Alopecia Androgenética Feminina
CID-10: L64.9 - Alopecia androgênica, não especificada
Introdução
A alopecia androgenética feminina, ou alopecia de padrão feminino, é uma alopecia difusa não cicatricial causada pela miniaturização progressiva dos folículos e pela redução da densidade capilar, sobretudo nas regiões central, frontal e parietal do couro cabeludo [2].
É a principal causa de queda de cabelo na mulher adulta [2].
Prevalência no Brasil: 32,3% das mulheres adultas, de 8% entre 20 e 29 anos a 68% entre 60 e 75 anos [1]
Início habitual nos anos reprodutivos, com maior procura entre 25 e 40 anos e segundo pico na menopausa, entre 50 e 60 anos [2]
Também ocorre em crianças e adolescentes, em geral com forte história familiar e sem alteração laboratorial [2]
Associada a condições com hiperandrogenismo, principalmente a síndrome dos ovários policísticos (SOP), embora a maioria das pacientes não tenha outros sinais de hiperandrogenismo [2]
Doença crônica e progressiva [1]
🔑 Pontos-chave:
Qualquer um (óstios foliculares ausentes; áreas persistentes sem cabelo com óstios obliterados; ausência de recrescimento; fios isolados remanescentes): suspeitar de alopecia cicatricial, que pode se apresentar como rarefação difusa semelhante à alopecia androgenética, e encaminhar ao dermatologista [3][4]
Flutamida não deve ser usada, pelo risco de hepatotoxicidade aguda grave [1]
Nenhum fármaco usado na alopecia androgenética feminina é seguro na gestação [1]
Contracepção altamente eficaz: com antiandrogênicos na pré-menopausa [1]; com inibidores da 5α-redutase em idade fértil, pelo potencial teratogênico [1]
Sinais de hiperandrogenismo são sinal de alerta (conferir em "Investigação laboratorial"); qualquer um: alteração do ciclo menstrual, infertilidade, hipertrofia clitoriana, alteração da libido, hirsutismo, acne, pele oleosa ou alteração do timbre da voz [2]
Índice de androgênio livre (IAL) e prolactina só após pausa de pelo menos 2 meses do contraceptivo hormonal, que altera a SHBG [2]
Teste de tração positivo de forma difusa sugere eflúvio telógeno ou alopecia areata difusa; na alopecia androgenética feminina, ele é positivo só nas áreas afetadas [2]
Minoxidil tópico: avisar sobre o aumento transitório da queda nas primeiras semanas, para evitar o abandono precoce [1]
A resposta ao minoxidil tópico só aparece após 4 a 6 meses, e o uso é mantido indefinidamente [1]
Exames iniciais com recomendações divergentes: triagem com índice de androgênio livre (IAL) e prolactina [2]; ou nenhum exame de rotina, só se anamnese ou exame físico sugerirem comorbidade [3]
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza a avaliação e o tratamento inicial da mulher com rarefação capilar difusa e progressiva, central ou frontoparietal. Primeiro, pergunta-se se há qualquer um: óstios foliculares ausentes; áreas persistentes sem cabelo com óstios obliterados; ausência de recrescimento; fios isolados remanescentes. Se sim, encaminha-se ao dermatologista por suspeita de alopecia cicatricial (conferir o protocolo específico "Alopecias cicatriciais primárias"). Se não, faz-se o teste de tração (conferir em Diagnóstico) e pergunta-se se ele é positivo de forma difusa. Se sim, investiga-se eflúvio telógeno ou alopecia areata difusa; os diagnósticos podem coexistir, e o padrão de alopecia androgenética é reavaliado após o controle (conferir o protocolo Eflúvio Telógeno e o protocolo específico "Alopecia areata"); após o controle, o fluxo retorna ao diagnóstico. Se não, ou após o controle, faz-se o diagnóstico clínico pelo padrão, com tricoscopia, se disponível (conferir em Diagnóstico). Em seguida, pergunta-se se há qualquer um: alteração do ciclo menstrual; infertilidade; hirsutismo; acne; pele oleosa; hipertrofia clitoriana; alteração da libido ou do timbre da voz. Se sim, solicitam-se IAL e prolactina (após 2 meses sem contraceptivo hormonal) e TSH, com avaliação endocrinológica conforme o resultado e o contexto clínico, e considera-se encaminhamento para antiandrogênico (conferir em Investigação laboratorial). Se não, os exames iniciais têm recomendações divergentes entre as fontes: triagem com IAL e prolactina, ou exames só se anamnese ou exame físico sugerirem comorbidade (conferir em Investigação laboratorial). Os dois ramos seguem para minoxidil tópico 5% (1 vez ao dia), com aviso sobre aumento transitório da queda e manutenção por tempo indeterminado (conferir em Minoxidil tópico). Pergunta-se então se há resposta após 4 a 6 meses. Se sim, mantém-se o minoxidil tópico, com seguimento com fotos padronizadas. Se não, encaminha-se ao dermatologista para minoxidil oral, antiandrogênico ou procedimentos (conferir em Tratamento pelo especialista). Abreviações: IAL, índice de androgênio livre; TSH, hormônio tireoestimulante. Fonte: referências [1], [2], [3] e [4] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1793117978569_317cc882.png)
Quadro clínico
Queixas [2]:
Risca do cabelo mais evidente ao dividir os fios ao meio (sinal da risca)
Rabo de cavalo mais fino
Couro cabeludo cada vez mais visível com a evolução
Padrões clínicos [2][3]:
Rarefação difusa da região biparietal superior e do vértice, com preservação da linha de implantação anterior [2]
Escalas de Ludwig (três graus) e de Sinclair (quatro níveis de intensidade a partir do couro cabeludo normal) [2]
Padrão de Olsen ("árvore de Natal"): rarefação bitemporal superior e do vértice com acentuação frontal, em triângulo de base na linha de implantação anterior [2]
Recesso bitemporal, no padrão de Hamilton-Norwood: raro na mulher [2]
Algumas mulheres têm rarefação também na região lateral do couro cabeludo [3]
Em geral, sem sintomas sistêmicos nem achados além do couro cabeludo [2]
Fatores de risco [1][2]:
Hiperandrogenismo [1]
Uso de fármacos androgênicos, como esteroides para desempenho esportivo ou anastrozol [1]
História familiar de alopecia androgenética [1]
Relatada por 40% a 54% das pacientes, sobretudo com início antes de 40 anos [2]
Diagnóstico
Diagnóstico clínico na maioria dos casos [2]
Teste de tração [2][3]:
Técnica: segurar cerca de 40 a 60 fios na base, entre polegar, indicador e dedo médio, e tracionar suavemente, afastando do couro cabeludo [3]
Positivo: mais de 10% dos fios (4 a 6) se desprendem [3]
Interpretação [2]:
Alopecia androgenética feminina: positivo só nas áreas afetadas
Positivo de forma difusa: eflúvio telógeno ou alopecia areata difusa
Fios telógenos menores que 3 cm: fortemente sugestivos de alopecia androgenética feminina
Limitações:
Teste negativo não exclui eflúvio telógeno, eflúvio anágeno ou alopecia areata [3]
Lavagem recente do cabelo altera o resultado [2]
Tricoscopia [2]:
Achado principal: variação da espessura dos fios, com aumento de fios miniaturizados, sobretudo na região frontoparietal [2]
Isoladamente, mais de 10% de fios finos é fortemente sugestivo [2]
Fios emergindo isolados ou em grupos de 2 por óstio, em vez de grupos de 2 a 4 [2]
Sinal peripilar (halo acastanhado em torno do folículo) nas fases iniciais; pontos amarelos nos casos avançados [2]
Critérios diagnósticos [2]:
Maiores:
Mais de 4 pontos amarelos em 4 áreas da região frontal (aumento de 70x)
Espessura média dos fios menor na região frontal que na occipital (avaliação de pelo menos 50 fios de cada área)
Mais de 10% de fios finos (< 0,03 mm) na região frontal
Menores, razão entre a região frontal e a occipital:
Fios isolados por unidade folicular > 2:1
Fios finos > 1,5:1
Folículos hiperpigmentados > 3:1
Diagnóstico, qualquer um: 2 critérios maiores; 1 critério maior e 2 menores (especificidade de 98%)
Biópsia, indicada pelo especialista [2]:
Qualquer um: caso muito inicial; apresentação atípica; suspeita de coexistência com outra alopecia [2]
Técnica: biópsia em dois pontos, com punch de 4 mm [2]
Investigação laboratorial
Achado esperado: a alopecia androgenética feminina não tem alteração laboratorial característica [2]
Sinais de hiperandrogenismo, sinal de alerta; avaliar clinicamente [2]:
Qualquer um:
Alteração do ciclo menstrual
Infertilidade
Hipertrofia clitoriana
Alteração da libido
Hirsutismo
Acne
Pele oleosa
Alteração do timbre da voz
Presentes:
Exames: conferir "Exames na investigação inicial", abaixo
Antiandrogênico pelo especialista, com contracepção altamente eficaz na pré-menopausa (conferir em "Quando encaminhar" e em "Tratamento pelo especialista") [1]
Exames na investigação inicial: recomendações divergentes entre as fontes [2][3]:
Ramos e Miot (2015):
Triagem: índice de androgênio livre (IAL) e prolactina [2]
IAL: testosterona total (nmol/L) / SHBG (nmol/L) x 100; IAL ≥ 5 indica SOP [2]
Coleta só após pausa de pelo menos 2 meses do contraceptivo hormonal [2]
TSH: a disfunção tireoidiana pode contribuir para o eflúvio associado [2]
Avaliação endocrinológica complementar conforme o resultado e o contexto clínico [2]
AAFP (2017):
Sem exames de rotina para queda de cabelo; exames quando a anamnese ou o exame físico sugerirem comorbidade [3]
Suspeita de doença sistêmica: hemograma e TSH [3]
Ferritina, ferro e vitamina D [1][2]:
Dosagem:
Ferritina: sem indicação de dosagem de rotina; decisão individual [2]
Suplementação:
Ferro: sem indicação de suplementação na ausência de anemia [2]
Ferritina e vitamina D: suplementação sem benefício demonstrado na alopecia androgenética feminina [1]
Diagnóstico diferencial
Alopecia cicatricial com rarefação difusa [3][4]:
Pode surgir só como redução difusa da densidade, com eritema e descamação perifoliculares discretos, confundida com eflúvio difuso ou com alopecia androgenética associada a dermatite seborreica [4]
Suspeitar se qualquer um: áreas persistentes sem cabelo com óstios obliterados; ausência de recrescimento; fios isolados remanescentes [4]
Óstios foliculares ausentes: encaminhar ao dermatologista [3]; conferir o protocolo específico "Alopecias cicatriciais primárias"
Alopecias difusas não cicatriciais que dificultam o diagnóstico das formas iniciais [2]:
Eflúvio telógeno crônico [2]:
Teste de tração positivo de forma difusa
Conferir o protocolo Eflúvio Telógeno
Alopecia areata difusa [2]:
Teste de tração positivo de forma difusa
Conferir o protocolo específico "Alopecia areata"
Alopecia areata incógnita [2]
Alopecia sifilítica [2]: conferir o protocolo Sífilis no Adulto
Alopecia senil [2]
Síndrome do anágeno frouxo [2]
Sobreposição de diagnósticos [1][2]:
Eflúvio telógeno e alopecia androgenética feminina coexistem com frequência; o eflúvio pode revelar a alopecia androgenética inicial [2]
Alterações nutricionais associadas ao eflúvio telógeno interferem na resposta ao tratamento [1]
Condições que imitam a alopecia androgenética [3]:
Doença tireoidiana, anemia ferropriva e desnutrição [3]
Esquema de tratamento
Primeira linha [1]:
Minoxidil tópico, a única medicação com alto nível de evidência na alopecia androgenética feminina (conferir em "Minoxidil tópico") [1]
Resposta esperada:
Casos leves respondem melhor que os extensos [1]
De 30% a 60% das pacientes não melhoram com o minoxidil tópico [1]
Reavaliar a resposta após 4 a 6 meses (conferir em "Seguimento") [1]
Encaminhar ao especialista (conferir em "Quando encaminhar" e em "Tratamento pelo especialista"):
Falha ou má adesão ao minoxidil tópico: minoxidil oral [1]
Sinais de hiperandrogenismo: antiandrogênico, com contracepção altamente eficaz na pré-menopausa [1]
Em qualquer tratamento:
Complementos: camuflagem e próteses (conferir em "Outras medidas") [1]
Gestação: nenhum fármaco usado na alopecia androgenética feminina tem segurança adequada (conferir em "Gestação e contracepção") [1]
Não usar [1]:
Flutamida: hepatotoxicidade aguda grave [1]
Finasterida 1 mg/dia na pós-menopausa: ineficaz [1]
Minoxidil tópico
Esquemas, primeira linha [1][3][5][6]:
Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)
1 aplicação ao dia no couro cabeludo
Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto
Uso contínuo, por tempo indeterminado
Administração:
Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos
Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos
Lavar bem as mãos após a aplicação
Considerações:
Antes de prescrever:
Uso fora da bula: a solução a 5% não é aprovada pela Anvisa para uso em mulheres [1]; as bulas trazem uso exclusivo masculino e contraindicação em mulheres [5][6]
Gestação: sem segurança adequada [1]
Produto manipulado: especificar minoxidil base na prescrição [1]
Escolha da concentração:
No Brasil, o minoxidil é comercializado apenas em solução a 5%; a solução a 5% uma vez ao dia é preferida à solução a 2% duas vezes ao dia [1]
AAFP 2017:
Solução a 2% recomendada para a mulher [3]
Orientar a paciente:
Aumento transitório da queda nas primeiras semanas em cerca de 18% das pacientes: avisar antes de iniciar, para evitar o abandono [1]
Primeiros resultados após 4 a 6 meses [1]
Efeitos adversos:
Hipertricose facial e reações locais (prurido, ardor, eritema, pápulas ou pústulas) [1]
Dermatite de contato, geralmente pelo propilenoglicol: trocar por minoxidil tópico sem propilenoglicol [1]
Seguimento
Reavaliar a resposta ao minoxidil tópico após 4 a 6 meses [1]
Fotos clínicas e dermatoscópicas padronizadas, para avaliar a resposta e manter a adesão [1]
Manter o tratamento por tempo indeterminado [1]
Eflúvio telógeno concomitante: investigar as causas, o que pode melhorar a resposta terapêutica [2]
Quando encaminhar
Ao dermatologista, qualquer um:
Suspeita de alopecia cicatricial (óstios foliculares ausentes) [3][4]
Caso muito inicial, apresentação atípica ou suspeita de coexistência com outra alopecia, para biópsia [2]
Falha ou má adesão ao minoxidil tópico após 4 a 6 meses: candidata a minoxidil oral (conferir em "Tratamento pelo especialista")
Sinais de hiperandrogenismo: candidata a antiandrogênico (conferir em "Tratamento pelo especialista")
Indicação de inibidor da 5α-redutase ou de procedimento (conferir em "Tratamento pelo especialista")
Avaliação endocrinológica:
Conforme o resultado do IAL e da prolactina e o contexto clínico [2]
Gestação e contracepção
Gestação: nenhum fármaco usado na alopecia androgenética feminina tem segurança adequada, especialmente antiandrogênicos e inibidores da 5α-redutase [1]
Pré-menopausa em uso de antiandrogênico: contracepção altamente eficaz [1]
Idade fértil em uso de inibidor da 5α-redutase: contracepção altamente eficaz, pelo potencial teratogênico [1]
Camuflagem: pode ser usada na gestação [1]
Tratamento pelo especialista
Minoxidil oral [1]:
Indicação: aumentar a eficácia e a adesão em relação ao tópico [1]
Dose baixa, sem esquema definido na fonte; sem dados acima de 2 mg/dia [1]
Efeitos adversos: hipertricose (o mais frequente), cefaleia, edema de membros inferiores, tontura, insônia e palpitações [1]
Aumento transitório da queda no início do tratamento em 44% das pacientes [1]
Hipotensão infrequente em normotensas [1]
Antiandrogênicos, sobretudo com sinais de hiperandrogenismo [1]:
Em todos:
Contracepção altamente eficaz obrigatória na pré-menopausa [1]
Não usar:
Flutamida [1]
Espironolactona [1]:
Faixa de 25 a 200 mg/dia
Efeitos adversos: fadiga, mastalgia, irregularidade menstrual e hipotensão
Ciproterona [1]:
Mais eficaz na presença de sinais de hiperandrogenismo (acne, irregularidade menstrual, obesidade)
Efeitos adversos: irregularidade menstrual, alteração da libido, mastalgia e ganho de peso
Meningioma:
Não usar em quem tem ou teve meningioma [7][8]
Doses a partir de 10 mg/dia: reservar para falha de outras opções, inclusive de doses menores; após a resposta, reduzir até a menor dose eficaz [8]
Relatado com uso prolongado (anos) de 25 mg/dia ou mais [7]
Vigiar sintomas: alteração visual, perda auditiva ou zumbido, perda do olfato, cefaleia, perda de memória, convulsão ou fraqueza nos membros [8]
Diagnóstico de meningioma: suspender a ciproterona de forma definitiva [8]
Contraindicações, qualquer um [7]:
Gestação ou amamentação
Doença hepática, síndrome de Dubin-Johnson ou de Rotor, tumor hepático atual ou prévio
Icterícia ou prurido persistente, ou herpes, em gestação anterior
Tromboembolismo atual ou prévio
Depressão crônica grave ou doença debilitante
Diabetes grave com alterações vasculares ou anemia falciforme
Antes de iniciar: exame clínico geral e ginecológico completo, com mamas e citologia cervical, e exclusão de gestação [7]
Função hepática [7]:
Monitorar antes e durante o tratamento
Controles de bilirrubinas e transaminases aos 8, 15, 30 e 90 dias de tratamento
Não é anticoncepcional; não usar antes do término da puberdade [7]
Bicalutamida [1]:
Exames antes do início e com 4, 12 e 24 semanas: hemograma, transaminases, fosfatase alcalina, gama-GT, bilirrubinas, tempo de protrombina, creatinina, ureia, sódio, potássio e perfil lipídico
Contraceptivo oral com progestagênio antiandrogênico (ciproterona, drospirenona ou clormadinona) [1]:
Respeitar as contraindicações do contraceptivo, como obesidade, risco de trombofilia, câncer de mama, doença hepática e enxaqueca
Inibidores da 5α-redutase (finasterida e dutasterida) [1]:
Uso fora da bula na mulher: no Brasil, a bula traz apenas a alopecia androgenética masculina [1]
Idade fértil: potencial teratogênico (feminização do feto masculino) [1]; contracepção altamente eficaz obrigatória durante o uso
Finasterida 1 mg/dia: ineficaz na pós-menopausa [1]
Alto risco de câncer de mama: cautela [1]
Procedimentos [1]:
Mesoterapia: adjuvante, realizada por médico [1]
Microagulhamento e fotobiomodulação: adjuvantes [1]
Plasma rico em plaquetas: uso dermatológico vetado pelo Conselho Federal de Medicina [1]
Transplante capilar: indicação excepcional, com tratamento clínico mantido; excluir antes alopecia areata, eflúvio telógeno crônico e alopecia cicatricial ativa [1]
Tricomicropigmentação: casos avançados ou com resposta insatisfatória ao tratamento clínico [1]
💊 Como prescrever?
Minoxidil tópico [1][5]:
Minoxidil sol. capilar 50 mg/mL (5%) (frasco 25 mL ou 50 mL)
1 aplicação ao dia no couro cabeludo
Volume por aplicação: não declarado na fonte; seguir a rotulagem do produto
Uso contínuo, por tempo indeterminado
Administração:
Via tópica, no couro cabeludo; aplicar só com o cabelo e o couro cabeludo totalmente secos
Esperar pelo menos 4 horas após a aplicação para lavar os cabelos
Lavar bem as mãos após a aplicação
Outras medidas
Camuflagem [1]:
Sprays, pós e fibras: complementares ao tratamento clínico; podem ser usados por gestantes e crianças [1]
Próteses capilares: complementares, sobretudo nos casos avançados [1]
Sem benefício demonstrado [1]:
Alfaestradiol tópico 0,025%: sem evidência robusta [1]
Nutracêuticos e suplementos: sem benefício consistente; biotina e zinco sem benefício em pacientes saudáveis [1]
Análogos de prostaglandina: uso limitado pela falta de evidência e pelo custo [1]
Referências
[1] RAMOS, Paulo Müller; MELO, Daniel Fernandes; RADWANSKI, Henrique; et al. Female-pattern hair loss: therapeutic update. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 98, n. 4, p. 506-519, 2023. DOI: 10.1016/j.abd.2022.09.006. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.abd.2022.09.006. Acesso em: 23 out. 2026.
[2] RAMOS, Paulo Müller; MIOT, Hélio Amante. Female Pattern Hair Loss: a clinical and pathophysiological review. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 90, n. 4, p. 529-543, 2015. DOI: 10.1590/abd1806-4841.20153370. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4560543/. Acesso em: 23 out. 2026.
[3] PHILLIPS, T. Grant; SLOMIANY, W. Paul; ALLISON, Robert. Hair Loss: Common Causes and Treatment. American Family Physician, v. 96, n. 6, p. 371-378, 2017. Disponível em: https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2017/0915/p371.html. Acesso em: 23 out. 2026.
[4] KANTI, Varvara; RÖWERT-HUBER, Joachim; VOGT, Annika; BLUME-PEYTAVI, Ulrike. Cicatricial alopecia. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, v. 16, n. 4, p. 435-461, 2018. DOI: 10.1111/ddg.13498. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ddg.13498. Acesso em: 23 out. 2026.
[5] ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS. Pant Sec 5% (minoxidil): solução capilar 50 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 23/12/2024. Disponível em: https://www.ache.com.br/wp-content/uploads/PANT-SEC-VPS-SITE-3.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.
[6] EUROFARMA. Pilox (minoxidil): solução spray capilar 5%. Bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 18/12/2025. Disponível em: https://momentafarma.com.br/produtos/bulas/healthcare/pt/bula-pilox.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.
[7] LABORATÓRIO QUÍMICO FARMACÊUTICO BERGAMO. Acetato de ciproterona (medicamento genérico): comprimidos 50 mg. Bula para o paciente. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 10/01/2018; bula aprovada em 18/04/2018. Arquivo fornecido pelo usuário.
[8] EUROPEAN MEDICINES AGENCY (EMA). Cyproterone-containing medicinal products: referral. Restrictions in use of cyproterone due to meningioma risk. EMA/147755/2020. Publicado em 27/03/2020; atualizado em 20/05/2020. Disponível em: https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/referrals/cyproterone-containing-medicinal-products. Acesso em: 24 out. 2026.
Autoria e Curadoria
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