Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)

CID-10: I10
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Classificação e Definição

Descrição da imagem: A tabela detalha a classificação diagnóstica da pressão arterial para indivíduos adultos (≥ 18 anos) com base em medidas de consultório, estabelecendo que a PA normal é definida por uma pressão arterial sistólica (PAS) inferior a 120 mmHg e uma pressão arterial diastólica (PAD) inferior a 80 mmHg. A categoria de pré-hipertensão abrange níveis de PAS entre 120 e 139 mmHg e/ou PAD entre 80 e 89 mmHg, enquanto a hipertensão arterial (HA) estágio 1 é caracterizada por valores de PAS de 140 a 159 mmHg e/ou PAD de 90 a 99 mmHg. Progressivamente, a HA estágio 2 é diagnosticada quando a PAS situa-se entre 160 e 179 mmHg e/ou a PAD entre 100 e 109 mmHg, sendo a HA estágio 3 definida por níveis pressóricos sistólicos iguais ou superiores a 180 mmHg e/ou diastólicos iguais ou superiores a 110 mmHg. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025.

 

Descrição da imagem: A tabela estabelece os critérios diagnósticos para a definição de hipertensão arterial sistêmica de acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) de 2025, estratificando os limiares de pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) em milímetros de mercúrio (mmHg) conforme o método de aferição empregado. Para a medida convencional realizada em consultório, o diagnóstico é firmado com valores de PAS ≥ 140 e/ou PAD ≥ 90; já na Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), os pontos de corte para as médias de 24 horas, período de vigília e período de sono são, respectivamente, ≥ 130/80, ≥ 135/85 e ≥ 120/70. Adicionalmente, a tabela define que, na Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA), os níveis pressóricos considerados diagnósticos para hipertensão são aqueles iguais ou superiores a 130 mmHg de PAS e/ou 80 mmHg de PAD.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025.

 

Descrição da imagem: O infográfico sintetiza as recomendações da ESC 2024 para a classificação e manejo da pressão arterial, estratificando os pacientes em três categorias diagnósticas fundamentais com base em medidas de consultório, monitorização residencial (MRPA) e monitorização ambulatorial (MAPA). A categoria de PA não elevada é definida por níveis de consultório e MRPA com PAS < 120 mmHg e PAD < 70 mmHg, apresentando padrões de MAPA inferiores a 120/70 mmHg na vigília, 115/65 mmHg em 24h e 110/60 mmHg durante o sono, situações em que o tratamento medicamentoso não é indicado. A classificação de PA elevada compreende valores de consultório de PAS entre 120-139 mmHg ou PAD entre 70-89 mmHg, e de MRPA com PAS entre 120-134 mmHg ou PAD entre 70-84 mmHg, com médias de MAPA em vigília < 135/85 mmHg, 24h < 130/80 mmHg e sono < 120/70 mmHg, sendo a conduta medicamentosa recomendada apenas para pacientes de alto risco cardiovascular. Já o diagnóstico de hipertensão é estabelecido por medidas de consultório ≥ 140 mmHg de PAS ou ≥ 90 mmHg de PAD, MRPA ≥ 135 mmHg de PAS ou ≥ 85 mmHg de PAD, ou MAPA com médias ≥ 135/85 mmHg na vigília, ≥ 130/80 mmHg em 24h e ≥ 120/70 mmHg no sono, o que demanda a indicação formal de tratamento farmacológico. A diretriz ressalta que a confirmação diagnóstica necessita obrigatoriamente de validação por MRPA, MAPA ou uma segunda aferição presencial em consultório. Fonte: 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension.

Diferenças Entre Diretrizes

Diferença entre as principais diretrizes de Hipertensão Arterial

Descrição da imagem: O quadro apresenta uma análise comparativa detalhada entre as diretrizes de hipertensão arterial sistêmica (HAS) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC 2025), da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC 2024) e da associação americana AHA/ACC 2025, evidenciando divergências nos critérios diagnósticos e terapêuticos fundamentais. No âmbito do diagnóstico em consultório, a SBC e a ESC mantêm o limiar de $ge 140/90$ mmHg, enquanto a AHA/ACC adota um critério mais rigoroso de $ge 130/80$ mmHg, já classificando a faixa de 130–139/80–89 mmHg como HAS estágio 1, ao passo que as diretrizes brasileira e europeia a definem como PA elevada. As metas pressóricas gerais convergem para valores $< 130/80$ mmHg na SBC e AHA/ACC, enquanto a ESC preconiza especificamente uma PAS entre 120–129 mmHg, se tolerada, mantendo condutas individualizadas para pacientes idosos e frágeis em todas as instituições. A estratificação de risco é obrigatória para PA $ge 130/80$ mmHg na SBC, utilizando os sistemas SCORE2/SCORE2-OP na ESC e o PREVENT na AHA/ACC. Há consenso absoluto quanto à preferência pelo início do tratamento com terapia combinada e uso de comprimido único, bem como a indicação de espironolactona como quarta droga na HAS resistente e a não utilização de betabloqueadores como primeira linha, exceto em indicações específicas. Divergências são observadas no rastreamento do hiperaldosteronismo primário, recomendado universalmente para PA $ge 140/90$ mmHg pela ESC, enquanto a SBC e a AHA/ACC sugerem investigação conforme suspeita clínica ou indicações ampliadas. Por fim, todas as diretrizes recomendam ou enfatizam fortemente o uso de MAPA/MRPA e reconhecem o impacto dos determinantes sociais, que são formalmente integrados na avaliação de risco pela diretriz americana. Fonte: SBC 2025, ESC 2024 e AHA/ACC 2025.

Manejo Inicial

Descrição da imagem: O fluxograma estabelece o algoritmo de rastreamento e conduta para a pressão arterial (PA) medida em consultório segundo as diretrizes da ESC 2024, estratificando os pacientes em três categorias fundamentais baseadas nos níveis pressóricos iniciais. Indivíduos com PA não elevada (< 120/70 mmHg) seguem fluxos distintos conforme a faixa etária, sendo preconizado o rastreamento a cada três anos para aqueles com menos de 40 anos e o rastreamento anual para os demais. Na presença de PA elevada (120-139/70-89 mmHg), a decisão clínica é pautada pelo risco cardiovascular (CV); pacientes sem alto risco CV devem realizar rastreamento anual, enquanto aqueles com alto risco CV necessitam de confirmação diagnóstica obrigatória por monitorização residencial (MRPA) ou ambulatorial (MAPA) antes de iniciarem o tratamento farmacológico. Para casos com diagnóstico inicial de hipertensão (≥ 140/90 mmHg), avalia-se a gravidade imediata dos níveis; se os valores forem ≥ 180/110 mmHg, deve-se considerar a hipótese de emergência hipertensiva, ao passo que níveis inferiores a esse patamar exigem confirmação diagnóstica por MRPA ou MAPA para a subsequente instituição da farmacoterapia. Fonte: 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension.

Estratificação de Risco

  • SBC 2025:

    • Para todos com PA ≥130 e/ou 80 mmHg

      • Avaliação clínica e complementar.

      • Identificar:

        • FRCV

        • LOA

        • DCV

        • DRC 

    • Aplicar o escore PREVENT.

      • Calculadora da American Heart Association: acesse aqui.

 

  • ESC 2024:

 

Condições de que determinam alto risco cardiovascular por si só:

  • Doença cardiovascular estabelecida

  • Diabetes mellitus

  • Hipercolesterolemia familiar

  • Doença renal crônica (moderada/severa)

  • Lesão de órgão-alvo devido hipertensão

 

Os modelos de predição de risco cardiovascular em 10 anos são úteis na estratificação dos pacientes com PA elevada para definição do tratamento adequado.

  • Baixe o app da European Society of Cardiology (ESC) para acessar as calculadoras de risco cardiovascular (SCORE2, SCORE2-OP e SCORE2-Diabetes).

 

Conforme apresentado no fluxograma acima, os modificadores de risco devem ser avaliados em pacientes com predição de risco cardiovascular em 10 anos entre 5-9% para considerar elevação do risco e terapia mais agressiva.

  • Modificadores de risco compartilhados

    • Etnia de alto risco

    • Histórico familiar de ASCVD de início precoce

    • Privação socioeconômica

    • Doenças inflamatórias autoimunes

    • Doença mental grave

    • HIV

  • Modificadores de risco específicos para o sexo

    • Diabetes gestacional

    • Hipertensão gestacional

    • Pré-eclâmpsia

    • Parto prematuro

    • Um ou mais natimortos

    • Aborto recorrente

 

Ferramentas e testes que auxiliam na avaliação de risco adicional:

  • Escore de cálcio coronário (CAC)

  • Placa carotídea ou femoral

  • Troponina cardíaca de alta sensibilidade

  • NT-proBNP

  • Velocidade da onda de pulso

Diagnóstico Diferencial

Descrição da imagem: O diagrama em quadrantes ilustra as quatro fenotipagens possíveis da pressão arterial baseadas no cruzamento de dados entre a medida convencional realizada em consultório e as medidas obtidas por métodos de monitorização fora do consultório, como a Monitorização Residencial (MRPA) ou Ambulatorial (MAPA). A normotensão verdadeira, prevalente em 43-52% dos casos, é definida pela normalidade em ambos os métodos de aferição, ao passo que a hipertensão sustentada, observada em 22-34% da amostra, caracteriza-se pela presença de níveis anormais em ambas as frentes. Os diagnósticos discordantes incluem a hipertensão do avental branco (15-19%), na qual o paciente apresenta níveis pressóricos elevados exclusivamente no ambiente clínico, e a hipertensão mascarada (7-8%), condição clínica insidiosa em que os níveis encontram-se normais no consultório, porém anormais na monitorização residencial ou ambulatorial. Fonte: Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2021.

Considerações na Medição da PA

PA no consultório:

  • Deve ser realizado medições repetidas da PA em mais de uma consulta. Em cada consulta, três medidas da PA devem ser registradas, com 1 a 2 minutos de intervalo. A PA do paciente é a média das duas últimas leituras da PA. Medidas adicionais devem ser realizadas se as duas primeiras leituras diferirem em > 10 mmHg.

  • Deve ser medida em ambos os braços pelo menos na primeira consulta, porque uma diferença de PAS entre os braços > 15 mmHg é sugestiva de doença ateromatosa e está associada a um risco CV aumentado

  • Se uma diferença entre os braços < 15mmHg da PA for registrada, recomenda-se que todas as leituras subsequentes da PA usem o braço com uma leitura mais alta da PA

A PA fora do consultório (MAPA ou MRPA):

  • É especificamente recomendada para identificação da Hipertensão do Avental Branco e Hipertensão Mascarada, assim como quantificação dos efeitos do tratamento e identificação de possíveis causas de efeitos colaterais (p. ex., hipotensão sintomática)

Qual a Meta para a PA?

  • SBC 2025:

    • Metas para todos

      • PA < 130/80 mmHg

      • Reduzir risco CV

    • MAPA ou MRPA sempre que possível

      • Avaliar fenótipos da HA

    • Seguimento

      • Rever a cada 4 semanas até alcançar a meta de PA

      • Verificar adesão ao tratamento sempre

      • Combater inércia terapêutica

 

  • ESC 2024:

    • De modo geral, recomenda-se ter como meta-alvo uma PA sistólica de 120–129 mmHg, desde que o tratamento seja bem tolerado.

      • Nos casos em que a PA sistólica estiver dentro da meta, mas a PA diastólica ≥80 mmHg, pode-se considerar a intensificação do tratamento para atingir uma PA diastólica de 70–79 mmHg.

      • Nos casos em que a PA sistólica de 120–129 mmHg não é bem tolerada, recomenda-se atingir a menor PA sistólica possível tolerada pelo paciente.

    • Em alguns casos, a meta de PA pode ser mais flexível (por exemplo, <140 mmHg), como nos seguintes cenários: 

      • Hipotensão ortostática sintomática não tratada

      • Idade ≥85 anos

      • Fragilidade moderada a grave

      • Expectativa de vida limitada (<3 anos)

 

  • E se não atingir a meta?

    • Opções de conduta:

      • Aumentar a dose (atenção para doses máximas diárias) OU

      • Associar mais um anti-hipertensivo OU 

      • Trocar a combinação.

    • Se o paciente já faz uso de 3 anti-hipertensivos, e foi optado por acrescentar uma 4ª droga:

      • Deve-se optar pela espironolactona.

Tratamento Não Medicamentoso

O tratamento não medicamentoso é indicado para todos (SBC 2025), e consiste nas medidas descritas abaixo.

Mudanças no Estilo de Vida:

  • Não fumar

  • Dieta saudável (DASH)

  • IMC 18–24Kg/m²

  • Reduzir a ingestão de sal

    • < 2 g/dia = 5 g de sal/dia = uma colher de chá/dia

  • Aumentar a ingestão de potássio

    • ≥ 3,5 g/dia

  • Atividade física regular

    • 1) Interrupção do comportamento sedentário:

      • Levantar e se movimentar por 5 min a cada 30 min sentado.

    • 2) Atividade física

      • Realizar, pelo menos, 150 min/semana de AF aeróbica moderada ou 75 min/semana de AF aeróbica vigorosa, ou ainda, uma combinação equivalente de AF moderada e vigorosa.

      • Para maior benefício, executar exercícios de fortalecimento muscular duas vezes/semana.

    • 3) Treinamento físico

      • Aeróbico complementado pelo resistido.

  • Baixa ingestão de álcool

    • Homens – duas doses/dia

    • Mulheres – uma dose/dia

    • Deve-se evitar consumo episódico abusivo de álcool

    • Observação:

      • Uma dose contém 10 a 12 g de álcool, correspondendo a aproximadamente 200 mL de cerveja (5% de álcool), 100 mL de vinho (12% de álcool) e 25 mL de bebida destilada, como uísque, vodca e aguardente (40% de álcool).

  • Práticas de espiritualidade e controle de estresse

 

Prescrição do Treinamento Aeróbico (obrigatório):

  • Modalidades diversas: andar, correr, dançar, nadar, entre outras.

  • Volume: somar, pelo menos, 150 min/semana.

    • Frequência: três a cinco vezes por semana (mais vezes – maior efeito);

    • Duração: 30 a 60 min por sessão (mais tempo – maior efeito).

  • Intensidade moderada definida por:

    • 1) Maior intensidade conseguindo conversar (sem ficar ofegante);

    • 2) Sentir-se “ligeiramente cansado” (12 a 13 na escala de Borg 20);

    • 3) Manter a FC de treino na faixa calculada por:

      • FC treino = (FC máxima – FC repouso) x % + FC repouso

  • Em que:

    • FC máxima: deve ser obtida num teste ergométrico máximo, feito em uso dos medicamentos regulares, ou pelo cálculo da FC máxima prevista pela idade (ou seja, 220 – idade). Essa fórmula não pode ser usada em paciente com HA que tenham cardiopatias, estejam em uso de BB ou de bloqueadores de canais de cálcio não di-hidropiridínicos;

    • FC repouso: deve ser medida após 5 min de repouso deitado; 

    • %: utilizar 40% como limite inferior e 60% como superior.

Como Iniciar o Tratamento Medicamentoso?

  • SBC 2025

    • Início com associação de medicamentos nos seguintes casos:

      • HA estágio 1 de risco moderado e alto

      • HA estágios 2 e 3

      • (IECA ou BRA) + BCC e/ou DIU

      • BB em indicações específicas

      • Comprimido único, preferencialmente 

    • Início em monoterapia nos seguintes casos:

      • Indivíduos frágeis

      • ≥ 80 anos

      • PA ≥130 e/ou 80 mmHg de risco alto

      • HA estágio 1 de risco baixo (a critério médico, associação de medicamentos)


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  • ESC 2024:

Descrição da imagem: O algoritmo terapêutico para o manejo da hipertensão arterial sistêmica, fundamentado nas diretrizes da ESC 2024, inicia-se pela estratificação do paciente quanto à presença de critérios específicos, como a categoria de PA elevada (120/70 a 139/89 mmHg), fragilidade moderada a grave, hipotensão ortostática sintomática ou idade igual ou superior a 85 anos. Diante da presença de algum desses fatores, a conduta inicial preconizada é a monoterapia com Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina (IECA), Bloqueadores dos Receptores da Angiotensina (BRA), Bloqueadores dos Canais de Cálcio di-hidropiridínicos (BCC) ou Diuréticos (DIU). Na ausência de tais critérios, institui-se precocemente a terapia dupla em doses baixas, progredindo para reavaliações em intervalos de um a três meses. Caso a PA permaneça não controlada, o protocolo orienta a escalada para terapia tripla em dose baixa e, subsequentemente, para terapia tripla em dose máxima tolerada, mantendo-se a reavaliação anual para pacientes com PA controlada em qualquer estágio. Na persistência de níveis pressóricos elevados após a dose máxima tripla, caracteriza-se o quadro de hipertensão resistente, sendo necessária a certificação da adesão terapêutica, a associação de espironolactona e a consideração de encaminhamento ao especialista. O fluxograma ainda ressalta que o uso de betabloqueadores deve ser considerado em qualquer fase se houver indicação formal, como em casos de angina, pós-infarto, insuficiência cardíaca ou necessidade de controle da frequência cardíaca. Fonte: 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension.

 

Considerações na escolha dos anti-hipertensivos:

  • Pacientes negros:

    • Devido a maior prevalência de hipertensão sensível ao sal e com baixa renina, os diuréticos tiazídicos e os bloqueadores dos canais de cálcio parecem mais eficazes do que a monoterapia com IECA ou BRA.

    • Se a terapia combinada for necessária, a associação de anlodipino e hidroclorotiazida pode ser tão eficaz quanto, ou superior, à combinação de hidroclorotiazida com IECA/BRA.

    • Se um bloqueador do sistema renina-angiotensina for necessário, os BRAs são preferíveis em relação aos IECAs, devido a maior incidência de angioedema em pacientes negros.

  • Doença renal crônica:

    • Os IECAS e os BRAs são mais eficazes na redução da albuminúria do que outros anti-hipertensivos e devem ser considerados como parte do tratamento para pacientes com hipertensão e proteinúria.

 

Combinações de anti-hipertensivos:

  • Dois medicamentos:

    • IECA + tiazídico

    • IECA + BCC di-hidropiridínicos

    • BRA + tiazídico

    • BRA + BCC di-hidropiridínicos

    • BCC + tiazídico

  • Três medicamentos:

    • IECA + tiazídico + BCC di-hidropiridínicos

    • BRA + tiazídico + BCC di-hidropiridínicos

  • Quatro medicamentos:

    • IECA + tiazídico + BCC di-hidropiridínicos + espironolactona

    • BRA + tiazídico + BCC di-hidropiridínicos + espironolactona

  • Combinação contraindicada:

    • IECA + BRA

IECAs

Enalapril comp. 5mg ou 10mg ou 20mg

  • Dose diária: 5 a 40 mg
  • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.

Captopril comp. 12,5mg ou 25mg ou 50mg

  • Dose diária: 25 a 150 mg
  • Frequência: 2 a 3 vezes ao dia.

Lisinopril comp. 10mg ou 20mg

  • Dose diária: 10 a 40 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Ramipril comp. 2,5mg ou 5mg ou 10mg

  • Dose diária: 2,5 a 20 mg
  • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.

BRAs

Losartana comp. 25mg ou 50mg ou 100mg

  • Dose diária: 50 a 100mg
  • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.

Valsartana comp. 80mg ou 160mg ou 320mg

  • Dose diária: 80 a 320 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Irbesartana comp. 150mg ou 300mg

  • Dose diária: 150 a 300 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Candesartana comp. 8mg ou 16mg ou 32mg

  • Dose diária: 8 a 32 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Olmesartana comp. 20mg ou 40mg

  • Dose diária: 20 a 40 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Telmisartana comp. 20mg ou 40mg ou 80mg

  • Dose diária: 20 a 80 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

BCCs di-hidropiridínicos

Anlodipino comp. 2,5mg ou 5mg ou 10mg

  • Dose diária: 2,5 a 10 mg.
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Nifedipino comp. 10mg ou 20mg

  • Dose diária: 10 a 60 mg.
  • Frequência: 1 a 3 vezes ao dia.

BCCs não di-hidropiridínicos

Verapamil comp. 80mg ou 120mg ou 240mg

  • Dose diária: 120 a 360 mg
  • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.

Diltiazem comp. 30mg ou 60mg

  • Dose diária: 80 a 240 mg
  • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.

Diuréticos tiazídicos

Hidroclorotiazida comp. 25mg ou 50mg

  • Dose diária: 25 a 50 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Clortalidona comp. 12,5mg ou 25mg

  • Dose diária: 12,5 a 25 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Indapamida comp. 1,5mg

  • Dose diária: 1,5 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Diuréticos de alça

Furosemida comp. 40mg

  • Dose diária: 20 a 240 mg
  • Frequência: 1 a 3 vezes ao dia.

Bumetanida comp. 1mg

  • Dose diária: 1 a 4 mg
  • Frequência: 1 a 3 vezes ao dia.

Diuréticos poupadores de potássio

Espironolactona comp. 25mg ou 50mg ou 100mg

  • Dose diária: 25 a 100 mg
  • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.

Amilorida + HCTZ comp.2,5+25mg ou 5+50mg

  • Disponível em apresentações combinadas com hidroclorotiazida.
  • Dose diária: 2,5 a 5 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

BB não cardiosseletivos

Propranolol comp. 10mg ou 40mg ou 80mg

  • Dose diária: 80 a 320 mg
  • Frequência: 2 a 3 vezes ao dia.

Nadolol comp. 40mg ou 80mg

  • Dose diária: 40 a 160 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Pindolol comp. 5mg ou 10mg

  • Dose diária: 10 a 60 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Carvedilol comp. 3,125mg ou 6,25mg ou 12,5mg ou 25mg

  • Dose diária: 12,5 a 50 mg
  • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.

BB cardiosseletivos

Atenolol comp. 25mg ou 50mg ou 100mg

  • Dose diária: 50 a 100 mg
  • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.

Succinato de Metoprolol comp. 25mg ou 50mg ou 100mg

  • Dose diária: 50 a 200 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Bisoprolol comp. 5mg ou 10mg

  • Dose diária: 5 a 20 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Nebivolol comp. 5mg

  • Dose diária: 2,5 a 10 mg
  • Frequência: 1 vez ao dia.

Vasodilatador direto

Hidralazina comp. 25mg ou 50mg

  • Dose diária: 50 a 200 mg
  • Frequência: 2 a 3 vezes ao dia.

Simpatolítico de ação central

Metildopa comp. 250mg ou 500mg

  • Dose diária: 500 a 2.000 mg
  • Frequência: 2 vezes ao dia.

Clonidina comp. 0,10mg ou 0,15mg ou 0,20mg

  • Dose diária: 0,2 a 0,9 mg
  • Frequência: 2 vezes ao dia.

Considerações importantes de cada classe

Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina (IECA)

  • Eventos adversos: tosse, angioedema, risco de hiperpotassemia em pacientes com insuficiência renal ou que estejam recebendo suplementação de potássio.
  • Não usar em: mulheres em idade fértil, pois há grande risco de malformações fetais e outras complicações na gestação. Associação a outros inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona, exceto espironolactona na Insuficiência Cardíaca.

Bloqueadores dos receptores AT1 da Angiotensina II (BRA)

  • Eventos adversos: risco de hiperpotassemia em pacientes com insuficiência renal ou que estejam recebendo suplementação de potássio.
  • Não usar em: mulheres em idade fértil, pois há grande risco de malformações fetais e outras complicações na gestação. Associação a outros inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona, exceto espironolactona na Insuficiência Cardíaca.

Bloqueadores dos Canais de Cálcio di-hidropiridínicos (BCC) - anlodipino, nifedipino.

  • São potentes vasodilatadores que têm pouco ou nenhum efeito negativo sobre a contratilidade ou condução cardíaca. Eles são normalmente usados para tratar hipertensão ou angina estável.
  • Eventos adversos: cefaleia, tontura, rubor facial e edema periférico dose-dependente em até 20 a 30% dos pacientes, hiperplasia gengival (uso crônico).
  • Não usar em: insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.

Bloqueadores dos Canais de Cálcio não di-hidropiridínicos (BCC) - verapamil, diltiazem.

  • São vasodilatadores um pouco menos potentes em comparação com os di-hidropiridínicos, mas têm um efeito depressor maior na condução e na contratilidade cardíaca.
  • Eventos adversos: constipação dose-dependente, que pode ocorrer em até 25% dos pacientes, bem como bradicardia e piora do débito cardíaco, hiperplasia gengival (uso crônico).
  • Não usar em: insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida; associação com betabloqueadores e em pacientes com bradicardia.

Diuréticos tiazídicos

  • Eventos adversos: fraqueza, cãibras, hipovolemia e disfunção erétil, hipopotassemia e hipomagnesemia (podem provocar arritmias ventriculares, sobretudo a extrassistolia). A hipopotassemia também reduz a liberação de insulina, aumentando a intolerância à glicose e o risco de desenvolver diabetes melito tipo 2. O aumento do ácido úrico é um efeito quase universal dos diuréticos, podendo precipitar crises de gota nos indivíduos com predisposição.
  • Não usar em: contraindicados para os pacientes com anúria e aqueles que apresentem hipersensibilidade ao composto.

Diuréticos de alça

  • Eventos adversos: hipocalemia, hipocalcemia, hipomagnesemia, ototoxicidade (uso crônico), nefrotoxicidade (dose alta).
  • Não usar em: insuficiência renal com anúria, pré-coma e coma associado com encefalopatia hepática;, hipopotassemia severa, hiponatremia severa, hipovolemia (com ou sem hipotensão) ou desidratação, hipersensibilidade à furosemida, às sulfonamidas ou a qualquer componente da fórmula, contraindicado para uso por lactantes.

Diuréticos poupadores de potássio

  • Eventos adversos: A espironolactona pode causar ginecomastia dolorosa e hiperpotassemia, sendo este distúrbio eletrolítico mais frequente em pacientes com déficit de função renal.
  • Não usar em: insuficiência renal aguda, diminuição significativa da função renal, anúria, doença de Addison ou hipercalemia.

Beta-bloqueadores

  • Eventos adversos: broncoespasmo, bradicardia, distúrbios da condução atrioventricular, vasoconstrição periférica, insônia, pesadelos, depressão, astenia e disfunção sexual (menor efeito com nebivolol).
  • Não usar em: asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e bloqueio atrioventricular de segundo e terceiro graus.

Vasodilatador direto - Hidralazina

  • Eventos adversos: cefaleia, flushing, taquicardia reflexa e reação lupus-like (dose-dependente). Seu uso pode também acarretar anorexia, náusea, vômito e diarreia.
  • Não usar em: Lúpus eritematoso sistêmico idiopático e doenças correlatas; Taquicardia grave e insuficiência cardíaca com alto débito cardíaco (por exemplo, em tireotoxicose); Insuficiência do miocárdio devido à obstrução mecânica (por exemplo, em estenose aórtica ou mitral e na pericardite constritiva); Insuficiência cardíaca isolada do ventrículo direito devido à hipertensão pulmonar (cor pulmonale); Aneurisma dissecante da aorta.

Simpatolítico de ação central

  • Eventos adversos: a metildopa pode provocar reações autoimunes, como febre, anemia hemolítica, galactorreia e disfunção hepática, que, na maioria dos casos, desaparecem com a interrupção do uso. A clonidina apresenta risco do efeito rebote com a descontinuação, especialmente quando associada aos betabloqueadores, e pode ser perigosa em situações pré-operatórias (a retirada gradual em duas a quatro semanas evita o efeito rebote). Os medicamentos dessa classe apresentam reações adversas decorrentes da ação central, como sonolência, sedação, boca seca, fadiga, hipotensão postural e disfunção erétil
  • Não usar em: metildopa não deve ser usada em hepatopatas ou em uso de inibidores da MAO. Já a clonidina não deve ser usada em casos de bradiarritmia grave secundária à disfunção do nódulo sinusal ou bloqueio AV de 2º ou 3º grau e em condições hereditárias raras de intolerância à galactose.

Exames de Rotina

Os exames de rotina na avaliação inicial do hipertenso, recomendados pela European Society of Cardiology e pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, incluem:

  • Glicemia de jejum e hemoglobina glicada

  • Urina 1, Creatinina, TFG, relação albumina-creatinina urinária

  • Perfil lipídico (CT, HDL, LDL, triglicérides)

  • Sódio, potássio e cálcio

  • TSH

  • Ácido úrico

  • ECG de 12 derivações

Observação:

  • Segundo a European Society of Cardiology (2024), todos os hipertensos confirmados (PA ≥140/90 mmHg) devem ser rastreados para hiperaldosteronismo primário por meio da atividade da renina plasmática e aldosterona plasmática. Por outro lado, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2025) recomenda o rastreio em caso de suspeita clínica.

Hipertensão Secundária

  • A prevalência de hipertensão secundária é estimado em 10 a 35% de todos os hipertensos, podendo atingir até 50% dos pacientes com hipertensão resistente.

  • Quando rastrear hipertensão secundária?

    • Pacientes com hipertensão que apresentem indícios ou histórico médico sugestivos de hipertensão secundária.

    • Todos os hipertensos confirmados (PA ≥140/90 mmHg) devem ser rastreados para hiperaldosteronismo primário por meio da atividade da renina plasmática e aldosterona plasmática (ESC 2024).

Descrição da imagem: A tabela sistematiza as principais etiologias da hipertensão arterial secundária, correlacionando as condições clínicas e suas prevalências estimadas com indícios diagnósticos e exames iniciais pertinentes. Destacam-se as causas de maior prevalência, como a síndrome da apneia do sono (25-50%), caracterizada por roncos e sonolência diurna com indicação de polissonografia, e a doença renovascular (5-34%), suspeitada em casos de sopro abdominal ou piora da função renal com o uso de IECA ou BRA, exigindo investigação por US doppler ou angiotomografia. O hiperaldosteronismo primário (8-20%) manifesta-se frequentemente com hipocalemia e fraqueza neuromuscular, demandando a dosagem da atividade de renina e aldosterona plasmáticas, enquanto a doença renal crônica (1-2%) associa-se a hematúria e edema, investigados via creatinina e proteinúria. Fatores exógenos (2-4%), como o uso de corticoides, AINEs ou hábitos como etilismo, requerem anamnese detalhada, ao passo que causas mais raras (<1%) incluem a coarctação da aorta, identificada por assimetria de pulsos, a síndrome de Cushing, com fácies característica e obesidade central, além de distúrbios endócrinos como hipertireoidismo (aumento sistólico predominante), hipotireoidismo (aumento diastólico), hiperparatireoidismo primário (hipercalcemia e constipação) e o feocromocitoma, marcado por paroxismos hipertensivos e sudorese. Fonte: 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension. / Doenças Hipertensivas na Gestação: versão digital 2023. Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS, 09 jan. 2023.

Referências

[1] Barroso WKS et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):516–658.

[2] GUSSO, G.; LOPES, J. M. C.; DIAS, L. C. (Orgs.) Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

[3] Jones DW et al. 2025 AHA/ACC Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation, and Management of High Blood Pressure in Adults. J Am Coll Cardiol. 2025.

[4] McEvoy JW et al. 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension. Eur Heart J. 2024.

[5] Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC); SBH; SBN. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624.

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