Alopecia de Tração
CID-10: L65.8 - Outras formas, especificadas, não cicatriciais, de perda de cabelos ou pelos
Introdução
A alopecia de tração é a perda capilar causada por tensão contínua ou repetida sobre a raiz dos fios, decorrente de penteados que tracionam o cabelo [1].
Tem padrão bifásico: na fase precoce é não cicatricial e reversível; na fase crônica leva a alopecia cicatricial permanente [1].
Afeta sobretudo mulheres de ascendência africana com cabelo crespo [1]. Em geral começa na infância, e a prevalência aumenta com a idade até atingir o pico em mulheres adultas [1].
🔑 Pontos-chave:
Aberturas foliculares ausentes indicam provável alopecia cicatricial: encaminhar ao dermatologista [2]
A fase precoce é reversível; a tração crônica leva a alopecia cicatricial permanente, que não responde ao tratamento clínico [1]
Perda na margem do couro cabeludo, ou em padrão linear, curvo ou geométrico, em quem usa penteado de tração: suspeitar de alopecia de tração [1]
Sobrancelhas, pelos do corpo, pele e unhas são poupados [1]; perda de sobrancelhas: considerar alopecia frontal fibrosante [3]
Primeira medida na fase precoce: afrouxar o penteado, evitar tratamentos químicos e calor [1]
Orientar todo paciente a alternar penteados e reduzir a tensão [1]
Moldes capilares (hair casts) indicam doença ativa [1]
Crianças e adolescentes têm os folículos mais vulneráveis: orientar pais e responsáveis sobre penteados [1]
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza o manejo da alopecia de tração. Parte da suspeita de alopecia de tração: perda na margem do couro cabeludo ou em padrão linear, curvo ou geométrico, em quem usa penteado de tração. Pergunta-se se há qualquer um: perda de sobrancelhas; descamação, pústulas, crostas, erosões ou eritema, com linfonodomegalia local; placas circunscritas e ovais. Se sim, considera-se outro diagnóstico, como alopecia frontal fibrosante, tinea capitis ou alopecia areata (conferir em Diagnóstico diferencial). Se não, pergunta-se se as aberturas foliculares estão ausentes. Se sim, encaminha-se ao dermatologista, por alopecia provavelmente cicatricial, com transplante capilar ou micropigmentação, mantendo a redução da tensão e a orientação sobre penteados (conferir em Tratamento por estágio). Se não, afrouxa-se o penteado e reduz-se a tensão, evitam-se tratamentos químicos e calor, com escovação suave, usa-se minoxidil tópico no couro cabeludo para o recrescimento e orientam-se paciente e família (conferir em Orientação ao paciente e à família). Em seguida, pergunta-se se há qualquer um: descamação, eritema, dor ou pústulas. Se sim, na inflamação, usa-se corticoide tópico ou triancinolona intralesional na periferia da área de perda; nas pústulas, clindamicina tópica (solução ou gel) ou doxiciclina por via oral (conferir em Corticoide intralesional e em Antibiótico); depois, segue-se para a etapa seguinte. Se não, segue-se diretamente para ela: manter as medidas e reavaliar, lembrando que moldes capilares persistentes indicam doença ativa (conferir em Seguimento e prognóstico). Pergunta-se então se não houve resposta ao corticoide tópico e ao minoxidil tópico, sem alopecia cicatricial. Se não, mantêm-se as medidas. Se sim, pergunta-se se o paciente é adulto: se sim, considera-se minoxidil por via oral em dose baixa (conferir em Minoxidil); se não, encaminha-se ao dermatologista. Um ícone de alerta marca a triancinolona, a doxiciclina e o minoxidil oral, após o nome; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: VO, via oral. Fonte: referências [1], [2], [3], [4], [5], [6], [7] e [15] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1793128089601_b519cfe4.png)
Fatores de risco
Penteados e práticas que tracionam o cabelo [1]:
Tranças apertadas, cornrows, torções (twists), dreadlocks e sister locks
Rabo de cavalo, maria-chiquinha e coque
Apliques (weaves), extensões e bobes
Lenço ou turbante amarrado apertado
Outros fatores de risco [1]:
Acessórios de cabelo que aumentam a tensão
Relaxantes químicos e alisamento térmico: não causam a doença sozinhos, mas aumentam a suscetibilidade quando associados a penteado de alta tensão
Cabelo crespo
Grupos com práticas de risco [1]:
Mulheres e meninas de ascendência africana
Bailarinos, militares e meninos sikh
Quadro clínico
Localização [1]:
Margem do couro cabeludo: regiões frontal, temporal, pré-auricular, acima das orelhas e occipital
Outras áreas, conforme o penteado, como no padrão de cornrows
O padrão da perda corresponde às áreas de tração
Achados que levantam suspeita [1]:
Perda em padrão linear, curvo ou geométrico
Sinal da franja: faixa de fios finos e miniaturizados preservada na linha de implantação frontal ou temporal
Sinais precoces: eritema perifolicular e recuo da linha de implantação
Foliculite, densidade reduzida com substituição por fios velos e fios quebrados
Áreas poupadas: pelos do corpo, sobrancelhas, pele e unhas
Sintomas [1]:
Cefaleia que alivia ao soltar o cabelo
Desconforto, prurido ou sensibilidade do couro cabeludo
Sinal de atividade [1]:
Moldes capilares (hair casts): indicam doença ativa ou persistente
Complicações [1]:
Inflamação, eritema e pústulas, às vezes com infecção bacteriana secundária (foliculite)
Alopecia cicatricial permanente na tração crônica
Diagnóstico
Clínico, pelo exame do couro cabeludo [1]
Dermatoscopia (tricoscopia) [1]:
Forma marginal ou em placas: densidade folicular reduzida, aberturas foliculares ausentes e muitos moldes capilares móveis na periferia da área afetada
Forma difusa: densidade capilar normal, com número aumentado de moldes capilares
Moldes capilares: não aderentes, brancos ou castanhos, cilíndricos, envolvendo a haste proximal
Teste de tração, para outras causas de queda [2]:
Técnica: segurar cerca de 40 a 60 fios pela base, entre polegar, indicador e médio, e tracionar suavemente para longe do couro cabeludo
Positivo: mais de 10% dos fios (4 a 6) arrancados; indica queda ativa e sugere eflúvio telógeno, eflúvio anágeno ou alopecia areata
Negativo: não exclui essas condições
Diagnóstico diferencial
Condição | Pista que diferencia da alopecia de tração | Conferir |
|---|---|---|
Alopecia frontal fibrosante (alopecia cicatricial) | Recuo da linha de implantação frontal, com eritema e hiperceratose perifolicular na margem; perda ou rarefação das sobrancelhas em 50% a 95% dos pacientes, que pode preceder o recuo em vários anos; afeta principalmente mulheres na pós-menopausa [3] | Protocolo específico "Alopecias cicatriciais primárias" |
Alopecia cicatricial centrífuga central | Placa alopécica no vértice com progressão periférica lenta, frequentemente simétrica [3] | Protocolo específico "Alopecias cicatriciais primárias" |
Tinea capitis [1][2] | Descamação, pústulas, crostas, erosões ou eritema com linfonodomegalia local sugerem infecção [2] | Protocolo específico "Tinea capitis" |
Alopecia areata [2][4] | Forma ofiásica: alopecia em faixa nas regiões lateral e occipital do couro cabeludo [4]; placas circunscritas, ovais, da cor da pele [2]; pelos curtos e velos, pontos amarelos ou pretos e hastes quebradas podem ser vistos, mas não são específicos [2] | Protocolo específico "Alopecia areata" |
Alopecia androgenética | Rarefação temporal pode fazer parte do padrão genético, sem tração [1] | Protocolos específicos "Alopecia androgenética masculina" e "Alopecia androgenética feminina" |
Tricorrexe nodosa | Fios secos e quebrados, com nós brancos que correspondem a pontos de fratura da haste; dermatoscopia: fios com aspecto de duas vassouras ou pincéis encostados; causada por trauma físico (escovação excessiva, calor, penteados apertados) ou químico (descolorante, tintura, permanente, relaxante) [2] | Conduta: evitar ou minimizar o trauma físico e químico [2] |
Fonte: [1][2][3][4]
Outros diagnósticos a considerar [1]:
Dermatite atópica e dermatite seborreica
Alopecia por fricção
Nevo epidérmico
Esclerodermia
Histiocitose
Sífilis secundária: conferir o protocolo Sífilis no Adulto
Estágios
Estágio | Característica | Para onde ir |
|---|---|---|
Prevenção | Crianças, adolescentes e adultos jovens expostos a práticas de tração | Orientar: conferir em "Orientação ao paciente e à família" |
Precoce | Unidades foliculares intactas; perda reversível | Conferir em "Tratamento por estágio" |
Longa duração | Alopecia cicatricial permanente, sem resposta ao tratamento clínico; aberturas foliculares ausentes sugerem alopecia provavelmente cicatricial; tração de longa duração é causa de alopecia cicatricial secundária | Encaminhar ao dermatologista: conferir em "Quando encaminhar" |
Fonte: [1][2][3]
Tratamento por estágio
Prevenção [1]:
Orientar pais, crianças, adolescentes e adultos jovens sobre cuidados com o cabelo, porque nesse período os folículos são mais vulneráveis
Estágio precoce, com unidades foliculares intactas [1][5]:
Objetivo principal: reduzir a tensão, com penteados mais soltos [1]; o alívio da tração é a base do manejo em qualquer estágio [5]
Evitar tratamentos químicos e calor [1][5]
Escovação suave da área afetada [1]
Inflamação, qualquer um (descamação, eritema, dor) [1]:
Corticoide tópico ou intralesional [1][5]:
Tópico: na margem da área de perda [5]
Intralesional: na periferia da área de perda [1]
Conferir em "Corticoide tópico" e em "Corticoide intralesional"
Pústulas [1]:
Antibiótico oral ou tópico, pelo efeito anti-inflamatório [1][5]
Conferir em "Antibiótico"
Recrescimento: minoxidil tópico, junto com a mudança de penteado, melhora o resultado da intervenção precoce [1]; conferir em "Minoxidil"
Estágio de longa duração, com alopecia cicatricial [1][2][5][6]:
Perda permanente, que não responde ao tratamento clínico [1]
Manter a redução da tensão e a orientação sobre penteados: aberturas foliculares ausentes podem coexistir com moldes capilares, sinal de doença ativa [1]
Aberturas foliculares ausentes: alopecia provavelmente cicatricial; encaminhar ao dermatologista [2]
Transplante capilar ou micropigmentação: encaminhar ao dermatologista (conferir em "Quando encaminhar"):
Transplante capilar: microenxertos, minienxertos, enxertos por punch ou transplante de unidades foliculares [1][6]; pode exigir vários procedimentos [6]
Transplante com alopecia cicatricial associada: cautela, pelo risco de fenômeno de Koebner [6]
Micropigmentação do couro cabeludo nas cicatrizes extensas, para reabilitação estética [1]
Orientação ao paciente e à família
Penteados [1]:
Evitar penteados de alta tensão, como tranças apertadas, apliques e extensões
Alternar penteados e reduzir a tensão
Preferir penteados de proteção e fazer pausas periódicas no uso de extensões
Manter cuidado adequado com o couro cabeludo
Sinais precoces a reconhecer: eritema perifolicular e recuo da linha de implantação [1]
Crianças e adolescentes: orientar pais e responsáveis, porque os folículos são mais vulneráveis nessa faixa etária [1]
Impacto psicológico: pode ser significativo, sobretudo quando o cabelo está ligado à identidade e à autoimagem [1]
Quando encaminhar
Encaminhar ao dermatologista se qualquer um:
Aberturas foliculares ausentes: alopecia provavelmente cicatricial [2]
Indicação de transplante capilar ou micropigmentação
Indicação de infiltração intralesional, sem médico treinado na técnica no serviço
Criança sem resposta ao corticoide tópico e ao minoxidil tópico
Corticoide tópico
Indicação: inflamação no estágio precoce [1][5], aplicado na margem da área de perda [5]
Agente e concentração: corticoide tópico com apresentação disponível; prescrever conforme a rotulagem técnica do produto
Esquema [6] (evidência conflitante):
1 ou 2 vezes ao dia, sob oclusão, até a melhora clínica
Cabelo mais crespo: preferir veículo oleoso, porque a solução resseca o fio e favorece fragilidade e quebra
Considerações:
Fronte: preferir corticoide de índice terapêutico em torno de 2, como mometasona; evitar corticoide potente (classes 3 e 4) na face [3]
Criança: oclusão e áreas extensas aumentam a absorção sistêmica e o risco de supressão adrenal; limitar à mínima dose eficaz [17]
Corticoide intralesional
Indicação: inflamação no estágio precoce, aplicado na periferia da área de perda [1][5]
Execução: procedimento realizado por médico treinado na técnica; sem esse profissional no serviço, conferir em "Quando encaminhar"
Esquemas [7][6][8][9] (evidência conflitante):
Triancinolona hexacetonida (Triancil®) susp. inj. 20 mg/mL (frasco-ampola 5 mL)
Uwakwe 2020 (série de 6 casos, baixa densidade frontotemporal sem inflamação clínica):
5 mg/mL nas áreas de baixa densidade da linha de implantação frontotemporal, na borda da perda e avançando até a área de densidade normal
A cada 6 a 8 semanas; avaliar a resposta após 3 sessões
Akintilo 2021 (experiência de um serviço):
2,5 ou 5 mg/mL, cerca de 3 mL no total, com concentração e volume conforme a área acometida, na linha de implantação frontotemporal e na occipital, se acometida
1 vez por mês, até a melhora clínica, com reavaliação mensal
Dose máxima habitual: 20 mg por mês
Administração:
Via intralesional
Diluir em soro glicosado 5%, soro fisiológico 0,9% ou água destilada estéril; não usar diluente com conservante
Usar imediatamente após a diluição
Considerações:
Doses das fontes: triancinolona acetonida [7][6]; produto disponível no Brasil: hexacetonida; equivalência de concentração entre os sais não estabelecida
Hexacetonida: maior risco de atrofia cutânea que a acetonida [4]
Áreas com maior risco de atrofia: preferir concentrações menores, como 2,5 mg/mL [4]
Contraindicada se qualquer um:
Tuberculose em atividade [8]
Ceratite herpética [8]
Micoses sistêmicas [8]
Estrongiloidíase [8]
Psicose aguda [8]
Processo infeccioso [8][9]
Hipersensibilidade à triancinolona hexacetonida ou aos excipientes [9]
Tuberculose latente ou reatividade à tuberculina: observar, pelo risco de reativação [9]
Efeitos adversos: dor e atrofia transitória no local da aplicação [7]
Atrofia transitória: não obriga a suspender; não reaplicar nas áreas deprimidas, o que permite a reversão [7]
Concentrações maiores: risco de discromia e hipopigmentação [6]
Gestação: só com orientação médica [8]
Criança: usar com cautela, após avaliação do risco e do benefício [8]
Uso fora da bula: a bula indica uso intra-articular [8]
Antibiótico
Indicação: pústulas, pelo efeito anti-inflamatório [1][5]
Esquemas [6][10][11][12] (evidência limitada):
Tópico:
Clindamicina (Dalacin® T) sol. tópica 10 mg/mL (frasco com aplicador 30 mL)
1 vez ao dia, até a melhora clínica
Administração: via tópica; agitar o frasco imediatamente antes do uso; lavar e secar bem a região antes de aplicar uma fina camada com o aplicador do frasco; lavar as mãos após a aplicação; evitar contato com olhos e boca
Clindamicina (Clindacne®) gel 10 mg/g (bisnaga 25 g)
1 vez ao dia, até a melhora clínica
Administração: via tópica; distribuir uniformemente sobre as áreas afetadas; não usar sobre mucosas
Oral:
Doxiciclina (Vibramicina®) comp. solúvel 100 mg
Adulto e criança acima de 45 kg:
Akintilo 2021 (experiência de um serviço):
Início: 100 mg VO de 12 em 12 horas
Reduzir até 20 mg de 12 em 12 horas (dose submicrobiana), conforme a tolerância
Reavaliar a resposta a cada consulta; com 3 a 4 meses, considerar suspender ou reduzir para a dose submicrobiana, para evitar resistência
Bula (acne vulgar):
100 mg VO 1 vez ao dia, por até 12 semanas
Criança acima de 8 anos, até 45 kg:
1º dia: 4,4 mg/kg VO, em 1 ou 2 tomadas
A partir do 2º dia: 2,2 mg/kg/dia VO, em 1 ou 2 tomadas
Infecções mais graves: até 4,4 mg/kg/dia
Redução para dose submicrobiana: sem esquema pediátrico definido na fonte
Administração:
Via oral; engolir com quantidade adequada de líquido ou dissolver em 50 mL de água; com alimento ou leite, se houver irritação gástrica
Doses menores que 100 mg (dose por peso na criança, dose de 20 mg): dissolver o comprimido de 100 mg em 50 mL de água (2 mg/mL) e administrar o volume correspondente à dose (ex.: 55 mg = 27,5 mL; 20 mg = 10 mL)
Agitar bem antes de medir e administrar logo após o preparo
Considerações:
Clindamicina:
Uso fora da bula: as bulas indicam acne (Dalacin® T) e infecções cutâneas sensíveis à clindamicina, especialmente acne (Clindacne®) [11][12]
Idade: Dalacin® T de uso acima de 12 anos; Clindacne® de uso adulto, sem estudos controlados abaixo de 12 anos [11][12]
Contraindicada se qualquer um:
Hipersensibilidade à clindamicina ou à lincomicina [11][12]
História de colite associada a antibióticos [11]
Diarreia durante o uso pede avaliação médica, pelo risco de colite associada a antibiótico, raro no uso tópico [11][12]
Gestação: só com orientação médica [11][12]
Dalacin® T contém álcool e pode causar queimação e irritação em olhos, mucosas e pele esfolada [11]
Doxiciclina:
O comprimido não deve ser partido, aberto ou mastigado [10]
Contraindicada se qualquer um:
Gestação [10]
Aleitamento [10]
Menores de 8 anos [10]
Hipersensibilidade a tetraciclinas [10]
Preferida entre as tetraciclinas, pelo melhor perfil de efeitos adversos [6]
Fotossensibilidade: interromper aos primeiros indícios de eritema cutâneo [10]
Hipertensão intracraniana benigna associada às tetraciclinas: distúrbio visual durante o tratamento pede avaliação oftalmológica rápida [10]
Esofagite e ulceração esofágica relatadas, sobretudo com a dose tomada imediatamente antes de deitar; ingerir com quantidade adequada de líquido [10]
Reação cutânea grave (síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, DRESS, eritema multiforme, dermatite esfoliativa): descontinuar imediatamente [10]
Doação de sangue: absolutamente contraindicada durante o tratamento e até 15 dias após o término [10]
Interações:
Antiácidos com alumínio, cálcio ou magnésio, ferro e sais de bismuto reduzem a absorção [10]
Pode reduzir a eficácia do contraceptivo oral [10]
Isotretinoína: evitar o uso simultâneo, pelo risco de hipertensão intracraniana benigna [10]
Varfarina: prolongamento do tempo de protrombina; o anticoagulante pode precisar de redução da dose [10]
Minoxidil
Minoxidil tópico [1][5][7][6][13][14]:
Indicação: apoio ao recrescimento na intervenção precoce, junto com a mudança de penteado [1]; também na alopecia de tração avançada, em relatos de caso [5]
Esquemas:
Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)
Akintilo 2021 (experiência de um serviço):
5% nas áreas afetadas, 1 ou 2 vezes ao dia, por tempo indeterminado
Uwakwe 2020 (série de 6 casos):
5% diariamente, associado à infiltração de triancinolona
Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto
Administração:
Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos
Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos
Lavar bem as mãos após a aplicação
Considerações:
Uso fora da bula na alopecia de tração [13][14]:
A bula contraindica o uso em mulheres
Sem indicação pediátrica
Indicação da bula: alopecia androgênica em homem adulto
Efeitos adversos a explicar antes de prescrever: hipertricose leve, irritação do couro cabeludo e queda transitória no início do uso [7]
Minoxidil oral em dose baixa [15][16]:
Indicação: adulto sem resposta ao corticoide tópico e ao minoxidil tópico, em alopecia de tração crônica não cicatricial (relato de caso) [15]
Criança sem resposta ao corticoide tópico e ao minoxidil tópico: encaminhar ao dermatologista (conferir em "Quando encaminhar")
Esquemas:
Minoxidil cáps. 1,25 mg (manipulado)
Kim e Craiglow 2022 (relato de caso):
1,25 mg VO 1 vez ao dia; após 6 meses, 1,25 mg de 12 em 12 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas.
Considerações:
Hipertricose leve na face no relato [15]
Uso fora da bula: a bula traz indicação só na hipertensão arterial não responsiva a diurético e a dois outros anti-hipertensivos [16]
Contraindicações: feocromocitoma, porfiria e hipersensibilidade ao minoxidil [16]
Sinais ou sintomas sugestivos de efusão pericárdica: ecocardiograma [16]
💊 Como prescrever?
Triancinolona hexacetonida [7][8]:
Triancinolona hexacetonida (Triancil®) susp. inj. 20 mg/mL (frasco-ampola 5 mL)
Uwakwe 2020 (série de 6 casos, baixa densidade frontotemporal sem inflamação clínica):
5 mg/mL nas áreas de baixa densidade da linha de implantação frontotemporal, na borda da perda e avançando até a área de densidade normal
A cada 6 a 8 semanas; avaliar a resposta após 3 sessões
Akintilo 2021 (experiência de um serviço):
2,5 ou 5 mg/mL, cerca de 3 mL no total, com concentração e volume conforme a área acometida, na linha de implantação frontotemporal e na occipital, se acometida
1 vez por mês, até a melhora clínica, com reavaliação mensal
Dose máxima habitual: 20 mg por mês
Administração:
Via intralesional
Diluir em soro glicosado 5%, soro fisiológico 0,9% ou água destilada estéril; não usar diluente com conservante
Usar imediatamente após a diluição
Clindamicina tópica [6][11]:
Clindamicina (Dalacin® T) sol. tópica 10 mg/mL (frasco com aplicador 30 mL)
1 vez ao dia, até a melhora clínica
Administração: via tópica; agitar o frasco imediatamente antes do uso; lavar e secar bem a região antes de aplicar uma fina camada com o aplicador do frasco; lavar as mãos após a aplicação; evitar contato com olhos e boca
Clindamicina (Clindacne®) gel 10 mg/g (bisnaga 25 g)
1 vez ao dia, até a melhora clínica
Administração: via tópica; distribuir uniformemente sobre as áreas afetadas; não usar sobre mucosas
Doxiciclina [10][6]:
Doxiciclina (Vibramicina®) comp. solúvel 100 mg
Adulto e criança acima de 45 kg:
Akintilo 2021 (experiência de um serviço):
Início: 100 mg VO de 12 em 12 horas
Reduzir até 20 mg de 12 em 12 horas (dose submicrobiana), conforme a tolerância
Reavaliar a resposta a cada consulta; com 3 a 4 meses, considerar suspender ou reduzir para a dose submicrobiana, para evitar resistência
Bula (acne vulgar):
100 mg VO 1 vez ao dia, por até 12 semanas
Criança acima de 8 anos, até 45 kg:
1º dia: 4,4 mg/kg VO, em 1 ou 2 tomadas
A partir do 2º dia: 2,2 mg/kg/dia VO, em 1 ou 2 tomadas
Infecções mais graves: até 4,4 mg/kg/dia
Redução para dose submicrobiana: sem esquema pediátrico definido na fonte
Administração:
Via oral; engolir com quantidade adequada de líquido ou dissolver em 50 mL de água; com alimento ou leite, se houver irritação gástrica
Doses menores que 100 mg (dose por peso na criança, dose de 20 mg): dissolver o comprimido de 100 mg em 50 mL de água (2 mg/mL) e administrar o volume correspondente à dose (ex.: 55 mg = 27,5 mL; 20 mg = 10 mL)
Agitar bem antes de medir e administrar logo após o preparo
Minoxidil tópico [6][13]:
Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)
Akintilo 2021 (experiência de um serviço):
5% nas áreas afetadas, 1 ou 2 vezes ao dia, por tempo indeterminado
Uwakwe 2020 (série de 6 casos):
5% diariamente, associado à infiltração de triancinolona
Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto
Administração:
Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos
Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos
Lavar bem as mãos após a aplicação
Minoxidil oral, adulto [15][16]:
Minoxidil cáps. 1,25 mg (manipulado)
Kim e Craiglow 2022 (relato de caso):
1,25 mg VO 1 vez ao dia; após 6 meses, 1,25 mg de 12 em 12 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas.
Seguimento e prognóstico
Seguimento [1]:
Moldes capilares persistentes indicam doença ativa
M-TAS (Marginal Traction Alopecia Severity Score): escala fotográfica validada que gradua as linhas de implantação anterior e posterior de 0 a 9; pode ser usada para monitorar a resposta ao tratamento
Intervalo de reavaliação não declarado na fonte
Registro fotográfico [7]:
Fotografar a área afetada no início e ao longo do tratamento, em todo paciente que inicia tratamento
Prognóstico [1]:
Fase precoce, com tensão intermitente e leve: a suspensão do penteado causador pode levar a recrescimento completo
Tração crônica e repetitiva: miniaturização folicular, fibrose perifolicular e alopecia cicatricial permanente
Melhor prognóstico a longo prazo quando a prevenção começa antes de destruição folicular significativa
Referências
[1] SYED, Hasnain A.; KALIYADAN, Feroze. Traction Alopecia. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Atualizado em: 4 maio 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470434/. Acesso em: 23 out. 2026.
[2] PHILLIPS, T. Grant; SLOMIANY, W. Paul; ALLISON, Robert. Hair Loss: Common Causes and Treatment. American Family Physician, v. 96, n. 6, p. 371-378, 2017. Disponível em: https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2017/0915/p371.html. Acesso em: 23 out. 2026.
[3] KANTI, Varvara; RÖWERT-HUBER, Joachim; VOGT, Annika; BLUME-PEYTAVI, Ulrike. Cicatricial alopecia. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, v. 16, n. 4, p. 435-461, 2018. DOI: 10.1111/ddg.13498. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ddg.13498.
[4] RAMOS, Paulo Müller; ANZAI, Alessandra; DUQUE-ESTRADA, Bruna; et al. II Consensus of the Brazilian Society of Dermatology for the treatment of alopecia areata. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 100, n. 2, p. 328-341, 2025. DOI: 10.1016/j.abd.2024.10.001. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.abd.2024.10.001.
[5] BILLERO, Victoria; MITEVA, Mariya. Traction alopecia: the root of the problem. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology, v. 11, p. 149-159, 2018. DOI: 10.2147/CCID.S137296. Disponível em: https://doi.org/10.2147/CCID.S137296.
[6] AKINTILO, Lisa; YIN, Lu; SVIGOS, Katerina; KAKPOVBIA, Efe; SHAPIRO, Jerry; LO SICCO, Kristen. Management of Traction Alopecia: Our Experience and a Brief Review of Current Literature Recommendations. Journal of Drugs in Dermatology, v. 20, n. 5, p. 578-579, 2021. Disponível em: https://jddonline.com/.
[7] UWAKWE, Laura N.; DE SOUZA, Brianna; TOVAR-GARZA, Andrea; MCMICHAEL, Amy J. Intralesional Triamcinolone Acetonide in the Treatment of Traction Alopecia. Journal of Drugs in Dermatology, v. 19, n. 2, p. 128-130, 2020. DOI: 10.36849/JDD.2020.4635. Disponível em: https://doi.org/10.36849/JDD.2020.4635.
[8] HOSPITAL SÃO CAMILO. Guia Farmacêutico: triancinolona hexacetonida; doxiciclina monoidratada. 2022. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br/. Acesso em: 23 out. 2026.
[9] HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Manual Farmacêutico: Triancil (atualização em 09/08/2018); Doxiciclina (atualização em 16/01/2021). Disponível em: https://aplicacoes.einstein.br/manualfarmaceutico/. Acesso em: 23 out. 2026.
[10] PFIZER BRASIL. Vibramicina® (doxiciclina monoidratada): comprimidos solúveis 100 mg. Bula para o profissional de saúde (LLD_Bra_CDSv14.0_18Oct2024_v3_VBCCOS_23). Aprovada pela Anvisa em 23/09/2026. Bula enviada pelo usuário.
[11] LABORATÓRIOS PFIZER. Dalacin® T (fosfato de clindamicina): solução tópica 10 mg/mL, frasco com aplicador 30 mL. Bula (informações ao paciente). Documento rotulado em 17/jan/2013 (LLD_DLTSOT_01). Bula enviada pelo usuário.
[12] IGEFARMA LABORATÓRIOS. Clindacne® (fosfato de clindamicina): gel 10 mg/g, bisnaga 25 g. Bula (informações ao paciente). Sem data rotulada no documento. Bula enviada pelo usuário.
[13] ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS. Pant Sec 5% (minoxidil): solução capilar 50 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 23/12/2024. Disponível em: https://www.ache.com.br/wp-content/uploads/PANT-SEC-VPS-SITE-3.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.
[14] EUROFARMA. Pilox (minoxidil): solução spray capilar 5%. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 18/12/2025. Disponível em: https://momentafarma.com.br/produtos/bulas/healthcare/pt/bula-pilox.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.
[15] KIM, Sa Rang; CRAIGLOW, Brittany G. Treatment of traction alopecia with oral minoxidil. JAAD Case Reports, v. 23, p. 112-113, 2022. DOI: 10.1016/j.jdcr.2022.03.023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jdcr.2022.03.023.
[16] LABORATÓRIOS PFIZER. Loniten® (minoxidil): comprimidos 10 mg. Bula (informações ao paciente e informações técnicas), documento LLD_LONCOM_01 de 21/05/2012; data de aprovação pela Anvisa não rotulada no documento. Arquivo fornecido pelo usuário.
[17] MANTECORP INDÚSTRIA QUÍMICA E FARMACÊUTICA. Elocom® (furoato de mometasona): creme e pomada 0,1% (1 mg/g), bisnaga 20 g. Bula para o paciente e para os profissionais de saúde (documento elocom15C/nov/07); data de aprovação pela Anvisa não rotulada no documento. Arquivo fornecido pelo usuário.
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