Cefaleia Aguda no Adulto
CID-10: R51 - Cefaléia
Outros temas:
Introdução
A cefaleia é classificada em primária ou secundária [1]:
Primária: doença cujo sintoma principal são episódios recorrentes de dor de cabeça, como migrânea, cefaleia do tipo tensional e cefaleia em salvas [1].
Secundária: sintoma de uma doença subjacente, neurológica ou sistêmica, como meningite, dengue ou tumor cerebral [1].
Na urgência, os objetivos são o alívio da dor e a exclusão de cefaleia secundária [1]. A cefaleia responde por 4,5% dos atendimentos em unidades de emergência e é o quarto motivo mais frequente de consulta nas unidades de urgência [1]. No Brasil, a prevalência anual da migrânea é de 15,8%, com pico entre 30 e 50 anos [1].
🔑 Pontos-chave:
Cefaleia de início súbito, com intensidade máxima em até 1 minuto, é sinal de alerta [1][2]: suspeitar de hemorragia subaracnóidea e acionar a regulação para hospital terciário [1].
Com exame neurológico normal e pico da dor em até 1 hora, a regra de Ottawa ajuda a afastar hemorragia subaracnóidea; a presença de qualquer um dos seus critérios indica investigação [4].
TC de crânio sem contraste normal, feita em até 6 horas do início da dor, afasta hemorragia subaracnóidea não traumática no paciente com exame neurológico normal [4].
Sinal ou sintoma isolado, inclusive rigidez de nuca, não afasta hemorragia subaracnóidea [4].
Cefaleia iniciada após os 50 anos é sinal de alerta [1][5].
Opioides não devem ser prescritos na crise de migrânea; a meperidina é proscrita [1][2].
Analgésicos comuns e opioides são ineficazes na cefaleia em salvas [1].
Triptano é contraindicado na doença cardíaca isquêmica, no AVC isquêmico [2] e na hipertensão arterial não tratada [7].
Triptano não se associa a ergotamínico: só pode ser usado 24 horas depois da di-hidroergotamina [2].
Uso de triptano, ergotamínico, opioide ou analgésico combinado em 10 ou mais dias por mês, ou de analgésico simples ou AINE em 15 ou mais dias por mês, por 3 meses ou mais, sugere cefaleia por uso excessivo de medicamentos [6].
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza a avaliação inicial do adulto com cefaleia na urgência. A primeira pergunta é se há algum sinal de alerta (conferir em Sinais de alerta); o padrão de cefaleia em salvas sem outro sinal de alerta segue pelo ramo Não. Se houver sinal de alerta, pergunta-se se há febre. Com febre, pergunta-se se há suspeita de infecção sistêmica (síndrome gripal, dengue, sinusite) sem nenhum outro sinal de alerta; a ausência de rigidez de nuca e de rebaixamento da consciência não afasta neuroinfecção. Se sim, faz-se tratamento sintomático e/ou antibiótico conforme o diagnóstico provável, com retorno breve se piorar. Se não, aciona-se a Central de Regulação para hospital terciário, com leito de observação, jejum, fluidos IV e antitérmicos VO, IV ou IM; na suspeita de meningite bacteriana, conferir o protocolo Meningite bacteriana (adulto e criança). Sem febre, pergunta-se se o início foi súbito, com intensidade máxima em até 1 minuto: se sim, Central de Regulação imediata para hospital terciário, com jejum, observação, proteção de vias aéreas, oxigênio se necessário e acesso venoso (conferir em Cefaleia súbita); se não, investiga-se cefaleia secundária com TC, RM, punção lombar e/ou exames laboratoriais, conforme o caso, e, na cefaleia crônica progressiva, aciona-se a Central de Regulação para avaliação por neurologista em até 15 dias. Sem sinal de alerta, pergunta-se se há migrânea ou cefaleia tensional em 15 ou mais dias por mês: se sim, na crise, considerar clorpromazina IM (0,1 a 0,25 mg/kg, repetida em 1 hora se a dor persistir, até 3 doses), evitando analgésicos e antimigranoso agudo, e, na alta, encaminhar ao ambulatório de neurologia (conferir em Cefaleia crônica no pronto atendimento); se não, define-se o padrão da crise (conferir em Diagnóstico das cefaleias primárias). Na cefaleia do tipo tensional, analgésico e/ou AINE por via oral e seguimento na UBS. Na migrânea, seguir para o fluxograma da crise de migrânea. Na cefaleia em salvas, oxigênio a 100% em máscara não reinalante (10 a 12 L/min por 20 minutos) ou sumatriptano subcutâneo (6 mg, dose única); depois, ECG e checagem de contraindicações antes do verapamil, início do verapamil por via oral (80 mg de 8 em 8 horas) com prednisona por via oral como ponte, discussão de neuroimagem com o neurologista no primeiro surto ou com exame neurológico alterado, e encaminhamento ao neurologista. Um ícone de alerta marca, após o nome, clorpromazina, sumatriptano, verapamil e AINE parenteral; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: AINE, anti-inflamatório não esteroidal; ECG, eletrocardiograma; IM, intramuscular; IV, intravenoso; RM, ressonância magnética; TC, tomografia computadorizada; UBS, Unidade Básica de Saúde; VO, via oral. Fonte: referências [1], [5], [6] e [7] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1792506359219_979a3ad6.png)
![O fluxograma organiza o tratamento da crise de migrânea na urgência a partir da duração da dor. Com dor há 72 horas ou menos, mantém-se repouso em penumbra e jejum, com soro fisiológico 0,9% IV se houver desidratação; administra-se antiemético IV ou IM se houver vômitos ou uso prévio de medicações e, em seguida, analgésico ou AINE IV ou IM (conferir em Esquema de tratamento da crise de migrânea). Se houver melhora em 1 hora, alta com seguimento na UBS. Sem melhora, aplica-se sumatriptano subcutâneo (6 mg, repetido uma vez em 2 horas, se necessário; conferir em Crise de migrânea com menos de 72 horas); com melhora após 2 horas de observação, alta com seguimento na UBS; sem melhora, Central de Regulação para hospital terciário, com avaliação de neurologista. Com dor há mais de 72 horas (estado migranoso), administra-se soro fisiológico 0,9% IV (500 mL em pinça aberta) e o tratamento da crise associado a dexametasona IV (10 mg, dose única). Com melhora, alta com seguimento na UBS e ambulatório de neurologia. Sem melhora, clorpromazina IM (0,1 a 0,25 mg/kg), repetida em 1 hora se a dor persistir, até 3 doses (conferir em Estado migranoso e crise refratária); com melhora, alta com seguimento na UBS e ambulatório de neurologia; sem melhora, Central de Regulação para hospital terciário, com avaliação de neurologista. Um ícone de alerta marca, após o nome, AINE parenteral, sumatriptano e clorpromazina; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: AINE, anti-inflamatório não esteroidal; IM, intramuscular; IV, intravenoso; SF, soro fisiológico; UBS, Unidade Básica de Saúde. Fonte: referências [1], [2] e [3] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1792506359351_6ec56e99.png)
Avaliação inicial
Classificar o quadro em um dos cenários [1]:
Cefaleia aguda emergente: dor nova ou francamente diferente das anteriores. Conferir em Sinais de alerta
Cefaleia crônica progressiva: dor diária de intensidade crescente. Conferir em Cefaleia crônica no pronto atendimento
Cefaleia aguda recorrente: cefaleia do tipo tensional episódica, migrânea, cefaleia em salvas. Conferir em Diagnóstico das cefaleias primárias
Cefaleia crônica não progressiva: migrânea crônica ou cefaleia do tipo tensional crônica. Conferir em Cefaleia crônica no pronto atendimento
Antes de tratar [2]:
Estabelecer o diagnóstico
Identificar as medicações já usadas na crise, com as doses
Investigar sintomas associados: náuseas, vômitos, fotofobia, fonofobia, sintomas neurológicos focais e/ou sistêmicos
Exames de imagem:
Não solicitar neuroimagem apenas para tranquilizar o paciente com cefaleia tensional, migrânea, salvas ou cefaleia por uso excessivo de medicamentos [6]
Não há indicação de eletroencefalograma nem de radiografia de seios da face nesse contexto [2]
Sinais de alerta (red flags)
Sinal de alerta (red flag) indica investigação. Sinal laranja (orange flag) só é alarmante quando ocorre com outro sinal laranja ou vermelho [5].
Perguntas a se fazer: [5]
Existem características de cefaleia secundária na dor do paciente?
Existem características de cefaleia secundária no exame físico do paciente?
Existem características no paciente que aumentam a chance de cefaleia secundária?
Red flags conforme SNNOOP10: [5]
O mnemônico SNNOOP10 é um lembrete dos Red Flags (sinais de alarme) para a presença de doenças subjacentes graves que podem causar cefaleia aguda ou subaguda:
S- Sintomas sistêmicos, incluindo febre
N - Neoplasm history (Histórico de neoplasias)
N - Neurologic deficit (Déficit neurológico, incluindo rebaixamento do nível de consciência)
O - Onset is sudden (Início súbito ou abrupto)
O - Older age (Idade avançada: início após os 50 anos)
P - Pattern change (Mudança de padrão ou início recente de nova dor de cabeça)
P - Positional headache (Dor de cabeça posicional)
P - Precipitado por espirro, tosse ou exercício
P - Papiledema
P - Progressive headache (Cefaléia progressiva e apresentações atípicas)
P - Pregnancy (Gravidez ou puerpério)
P - Painful eye (Dor ocular com características autonômicas)
P - Post-traumatic onset (Início de cefaleia após trauma)
P - Pathology of the immune system (Doença ou terapia imunossupressora)
P - Painkiller overuse (Uso excessivo de analgésicos, ergotamínicos outriptanos)
Qualquer um desses achados deve levar a uma investigação mais aprofundada, incluindo exames de imagem como ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC).
Sinal ou sintoma | Cefaleias secundárias relacionadas | Classificação |
|---|---|---|
Início súbito ou abrupto | Hemorragia subaracnóidea e outras cefaleias atribuídas a distúrbio vascular craniano ou cervical | Alerta |
Déficit ou disfunção neurológica, incluindo rebaixamento da consciência | Distúrbios vasculares e não vasculares intracranianos, abscesso cerebral e outras infecções | Alerta |
Sintomas sistêmicos, incluindo febre | Infecção, distúrbio intracraniano não vascular, carcinoide, feocromocitoma | Alerta (laranja se febre isolada) |
Papiledema | Neoplasias e outros distúrbios intracranianos não vasculares, hipertensão intracraniana | Alerta |
Início pós-traumático | Cefaleia pós-traumática aguda e crônica, hematoma subdural e outros distúrbios vasculares | Alerta se relacionada diretamente ao trauma; laranja se crônica |
Doença do sistema imune, como HIV | Infecções oportunistas | Alerta |
Neoplasia na história | Neoplasia cerebral, metástase | Alerta |
Gestação ou puerpério | Distúrbios vasculares cranianos ou cervicais, cefaleia pós-punção dural, distúrbios hipertensivos (como pré-eclâmpsia), trombose de seio venoso cerebral, hipotireoidismo, anemia, diabetes | Alerta |
Idade acima de 50 anos | Arterite de células gigantes e outros distúrbios vasculares cranianos ou cervicais, neoplasias e outros distúrbios intracranianos não vasculares | Alerta |
Olho doloroso com sinais autonômicos | Doença da fossa posterior, da região hipofisária ou do seio cavernoso, síndrome de Tolosa-Hunt, causas oftalmológicas | Alerta |
Cefaleia progressiva e apresentações atípicas | Neoplasias e outros distúrbios intracranianos não vasculares | Alerta |
Mudança de padrão ou cefaleia de início recente | Neoplasias, distúrbios vasculares e não vasculares intracranianos | Alerta |
Cefaleia posicional | Hipertensão ou hipotensão intracraniana | Alerta |
Desencadeada por espirro, tosse ou exercício | Malformações da fossa posterior, malformação de Chiari | Alerta |
Uso excessivo de analgésico ou fármaco novo no início da cefaleia | Cefaleia por uso excessivo de medicamentos, incompatibilidade com o fármaco | Alerta |
Fonte: [5]
Sinais adicionais:
Primeira ou pior cefaleia da vida [2]
Cefaleia que piora com febre [6]
Disfunção cognitiva de início recente ou alteração de personalidade [6]
Crise convulsiva [2]
Trauma craniano recente [2], em geral nos últimos 3 meses [6]
Glaucoma agudo ou outro distúrbio ocular agudo [2][6]
Sintomas sugestivos de arterite de células gigantes [6]
Aura persistente ou prolongada [2]
Progressão subaguda (dias a semanas), com aumento de intensidade e/ou frequência [2]
Cefaleia nova a partir dos 50 anos [2]
Cefaleia nova com qualquer um [6]: imunossupressão (HIV, imunossupressores), idade abaixo de 20 anos com história de neoplasia, neoplasia que metastatiza para o cérebro, vômitos sem outra causa evidente
Desencadeada por atividade sexual ou manobra de Valsalva [2]
Dor sempre do mesmo lado ou exclusivamente occipital [2]
Ausência de melhora com tratamento adequado [2]
Com sinal de alerta, exames conforme a indicação de cada caso [2]:
TC de crânio e/ou de seios da face
RM de crânio, com sequências adequadas ao caso
Punção lombar com exame completo do líquor
Exames laboratoriais e/ou radiológicos na suspeita de doença sistêmica
Considerações adicionais:
Destino conforme o quadro:
Conferir em Cefaleia súbita e Cefaleia com febre
Olho doloroso com sinais autonômicos no padrão da cefaleia em salvas, sem outro sinal de alerta:
Tratar a crise e definir a neuroimagem como em Cefaleia em salvas [1][5][6][7]
Cefaleia súbita
Definição de início súbito:
Protocolo nacional e consenso brasileiro: intensidade máxima em até 1 minuto [1][2]
SNNOOP10: intensidade máxima em menos de 1 minuto [5]
NICE: intensidade máxima em até 5 minutos [6]
Diagnósticos a considerar, sem febre:
Hemorragia subaracnóidea, hemorragia intraparenquimatosa, AVC isquêmico, hidrocefalia aguda, trombose venosa cerebral [1]
Protocolo nacional, unidade de urgência [1]:
Acionar a Central de Regulação para transferência imediata ao hospital terciário
Medidas de suporte: jejum, leito de observação, proteção de vias aéreas, oxigênio se necessário, acesso venoso periférico
ACEP, pronto-socorro: regra de Ottawa para hemorragia subaracnóidea [4]:
Aplica-se a todos: exame neurológico normal e pico da dor em até 1 hora do início
Não se aplica com qualquer um: déficit neurológico novo, aneurisma prévio, hemorragia subaracnóidea prévia, tumor cerebral, história de cefaleias semelhantes (≥ 3 episódios em ≥ 6 meses)
Alta sensibilidade para afastar hemorragia subaracnóidea, baixa especificidade para confirmá-la
Não usar um único sinal ou sintoma isolado para afastar hemorragia subaracnóidea, mesmo a rigidez de nuca
Critério de alto risco (investigar se qualquer um estiver presente) |
|---|
Idade ≥ 40 anos |
Queixa de dor ou rigidez cervical |
Perda de consciência testemunhada |
Início durante esforço |
Cefaleia em trovoada (dor com pico instantâneo) |
Limitação da flexão cervical ao exame |
Fonte: [4]
ACEP, pronto-socorro: investigação [4]:
TC de crânio sem contraste, em aparelho de no mínimo terceira geração, normal e feita em até 6 horas do início da dor: afasta hemorragia subaracnóidea não traumática no paciente com exame neurológico normal
Hemoglobina abaixo de 10 g/dL pode reduzir a acurácia da TC para hemorragia subaracnóidea [4]
Risco persistente após TC sem contraste negativa: punção lombar ou angiotomografia, escolhidas por decisão compartilhada com o paciente
Fora do escopo dessas recomendações: gestantes, trauma, cefaleia crônica e exame neurológico com achado focal [4]
Cefaleia com febre
Diagnósticos a considerar [1]:
Infecção sistêmica: resfriado comum, dengue, gripe, sinusite
Infecção do SNC: meningite, encefalite, abscesso cerebral, empiema
Febre isolada é sinal laranja:
Febre com outros sintomas sistêmicos é sinal de alerta [5]
A tríade febre, rigidez de nuca e rebaixamento da consciência: [5]
Está ausente em muitos casos de neuroinfecção, portanto sua ausência não afasta o diagnóstico.
Conduta [1]:
Suspeita de infecção sistêmica sem sinais de alerta: tratamento sintomático e/ou antibiótico conforme o diagnóstico provável; orientar retorno breve se houver piora
Febre com sinais de alerta:
Acionar a Central de Regulação para hospital terciário; a remoção pode ser feita por unidade de suporte básico
Leito de observação, jejum, reposição de fluidos IV e antitérmicos VO, IV ou IM
Suspeita de meningite bacteriana: conferir o protocolo Meningite bacteriana (adulto e criança)
Diagnóstico das cefaleias primárias
Característica | Cefaleia do tipo tensional | Migrânea (com ou sem aura) | Cefaleia em salvas |
|---|---|---|---|
Localização | Bilateral | Unilateral ou bilateral | Unilateral (ao redor do olho, acima do olho e ao longo da lateral da cabeça ou da face) |
Qualidade | Em pressão ou aperto (não pulsátil) | Pulsátil | Variável (pontada, perfurante, em queimação, latejante ou em aperto) |
Intensidade | Leve ou moderada | Moderada ou forte | Forte ou muito forte |
Efeito nas atividades | Não piora com atividades habituais | Piora com, ou leva a evitar, atividades habituais | Inquietude ou agitação |
Outros sintomas | Nenhum | Sensibilidade incomum à luz e/ou ao som, ou náuseas e/ou vômitos; aura | Do mesmo lado da dor: olho vermelho e/ou lacrimejante, congestão nasal e/ou rinorreia, edema palpebral, sudorese frontal e facial, miose e/ou ptose |
Duração da dor | 30 minutos a contínua | 4 a 72 horas | 15 a 180 minutos |
Fonte: [6]
Migrânea [1]:
Unilateral em dois terços das crises, em geral mudando de lado entre as crises
Duração maior que 72 horas: estado migranoso. Conferir em Estado migranoso e crise refratária
Aura [6]:
Suspeitar com sintomas neurológicos, com ou sem cefaleia, que tenham todos: totalmente reversíveis; instalação gradual, isolados ou em sucessão, em pelo menos 5 minutos; duração de 5 a 60 minutos
Sintomas típicos: visuais (luzes cintilantes, pontos ou linhas, perda parcial da visão), sensitivos (formigamento, dormência) e alteração da fala
Investigar e/ou encaminhar com qualquer um destes sintomas atípicos: fraqueza motora, diplopia, sintomas visuais em um só olho, desequilíbrio, rebaixamento da consciência
Cefaleia em salvas [1]:
Dor excruciante, sempre do mesmo lado, em região orbital, supraorbital e/ou temporal
Uma a oito crises por dia, em surtos de um a três meses; frequentemente desperta o paciente à noite
Inquietude e agitação durante a crise
Cefaleia do tipo tensional, protocolo nacional [1]:
Pode melhorar com atividade física; surge em geral no fim do dia
Pode haver foto e/ou fonofobia; náuseas e vômitos estão ausentes
Exame neurológico normal; pode haver hipertonia e hiperestesia da musculatura pericraniana
Crise de migrânea com menos de 72 horas
Sequência de atendimento [1]:
Repouso em penumbra, em ambiente tranquilo e silencioso
Jejum, com reposição de SF 0,9% IV se houver sinais de desidratação
Antiemético parenteral se houver vômitos ou uso prévio de medicações
Analgésico ou AINE parenteral
Reavaliar em 1 hora; sem melhora: sumatriptano SC
Melhora da dor: alta, com seguimento na UBS
Piora ou ausência de melhora após 2 horas de observação: Central de Regulação para hospital terciário, com avaliação de neurologista
Passo 1, antiemético:
Protocolo nacional: indicado se houver vômitos ou uso prévio de medicações [1]
Dimenidrinato [1][9][21]
Dimenidrinato (Dramin B6 DL®) sol. inj. IV 3 mg + 5 mg + 100 mg + 100 mg/mL (ampola 10 mL)
Dimenidrinato 30 mg (1 ampola) IV
Administração: exclusivamente IV
Infusão: diluir em 100 mL de SF 0,9%
Bolus: diluir em 10 mL de SF 0,9% e injetar lentamente, em no mínimo 2 minutos
Dimenidrinato (Dramin B6®) sol. inj. IM 50 mg + 50 mg/mL (ampola 1 mL)
Dimenidrinato 50 mg (1 ampola) IM
Administração: exclusivamente IM, lentamente, na região glútea
Considerações
Dramin B6 DL®: contraindicado na intolerância hereditária à frutose [21]
Metoclopramida [3][9]
Metoclopramida (Plasil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
10 mg + SF0,9% 100 ml, 8/8h, IV lento (max 30mg/dia).
Administração: segundo a bula, doses de até 10 mg podem ser feitas sem diluição IV em no mínimo 3 min, no entanto, é comum optar pela diluição no intuito de reduzir o risco de acatisia.
Considerações
Usada mesmo na ausência de náuseas [2][6]
Risco de sintomas extrapiramidais, maior com história pessoal ou familiar de sintomas extrapiramidais, idade mais jovem e uso mais prolongado [3]
Acatisia: a difenidramina é usada como adjuvante [3]
Intervalo mínimo de 6 horas entre as doses [9]
Contraindicada com levodopa [9]
Passo 2, analgésico ou AINE parenteral:
Dipirona [1][2][3][9][15]
Dipirona (Novalgina®) sol. inj. 500 mg/mL (ampola 2 mL)
1g IV de até 6/6h
Administração: diluir em 8 mL de água destilada; velocidade máxima de 500 mg/min
Considerações
Pode causar hipotensão: aplicar IV lentamente [9][15]
Contraindicada com qualquer um: doença da medula óssea ou do sistema hematopoiético; broncoespasmo ou reação anafilactoide prévia; porfiria aguda intermitente; deficiência de G6PD [15]
Cetoprofeno [1][9][10][15]
Cetoprofeno (Artrinid®) pó liofilizado IV 100 mg (frasco)
100 mg IV
Administração: reconstituir com 5 mL de SF 0,9%; diluir em 100 mL de SF 0,9%; infundir em no mínimo 20 minutos
Cetoprofeno (Profenid®) sol. inj. IM 50 mg/mL (ampola 2 mL)
100 mg IM
Administração: IM profunda e lenta, no quadrante superior externo da nádega; aspirar antes de injetar; não misturar com outros fármacos na mesma seringa
Considerações
Contraindicado com qualquer um: hipersensibilidade a AINE ou ácido acetilsalicílico; úlcera péptica ou sangramento gastrintestinal; qualquer hemorragia, inclusive cerebrovascular; insuficiência cardíaca, hepática ou renal grave; terceiro trimestre da gestação; suspeita de dengue [10]
IM: contraindicado com anticoagulação em curso [10]
Cetorolaco [3][15][20]
Cetorolaco (Toragesic®) sol. inj. 30 mg/mL (ampola 1 mL e 2 mL)
10 a 30 mg IV, em dose única
A partir de 65 anos ou com insuficiência renal: 10 a 15 mg IV, em dose única
Administração: IV em bolus, em no mínimo 15 segundos; para infusão, diluir 30 mg em 50 mL de SF 0,9%
Considerações
Apenas sem contraindicação a AINE [3]
Contraindicado com qualquer um: sangramento cerebrovascular suspeito ou comprovado; insuficiência renal moderada a grave (TFG ≤ 59 mL/min/1,73 m²); hipovolemia ou desidratação; uso de anticoagulante; gestação [20]
Não usar por mais de 2 dias [20]
Não misturar na mesma seringa com morfina, petidina, prometazina ou hidroxizina [20]
Diclofenaco [3][14]
Diclofenaco (Voltaren®) sol. inj. 75 mg/3 mL (ampola 3 mL)
75 mg IM
Administração: IM profunda e lenta, exclusivamente no quadrante superior externo da região glútea, com a agulha perpendicular à pele; aspirar antes de injetar; não aplicar no braço nem em tecido subcutâneo; não misturar com outras soluções
Considerações
Apenas sem contraindicação a AINE [3]
Não usar a forma injetável por mais de 2 dias [14]
Nível de recomendação C na AHS 2025 [3]
Passo 3, triptano, sem melhora em 1 hora:
Sumatriptano [1][2][3][9][18]
Sumatriptano (Sumax®) sol. inj. 6 mg/0,5 mL (seringa 0,5 mL)
Protocolo nacional:
6 mg (1 seringa) SC; repetir uma vez em 2 horas, se necessário
AHS 2025:
3 a 6 mg SC
Dose máxima: 2 aplicações (12 mg) por dia
Administração: via SC, no lado externo do braço ou da coxa, em prega cutânea, com a agulha em ângulo levemente inclinado; aspirar antes de injetar e, se vier sangue, nova punção; seringa descartável
Considerações
Contraindicado com qualquer um: doença cardíaca isquêmica ou AVC isquêmico [2]; hipertensão arterial não tratada [7]
Bula do Sumax®, contraindicado também com qualquer um: angina, inclusive de Prinzmetal; hipertensão não controlada; doença vascular periférica; AVC ou AIT prévio; IMAO em uso ou suspenso há menos de 2 semanas; insuficiência hepática grave; idade acima de 65 anos [18]
Contraindicado na migrânea com aura de tronco encefálico, migrânea hemiplégica e migrânea com aura prolongada [2]
Uso de ISRS ou IRSN: risco de síndrome serotoninérgica; observar o paciente [18]
Não associar a ergotamínico: após o triptano, a di-hidroergotamina só pode ser usada 6 horas depois; após a di-hidroergotamina, o triptano só pode ser usado 24 horas depois [2]
Ergotamínico, isometepteno ou triptano já usados na crise: preferir dipirona IV ou AINE IV [2]
Opressão torácica, cervical ou craniana minutos após a aplicação é efeito adverso inofensivo; avisar o paciente [2]
Antes da alta, prevenção de recorrência:
Dexametasona [3][9]
Dexametasona (Decadron®) sol. inj. 4 mg/mL (ampola 2,5 mL)
8 a 16 mg IV
Administração: IV lento
Considerações
Usar com baixo risco de exposição cumulativa a corticoide [3]
Alternativa ou complemento em qualquer passo, bloqueio anestésico:
Bloqueio do nervo occipital maior [3][9][16][19]
Lidocaína 1% sem vasoconstritor (Xylestesin®) sol. inj. 10 mg/mL (frasco-ampola 20 mL)
0,5 a 3 mL por infiltração do nervo occipital maior
Administração: infiltração perineural; aspirar antes de injetar, para evitar injeção intravascular
Bupivacaína 0,5% sem vasoconstritor sol. inj. 5 mg/mL (frasco-ampola 20 mL)
0,5 a 3 mL por infiltração do nervo occipital maior
Administração: infiltração perineural; aspirar antes e durante a injeção; injetar lentamente
Considerações
Apenas sem contraindicação a anestésico local ou a injeção local [3]
Monitorar a dose total de anestésico local, para evitar toxicidade sistêmica [3]
Lidocaína: dose máxima individual de 4,5 mg/kg [16]
Bupivacaína: dose máxima de 2 mg/kg em 4 horas, até 150 mg [19]
Resposta melhor quando feito por médico experiente no procedimento [3]
Bloqueio do nervo supraorbital [3][16]
Lidocaína 1% sem vasoconstritor (Xylestesin®) sol. inj. 10 mg/mL (frasco-ampola 20 mL)
0,25 mL por infiltração do nervo supraorbital
Administração: infiltração perineural; aspirar antes de injetar, para evitar injeção intravascular
Considerações
Indicado quando o bloqueio occipital é insuficiente ou não é opção; melhor em associação ao bloqueio do nervo occipital maior [3]
Estado migranoso e crise refratária
Estado migranoso: cefaleia intensa por mais de 72 horas, com intervalos livres inferiores a 12 horas, em geral com náuseas e vômitos e risco de desidratação [1]
Sequência de atendimento [1]:
Repouso em penumbra, em ambiente tranquilo e silencioso
Jejum e acesso venoso; SF 0,9% 500 mL em pinça aberta, se necessário
Tratamento da crise como em Crise de migrânea com menos de 72 horas, associado a dexametasona
Sem melhora com dexametasona na urgência da UBS: transferir para UPA, para clorpromazina e manutenção do SF 0,9%
Melhora: alta da UPA com seguimento na UBS e encaminhamento a ambulatório de neurologia
Sem melhora após três doses de clorpromazina: Central de Regulação para hospital terciário
Hidratação: manter SF 0,9% durante a clorpromazina, para prevenir hipotensão postural [1][2]
Cloreto de sódio 0,9% sol. inj. (bolsa 500 mL)
500 mL IV
Administração: infusão em pinça aberta
Corticoide:
Dexametasona [1][2][3][9]
Dexametasona (Decadron®) sol. inj. 4 mg/mL (ampola 2,5 mL)
Protocolo nacional:
10 mg (1 ampola) IV
AHS 2025:
8 a 16 mg IV
Administração: IV lento
Considerações
Indicação adicional: prevenção de recorrência após a alta [2][3]
Para alívio da dor, nível de recomendação C na AHS 2025; usar com baixo risco de exposição cumulativa a corticoide [3]
Antagonista dopaminérgico:
Níveis de recomendação da AHS 2025 válidos para pacientes com baixo risco de sintomas extrapiramidais [3]
Clorpromazina [1][3][9][13]
Clorpromazina (Longactil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 5 mL)
IM (protocolo nacional):
0,1 a 0,25 mg/kg IM; se a dor persistir em 1 hora, repetir, até no máximo três doses
IV (AHS 2025):
12,5 a 25 mg IV
Administração:
IM: IM profunda, evitando aplicação superficial (solução irritante); manter o paciente deitado, sem travesseiro, por 30 minutos após a aplicação
IV: diluir a 1 mg/mL; não exceder 1 mg/min
Considerações
Contraindicada com qualquer um: glaucoma de ângulo fechado; risco de retenção urinária por problema uretroprostático; uso de levodopa; coma barbitúrico ou etílico; sensibilidade a fenotiazínico; doença cardiovascular grave; depressão grave do SNC [13]
Prolonga o intervalo QT, com risco maior na bradicardia, na hipopotassemia e no QT longo congênito ou adquirido: considerar ECG antes da aplicação [13]
Cautela ou avaliação de risco-benefício com qualquer um: idoso ou debilitado; doença de Parkinson; distúrbio convulsivo; doença hepática; discrasia sanguínea; uso de álcool ou lítio [13]
Amamentação contraindicada [13]
Risco de hipotensão arterial e de sintomas extrapiramidais, como rigidez muscular e inquietude; orientar o paciente a não se levantar bruscamente [1]
Não repetir a dose se ocorrer hipotensão ou sintoma extrapiramidal [1]
IV: nível de recomendação C na AHS 2025, quando metoclopramida não é apropriada ou não está disponível [3]
Uso IV fora da bula [13]
Haloperidol [3][9]
Haloperidol (Haldol®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 1 mL)
5 mg IV
Administração: IV direto lento
Considerações
Nível de recomendação C na AHS 2025, quando metoclopramida não é apropriada ou não está disponível [3]
Maior risco de sintomas extrapiramidais entre os antagonistas dopaminérgicos [3]
Monitorização contínua de ECG na via IV [9]
Uso IV fora da bula [9]
Droperidol [3][9][12]
Droperidol (Droperdal®) sol. inj. 2,5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,75 a 8,25 mg IM
Administração: IM, com agulha 21G a 23G, de 25 a 40 mm
Considerações
Nível de recomendação C na AHS 2025, quando metoclopramida não é apropriada ou não está disponível [3]
ECG de 12 derivações antes da aplicação; monitorizar sinais vitais e ECG [12]
Bloqueio do nervo occipital maior também é opção: conferir em Crise de migrânea com menos de 72 horas [3]
O que não usar na crise de migrânea
Opioides:
Não prescrever: há medicações mais eficazes, sem risco de abuso e dependência [1][2]; preferir não opioides na cefaleia primária aguda [4]
Meperidina: proscrita, pelo metabólito neurotóxico normeperidina [2]
Paracetamol associado a codeína ou tramadol: não recomendado [2]
Tramadol isolado: desencorajado [2]
Hidromorfona IV: não oferecer, salvo exceções muito selecionadas, sem alternativa terapêutica e com resposta prévia estável a opioide e baixo risco de dependência ou de cefaleia por uso excessivo de medicamentos [3]
Ergotamínicos: NICE, não oferecer na crise de migrânea [6]
Difenidramina IV: pode não ser oferecida para alívio da dor (nível C); usada como adjuvante na acatisia [3]
Cefaleia do tipo tensional
Conduta [1]:
Orientar paciente e familiares sobre a baixa gravidade do quadro, sem necessidade de especialista nem de exames complementares
Medidas educativas: sono regular, evitar bebidas alcoólicas, controle do estresse (técnicas de relaxamento, atividade física leve), lazer
Analgésico e/ou AINE, escolhido pela experiência anterior do paciente e pela tolerância ao fármaco
Sem resposta em 1 ou 2 horas: usar outra medicação
Seguimento na UBS
Não oferecer opioides [6]
Analgésicos e AINE [1][9][15]
Paracetamol (Tylenol®) comp. 500 mg e 750 mg
750 a 1.000 mg VO até de 6/6 h
Administração: via oral; absorção mais rápida em jejum
Dipirona comp. 500 mg e 1 g
500 a 1.000 mg VO até de 6/6 h
Administração: via oral, pode ser ingerida com ou sem alimentos
Ibuprofeno comp. 400 mg e 600 mg
400 a 800 mg VO até de 6/6 h
Administração: via oral, pode ser ingerido com ou sem alimentos
Diclofenaco (Voltaren®) comp. 50 mg
50 mg VO até de 8/8 h
Administração: ingerir com alimentação, leite ou um copo de água
Cetoprofeno (Profenid®) cáps. 50 mg
50 mg VO até de 6/6 h
Administração: ingerir com alimentação, leite ou um copo de água
Naproxeno comp. 250 mg e 500 mg
500 mg na dose inicial; depois 250 mg VO até de 6/6 h
Administração: via oral, pode ser ingerido em jejum ou com a alimentação
Considerações
Associação com cafeína aumenta a eficácia analgésica [1]
Naproxeno: o protocolo nacional nomeia o sal sódico, mas as doses de 500 mg e 250 mg correspondem às apresentações de naproxeno (o naproxeno sódico é de 275 mg e 550 mg) [1]
Cefaleia em salvas
Crise [1][6][7]:
Oxigênio a 100% ou sumatriptano SC
Sumatriptano: evitar se o paciente usou algum vasoconstritor [1]
Não usar:
Protocolo nacional: analgésicos comuns e opioides, ineficazes [1]
NICE: paracetamol, AINE, opioides, ergotamínicos e triptano oral [6]
Oxigênio [1][6][7]
Oxigênio a 100%
Via máscara não reinalante 10 a 12 L/min por 15 a 20 minutos
Administração: máscara não reinalante com bolsa reservatório
Considerações
Melhor efeito no início da crise [7]
Sumatriptano [1][6][7][9][18]
Sumatriptano (Sumax®) sol. inj. 6 mg/0,5 mL (seringa 0,5 mL)
6 mg (1 seringa) SC
Administração: via SC, no lado externo do braço ou da coxa, em prega cutânea, com a agulha em ângulo levemente inclinado; aspirar antes de injetar e, se vier sangue, nova punção; seringa descartável
Considerações
Contraindicado com qualquer um: doença cardíaca isquêmica ou AVC isquêmico [2]; hipertensão arterial não tratada [7]
Bula do Sumax®, contraindicado também com qualquer um: angina, inclusive de Prinzmetal; hipertensão não controlada; doença vascular periférica; AVC ou AIT prévio; IMAO em uso ou suspenso há menos de 2 semanas; insuficiência hepática grave; idade acima de 65 anos [18]
Uso de ISRS ou IRSN: risco de síndrome serotoninérgica; observar o paciente [18]
Após a crise [1]:
Evitar fatores desencadeantes (bebidas alcoólicas, substâncias voláteis) até o fim do período de crises
Encaminhar ao neurologista em nível secundário
Neuroimagem:
Primeiro surto: discutir a necessidade de neuroimagem com o neurologista [6]
RM de crânio, preferencialmente, com qualquer um: diagnóstico inicial; exame neurológico alterado e/ou sinais de alerta na história [7]
Olho doloroso com sinais autonômicos é sinal de alerta: pode ser secundário a lesão estrutural mesmo com quadro típico [5]
Terapia de transição e preventiva iniciada na urgência:
Verapamil: preventivo de escolha [6][7][11]
Verapamil (Dilacoron®) comp. rev. 80 mg
80 mg VO de 8/8 h
Ajuste até a dose-alvo de 360 mg/dia no seguimento
Administração: deglutir com um pouco de água, sem mastigar nem chupar
Considerações
ECG obrigatório antes de iniciar [7]
Contraindicado com qualquer um: bloqueio AV de 2º ou 3º grau ou doença do nó sinusal sem marca-passo; choque cardiogênico; insuficiência cardíaca com fração de ejeção abaixo de 35%; flutter ou fibrilação atrial com via acessória; uso de ivabradina [11]
Betabloqueador: potencialização mútua, com risco de bloqueio AV, bradicardia, insuficiência cardíaca e hipotensão [11]
Monitorar pressão arterial e ECG, com ECG a cada aumento de dose; um terço desenvolve bradicardia e um quinto, distúrbio de condução atrioventricular [7]
Sem experiência com o uso na cefaleia em salvas: discutir com especialista antes de iniciar, inclusive sobre a monitorização por ECG [6]
Efeito em 2 a 3 semanas: associar prednisona como ponte [7]
Ao fim do surto, não suspender abruptamente: reduzir em 2 a 4 semanas [7]
Prednisona: ponte até o efeito do verapamil [7]
Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg e 20 mg
60 a 100 mg VO em dose única pela manhã por 5 dias
Depois, reduzir 10 mg a cada 4 dias
Administração: pela manhã, após o desjejum
Considerações
Associar proteção gástrica [7]
Evitar uso prolongado [7]
As crises podem recorrer quando a dose chega a 10 a 20 mg/dia [7]
Bloqueio do nervo occipital maior com corticoide: ponte até o efeito do verapamil; encaminhar ao neurologista para o procedimento [7]
Considerações
O volume da fonte (betametasona 2,5 mL) não corresponde à apresentação brasileira de dipropionato e fosfato de betametasona, de ampola de 1 mL: dose e técnica definidas pelo neurologista [7][17]
Cefaleia crônica no pronto atendimento
Cefaleia crônica não progressiva:
Diagnósticos [1][6]:
Migrânea crônica: cefaleia em 15 ou mais dias por mês, com características de migrânea em ao menos 8 desses dias, por mais de 3 meses
Cefaleia do tipo tensional crônica:
Protocolo nacional: 15 ou mais dias por mês ou 180 ou mais dias por ano [1]
NICE: 15 ou mais dias por mês, por mais de 3 meses [6]
Na sobreposição, qualquer característica de migrânea define migrânea crônica [6]
Fatores de risco para cronificação da migrânea [1]:
Consumo de triptano, ergotamínico ou analgésico combinado em mais de 10 dias por mês
Consumo de analgésico simples ou AINE em mais de 15 dias por mês
Transtornos psiquiátricos (pânico, depressão e/ou ansiedade), uso excessivo de cafeína, obesidade, disfunção temporomandibular
Conduta [1]:
Tratamento da crise: evitar analgésicos e antimigranoso agudo; pode-se usar clorpromazina IM
Clorpromazina [1][13]
Clorpromazina (Longactil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 5 mL)
0,1 a 0,25 mg/kg IM; se a dor persistir em 1 hora, repetir, até no máximo três doses
Administração: IM profunda, evitando aplicação superficial (solução irritante); manter o paciente deitado, sem travesseiro, por 30 minutos após a aplicação
Considerações
Contraindicada com qualquer um: glaucoma de ângulo fechado; risco de retenção urinária por problema uretroprostático; uso de levodopa; coma barbitúrico ou etílico; sensibilidade a fenotiazínico; doença cardiovascular grave; depressão grave do SNC [13]
Prolonga o intervalo QT, com risco maior na bradicardia, na hipopotassemia e no QT longo congênito ou adquirido: considerar ECG antes da aplicação [13]
Cautela ou avaliação de risco-benefício com qualquer um: idoso ou debilitado; doença de Parkinson; distúrbio convulsivo; doença hepática; discrasia sanguínea; uso de álcool ou lítio [13]
Amamentação contraindicada [13]
Risco de hipotensão arterial e de sintomas extrapiramidais; orientar o paciente a não se levantar bruscamente [1]
Não repetir a dose se ocorrer hipotensão ou sintoma extrapiramidal [1]
Na alta:
Evitar o uso de analgésicos, cujo uso diário piora a cefaleia crônica
Medidas educativas:
Sono regular, evitar bebidas alcoólicas, controle do estresse, lazer
Encaminhar ao neurologista ambulatorialmente:
A UBS segue as comorbidades
Cefaleia por uso excessivo de medicamentos:
Suspeitar quando a cefaleia surgiu ou piorou durante o uso, por 3 meses ou mais, de qualquer um [6]:
Triptano, opioide, ergotamínico ou analgésico combinado em 10 ou mais dias por mês
Paracetamol, ácido acetilsalicílico ou AINE, isolados ou combinados, em 15 ou mais dias por mês
Conduta [6]:
Explicar que o tratamento é a retirada do medicamento usado em excesso
Suspender todos os medicamentos usados em excesso por no mínimo 1 mês, de forma abrupta, e não gradual
Opioide: seguir a orientação específica de prescrição segura e de retirada de medicamentos associados a dependência [6]
Avisar que a cefaleia tende a piorar antes de melhorar e que pode haver sintomas de abstinência
Não oferecer rotineiramente retirada em internação
Considerar encaminhamento ao especialista e/ou retirada em internação com qualquer um: uso de opioide forte, comorbidade relevante, falhas repetidas de retirada
Reavaliar o diagnóstico 4 a 8 semanas após o início da retirada
Cefaleia crônica progressiva:
Quadro típico: dor diária de intensidade progressiva, holocraniana, pior ao acordar e com atividade física, tosse ou manobra de Valsalva [1]
Diagnósticos a considerar: hipertensão liquórica, neoplasia intracraniana, hematoma subdural crônico, abscesso cerebral, cefaleia pós-traumática, hipertensão intracraniana idiopática, meningite crônica associada ou não a HIV [1]
Sempre investigar [1]
Conduta [1]:
Encaminhar guia de referência à Central de Regulação, para avaliação por neurologista em hospital terciário em no máximo 15 dias
Orientar retorno à UPA ou contato com o SAMU 192 com qualquer um: convulsão, vômitos, rebaixamento do nível de consciência, diplopia, estrabismo, perda de força
💊 Como prescrever?
Crise de migrânea
Dimenidrinato [1][9]:
Dimenidrinato (Dramin B6 DL®) sol. inj. IV 3 mg + 5 mg + 100 mg + 100 mg/mL (ampola 10 mL)
Dimenidrinato 30 mg (1 ampola) IV
Administração: exclusivamente IV
Infusão: diluir em 100 mL de SF 0,9%
Bolus: diluir em 10 mL de SF 0,9% e injetar lentamente, em no mínimo 2 minutos
Dimenidrinato (Dramin B6®) sol. inj. IM 50 mg + 50 mg/mL (ampola 1 mL)
Dimenidrinato 50 mg (1 ampola) IM
Administração: exclusivamente IM, lentamente, na região glútea
Metoclopramida [3][9]:
Metoclopramida (Plasil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
10 mg + SF0,9% 100 ml, 8/8h, IV lento (max 30mg/dia).
Administração: segundo a bula, doses de até 10 mg podem ser feitas sem diluição IV em no mínimo 3 min, no entanto, é comum optar pela diluição no intuito de reduzir o risco de acatisia.
Dipirona [1][2]:
Dipirona (Novalgina®) sol. inj. 500 mg/mL (ampola 2 mL)
1 g IV de até 6/6h
Administração: diluir em 8 mL de água destilada; velocidade máxima de 500 mg/min
Cetoprofeno [1][10]:
Cetoprofeno (Artrinid®) pó liofilizado IV 100 mg (frasco)
100 mg IV
Administração: reconstituir com 5 mL de SF 0,9%; diluir em 100 mL de SF 0,9%; infundir em no mínimo 20 minutos
Cetoprofeno (Profenid®) sol. inj. IM 50 mg/mL (ampola 2 mL)
100 mg IM
Administração: IM profunda e lenta, no quadrante superior externo da nádega; aspirar antes de injetar; não misturar com outros fármacos na mesma seringa
Cetorolaco [3][20]:
Cetorolaco (Toragesic®) sol. inj. 30 mg/mL (ampola 1 mL e 2 mL)
10 a 30 mg IV, em dose única
A partir de 65 anos ou com insuficiência renal: 10 a 15 mg IV, em dose única
Administração: IV em bolus, em no mínimo 15 segundos; para infusão, diluir 30 mg em 50 mL de SF 0,9%
Diclofenaco [3][14]:
Diclofenaco (Voltaren®) sol. inj. 75 mg/3 mL (ampola 3 mL)
75 mg IM
Administração: IM profunda e lenta, exclusivamente no quadrante superior externo da região glútea, com a agulha perpendicular à pele; aspirar antes de injetar; não aplicar no braço nem em tecido subcutâneo; não misturar com outras soluções
Sumatriptano [1][3]:
Sumatriptano (Sumax®) sol. inj. 6 mg/0,5 mL (seringa 0,5 mL)
Aplicar 1 amp SC (subcutâneo).
Pode ser administrada dose adicional (6 mg) após, pelo menos, 1 hora (max 12 mg/dia).
Contraindicação:
Cardiopatia isquêmica, HAS ou DAOP não controladas, história de AVE ou AIT.
Caso o paciente tenha utilizado algum medicamento vasoconstritor, o sumatriptano deve ser evitado.
Dexametasona [3][9]:
Dexametasona (Decadron®) sol. inj. 4 mg/mL (ampola 2,5 mL)
8 a 16 mg (geralmente 10 mg) IV
Administração: IV lento
Bloqueio do nervo occipital maior [3][16]:
Lidocaína 1% sem vasoconstritor (Xylestesin®) sol. inj. 10 mg/mL (frasco-ampola 20 mL)
0,5 a 3 mL por infiltração do nervo occipital maior
Administração: infiltração perineural; aspirar antes de injetar, para evitar injeção intravascular
Bupivacaína 0,5% sem vasoconstritor sol. inj. 5 mg/mL (frasco-ampola 20 mL)
0,5 a 3 mL por infiltração do nervo occipital maior
Administração: infiltração perineural; aspirar antes e durante a injeção; injetar lentamente
Bloqueio do nervo supraorbital [3][16]:
Lidocaína 1% sem vasoconstritor (Xylestesin®) sol. inj. 10 mg/mL (frasco-ampola 20 mL)
0,25 mL por infiltração do nervo supraorbital
Administração: infiltração perineural; aspirar antes de injetar, para evitar injeção intravascular
Estado migranoso e crise refratária
Hidratação [1][2]:
Cloreto de sódio 0,9% sol. inj. (bolsa 500 mL)
500 mL IV
Administração: infusão em pinça aberta
Dexametasona [1][3]:
Dexametasona (Decadron®) sol. inj. 4 mg/mL (ampola 2,5 mL)
10 mg IV
Administração: IV bolus lento.
Clorpromazina [1][3]:
Clorpromazina (Longactil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 5 mL)
Intramuscular: 0,1 a 0,25 mg/kg IM; se a dor persistir em 1 hora, repetir, até no máximo três doses
Ou intravenoso: 12,5 a 25 mg IV
Administração:
IM: IM profunda, evitando aplicação superficial (solução irritante); manter o paciente deitado, sem travesseiro, por 30 minutos após a aplicação
IV: diluir a 1 mg/mL; não exceder 1 mg/min
Haloperidol [3][9]:
Haloperidol (Haldol®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 1 mL)
5 mg IV
Administração: IV direto lento
Droperidol [3][12]:
Droperidol (Droperdal®) sol. inj. 2,5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,75 a 8,25 mg IM
Administração: IM, com agulha 21G a 23G, de 25 a 40 mm
Cefaleia do tipo tensional
Analgésicos e AINE [1][9]:
Paracetamol (Tylenol®) comp. 500 mg e 750 mg
750 a 1.000 mg VO até de 6/6 h
Administração: via oral; absorção mais rápida em jejum
Dipirona comp. 500 mg e 1 g
500 a 1.000 mg VO até de 6/6 h
Administração: via oral, pode ser ingerida com ou sem alimentos
Ibuprofeno comp. 400 mg e 600 mg
400 a 800 mg VO até de 6/6 h
Administração: via oral, pode ser ingerido com ou sem alimentos
Diclofenaco (Voltaren®) comp. 50 mg
50 mg VO até de 8/8 h
Administração: ingerir com alimentação, leite ou um copo de água
Cetoprofeno (Profenid®) cáps. 50 mg
50 mg VO até de 6/6 h
Administração: ingerir com alimentação, leite ou um copo de água
Naproxeno comp. 250 mg e 500 mg
500 mg na dose inicial; depois 250 mg VO até de 6/6 h
Administração: via oral, pode ser ingerido em jejum ou com a alimentação
Cefaleia em salvas
Oxigênio [1][7]:
Oxigênio a 100%
Administrar por máscara não reinalante em 10-12 L/min, por 15-20 min.
Sumatriptano [1][7]:
Sumatriptano (Sumax®) sol. inj. 6 mg/0,5 mL (seringa 0,5 mL)
6 mg (1 seringa) SC (subcutâneo), repetindo a dose, se necessário, em 2 horas.
Administração: via SC, no lado externo do braço ou da coxa, em prega cutânea, com a agulha em ângulo levemente inclinado; aspirar antes de injetar e, se vier sangue, nova punção; seringa descartável
Verapamil [7][11]:
Verapamil (Dilacoron®) comp. rev. 80 mg
80 mg VO de 8/8 h
Ajuste até a dose-alvo de 360 mg/dia no seguimento
Administração: deglutir com um pouco de água, sem mastigar nem chupar
Prednisona [7]:
Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg e 20 mg
60 a 100 mg VO em dose única pela manhã por 5 dias
Depois, reduzir 10 mg a cada 4 dias
Administração: pela manhã, após o desjejum
Cefaleia crônica no pronto atendimento
Clorpromazina [1][13]:
Clorpromazina (Longactil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 5 mL)
0,1 a 0,25 mg/kg IM; se a dor persistir em 1 hora, repetir, até no máximo três doses
Administração: IM profunda, evitando aplicação superficial (solução irritante); manter o paciente deitado, sem travesseiro, por 30 minutos após a aplicação
Gestação
Analgésico de primeira escolha [2][9]:
Paracetamol (Tylenol®) comp. 500 mg e 750 mg
1.000 mg VO; repetir se necessário, até 4 g/dia
Administração: via oral; absorção mais rápida em jejum
Crise intensa com náuseas e vômitos [1][2]:
Metoclopramida (Plasil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
10 mg + SF0,9% 100 ml, 8/8h, IV lento (max 30mg/dia).
Ou 10 mg IM
Administração:
IV: segundo a bula, doses de até 10 mg podem ser feitas sem diluição IV em no mínimo 3 min, no entanto, é comum optar pela diluição no intuito de reduzir o risco de acatisia.
IM: aplicar lentamente
Ondansetrona (Ansentron®) sol. inj. 2 mg/mL (ampola 2 mL e 4 mL)
8 mg IV, até 3 doses por dia
Administração: até 8 mg, IV direto em 2 a 5 minutos, sem diluição
Clorpromazina (Longactil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 5 mL)
0,1 a 0,25 mg/kg IM; se a dor persistir em 1 hora, repetir, até no máximo três doses
Administração: IM profunda, evitando aplicação superficial (solução irritante); manter a paciente deitada, sem travesseiro, por 30 minutos após a aplicação
Prometazina (Fenergan®) sol. inj. 25 mg/mL (ampola 2 mL)
12,5 a 25 mg IM a cada 4 ou 6 horas, se necessário
Dose máxima: 100 mg/dia
Administração: IM profunda, via preferencial
Gestação
Considerações:
Gestação e puerpério são sinal de alerta para cefaleia secundária; Considerar distúrbios hipertensivos como pré-eclâmpsia [5]
Crise de baixa intensidade: medidas não farmacológicas podem bastar [2]
Analgésico de primeira escolha [2][6][9]
Paracetamol (Tylenol®) comp. 500 mg e 750 mg
1.000 mg VO; repetir se necessário, até 4 g/dia
Administração: via oral; absorção mais rápida em jejum
Considerações
Consenso brasileiro: pode ser usado isolado ou associado a codeína [2]
AINE:
Consenso brasileiro: ibuprofeno, naproxeno e indometacina apenas no primeiro e no segundo trimestres; não usar no terceiro trimestre [2]
NICE: considerar após discutir a necessidade e os riscos; cautela com uso prolongado após 20 semanas [6]
Triptano:
Consenso brasileiro: quando o benefício superar o risco [2]
NICE: considerar após discutir a necessidade e os riscos [6]
Crise intensa com náuseas e vômitos [1][2][9]
Metoclopramida (Plasil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
10 mg + SF0,9% 100 ml, 8/8h, IV lento (max 30mg/dia).
Ou 10 mg IM
Administração:
IV: segundo a bula, doses de até 10 mg podem ser feitas sem diluição IV em no mínimo 3 min, no entanto, é comum optar pela diluição no intuito de reduzir o risco de acatisia.
IM: aplicar lentamente
Ondansetrona (Ansentron®) sol. inj. 2 mg/mL (ampola 2 mL e 4 mL)
8 mg IV, até 3 doses por dia
Administração: até 8 mg, IV direto em 2 a 5 minutos, sem diluição
Clorpromazina (Longactil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 5 mL)
Protocolo nacional, adultos:
0,1 a 0,25 mg/kg IM; se a dor persistir em 1 hora, repetir, até no máximo três doses
Administração: IM profunda, evitando aplicação superficial (solução irritante); manter a paciente deitada, sem travesseiro, por 30 minutos após a aplicação
Prometazina (Fenergan®) sol. inj. 25 mg/mL (ampola 2 mL)
12,5 a 25 mg IM a cada 4 ou 6 horas, se necessário
Dose máxima: 100 mg/dia
Administração: IM profunda, via preferencial
Considerações
Podem ser associados a AINE, respeitando a restrição por trimestre acima, ou a opioides [2]
Clorpromazina e prometazina: dose de adulto, sem esquema específico para a gestação [1][9]
Clorpromazina: contraindicações e cuidados como em Estado migranoso e crise refratária; amamentação contraindicada [13]
Não usar [2]:
Domperidona: não recomendada
Ergotamínicos: proibidos
Alta e encaminhamento
Resposta favorável: todos [2]:
Alívio total ou significativo da dor, que permita retorno às atividades habituais
Alívio total ou significativo das náuseas, vômitos, mal-estar e demais sintomas associados
Paciente e família informados sobre o diagnóstico e seguros com a conduta
Orientações na alta [2]:
Seguimento ambulatorial; no SUS, na UBS [1]
Prescrever tratamento para recorrência da cefaleia
Orientar sobre o risco de cefaleia por uso excessivo de medicamentos [6]
Retornar ao serviço com qualquer um [2]:
Retorno da cefaleia, piora ou mudança de padrão
Febre
Vômitos ou dificuldade para ingerir líquidos
Tontura, vertigem, desequilíbrio ou dificuldade para andar
Alterações visuais, motoras ou de linguagem
Outras alterações que preocupem
Referências
[1] SPECIALI, José Geraldo; KOWACS, Fernando; JURNO, Mauro Eduardo; et al. Protocolo nacional para diagnóstico e manejo das cefaleias nas unidades de urgência do Brasil. Academia Brasileira de Neurologia, Departamento Científico de Cefaleia; Sociedade Brasileira de Cefaleia, 2018. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br.
[2] BORDINI, Carlos Alberto; ROESLER, Célia; CARVALHO, Deusvenir de Souza; et al. Recommendations for the treatment of migraine attacks: a Brazilian consensus. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 74, n. 3, p. 262-271, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0004-282X20150219.
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