Conjuntivite (Adulto e Criança)

H10.9 - Conjuntivite não especificada

Introdução

  • Conjuntivite é a inflamação que acomete principalmente a conjuntiva [1]. As causas infecciosas são virais e bacterianas; as não infecciosas incluem alérgica, mecânica, irritativa ou tóxica, imunomediada e neoplásica [1]. A maioria dos quadros é autolimitada, mas alguns progridem e causam complicações oculares e extraoculares [1].

  • Na conjuntivite aguda infecciosa do adulto, a maioria dos casos é viral e autolimitada, sem indicação de antimicrobiano [1].

  • Este protocolo não aborda o recém-nascido no primeiro mês de vida: conferir o protocolo Oftalmia / conjuntivite neonatal.

🔑 Pontos-chave:

  • Qualquer um (baixa da acuidade visual; dor moderada a intensa; opacidade ou mancha branca na córnea; injeção ciliar): não é conjuntivite simples, encaminhar com urgência ao oftalmologista [1][2][3]

  • Secreção purulenta abundante com edema palpebral acentuado e evolução rápida: suspeitar de conjuntivite gonocócica, que exige tratamento sistêmico imediato [1]

  • Conjuntivite viral não responde a antibiótico; a conduta é sintomática, com afastamento do convívio próximo por 10 a 14 dias do início dos sintomas no último olho acometido [1]

  • Corticoide tópico pode prolongar a infecção por adenovírus e agravar a infecção herpética: não prescrever na atenção primária [1]

  • Prurido intenso, bilateral, com rinite associada sugere conjuntivite alérgica; na criança, a alergia ocular pode se associar à rinite alérgica em 97% dos casos [2][4]

  • Criança com conjuntivite bacteriana: examinar os ouvidos, pela associação com otite média [1]

  • Conjuntivite crônica ou recorrente pode corresponder a neoplasia, penfigoide ou clamídia: encaminhar ao oftalmologista [1]

  • Criança com conjuntivite gonocócica ou por clamídia: considerar abuso sexual [1]

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🎯 Fluxograma de manejo

O fluxograma organiza o atendimento do olho vermelho com suspeita de conjuntivite. Primeiro, avaliam-se a acuidade visual em cada olho, a origem da vermelhidão, a fluoresceína, a câmara anterior, as pupilas e a secreção. Pergunta-se se há qualquer um: baixa da acuidade visual; dor moderada a intensa; mancha branca ou perda de transparência da córnea; injeção ciliar; pupila irregular ou sem reação à luz; hifema ou hipópio; trauma. Se sim, encaminhar com urgência ao oftalmologista (conferir em Sinais de alarme e encaminhamento). Se não, pergunta-se se há secreção purulenta muito abundante com edema palpebral acentuado e evolução rápida; se sim, suspeita de gonococo: encaminhar com urgência e fazer tratamento sistêmico (conferir o protocolo Gonorreia e Clamídia). Se não, pergunta-se se há conjuntivite folicular que persiste por semanas; se sim, suspeita de clamídia: tratamento sistêmico e tratar parcerias (conferir o protocolo Gonorreia e Clamídia). Se não, pergunta-se se há vesículas palpebrais ou erupção em dermátomo; se sim, suspeita de herpes: não usar corticoide e encaminhar ao oftalmologista (conferir em Conjuntivite herpética). Se não, define-se o tipo provável. Na viral, com secreção aquosa, folículos e linfonodo pré-auricular: compressa gelada, lágrima artificial por via oftálmica, sem antibiótico, e afastamento por 10 a 14 dias (conferir em Conjuntivite viral). Na alérgica, com prurido intenso e bilateral: evitar o alérgeno, compressa fria, lágrima artificial por via oftálmica e colírio de cromoglicato, olopatadina ou alcaftadina por via oftálmica (conferir em Conjuntivite alérgica). Na bacteriana, com secreção purulenta ou mucopurulenta, pergunta-se se é moderada a grave, com secreção purulenta copiosa, dor e inflamação acentuada: se sim, encaminhar ao oftalmologista para cultura e Gram; se não, colírio antibiótico por via oftálmica, tobramicina, ofloxacino, ciprofloxacino ou gentamicina, 1 a 2 gotas, 4 a 5 vezes ao dia, por 5 a 7 dias, e, na criança, examinar os ouvidos (conferir em Conjuntivite bacteriana). Os três ramos seguem para a pergunta sobre melhora no prazo esperado: viral, 5 dias; bacteriana, 3 a 4 dias; alérgica, controle na reavaliação de 4 semanas. Se houver melhora, alta com orientações; se não, encaminhar ao oftalmologista (conferir em Sinais de alarme e encaminhamento). Fonte: referências [1], [2], [3] e [4] do artigo.

Sinais de alarme e encaminhamento

  • Examinar todo olho vermelho [2]:

    • Acuidade visual com a tabela de Snellen, em cada olho, com as lentes corretivas em uso

    • Origem da vermelhidão:

      • Hiperemia conjuntival: ingurgitamento dos vasos conjuntivais, típico da conjuntivite

      • Injeção ciliar: vasos profundos ao redor da córnea, sinal de doença intraocular ou corneana

    • Fluoresceína colírio com lanterna, à procura de áreas coradas em verde na córnea; sem fluoresceína disponível, encaminhar ao oftalmologista

    • Câmara anterior: profundidade, sangue (hifema) ou pus (hipópio)

    • Pupilas: tamanho e forma, comparando os dois olhos

    • Tipo de secreção

  • Encaminhar com urgência ao oftalmologista, se qualquer um [1][2][3]:

    • Baixa da acuidade visual [1]

    • Dor moderada a intensa [1]

      • Usuário de lente de contato: considerar ceratite amebiana [1]

    • Envolvimento corneano, incluindo dor com mancha branca ou perda de transparência da córnea (suspeita de úlcera de córnea) [1][3]

    • Injeção ciliar, pupila irregular ou sem reação à luz, hifema ou hipópio [2]

    • Secreção purulenta intensa ou suspeita de gonococo (conferir em "Conjuntivite gonocócica e por clamídia") [1]

    • Suspeita de herpes (conferir em "Conjuntivite herpética") [1]

    • Trauma ocular: conferir o protocolo Corpo estranho e Trauma ocular

  • Encaminhar eletivamente ao oftalmologista, se qualquer um [1]:

    • Ausência de resposta ao tratamento [1]

    • Episódios recorrentes [1]

    • Cicatriz conjuntival [1]

    • Imunocomprometimento [1]

    • Conjuntivite crônica ou refratária, pelo risco de neoplasia (carcinoma sebáceo, linfoma, carcinoma espinocelular), penfigoide ocular ou clamídia [1]

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico, pela história e pelo exame [1]. Cultura não é rotina na conjuntivite aguda; fica reservada a casos recorrentes, graves, crônicos, purulentos sem resposta ao tratamento ou com suspeita de gonococo [1].

Tipo

Secreção

Prurido

Outros achados

Curso

Viral (adenovírus)

Serosa, aquosa

Leve

Início abrupto; unilateral ou bilateral, muitas vezes em sequência; folículos na conjuntiva tarsal inferior; linfonodo pré-auricular; contato com doente ou infecção de vias aéreas superiores

Melhora em 5 a 14 dias

Bacteriana

Purulenta ou mucopurulenta, abundante

Leve

Uni ou bilateral; pálpebras grudadas

Leve: autolimitada no adulto; resolução em 3 a 5 dias

Alérgica

Muco hialino em filamentos; pode ser aquosa

Intenso

Bilateral; edema palpebral; quemose; papilas na conjuntiva tarsal; rinite alérgica associada

Recorrente

Fonte: [1][2]

  • Pistas adicionais [1][2]:

    • Visão embaçada que melhora ao piscar: acúmulo de secreção [2]

    • Baixa visual persistente na conjuntivite adenoviral: infiltrados subepiteliais na córnea, avaliados pelo oftalmologista [2]

    • Vesículas palpebrais ou erupção em dermátomo: suspeitar de herpes (conferir em "Conjuntivite herpética") [1]

  • Diferenciais que ameaçam a visão (encaminhar com urgência) [2]:

    • Ceratite: dor aguda, lacrimejamento, blefaroespasmo e possível baixa visual; a dor melhora com colírio anestésico

    • Iridociclite: dor que piora à palpação e não melhora com colírio anestésico, com exsudato na câmara anterior

    • Glaucoma agudo: dor ocular intensa, às vezes com vômitos, globo endurecido à palpação, midríase moderada sem reação à luz e baixa visual importante

  • Outros diferenciais [2]:

    • Episclerite: vermelhidão localizada, sem secreção

    • Hemorragia subconjuntival: coleção de sangue sob a conjuntiva, sem secreção

    • Blefarite: inflamação crônica da borda palpebral, com olho constantemente avermelhado

  • Edema palpebral importante: a conjuntivite adenoviral pode simular celulite orbitária ao exame [1]; na suspeita de celulite, conferir o protocolo Celulite Periorbitária e Orbital

Conjuntivite viral

  • Orientar a natureza autolimitada [1]:

    • Melhora em 5 a 14 dias [1]

    • Antibiótico não tem efeito e deve ser evitado [1]

  • Medidas de alívio [1][2]:

    • Compressa gelada de SF 0,9%; o soro pode ser substituído por água limpa e fervida [2]

    • Lágrima artificial (conferir em "Lágrima artificial") [1]

    • Analgésico oral, se necessário [1]

  • Não prescrever corticoide tópico na atenção primária: pode prolongar a eliminação viral; quadros graves (membranas, quemose ou edema palpebral importante, lesão epitelial da córnea) são conduzidos pelo oftalmologista [1]

  • Reavaliação:

    • Ministério da Saúde:

      • Sem melhora em 5 dias: encaminhar ao oftalmologista [2]

    • AAO:

      • Retornar se olho vermelho, dor ou baixa visual persistirem após 2 a 3 semanas [1]

  • Transmissão e afastamento [1]:

    • Altamente contagiosa; o vírus sobrevive semanas em superfícies

    • Lavar as mãos com frequência, com água e sabão, e não apenas com álcool em gel

    • Toalha e travesseiro de uso individual

    • Evitar contato próximo com outras pessoas por 10 a 14 dias do início dos sintomas no último olho acometido, sobretudo profissionais de saúde e de creches

    • No serviço de saúde: descartar frascos de colírio de uso múltiplo que tocaram a superfície ocular; desinfetar equipamentos e superfícies em contato com secreções oculares

Conjuntivite bacteriana

  • Leve: autolimitada no adulto imunocompetente; o antibiótico tópico acelera a remissão, reduz a transmissão e antecipa o retorno da criança à escola [1]

    • Na criança, a forma leve pode evoluir com complicações [1]

  • Conduta [1][2][3]:

    • Limpeza das secreções com SF 0,9% [2]

    • Colírio antibiótico de amplo espectro, escolhendo o mais conveniente ou de menor custo; não há superioridade entre os agentes [1]

    • Criança: examinar os ouvidos (otite média associada); se presente, conferir o protocolo Otite Média Aguda na Criança [1]

  • Moderada a grave (secreção purulenta copiosa, dor e inflamação acentuada): encaminhar ao oftalmologista para cultura e Gram, sobretudo se houver possibilidade de gonococo [1]

  • Reavaliação: sem melhora em 3 a 4 dias, retornar [1]

  • Esquemas [1][2][3][5][6][7][8]:

    • Tobramicina sol. oft. (Tobrex®) sol. oft. 3 mg/mL (frasco 5 mL)

      • 1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia

      • Duração:

        • Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias

        • AAO: 5 a 7 dias

      • Administração: via oftálmica; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras; não encostar a ponta do frasco no olho

    • Ofloxacino sol. oft. (Oflox®) sol. oft. 3 mg/mL (frasco 5 mL)

      • 1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia

      • Duração:

        • Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias

        • AAO: 5 a 7 dias

      • Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies

    • Ciprofloxacino (Ciloxan®) sol. oft. 3,5 mg/mL de cloridrato (3 mg/mL de ciprofloxacino) (frasco 5 mL)

      • 1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia

      • Duração:

        • Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias

        • AAO: 5 a 7 dias

      • Administração: via oftálmica; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras; não encostar a ponta do frasco no olho

    • Gentamicina (Sulfato de Gentamicina Allergan) sol. oft. 5 mg/mL (frasco 5 mL)

      • 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia

      • Duração:

        • SESA-ES: 7 dias

        • AAO: 5 a 7 dias

      • Administração: via oftálmica, sem orientações específicas.

    • Considerações:

      • Retirar lentes de contato durante o tratamento [5]

      • Mais de um colírio: intervalo de 5 minutos entre eles [5]

      • Tobramicina: uso a partir de 2 meses de idade [5]

      • Ofloxacino: segurança e eficácia não determinadas abaixo de 1 ano [6]

      • Ciprofloxacino: mesma dose do adulto na criança; experiência limitada abaixo de 1 ano [7]

      • Gentamicina: segurança e eficácia não estabelecidas em pacientes pediátricos; não usar na gravidez e na lactação [8]

Conjuntivite alérgica

  • Reconhecimento [1][4]:

    • Bilateral, com prurido intenso, edema palpebral, quemose e secreção aquosa ou mucoide [1]

    • Na criança, associa-se com frequência a rinite alérgica, asma e dermatite atópica [4]

    • Recorrente, muitas vezes com rinite, olho seco e disfunção das glândulas de meibômio [1]

  • Medidas não farmacológicas, em todos os casos [1][4]:

    • Evitar o alérgeno e não coçar os olhos [1]

    • Compressas frias e lágrima artificial sem conservante, de preferência gelada (conferir em "Lágrima artificial") [1][4]

    • Óculos de sol como barreira [1][4]

    • Roupa de cama hipoalergênica, lavar roupas com frequência e tomar banho antes de dormir [1]

  • Tratamento tópico [1][2][3][4]:

    • Leve: anti-histamínico tópico ou agente de ação dupla (anti-histamínico e estabilizador de mastócito) [1]

    • Recorrente ou persistente: estabilizador de mastócito, em uso regular [1][4]

    • Vasoconstritor tópico (como a nafazolina): evitar o uso prolongado, pela vasodilatação de rebote [1][4]; contraindicado no glaucoma de ângulo estreito; cautela nas demais formas de glaucoma, no hipertireoidismo e na doença cardiovascular [4]

    • Corticoide tópico: indicação e seguimento pelo oftalmologista, pela necessidade de medir a pressão intraocular [1]

  • Rinoconjuntivite: o anti-histamínico oral pode piorar o olho seco; o corticoide nasal melhora os sintomas oculares associados à rinite; conferir o protocolo Rinite alérgica [1][4]

  • Controle e seguimento [4]:

    • Controlada se todos: sintomas ausentes, não incômodos ou presentes em no máximo 2 dias por semana; escala visual analógica menor que 5; hiperemia conjuntival de grau 0 ou 1 na escala de Efron

    • Forma leve: reavaliar a cada 4 semanas e manter o tratamento até a resolução dos sintomas

  • Encaminhar ao oftalmologista [1][4]:

    • Sem controle com o tratamento tópico

    • Suspeita de ceratoconjuntivite primaveril (criança, piora na primavera e no verão, papilas gigantes na pálpebra superior) ou atópica (associada à dermatite atópica): risco de lesão corneana e perda visual

  • Esquemas [2][3][4][9][10][11][12][13]:

    • Cromoglicato dissódico (Cromolerg®, Maxicrom®) sol. oft. 2% ou 4% (frasco 5 mL)

      • Ministério da Saúde e SESA-ES:

        • 1 a 2 gotas no olho afetado a cada 8 horas, por 14 dias

      • Diretriz brasileira de conjuntivite alérgica pediátrica:

        • A cada 6 a 8 horas, por pelo menos 2 semanas

      • Administração: via oftálmica; não encostar o conta-gotas nos olhos ou em qualquer objeto

    • Olopatadina (Patanol®) sol. oft. 0,1% (frasco 5 mL)

      • 1 gota no olho afetado a cada 12 horas, por 30 dias

      • Administração: via oftálmica; instilar com o frasco a 45°; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras

    • Olopatadina (Patanol® S) sol. oft. 0,2% (frasco 2,5 mL)

      • 1 gota no olho afetado a cada 24 horas, por 30 dias

      • Administração: via oftálmica; instilar com o frasco a 45°; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras

    • Alcaftadina (Lastacaft®) sol. oft. 0,25% (frasco 3 mL)

      • 1 gota no olho afetado a cada 24 horas, por 30 dias

      • Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies

    • Considerações:

      • Estabilizador de mastócito: a adesão costuma ser baixa, pela frequência das aplicações [4]

      • Cromoglicato: Maxicrom® tem bula de uso adulto e não deve ser usado abaixo de 4 anos [10]

      • Olopatadina: a partir de 3 anos; não usar lente de contato com o olho vermelho [11][12]

      • Alcaftadina: a partir de 2 anos [3][13]

Conjuntivite gonocócica e por clamídia

  • Gonocócica [1]:

    • Suspeitar se: secreção purulenta muito abundante, edema palpebral acentuado, linfonodo pré-auricular e evolução rápida

    • Risco de infiltrado ou úlcera de córnea, com possível perfuração

    • Conduta:

      • Encaminhar com urgência ao oftalmologista; seguimento diário até a resolução

      • Tratamento sistêmico obrigatório: conferir o protocolo Gonorreia e Clamídia

      • Lavagem com SF 0,9% para conforto

      • Excluir Neisseria meningitidis antes de atribuir o quadro ao gonococo

    • Internação pode ser necessária para antibiótico parenteral nos casos graves

  • Clamídia (conjuntivite de inclusão do adulto) [1]:

    • Suspeitar se: conjuntivite folicular que persiste por várias semanas

    • Tratamento sistêmico, inclusive empírico quando o quadro é muito sugestivo: conferir o protocolo Gonorreia e Clamídia

    • Colírio associado ao tratamento sistêmico: sem dados que sustentem o uso

    • Reavaliar após o tratamento, pelo risco de falha

    • Considerar coinfecção por gonococo

  • Em ambas [1]:

    • Tratar as parcerias sexuais e investigar outras infecções sexualmente transmissíveis

    • Criança: considerar abuso sexual; conferir o protocolo Violência / abuso sexual

Conjuntivite herpética

  • Herpes simples [1]:

    • Geralmente unilateral, com secreção aquosa e folículos; pode haver vesículas ou úlceras palpebrais e ceratite dendrítica

    • Bilateral com mais frequência em atópicos, crianças e imunocomprometidos

    • Corticoide tópico potencializa a infecção epitelial: não usar

    • Encaminhar ao oftalmologista; história de doença ocular herpética também indica avaliação especializada

    • Lesão labial ou cutânea associada: conferir o protocolo Herpes Simples em adultos

  • Varicela-zóster [1]:

    • Erupção vesicular em dermátomo, muitas vezes com dor intensa, ou varicela com vesículas palpebrais ou conjuntivais

    • Encaminhar ao oftalmologista; conferir o protocolo Herpes Zoster em adultos

Lágrima artificial

  • Indicação: alívio da irritação nas conjuntivites viral e alérgica [1]

  • Esquemas [1][4][14][15][17]:

    • Carmelose Sódica (colírio) (Fresh Tears®) sol. oft. 0,5% (frasco 5, 10 ou 15 mL)

      • 1 gota no olho afetado, até 4 a 6 vezes ao dia

      • Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies; manter fechado após o uso

    • Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®) sol. oft. 0,1% + 0,3% (frasco 15 mL)

      • 1 gota no olho afetado, até 4 a 6 vezes ao dia

      • Administração: via oftálmica, no saco conjuntival; não encostar a ponta do frasco nos olhos

    • Considerações:

      • Uso mais frequente: preferir lubrificante sem conservante, que pode ser usado sem limite de frequência [4][17]

      • Carmelose (Fresh Tears®): uso adulto; Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®): uso adulto e pediátrico [14][15]

💊 Como prescrever?

Tobramicina [2][5]:

  • Tobramicina sol. oft. (Tobrex®) sol. oft. 3 mg/mL (frasco 5 mL)

    • 1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia

    • Duração:

      • Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias

      • AAO: 5 a 7 dias

    • Administração: via oftálmica; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras; não encostar a ponta do frasco no olho

Ofloxacino [2][6]:

  • Ofloxacino sol. oft. (Oflox®) sol. oft. 3 mg/mL (frasco 5 mL)

    • 1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia

    • Duração:

      • Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias

      • AAO: 5 a 7 dias

    • Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies

Ciprofloxacino [2][7]:

  • Ciprofloxacino (Ciloxan®) sol. oft. 3,5 mg/mL de cloridrato (3 mg/mL de ciprofloxacino) (frasco 5 mL)

    • 1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia

    • Duração:

      • Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias

      • AAO: 5 a 7 dias

    • Administração: via oftálmica; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras; não encostar a ponta do frasco no olho

Gentamicina [3][8]:

  • Gentamicina (Sulfato de Gentamicina Allergan) sol. oft. 5 mg/mL (frasco 5 mL)

    • 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia

    • Duração:

      • SESA-ES: 7 dias

      • AAO: 5 a 7 dias

    • Administração: via oftálmica, sem orientações específicas.

Cromoglicato dissódico [2][4]:

  • Cromoglicato dissódico (Cromolerg®, Maxicrom®) sol. oft. 2% ou 4% (frasco 5 mL)

    • Ministério da Saúde e SESA-ES:

      • 1 a 2 gotas no olho afetado a cada 8 horas, por 14 dias

    • Diretriz brasileira de conjuntivite alérgica pediátrica:

      • A cada 6 a 8 horas, por pelo menos 2 semanas

    • Administração: via oftálmica; não encostar o conta-gotas nos olhos ou em qualquer objeto

Olopatadina [2][11]:

  • Olopatadina (Patanol®) sol. oft. 0,1% (frasco 5 mL)

    • 1 gota no olho afetado a cada 12 horas, por 30 dias

    • Administração: via oftálmica; instilar com o frasco a 45°; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras

  • Olopatadina (Patanol® S) sol. oft. 0,2% (frasco 2,5 mL)

    • 1 gota no olho afetado a cada 24 horas, por 30 dias

    • Administração: via oftálmica; instilar com o frasco a 45°; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras

Alcaftadina [3][13]:

  • Alcaftadina (Lastacaft®) sol. oft. 0,25% (frasco 3 mL)

    • 1 gota no olho afetado a cada 24 horas, por 30 dias

    • Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies

Lágrima artificial [4][14]:

  • Carmelose Sódica (colírio) (Fresh Tears®) sol. oft. 0,5% (frasco 5, 10 ou 15 mL)

    • 1 gota no olho afetado, até 4 a 6 vezes ao dia

    • Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies; manter fechado após o uso

  • Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®) sol. oft. 0,1% + 0,3% (frasco 15 mL)

    • 1 gota no olho afetado, até 4 a 6 vezes ao dia

    • Administração: via oftálmica, no saco conjuntival; não encostar a ponta do frasco nos olhos

Particularidades na criança

  • Recém-nascido no primeiro mês: conferir o protocolo Oftalmia / conjuntivite neonatal; a internação é obrigatória na conjuntivite neonatal [1]

  • Lactente e criança com conjuntivite bacteriana [1]:

  • Idade mínima dos colírios: conferir as considerações de cada bloco em "Conjuntivite bacteriana" e "Conjuntivite alérgica"

  • Conjuntivite gonocócica, por clamídia ou pediculose palpebral: considerar abuso sexual [1]

Referências

[1] AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY; CHEUNG, Albert Y.; CHOI, Daniel S.; AHMAD, Sumayya; et al. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern®. San Francisco: American Academy of Ophthalmology, 2023 (aprovado em 22 set. 2023). Disponível em: https://www.aao.org/education/preferred-practice-pattern/conjunctivitis-ppp-2023. Acesso em: 22 out. 2026.

[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea: queixas mais comuns na Atenção Básica. Cadernos de Atenção Básica, n. 28, v. II. 1. ed., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Cap. 2.22, Urgências oftalmológicas: "olho vermelho". Disponível em: https://sites.usp.br/guiacseb/wp-content/uploads/sites/943/2023/02/caderno28.pdf.

[3] ESPÍRITO SANTO. Secretaria de Estado da Saúde. Protocolo de Oftalmologia: Autorregulação Formativa Territorial. Vitória, 2021. Disponível em: https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Publicações%20em%20PDF/ARFT%20Oftalmologia%20site.pdf.

[4] RONCONI, Cristiana Soares; ISSAHO, Dayane C.; EJZENBAUM, Fabio; et al. Diretrizes brasileiras sobre o monitoramento e tratamento da conjuntivite alérgica pediátrica. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, v. 85, n. 4, p. 415-425, 2022. DOI: 10.5935/0004-2749.20220053. Disponível em: https://aboonline.org.br/details/6221/pt-BR.

[5] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Tobrex® (tobramicina): solução oftálmica 3 mg/mL e pomada oftálmica 3 mg/g. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 10/09/2025.

[6] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Oflox® (ofloxacino): solução oftálmica 3 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 02/12/2025.

[7] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Ciloxan® (cloridrato de ciprofloxacino): solução oftálmica 3,5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 21/08/2015.

[8] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Sulfato de gentamicina: solução oftálmica 5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 29/03/2021.

[9] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Cromolerg® (cromoglicato dissódico): solução oftálmica 20 mg/mL e 40 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 19/07/2013.

[10] ALCON LABORATÓRIOS DO BRASIL. Maxicrom® (cromoglicato dissódico): solução oftálmica 2% e 4%. Bula.

[11] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Patanol® e Patanol® S (cloridrato de olopatadina): solução oftálmica 1,11 mg/mL e 2,22 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 15/04/2020.

[12] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Patanol® S (cloridrato de olopatadina): solução oftálmica 2,22 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 14/10/2025.

[13] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Lastacaft® (alcaftadina): solução oftálmica 2,5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 18/12/2025.

[14] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Fresh Tears® (carmelose sódica): solução oftálmica 5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde.

[15] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Lacrima® Plus (dextrana 70 + hipromelose): solução oftálmica 1,0 mg/mL + 3,0 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 01/09/2021.

[16] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão (CID-10). Capítulo VII: Doenças do olho e anexos (H00-H59). Versão em português, DATASUS.

[17] AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY; AMESCUA, Guillermo; AHMAD, Sumayya; CHEUNG, Albert Y.; et al. Dry Eye Syndrome Preferred Practice Pattern®. San Francisco: American Academy of Ophthalmology, 2023 (aprovado em 22 set. 2023). Disponível em: https://www.aao.org/education/preferred-practice-pattern/dry-eye-syndrome-ppp-2023. Acesso em: 22 out. 2026.

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