico e ao minoxidil tópico

Corticoide tópico

  • Indicação: inflamação no estágio precoce [1][5], aplicado na margem da área de perda [5]

  • Agente e concentração: corticoide tópico com apresentação disponível; prescrever conforme a rotulagem técnica do produto

  • Esquema [6] (evidência conflitante):

    • 1 ou 2 vezes ao dia, sob oclusão, até a melhora clínica

    • Cabelo mais crespo: preferir veículo oleoso, porque a solução resseca o fio e favorece fragilidade e quebra

  • Considerações:

    • Fronte: preferir corticoide de índice terapêutico em torno de 2, como mometasona; evitar corticoide potente (classes 3 e 4) na face [3]

    • Criança: oclusão e áreas extensas aumentam a absorção sistêmica e o risco de supressão adrenal; limitar à mínima dose eficaz [17]

Corticoide intralesional

  • Indicação: inflamação no estágio precoce, aplicado na periferia da área de perda [1][5]

  • Execução: procedimento realizado por médico treinado na técnica; sem esse profissional no serviço, conferir em "Quando encaminhar"

  • Esquemas [7][6][8][9] (evidência conflitante):

    • Triancinolona hexacetonida (Triancil®) susp. inj. 20 mg/mL (frasco-ampola 5 mL)

      • Uwakwe 2020 (série de 6 casos, baixa densidade frontotemporal sem inflamação clínica):

        • 5 mg/mL nas áreas de baixa densidade da linha de implantação frontotemporal, na borda da perda e avançando até a área de densidade normal

        • A cada 6 a 8 semanas; avaliar a resposta após 3 sessões

      • Akintilo 2021 (experiência de um serviço):

        • 2,5 ou 5 mg/mL, cerca de 3 mL no total, com concentração e volume conforme a área acometida, na linha de implantação frontotemporal e na occipital, se acometida

        • 1 vez por mês, até a melhora clínica, com reavaliação mensal

        • Dose máxima habitual: 20 mg por mês

      • Administração:

        • Via intralesional

        • Diluir em soro glicosado 5%, soro fisiológico 0,9% ou água destilada estéril; não usar diluente com conservante

        • Usar imediatamente após a diluição

    • Considerações:

      • Doses das fontes: triancinolona acetonida [7][6]; produto disponível no Brasil: hexacetonida; equivalência de concentração entre os sais não estabelecida

      • Hexacetonida: maior risco de atrofia cutânea que a acetonida [4]

      • Áreas com maior risco de atrofia: preferir concentrações menores, como 2,5 mg/mL [4]

      • Contraindicada se qualquer um:

        • Tuberculose em atividade [8]

        • Ceratite herpética [8]

        • Micoses sistêmicas [8]

        • Estrongiloidíase [8]

        • Psicose aguda [8]

        • Processo infeccioso [8][9]

        • Hipersensibilidade à triancinolona hexacetonida ou aos excipientes [9]

      • Tuberculose latente ou reatividade à tuberculina: observar, pelo risco de reativação [9]

      • Efeitos adversos: dor e atrofia transitória no local da aplicação [7]

      • Atrofia transitória: não obriga a suspender; não reaplicar nas áreas deprimidas, o que permite a reversão [7]

      • Concentrações maiores: risco de discromia e hipopigmentação [6]

      • Gestação: só com orientação médica [8]

      • Criança: usar com cautela, após avaliação do risco e do benefício [8]

      • Uso fora da bula: a bula indica uso intra-articular [8]

Antibiótico

  • Indicação: pústulas, pelo efeito anti-inflamatório [1][5]

  • Esquemas [6][10][11][12] (evidência limitada):

    • Tópico:

      • Clindamicina (Dalacin® T) sol. tópica 10 mg/mL (frasco com aplicador 30 mL)

        • 1 vez ao dia, até a melhora clínica

        • Administração: via tópica; agitar o frasco imediatamente antes do uso; lavar e secar bem a região antes de aplicar uma fina camada com o aplicador do frasco; lavar as mãos após a aplicação; evitar contato com olhos e boca

      • Clindamicina (Clindacne®) gel 10 mg/g (bisnaga 25 g)

        • 1 vez ao dia, até a melhora clínica

        • Administração: via tópica; distribuir uniformemente sobre as áreas afetadas; não usar sobre mucosas

    • Oral:

      • Doxiciclina (Vibramicina®) comp. solúvel 100 mg

        • Adulto e criança acima de 45 kg:

          • Akintilo 2021 (experiência de um serviço):

            • Início: 100 mg VO de 12 em 12 horas

            • Reduzir até 20 mg de 12 em 12 horas (dose submicrobiana), conforme a tolerância

            • Reavaliar a resposta a cada consulta; com 3 a 4 meses, considerar suspender ou reduzir para a dose submicrobiana, para evitar resistência

          • Bula (acne vulgar):

            • 100 mg VO 1 vez ao dia, por até 12 semanas

        • Criança acima de 8 anos, até 45 kg:

          • 1º dia: 4,4 mg/kg VO, em 1 ou 2 tomadas

          • A partir do 2º dia: 2,2 mg/kg/dia VO, em 1 ou 2 tomadas

          • Infecções mais graves: até 4,4 mg/kg/dia

          • Redução para dose submicrobiana: sem esquema pediátrico definido na fonte

        • Administração:

          • Via oral; engolir com quantidade adequada de líquido ou dissolver em 50 mL de água; com alimento ou leite, se houver irritação gástrica

          • Doses menores que 100 mg (dose por peso na criança, dose de 20 mg): dissolver o comprimido de 100 mg em 50 mL de água (2 mg/mL) e administrar o volume correspondente à dose (ex.: 55 mg = 27,5 mL; 20 mg = 10 mL)

          • Agitar bem antes de medir e administrar logo após o preparo

    • Considerações:

      • Clindamicina:

        • Uso fora da bula: as bulas indicam acne (Dalacin® T) e infecções cutâneas sensíveis à clindamicina, especialmente acne (Clindacne®) [11][12]

        • Idade: Dalacin® T de uso acima de 12 anos; Clindacne® de uso adulto, sem estudos controlados abaixo de 12 anos [11][12]

        • Contraindicada se qualquer um:

          • Hipersensibilidade à clindamicina ou à lincomicina [11][12]

          • História de colite associada a antibióticos [11]

        • Diarreia durante o uso pede avaliação médica, pelo risco de colite associada a antibiótico, raro no uso tópico [11][12]

        • Gestação: só com orientação médica [11][12]

        • Dalacin® T contém álcool e pode causar queimação e irritação em olhos, mucosas e pele esfolada [11]

      • Doxiciclina:

        • O comprimido não deve ser partido, aberto ou mastigado [10]

        • Contraindicada se qualquer um:

          • Gestação [10]

          • Aleitamento [10]

          • Menores de 8 anos [10]

          • Hipersensibilidade a tetraciclinas [10]

        • Preferida entre as tetraciclinas, pelo melhor perfil de efeitos adversos [6]

        • Fotossensibilidade: interromper aos primeiros indícios de eritema cutâneo [10]

        • Hipertensão intracraniana benigna associada às tetraciclinas: distúrbio visual durante o tratamento pede avaliação oftalmológica rápida [10]

        • Esofagite e ulceração esofágica relatadas, sobretudo com a dose tomada imediatamente antes de deitar; ingerir com quantidade adequada de líquido [10]

        • Reação cutânea grave (síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, DRESS, eritema multiforme, dermatite esfoliativa): descontinuar imediatamente [10]

        • Doação de sangue: absolutamente contraindicada durante o tratamento e até 15 dias após o término [10]

        • Interações:

          • Antiácidos com alumínio, cálcio ou magnésio, ferro e sais de bismuto reduzem a absorção [10]

          • Pode reduzir a eficácia do contraceptivo oral [10]

          • Isotretinoína: evitar o uso simultâneo, pelo risco de hipertensão intracraniana benigna [10]

          • Varfarina: prolongamento do tempo de protrombina; o anticoagulante pode precisar de redução da dose [10]

Minoxidil

  • Minoxidil tópico [1][5][7][6][13][14]:

    • Indicação: apoio ao recrescimento na intervenção precoce, junto com a mudança de penteado [1]; também na alopecia de tração avançada, em relatos de caso [5]

    • Esquemas:

      • Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)

        • Akintilo 2021 (experiência de um serviço):

          • 5% nas áreas afetadas, 1 ou 2 vezes ao dia, por tempo indeterminado

        • Uwakwe 2020 (série de 6 casos):

          • 5% diariamente, associado à infiltração de triancinolona

        • Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto

        • Administração:

          • Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos

          • Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos

          • Lavar bem as mãos após a aplicação

      • Considerações:

        • Uso fora da bula na alopecia de tração [13][14]:

          • A bula contraindica o uso em mulheres

          • Sem indicação pediátrica

          • Indicação da bula: alopecia androgênica em homem adulto

        • Efeitos adversos a explicar antes de prescrever: hipertricose leve, irritação do couro cabeludo e queda transitória no início do uso [7]

  • Minoxidil oral em dose baixa [15][16]:

    • Indicação: adulto sem resposta ao corticoide tópico e ao minoxidil tópico, em alopecia de tração crônica não cicatricial (relato de caso) [15]

    • Criança sem resposta ao corticoide tópico e ao minoxidil tópico: encaminhar ao dermatologista (conferir em "Quando encaminhar")

    • Esquemas:

      • Minoxidil cáps. 1,25 mg (manipulado)

        • Kim e Craiglow 2022 (relato de caso):

          • 1,25 mg VO 1 vez ao dia; após 6 meses, 1,25 mg de 12 em 12 horas

        • Administração: via oral, sem orientações específicas.

      • Considerações:

        • Hipertricose leve na face no relato [15]

        • Uso fora da bula: a bula traz indicação só na hipertensão arterial não responsiva a diurético e a dois outros anti-hipertensivos [16]

        • Contraindicações: feocromocitoma, porfiria e hipersensibilidade ao minoxidil [16]

        • Sinais ou sintomas sugestivos de efusão pericárdica: ecocardiograma [16]

💊 Como prescrever?

Triancinolona hexacetonida [7][8]:

  • Triancinolona hexacetonida (Triancil®) susp. inj. 20 mg/mL (frasco-ampola 5 mL)

    • Uwakwe 2020 (série de 6 casos, baixa densidade frontotemporal sem inflamação clínica):

      • 5 mg/mL nas áreas de baixa densidade da linha de implantação frontotemporal, na borda da perda e avançando até a área de densidade normal

      • A cada 6 a 8 semanas; avaliar a resposta após 3 sessões

    • Akintilo 2021 (experiência de um serviço):

      • 2,5 ou 5 mg/mL, cerca de 3 mL no total, com concentração e volume conforme a área acometida, na linha de implantação frontotemporal e na occipital, se acometida

      • 1 vez por mês, até a melhora clínica, com reavaliação mensal

      • Dose máxima habitual: 20 mg por mês

    • Administração:

      • Via intralesional

      • Diluir em soro glicosado 5%, soro fisiológico 0,9% ou água destilada estéril; não usar diluente com conservante

      • Usar imediatamente após a diluição

Clindamicina tópica [6][11]:

  • Clindamicina (Dalacin® T) sol. tópica 10 mg/mL (frasco com aplicador 30 mL)

    • 1 vez ao dia, até a melhora clínica

    • Administração: via tópica; agitar o frasco imediatamente antes do uso; lavar e secar bem a região antes de aplicar uma fina camada com o aplicador do frasco; lavar as mãos após a aplicação; evitar contato com olhos e boca

  • Clindamicina (Clindacne®) gel 10 mg/g (bisnaga 25 g)

    • 1 vez ao dia, até a melhora clínica

    • Administração: via tópica; distribuir uniformemente sobre as áreas afetadas; não usar sobre mucosas

Doxiciclina [10][6]:

  • Doxiciclina (Vibramicina®) comp. solúvel 100 mg

    • Adulto e criança acima de 45 kg:

      • Akintilo 2021 (experiência de um serviço):

        • Início: 100 mg VO de 12 em 12 horas

        • Reduzir até 20 mg de 12 em 12 horas (dose submicrobiana), conforme a tolerância

        • Reavaliar a resposta a cada consulta; com 3 a 4 meses, considerar suspender ou reduzir para a dose submicrobiana, para evitar resistência

      • Bula (acne vulgar):

        • 100 mg VO 1 vez ao dia, por até 12 semanas

    • Criança acima de 8 anos, até 45 kg:

      • 1º dia: 4,4 mg/kg VO, em 1 ou 2 tomadas

      • A partir do 2º dia: 2,2 mg/kg/dia VO, em 1 ou 2 tomadas

      • Infecções mais graves: até 4,4 mg/kg/dia

      • Redução para dose submicrobiana: sem esquema pediátrico definido na fonte

    • Administração:

      • Via oral; engolir com quantidade adequada de líquido ou dissolver em 50 mL de água; com alimento ou leite, se houver irritação gástrica

      • Doses menores que 100 mg (dose por peso na criança, dose de 20 mg): dissolver o comprimido de 100 mg em 50 mL de água (2 mg/mL) e administrar o volume correspondente à dose (ex.: 55 mg = 27,5 mL; 20 mg = 10 mL)

      • Agitar bem antes de medir e administrar logo após o preparo

Minoxidil tópico [6][13]:

  • Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)

    • Akintilo 2021 (experiência de um serviço):

      • 5% nas áreas afetadas, 1 ou 2 vezes ao dia, por tempo indeterminado

    • Uwakwe 2020 (série de 6 casos):

      • 5% diariamente, associado à infiltração de triancinolona

    • Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto

    • Administração:

      • Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos

      • Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos

      • Lavar bem as mãos após a aplicação

Minoxidil oral, adulto [15][16]:

  • Minoxidil cáps. 1,25 mg (manipulado)

    • Kim e Craiglow 2022 (relato de caso):

      • 1,25 mg VO 1 vez ao dia; após 6 meses, 1,25 mg de 12 em 12 horas

    • Administração: via oral, sem orientações específicas.

Seguimento e prognóstico

  • Seguimento [1]:

    • Moldes capilares persistentes indicam doença ativa

    • M-TAS (Marginal Traction Alopecia Severity Score): escala fotográfica validada que gradua as linhas de implantação anterior e posterior de 0 a 9; pode ser usada para monitorar a resposta ao tratamento

    • Intervalo de reavaliação não declarado na fonte

  • Registro fotográfico [7]:

    • Fotografar a área afetada no início e ao longo do tratamento, em todo paciente que inicia tratamento

  • Prognóstico [1]:

    • Fase precoce, com tensão intermitente e leve: a suspensão do penteado causador pode levar a recrescimento completo

    • Tração crônica e repetitiva: miniaturização folicular, fibrose perifolicular e alopecia cicatricial permanente

    • Melhor prognóstico a longo prazo quando a prevenção começa antes de destruição folicular significativa

Referências

[1] SYED, Hasnain A.; KALIYADAN, Feroze. Traction Alopecia. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Atualizado em: 4 maio 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470434/. Acesso em: 23 out. 2026.

[2] PHILLIPS, T. Grant; SLOMIANY, W. Paul; ALLISON, Robert. Hair Loss: Common Causes and Treatment. American Family Physician, v. 96, n. 6, p. 371-378, 2017. Disponível em: https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2017/0915/p371.html. Acesso em: 23 out. 2026.

[3] KANTI, Varvara; RÖWERT-HUBER, Joachim; VOGT, Annika; BLUME-PEYTAVI, Ulrike. Cicatricial alopecia. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, v. 16, n. 4, p. 435-461, 2018. DOI: 10.1111/ddg.13498. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ddg.13498.

[4] RAMOS, Paulo Müller; ANZAI, Alessandra; DUQUE-ESTRADA, Bruna; et al. II Consensus of the Brazilian Society of Dermatology for the treatment of alopecia areata. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 100, n. 2, p. 328-341, 2025. DOI: 10.1016/j.abd.2024.10.001. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.abd.2024.10.001.

[5] BILLERO, Victoria; MITEVA, Mariya. Traction alopecia: the root of the problem. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, v. 11, p. 149-159, 2018. DOI: 10.2147/CCID.S137296. Disponível em: https://doi.org/10.2147/CCID.S137296.

[6] AKINTILO, Lisa; YIN, Lu; SVIGOS, Katerina; KAKPOVBIA, Efe; SHAPIRO, Jerry; LO SICCO, Kristen. Management of Traction Alopecia: Our Experience and a Brief Review of Current Literature Recommendations. Journal of Drugs in Dermatology, v. 20, n. 5, p. 578-579, 2021. Disponível em: https://jddonline.com/.

[7] UWAKWE, Laura N.; DE SOUZA, Brianna; TOVAR-GARZA, Andrea; MCMICHAEL, Amy J. Intralesional Triamcinolone Acetonide in the Treatment of Traction Alopecia. Journal of Drugs in Dermatology, v. 19, n. 2, p. 128-130, 2020. DOI: 10.36849/JDD.2020.4635. Disponível em: https://doi.org/10.36849/JDD.2020.4635.

[8] HOSPITAL SÃO CAMILO. Guia Farmacêutico: triancinolona hexacetonida; doxiciclina monoidratada. 2022. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br/. Acesso em: 23 out. 2026.

[9] HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Manual Farmacêutico: Triancil (atualização em 09/08/2018); Doxiciclina (atualização em 16/01/2021). Disponível em: https://aplicacoes.einstein.br/manualfarmaceutico/. Acesso em: 23 out. 2026.

[10] PFIZER BRASIL. Vibramicina® (doxiciclina monoidratada): comprimidos solúveis 100 mg. Bula para o profissional de saúde (LLD_Bra_CDSv14.0_18Oct2024_v3_VBCCOS_23). Aprovada pela Anvisa em 23/09/2026. Bula enviada pelo usuário.

[11] LABORATÓRIOS PFIZER. Dalacin® T (fosfato de clindamicina): solução tópica 10 mg/mL, frasco com aplicador 30 mL. Bula (informações ao paciente). Documento rotulado em 17/jan/2013 (LLD_DLTSOT_01). Bula enviada pelo usuário.

[12] IGEFARMA LABORATÓRIOS. Clindacne® (fosfato de clindamicina): gel 10 mg/g, bisnaga 25 g. Bula (informações ao paciente). Sem data rotulada no documento. Bula enviada pelo usuário.

[13] ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS. Pant Sec 5% (minoxidil): solução capilar 50 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 23/12/2024. Disponível em: https://www.ache.com.br/wp-content/uploads/PANT-SEC-VPS-SITE-3.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.

[14] EUROFARMA. Pilox (minoxidil): solução spray capilar 5%. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 18/12/2025. Disponível em: https://momentafarma.com.br/produtos/bulas/healthcare/pt/bula-pilox.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.

[15] KIM, Sa Rang; CRAIGLOW, Brittany G. Treatment of traction alopecia with oral minoxidil. JAAD Case Reports, v. 23, p. 112-113, 2022. DOI: 10.1016/j.jdcr.2022.03.023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jdcr.2022.03.023.

[16] LABORATÓRIOS PFIZER. Loniten® (minoxidil): comprimidos 10 mg. Bula (informações ao paciente e informações técnicas), documento LLD_LONCOM_01 de 21/05/2012; data de aprovação pela Anvisa não rotulada no documento. Arquivo fornecido pelo usuário.

[17] MANTECORP INDÚSTRIA QUÍMICA E FARMACÊUTICA. Elocom® (furoato de mometasona): creme e pomada 0,1% (1 mg/g), bisnaga 20 g. Bula para o paciente e para os profissionais de saúde (documento elocom15C/nov/07); data de aprovação pela Anvisa não rotulada no documento. Arquivo fornecido pelo usuário.

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