Alopecias Cicatriciais Primárias
CID-10: L66.9 - Alopecia cicatricial, não especificada
Introdução
As alopecias cicatriciais são um grupo heterogêneo de doenças que destroem o folículo piloso de forma irreversível, com cicatriz e perda definitiva de cabelo [1]. Dividem-se em dois grupos [1]:
Primárias: o próprio folículo é o alvo da inflamação, como no líquen plano pilar [1]
Secundárias: o dano ao tecido vizinho atinge o folículo, como em trauma, queimadura, radiação, infecção, tumor e doenças inflamatórias crônicas [1]
São doenças raras, de início muitas vezes subclínico e progressão lenta. O diagnóstico costuma atrasar, às vezes por meses ou anos, quando muitos folículos já foram destruídos [1]. Na suspeita de alopecia cicatricial, o paciente deve ser encaminhado ao dermatologista [2].
🔑 Pontos-chave:
Suspeitar se qualquer um: áreas persistentes sem cabelo com óstios obliterados; ausência de recrescimento; fios isolados remanescentes na área alopécica ("lonely hairs") [1]; óstios foliculares ausentes à inspeção [2]
Na suspeita de alopecia cicatricial: encaminhar ao dermatologista [2]
Armadilha: a forma difusa, com só redução da densidade e discreto eritema e descamação perifoliculares, é confundida com eflúvio difuso ou com alopecia androgenética com dermatite seborreica [1]
Suspeita de infecção concomitante ou superinfecção (crostas, exsudação, descamação, pústulas): cultura bacteriana e/ou fúngica [1]
Área cicatrizada não volta a ter cabelo: o objetivo do tratamento é deter a inflamação e a progressão [1]
Corticoide de classe potente não deve ser usado na face; uso regular de corticoide tópico por mais de 4 a 6 semanas: medir a pressão intraocular [1]
Examinar o couro cabeludo periodicamente para ceratose actínica e câncer de pele; biopsiar lesão suspeita [1]
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza o manejo da queda de cabelo com área alopécica e suspeita de alopecia cicatricial. Pergunta-se se há qualquer um: área persistente sem cabelo com óstios foliculares obliterados; ausência de recrescimento; fios isolados remanescentes na área alopécica; óstios foliculares ausentes à inspeção. Se não, a alopecia é provavelmente não cicatricial (conferir em Quando suspeitar). Se sim, faz-se a avaliação inicial: anamnese dirigida; pele, mucosas e unhas; teste de tração; fotodocumentação (conferir em Avaliação inicial). Em seguida, pergunta-se se há suspeita de infecção concomitante ou superinfecção, com qualquer um: crostas, exsudação, descamação, pústulas. Se sim, solicita-se cultura bacteriana e/ou fúngica (conferir o protocolo específico Tinea capitis), e o fluxo segue para a próxima pergunta. Se não, segue-se direto para ela: há qualquer um: lesões de lúpus cutâneo; vasculite leucocitoclástica; livedo reticular; fenômeno de Raynaud; lúpus pérnio; alterações periungueais ou ungueais? Se sim, solicitam-se FAN e anti-DNA de dupla hélice. Nos dois casos, segue-se para orientação e fotoproteção ou mudança de hábitos capilares conforme a forma; sem sinais de infecção: considerar exame micológico direto; corticoide tópico potente, por exemplo clobetasol tópico, nas bordas ativas (1 ou 2 vezes ao dia por 4 a 12 semanas); face: evitar classe potente; fronte e sobrancelhas: índice terapêutico em torno de 2 (conferir em Medidas gerais e corticoide tópico). Por fim, encaminha-se ao dermatologista para biópsia e tratamento (conferir em Tratamento pelo especialista). Abreviações: DNA, ácido desoxirribonucleico; FAN, fator antinuclear. Fonte: referências [1] e [2] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1793128219570_38fd0788.png)
Quando suspeitar
Suspeitar de alopecia cicatricial, qualquer um [1][2]:
Áreas persistentes sem cabelo com óstios foliculares obliterados [1]
Ausência de recrescimento [1]
Fios isolados remanescentes dentro da área alopécica ("lonely hairs") [1]
Óstios foliculares ausentes à inspeção [2]
Achados que reforçam a suspeita [1]:
Eritema e hiperceratose perifoliculares
Pústulas, crostas, erosões ou ulceração (afastar infecção: conferir "Sinais de infecção", abaixo)
Disestesia (ardor, dor, prurido), a documentar com frequência e escala de 1 a 10
Sinais sutis, facilmente ignorados [1]:
Pequenas áreas de alopecia ("pegadas na neve") e acentuação perifolicular podem ser os únicos sinais
Forma difusa, sem placa delimitada: só redução da densidade e discreto eritema e descamação perifoliculares, confundida com eflúvio difuso ou com alopecia androgenética com dermatite seborreica
Sinais de infecção:
Kanti 2018 [1]:
Qualquer um: crostas, exsudação, descamação, pústulas
Conduta: cultura bacteriana e/ou fúngica
AAFP 2017 [2]:
Qualquer um: descamação, pústulas, crostas, erosões, eritema com adenopatia local
Conduta: conferir o protocolo específico "Tinea capitis"
Excluir causa secundária [1]:
Trauma físico ou químico: queimadura, substância corrosiva, isquemia ou pressão, tração ou tricotilomania em estágio final
Radiação ionizante
Infecções bacterianas, virais e fúngicas, em particular tinea capitis por agente zoofílico com tricofitose profunda
Tumores primários, metástases, doenças linfoproliferativas, nevos epidérmicos e organoides
Genodermatoses, como aplasia cútis congênita, displasia ectodérmica e epidermólise bolhosa
Doenças granulomatosas: sarcoidose, necrobiose lipoídica
Doenças autoimunes: doença do enxerto contra o hospedeiro, esclerodermia em golpe de sabre, líquen escleroso, penfigoide cicatricial
Doenças de depósito: amiloidose, mucinose
Doenças inflamatórias: psoríase, pitiríase amiantácea
Pensar em outro diagnóstico: óstios presentes e couro cabeludo sem cicatriz, conforme o quadro:
Queda difusa: conferir o protocolo Eflúvio Telógeno
Rarefação em padrão: conferir o protocolo específico "Alopecia androgenética masculina" ou "Alopecia androgenética feminina"
Placas lisas: conferir o protocolo específico "Alopecia areata"
Rarefação nas margens de tensão do penteado: conferir o protocolo específico "Alopecia de tração"
Avaliação inicial
Anamnese dirigida [1]:
Idade de início; primeiro episódio ou recorrência
Progressão das lesões existentes, lesões novas e extensão
Queda ativa: difusa ou restrita às lesões
Tratamentos prévios: quais, quantos, duração, tópicos ou sistêmicos
Disestesia: ardor, dor, prurido, com frequência e intensidade
História ginecológica e menopausa
Medicamentos, inclusive hormônios
História familiar e outras doenças, em especial lúpus eritematoso, líquen plano, sarcoidose, displasia ectodérmica e tumores
Hábitos capilares: alisamento químico ou físico, tração, capacete ou chapéu de uso ocupacional ou recreativo
Exame físico [1]:
Inspeção do couro cabeludo: extensão, padrão, cicatriz, sinais de inflamação, eritema e hiperceratose perifoliculares, pústulas, erosões
Dermatoscopia (tricoscopia), quando disponível: perda de óstios, eritema e hiperceratose perifoliculares, cilindros foliculares, fios em tufo, telangiectasias
Pele, mucosas e unhas: conferir a tabela de achados associados em "Formas principais"
Teste de tração (na periferia das placas e em pelo menos uma área contralateral não acometida) [1]:
Kanti 2018:
Positivo se 10% dos fios tracionados forem extraídos [1]
AAFP 2017:
Técnica: segurar cerca de 40 a 60 fios pela base com polegar, indicador e médio e tracionar suavemente para longe do couro cabeludo [2]
Positivo se mais de 10% dos fios (4 a 6) se soltarem: indica queda ativa [2]
Fotodocumentação padronizada, para acompanhar o curso e a resposta ao tratamento [1]
Sinais de infecção: cultura (conferir em "Quando suspeitar") [1]
Exames laboratoriais conforme a suspeita [1]:
Lúpus discoide: FAN e anti-DNA de dupla hélice
Líquen plano pilar: hemograma, VHS e TSH; sorologias para hepatite só com suspeita clínica ou antes de terapia sistêmica específica
Alopecia frontal fibrosante: função tireoidiana
Eflúvio difuso no diferencial: ferritina
Sífilis no diferencial: investigar; conferir o protocolo Sífilis no Adulto
Formas principais
Forma | Perfil típico | Localização e achado-chave | Diagnóstico diferencial |
|---|---|---|---|
Lúpus eritematoso discoide | Adultos de 20 a 40 anos, mais em mulheres | Placas eritematosas infiltradas, com descamação periférica e cicatriz central, também em outras áreas fotoexpostas; inflamação dentro da placa, e não na periferia | Psoríase, tinea capitis, foliculite decalvante, outras alopecias cicatriciais linfocíticas |
Líquen plano pilar | Caucasianos de 40 a 60 anos, mais em mulheres | Placas multifocais confluentes com hiperceratose folicular (colarete branco) e eritema perifolicular na periferia; pode ser difusa; líquen plano em outras áreas em mais da metade | Lúpus discoide, em que a inflamação fica dentro da placa |
Alopecia frontal fibrosante | Principalmente mulheres na pós-menopausa; também mulheres jovens, homens, crianças e adolescentes | Recuo da linha frontal, por vezes parietal e occipital; perda de sobrancelhas em 50% a 95%, que pode preceder o recuo em anos | Alopecia androgenética masculina ou feminina, alopecia areata, alopecia de tração |
Alopecia cicatricial centrífuga central | Principalmente mulheres de meia-idade de ascendência africana | Placa no vértex com progressão centrífuga lenta e simétrica; hiperpigmentação ou eritema perifolicular | Alopecia de tração, tricotilomania, alopecia androgenética, alopecia por queimadura, lúpus discoide, líquen plano pilar, pseudopelada |
Foliculite decalvante | Adultos jovens e de meia-idade, mais em homens | Pápulas e pústulas foliculares no vértex e occipital, fios em tufo, crostas, erosões, cicatriz centrífuga | Foliculite bacteriana, tinea capitis, tricofitose profunda, celulite dissecante, dermatose pustular erosiva, líquen plano pilar, alopecia cicatricial centrífuga central |
Celulite dissecante | Quase só homens jovens de ascendência africana | Pápulas violáceas firmes no vértex e occipital que coalescem em placas, nódulos, abscessos e trajetos fistulosos; culturas geralmente negativas | Foliculite decalvante, tinea capitis e kerion, cútis vértice girata, cistos epidérmicos |
Acne (foliculite) queloidiana | Quase só homens jovens de ascendência africana; corte muito curto ou raspagem como gatilho | Pápulas e pústulas foliculares na nuca, depois alopecia e queloides dolorosos com fios em tufo | Furúnculo, tinea capitis profunda, queloides, foliculite decalvante, sarcoidose, celulite dissecante |
Dermatose pustular erosiva do couro cabeludo | Mulheres caucasianas idosas | Pústulas foliculares, eritema, erosões e crostas | Diagnóstico de exclusão |
Fonte: [1]
Achados associados, por forma
Forma | Achados associados, além da alopecia do couro cabeludo |
|---|---|
Lúpus eritematoso discoide | Lesões de lúpus cutâneo; lesões inespecíficas associadas ao lúpus, como vasculite leucocitoclástica e livedo reticular; fenômeno de Raynaud; lúpus pérnio; alterações periungueais ou ungueais |
Líquen plano pilar | Alterações liquenoides de pele, mucosas ou unhas; pápulas ceratósicas em tronco e membros com alopecia não cicatricial axilar e pubiana (síndrome de Graham-Little-Piccardi-Lasseur) |
Alopecia frontal fibrosante | Perda de sobrancelhas, muitas vezes sem inflamação nem cicatriz; pápulas faciais; alterações liquenoides de pele, mucosas ou unhas; fios isolados frontoparietais; pápulas vermelhas na glabela; depressão das veias frontais |
Síndrome de Graham-Little-Piccardi-Lasseur | Alopecia não cicatricial axilar e pubiana; pápulas foliculares em tronco e membros |
Ceratose folicular espinulosa decalvante | Alopecia axilar; ceratose pilar |
Celulite dissecante | Acne conglobata; hidradenite supurativa; artrite |
Fonte: [1]
Esquema de tratamento
Objetivos [1]:
Deter ou retardar a destruição inflamatória dos folículos e a progressão da cicatriz
Reduzir os sinais de inflamação e aliviar prurido, ardor, disestesia e dor
Área já cicatrizada não volta a ter cabelo: deixar isso claro ao paciente
Na suspeita, pelo generalista [1][2]:
Encaminhar ao dermatologista [2]
Orientação, apoio psicológico e camuflagem; fotoproteção e mudança de hábitos capilares conforme a forma (conferir em "Medidas gerais e corticoide tópico") [1]
Com sinais de infecção:
Cultura bacteriana e/ou fúngica [1]; conferir o protocolo específico "Tinea capitis" [2]
Sem sinais de infecção:
Considerar exame micológico direto antes do corticoide tópico potente
Corticoide tópico potente: primeira linha nas alopecias cicatriciais primárias [1]
Exemplo: clobetasol nas bordas ativas enquanto aguarda o especialista (conferir em "Medidas gerais e corticoide tópico")
Pelo dermatologista (conferir em "Tratamento pelo especialista") [1]:
Confirmação por biópsia
Infiltração intralesional de corticoide
Terapia sistêmica, escolhida pelo tipo de infiltrado inflamatório
Medidas gerais e corticoide tópico
Orientação ao paciente [1]:
Expectativa realista: não há recrescimento em área cicatrizada
Informar opções de tratamento, efeitos adversos e objetivos
Estratégias de enfrentamento, dicas cosméticas e técnicas de camuflagem
Oferecer apoio psicológico profissional, em particular às mulheres
Medidas por forma [1]:
Lúpus discoide: proteção física rigorosa contra radiação UV com chapéu; protetor solar de alto FPS (UVA e UVB 50+) em áreas extensas sem cabelo ou com densidade reduzida
Alopecia cicatricial centrífuga central: evitar práticas capilares danosas
Acne queloidiana, em pessoas de pele negra: não raspar o cabelo, em especial na nuca, e não usar chapéu ou capacete que cause atrito
Corticoide tópico, por área [1]:
Couro cabeludo: corticoide tópico potente, em pomada, loção, solução ou espuma [1][3][4]:
Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)
1 ou 2 vezes ao dia por 4 a 12 semanas, seguido de redução gradual
Aplicar nas bordas ativas, estendendo à área com cabelo de aparência normal
Manutenção proativa (respaldo controverso): 2 a 3 vezes por semana
Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos
Considerações:
Não usar na face, por ser de classe potente [1]
Contraindicado em infecção do couro cabeludo [3]
Considerar exame micológico direto antes do início
Solução capilar: contraindicada abaixo de 1 ano [3]
Uso fora da bula: a bula indica dermatoses do couro cabeludo, como psoríase e eczema [3]
Face: evitar corticoide de classe potente
Fronte e sobrancelhas: furoato de mometasona ou aceponato de metilprednisolona (índice terapêutico em torno de 2) [1][5]:
Mometasona (Elocom®) creme 1 mg/g ou pomada 1 mg/g (bisnaga 20 g)
1 ou 2 vezes ao dia por 4 a 12 semanas, seguido de redução gradual
Administração: via tópica; oclusão somente quando prescrita
Considerações:
Orientar a duração do uso e o risco de atrofia [1]
Gestação: não usar em grandes quantidades ou por períodos prolongados [5]
Uso fora da bula: a bula indica psoríase, dermatite atópica e dermatite alérgica de contato, sem alopecia [5]
Cuidados no uso prolongado de corticoide tópico [1]:
Uso regular por mais de 4 a 6 semanas: medir a pressão intraocular, para detectar glaucoma
Ceratose actínica ou suspeita de câncer de pele: avaliar criticamente o uso prolongado de corticoide tópico
Examinar o couro cabeludo periodicamente para ceratose actínica, carcinoma espinocelular e carcinoma basocelular; biopsiar lesão suspeita
Seguimento e encaminhamento
Encaminhamento [1][2]:
Toda suspeita de alopecia cicatricial: encaminhar ao dermatologista [2]
Considerar encaminhamento a especialista em cabelo [1]
Seguimento [1]:
Curso prolongado: atividade subaguda costuma persistir ou recorrer
Fotodocumentação padronizada a cada avaliação
Uso regular de corticoide tópico por mais de 4 a 6 semanas: medir a pressão intraocular
Examinar o couro cabeludo periodicamente para ceratose actínica e câncer de pele; biopsiar lesão suspeita
Biópsia
Indicação [1]:
Recomendada na maioria, sobretudo em fase inicial, para confirmar o diagnóstico e caracterizar o infiltrado
Indicada na suspeita de lúpus discoide, com histologia e imunofluorescência direta
Casos clinicamente inequívocos podem dispensar a biópsia
Local: borda ainda com cabelo da área alopécica [1]
Técnica [1]:
Excisão ou dois punches de 5 mm
Primeiro punch: corte horizontal para hematoxilina-eosina
Segundo punch: dividido verticalmente, metade para hematoxilina-eosina e metade para imunofluorescência direta, em particular na suspeita de lúpus
Coloração de PAS sempre, para excluir infecção fúngica
Colorações especiais conforme a suspeita: azul alciano (mucina), Ziehl-Neelsen (micobactéria), luz polarizada (amiloide)
Classificação
Grupo | Infiltrado inflamatório predominante | Formas |
|---|---|---|
I | Linfocítico | Lúpus eritematoso discoide do couro cabeludo; líquen plano pilar (clássico, alopecia frontal fibrosante, síndrome de Graham-Little-Piccardi-Lasseur); pseudopelada de Brocq; alopecia cicatricial centrífuga central; mucinose folicular; ceratose folicular espinulosa decalvante |
II | Neutrofílico | Foliculite decalvante; celulite dissecante (perifoliculite abscedante e suffodiens) |
III | Misto | Acne (foliculite) queloidiana; acne (foliculite) necrótica; dermatose pustular erosiva do couro cabeludo |
IV | Inespecífico | Alopecia cicatricial idiopática com achados clínicos e histológicos inconclusivos; estágio final de alopecias cicatriciais inflamatórias |
Fonte: [1]
Tratamento pelo especialista
Princípios [1]:
Corticoide tópico potente e/ou infiltração intralesional de triancinolona acetonida são opção na maioria das formas
Infiltração intralesional: a cada 4 a 6 semanas, na periferia das placas e nas áreas com atividade inflamatória
Terapia sistêmica escolhida pelo infiltrado inflamatório predominante: antimicrobianos, antibióticos ou imunomoduladores e imunossupressores
Antes de terapia sistêmica: transaminases, creatinina e hemograma
Plano individual considera o desejo de ter filhos
Tratamento por forma [1]:
Lúpus discoide:
Fotoproteção, com corticoide tópico potente ou infiltração intralesional
Com ou sem antimalárico (hidroxicloroquina ou cloroquina)
Antimalárico só depois de o oftalmologista excluir contraindicações; resposta avaliável após 3 a 6 meses, no mínimo
Surto rapidamente progressivo ou muito ativo: corticoide sistêmico de curta duração ou pulsoterapia
Líquen plano pilar:
Corticoide tópico potente ou infiltração intralesional, com ou sem terapia sistêmica: hidroxicloroquina, acitretina ou doxiciclina
Surto rapidamente progressivo ou muito ativo: associar corticoide oral
Alopecia frontal fibrosante: como no líquen plano pilar
Alopecia cicatricial centrífuga central: evitar práticas capilares danosas; corticoide tópico potente ou intralesional
Foliculite decalvante:
Culturas bacteriana e fúngica sempre
Antibiótico oral (cefalosporina de primeira geração ou tetraciclina) com antimicrobiano ou antisséptico tópico, com ou sem corticoide tópico ou intralesional
Isotretinoína, quando usada, não deve ser associada a tetraciclina, pelo risco de hipertensão intracraniana
Celulite dissecante: isotretinoína oral, com ou sem corticoide tópico ou intralesional
Acne queloidiana: corticoide tópico potente e infiltração intralesional, com ou sem tratamento sistêmico
Dermatose pustular erosiva: corticoide tópico potente ou inibidor de calcineurina tópico
Transplante capilar [1]:
Só em áreas localizadas, após anos de remissão sem inflamação
Consentimento informado sobre o risco de reativação
💊 Como prescrever?
Corticoide tópico no couro cabeludo [1][3]:
Clobetasol (Psorex®) creme 0,5 mg/g (tubo 30 g) ou sol. capilar 0,5 mg/g (frasco 50 g)
1 ou 2 vezes ao dia por 4 a 12 semanas, seguido de redução gradual
Aplicar nas bordas ativas, estendendo à área com cabelo de aparência normal
Manutenção proativa (respaldo controverso): 2 a 3 vezes por semana
Administração: via tópica; a solução capilar é inflamável, manter longe de fontes de calor; evitar contato com os olhos
Corticoide tópico na fronte e nas sobrancelhas [1][5]:
Mometasona (Elocom®) creme 1 mg/g ou pomada 1 mg/g (bisnaga 20 g)
1 ou 2 vezes ao dia por 4 a 12 semanas, seguido de redução gradual
Administração: via tópica; oclusão somente quando prescrita
Referências
[1] KANTI, Varvara; RÖWERT-HUBER, Joachim; VOGT, Annika; BLUME-PEYTAVI, Ulrike. Cicatricial alopecia. Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, v. 16, n. 4, p. 435-461, 2018. DOI: 10.1111/ddg.13498. Disponível em: https://doi.org/10.1111/ddg.13498. Acesso em: 23 out. 2026.
[2] PHILLIPS, T. Grant; SLOMIANY, W. Paul; ALLISON, Robert. Hair Loss: Common Causes and Treatment. American Family Physician, v. 96, n. 6, p. 371-378, 2017. Disponível em: https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2017/0915/p371.html. Acesso em: 23 out. 2026.
[3] GLAXOSMITHKLINE BRASIL. Psorex® capilar (propionato de clobetasol): solução tópica 0,5 mg/g. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 03/10/2025. Disponível em: https://br.gsk.com/media/o3yp2ou3/psorex-capilar.pdf. Acesso em: 23 out. 2026.
[4] HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Manual Farmacêutico: Psorex creme (atualização em 13/07/2024). Disponível em: https://aplicacoes.einstein.br/manualfarmaceutico/. Acesso em: 23 out. 2026.
[5] HYPERMARCAS S.A. Elocom® (furoato de mometasona): creme 1 mg/g e pomada 1 mg/g. Bula para o paciente (versão BU04_042014). Texto de bula incluído em 25/06/2014, conforme histórico de alteração da bula. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 23 out. 2026.
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