Angina Estável e Instável

CID-10: I209 - Angina pectoris, não especificada

CID-10: I200 - Angina instável

Introdução

  • A angina corresponde à manifestação clínica de isquemia miocárdica, geralmente causada por doença aterosclerótica das artérias coronárias. Pode se apresentar como angina estável, caracterizada por sintomas previsíveis desencadeados pelo esforço, ou como angina instável, integrante da síndrome coronariana aguda (SCA), decorrente de ruptura ou erosão de placa aterosclerótica com formação de trombo, apresentando elevado risco de infarto agudo do miocárdio (IAM) e morte.

  • O reconhecimento precoce da angina é fundamental na Atenção Primária e nos serviços de urgência, permitindo tratamento adequado e encaminhamento oportuno.

  • Epidemiologia

    • A doença arterial coronariana permanece entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo.

    • A incidência aumenta progressivamente após os 45 anos nos homens e após a menopausa nas mulheres.

    • Principais fatores de risco:

      • Hipertensão arterial;

      • Diabetes mellitus;

      • Dislipidemia;

      • Tabagismo;

      • Obesidade;

      • Sedentarismo;

      • Doença renal crônica;

      • História familiar de DAC precoce.

Conteúdo direto ao ponto, revisado e atualizado por médicos especialistas.
Exclusivo para médicos e estudantes de medicina.
Acesse o conteúdo completo

Classificações

Classificação da dor torácica:

  • Angina típica (definitiva)

    • Desconforto ou dor retroesternal +

    • Desencadeada pelo exercício ou estresse emocional +

    • Aliviada com o repouso ou uso de nitroglicerina

  • Angina atípica (provável)

    • Pelo menos 2 dos critérios acima.

  • Dor torácica não cardíaca

    • Nenhum dos critérios acima.

Graduação da angina (CCS):

  • Classe I:

    • Atividade física habitual, como caminhar, subir escadas, não provoca angina. Angina ocorre com esforços físicos prolongados e intensos

  • Classe II:

    • Discreta limitação para atividades habituais. A angina ocorre ao caminhar ou subir escadas rapidamente, caminhar em aclives, caminhar ou subir escadas após refeições, ou no frio, ou ao vento, ou sob estresse emocional, ou apenas durante poucas horas após o despertar. A angina ocorre após caminhar dois quarteirões planos ou subir mais de um lance de escada em condições normais

  • Classe III:

    • Limitação com atividades habituais. A angina ocorre ao caminhar um quarteirão plano ou subir um lance de escada.

  • Classe IV:

    • Incapacidade de realizar qualquer atividade habitual sem desconforto − os sintomas anginosos podem estar presentes no repouso.

Diferenciando angina estável e instável

Estável:

  • Dor ou desconforto (tórax, epigástrio, mandíbula, ombro, dorso ou membros superiores) tipicamente desencadeada ou agravada com a atividade física ou estresse emocional, e atenuada com repouso ou nitroglicerina e derivados. Não apresenta as características descritas abaixo para angina instável.

Instável:

  • Três principais apresentações:

    • Angina em repouso

      • Usualmente com duração maior que 20 minutos, ocorrendo há cerca de 1 semana

    • Angina de aparecimento

      • Com, pelo menos, graduação Classe III (CCS) e recente com início há 2 meses

    • Angina em crescendo

      • Angina previamente diagnosticada, que se apresenta mais frequente, com episódios de maior duração, ou com limiar menor

Manejo inicial na angina estável

Avaliar e considerar diagnósticos diferenciais.

Testes adicionais para complementação diagnóstica e prognóstica.

  • Existe uma variedade de métodos disponíveis, como:
    • Eletrocardiograma (ECG) de esforço
    • Ecocardiograma com estresse
    • Cintilografia miocárdica com estresse, tomografia
    • Ressonância Magnética Cardiovascular (RMC)
    • Cineangiocoronariografia (CATE)
  • A escolha de cada um desses métodos deve se basear em dados do paciente, como:
    • Condicionamento físico e a tolerabilidade ao esforço;
    • Achados no ECG de repouso, como o bloqueio de ramo, marca-passo definitivo, alterações de repolarização, entre outros;
    • História prévia de doença coronariana, como infarto do miocárdio ou revascularização;
    • Ocupação do paciente, como profissões em que há necessidade do diagnóstico preciso pelo risco a outras pessoas (piloto de avião p. ex.) ou ausência de socorro médico, caso haja um eventual Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).
Antiagregante plaquetário
Controle da PA
Controle da Dislipidemia
  • Ir para “Dislipidemia
  • Sinvastatina comp. 10mg ou 20mg ou 40mg
    • Tomar 1 cp (de 20 ou 40mg) à noite (20-40 mg/dia).
  • Atorvastatina comp. 10mg ou 20mg ou 40mg ou 80mg
    • Tomar 1 cp (de 10 ou 20mg) uma vez ao dia (10-20 mg/dia).
Antianginosos
  • Descritos no próximo tópico (abaixo).

Antianginosos na angina estável

Beta-bloqueadores:

  • Quando?
    • Como agente de primeira linha em pacientes com angina estável sem infarto do miocárdio prévio e/ou disfunção de ventrículo esquerdo.
    • Não usar em caso de angina vasoespástica ou angina de Prinzmetal
  • Succinato de Metoprolol comp. 25mg ou 50mg ou 100mg
    • Dose diária: 50 a 200 mg
    • Frequência: 1 vez ao dia.
  • Bisoprolol comp. 5mg ou 10mg
    • Dose diária: 5 a 20 mg
    • Frequência: 1 vez ao dia.
  • Carvedilol comp. 3,125mg ou 6,25mg ou 12,5mg ou 25mg
    • Dose diária: 12,5 a 50 mg
    • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.
Bloqueadores dos Canais de Cálcio (BCC):
  • Quando?
    • Como agentes de primeira linha para alívio sintomático em pacientes com angina vasoespástica.
    • Não usar BCC de ação rápida (Nifedipino).
    • Pode-se usar em monoterapia ou em associação com beta-bloqueador.
  • Anlodipino comp. 2,5mg ou 5mg ou 10mg
    • Dose diária: 2,5 a 10 mg.
    • Frequência: 1 vez ao dia.
  • Verapamil comp. 80mg ou 120mg ou 240mg
    • Dose diária: 120 a 360 mg
    • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.
  • Diltiazem comp. 30mg ou 60mg
    • Dose diária: 80 a 240 mg
    • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.
Nitratos:
  • Quando?
    • Nitratos de ação rápida para alívio sintomático das crises agudas de angina
    • Nitratos de ação prolongada como agente de terceira linha na angina estável ou de segunda linha na angina vasoespática.
  • Propatilnitrato (sustrate®) comp. 10mg (curta ação)
    • Tomar 1 cp sublingual se crise de angina ou antes de atividade sabidamente causadora (max 40mg/dia)
  • Dinitrato de isossorbida sublingual (Isordil sublingual®) comp. 5mg (curta ação)
    • Tomar 1 cp sublingual se crise de angina ou antes de atividade sabidamente causadora (max 30mg/dia)
  • Mononitrato de isossorbida sublingual (Monocordil sublingual®) comp. 5mg (curta ação)
    • Tomar 1 cp sublingual se crise de angina ou antes de atividade sabidamente causadora (max 30mg/dia)
  • Dinitrato de isossorbida (Isordil®) comp. 10mg
    • Tomar 1 cp às 8:00, as 13:00 e as 18:00 (14 horas livre), OU
    • Tomar 1 cp às 8:00, as 14:00 e as 20:00 (12 horas livre), OU
    • Tomar 1 cp às 6:00, as 12:00 e as 18:00 (12 horas livre)
    • Dessa forma, obtém-se um período livre para evitar a tolerância (max 120mg/dia).
  • Mononitrato de isossorbida (Monocordil®) comp. 20mg ou 40mg
    • Tomar 1 cp às 8:00 e as 15:00 (17 horas livre), OU
    • Tomar 1 cp às 8:00, as 14:00 e as 20:00 (12 horas livre), OU
    • Tomar 1 cp às 6:00, as 12:00 e as 18:00 (12 horas livre)
    • Dessa forma, obtém-se um período livre para evitar a tolerância (max 120mg/dia)
  • Mononitrato de isossorbida retard (Monocordil retard®) comp. 50mg
    • Tomar 1 cp pela manhã (max 100-200mg/dia).
Trimetazidina:
  • Quando?
    • Em pacientes com angina estável sintomática em uso de betabloqueadores isoladamente ou associados a outros agentes antianginosos (Grau de recomendação IIa)
    • Em pacientes com angina estável e disfunção de VE associado à terapia clínica otimizada. (Grau de recomendação IIa)
  • Trimetazidina comp. 35mg
    • Tomar 1 cp duas vezes ao dia, junto das refeições, no café da manhã e na janta.
Ivabradina:
  • Quando?
    • Em pacientes com angina estável sintomática em uso de betabloqueadores, isoladamente ou associados a outros agentes antianginosos e FC > 60 bpm (Grau de recomendação IIa)
    • Em pacientes com angina estável, disfunção de VE (fração de ejeção do ventrículo esquerdo - FEVE < 40%) e FC ≥ 70 bpm em terapia clínica otimizada (Grau de recomendação IIa)
  • Ivabradina comp. 5mg ou 7,5mg
    • Tomar 1 cp (de 5 mg) duas vezes ao dia (max 7,5 mg, 2x/dia).

Manejo na angina instável

  • Trata-se de uma Síndrome Coronariana Aguda, porém sem alterações eletrocardiográficas específicas e sem alterações de marcadores (troponina).
  • Durante o manejo inicial é difícil diferenciar a “Angina Instável” do “IAM sem supra de ST“, devendo ambas as entidades serem conduzidas de forma semelhante nessa fase.

Critérios de encaminhamento

Encaminhamento imediato (emergência)

  • Suspeita de angina instável;

  • Dor em repouso;

  • Dor persistente >20 minutos;

  • ECG com alterações isquêmicas;

  • Troponina elevada;

  • Instabilidade hemodinâmica;

  • Arritmias;

  • Insuficiência cardíaca aguda;

  • Síncope associada à dor torácica.

Encaminhamento para cardiologia (ambulatorial)

  • Angina estável recém-diagnosticada;

  • Persistência dos sintomas apesar do tratamento;

  • Intolerância às medicações;

  • Necessidade de estratificação invasiva;

  • Suspeita de doença coronariana de alto risco;

  • Revascularização prévia com recorrência dos sintomas.

Referências

[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio e do Protocolo de Síndromes Coronarianas Agudas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, versão vigente. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 30 jul. 2026.

[2] CESAR, Luiz A. Machado et al. Diretriz de Síndrome Coronariana Crônica – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Rio de Janeiro, v. 122, n. 9, e20250619, 2025. DOI: 10.36660/abc.20250619. Disponível em: https://abccardiol.org/article/diretriz-de-sindrome-coronariana-cronica-2025/. Acesso em: 30 jul. 2026.

[3] COLLET, Jean-Philippe et al. 2024 ESC Guidelines for the Management of Chronic Coronary Syndromes. European Heart Journal, Oxford, v. 45, n. 36, p. 3415–3537, 2024. DOI: 10.1093/eurheartj/ehae177.

[4] NICOLAU, José Carlos et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 117, n. 1, p. 181–264, 2021. DOI: 10.36660/abc.20210180. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/QvqxLFycJhLvNGFzPhsbZPF/. Acesso em: 30 jul. 2026.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.