Conjuntivite (Adulto e Criança)
H10.9 - Conjuntivite não especificada
Introdução
Conjuntivite é a inflamação que acomete principalmente a conjuntiva [1]. As causas infecciosas são virais e bacterianas; as não infecciosas incluem alérgica, mecânica, irritativa ou tóxica, imunomediada e neoplásica [1]. A maioria dos quadros é autolimitada, mas alguns progridem e causam complicações oculares e extraoculares [1].
Na conjuntivite aguda infecciosa do adulto, a maioria dos casos é viral e autolimitada, sem indicação de antimicrobiano [1].
Este protocolo não aborda o recém-nascido no primeiro mês de vida: conferir o protocolo Oftalmia / conjuntivite neonatal.
🔑 Pontos-chave:
Qualquer um (baixa da acuidade visual; dor moderada a intensa; opacidade ou mancha branca na córnea; injeção ciliar): não é conjuntivite simples, encaminhar com urgência ao oftalmologista [1][2][3]
Secreção purulenta abundante com edema palpebral acentuado e evolução rápida: suspeitar de conjuntivite gonocócica, que exige tratamento sistêmico imediato [1]
Conjuntivite viral não responde a antibiótico; a conduta é sintomática, com afastamento do convívio próximo por 10 a 14 dias do início dos sintomas no último olho acometido [1]
Corticoide tópico pode prolongar a infecção por adenovírus e agravar a infecção herpética: não prescrever na atenção primária [1]
Prurido intenso, bilateral, com rinite associada sugere conjuntivite alérgica; na criança, a alergia ocular pode se associar à rinite alérgica em 97% dos casos [2][4]
Criança com conjuntivite bacteriana: examinar os ouvidos, pela associação com otite média [1]
Conjuntivite crônica ou recorrente pode corresponder a neoplasia, penfigoide ou clamídia: encaminhar ao oftalmologista [1]
Criança com conjuntivite gonocócica ou por clamídia: considerar abuso sexual [1]
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza o atendimento do olho vermelho com suspeita de conjuntivite. Primeiro, avaliam-se a acuidade visual em cada olho, a origem da vermelhidão, a fluoresceína, a câmara anterior, as pupilas e a secreção. Pergunta-se se há qualquer um: baixa da acuidade visual; dor moderada a intensa; mancha branca ou perda de transparência da córnea; injeção ciliar; pupila irregular ou sem reação à luz; hifema ou hipópio; trauma. Se sim, encaminhar com urgência ao oftalmologista (conferir em Sinais de alarme e encaminhamento). Se não, pergunta-se se há secreção purulenta muito abundante com edema palpebral acentuado e evolução rápida; se sim, suspeita de gonococo: encaminhar com urgência e fazer tratamento sistêmico (conferir o protocolo Gonorreia e Clamídia). Se não, pergunta-se se há conjuntivite folicular que persiste por semanas; se sim, suspeita de clamídia: tratamento sistêmico e tratar parcerias (conferir o protocolo Gonorreia e Clamídia). Se não, pergunta-se se há vesículas palpebrais ou erupção em dermátomo; se sim, suspeita de herpes: não usar corticoide e encaminhar ao oftalmologista (conferir em Conjuntivite herpética). Se não, define-se o tipo provável. Na viral, com secreção aquosa, folículos e linfonodo pré-auricular: compressa gelada, lágrima artificial por via oftálmica, sem antibiótico, e afastamento por 10 a 14 dias (conferir em Conjuntivite viral). Na alérgica, com prurido intenso e bilateral: evitar o alérgeno, compressa fria, lágrima artificial por via oftálmica e colírio de cromoglicato, olopatadina ou alcaftadina por via oftálmica (conferir em Conjuntivite alérgica). Na bacteriana, com secreção purulenta ou mucopurulenta, pergunta-se se é moderada a grave, com secreção purulenta copiosa, dor e inflamação acentuada: se sim, encaminhar ao oftalmologista para cultura e Gram; se não, colírio antibiótico por via oftálmica, tobramicina, ofloxacino, ciprofloxacino ou gentamicina, 1 a 2 gotas, 4 a 5 vezes ao dia, por 5 a 7 dias, e, na criança, examinar os ouvidos (conferir em Conjuntivite bacteriana). Os três ramos seguem para a pergunta sobre melhora no prazo esperado: viral, 5 dias; bacteriana, 3 a 4 dias; alérgica, controle na reavaliação de 4 semanas. Se houver melhora, alta com orientações; se não, encaminhar ao oftalmologista (conferir em Sinais de alarme e encaminhamento). Fonte: referências [1], [2], [3] e [4] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1792790128605_f764abea.png)
Sinais de alarme e encaminhamento
Examinar todo olho vermelho [2]:
Acuidade visual com a tabela de Snellen, em cada olho, com as lentes corretivas em uso
Origem da vermelhidão:
Hiperemia conjuntival: ingurgitamento dos vasos conjuntivais, típico da conjuntivite
Injeção ciliar: vasos profundos ao redor da córnea, sinal de doença intraocular ou corneana
Fluoresceína colírio com lanterna, à procura de áreas coradas em verde na córnea; sem fluoresceína disponível, encaminhar ao oftalmologista
Câmara anterior: profundidade, sangue (hifema) ou pus (hipópio)
Pupilas: tamanho e forma, comparando os dois olhos
Tipo de secreção
Encaminhar com urgência ao oftalmologista, se qualquer um [1][2][3]:
Baixa da acuidade visual [1]
Dor moderada a intensa [1]
Usuário de lente de contato: considerar ceratite amebiana [1]
Envolvimento corneano, incluindo dor com mancha branca ou perda de transparência da córnea (suspeita de úlcera de córnea) [1][3]
Injeção ciliar, pupila irregular ou sem reação à luz, hifema ou hipópio [2]
Secreção purulenta intensa ou suspeita de gonococo (conferir em "Conjuntivite gonocócica e por clamídia") [1]
Suspeita de herpes (conferir em "Conjuntivite herpética") [1]
Trauma ocular: conferir o protocolo Corpo estranho e Trauma ocular
Encaminhar eletivamente ao oftalmologista, se qualquer um [1]:
Ausência de resposta ao tratamento [1]
Episódios recorrentes [1]
Cicatriz conjuntival [1]
Imunocomprometimento [1]
Conjuntivite crônica ou refratária, pelo risco de neoplasia (carcinoma sebáceo, linfoma, carcinoma espinocelular), penfigoide ocular ou clamídia [1]
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, pela história e pelo exame [1]. Cultura não é rotina na conjuntivite aguda; fica reservada a casos recorrentes, graves, crônicos, purulentos sem resposta ao tratamento ou com suspeita de gonococo [1].
Tipo | Secreção | Prurido | Outros achados | Curso |
|---|---|---|---|---|
Viral (adenovírus) | Serosa, aquosa | Leve | Início abrupto; unilateral ou bilateral, muitas vezes em sequência; folículos na conjuntiva tarsal inferior; linfonodo pré-auricular; contato com doente ou infecção de vias aéreas superiores | Melhora em 5 a 14 dias |
Bacteriana | Purulenta ou mucopurulenta, abundante | Leve | Uni ou bilateral; pálpebras grudadas | Leve: autolimitada no adulto; resolução em 3 a 5 dias |
Alérgica | Muco hialino em filamentos; pode ser aquosa | Intenso | Bilateral; edema palpebral; quemose; papilas na conjuntiva tarsal; rinite alérgica associada | Recorrente |
Fonte: [1][2]
Pistas adicionais [1][2]:
Visão embaçada que melhora ao piscar: acúmulo de secreção [2]
Baixa visual persistente na conjuntivite adenoviral: infiltrados subepiteliais na córnea, avaliados pelo oftalmologista [2]
Vesículas palpebrais ou erupção em dermátomo: suspeitar de herpes (conferir em "Conjuntivite herpética") [1]
Diferenciais que ameaçam a visão (encaminhar com urgência) [2]:
Ceratite: dor aguda, lacrimejamento, blefaroespasmo e possível baixa visual; a dor melhora com colírio anestésico
Iridociclite: dor que piora à palpação e não melhora com colírio anestésico, com exsudato na câmara anterior
Glaucoma agudo: dor ocular intensa, às vezes com vômitos, globo endurecido à palpação, midríase moderada sem reação à luz e baixa visual importante
Outros diferenciais [2]:
Episclerite: vermelhidão localizada, sem secreção
Hemorragia subconjuntival: coleção de sangue sob a conjuntiva, sem secreção
Blefarite: inflamação crônica da borda palpebral, com olho constantemente avermelhado
Edema palpebral importante: a conjuntivite adenoviral pode simular celulite orbitária ao exame [1]; na suspeita de celulite, conferir o protocolo Celulite Periorbitária e Orbital
Conjuntivite bacteriana
Leve: autolimitada no adulto imunocompetente; o antibiótico tópico acelera a remissão, reduz a transmissão e antecipa o retorno da criança à escola [1]
Na criança, a forma leve pode evoluir com complicações [1]
Conduta [1][2][3]:
Limpeza das secreções com SF 0,9% [2]
Colírio antibiótico de amplo espectro, escolhendo o mais conveniente ou de menor custo; não há superioridade entre os agentes [1]
Criança: examinar os ouvidos (otite média associada); se presente, conferir o protocolo Otite Média Aguda na Criança [1]
Moderada a grave (secreção purulenta copiosa, dor e inflamação acentuada): encaminhar ao oftalmologista para cultura e Gram, sobretudo se houver possibilidade de gonococo [1]
Reavaliação: sem melhora em 3 a 4 dias, retornar [1]
Esquemas [1][2][3][5][6][7][8]:
Tobramicina sol. oft. (Tobrex®) sol. oft. 3 mg/mL (frasco 5 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia
Duração:
Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias
AAO: 5 a 7 dias
Administração: via oftálmica; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras; não encostar a ponta do frasco no olho
Ofloxacino sol. oft. (Oflox®) sol. oft. 3 mg/mL (frasco 5 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia
Duração:
Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias
AAO: 5 a 7 dias
Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies
Ciprofloxacino (Ciloxan®) sol. oft. 3,5 mg/mL de cloridrato (3 mg/mL de ciprofloxacino) (frasco 5 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia
Duração:
Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias
AAO: 5 a 7 dias
Administração: via oftálmica; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras; não encostar a ponta do frasco no olho
Gentamicina (Sulfato de Gentamicina Allergan) sol. oft. 5 mg/mL (frasco 5 mL)
2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia
Duração:
SESA-ES: 7 dias
AAO: 5 a 7 dias
Administração: via oftálmica, sem orientações específicas.
Considerações:
Retirar lentes de contato durante o tratamento [5]
Mais de um colírio: intervalo de 5 minutos entre eles [5]
Tobramicina: uso a partir de 2 meses de idade [5]
Ofloxacino: segurança e eficácia não determinadas abaixo de 1 ano [6]
Ciprofloxacino: mesma dose do adulto na criança; experiência limitada abaixo de 1 ano [7]
Gentamicina: segurança e eficácia não estabelecidas em pacientes pediátricos; não usar na gravidez e na lactação [8]
Conjuntivite alérgica
Reconhecimento [1][4]:
Bilateral, com prurido intenso, edema palpebral, quemose e secreção aquosa ou mucoide [1]
Na criança, associa-se com frequência a rinite alérgica, asma e dermatite atópica [4]
Recorrente, muitas vezes com rinite, olho seco e disfunção das glândulas de meibômio [1]
Medidas não farmacológicas, em todos os casos [1][4]:
Evitar o alérgeno e não coçar os olhos [1]
Compressas frias e lágrima artificial sem conservante, de preferência gelada (conferir em "Lágrima artificial") [1][4]
Óculos de sol como barreira [1][4]
Roupa de cama hipoalergênica, lavar roupas com frequência e tomar banho antes de dormir [1]
Tratamento tópico [1][2][3][4]:
Leve: anti-histamínico tópico ou agente de ação dupla (anti-histamínico e estabilizador de mastócito) [1]
Recorrente ou persistente: estabilizador de mastócito, em uso regular [1][4]
Vasoconstritor tópico (como a nafazolina): evitar o uso prolongado, pela vasodilatação de rebote [1][4]; contraindicado no glaucoma de ângulo estreito; cautela nas demais formas de glaucoma, no hipertireoidismo e na doença cardiovascular [4]
Corticoide tópico: indicação e seguimento pelo oftalmologista, pela necessidade de medir a pressão intraocular [1]
Rinoconjuntivite: o anti-histamínico oral pode piorar o olho seco; o corticoide nasal melhora os sintomas oculares associados à rinite; conferir o protocolo Rinite alérgica [1][4]
Controle e seguimento [4]:
Controlada se todos: sintomas ausentes, não incômodos ou presentes em no máximo 2 dias por semana; escala visual analógica menor que 5; hiperemia conjuntival de grau 0 ou 1 na escala de Efron
Forma leve: reavaliar a cada 4 semanas e manter o tratamento até a resolução dos sintomas
Encaminhar ao oftalmologista [1][4]:
Sem controle com o tratamento tópico
Suspeita de ceratoconjuntivite primaveril (criança, piora na primavera e no verão, papilas gigantes na pálpebra superior) ou atópica (associada à dermatite atópica): risco de lesão corneana e perda visual
Esquemas [2][3][4][9][10][11][12][13]:
Cromoglicato dissódico (Cromolerg®, Maxicrom®) sol. oft. 2% ou 4% (frasco 5 mL)
Ministério da Saúde e SESA-ES:
1 a 2 gotas no olho afetado a cada 8 horas, por 14 dias
Diretriz brasileira de conjuntivite alérgica pediátrica:
A cada 6 a 8 horas, por pelo menos 2 semanas
Administração: via oftálmica; não encostar o conta-gotas nos olhos ou em qualquer objeto
Olopatadina (Patanol®) sol. oft. 0,1% (frasco 5 mL)
1 gota no olho afetado a cada 12 horas, por 30 dias
Administração: via oftálmica; instilar com o frasco a 45°; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras
Olopatadina (Patanol® S) sol. oft. 0,2% (frasco 2,5 mL)
1 gota no olho afetado a cada 24 horas, por 30 dias
Administração: via oftálmica; instilar com o frasco a 45°; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras
Alcaftadina (Lastacaft®) sol. oft. 0,25% (frasco 3 mL)
1 gota no olho afetado a cada 24 horas, por 30 dias
Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies
Considerações:
Estabilizador de mastócito: a adesão costuma ser baixa, pela frequência das aplicações [4]
Cromoglicato: Maxicrom® tem bula de uso adulto e não deve ser usado abaixo de 4 anos [10]
Olopatadina: a partir de 3 anos; não usar lente de contato com o olho vermelho [11][12]
Alcaftadina: a partir de 2 anos [3][13]
Conjuntivite gonocócica e por clamídia
Gonocócica [1]:
Suspeitar se: secreção purulenta muito abundante, edema palpebral acentuado, linfonodo pré-auricular e evolução rápida
Risco de infiltrado ou úlcera de córnea, com possível perfuração
Conduta:
Encaminhar com urgência ao oftalmologista; seguimento diário até a resolução
Tratamento sistêmico obrigatório: conferir o protocolo Gonorreia e Clamídia
Lavagem com SF 0,9% para conforto
Excluir Neisseria meningitidis antes de atribuir o quadro ao gonococo
Internação pode ser necessária para antibiótico parenteral nos casos graves
Clamídia (conjuntivite de inclusão do adulto) [1]:
Suspeitar se: conjuntivite folicular que persiste por várias semanas
Tratamento sistêmico, inclusive empírico quando o quadro é muito sugestivo: conferir o protocolo Gonorreia e Clamídia
Colírio associado ao tratamento sistêmico: sem dados que sustentem o uso
Reavaliar após o tratamento, pelo risco de falha
Considerar coinfecção por gonococo
Em ambas [1]:
Tratar as parcerias sexuais e investigar outras infecções sexualmente transmissíveis
Criança: considerar abuso sexual; conferir o protocolo Violência / abuso sexual
Conjuntivite herpética
Herpes simples [1]:
Geralmente unilateral, com secreção aquosa e folículos; pode haver vesículas ou úlceras palpebrais e ceratite dendrítica
Bilateral com mais frequência em atópicos, crianças e imunocomprometidos
Corticoide tópico potencializa a infecção epitelial: não usar
Encaminhar ao oftalmologista; história de doença ocular herpética também indica avaliação especializada
Lesão labial ou cutânea associada: conferir o protocolo Herpes Simples em adultos
Varicela-zóster [1]:
Erupção vesicular em dermátomo, muitas vezes com dor intensa, ou varicela com vesículas palpebrais ou conjuntivais
Encaminhar ao oftalmologista; conferir o protocolo Herpes Zoster em adultos
Lágrima artificial
Indicação: alívio da irritação nas conjuntivites viral e alérgica [1]
Esquemas [1][4][14][15][17]:
Carmelose Sódica (colírio) (Fresh Tears®) sol. oft. 0,5% (frasco 5, 10 ou 15 mL)
1 gota no olho afetado, até 4 a 6 vezes ao dia
Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies; manter fechado após o uso
Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®) sol. oft. 0,1% + 0,3% (frasco 15 mL)
1 gota no olho afetado, até 4 a 6 vezes ao dia
Administração: via oftálmica, no saco conjuntival; não encostar a ponta do frasco nos olhos
Considerações:
Uso mais frequente: preferir lubrificante sem conservante, que pode ser usado sem limite de frequência [4][17]
Carmelose (Fresh Tears®): uso adulto; Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®): uso adulto e pediátrico [14][15]
💊 Como prescrever?
Tobramicina [2][5]:
Tobramicina sol. oft. (Tobrex®) sol. oft. 3 mg/mL (frasco 5 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia
Duração:
Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias
AAO: 5 a 7 dias
Administração: via oftálmica; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras; não encostar a ponta do frasco no olho
Ofloxacino [2][6]:
Ofloxacino sol. oft. (Oflox®) sol. oft. 3 mg/mL (frasco 5 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia
Duração:
Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias
AAO: 5 a 7 dias
Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies
Ciprofloxacino [2][7]:
Ciprofloxacino (Ciloxan®) sol. oft. 3,5 mg/mL de cloridrato (3 mg/mL de ciprofloxacino) (frasco 5 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia
Duração:
Ministério da Saúde e SESA-ES: 7 dias
AAO: 5 a 7 dias
Administração: via oftálmica; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras; não encostar a ponta do frasco no olho
Gentamicina [3][8]:
Gentamicina (Sulfato de Gentamicina Allergan) sol. oft. 5 mg/mL (frasco 5 mL)
2 gotas no olho afetado, 4 a 5 vezes ao dia
Duração:
SESA-ES: 7 dias
AAO: 5 a 7 dias
Administração: via oftálmica, sem orientações específicas.
Cromoglicato dissódico [2][4]:
Cromoglicato dissódico (Cromolerg®, Maxicrom®) sol. oft. 2% ou 4% (frasco 5 mL)
Ministério da Saúde e SESA-ES:
1 a 2 gotas no olho afetado a cada 8 horas, por 14 dias
Diretriz brasileira de conjuntivite alérgica pediátrica:
A cada 6 a 8 horas, por pelo menos 2 semanas
Administração: via oftálmica; não encostar o conta-gotas nos olhos ou em qualquer objeto
Olopatadina [2][11]:
Olopatadina (Patanol®) sol. oft. 0,1% (frasco 5 mL)
1 gota no olho afetado a cada 12 horas, por 30 dias
Administração: via oftálmica; instilar com o frasco a 45°; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras
Olopatadina (Patanol® S) sol. oft. 0,2% (frasco 2,5 mL)
1 gota no olho afetado a cada 24 horas, por 30 dias
Administração: via oftálmica; instilar com o frasco a 45°; após instilar, ocluir o ponto lacrimal ou fechar suavemente as pálpebras
Alcaftadina [3][13]:
Alcaftadina (Lastacaft®) sol. oft. 0,25% (frasco 3 mL)
1 gota no olho afetado a cada 24 horas, por 30 dias
Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies
Lágrima artificial [4][14]:
Carmelose Sódica (colírio) (Fresh Tears®) sol. oft. 0,5% (frasco 5, 10 ou 15 mL)
1 gota no olho afetado, até 4 a 6 vezes ao dia
Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies; manter fechado após o uso
Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®) sol. oft. 0,1% + 0,3% (frasco 15 mL)
1 gota no olho afetado, até 4 a 6 vezes ao dia
Administração: via oftálmica, no saco conjuntival; não encostar a ponta do frasco nos olhos
Particularidades na criança
Recém-nascido no primeiro mês: conferir o protocolo Oftalmia / conjuntivite neonatal; a internação é obrigatória na conjuntivite neonatal [1]
Lactente e criança com conjuntivite bacteriana [1]:
Examinar os ouvidos; otite média associada: conferir o protocolo Otite Média Aguda na Criança
Idade mínima dos colírios: conferir as considerações de cada bloco em "Conjuntivite bacteriana" e "Conjuntivite alérgica"
Conjuntivite gonocócica, por clamídia ou pediculose palpebral: considerar abuso sexual [1]
Referências
[1] AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY; CHEUNG, Albert Y.; CHOI, Daniel S.; AHMAD, Sumayya; et al. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern®. San Francisco: American Academy of Ophthalmology, 2023 (aprovado em 22 set. 2023). Disponível em: https://www.aao.org/education/preferred-practice-pattern/conjunctivitis-ppp-2023. Acesso em: 22 out. 2026.
[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea: queixas mais comuns na Atenção Básica. Cadernos de Atenção Básica, n. 28, v. II. 1. ed., 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Cap. 2.22, Urgências oftalmológicas: "olho vermelho". Disponível em: https://sites.usp.br/guiacseb/wp-content/uploads/sites/943/2023/02/caderno28.pdf.
[3] ESPÍRITO SANTO. Secretaria de Estado da Saúde. Protocolo de Oftalmologia: Autorregulação Formativa Territorial. Vitória, 2021. Disponível em: https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Publicações%20em%20PDF/ARFT%20Oftalmologia%20site.pdf.
[4] RONCONI, Cristiana Soares; ISSAHO, Dayane C.; EJZENBAUM, Fabio; et al. Diretrizes brasileiras sobre o monitoramento e tratamento da conjuntivite alérgica pediátrica. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, v. 85, n. 4, p. 415-425, 2022. DOI: 10.5935/0004-2749.20220053. Disponível em: https://aboonline.org.br/details/6221/pt-BR.
[5] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Tobrex® (tobramicina): solução oftálmica 3 mg/mL e pomada oftálmica 3 mg/g. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 10/09/2025.
[6] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Oflox® (ofloxacino): solução oftálmica 3 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 02/12/2025.
[7] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Ciloxan® (cloridrato de ciprofloxacino): solução oftálmica 3,5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 21/08/2015.
[8] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Sulfato de gentamicina: solução oftálmica 5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 29/03/2021.
[9] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Cromolerg® (cromoglicato dissódico): solução oftálmica 20 mg/mL e 40 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 19/07/2013.
[10] ALCON LABORATÓRIOS DO BRASIL. Maxicrom® (cromoglicato dissódico): solução oftálmica 2% e 4%. Bula.
[11] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Patanol® e Patanol® S (cloridrato de olopatadina): solução oftálmica 1,11 mg/mL e 2,22 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 15/04/2020.
[12] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Patanol® S (cloridrato de olopatadina): solução oftálmica 2,22 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 14/10/2025.
[13] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Lastacaft® (alcaftadina): solução oftálmica 2,5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 18/12/2025.
[14] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Fresh Tears® (carmelose sódica): solução oftálmica 5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde.
[15] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Lacrima® Plus (dextrana 70 + hipromelose): solução oftálmica 1,0 mg/mL + 3,0 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 01/09/2021.
[16] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão (CID-10). Capítulo VII: Doenças do olho e anexos (H00-H59). Versão em português, DATASUS.
[17] AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY; AMESCUA, Guillermo; AHMAD, Sumayya; CHEUNG, Albert Y.; et al. Dry Eye Syndrome Preferred Practice Pattern®. San Francisco: American Academy of Ophthalmology, 2023 (aprovado em 22 set. 2023). Disponível em: https://www.aao.org/education/preferred-practice-pattern/dry-eye-syndrome-ppp-2023. Acesso em: 22 out. 2026.
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