Ondansetrona
Nomes comerciais:
- Zofran®, Vonau Flash®, Vonau®, Nausedron®, Ansentron®, Bienn Direct®, Enavo® ODT, Enjovix® Flash, Jofix®, Listo®, Naudan® ODT, Nautex®, Nautrodax®, Ondavon®, Ondif®, Ondset®, Ono®, Ondrau®, Ontrax®, Volig®, Vonset®
Apresentações:
- Comprimido de desintegração oral (ODT) 4 mg e 8 mg
- Comprimido revestido 8 mg
- Solução oral 4 mg/5 mL
- Solução injetável 2 mg/mL (ampolas de 2 mL = 4 mg ou de 4 mL = 8 mg)
Posologia:
-
Adultos:
- Via oral: [1][2][5]
- Prevenção de náuseas e vômitos em geral: 16 mg por dose.
- Indicação baseada exclusivamente nas bulas brasileiras (Vonau Flash®); o label do FDA não reconhece essa dose oral para indicação ampla não cirúrgica.
- Prevenção de NVPO (náuseas e vômitos pós-operatórios): 16 mg, 1 hora antes da indução anestésica.
- QT altamente emetogênica: dose única de 24 mg, 30 minutos antes da quimioterapia.
- QT moderadamente emetogênica: 8 mg, 30 minutos antes da QT; 8 mg 8 horas após a 1ª dose; manter 8 mg 2×/dia (12/12h) por 1–2 dias após o término da QT.
- Radioterapia (total do corpo): 8 mg, 1–2 horas antes de cada fração diária.
- Radioterapia (dose única elevada no abdome): 8 mg, 1–2 horas antes; doses subsequentes a cada 8 horas por 1–2 dias após o término.
- Radioterapia (frações diárias no abdome): 8 mg, 1–2 horas antes de cada sessão; doses subsequentes a cada 8 horas em cada dia de radioterapia.
- Prevenção de náuseas e vômitos em geral: 16 mg por dose.
- Via injetável (IV ou IM): [2][3]
- QT e RT em geral: 8 mg IV ou IM imediatamente antes do tratamento; seguido de 2 doses adicionais de 8 mg com intervalo de 2–4 horas, ou infusão contínua de 1 mg/h por até 24 horas.
- QT altamente emetogênica: dose IV inicial máxima de 16 mg, infundida em 15 minutos (não exceder 16 mg em dose IV única); pode-se associar dexametasona 20 mg IV.
- NVPO (prevenção): 4 mg IM ou IV lenta (≥30 segundos) na indução da anestesia.
- NVPO (tratamento): 4 mg IM ou IV lenta.
- Idosos: [1][2][5]
- Oral: mesma dose do adulto; sem ajuste necessário.
- IV (65–74 anos): dose inicial de 8 mg ou 16 mg em 15 min + 2 doses de 8 mg com intervalo ≥4 horas.
- IV (≥75 anos): dose inicial não deve exceder 8 mg em 15 min + 2 doses de 8 mg com intervalo ≥4 horas.
- Via oral: [1][2][5]
-
Pediátrico:
- Via oral:
- Crianças de 4–11 anos — QT moderadamente emetogênica: 4 mg, 30 min antes da QT; 4 mg 4 e 8 horas após a 1ª dose; manter 4 mg 3×/dia (8/8h) por 1–2 dias após o término da QT [5]
- Nota: as bulas brasileiras da formulação ODT (Vonau Flash®) recomendam uso a partir dos 2 anos de idade, com dose de 4 mg também para a faixa de 2–11 anos. O label do FDA estabelece a indicação oral para QT moderadamente emetogênica apenas a partir dos 4 anos [1][5]
- Adolescentes (12–17 anos) — QT moderadamente emetogênica: mesma dose do adulto (8 mg 30 min antes; 8 mg 8h após; 8 mg 2×/dia por 1–2 dias) [5]
- ≥11 anos (bula brasileira): mesma dose do adulto para as demais indicações orais [1]
- 2–11 anos (bula brasileira) — NVPO (prevenção): 4 mg (1 comprimido ODT de 4 mg), 1 hora antes da anestesia [1]
- Nota: o label do FDA informa que a eficácia e segurança da ondansetrona oral não foram estabelecidas em crianças para prevenção de NV associados a QT altamente emetogênica, radioterapia ou NVPO [5]
- Crianças de 4–11 anos — QT moderadamente emetogênica: 4 mg, 30 min antes da QT; 4 mg 4 e 8 horas após a 1ª dose; manter 4 mg 3×/dia (8/8h) por 1–2 dias após o término da QT [5]
- Via injetável:
- QT/RT (≥6 meses, 2–17 anos): [2][3]
- Por superfície corporal (SC): 5 mg/m² IV dose única (não exceder 8 mg); continuar oral 12h depois por até 5 dias
- SC ≥0,6 a ≤1,2 m²: 5 mg/m² IV + 4 mg oral após 12h; dias 2–6: 4 mg oral 12/12h
- SC >1,2 m²: 5 ou 8 mg/m² IV + 8 mg oral após 12h; dias 2–6: 8 mg oral 12/12h
- Por peso (>10 kg): 0,15 mg/kg IV dose única (não exceder 8 mg); dia 1: até 3 doses de 0,15 mg/kg a cada 4h; dias 2–6: 4 mg oral 12/12h
- Por superfície corporal (SC): 5 mg/m² IV dose única (não exceder 8 mg); continuar oral 12h depois por até 5 dias
- NVPO (≥1 mês a 17 anos): 0,1 mg/kg IV lenta, máximo 4 mg, antes, durante ou após a indução anestésica ou após a cirurgia [2][3]
- QT/RT (≥6 meses, 2–17 anos): [2][3]
- Via oral:
-
Administração:
- Via oral (comprimidos ODT): remover o comprimido com mãos secas, desprendendo o lacre (não empurrar através do blister); colocar imediatamente na ponta da língua, aguardar dissolução em segundos e engolir com saliva. Não é necessário administrar com líquidos [1][5]
- Via oral (comprimido revestido): ingerir preferencialmente com um copo de água; não partir, abrir ou mastigar [2]
- Via IV: doses >8 mg (até 16 mg) devem ser diluídas em 50–100 mL de SF 0,9% ou SG 5% e infundidas em no mínimo 15 minutos; doses ≤8 mg podem ser administradas sem diluição em injeção IV lenta (≥30 segundos); não administrar na mesma seringa ou infusão de outros medicamentos [2][3]
- Via IM: aplicação direta, sem necessidade de diluição [2][3]
- Dose esquecida (para o comprimido revestido): se o paciente sentir náusea ou ânsia de vômito ao lembrar, tomar a dose imediatamente e manter as demais no horário previsto; se não sentir sintomas, aguardar a próxima dose programada [2]
Ajuste para Insuficiência Renal:
- Adulto e pediátrico:
- Não é necessário ajuste de dose em nenhum grau de insuficiência renal. A excreção renal representa apenas ~5% da depuração total da ondansetrona [1][2][3][5]
- Em pacientes com disfunção renal moderada (clearance de creatinina 15–60 mL/min), houve discreto e clinicamente insignificante aumento da meia-vida de eliminação (5,4 horas) após administração IV [2][3]
- Em pacientes com disfunção renal grave em hemodiálise, o perfil farmacocinético permaneceu essencialmente inalterado após administração IV [2][3]
- Nota: o label do FDA descreve redução de ~50% no clearance plasmático em pacientes com disfunção renal grave (clearance de creatinina <30 mL/min), porém sem consistência suficiente para recomendar ajuste de dose [5]
Ajuste para Insuficiência Hepática:
-
Adulto:
- Leve a moderada: a depuração está reduzida em ~2× e a meia-vida aumenta para ~11,6 horas (vs. 5,7 horas em indivíduos normais). O label do FDA e a bula do Nausedron® não recomendam ajuste de dose nessa situação; a bula do Vonau Flash® também não menciona restrição de dose para insuficiência hepática leve a moderada [1][2][5]
- Grave (Child-Pugh ≥10): a depuração está reduzida em 2–3×, o volume de distribuição está aumentado e a meia-vida prolonga-se para ~20 horas; a biodisponibilidade oral pode atingir ~100% por redução do metabolismo pré-sistêmico. A dose diária total (oral ou IV) não deve exceder 8 mg [1][2][3][5]
-
Pediátrico: as fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste pediátrico em insuficiência hepática para além das recomendações gerais aplicáveis ao adulto.
Classe:
- Antiemético; antagonista seletivo dos receptores de serotonina do subtipo 3 (antagonista 5-HTâ ) [1][2][3][5]
Farmacologia:
-
Mecanismo de ação: [1][2][3][5]
- A ondansetrona bloqueia de forma potente e seletiva os receptores 5-HTâ presentes nos neurônios do sistema nervoso periférico (terminações vagais) e central (zona de gatilho quimiorreceptora da área postrema). Não é antagonista dopaminérgico
- Agentes quimioterápicos e radioterapia estimulam a liberação de 5-HT (serotonina) pelas células enterocromafins do intestino delgado; a serotonina ativa os aferentes vagais via receptores 5-HTâ , desencadeando o reflexo do vômito — mecanismo bloqueado pela ondansetrona
- A ativação dos aferentes vagais pode também liberar 5-HT na área extrema (assoalho do 4° ventrículo), promovendo vômito por via central, igualmente bloqueada pela ondansetrona
- O mecanismo de ação nas NVPO não está totalmente elucidado, mas presume-se que as vias sejam comuns às dos vômitos induzidos por citotóxicos
- Não altera as concentrações de prolactina plasmática, não estimula o peristaltismo gastrintestinal e não interfere na depressão respiratória induzida pelo alfentanil nem no bloqueio neuromuscular produzido pelo atracúrio
-
Farmacocinética: [1][2][3][5]
- Absorção oral: biodisponibilidade média de ~56%; pico plasmático em ~1,7–2,1 horas após dose única de 8 mg oral; a biodisponibilidade aumenta levemente com alimentos, mas não é alterada por antiácidos. Para doses acima de 8 mg, o aumento da exposição sistêmica é sub-proporcional — uma dose de 16 mg produziu uma ASC apenas ~24% maior do que a obtida com dose única de 8 mg (menos do que o dobro esperado em cinética linear). O mecanismo exato dessa não-linearidade não está completamente elucidado [5]
- Distribuição: ligação às proteínas plasmáticas de 70–76%; volume de distribuição de ~140 L no estado de equilíbrio em adultos; distribui-se também para eritrócitos
- Metabolismo: extensamente metabolizado no fígado pelas isoenzimas CYP1A2, CYP2D6 e CYP3A4 (esta última com papel predominante); via metabólica primária é a hidroxilação no anel indólico, seguida de conjugação com glicuronídeo ou sulfato; a deficiência genética de CYP2D6 não interfere clinicamente, pois as demais isoenzimas compensam
- Eliminação: menos de 5% da dose é excretada inalterada na urina; meia-vida de eliminação terminal de ~3 horas em adultos jovens saudáveis; em pacientes ≥75 anos, observa-se redução da depuração e aumento da meia-vida (sem necessidade de ajuste de dose)
- Diferença por sexo: mulheres apresentam maior taxa e extensão de absorção, menor clearance sistêmico e maior biodisponibilidade do que homens, resultando em concentrações plasmáticas mais altas; essa diferença não é considerada clinicamente relevante [5]
- Prolongamento do intervalo QT: a ondansetrona prolonga o QT de maneira dose-dependente. Em estudo controlado: com 32 mg IV em 15 min, a diferença máxima média do QTcF em relação ao placebo foi de 19,5–19,6 mseg; com 8 mg IV, foi de 5,6–5,8 mseg; com 16 mg IV (estimado por modelo farmacocinético-farmacodinâmico), ~9,1 mseg [2][3][5]
- Início de ação: para NVPO (oral, 16 mg): <1 hora; para NV por QT/RT (oral, 8 mg): dentro de 1–2 horas [2]
Tipo de Receita:
- Receituário simples (prescrição médica), para todas as apresentações orais
- A apresentação injetável é de uso restrito a estabelecimentos de saúde, sob prescrição médica [2][3]
Indicações:
-
Via oral — adultos: [1][2][5]
- Prevenção e tratamento de náuseas e vômitos em geral (bulas brasileiras) [1]
- Prevenção de NVPO (1 hora antes da anestesia)
- Prevenção de NV induzidos por QT altamente emetogênica (dose única de 24 mg)
- Prevenção de NV induzidos por QT moderadamente emetogênica
- Prevenção de NV induzidos por radioterapia (irradiação total do corpo, dose única elevada no abdome ou frações diárias no abdome)
-
Via oral — pediátrico: [1][5]
- Bulas brasileiras (Vonau Flash®): crianças ≥2 anos (4 mg) e ≥11 anos (8 mg) — prevenção e tratamento de NV em geral, incluindo QT, RT e NVPO [1]
- FDA label: a eficácia e segurança oral estão estabelecidas apenas para prevenção de NV por QT moderadamente emetogênica, em crianças ≥4 anos; não estão estabelecidas para QT altamente emetogênica, radioterapia ou NVPO em pediatria [5]
-
Via injetável: [2][3]
- Adultos e crianças ≥6 meses: controle de NV induzidos por quimioterapia e radioterapia
- Adultos e crianças ≥1 mês: prevenção e tratamento de NVPO
Contraindicações:
- Hipersensibilidade conhecida a qualquer componente da fórmula; reações cruzadas podem ocorrer em pacientes com hipersensibilidade a outros antagonistas seletivos 5-HTâ [1][2][3][5]
- Uso concomitante com cloridrato de apomorfina (risco de hipotensão profunda e perda de consciência) [1][2][3][5]
- Síndrome do QT longo congênito (evitar o uso) [1][2][5]
Efeitos Adversos:
-
Muito comuns (>1/10): [1][2][3]
- Cefaleia, constipação intestinal, diarreia (esta última especialmente na formulação ODT)
-
Comuns (>1/100 e ≤1/10): [1][2][3][5]
- Fadiga/mal-estar, exantema cutâneo, sensação de calor ou rubor; reações no local de injeção IV (formulação injetável); hipoxia e pirexia (observados especialmente nos estudos de NVPO)
-
Incomuns (>1/1.000 e ≤1/100): [1][2][3]
- Soluços, bradicardia, convulsões, transtornos do movimento — inclusive distúrbios extrapiramidais (crises oculógiras, reações distônicas, discinesia), arritmias, dor torácica com ou sem depressão do segmento ST, hipotensão, aumento assintomático de enzimas hepáticas (principalmente em pacientes em uso de cisplatina)
-
Raros (>1/10.000 e ≤1/1.000): [1][2][3]
- Broncoespasmo, anafilaxia, reações de hipersensibilidade imediata graves, tontura (predominantemente durante administração IV rápida), distúrbios visuais passageiros como visão turva (predominantemente IV), prolongamento do intervalo QT (incluindo Torsades de Pointes)
-
Muito raros (≤1/10.000): [1][2][3]
- Necrólise epidérmica tóxica, cegueira passageira (predominantemente IV; a maioria resolve-se em minutos, podendo durar até 48 horas; alguns casos foram classificados como de origem cortical)
-
Frequência desconhecida (pós-comercialização): [2][3][5]
- Isquemia miocárdica (relatada predominantemente durante e após administração IV, mas o label do FDA orienta monitoração também após uso oral); arritmias diversas (taquicardia ventricular e supraventricular, fibrilação atrial, extrassístoles ventriculares), bloqueio AV de 2° grau, síncope, urticária, Síndrome de Stevens-Johnson
Interações Medicamentosas:
- Apomorfina: contraindicada a associação; risco de hipotensão profunda e perda de consciência [1][2][3][5]
- Fármacos serotoninérgicos: risco de síndrome serotoninérgica (alteração do estado mental, instabilidade autonômica, anormalidades neuromusculares — podendo ser fatal). Pode ocorrer com ondansetrona isolada (em superdose), mas principalmente em associação com ISRSs (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), ISRSNs (inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina), inibidores da MAO (monoaminoxidase), mirtazapina, fentanil, lítio, tramadol e azul de metileno IV. Se o uso conjunto for clinicamente necessário, monitorar o paciente e orientá-lo sobre os sintomas [1][2][3][5]
- Tramadol: o label do FDA descreve que a ondansetrona pode aumentar a autoadministração controlada de tramadol pelo paciente (sugestivo de redução da analgesia), devendo-se monitorar a adequação do controle da dor. As bulas brasileiras mencionam que a ondansetrona pode reduzir o efeito analgésico do tramadol. A relevância clínica exata permanece debatida [1][2][3][5]
- Indutores potentes de CYP3A4 (fenitoína, carbamazepina, rifampicina): aumentam o clearance oral da ondansetrona, reduzindo suas concentrações plasmáticas. Não há necessidade de ajuste de dose conforme as fontes disponíveis [2][3][5]
- Medicamentos que prolongam o intervalo QT ou causam distúrbios eletrolíticos: usar com cautela; monitoração cardíaca (ECG) recomendada em pacientes de risco [1][2][3][5]
- Não há interações farmacocinéticas clinicamente significativas com álcool, temazepam, furosemida, propofol, carmustina, etoposida, cisplatina, metotrexato em altas doses (pediatria), alfentanil ou atracúrio [1][2][3][5]
Gestação:
-
Anvisa: [1][2]
- Categoria de risco B
- Com base em estudos epidemiológicos humanos, suspeita-se que a ondansetrona cause malformações orofaciais (especialmente fissuras orais) quando utilizada no primeiro trimestre. Estudo de coorte com 88.467 gestações identificou aumento de risco de fissuras orais (3 casos adicionais por 10.000 mulheres tratadas; RR ajustado 1,24; IC 95%: 1,03–1,48). Recomenda-se não utilizá-la durante o primeiro trimestre de gravidez
- Mulheres em idade fértil devem adotar métodos contraceptivos eficazes durante o uso
- Estudos em animais (ratos e coelhos) não demonstraram toxicidade reprodutiva direta ou indireta
- Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista
-
FDA: [5]
- Os estudos epidemiológicos disponíveis apresentam importantes limitações metodológicas que impedem conclusões definitivas sobre a segurança da ondansetrona na gestação
- Dados agregados não associaram a exposição à ondansetrona in utero a malformações congênitas maiores em geral. Um estudo retrospectivo com 1.970 mulheres não encontrou associação com malformações, abortamentos, óbitos fetais, prematuridade, baixo peso ou pequeno para idade gestacional
- Para malformações cardiovasculares: dois estudos de coorte e um caso-controle mostraram resultados inconsistentes (RR variando de 0,97 a 1,62). Um dos estudos encontrou associação específica com defeitos septais (RR 2,05; IC 95%: 1,19–3,28), não confirmada nos demais
- Para fissuras orais: o estudo de coorte no banco Medicaid (1,8 milhão de gestações) mostrou aumento de risco associado ao uso oral no primeiro trimestre (RR 1,24; IC 95%: 1,03–1,48), mas não com a via intravenosa (RR 0,95; IC 95%: 0,63–1,43). Dois estudos caso-controle apresentaram resultados conflitantes para fenda palatina isolada (OR 1,6 e 0,5, respectivamente)
- O momento exato da exposição em relação ao período de formação do palato (6ª a 9ª semanas) não pôde ser determinado nos estudos disponíveis
- Estudos em animais não demonstraram toxicidade reprodutiva relevante nas doses testadas (até 6 e 24 vezes a dose oral humana máxima recomendada, em ratos e coelhos, respectivamente)
Lactação:
-
Anvisa: [1][2]
- A ondansetrona é excretada no leite de animais; a excreção no leite humano não estava estabelecida nas bulas brasileiras disponibilizadas. Recomenda-se cautela no uso em lactantes; a bula do Nausedron® injetável recomenda que lactantes não amamentem durante o tratamento
- O uso no período de lactação depende da avaliação e acompanhamento médico
-
FDA: [5]
- A ondansetrona é improvável de resultar em exposições clinicamente relevantes em lactentes quando administrada por via IV em doses de até 4 mg/dia
- Um estudo farmacocinético com 80 mulheres em aleitamento que receberam ondansetrona IV (dose mediana de 4 mg) e 20 lactentes demonstrou que o fármaco está presente em baixos níveis no leite materno e no plasma dos lactentes; razão média leite/plasma: 0,91
- Dose diária estimada para o lactente (DID): 0,002 mg/kg/dia; dose relativa para o lactente (DRI): 3,7% de uma dose materna única ajustada por peso de 4 mg — valores considerados baixos
- Dentre os 20 lactentes com amostras coletadas, 35% apresentaram concentrações plasmáticas abaixo do limite de quantificação; entre os 13 com concentrações quantificáveis, a mediana foi de 0,78 ng/mL (máximo 7,2 ng/mL)
- Nenhum efeito adverso atribuído à ondansetrona foi relatado nos lactentes avaliados
- Não há dados sobre os efeitos da ondansetrona na produção de leite
Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:
As bulas brasileiras e o label americano não contêm orientações específicas sobre administração por sonda nasogástrica (SNG) ou nasoenteral (SNE). Com base em fontes técnicas confiáveis de farmácia clínica:
- Solução oral: é a forma preferencial para administração por SNG/SNE. Recomenda-se diluir com volume igual de água imediatamente antes da administração, a fim de reduzir a osmolaridade e a resistência ao fluxo na sonda; realizar flush da sonda com 15–30 mL de água antes e após a dose [4]
- Comprimidos ODT (ex.: Vonau Flash®): embora desenhados para desintegração na mucosa oral, esses comprimidos se dispersam rapidamente em pequena quantidade de água, sendo tecnicamente administráveis por sonda; trata-se, porém, de uso off-label e a avaliação caso a caso com o farmacêutico clínico é recomendada [4]
- Comprimidos revestidos convencionais (ex.: Nausedron® 8 mg): podem ser triturados, dispersos em água e administrados por sonda; também configurando uso off-label [4]
- Solução injetável: quando disponível, a via parenteral (IV ou IM) é preferível e elimina a necessidade de adaptação enteral
- Importante: a ondansetrona não deve ser utilizada como substituto da aspiração nasogástrica, pois não estimula o peristaltismo gástrico ou intestinal [1][2][3][5]
Fontes:
[1] Bula do Profissional de Saúde. Vonau Flash® (cloridrato de ondansetrona) 4 mg e 8 mg comprimidos de desintegração oral. Biolab Sanus Farmacêutica Ltda. Aprovada em 05/12/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[2] Bula do Profissional de Saúde. Nausedron® (cloridrato de ondansetrona) comprimidos revestidos 8 mg e solução injetável 4 mg/2 mL e 8 mg/4 mL. Cristália Prod. Quím. Farm. Ltda. Aprovada em 12/12/2025 (comprimido) e 08/04/2021 (injetável). Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[3] Bula do Profissional de Saúde. Cloridrato de ondansetrona solução injetável 2 mg/mL. Fresenius Kabi Brasil Ltda. Aprovada em 08/04/2021. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[4] NHS Grampian Pharmacy Department. Guidelines for the Administration of Medicines to Adults via Enteral Tubes within NHS Grampian – Version 3. Review date: July 2026. Identifier: NHSG/Guid/EnteralTubesA/MGPG1369. Available at: https://www.nhsgrampian.org/globalassets/services/medicines-management/policies/guide_enteraltubea.pdf
[5] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Ondansetron Tablets and Ondansetron Orally Disintegrating Tablets (RemedyRepack Inc. / Glenmark Pharmaceuticals). Revised: 4/2026. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search


