Rinite Alérgica no Adulto
CID-10: J30.4 Rinite alérgica não especificada
Introdução
A rinite alérgica é uma reação de hipersensibilidade do tipo I, mediada por IgE, da mucosa nasal, desencadeada pela exposição a alérgenos em indivíduo sensibilizado [1]
Sintomas: prurido, espirros, rinorreia anterior ou posterior e obstrução nasal; com sintomas oculares associados, denomina-se rinoconjuntivite [1]
Classificação pela frequência [29]:
Intermitente: sintomas em menos de 4 dias por semana ou por menos de 4 semanas consecutivas
Persistente: sintomas em mais de 4 dias por semana e por mais de 4 semanas consecutivas
A gravidade e o controle são avaliados pela escala visual analógica; conferir em "Avaliação do controle" [1]
Em adultos da cidade de São Paulo, a prevalência de rinite alérgica (história clínica e confirmação alérgica) foi de 25,2% [1]
A rinite alérgica é fator de risco para asma, e a rinite alérgica grave mal controlada piora o controle da asma [1]
Os ácaros Dermatophagoides pteronyssinus, Dermatophagoides farinae e Blomia tropicalis são os principais alérgenos no Brasil [1]
🔑 Pontos-chave:
A rinite alérgica é inflamação da mucosa nasal mediada por IgE, com prurido, espirros, rinorreia e obstrução [1]
Obstrução nasal com sinal de alarme (secreção nasal unilateral com sangue, cacosmia, sangramento, parestesia malar, alteração visual ou dentária, sintoma neurológico): encaminhar com urgência ao otorrinolaringologista [28]
Não é rinite alérgica típica se houver qualquer um: sintomas unilaterais, obstrução isolada, secreção posterior mucopurulenta, dor, epistaxe ou anosmia isolada; investigar outra causa [1]
Investigar e tratar asma associada: a rinite alérgica grave mal controlada piora o controle da asma [1]
O corticoide nasal é o medicamento mais eficaz para todos os sintomas da rinite alérgica [1]
Descongestionante nasal tópico: no máximo 5 dias, pelo risco de rinite medicamentosa [1][2]
Corticoide sistêmico não é recomendado no tratamento da rinite alérgica [1]
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza o atendimento do adulto com suspeita de rinite alérgica. Começa no adulto com prurido, espirros, rinorreia e/ou obstrução nasal, com suspeita de rinite alérgica. A primeira pergunta é se há obstrução nasal com sinal de alarme, com qualquer um destes: secreção nasal unilateral com sangue; cacosmia; sangramento; parestesia na região malar; alteração da visão ou da dentição; sintoma neurológico. Se sim, encaminhar com urgência ao otorrinolaringologista, com o ponteiro conferir em Encaminhamento. Se não, a pergunta seguinte é se há qualquer um destes: sintomas unilaterais; obstrução isolada; secreção posterior mucopurulenta; dor; epistaxe; anosmia isolada. Se sim, investigar outra causa: na obstrução sem sinal de alarme, tratamento tópico e, sem melhora após pelo menos 6 semanas, encaminhar ao otorrinolaringologista (rotina); na secreção colorida com alteração do olfato, conferir o protocolo Rinossinusite Crônica no Adulto; na suspeita de rinossinusite aguda, conferir o protocolo Rinossinusite Aguda no Adulto; com o ponteiro conferir em Quadro clínico e diagnóstico. Se não, classificar a rinite em intermitente ou persistente e pela escala visual analógica, solicitar teste cutâneo de leitura imediata ou IgE específica, incluindo ácaros, e investigar asma e conjuntivite. Em seguida, para todos, controle ambiental conforme o alérgeno e lavagem nasal com soro fisiológico 0,9%, com o ponteiro conferir em Medidas não farmacológicas. A seguir pergunta-se se há sintomas intensos ou monoterapia com pouca chance de controle. Se sim, azelastina + fluticasona, via nasal (1 jato em cada narina, a cada 12 horas), ou olopatadina + mometasona, via nasal (2 jatos em cada narina, a cada 12 horas); sem acesso à associação por custo, associação por poucos dias e depois corticoide nasal isolado; com o ponteiro conferir em Associação de anti-histamínico e corticoide nasal. Se não, corticoide nasal, via nasal, preferido pela ARIA, ou anti-histamínico oral de 2ª geração, VO, com o ponteiro conferir em Esquema de tratamento. Os dois ramos convergem na pergunta se a rinite está controlada na reavaliação, pela escala visual analógica de 0 a 20 mm ou por questionário. Se sim, manter o tratamento e reduzir o corticoide nasal à menor dose eficaz. Se não, conferir adesão e técnica do spray; em monoterapia, passar à associação de anti-histamínico e corticoide nasal, via nasal; já em associação, conferir em Outras opções. Depois pergunta-se de novo se está controlada na reavaliação. Se sim, manter o tratamento e reduzir o corticoide nasal à menor dose eficaz. Se não, encaminhar ao alergologista para imunoterapia ou ao otorrinolaringologista na obstrução refratária, com o ponteiro conferir em Encaminhamento. Abreviações: ARIA: Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma; IgE: imunoglobulina E; VO: via oral. Fonte: referências [1], [2], [3], [11], [21] e [28] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1793545812978_a11b0689.webp)
Quadro clínico e diagnóstico
Suspeita clínica [1]:
Rinorreia, espirros, prurido e obstrução nasal periódica, na ausência de infecção viral
Sintomas oculares: prurido, hiperemia e lacrimejamento
Outros: prurido no palato e no conduto auditivo, secreção posterior e tosse
Sintomas na primeira hora após a exposição ao alérgeno; obstrução, hiposmia, hiper-reatividade e secreção posterior são manifestações tardias
Gatilhos a investigar: pólen, poeira domiciliar, fungos, ácaros e animais domésticos
Exame físico [1]:
Linha de Dennie-Morgan, prega nasal transversa (saudação alérgica), escurecimento infrapalpebral (olheiras alérgicas), hiperemia conjuntival e respiração oral
Rinoscopia anterior: cornetos inferiores aumentados e pálidos (cronicidade); hiperemiados na infecção aguda
A rinoscopia anterior também identifica pólipos volumosos, corpo estranho, desvio septal anterior e colapso de válvula
Sinais de alarme na obstrução nasal [28]:
Obstrução nasal com qualquer um: secreção nasal unilateral com sangue, cacosmia, sangramento, parestesia na região malar, alteração da visão ou da dentição, sintomas neurológicos
Encaminhar com urgência ao otorrinolaringologista
Pensar em outra causa [1][28]:
Qualquer um: sintomas unilaterais, obstrução nasal como sintoma isolado, secreção posterior mucopurulenta, dor, epistaxe ou anosmia isolada
Início na idade adulta: investigar outros fenótipos de rinite
Rinite não alérgica: em geral mulheres de meia-idade, com obstrução, rinorreia posterior, cefaleia recorrente e disfunção olfatória
Obstrução nasal sem sinal de alarme: tratamento tópico; encaminhar ao otorrinolaringologista (rotina) se não houver melhora após pelo menos 6 semanas; conferir em "Encaminhamento" [28]
Obstrução com secreção nasal colorida e alteração do olfato: sintomas cardinais de rinossinusite crônica [28]; conferir o protocolo Rinossinusite Crônica no Adulto
Investigação da sensibilização [1]:
Confirmar a sensibilização a aeroalérgenos por teste cutâneo de leitura imediata (prick test) ou por IgE específica sérica
Investigar sempre a sensibilização a ácaros, independentemente da história clínica
Teste positivo indica sensibilização, não doença: o diagnóstico exige história clínica concordante com o teste
Suspender o anti-histamínico de segunda geração 1 semana antes do teste cutâneo e o de primeira geração, 36 a 48 horas antes
IgE total: não é necessária para o diagnóstico nem para o seguimento
Exames de imagem: sem utilidade na rinite alérgica; reservados às doenças nasossinusais e à hipertrofia de adenoide
Rinite viral x alérgica [1]:
Característica | Vírus comuns | Influenza | SARS-CoV-2 | Alérgica |
|---|---|---|---|---|
Duração | Início gradual; menos de 14 dias | Início súbito; 7 a 14 dias | Evolução variável; 7 a 25 dias | Início súbito; muitas semanas |
Espirros | Comuns | Não | Não | Comuns |
Secreção e obstrução nasal | Comuns | Às vezes | Raras | Comuns |
Dor de garganta | Comum | Às vezes | Às vezes | Às vezes (leve) |
Tosse | Comum (úmida) | Comum (seca) | Comum (seca) | Rara (seca) |
Dor no corpo | Comum | Comum | Às vezes | Não |
Perda de olfato e paladar | Às vezes | Às vezes | Comum | Rara |
Febre | Rara | Comum | Comum | Não |
Fonte: [1]
Outros tipos de rinite no adulto [1]:
Tipo | Pista | Conduta da fonte |
|---|---|---|
Não alérgica eosinofílica | Sintomas de rinite perene, testes alérgicos negativos, eosinofilia na citologia nasal; disfunção olfatória proeminente | Corticoide nasal |
Induzida por descongestionante tópico | Uso prolongado de descongestionante, obstrução persistente, edema de rebote, perda de eficácia | Suspender o descongestionante; corticoide nasal durante a retirada |
Induzida por fármacos | AINE, alfa e betabloqueadores, inibidores da fosfodiesterase, IECA | Identificar o fármaco |
Idiopática | Obstrução e rinorreia desencadeadas por ar frio, mudança de temperatura, odores fortes, fumaça, álcool; testes alérgicos negativos | Corticoide nasal, azelastina tópica ou ipratrópio; lavagem nasal |
Gustatória | Rinorreia aquosa minutos após alimento condimentado, sem prurido nem espirros | Evitar o alimento; ipratrópio tópico na exposição |
Gestacional | Obstrução nasal no 2º ou 3º trimestre, sem rinite prévia, que cessa 2 semanas após o parto | Medidas não farmacológicas; conferir em "Situações especiais" |
Atrófica | Crostas, secreção purulenta posterior, epistaxe, anosmia, obstrução paradoxal | Higiene nasal com soro fisiológico; antibiótico se secreção purulenta, guiado por exame microbiológico |
Fonte: [1]
Comorbidades a investigar e tratar [1]:
Asma: conferir o protocolo Asma no Adulto e Adolescente: Ambulatorial
Conjuntivite alérgica: conferir o protocolo Conjuntivite (Adulto e Criança)
Dermatite atópica, respiração oral e distúrbios do sono
Rinossinusite: conferir os protocolos Rinossinusite Aguda no Adulto e Rinossinusite Crônica no Adulto
Tosse crônica: conferir o protocolo Tosse Crônica no Adulto
Avaliação do controle
Escala visual analógica (0 a 100 mm, sintomas no último dia ou na última semana) [1]:
0 a 20 mm: sintomas leves, controlados
21 a 49 mm: sintomas moderados, parcialmente controlados
50 a 100 mm: sintomas intensos, não controlados
Menor diferença clinicamente importante: 23 mm
Questionários validados [1]:
RCAT (6 perguntas, última semana): 21 pontos ou menos indicam rinite não controlada
CARAT (rinite e asma, últimas 4 semanas): acima de 24 pontos indica bom controle
ARCT (5 perguntas, últimas 2 semanas): 20 pontos ou mais indicam rinite controlada
Má adesão [1]:
Recusa do corticoide nasal por gosto residual, irritação, epistaxe e custo
Melhorar o conhecimento do paciente sobre a doença e o tratamento, inclusive a técnica e o horário de uso
Medidas não farmacológicas
Ácaros (focar em colchão e roupa de cama) [1]:
Capas impermeáveis para colchão e travesseiro
Lavar a roupa de cama semanalmente em água quente; a água morna já remove a maior parte dos alérgenos; secar em secadora
Manter a umidade domiciliar em 45% ou menos
Aspirar tapetes e estofados semanalmente
Acaricidas e ácido tânico: efeito limitado
Purificador de ar: efeito limitado sobre ácaros e baratas
Animais domésticos [1]:
Ideal: não manter o animal no domicílio; a redução dos alérgenos pode levar até 6 meses
Alternativas menos eficazes: manter o animal fora do quarto e usar purificador de ar com filtro HEPA
Fungos [1]:
Ventilação, ambientes ensolarados, limpeza dos fungos visíveis com cloro e controle da umidade
Baratas [1]:
Vedar ralos e frestas, eliminar fontes de água e de alimento e usar iscas e produtos licenciados
Poluentes e irritantes [1]:
Cessação do tabagismo: conferir o protocolo Tabagismo
Sem cessação possível: purificador de ar com filtro HEPA
Fogão a gás: instalar em área externa ou trocar por fogão elétrico
Lavagem nasal com soro fisiológico (fortemente recomendada) [1]:
Solução isotônica (0,9%), de pH neutro ou levemente alcalino, preferível para uso prolongado
Solução hipertônica: reservada a edema intenso ou crostas, por dias a poucas semanas
Alto volume em adultos: cerca de 100 mL por narina; preferir a técnica com que o paciente se sente confortável
A associação de lavagem nasal e corticoide nasal é superior ao medicamento isolado
Esquema de tratamento
Para todos: medidas não farmacológicas e lavagem nasal [1]
Escolha inicial [1][2][3]:
V Consenso Brasileiro:
Anti-histamínicos H1 são medicamentos de primeira linha; aliviam prurido, espirros, rinorreia e sintomas oculares, com efeito desprezível na obstrução [1]
Corticoide nasal é o medicamento mais eficaz para todos os sintomas [1]
ARIA-EAACI:
Corticoide nasal em vez de anti-histamínico oral (recomendação forte) [3]
Corticoide nasal em vez de anti-histamínico nasal (recomendação condicional) [2]
Anti-histamínico nasal ou oral, indistintamente (recomendação condicional) [3]
Conferir em "Corticoide nasal", "Anti-histamínico oral" e "Anti-histamínico nasal"
Sintomas intensos ou monoterapia com pouca chance de controle: associação de anti-histamínico e corticoide nasal (azelastina + fluticasona ou olopatadina + mometasona) [2]; conferir em "Associação de anti-histamínico e corticoide nasal"
Outras opções: montelucaste, descongestionantes, ipratrópio nasal, cromoglicato nasal e acupuntura; conferir em "Outras opções" [1][2][3]
O que não usar: conferir em "O que não usar"
Reavaliar o controle pela escala visual analógica ou por questionário; conferir em "Avaliação do controle" [1]
Sem controle [1][2]:
Conferir adesão e técnica de uso do spray [1]
Em monoterapia: passar à associação de anti-histamínico e corticoide nasal (azelastina + fluticasona ou olopatadina + mometasona) [2]
Sem controle com a associação: avaliar encaminhamento; conferir em "Encaminhamento" [1]
Corticoide nasal
Indicação e início de ação [1][2][3]:
Mais eficaz para todos os sintomas da rinite alérgica [1]
Início de ação entre 3 e 36 horas após a primeira dose, conforme o fármaco; para suprimir a inflamação crônica, uso mínimo de 60 a 90 dias [1]
Escolha do fármaco [1][2]:
ARIA-EAACI: furoato ou propionato de fluticasona em vez dos demais (recomendação condicional, certeza baixa a muito baixa) [2]
V Consenso Brasileiro: lista os corticoides nasais disponíveis no Brasil, sem preferência [1]
Esquemas [1][5][6][7][8][9][10][26]:
Fluticasona (Avamys®) spray nasal 27,5 mcg/jato (frasco 120 doses)
2 jatos em cada narina, 1 vez ao dia
Administração: via nasal; agitar vigorosamente antes de cada aplicação; no primeiro uso, acionar cerca de 6 vezes no ar até sair um jato fino; inclinar levemente a cabeça para a frente e afastar o bico do septo
Fluticasona (Flixonase®) spray nasal 50 mcg/jato
2 jatos em cada narina, 1 a 2 vezes ao dia
Administração: via nasal; agitar antes do uso; no primeiro uso, acionar 6 vezes e, após 1 semana ou mais sem uso, 1 vez; respirar pela boca após a aplicação
Furoato de mometasona (Nasonex®) spray nasal 50 mcg/jato (frasco 120 acionamentos)
2 jatos em cada narina, 1 vez ao dia
Administração: via nasal; agitar antes de cada aplicação; no primeiro uso, acionar até sair jato uniforme (cerca de 10 vezes) e, se ficar 14 dias sem uso, acionar 2 vezes; não aplicar nos olhos nem diretamente no septo
Budesonida (Noex®, Budecort® Aqua) spray nasal 32 ou 64 mcg/jato (frasco 120 doses)
Até 256 mcg/dia: 2 jatos de 64 mcg ou 4 jatos de 32 mcg em cada narina, 1 vez ao dia ou divididos entre manhã e noite
Administração: via nasal; agitar antes do uso; não inclinar a cabeça para trás; Noex®: carregar a válvula com 8 acionamentos antes do primeiro uso ou após 24 horas sem uso
Dipropionato de beclometasona (Beclosol®) spray nasal 50 mcg/jato (frasco 200 doses)
2 jatos em cada narina, a cada 12 horas
Administração: via nasal; agitar antes do uso; no primeiro uso ou após 1 semana sem uso, acionar até sair névoa fina; respirar pela boca após a aplicação
Triancinolona acetonida (Nasacort®) spray nasal 55 mcg/jato (frasco 16,5 mL, 120 doses)
2 jatos em cada narina, 1 vez ao dia
Administração: via nasal; agitar suavemente antes de cada uso; no primeiro uso, acionar 5 a 6 vezes até sair névoa fina; após mais de 2 semanas sem uso, acionar 1 vez
Considerações:
Uso regular: a eficácia depende do uso em intervalos regulares [7]
Efeitos adversos em geral locais (irritação, epistaxe, espirros, ressecamento e ardor), dependentes da dose e da técnica: orientar a não direcionar o jato ao septo, e sim à asa do nariz [1]
Controlados os sintomas, reduzir à menor dose eficaz (mometasona, furoato de fluticasona e triancinolona: 1 jato em cada narina, 1 vez ao dia) [5][7][26]
Limites de dose:
Propionato de fluticasona: não exceder 4 jatos em cada narina por dia [6]
Budesonida: dose diária acima de 256 mcg sem ganho de eficácia [9]
Beclometasona: não exceder 8 jatos por dia (400 mcg) [10]
Inibidores potentes do CYP3A4 (ritonavir, cobicistate, cetoconazol, itraconazol, claritromicina): risco de efeitos sistêmicos do corticoide, inclusive síndrome de Cushing e supressão adrenal; evitar a associação, salvo se o benefício superar o risco, e monitorar os efeitos sistêmicos [5][6][7][8]
Glaucoma: mais frequente com corticoide nasal do que com anti-histamínico nasal [2]
Triancinolona: preocupação com efeito teratogênico na gestação [3]
Anti-histamínico oral
Indicação [1][3]:
Alivia prurido nasal, espirros, rinorreia e sintomas oculares; efeito desprezível na obstrução [1]
Anti-histamínico de segunda geração sempre em vez do de primeira geração [1][3]
Escolha entre os de segunda geração: pela preferência do paciente quanto a eficácia e segurança, pela disponibilidade e pelo custo [3]
Sintomas oculares [3]:
Anti-histamínico oral em vez de colírio anti-histamínico, salvo para alívio muito rápido dos sintomas oculares (recomendação condicional) [3]
Sem tratamento ocular prévio (recomendações condicionais) [3]:
Rinite alérgica sazonal: não iniciar colírio anti-histamínico, salvo por até 7 dias ou sob demanda, para alívio muito rápido
Rinite alérgica perene: colírio anti-histamínico em vez de nenhum tratamento
Conjuntivite alérgica: conferir o protocolo Conjuntivite (Adulto e Criança)
Esquemas [1][12][13][14][15][16][23][24][25]:
Loratadina (Claritin®) comp. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral; não exceder 1 comprimido em 24 horas
Desloratadina comp. 5 mg
5 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, independentemente da alimentação; não partir nem mastigar
Cetirizina (Zyrtec®) comp. rev. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral; engolir com um pouco de líquido; não partir, abrir nem mastigar
Levocetirizina comp. rev. 5 mg
5 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, antes ou após as refeições; engolir inteiro, com líquido; não partir nem mastigar
Fexofenadina (Allegra®) comp. 60, 120 e 180 mg
120 mg 1 vez ao dia
Administração: via oral; evitar a ingestão com alimentos ricos em gordura ou com suco de frutas; intervalo de cerca de 2 horas de antiácidos com hidróxido de alumínio e de magnésio
Ebastina (Ebastel®) comp. rev. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral; não partir nem mastigar
Bilastina comp. 20 mg
20 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, em jejum, 1 hora antes ou 2 horas após alimentos ou bebidas, inclusive sucos de frutas; não mastigar
Rupatadina (Rupafin®) comp. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, com líquido, com ou sem alimentos; não ingerir com suco de toranja
Considerações:
Cetirizina: efetiva e de baixo custo, porém sedativa [3]
Insuficiência renal, cetirizina e levocetirizina:
V Consenso Brasileiro: contraindicadas na insuficiência renal grave [1]
Bulas:
Levocetirizina: ajuste pelo clearance de creatinina; 30 a 49 mL/min, 5 mg a cada 2 dias; menor que 30 mL/min, 5 mg a cada 3 dias; menor que 10 mL/min ou diálise, contraindicada [23]
Cetirizina: ajuste pelo clearance de creatinina; 30 a 49 mL/min, 5 mg 1 vez ao dia; menor que 30 mL/min, 5 mg a cada 2 dias; menor que 10 mL/min, contraindicada [14]
Insuficiência hepática:
Ebastina: contraindicada na grave; na leve a moderada, não exceder 10 mg [1][16]
Loratadina: na hepatopatia grave, dose inicial de 10 mg em dias alternados [12]
Interações:
Desloratadina: potencial de interação via CYP3A4 e CYP2D6 [1]
Fexofenadina e bilastina: suco de toranja e de laranja-amarga podem alterar a biodisponibilidade; ritonavir e rifampicina reduzem a concentração de bilastina [1]
Rupatadina:
V Consenso Brasileiro: contraindicada em idosos, na insuficiência renal e na insuficiência hepática; interação com cetoconazol e eritromicina [1]
Bula: administrar com cautela no idoso [24]
Anti-histamínico nasal
Indicação [1][2][3]:
Recomendado em vez de nenhum tratamento [2]
Pode ser preferido na corticofobia, na epistaxe por corticoide nasal, no glaucoma e na má adesão [2]
Corticoide nasal preferível em quem tem alteração do paladar com o anti-histamínico nasal [2]
Início de ação mais rápido que o do oral (até 15 minutos) e maior efeito sobre a obstrução; menos eficaz que o corticoide nasal na obstrução [1]
Esquema [1][22]:
Cloridrato de azelastina (Rino-Lastin®) sol. nasal 1 mg/mL (frasco 10 mL)
1 jato em cada narina, 2 vezes ao dia
Administração: via nasal; antes da primeira aplicação, acionar várias vezes até sair spray uniforme; fazer a higiene nasal antes; manter a cabeça reta, para evitar gosto desagradável; não aspirar após a aplicação
Considerações:
Gosto amargo e disgeusia podem comprometer a adesão [1]
Uso contínuo por no máximo 6 meses [22]
Associação de anti-histamínico e corticoide nasal
Indicação [1][2]:
Pacientes em que a monoterapia tem pouca chance de controlar os sintomas (recomendação forte) [2]
Preferível ao corticoide nasal isolado (recomendação condicional), sobretudo com sintomas intensos [2]
Início de ação mais rápido que o dos demais tratamentos [1][2]
Esquemas [1][2][11][21]:
Cloridrato de azelastina + propionato de fluticasona (Dymista®) spray nasal 137 mcg + 50 mcg/jato
1 jato em cada narina, a cada 12 horas
Administração: via nasal; agitar por cerca de 5 segundos antes do uso; no primeiro uso, acionar 6 vezes no ar e, após mais de 7 dias sem uso, 1 vez; manter a cabeça levemente inclinada para baixo e não incliná-la para trás após a aplicação
Cloridrato de olopatadina + furoato de mometasona (Ryaltris®) spray nasal 665 mcg (equivalente a 600 mcg de olopatadina) + 25 mcg/jato (frasco 56, 120 ou 240 acionamentos)
2 jatos em cada narina, a cada 12 horas
Administração: via nasal; agitar com pelo menos 20 movimentos antes de cada uso; no primeiro uso, acionar 6 vezes e, após 14 dias ou mais sem uso, 2 vezes; não pulverizar nos olhos
Considerações:
Efeitos adversos mais comuns: disgeusia, náusea, espirros, desconforto nasal e epistaxe [1]
Escolha: ARIA-EAACI sugere azelastina + fluticasona em vez de olopatadina + mometasona em adultos (recomendação condicional); olopatadina + mometasona pode ser preferida se o gosto amargo atrapalhar [2]
Olopatadina + mometasona: uso a partir de 12 anos [21]
Inibidores potentes do CYP3A4 (ritonavir, cobicistate, cetoconazol): precaução; risco de efeitos sistêmicos do corticoide [11][21]
Sem condição de manter a associação por custo ou intolerância ao gosto: usar a associação por poucos dias, para alívio rápido, seguida de corticoide nasal isolado [2]
💊 Como prescrever?
Furoato de fluticasona [1][5]:
Fluticasona (Avamys®) spray nasal 27,5 mcg/jato (frasco 120 doses)
2 jatos em cada narina, 1 vez ao dia
Administração: via nasal; agitar vigorosamente antes de cada aplicação; no primeiro uso, acionar cerca de 6 vezes no ar até sair um jato fino; inclinar levemente a cabeça para a frente e afastar o bico do septo
Propionato de fluticasona [1][6]:
Fluticasona (Flixonase®) spray nasal 50 mcg/jato
2 jatos em cada narina, 1 a 2 vezes ao dia
Administração: via nasal; agitar antes do uso; no primeiro uso, acionar 6 vezes e, após 1 semana ou mais sem uso, 1 vez; respirar pela boca após a aplicação
Furoato de mometasona [1][7]:
Furoato de mometasona (Nasonex®) spray nasal 50 mcg/jato (frasco 120 acionamentos)
2 jatos em cada narina, 1 vez ao dia
Administração: via nasal; agitar antes de cada aplicação; no primeiro uso, acionar até sair jato uniforme (cerca de 10 vezes) e, se ficar 14 dias sem uso, acionar 2 vezes; não aplicar nos olhos nem diretamente no septo
Budesonida [8][9]:
Budesonida (Noex®, Budecort® Aqua) spray nasal 32 ou 64 mcg/jato (frasco 120 doses)
Até 256 mcg/dia: 2 jatos de 64 mcg ou 4 jatos de 32 mcg em cada narina, 1 vez ao dia ou divididos entre manhã e noite
Administração: via nasal; agitar antes do uso; não inclinar a cabeça para trás; Noex®: carregar a válvula com 8 acionamentos antes do primeiro uso ou após 24 horas sem uso
Dipropionato de beclometasona [1][10]:
Dipropionato de beclometasona (Beclosol®) spray nasal 50 mcg/jato (frasco 200 doses)
2 jatos em cada narina, a cada 12 horas
Administração: via nasal; agitar antes do uso; no primeiro uso ou após 1 semana sem uso, acionar até sair névoa fina; respirar pela boca após a aplicação
Triancinolona acetonida [1][26]:
Triancinolona acetonida (Nasacort®) spray nasal 55 mcg/jato (frasco 16,5 mL, 120 doses)
2 jatos em cada narina, 1 vez ao dia
Administração: via nasal; agitar suavemente antes de cada uso; no primeiro uso, acionar 5 a 6 vezes até sair névoa fina; após mais de 2 semanas sem uso, acionar 1 vez
Loratadina [1][12]:
Loratadina (Claritin®) comp. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral; não exceder 1 comprimido em 24 horas
Desloratadina [1][13]:
Desloratadina comp. 5 mg
5 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, independentemente da alimentação; não partir nem mastigar
Cetirizina [1][14]:
Cetirizina (Zyrtec®) comp. rev. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral; engolir com um pouco de líquido; não partir, abrir nem mastigar
Levocetirizina [1][23]:
Levocetirizina comp. rev. 5 mg
5 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, antes ou após as refeições; engolir inteiro, com líquido; não partir nem mastigar
Fexofenadina [1][15]:
Fexofenadina (Allegra®) comp. 60, 120 e 180 mg
120 mg 1 vez ao dia
Administração: via oral; evitar a ingestão com alimentos ricos em gordura ou com suco de frutas; intervalo de cerca de 2 horas de antiácidos com hidróxido de alumínio e de magnésio
Ebastina [1][16]:
Ebastina (Ebastel®) comp. rev. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral; não partir nem mastigar
Bilastina [1][25]:
Bilastina comp. 20 mg
20 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, em jejum, 1 hora antes ou 2 horas após alimentos ou bebidas, inclusive sucos de frutas; não mastigar
Rupatadina [1][24]:
Rupatadina (Rupafin®) comp. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, com líquido, com ou sem alimentos; não ingerir com suco de toranja
Azelastina [1][22]:
Cloridrato de azelastina (Rino-Lastin®) sol. nasal 1 mg/mL (frasco 10 mL)
1 jato em cada narina, 2 vezes ao dia
Administração: via nasal; antes da primeira aplicação, acionar várias vezes até sair spray uniforme; fazer a higiene nasal antes; manter a cabeça reta, para evitar gosto desagradável; não aspirar após a aplicação
Azelastina + propionato de fluticasona [1][11]:
Cloridrato de azelastina + propionato de fluticasona (Dymista®) spray nasal 137 mcg + 50 mcg/jato
1 jato em cada narina, a cada 12 horas
Administração: via nasal; agitar por cerca de 5 segundos antes do uso; no primeiro uso, acionar 6 vezes no ar e, após mais de 7 dias sem uso, 1 vez; manter a cabeça levemente inclinada para baixo e não incliná-la para trás após a aplicação
Olopatadina + mometasona [2][21]:
Cloridrato de olopatadina + furoato de mometasona (Ryaltris®) spray nasal 665 mcg (equivalente a 600 mcg de olopatadina) + 25 mcg/jato (frasco 56, 120 ou 240 acionamentos)
2 jatos em cada narina, a cada 12 horas
Administração: via nasal; agitar com pelo menos 20 movimentos antes de cada uso; no primeiro uso, acionar 6 vezes e, após 14 dias ou mais sem uso, 2 vezes; não pulverizar nos olhos
Montelucaste [1][17]:
Montelucaste de sódio (Singulair®) comp. rev. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, com ou sem alimentos; horário adaptável na rinite; com asma associada, tomar à noite; não partir, abrir nem mastigar
Montelucaste + levocetirizina [1][18]:
Montelucaste de sódio + dicloridrato de levocetirizina (Lemont®) comp. rev. 10 mg + 5 mg
1 comprimido 1 vez ao dia, à noite
Administração: via oral; engolir inteiro, com ou sem alimentos
Anti-histamínico com pseudoefedrina [1][20]:
Loratadina + Pseudoefedrina comp. 5 mg + 120 mg
1 comprimido a cada 12 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Loratadina + Pseudoefedrina comp. 10 mg + 240 mg
1 comprimido a cada 24 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Desloratadina (Desalex® D12) comp. lib. modificada 2,5 mg + 120 mg
1 comprimido a cada 12 horas
Administração: via oral, com algum líquido, com ou sem alimentos; não partir, abrir nem mastigar
Fexofenadina + Pseudoefedrina (Allegra® D) comp. 60 mg + 120 mg
1 comprimido a cada 12 horas
Administração: via oral; evitar a administração com alimentos
Cromoglicato dissódico [1][27]:
Cromoglicato dissódico sol. nasal 4% (40 mg/mL; 5,2 mg/jato; frasco 13 mL)
V Consenso Brasileiro:
3 a 6 aplicações por dia
Bula:
1 jato em cada narina, 2 a 4 vezes ao dia
Administração: via nasal; assoar o nariz delicadamente antes; no primeiro uso, acionar pelo menos 3 vezes até sair spray fino; com o frasco na vertical, ocluir a outra narina e manter a boca fechada; expirar pela boca; manter a ponta do frasco limpa; não aplicar duas doses ao mesmo tempo
Outras opções
Montelucaste [1][3]:
Isolado:
V Consenso Brasileiro: não usar como primeira escolha em monoterapia; opção para quem tem dificuldade de adesão ao tratamento tópico nasal; pode ser considerado na rinossinusite crônica com pólipos nasais e na doença respiratória exacerbada por ácido acetilsalicílico [1]
ARIA-EAACI:
Anti-histamínico oral em vez de montelucaste (recomendação forte) [3]
Não iniciar montelucaste em paciente sem tratamento (recomendação condicional); considerar em quem não está controlado com outros medicamentos e tem forte preferência por via oral, sobretudo se houver asma [3]
Associado a anti-histamínico oral:
V Consenso Brasileiro: a combinação é superior aos fármacos isolados; aprovada para maiores de 18 anos [1]
ARIA-EAACI: anti-histamínico oral isolado em vez da associação com montelucaste (recomendação condicional) [3]
Esquemas [1][3][17][18]:
Montelucaste de sódio (Singulair®) comp. rev. 10 mg
10 mg (1 comprimido) 1 vez ao dia
Administração: via oral, com ou sem alimentos; horário adaptável na rinite; com asma associada, tomar à noite; não partir, abrir nem mastigar
Montelucaste de sódio + dicloridrato de levocetirizina (Lemont®) comp. rev. 10 mg + 5 mg
1 comprimido 1 vez ao dia, à noite
Administração: via oral; engolir inteiro, com ou sem alimentos
Considerações:
Eventos neuropsiquiátricos (pesadelos, insônia, sonambulismo, ansiedade, agitação, agressividade, depressão e ideação suicida), com alerta em tarja preta da FDA [1][3]
Montelucaste + levocetirizina: não recomendado abaixo de 18 anos [1][18]
Descongestionante tópico nasal (oximetazolina, xilometazolina) [1][2]:
Apenas alívio da congestão por curto prazo: no máximo 5 dias, de preferência menos, pelo risco de rinite medicamentosa de rebote [1][2]
Não associar ao corticoide nasal em uso prolongado (recomendação condicional); pode-se considerar por menos de 5 dias ao introduzir o corticoide nasal, para compensar o início lento de ação [2]
Evitar no idoso [1][2]
Não usar descongestionante à base de efedrina [2]
Descongestionante oral associado a anti-histamínico [1][19][20]:
Mais eficaz que cada componente isolado sobre a obstrução nasal e os sintomas totais, quando o controle da obstrução não é alcançado
Uso de curto prazo ou de resgate, após pesar riscos e benefícios conforme as comorbidades; alternativa para quem usa descongestionante tópico
Pseudoefedrina: cautela pela ação psicotrópica e pelos efeitos cardiovasculares; o uso crônico pode induzir tolerância
Esquemas:
Loratadina + Pseudoefedrina comp. 5 mg + 120 mg
1 comprimido a cada 12 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Loratadina + Pseudoefedrina comp. 10 mg + 240 mg
1 comprimido a cada 24 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Desloratadina (Desalex® D12) comp. lib. modificada 2,5 mg + 120 mg
1 comprimido a cada 12 horas
Administração: via oral, com algum líquido, com ou sem alimentos; não partir, abrir nem mastigar
Fexofenadina + Pseudoefedrina (Allegra® D) comp. 60 mg + 120 mg
1 comprimido a cada 12 horas
Administração: via oral; evitar a administração com alimentos
Considerações:
Pseudoefedrina, contraindicações: glaucoma de ângulo estreito, retenção urinária, uso de inibidor da monoamina oxidase ou suspensão há menos de 14 dias, hipertensão grave ou não controlada, doença arterial coronariana grave [20]
Doença renal aguda ou crônica grave: pseudoefedrina contraindicada [19][20]
Pode causar ou ampliar insônia, cefaleia, boca seca, nervosismo e hipertensão; cautela na hiperplasia prostática benigna [1]
Evitar na gestação, sobretudo no primeiro trimestre [1]
Idoso: maior probabilidade de reações adversas às aminas simpatomiméticas [20]
Fexofenadina + pseudoefedrina na insuficiência renal: dose inicial de 1 comprimido 1 vez ao dia [19]
Ipratrópio nasal [1]:
Adjuvante do corticoide nasal quando a rinorreia é o sintoma persistente; não atua nos demais sintomas
Evitar ou usar com cautela na hiperplasia prostática e no glaucoma de ângulo fechado
Cromoglicato dissódico nasal [1][2]:
Menos eficaz que o corticoide nasal [1]
Anti-histamínico nasal em vez de cromoglicato nasal [2]
Esquema [1][27]:
Cromoglicato dissódico sol. nasal 4% (40 mg/mL; 5,2 mg/jato; frasco 13 mL)
V Consenso Brasileiro:
3 a 6 aplicações por dia
Bula:
1 jato em cada narina, 2 a 4 vezes ao dia
Administração: via nasal; assoar o nariz delicadamente antes; no primeiro uso, acionar pelo menos 3 vezes até sair spray fino; com o frasco na vertical, ocluir a outra narina e manter a boca fechada; expirar pela boca; manter a ponta do frasco limpa; não aplicar duas doses ao mesmo tempo
Considerações:
Uso regular durante todo o período de exposição ao alérgeno, mesmo sem sintomas [27]
Frequência do V Consenso Brasileiro acima da máxima da bula (4 vezes ao dia); conferir antes de prescrever [1][27]
Acupuntura [1]:
Adjuvante, sobretudo em quem recusa o tratamento convencional
O que não usar
Anti-histamínico de primeira geração (hidroxizina, dexclorfeniramina, difenidramina): mais sedação e efeitos anticolinérgicos, pior no idoso; usar o de segunda geração [1][3]
Corticoide sistêmico (oral ou de depósito): não recomendado pelas diretrizes internacionais, pelos efeitos adversos [1]
Descongestionante tópico por mais de 5 dias: risco de rinite medicamentosa de rebote [1][2]
Imunobiológicos: o custo inviabiliza o uso na rinite alérgica isolada; indicação apenas por comorbidade, como dermatite atópica e asma [1]
Antibiótico na rinite viral ou na rinite purulenta aguda: sem benefício demonstrado e com efeitos adversos; não recomendado de rotina [1]; conferir o protocolo Resfriados e Gripes no adulto
Situações especiais
Gestante [1][2][3]:
Rinite gestacional: lavagem nasal com soro fisiológico, dilatadores nasais, orientação postural e exercício físico [1]
Medicamentos:
Corticoide nasal: considerados seguros fluticasona, mometasona e budesonida [1]; triancinolona com preocupação de efeito teratogênico [3]
Cromoglicato nasal: sem contraindicação [1]
Descongestionante tópico: evitar na gestante, sobretudo no primeiro trimestre [2]
Medicamentos orais, sobretudo no primeiro trimestre: associados a risco aumentado de fenda labial, com ou sem fenda palatina [1]
Anti-histamínico: preferir os de segunda geração (loratadina, cetirizina, fexofenadina, azelastina); evitar os de primeira geração [1]
Descongestionante oral: evitar no primeiro trimestre [1]
Lactante [1]:
Loratadina e cetirizina são as mais recomendadas; considerar a meia-vida e o tempo de uso, sobretudo no lactente prematuro [1]
Idoso [1][2]:
Investigar no início tardio: rinite não alérgica, hormonal, induzida por fármacos ou atrófica, doenças granulomatosas, fístula liquórica e neoplasia de rinofaringe [1]
Revisar medicamentos que causam ou pioram rinite: AINE, alfa e betabloqueadores, IECA, bloqueadores dos canais de cálcio, diuréticos, oximetazolina, inibidores da fosfodiesterase e psicotrópicos [1]
Tratamento análogo ao do adulto: corticoide nasal, anti-histamínico oral ou tópico e imunoterapia [1]
Evitar anti-histamínico de primeira geração (retenção urinária, olho e boca secos, constipação e arritmias) e descongestionantes [1][2]
Corticoide nasal: monitorar glaucoma, sobretudo com corticoide inalatório ou cursos de corticoide oral associados [1]
Rinorreia associada à idade: lavagem nasal com soro fisiológico e anticolinérgico tópico [1]
Adesão: menor número possível de medicamentos, horários ajustados à rotina e atenção à destreza para usar o spray [1]
Atleta (regras da Agência Mundial Antidoping) [1]:
Permitidos: soro fisiológico, anti-histamínico oral e nasal (preferir o de segunda geração), corticoide nasal, cromoglicato, montelucaste e anticolinérgico nasal
Descongestionantes: fenilefrina e oximetazolina permitidas; pseudoefedrina permitida abaixo de 150 mcg/mL na urina
Corticoide oral: permitido em competição somente com autorização de uso terapêutico
Encaminhamento
Alergologista, para imunoterapia com alérgenos [1]:
Único tratamento capaz de modificar a resposta imunológica ao alérgeno, com controle prolongado após o término
Indicação e esquema definidos pelo especialista em alergia e imunologia, conforme os testes alérgicos e a avaliação clínica
Via sublingual a partir de 2 anos e subcutânea acima de 5 anos, até cerca de 65 anos; duração de 3 a 5 anos
Contraindicações: asma mal controlada ou VEF1 abaixo de 70%; doença grave ativa (imunológica, infecciosa ou neoplásica); gestação e lactação contraindicam o início, não a continuação; esofagite eosinofílica contraindica a via sublingual
Otorrinolaringologista [1][28]:
Com urgência: obstrução nasal com sinal de alarme; conferir em "Quadro clínico e diagnóstico" [28]
Obstrução nasal sem melhora com o tratamento clínico; o tratamento tópico precisa de pelo menos 6 semanas para mostrar melhora [28]
Obstrução nasal refratária ao tratamento clínico, sobretudo com hipertrofia de cornetos inferiores ou desvio septal obstrutivo
Rinorreia significativa e persistente, refratária ao tratamento clínico
Sintomas refratários: endoscopia nasal para pólipos e outras alterações anatômicas
Referências
[1] SOLÉ, Dirceu; KUSCHNIR, Fábio Chigres; PASTORINO, Antônio Carlos; et al. V Brazilian Consensus on Rhinitis: 2024. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, v. 91, 101500, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2024.101500. Acesso em: 29 out. 2026.
[2] SOUSA-PINTO, Bernardo; BOUSQUET, Jean; VIEIRA, Rafael José; et al. Allergic Rhinitis and Its Impact on Asthma (ARIA)-EAACI Guidelines: 2024-2025 Revision. Part I: Guidelines on Intranasal Treatments. Allergy, v. 81, p. 954-976, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1111/all.70131. Acesso em: 29 out. 2026.
[3] VIEIRA, Rafael José; SOUSA-PINTO, Bernardo; BOUSQUET, Jean; et al. Allergic Rhinitis and Its Impact on Asthma (ARIA)-EAACI Guidelines: 2024-2025 Revision. Part II: Guidelines on Oral and Ocular Treatments. Allergy, v. 81, n. 6, p. 1947-1970, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1111/all.70305. Acesso em: 29 out. 2026.
[4] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde: CID-10. Capítulo X: Doenças do aparelho respiratório (J30). DATASUS. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/cid10.htm. Acesso em: 29 out. 2026.
[5] GLAXOSMITHKLINE BRASIL. Avamys® (furoato de fluticasona): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 06/05/2025. Disponível em: https://br.gsk.com. Acesso em: 29 out. 2026.
[6] PF CONSUMER HEALTHCARE BRAZIL. Flixonase® spray nasal aquoso (propionato de fluticasona): bula para o profissional de saúde. 2023. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[7] ORGANON. Nasonex® (furoato de mometasona): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 28/04/2026. Disponível em: https://www.organon.com/brazil/. Acesso em: 29 out. 2026.
[8] EUROFARMA. Noex® (budesonida) suspensão spray nasal: bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme bula padrão aprovada pela Anvisa em 09/12/2025. Disponível em: https://eurofarma.com.br. Acesso em: 29 out. 2026.
[9] JANSSEN-CILAG FARMACÊUTICA. Budecort® Aqua (budesonida) suspensão inalatória nasal: bula. 2019. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[10] GLAXOSMITHKLINE BRASIL. Beclosol® spray nasal aquoso (dipropionato de beclometasona): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 18/03/2025. Disponível em: https://br.gsk.com. Acesso em: 29 out. 2026.
[11] MYLAN LABORATÓRIOS. Dymista® (cloridrato de azelastina + propionato de fluticasona): bula para o paciente. Aprovada pela Anvisa em 26/09/2019. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[12] BAYER. Claritin® (loratadina): bula para o profissional de saúde. 2024. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[13] ORGANON. Desloratadina: bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme bula padrão aprovada pela Anvisa em 03/11/2025. Disponível em: https://www.organon.com/brazil/. Acesso em: 29 out. 2026.
[14] GLAXOSMITHKLINE BRASIL. Zyrtec® comprimidos (dicloridrato de cetirizina): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 13/01/2025. Disponível em: https://br.gsk.com. Acesso em: 29 out. 2026.
[15] OPELLA HEALTHCARE BRAZIL. Allegra® (cloridrato de fexofenadina): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 30/06/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[16] EUROFARMA. Ebastel® (ebastina): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 25/11/2025. Disponível em: https://eurofarma.com.br. Acesso em: 29 out. 2026.
[17] ORGANON. Singulair® (montelucaste de sódio): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 05/05/2026. Disponível em: https://www.organon.com/brazil/. Acesso em: 29 out. 2026.
[18] EUROFARMA. Lemont® (montelucaste de sódio + dicloridrato de levocetirizina): bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme bula padrão aprovada pela Anvisa em 22/06/2026. Disponível em: https://eurofarma.com.br. Acesso em: 29 out. 2026.
[19] OPELLA HEALTHCARE BRAZIL. Allegra® D (cloridrato de fexofenadina + cloridrato de pseudoefedrina): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 06/07/2026. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[20] ORGANON. Desalex® D12 (desloratadina + sulfato de pseudoefedrina): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 16/05/2025. Disponível em: https://www.organon.com/brazil/. Acesso em: 29 out. 2026.
[21] GLENMARK FARMACÊUTICA. Ryaltris® (cloridrato de olopatadina + furoato de mometasona monoidratado): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 14/05/2026. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[22] MYLAN LABORATÓRIOS. Rino-Lastin® (cloridrato de azelastina) solução nasal 1 mg/mL: bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 17/12/2018. Disponível em: https://www.viatris.com/-/media/project/common/viatris/pdf/brazil/leaflets_legacy_myl_brazil/rino_lastin_bula_profissional_de_saude.pdf. Acesso em: 29 out. 2026.
[23] RANBAXY FARMACÊUTICA. Dicloridrato de levocetirizina 5 mg: bula para o profissional de saúde. 2023. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[24] BIOSINTÉTICA FARMACÊUTICA. Rupafin® (fumarato de rupatadina): bula para o paciente. Aprovada pela Anvisa em 27/06/2014. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[25] EMS. Bilastina 20 mg: bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme bula padrão aprovada pela Anvisa em 22/06/2026. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[26] SANOFI-AVENTIS FARMACÊUTICA. Nasacort® (triancinolona acetonida) suspensão nasal 55 µg/dose: bula para o profissional de saúde. Última alteração de texto aprovada pela Anvisa em 09/04/2014. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 30 out. 2026.
[27] BRAINFARMA INDÚSTRIA QUÍMICA E FARMACÊUTICA. Cromoglicato dissódico solução nasal 40 mg/mL (medicamento genérico): bula para o paciente. Aprovada pela Anvisa em 20/08/2013. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 29 out. 2026.
[28] NHS TAYSIDE. Nasal block (Adult). NHS Tayside RefGuide. Right Decisions, Healthcare Improvement Scotland. Próxima revisão: 10 jan. 2027. Disponível em: https://www.rightdecisions.scot.nhs.uk/nhs-tayside-refguide/specialist-surgery/ent/nasal-block-adult/. Acesso em: 30 out. 2026.
[29] BOUSQUET, J.; KHALTAEV, N.; CRUZ, A. A.; et al. Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma (ARIA) 2008. Allergy, v. 63, supl. 86, p. 8-160, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1398-9995.2007.01620.x. Acesso em: 30 out. 2026.
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