Propranolol

Nomes comerciais:

  • Inderal®, Amprax®, Pranolal®, Polol®, Pressoflux®, Propalol®, Propramed®, Propranolom®, Sanpronol®, Rebaten® LA (formulação de liberação prolongada)

Apresentações:

  • Comprimido simples 10 mg: [1]
    • Disponível como medicamento genérico (ex.: cloridrato de propranolol 10 mg) e referência (Inderal® 10 mg) [5]
  • Comprimido simples 40 mg: [2]
    • Disponível como medicamento genérico (ex.: cloridrato de propranolol 40 mg — Teuto, Pharlab, entre outros) e referências/similares (Inderal® 40 mg, Amprax® 40 mg, Pranolal® 40 mg, Polol®, Pressoflux®, Propalol®, Propramed®, Propranolom®, Sanpronol®) [5]
  • Comprimido simples 80 mg: [2]
    • Disponível como medicamento genérico (ex.: cloridrato de propranolol 80 mg — Teuto, Pharlab, entre outros) e referências/similares (Inderal® 80 mg, Amprax® 80 mg) [5]
  • Cápsula de liberação prolongada 80 mg:
    • Rebaten® LA [5]

Posologia:

  • Adultos: [2]
    • Hipertensão:
      • Dose inicial: 80 mg duas vezes ao dia, com aumentos em intervalos semanais conforme resposta
      • Dose usual de manutenção: 160 a 320 mg/dia
      • Dose máxima: 640 mg/dia
    • Angina pectoris:
      • Dose inicial: 40 mg duas ou três vezes ao dia, com aumentos graduais
      • Faixa eficaz habitual: 120 a 240 mg/dia
      • Dose máxima: 480 mg/dia
    • Arritmias cardíacas:
      • Faixa de dose: 10 a 40 mg, três ou quatro vezes ao dia
      • Dose máxima: 240 mg/dia
    • Profilaxia de enxaqueca:
      • Dose inicial: 40 mg duas ou três vezes ao dia
      • Faixa eficaz habitual: 80 a 160 mg/dia
      • Dose máxima: 240 mg/dia
      • Se não houver resposta satisfatória em 4 a 6 semanas após atingir a dose máxima, descontinuar gradualmente [1]
    • Tremor essencial:
      • Dose inicial: 40 mg duas vezes ao dia
      • Dose habitual: 120 mg/dia
      • Dose máxima: 160 mg/dia (podendo chegar a 240–320 mg/dia em casos excepcionais) [1]
    • Ansiedade e taquicardia por ansiedade:
      • Faixa eficaz: 80 a 160 mg/dia
      • Dose máxima: 160 mg/dia
    • Tireotoxicose (adjuvante):
      • 10 a 40 mg, três ou quatro vezes ao dia
      • Dose máxima: 160 mg/dia
    • Cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva:
      • 20 a 40 mg, três ou quatro vezes ao dia (antes das refeições e ao deitar) [1]
      • Dose máxima: 160 mg/dia
    • Feocromocitoma (adjuvante ao bloqueio alfa):
      • Pré-operatório: 60 mg/dia por 3 dias
      • Casos malignos inoperáveis: 30 mg/dia
    • Infarto do miocárdio (pós-infarto estável): [1]
      • Dose inicial: 40 mg três vezes ao dia
      • Após 1 mês, titular para 60 a 80 mg três vezes ao dia conforme tolerância
      • Dose recomendada de manutenção: 180 a 240 mg/dia em doses fracionadas
      • Doses acima de 240 mg/dia para prevenção de mortalidade cardiovascular não têm eficácia e segurança estabelecidas
  • Pacientes idosos:
    • A dose ótima deve ser determinada individualmente, de acordo com a resposta clínica [2]
  • Pediátrico:
    • Arritmias, feocromocitoma e tireotoxicose: [2]
      • 0,25 a 0,50 mg/kg, três ou quatro vezes ao dia
    • Profilaxia de enxaqueca: [2]
      • Abaixo de 12 anos: a bula brasileira indica 20 mg, duas ou três vezes ao dia (dose fixa, independente do peso). Ressalva: essa dose fixa diverge de diretrizes pediátricas internacionais, que recomendam dosagem baseada em peso corporal; recomenda-se avaliação individualizada
      • Acima de 12 anos: mesma posologia do adulto
    • Nota: a segurança e eficácia em crianças não foram estabelecidas por estudos clínicos controlados; broncoespasmo e insuficiência cardíaca congestiva foram relatados em uso pediátrico [1]
  • Administração:
    • Via oral. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros com água [2]
    • A biodisponibilidade é variável; a dose deve ser individualizada conforme resposta clínica [1]
    • A administração com alimentos ricos em proteína aumenta a biodisponibilidade em aproximadamente 50%, sem alterar o tempo para pico plasmático [1]
    • A descontinuação deve ser feita gradualmente ao longo de pelo menos algumas semanas, especialmente em pacientes com doença cardíaca isquêmica ou angina, para evitar exacerbação [1][2]
    • Dose esquecida: caso o paciente esqueça de tomar uma dose, deverá fazê-lo assim que possível. Não é recomendável tomar duas doses ao mesmo tempo [2]

Ajuste para Insuficiência Renal:

  • Adulto: [1]
    • Concentrações de pico plasmático (Cmax) podem ser 2 a 3 vezes mais elevadas em pacientes com insuficiência renal crônica em comparação a indivíduos saudáveis, bem como há redução do clearance plasmático
    • A insuficiência renal crônica está associada a downregulation da atividade do citocromo P450 hepático, resultando em menor metabolismo de primeira passagem
    • Metabólitos totais podem estar até 3 vezes mais elevados em pacientes com insuficiência renal grave
    • O propranolol não é significativamente removido por diálise
    • Recomenda-se cautela ao iniciar o tratamento e ao selecionar a dose inicial nesses pacientes [2]
    • As fontes consultadas não fornecem esquemas posológicos específicos com redução de dose para diferentes graus de insuficiência renal
  • Pediátrico:
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose em insuficiência renal na população pediátrica

Ajuste para Insuficiência Hepática:

  • Adulto: [1][2]
    • O propranolol é extensamente metabolizado pelo fígado; em pacientes com cirrose, a concentração plasmática livre no estado de equilíbrio pode ser até 3 vezes maior do que em indivíduos saudáveis
    • Em cirróticos, a meia-vida aumenta de aproximadamente 4 horas para 11 horas
    • O medicamento deve ser utilizado com cautela em pacientes com cirrose descompensada
    • Em pacientes com hipertensão portal, pode haver deterioração da função hepática e desenvolvimento de encefalopatia hepática; há relatos de que o propranolol pode aumentar o risco de encefalopatia hepática nesses pacientes [2]
    • Recomenda-se cautela especial ao iniciar o tratamento e ao selecionar a dose inicial em pacientes com insuficiência hepática significativa [2]
    • As fontes consultadas não fornecem esquemas posológicos específicos com redução percentual de dose para diferentes graus de insuficiência hepática
  • Pediátrico:
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose em insuficiência hepática na população pediátrica

Classe:

  • Betabloqueador não seletivo (antagonista competitivo dos receptores adrenérgicos beta-1 e beta-2), sem atividade simpatomimética intrínseca (ASI) [1][2]

Farmacologia:

  • Mecanismo de ação: [1][2]
    • Bloqueio competitivo não seletivo dos receptores adrenérgicos beta-1 e beta-2, reduzindo as respostas cronotrópica, inotrópica e vasodilatadora à estimulação adrenérgica
    • O mecanismo anti-hipertensivo não é completamente estabelecido; contribuem para o efeito: redução do débito cardíaco, inibição da liberação de renina renal e diminuição do tônus simpático central
    • Possui efeito estabilizador de membrana (quinidina-símile) em concentrações superiores a 1–3 mg/L, raramente atingidas com uso oral; significância clínica incerta
    • Inibe a conversão periférica de T4 (tiroxina) em T3 (triiodotironina) [2]
  • Absorção: [1][2]
    • Altamente lipofílico; absorção oral praticamente completa
    • Sofre extenso metabolismo de primeira passagem hepático; apenas cerca de 25% da dose oral atinge a circulação sistêmica
    • Pico plasmático: 1 a 2 horas após dose oral em jejum (FDA: 1 a 4 horas)
    • A ingesta de alimentos ricos em proteína aumenta a biodisponibilidade em aproximadamente 50%
  • Distribuição: [1][2]
    • Ligação proteica: 80–95% (albumina e alfa-1-glicoproteína ácida)
    • Volume de distribuição: aproximadamente 4 L/kg
    • Atravessa a barreira hematoencefálica e a placenta; distribui-se no leite materno
  • Metabolismo: [1]
    • Extensamente metabolizado pelo fígado, principalmente via CYP2D6 (hidroxilação aromática) e CYP1A2 (oxidação da cadeia lateral); CYP2C19 também envolvido
    • É uma mistura racêmica; o enantiômero S(-) é farmacologicamente ativo e aproximadamente 100 vezes mais potente que o R(+) no bloqueio beta
  • Meia-vida de eliminação: [1][2]
    • 3 a 6 horas em adultos jovens
    • Aumentada em idosos: cerca de 11 horas (vs. 5 horas em jovens)
    • Aumentada na cirrose: cerca de 11 horas (vs. 4 horas em controles)

Tipo de Receita:

  • Tarja vermelha; venda sob prescrição médica com receituário simples, sem necessidade de receita de controle especial [2]

Indicações:

  • Conforme bula brasileira (Teuto): [2]
    • Controle da hipertensão arterial
    • Controle da angina pectoris
    • Controle das arritmias cardíacas
    • Profilaxia da enxaqueca
    • Controle do tremor essencial
    • Controle da ansiedade e taquicardia por ansiedade
    • Controle adjuvante da tireotoxicose e crise tireotóxica
    • Controle da cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva
    • Controle do feocromocitoma (apenas na presença de bloqueio alfa efetivo)
  • Indicações adicionais constantes na bula do FDA: [1]
    • Redução da mortalidade cardiovascular em pacientes que sobreviveram à fase aguda do infarto do miocárdio e estão clinicamente estáveis
    • Controle da frequência ventricular na fibrilação atrial com resposta ventricular rápida
    • Melhora da classe funcional (NYHA) na estenose subaórtica hipertrófica sintomática

Contraindicações:

  • Hipersensibilidade conhecida ao propranolol ou a qualquer componente da fórmula [1][2]
  • Bradicardia sinusal e bloqueio cardíaco de grau superior ao primeiro grau [1][2]
  • Choque cardiogênico [1][2]
  • Insuficiência cardíaca descompensada [2]
  • Asma brônquica ou história de broncoespasmo [1][2]
  • Hipotensão [2]
  • Síndrome do nó sinoatrial [2]
  • Distúrbios graves da circulação arterial periférica [2]
  • Feocromocitoma não tratado (sem bloqueio alfa efetivo) [2]
  • Angina de Prinzmetal [2]
  • Acidose metabólica [2]
  • Jejum prolongado [2]
  • Bloqueio cardíaco de segundo ou terceiro grau [2]

Efeitos Adversos:

  • Comuns (≥ 1/100 e < 1/10): [2]
    • Fadiga e/ou lassitude (frequentemente transitória)
    • Bradicardia
    • Extremidades frias
    • Fenômeno de Raynaud
    • Distúrbios do sono e pesadelos
  • Incomuns (≥ 1/1.000 e < 1/100): [2]
    • Distúrbios gastrintestinais (náuseas, vômitos, diarreia)
  • Raros (≥ 1/10.000 e < 1/1.000): [2]
    • Gerais: vertigem
    • Hematológicos: trombocitopenia
    • Cardiovasculares: piora da insuficiência cardíaca, precipitação de bloqueio cardíaco, hipotensão postural com possível síncope, exacerbação de claudicação intermitente
    • Sistema nervoso central: alucinações, psicoses, alterações de humor, confusão
    • Pele: púrpura, alopecia, reações cutâneas psoriasiformes, agravamento da psoríase, exantema
    • Neurológico: parestesia
    • Olhos: olhos secos, distúrbios visuais
    • Respiratório: broncoespasmo (potencialmente fatal em pacientes asmáticos)
  • Muito raros (< 1/10.000): [2]
    • Hipoglicemia (especialmente em neonatos, lactentes, crianças, idosos, pacientes em hemodiálise, em uso de terapia antidiabética concomitante, em jejum prolongado ou com doença hepática crônica)
    • Síndrome miastênica ou exacerbação de miastenia gravis
    • Aumento de anticorpos antinucleares (ANA) de relevância clínica incerta
  • Adicionais conforme label do FDA (sem categorização de frequência específica): [1]
    • Cardiovasculares: parestesia das mãos, púrpura trombocitopênica, insuficiência arterial (geralmente tipo Raynaud), intensificação do bloqueio AV, insuficiência cardíaca congestiva
    • Gastrointestinais: distress epigástrico, cólicas abdominais, constipação, trombose arterial mesentérica, colite isquêmica
    • Alérgicos: reações anafiláticas/anafilactoides, faringite, agranulocitose, laringoespasmo
    • Pele: síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica, eritema multiforme, dermatite esfoliativa, urticária, reações tipo lúpus eritematoso sistêmico (LES)
    • Genitourinários: impotência masculina, doença de Peyronie
    • Autoimune: lúpus eritematoso sistêmico (LES)

Interações Medicamentosas:

  • Hipoglicemiantes e insulina: o propranolol pode mascarar os sinais de hipoglicemia (especialmente taquicardia) e prolongar a resposta hipoglicêmica à insulina [1][2]
  • Rizatriptana e zolmitriptana: a coadministração aumenta significativamente as concentrações dessas drogas (rizatriptana: AUC aumentada em ~70% e Cmax aumentado em ~75%; zolmitriptana: AUC aumentada em 56% e Cmax em 37%); recomenda-se reduzir a dose de rizatriptana para 5 mg [1][2]
  • Antiarrítmicos classe I (disopiramida) e amiodarona: efeito aditivo no tempo de condução atrial e no inotropismo negativo [1][2]
  • Glicosídeos digitálicos: risco aumentado de bradicardia e prolongamento da condução AV [1][2]
  • Bloqueadores de canal de cálcio com efeitos inotrópicos negativos (verapamil, diltiazem): pode resultar em hipotensão grave, bradicardia, bloqueio AV de alto grau e insuficiência cardíaca, especialmente em pacientes com disfunção ventricular; nenhum deles deve ser administrado por via intravenosa até 48 horas após a descontinuação do outro [1][2]
  • Bloqueadores de canal de cálcio di-hidropiridínicos (nifedipino, nicardipino, nisoldipino): aumentam as concentrações plasmáticas do propranolol; o propranolol também aumenta o Cmax e a AUC do nifedipino [1][2]
  • Inibidores do CYP2D6 (amiodarona, fluoxetina, paroxetina, quinidina, ritonavir, cimetidina): aumentam os níveis plasmáticos do propranolol [1]
  • Inibidores do CYP1A2 (ciprofloxacino, fluvoxamina, isoniazida, cimetidina, teofilina, imipramina, ritonavir): aumentam os níveis plasmáticos do propranolol [1]
  • Inibidores do CYP2C19 (fluconazol, cimetidina, fluoxetina, fluvoxamina, tolbutamida): aumentam os níveis plasmáticos do propranolol [1]
  • Indutores do metabolismo (rifampicina, fenitoína, fenobarbital, etanol): reduzem os níveis plasmáticos do propranolol; o tabagismo aumenta o clearance do propranolol em até 77% [1]
  • Quinidina: reduz o metabolismo do propranolol, elevando as concentrações plasmáticas 2–3 vezes, com maior grau de betabloqueio e risco de hipotensão postural [1][2]
  • Propafenona: possui propriedades inotrópicas negativas e betabloqueadoras aditivas; aumenta a AUC do propranolol em mais de 200% [1][2]
  • Lidocaína: o propranolol inibe o metabolismo da lidocaína, aumentando suas concentrações em ~25–30%; toxicidade por lidocaína foi relatada [1][2]
  • Clonidina: os betabloqueadores podem exacerbar a hipertensão de rebote após a retirada da clonidina; caso ambos sejam utilizados, o betabloqueador deve ser retirado vários dias antes da clonidina [1][2]
  • AINEs (indometacina, ibuprofeno): podem reduzir o efeito anti-hipertensivo do propranolol [1][2]
  • Clorpromazina: uso concomitante aumenta os níveis plasmáticos de ambos os fármacos [1][2]
  • Haloperidol: relatos de hipotensão e parada cardíaca com uso concomitante [1]
  • Varfarina: o propranolol aumenta a biodisponibilidade da varfarina e o tempo de protrombina; monitorar INR [1][2]
  • Álcool: pode aumentar os níveis plasmáticos do propranolol [1][2]
  • Teofilina: o propranolol reduz o clearance oral da teofilina em 30–52% [1]
  • Cimetidina e hidralazina: aumentam os níveis plasmáticos do propranolol [2]
  • Ergotamina e di-hidroergotamina: reações vasospásticas foram relatadas com a combinação [2]
  • Colestiramina e colestipol: reduzem as concentrações de propranolol em até 50% [1]
  • Agentes simpaticomiméticos (adrenalina): pode haver antagonismo do efeito betabloqueador e, em pacientes em uso prolongado de propranolol, risco de hipertensão não controlada por ação alfa-adrenérgica sem oposição beta [1][2]
  • Inibidores da MAO e antidepressivos tricíclicos: podem exacerbar os efeitos hipotensores quando combinados com betabloqueadores [1]
  • Agentes anestésicos (metoxiflurano, tricloroetileno): podem deprimir a contratilidade miocárdica; o anestesista deve ser informado [1][2]
  • Tiroxina: pode resultar em concentrações de T3 menores do que o esperado quando usada concomitantemente [1]

Gestação:

  • Anvisa: [2]
    • Categoria de risco na gravidez: C
    • O propranolol não deve ser utilizado durante a gravidez a menos que seja essencial
    • Não há evidência de teratogenicidade, porém os betabloqueadores reduzem a perfusão placentária, podendo resultar em morte fetal intrauterina, partos imaturos e prematuros
    • Podem ocorrer no neonato e no feto: hipoglicemia, bradicardia e risco aumentado de complicações cardíacas e pulmonares no período pós-natal
  • FDA: [1]
    • O FDA não utiliza mais o sistema de categorias de risco na gestação (A/B/C/D/X), substituído desde 2015 pela PLLR (Pregnancy and Lactation Labeling Rule), que exige informações narrativas detalhadas
    • Não há estudos adequados e bem controlados em gestantes
    • Relatos clínicos associam o uso materno de propranolol durante a gestação a: restrição de crescimento intrauterino, placentas pequenas e anomalias congênitas no neonato
    • Neonatos cujas mães receberam propranolol no periparto podem apresentar bradicardia, hipoglicemia e/ou depressão respiratória; instalações adequadas para monitoramento desses recém-nascidos ao nascer devem estar disponíveis
    • Estudos em animais: em ratas, doses de 150 mg/kg/dia (mas não de 80 mg/kg/dia, equivalente à dose máxima humana recomendada por superfície corporal) estiveram associadas a embriotoxicidade e toxicidade neonatal; em coelhas, não foram observados efeitos embriotóxicos ou neonatais com doses de até 150 mg/kg/dia
    • O propranolol deve ser utilizado na gestação apenas quando o benefício potencial justificar o risco potencial ao feto

Lactação:

  • Anvisa: [2]
    • O propranolol, como a maioria dos betabloqueadores lipofílicos, passa para o leite materno em quantidades variáveis
    • A bula brasileira não recomenda a amamentação durante o uso deste medicamento. Ressalva: essa postura é conservadora e diverge de referências internacionais de lactação (como o LactMed/NIH e a Academia Americana de Pediatria), que consideram o propranolol geralmente compatível com a amamentação, dado que os níveis encontrados no leite materno são baixos e geralmente sem efeito clínico relevante no lactente
  • FDA: [1]
    • O propranolol é excretado no leite humano
    • Deve-se ter cautela ao administrar propranolol a mulheres em amamentação

Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • Os comprimidos simples de propranolol (10 mg, 40 mg e 80 mg) podem ser triturados, diluídos em aproximadamente 15 mL de água e administrados por sonda nasogástrica ou nasoenteral, devendo ser administrados imediatamente após o preparo [4]
  • Importante: a formulação de liberação prolongada (Rebaten® LA) não deve ser triturada para administração por sonda, pois a manipulação da forma farmacêutica compromete o perfil de liberação controlada, podendo ocasionar pico sérico elevado seguido de níveis subterapêuticos [4]
  • Recomenda-se lavar a sonda com pelo menos 20 mL de água antes e após a administração do medicamento [4]
  • Não há informações específicas nas bulas consultadas sobre a administração por sonda; as orientações acima são baseadas em guia de referência hospitalar

Fontes:

[1] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Propranolol Hydrochloride Tablets. Revised: 5/2026. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search 

[2] Bula do Profissional de Saúde. Cloridrato de Propranolol (comprimido 40 mg e 80 mg). Laboratório Teuto Brasileiro S/A. Aprovada em 01/03/2023. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[3] Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). RDC nº 471, de 23 de fevereiro de 2021. Dispõe sobre as Boas Práticas de Dispensação de Medicamentos em Farmácias e Drogarias. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-rdc-n-471-de-23-de-fevereiro-de-2021-305094098 

[4] Hospital São Camilo. Guia Farmacêutico – Preparo e Administração de Medicamentos por Via Enteral. Última atualização: Janeiro de 2023. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br/preparoeadministracaodemedicamentos/via-enteral/ 

[5] InfoSUS – Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina. Propranolol, cloridrato. Disponível em: http://infosus.saude.sc.gov.br/index.php/Propranolol,_cloridrato