Succinato de Metoprolol

Nomes comerciais:

  • Selozok® (AstraZeneca do Brasil Ltda.) — medicamento de referência
  • Emprol XR® (Accord Farmacêutica Ltda.) — medicamento similar
  • Dozoito® (Biolab Sanus Farmacêutica Ltda.) — medicamento similar

Apresentações:

  • Comprimidos revestidos de liberação prolongada/controlada de 25 mg: [1][2]
    • Selozok®: embalagens com 10, 30 ou 60 comprimidos
    • Emprol XR®: embalagens com 30 comprimidos
    • Dozoito®: embalagens com 30 comprimidos
    • Genéricos: embalagens com 30 comprimidos (múltiplos fabricantes)
  • Comprimidos revestidos de liberação prolongada/controlada de 50 mg: [1][2]
    • Selozok®: embalagens com 10, 30 ou 60 comprimidos
    • Emprol XR®: embalagens com 30 comprimidos
    • Genéricos: embalagens com 30 comprimidos
  • Comprimidos revestidos de liberação prolongada/controlada de 100 mg: [1][2]
    • Selozok®: embalagens com 30 ou 60 comprimidos
    • Emprol XR®: embalagens com 30 comprimidos
    • Genéricos: embalagens com 30 comprimidos

Posologia:

  • Adultos:
    • Hipertensão arterial: [1][2]
      • Dose inicial recomendada: 50 mg uma vez ao dia
      • Dose de manutenção: pode ser aumentada para 100 a 200 mg uma vez ao dia (em pacientes sem resposta adequada a 50 mg), podendo ser combinada com outros agentes anti-hipertensivos
      • O FDA Label refere dose inicial de 25 a 100 mg uma vez ao dia, com ajustes em intervalos semanais; doses acima de 400 mg/dia não foram estudadas [3]
    • Angina do peito: [1][2]
      • Dose: 100 a 200 mg uma vez ao dia; pode ser combinado com outros agentes antianginosos se necessário
      • O FDA Label menciona dose inicial de 100 mg, com titulação gradual em intervalos semanais; doses acima de 400 mg/dia não foram estudadas [3]
    • Insuficiência cardíaca crônica sintomática: [1][2][3]
      • Antes de iniciar, estabilizar a dose dos outros medicamentos para insuficiência cardíaca em uso
      • NYHA II: dose inicial 25 mg uma vez ao dia nas primeiras duas semanas
      • NYHA III-IV: dose inicial 12,5 mg (meio comprimido de 25 mg) uma vez ao dia na primeira semana
      • Dobrar a dose a cada 2 semanas, conforme tolerância, até atingir dose alvo de 200 mg/dia (ou a dose máxima tolerada)
      • Em caso de hipotensão inicial, reduzir medicação concomitante antes de reduzir o metoprolol; hipotensão inicial não significa necessariamente que a dose não será tolerada no tratamento crônico
    • Arritmias cardíacas: [1][2]
      • Dose: 100 a 200 mg uma vez ao dia
    • Tratamento de manutenção pós-infarto do miocárdio (IAM): [1][2]
      • Dose: 200 mg uma vez ao dia (tratamento a longo prazo)
    • Alterações cardíacas funcionais com palpitações: [1][2]
      • Dose: 100 mg uma vez ao dia; pode ser aumentada para 200 mg se necessário
    • Profilaxia da enxaqueca: [1][2]
      • Dose: 100 a 200 mg uma vez ao dia
  • Pediátrico:
    • As bulas da ANVISA informam que há experiência limitada no tratamento de crianças com succinato de metoprolol e não fornecem orientações de dosagem específicas. [1][2]
    • Conforme o FDA Label, para hipertensão em pacientes ≥6 anos: dose inicial recomendada de 1 mg/kg uma vez ao dia, não devendo a dose inicial exceder 50 mg; ajustar conforme resposta pressórica; doses acima de 2 mg/kg (ou 200 mg) ao dia não foram estudadas nessa faixa etária. Abaixo de 6 anos: uso não estudado. [3]
  • Administração: [1][2][3]
    • Administrar uma vez ao dia, por via oral, com auxílio de líquido
    • Pode ser ingerido com ou sem alimentos (a velocidade de liberação da formulação de liberação prolongada é independente de pH, alimentos e peristaltismo); o FDA Label recomenda preferencialmente junto ou imediatamente após as refeições [1][2][3]
    • Os comprimidos podem ser divididos ao meio (possuem sulco para essa finalidade) quando necessário, exceto para a indicação IC em NYHA III-IV (onde é necessário meio comprimido de 25 mg); o comprimido inteiro ou a metade não devem ser mastigados, triturados ou amassados
    • Em caso de dose esquecida: tomar apenas a próxima dose programada, sem dobrar a dose
    • Descontinuação: deve ser feita de forma gradual, em período mínimo de 2 semanas, reduzindo a dose pela metade a cada etapa; a dose final deve ser mantida por no mínimo 4 dias antes da interrupção definitiva. A retirada abrupta pode precipitar exacerbação de angina, IAM e, em pacientes com IC, piora da insuficiência cardíaca

Ajuste para Insuficiência Renal:

  • Adulto: [1][2][3]
    • Não é necessário ajuste de dose. A biodisponibilidade sistêmica e a meia-vida de eliminação do metoprolol não são alteradas de forma clinicamente significativa em pacientes com insuficiência renal. Pode ocorrer acúmulo dos metabólitos em pacientes com taxa de filtração glomerular inferior a 5 mL/min, porém esse acúmulo não aumenta o efeito betabloqueador.
  • Pediátrico: [1][2]
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas para ajuste pediátrico em insuficiência renal, além da orientação geral de não necessidade de ajuste já descrita para adultos.

Ajuste para Insuficiência Hepática:

  • Adulto: [1][2][3]
    • Em pacientes com cirrose hepática leve a moderada, o ajuste de dose geralmente não é necessário, devendo o grau de comprometimento hepático ser avaliado individualmente. O metoprolol possui alta razão de extração hepática, com metabolismo oxidativo extenso pela CYP2D6, de modo que seu clearance é altamente dependente da função hepática e do fluxo sanguíneo hepático; por esse motivo, os níveis plasmáticos tendem a aumentar substancialmente à medida que a função hepática se deteriora. [3]
    • Em pacientes com comprometimento hepático grave, especialmente aqueles submetidos a cirurgia de derivação portossistêmica (anastomose portocava), a biodisponibilidade oral pode aumentar significativamente e a depuração total pode ser reduzida de forma pronunciada; nesses pacientes, a depuração total cai para aproximadamente 0,3 L/min e os valores de AUC podem ser até 6 vezes maiores que em indivíduos saudáveis. [1][2] Nessas situações, iniciar com doses menores e titular gradualmente, com monitoramento cuidadoso para bradicardia, hipotensão e outros efeitos adversos. [3]
  • Pediátrico: [1][2]
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico na população pediátrica.

Classe:

  • Betabloqueador seletivo β1 (cardio-seletivo); antiadrenérgico de ação periférica. [1][2][3]

Farmacologia:

  • Mecanismo de ação: [1][2][3]

    • Bloqueador seletivo dos receptores β1-adrenérgicos (cardioseletivos): bloqueia receptores β1 em doses muito menores que as necessárias para antagonizar receptores β2. Essa seletividade não é absoluta e se reduz em concentrações plasmáticas elevadas.
    • Sem atividade simpatomimética intrínseca (agonista parcial) e com efeito estabilizador de membrana insignificante nas doses terapêuticas.
    • Reduz/inibe a ação agonista das catecolaminas no coração, atenuando o aumento da frequência cardíaca (FC), do débito cardíaco, da contratilidade e da pressão arterial induzidos por estresse físico ou emocional.
    • Ação anti-hipertensiva: antagonismo competitivo de catecolaminas nos sítios adrenérgicos periféricos (especialmente cardíacos), efeito central reduzindo o tônus simpático periférico e supressão da atividade da renina.
    • Ação antianginosa: reduz o consumo de oxigênio miocárdico ao atenuar a elevação de FC e contratilidade induzida pelo esforço.
    • Ação antiarrítmica: inibição da automaticidade das células marcapasso e prolongamento do tempo de condução no nó atrioventricular (AV); útil no controle de arritmias reentrantes que envolvam o nó AV e na resposta ventricular na fibrilação atrial.
    • Na insuficiência cardíaca: o mecanismo exato dos benefícios dos betabloqueadores não está completamente elucidado.
  • Farmacocinética: [1][2][3]

    • Absorção: completamente absorvido após administração oral; biodisponibilidade sistêmica de dose única ~50% por extenso metabolismo de primeira passagem. A formulação de liberação prolongada tem biodisponibilidade ~20-30% menor que o comprimido convencional, porém a AUC para o efeito cronotrópico é equivalente.
    • Liberação: o comprimido desintegra-se rapidamente, dispersando múltiplos grânulos ao longo do trato gastrointestinal, que liberam o fármaco continuamente por ~20 horas, de forma independente de pH, alimentos e peristaltismo; com intervalo de administração de 24h, obtém-se concentração plasmática constante e pico de concentração de 1/4 a 1/2 do obtido com comprimido convencional (menor risco de efeitos adversos pico-dependentes, como bradicardia e fadiga nas pernas).
    • Distribuição: ligação proteica baixa (~5-10%); atravessa a barreira hematoencefálica (concentração no líquor ~78% da concentração plasmática simultânea).
    • Metabolismo: oxidativo hepático, primariamente pela isoenzima CYP2D6; três metabólitos principais identificados, nenhum deles com efeito betabloqueador clinicamente relevante. Aproximadamente 8% dos caucasianos e 2% de outras populações são metabolizadores lentos (poor metabolizers) do CYP2D6, apresentando concentrações de metoprolol várias vezes mais elevadas, com consequente redução da cardioseletividade.
    • Meia-vida de eliminação: em média 3,5 horas (variação: 1 a 9 horas); depuração total ~1 L/min.
    • Eliminação: >95% da dose oral recuperada na urina; apenas ~5% como fármaco inalterado (pode chegar a 30% em casos isolados); os metabólitos não possuem atividade betabloqueadora relevante.
    • Idosos: sem alterações farmacocinéticas significativas em comparação com adultos jovens.
    • Hemodiálise: improvável contribuição útil na eliminação do metoprolol. [3]

Tipo de Receita:

  • Venda sob prescrição médica (receituário simples). Não se enquadram como medicamento de controle especial conforme a Portaria SVS/MS nº 344/1998 e atualizações. [1][2]

Indicações:

  • Conforme as bulas da ANVISA (Selozok® / Emprol XR®): [1][2]
    • Hipertensão arterial: redução da pressão arterial, da morbidade e do risco de mortalidade de origem cardiovascular e coronária (incluindo morte súbita)
    • Angina do peito
    • Adjuvante na terapia da insuficiência cardíaca crônica sintomática, leve a grave (NYHA II-IV, com fração de ejeção reduzida): aumento da sobrevida, redução de hospitalizações, melhora da função ventricular esquerda, melhora da classe funcional NYHA e da qualidade de vida
    • Alterações do ritmo cardíaco, especialmente taquicardia supraventricular
    • Tratamento de manutenção após IAM
    • Alterações cardíacas funcionais com palpitações
    • Profilaxia da enxaqueca
  • As indicações aprovadas pelo FDA restringem-se a hipertensão arterial, angina do peito e insuficiência cardíaca. [3]

Contraindicações:

  • Hipersensibilidade ao metoprolol, aos demais componentes da fórmula ou a outros betabloqueadores [1][2][3]
  • Bloqueio atrioventricular (BAV) de 2º ou 3º grau [1][2][3]
  • Insuficiência cardíaca não compensada instável (edema pulmonar, hipoperfusão ou hipotensão) [1][2][3]
  • Terapia inotrópica contínua ou intermitente atuando via agonista do receptor β [1][2]
  • Bradicardia sinusal clinicamente relevante [1][2][3]
  • Síndrome do nó sinoatrial, exceto quando marcapasso permanente estiver instalado [1][2][3]
  • Choque cardiogênico [1][2][3]
  • Arteriopatia periférica grave [1][2]
  • No contexto de suspeita de IAM: frequência cardíaca <45 bpm, intervalo PQ >0,24 segundos ou pressão arterial sistólica <100 mmHg [1][2]

Efeitos Adversos:

  • Comuns:
    • Sistema cardiovascular: bradicardia, alterações posturais (muito raramente com síncope), extremidades frias, fenômeno de Raynaud, palpitações (frequência comum); deterioração dos sintomas de IC, choque cardiogênico em pacientes com IAM, BAV de 1º grau, edema periférico, dor precordial e hipotensão (frequência incomum) [1][2]
    • Sistema nervoso central: fadiga e astenia (muito comuns); vertigem e cefaleia (comuns); parestesia e cãibras musculares (incomuns) [1][2]
    • Sistema gastrointestinal: náuseas, dor abdominal, diarreia e constipação (comuns); vômitos (incomuns) [1][2]
    • Sistema respiratório: dispneia de esforço (comum); broncoespasmo (incomum) [1][2]
    • Efeitos psiquiátricos: depressão, dificuldade de concentração, sonolência ou insônia, pesadelos (incomuns) [1][2]
    • Pele: exantema (urticária psoriasiforme e lesões cutâneas distróficas) e sudorese aumentada (incomuns) [1][2]
    • Metabolismo: ganho de peso (incomum) [1][2]
  • Raros:
    • Sistema cardiovascular: alterações de condução cardíaca, arritmias (raros); gangrena em pacientes com alterações circulatórias periféricas graves preexistentes (muito raro) [1][2]
    • Sistema nervoso central: nervosismo, ansiedade, impotência/disfunção sexual (raros); amnésia/comprometimento de memória, confusão mental, alucinações (muito raros) [1][2]
    • Sistema gastrointestinal: boca seca (raro); flatulência, azia, hepatite (notificados em pós-comercialização) [1][2][3]
    • Sistema hematológico: trombocitopenia, agranulocitose, púrpura trombocitopênica (muito raros) [1][2]
    • Sistema hepático: alterações de testes de função hepática (raro); hepatite (muito raro) [1][2]
    • Sistema respiratório: rinite (raro) [1][2]
    • Órgãos dos sentidos: distúrbios visuais, irritação/ressecamento dos olhos, conjuntivite (raros); zumbido, distúrbios do paladar (muito raros) [1][2]
    • Pele: perda de cabelo (raro); fotossensibilidade, agravamento da psoríase (muito raros) [1][2]
    • Musculoesquelético: artralgia, dor musculoesquelética (muito raros) [1][2][3]
    • Outros notificados em pós-comercialização: diminuição da libido, doença de Peyronie, visão turva, motilidade espermática reduzida, distúrbio do paladar [3]

Interações Medicamentosas:

  • Inibidores da CYP2D6 (quinidina, fluoxetina, paroxetina, propafenona): podem dobrar ou mais as concentrações plasmáticas de metoprolol, reduzindo sua cardioseletividade. Monitorar de perto quando a combinação não puder ser evitada. [1][2][3]
  • Depletores de catecolaminas e inibidores da MAO (monoaminoxidase) (reserpina): efeito aditivo com betabloqueadores; risco de hipotensão acentuada e bradicardia, podendo causar síncope e hipotensão ortostática. [1][2][3]
  • Clonidina: ao descontinuar o tratamento conjunto, retirar o betabloqueador vários dias antes de iniciar a redução da clonidina, pois betabloqueadores podem exacerbar a hipertensão de rebote após a retirada de clonidina. Ao substituir clonidina por betabloqueador, aguardar dias após cessar a clonidina antes de iniciar o metoprolol. [1][2][3]
  • Verapamil e diltiazem (via oral): potencialização de efeitos negativos sobre o inotropismo e o cronotropismo. Verapamil intravenoso está contraindicado em pacientes em uso de betabloqueadores (risco de bloqueio AV grave e parada cardíaca). [1][2][3]
  • Glicosídeos digitálicos: aumentam o tempo de condução AV; risco de bradicardia com o uso associado. [1][2][3]
  • Antiarrítmicos (quinidina, amiodarona): potencialização dos efeitos negativos inotrópicos e dromotrópicos. [1][2]
  • Anestésicos inalatórios: potencialização do efeito cardiodepressor; informar o anestesiologista antes de procedimentos cirúrgicos. [1][2]
  • AINEs (indometacina e outros inibidores da prostaglandina sintetase): podem reduzir o efeito anti-hipertensivo. [1][2]
  • Hipoglicemiantes orais: pode ser necessário ajuste de dose; além disso, o metoprolol pode mascarar sinais de hipoglicemia (como taquicardia), embora essa interferência seja menor que com betabloqueadores não seletivos. [1][2]
  • Rifampicina: induz o metabolismo do metoprolol, reduzindo suas concentrações plasmáticas. [1][2]
  • Álcool e hidralazina: podem elevar as concentrações plasmáticas de metoprolol. [1][2]
  • Outros inibidores da CYP2D6 (anti-histamínicos, antagonistas H2, antidepressivos, antipsicóticos, inibidores da COX-2): elevam as concentrações de metoprolol por inibição do metabolismo. [1][2]
  • Lidocaína: o metoprolol pode reduzir a depuração plasmática da lidocaína. [1][2]
  • Outros betabloqueadores (inclusive colírios oftálmicos): efeito aditivo. [1][2]

Gestação:

  • Anvisa: [1][2]
    • Categoria de risco C. Não deve ser utilizado durante a gravidez sem orientação médica. Em geral, os betabloqueadores reduzem a perfusão placentária, o que tem sido associado a retardo de crescimento intrauterino, morte intrauterina, aborto e parto prematuro. Recomenda-se monitoração materno-fetal adequada em gestantes tratadas com metoprolol. Os betabloqueadores podem causar efeitos adversos no feto, no recém-nascido e em crianças sob aleitamento materno, como bradicardia. O medicamento somente deve ser utilizado na gestação quando considerado essencial.
  • FDA: [3]
    • Dados de estudos observacionais publicados não demonstraram risco aumentado de malformações congênitas maiores, abortamentos espontâneos ou desfechos maternos/fetais adversos associados ao uso de metoprolol na gravidez. Há relatos inconsistentes de restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro e mortalidade perinatal, porém esses estudos apresentam limitações metodológicas que dificultam interpretações definitivas.
    • O metoprolol atravessa a placenta. Neonatos nascidos de mães em uso de metoprolol podem apresentar hipotensão, hipoglicemia, bradicardia e depressão respiratória; monitoração neonatal é recomendada.
    • Em modelos animais (ratas), doses equivalentes a ~24 vezes a dose humana de 200 mg resultaram em aumento de perda pós-implantação e redução da sobrevida neonatal; não foram observadas malformações fetais com doses até 10 vezes a dose humana.

Lactação:

  • Anvisa: [1][2]
    • O uso do medicamento durante o período de lactação requer avaliação e acompanhamento médico criterioso. Os betabloqueadores podem causar bradicardia em lactentes. A quantidade de metoprolol ingerida pelo lactente por meio do leite materno, entretanto, parece ser insignificante em relação ao efeito betabloqueador, quando a mãe é tratada em doses terapêuticas normais.
  • FDA: [3]
    • O metoprolol é excretado no leite humano. A dose diária estimada transferida ao lactente varia de 0,05 mg a menos de 1 mg; a dose relativa estimada para o lactente corresponde a 0,5% a 2% da dose materna ajustada pelo peso. Até o momento, não foram identificadas reações adversas ao metoprolol em lactentes amamentados. Não há informações sobre o efeito do metoprolol na produção láctea. Recomenda-se monitorar o lactente para sinais de betabloqueio, como bradicardia e hipoglicemia (letargia).

Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • As bulas da ANVISA (Selozok® e Emprol XR®) e o FDA Label referentes ao succinato de metoprolol na forma de comprimidos de liberação prolongada contraindicam explicitamente a trituração, amassamento ou mastigação dos comprimidos. [1][2][3] A trituração para administração por sonda destruiria o mecanismo de liberação programada, convertendo efetivamente a formulação em liberação imediata, com risco de dose-dumping (liberação súbita de toda a dose) e toxicidade por superdose relativa (bradicardia grave, hipotensão, broncoespasmo).
  • Nos Estados Unidos, existe uma formulação específica de succinato de metoprolol em cápsulas de sprinkle (Kapspargo Sprinkle®), aprovada pelo FDA para administração por sonda nasogástrica — abrindo-se a cápsula, dispersando os grânulos em água numa seringa e infundindo pelo tubo. Essa formulação, no entanto, não está disponível no Brasil.
  • Portanto, para as apresentações em comprimidos de liberação prolongada disponíveis no Brasil, a administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral não é recomendada e deve ser evitada. Em pacientes impossibilitados de deglutir comprimidos que necessitem de betabloqueio, a troca para outra formulação ou via de administração deve ser avaliada em conjunto com a equipe médica e farmacêutica responsável.

Fontes:

[1] Bula do Profissional de Saúde. Selozok® (succinato de metoprolol). AstraZeneca do Brasil Ltda. Aprovada em 16/10/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[2] Bula do Profissional de Saúde. Emprol XR® (succinato de metoprolol). Accord Farmacêutica Ltda. Aprovada em 26/04/2023. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[3] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Metoprolol Succinate Extended-Release Tablets. Revised: 5/2026. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search