Diabetes Gestacional (DMG) e DM Diagnosticado na Gestação

CID-10: O24.9 - Diabetes mellitus na gravidez, não especificado

CID-10: O24.4 - Diabetes mellitus que surge durante a gravidez

Outros temas:

Introdução

  • A hiperglicemia detectada pela primeira vez na gestação se divide em duas categorias, que se somam ao diabetes já conhecido antes da gravidez [1][2]:

    • Diabetes mellitus gestacional (DMG): intolerância aos carboidratos de gravidade variável, iniciada na gestação, que não preenche critérios de DM fora da gestação [1]

    • DM diagnosticado na gestação (overt diabetes): gestante sem diagnóstico prévio, com glicemia que atinge os critérios de DM fora da gestação [1]

    • DM prévio à gestação: DM1 ou DM2 com diagnóstico anterior à gravidez [2]

  • O DMG é a forma mais prevalente de hiperglicemia na gestação e afeta de 3% a 25% das gestações, conforme o grupo étnico e o critério diagnóstico [1]. No Brasil, estima-se que cerca de 400 mil gestantes por ano tenham algum tipo de hiperglicemia [2].

🔑 Pontos-chave:

  • Metformina: não iniciar ou suspender se qualquer um: feto abaixo do percentil 50; crescimento intrauterino restrito; doença renal crônica [3]

  • Qualquer um (glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5%, TOTG 2 horas ≥ 200 mg/dL): DM diagnosticado na gestação [1], conduzido como DM prévio, com investigação de malformação e de complicações crônicas [2]

  • Insulina é a primeira escolha; metformina só quando a insulina não for viável ou em associação; glibenclamida não é recomendada [3]

  • Iniciar fármaco se qualquer um: 2 ou mais glicemias acima da meta após 7 a 14 dias de terapia não farmacológica; circunferência abdominal fetal ≥ P75 entre 29 e 33 semanas [3]

  • Corticoide para maturação pulmonar: aumentar a insulina e intensificar o monitoramento por até 72 horas após a última dose [3]

  • TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas para todas as gestantes sem DM prévio, com ou sem fatores de risco; um único valor alterado define DMG [1]

  • HbA1c não serve para ajustar a terapia do DMG [4]; o ajuste é guiado pela automonitorização da glicemia [3]

  • Reclassificar com TOTG 75 g ou glicemia de jejum após o parto: o DMG aumenta o risco futuro de DM [1][2]

🎯 Fluxograma de manejo

O fluxograma organiza o diagnóstico da hiperglicemia na gestante sem DM prévio conhecido, a partir da idade gestacional no início do pré-natal. Antes de 20 semanas, solicita-se glicemia de jejum: abaixo de 92 mg/dL, TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas; de 92 a 125 mg/dL, diabetes mellitus gestacional; 126 mg/dL ou mais, DM diagnosticado na gestação. Entre 20 e 28 semanas, TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas; no pré-natal iniciado entre 20 e 28 semanas, o TOTG 75 g é feito a partir de 24 semanas; sem acesso ao TOTG, conferir em Rastreamento e diagnóstico. Após 28 semanas, TOTG 75 g o mais breve possível. No resultado do TOTG 75 g, qualquer um (jejum de 92 a 125 mg/dL; 1 hora de 180 mg/dL ou mais; 2 horas de 153 a 199 mg/dL) define diabetes mellitus gestacional, com seguimento para o fluxograma de tratamento; qualquer um (jejum de 126 mg/dL ou mais; 2 horas de 200 mg/dL ou mais) define DM diagnosticado na gestação, diagnóstico também feito com glicemia ao acaso de 200 mg/dL ou mais ou HbA1c de 6,5% ou mais (conferir em DM diagnosticado na gestação: cuidados adicionais); sem nenhum valor alterado, o resultado é normal. Abreviações: DM, diabetes mellitus; HbA1c, hemoglobina glicada; TOTG, teste oral de tolerância à glicose. Fonte: referência [1] do artigo.O fluxograma organiza o tratamento do diabetes mellitus gestacional. Ao diagnóstico, iniciam-se terapia nutricional e exercício físico, com glicemia capilar em perfil de 4 pontos (conferir em Terapia não farmacológica). Em seguida, pergunta-se se há qualquer um: 2 ou mais glicemias acima da meta após 7 a 14 dias; 30% a 50% das medidas alteradas em 7 dias; circunferência abdominal fetal no percentil 75 ou acima em ultrassonografia entre 29 e 33 semanas. Se não, mantêm-se a terapia não farmacológica e o automonitoramento. Se sim, pergunta-se se a insulinoterapia é viável. Se for, inicia-se insulina subcutânea, NPH e/ou insulina prandial conforme o perfil glicêmico, com glicemia capilar em perfil de 6 pontos (conferir em Insulinoterapia), e pergunta-se se há qualquer um: insulina acima de 2 UI/kg/dia sem controle; ganho de peso materno ou fetal excessivo. Se sim, associa-se metformina por via oral, se não houver contraindicação (conferir em Metformina); se não, mantém-se a insulina, com ajustes no mínimo a cada 15 dias até 30 semanas e semanais após. Se a insulinoterapia não for viável, pergunta-se se há qualquer um: feto abaixo do percentil 50; crescimento intrauterino restrito; doença renal crônica. Se sim, a metformina está contraindicada (conferir em Metformina). Se não, inicia-se metformina por via oral, com glicemia capilar em perfil de 6 pontos (conferir em Metformina), e pergunta-se se a glicemia está nas metas: se sim, mantém-se a metformina; se não, inicia-se insulina subcutânea (conferir em Insulinoterapia). Os ramos de terapia não farmacológica, insulina e metformina seguem para seguimento fetal e programação do parto (conferir em Seguimento pré-natal e avaliação fetal e em Momento e via de parto). Um ícone de alerta marca a metformina, após o nome; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: DMG, diabetes mellitus gestacional; P75, percentil 75; SC, subcutânea; UI, unidade internacional; USG, ultrassonografia; VO, via oral. Fonte: referências [2], [3], [4] e [5] do artigo.

Rastreamento e diagnóstico

  • Primeira consulta de pré-natal, em gestante sem DM prévio conhecido [1]:

    • Solicitar glicemia plasmática de jejum [1]

    • HbA1c adicional pode ser considerada (classe IIb) [1]

    • Interpretar pela tabela abaixo; glicemia de jejum < 92 mg/dL: TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas [1]

  • Início do pré-natal após 20 semanas [1]:

    • Entre 20 e 28 semanas: TOTG 75 g a partir de 24 semanas [1]

    • Após 28 semanas: TOTG 75 g o mais breve possível [1]

  • TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas para todas as gestantes sem DM prévio, independentemente de fatores de risco, com glicemia de jejum, 1 hora e 2 horas [1]:

    • Preparo: dieta sem restrição de carboidratos (no mínimo 150 g/dia) nos 3 dias anteriores e jejum de 8 horas [1]

    • Interpretação: um único valor alterado define o diagnóstico (ver tabela) [1]

  • Armadilha no primeiro trimestre [1]:

    • Glicemia de jejum próxima de 92 mg/dL, principalmente em gestante sem fatores de risco: pode superestimar o diagnóstico, porque a glicemia de jejum cai cerca de 9 mg/dL entre o fim do primeiro e o início do segundo trimestre [1]

  • Serviço sem acesso ao TOTG (viabilidade financeira ou técnica parcial) [1]:

    • Glicemia de jejum no início do pré-natal, em qualquer idade gestacional [1]

    • Se < 92 mg/dL antes de 24 semanas: repetir a glicemia de jejum entre 24 e 28 semanas [1]

    • Repetição ≥ 92 mg/dL: DMG [1]

Exame

Normal

DMG

DM diagnosticado na gestação

Glicemia de jejum (qualquer momento da gestação)

< 92 mg/dL

92 a 125 mg/dL

≥ 126 mg/dL

Glicemia ao acaso

≥ 200 mg/dL

HbA1c (primeira consulta)

< 5,7%

5,7% a 6,4%: risco aumentado de DMG, sem valor diagnóstico

≥ 6,5%

TOTG 75 g, jejum

92 a 125 mg/dL

≥ 126 mg/dL

TOTG 75 g, 1 hora

≥ 180 mg/dL

TOTG 75 g, 2 horas

153 a 199 mg/dL

≥ 200 mg/dL

Conduta

Glicemia de jejum na primeira consulta: TOTG entre 24 e 28 semanas

Iniciar tratamento

Iniciar tratamento

Fonte: [1]

Fatores de risco

  • Antecedentes [1]:

    • DMG prévio

    • História familiar de diabetes em parentes de primeiro grau

    • Antecedentes obstétricos: abortamentos de repetição, malformações, morte fetal ou neonatal, macrossomia

  • Condições maternas [1]:

    • Idade materna avançada

    • Sobrepeso e obesidade

    • Condições associadas à resistência à insulina: acanthosis nigricans, obesidade central, hipertrigliceridemia, hipertensão arterial sistêmica, síndrome dos ovários policísticos

    • HbA1c ≥ 5,7% no primeiro trimestre

  • Gestação atual [1]:

    • Ganho excessivo de peso

    • Crescimento fetal excessivo

    • Polidrâmnio

    • Hipertensão ou pré-eclâmpsia

Complicações

  • Maternas [1]:

    • Desordens hipertensivas da gravidez

    • Polidrâmnio

    • Infecção urinária e candidíase vaginal

    • Cesárea

    • Surgimento ou agravamento das complicações crônicas do DM

  • Fetais e neonatais [1]:

    • Macrossomia e tocotraumatismo

    • Abortamento, malformações e óbito intrauterino

    • Prematuridade e desconforto respiratório

    • Hipoglicemia neonatal, hipocalcemia e hiperbilirrubinemia

  • Futuras [1]:

    • Mãe: risco aumentado de DM e recidiva do DMG em gestações seguintes

    • Prole: risco aumentado de síndrome metabólica, obesidade, DM e hipertensão arterial; sequelas de malformações

  • DM diagnosticado na gestação: a hiperglicemia já presente na embriogênese aumenta o risco de malformação fetal, investigada como no DM1 e no DM2 [2]

Esquema de tratamento

  • Desde o diagnóstico: terapia não farmacológica e automonitoramento, com terapia nutricional, exercício físico e glicemia capilar (conferir em "Terapia não farmacológica" e "Automonitoramento e metas") [3][4][5]

  • Reavaliar após 7 a 14 dias: iniciar fármaco se qualquer um (conferir em "Insulinoterapia") [3]:

    • 2 ou mais medidas acima da meta

    • 30% a 50% das medidas alteradas em 7 dias

    • Circunferência abdominal fetal ≥ percentil 75 em ultrassonografia entre 29 e 33 semanas

  • Escolha do fármaco [3]:

    • Insulina: primeira escolha

    • Metformina isolada: apenas quando a insulinoterapia não for viável

    • Metformina associada à insulina, qualquer um: dose de insulina > 2 UI/kg/dia sem controle; ganho de peso materno ou fetal excessivo

  • Não usar [3][5]:

    • Glibenclamida: não recomendada no DMG [3]

    • Outros antidiabéticos orais: contraindicados [5]

  • DM diagnosticado na gestação: conduzir como DM prévio sem tratamento, com insulinoterapia em esquema intensivo e rastreamento de complicações crônicas (conferir em "DM diagnosticado na gestação: cuidados adicionais") [2][3]

  • Medidas simultâneas: avaliação do crescimento e da vitalidade fetal (conferir em "Seguimento pré-natal e avaliação fetal") [2]

Automonitoramento e metas

  • Início e duração: glicemia capilar diária, iniciada logo após o diagnóstico e mantida até o parto [4]

  • Perfil glicêmico no DMG [4][5]:

    • Tratamento não farmacológico:

      • Perfil diário de 4 pontos: jejum, 1 hora após café, 1 hora após almoço e 1 hora após jantar [4]

      • Viabilidade financeira ou técnica parcial: perfil de 4 pontos 3 vezes por semana [4][5]

    • Tratamento farmacológico:

      • Perfil diário de 6 pontos: jejum, 1 hora após café, antes do almoço, 1 hora após almoço, antes do jantar e 1 hora após jantar [4]

      • Viabilidade financeira ou técnica parcial: perfil diário de 4 pontos (jejum, pós-café, pós-almoço e pós-jantar) [5]

  • Perfil glicêmico no DM diagnosticado na gestação [2][4]:

    • SBD (2026), DM pré-gestacional:

      • Antes e 1 hora após o início das três principais refeições, ao deitar e, esporadicamente, entre 2 e 4 horas da manhã [4]

    • Cuidados obstétricos (2021):

      • Recursos totais: perfil diário de no mínimo 6 pontos [2]

      • Recursos parciais: perfil diário de 4 pontos [2]

  • Técnica [4][5]:

    • Medida pós-prandial contada a partir do início da refeição [5]

    • Medida de 2 horas é alternativa à de 1 hora, principalmente em uso de insulina humana regular [4]

    • Punção nos dedos das mãos, sem locais alternativos [4]

    • Hematócrito < 30% pode superestimar e > 55% pode subestimar a glicemia capilar [4][5]

  • Monitorização contínua da glicose (CGM) no DMG [4]:

    • DMG em uso de insulina, com qualquer um (grande variabilidade glicêmica, risco de hipoglicemia sem aviso, feto grande para a idade gestacional): considerar CGM (classe IIa) [4]

    • DMG em terapia não farmacológica: CGM associado à glicemia capilar pode ser considerado por preferência e viabilidade financeira (classe IIb) [4]

    • Meta em uso de CGM: tempo no alvo de 63 a 140 mg/dL > 90% (classe IIb) [4]

    • O CGM não substitui a glicemia capilar [4]

    • Valor < 70 mg/dL no CGM sem sintomas de hipoglicemia: confirmar imediatamente em glicemia capilar [4]

  • Metas (ver tabela) [4]:

    • Em uso de insulina: pós-prandiais não inferiores a 100 mg/dL [2][5]

    • HbA1c: não usar para ajustar a terapia [4] nem como critério de controle glicêmico no DMG [2]

Horário

Baixo risco de hipoglicemia

Alto risco de hipoglicemia

Jejum

> 65 e < 95 mg/dL

> 70 e < 99 mg/dL

Pré-prandial

65 a 95 mg/dL

1 hora após refeições

< 140 mg/dL

2 horas após refeições

< 120 mg/dL

Ao deitar

> 80 e < 120 mg/dL

Entre 2 e 4 horas da madrugada

> 80 e < 120 mg/dL

Fonte: [4]

Terapia não farmacológica

  • Avaliação antropométrica em todas as consultas [5]:

    • Calcular o IMC pré-gestacional na primeira consulta; sem peso pré-gestacional, usar o peso atual e a classificação por idade gestacional [5]

    • Programar o ganho de peso semanal e total pelo IMC (ver tabela) [5]

    • Ganho excessivo após 20 semanas: avaliar edema e pré-eclâmpsia [5]

IMC pré-gestacional (kg/m²)

Ganho até a 14ª semana

Ganho semanal a partir da 14ª semana

Ganho total na gestação

Baixo peso (< 18,5)

1,0 a 3,0 kg

0,51 kg (0,44 a 0,58)

12,5 a 18,0 kg

Adequado (18,5 a 24,9)

1,0 a 3,0 kg

0,42 kg (0,35 a 0,50)

11,5 a 16,0 kg

Sobrepeso (25,0 a 29,9)

1,0 a 3,0 kg

0,28 kg (0,23 a 0,33)

7,0 a 11,5 kg

Obesidade (≥ 30,0)

0,2 a 2,0 kg

0,22 kg (0,17 a 0,27)

5,0 a 9,0 kg

Fonte: [5]

  • Composição da dieta [5]:

    • Valor energético total individualizado, adequado ao ganho de peso recomendado [5]

    • Carboidratos [5]:

      • 40% a 55% do valor energético total

      • Mínimo de 175 g/dia

      • Fibras: no mínimo 28 g/dia

      • Sacarose: < 5%

    • Proteínas: 15% a 20% do valor energético total; mínimo de 71 g/dia (cerca de 1,1 g/kg/dia) [5]

    • Lipídios: 30% a 40% do valor energético total; gordura saturada < 6%; colesterol < 300 mg/dia; evitar gordura trans [5]

    • Difícil controle glicêmico: preferir alimentos integrais e de baixo índice glicêmico; carboidratos em 40% do valor energético total [5]

  • Organização das refeições [5]:

    • 3 refeições e 2 ou 3 lanches por dia, com intervalos de até 3 horas [5]

    • Em uso de insulina: horários fixos de refeição [5]

    • Insulina à noite: ceia com 25 g de carboidratos, além de proteínas ou lipídios [5]

  • Escolhas alimentares [5]:

    • Base de alimentos in natura ou minimamente processados; desestimular processados e ultraprocessados [5]

    • Evitar sacarose, glicose, mel, xarope de glicose e frutose como adoçante [5]

    • Edulcorantes com moderação: no máximo 6 sachês ou 15 gotas por dia [5]

    • Sal de adição: no máximo 5 g/dia [5]

    • Água: pelo menos 2 litros por dia, entre as refeições [5]

  • Exercício físico, na ausência de contraindicação [5]:

    • Intensidade moderada, 5 ou mais dias por semana, 30 a 40 minutos (5 minutos de aquecimento e 5 de desaceleração) [5]

    • Intensidade adequada: conseguir conversar durante o exercício e sentir-se relativamente cansada (Borg 13 a 14) [5]

    • Cuidados [5]:

      • Hidratação antes, durante e após

      • Em uso de insulina: ingestão calórica antes do exercício

      • Evitar o pico de ação da insulina

    • Exemplos seguros: caminhada, natação, bicicleta estacionária, aeróbica de baixo impacto, yoga e pilates sem posturas que dificultem o retorno venoso, corrida, esportes com raquete, treinamento de força [5]

    • Contraindicações absolutas [5]:

      • Doença cardíaca hemodinamicamente significativa

      • Doença pulmonar restritiva

      • Incompetência istmocervical ou cerclagem

      • Gestação múltipla com risco de parto prematuro

      • Hemorragia persistente no 2º ou 3º trimestre

      • Placenta prévia

      • Trabalho de parto prematuro

      • Membranas rotas

      • Pré-eclâmpsia

      • Anemia grave

    • Interromper e procurar atendimento se qualquer um [5]:

      • Sangramento vaginal

      • Contrações dolorosas ou regulares

      • Perda de líquido amniótico

      • Dispneia antes do exercício

      • Vertigem

      • Cefaleia

      • Dor torácica

      • Fraqueza muscular com perda de equilíbrio

      • Dor ou edema em panturrilha

Insulinoterapia

  • Quando iniciar [3]:

    • Qualquer um (classe IIb) [3]:

      • 2 ou mais medidas acima da meta após 7 a 14 dias de terapia não farmacológica

      • 30% a 50% das medidas alteradas em 7 dias

      • Circunferência abdominal fetal ≥ percentil 75 em ultrassonografia entre 29 e 33 semanas, independentemente da glicemia

  • Dose total inicial [3]:

    • 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, conforme a idade gestacional e a gravidade da hiperglicemia [3]

    • Hiperglicemia isolada (só em jejum ou só após o café da manhã): 0,1 a 0,2 UI/kg/dia [3]

    • Distribuição em 2 a 3 aplicações diárias, com a maior parte antes do café da manhã [5]

  • Escolha do esquema pelo perfil glicêmico [3]:

    • Hiperglicemia só em jejum: NPH à noite [3]

    • Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição [3]

    • Hiperglicemia de jejum e pós-prandial na maioria das refeições: múltiplas injeções, NPH associada a insulina rápida ou ultrarrápida [3]

    • Difícil controle pós-prandial: considerar análogos rápidos ou ultrarrápidos (classe IIa) [3]

  • Ajustes [3]:

    • Individualizados pela automonitorização, no mínimo a cada 15 dias até 30 semanas e semanalmente após 30 semanas [3]

    • Corticoide para maturação pulmonar fetal: aumentar a dose de insulina e intensificar o monitoramento da glicose por até 72 horas após a última dose do corticoide [3]

  • Esquemas [3][5]:

    • Insulina basal [3][5][6][7][8]:

      • Insulina NPH (Humulin N®, Novolin N®) susp. inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL, carpule 3 mL ou caneta 3 mL)

        • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

        • Hiperglicemia só em jejum: NPH à noite, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

        • Horários: antes do café da manhã, antes do almoço e/ou ao deitar, com a maior parte antes do café da manhã

        • Administração:

          • Via subcutânea; nunca por via intravenosa

          • Preparo: homogeneizar com 15 a 20 movimentos suaves de rotação antes de aspirar; na mesma seringa com insulina regular, aspirar primeiro a regular e aplicar logo após o preparo

          • Aplicação: manter a agulha sob a pele por pelo menos 6 segundos

          • Conservação:

            • Fechada: entre 2 e 8 °C, sem congelar

            • Em uso, Novolin N: frasco por até 4 semanas e carpule ou caneta por até 6 semanas, em temperatura ambiente

            • Em uso, Humulin N: frasco ou carpule por até 28 dias (carpule em temperatura ambiente, sem refrigerar; frasco de preferência na geladeira)

    • Insulina prandial [3][5][6][9][10][11][12][13]:

      • Insulina Regular (Humulin R®, Novolin R®) sol. inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL, carpule 3 mL ou caneta 3 mL)

        • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

        • Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

        • Horários: antes do café da manhã, do almoço e/ou do jantar

        • Administração:

          • Via subcutânea, 30 a 40 minutos antes da refeição

          • Aplicação: manter a agulha sob a pele por pelo menos 6 segundos

          • Conservação:

            • Fechada: entre 2 e 8 °C, sem congelar

            • Em uso, Novolin R: frasco, carpule ou caneta por até 6 semanas

            • Em uso, Humulin R: frasco ou carpule por até 28 dias (carpule em temperatura ambiente, sem refrigerar; frasco de preferência na geladeira)

      • Insulina Lispro (Humalog®) inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL ou caneta 3 mL)

        • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

        • Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

        • Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial

        • Administração:

          • Via subcutânea, no início da refeição ou até 15 minutos antes

          • Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, por até 28 dias, com a caneta em temperatura ambiente, sem refrigerar, e o frasco de preferência na geladeira

      • Insulina Asparte (NovoRapid®) sol. inj. 100 U/mL (caneta 3 mL, carpule 3 mL ou frasco-ampola 10 mL)

        • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

        • Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

        • Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial

        • Administração:

          • Via subcutânea, no início da refeição ou até 15 minutos antes

          • Aplicação: agulha nova a cada aplicação; manter o botão pressionado por pelo menos 6 segundos

          • Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, em temperatura ambiente (até 30 °C), por até 4 semanas

      • Insulina Fast Asparte (Fiasp®) sol. inj. 100 U/mL (caneta 3 mL, carpule 3 mL ou frasco-ampola 10 mL)

        • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

        • Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

        • Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial

        • Administração:

          • Via subcutânea, no início da refeição ou em até 20 minutos após o início

          • Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, em temperatura ambiente (até 30 °C), por até 4 semanas

    • Considerações:

      • Rodízio dos locais de aplicação dentro da mesma região, com distância mínima de 1,5 cm entre os pontos, para prevenir lipodistrofia [5]

      • Risco de hipoglicemia: conferir o protocolo Hipoglicemia no Adulto

Insulina ou análogo

Categoria de risco na gestação (Anvisa)

Asparte

A

Fast asparte

A

Detemir (não está mais disponível)

A

Degludeca

A

Regular

B

Lispro

B

NPH

B

Lispro Mix 75/25 e 50/50

B

Glulisina

C

Glargina e biossimilar

C

Glargina U300

C

Asparte Mix 70/30

C

Fonte: [3]

Metformina

  • Indicações [3]:

    • Isolada, sem controle com medidas não farmacológicas e com insulinoterapia inviável; qualquer um [3]:

      • Falta de adesão à insulinoterapia

      • Não acessibilidade à insulina

      • Dificuldade na autoadministração da insulina

      • Estresse exacerbado decorrente do uso de insulina

      • Restrição alimentar excessiva para evitar a insulina

    • Associada à insulina; qualquer um [3]:

      • Dose de insulina > 2 UI/kg/dia sem controle glicêmico adequado

      • Ganho de peso materno excessivo

      • Ganho de peso fetal excessivo

  • Contraindicações (não iniciar ou suspender); qualquer um [3]:

    • Feto abaixo do percentil 50

    • Crescimento intrauterino restrito

    • Doença renal crônica

  • Falha da metformina [3]:

    • Insulina é mandatória

    • Preditores de falha: idade materna avançada, glicemia de jejum elevada, diagnóstico precoce do DMG

  • Esquemas [3][5][6][14][15]:

    • Metformina (Glifage®) comp. rev. 500 mg, 850 mg ou 1 g

      • Dose inicial de 500 mg, 1 ou 2 vezes ao dia

      • Titular a cada 1 a 2 semanas até as metas glicêmicas

      • Dose máxima: 2.500 mg/dia

      • Administração: via oral, junto ou logo após as refeições.

    • Metformina (Glifage XR®) comp. liberação prolongada 500 mg ou 750 mg

      • Opção na intolerância gastrointestinal ou para simplificar a posologia

      • Dose diária total conforme a titulação acima, em dose única diária

      • Dose máxima:

        • Comp. 500 mg: 2.000 mg/dia (4 comprimidos)

        • Comp. 750 mg: 2.250 mg/dia (3 comprimidos)

      • Administração: via oral, com o jantar.

    • Considerações:

      • Uso fora da bula: a Anvisa não aprova a metformina para o tratamento do DMG; registrar em prontuário o motivo da indicação e aplicar termo de consentimento livre e esclarecido antes do início [5]

      • DM2 com hipertensão arterial crônica ou doença renal: cautela, pelo risco de recém-nascido pequeno para a idade gestacional [3]

💊 Como prescrever?

Insulina NPH [3][7]:

  • Insulina NPH (Humulin N®, Novolin N®) susp. inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL, carpule 3 mL ou caneta 3 mL)

    • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

    • Hiperglicemia só em jejum: NPH à noite, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

    • Horários: antes do café da manhã, antes do almoço e/ou ao deitar, com a maior parte antes do café da manhã

    • Administração:

      • Via subcutânea; nunca por via intravenosa

      • Preparo: homogeneizar com 15 a 20 movimentos suaves de rotação antes de aspirar; na mesma seringa com insulina regular, aspirar primeiro a regular e aplicar logo após o preparo

      • Aplicação: manter a agulha sob a pele por pelo menos 6 segundos

      • Conservação:

        • Fechada: entre 2 e 8 °C, sem congelar

        • Em uso, Novolin N: frasco por até 4 semanas e carpule ou caneta por até 6 semanas, em temperatura ambiente

        • Em uso, Humulin N: frasco ou carpule por até 28 dias (carpule em temperatura ambiente, sem refrigerar; frasco de preferência na geladeira)

Insulina Regular [3][9]:

  • Insulina Regular (Humulin R®, Novolin R®) sol. inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL, carpule 3 mL ou caneta 3 mL)

    • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

    • Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

    • Horários: antes do café da manhã, do almoço e/ou do jantar

    • Administração:

      • Via subcutânea, 30 a 40 minutos antes da refeição

      • Aplicação: manter a agulha sob a pele por pelo menos 6 segundos

      • Conservação:

        • Fechada: entre 2 e 8 °C, sem congelar

        • Em uso, Novolin R: frasco, carpule ou caneta por até 6 semanas

        • Em uso, Humulin R: frasco ou carpule por até 28 dias (carpule em temperatura ambiente, sem refrigerar; frasco de preferência na geladeira)

Insulina Lispro [3][11]:

  • Insulina Lispro (Humalog®) inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL ou caneta 3 mL)

    • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

    • Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

    • Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial

    • Administração:

      • Via subcutânea, no início da refeição ou até 15 minutos antes

      • Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, por até 28 dias, com a caneta em temperatura ambiente, sem refrigerar, e o frasco de preferência na geladeira

Insulina Asparte [3][12]:

  • Insulina Asparte (NovoRapid®) sol. inj. 100 U/mL (caneta 3 mL, carpule 3 mL ou frasco-ampola 10 mL)

    • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

    • Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

    • Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial

    • Administração:

      • Via subcutânea, no início da refeição ou até 15 minutos antes

      • Aplicação: agulha nova a cada aplicação; manter o botão pressionado por pelo menos 6 segundos

      • Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, em temperatura ambiente (até 30 °C), por até 4 semanas

Insulina Fast Asparte [3][13]:

  • Insulina Fast Asparte (Fiasp®) sol. inj. 100 U/mL (caneta 3 mL, carpule 3 mL ou frasco-ampola 10 mL)

    • Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico

    • Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia

    • Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial

    • Administração:

      • Via subcutânea, no início da refeição ou em até 20 minutos após o início

      • Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, em temperatura ambiente (até 30 °C), por até 4 semanas

Metformina [3][15]:

  • Metformina (Glifage®) comp. rev. 500 mg, 850 mg ou 1 g

    • Dose inicial de 500 mg, 1 ou 2 vezes ao dia

    • Titular a cada 1 a 2 semanas até as metas glicêmicas

    • Dose máxima: 2.500 mg/dia

    • Administração: via oral, junto ou logo após as refeições.

  • Metformina (Glifage XR®) comp. liberação prolongada 500 mg ou 750 mg

    • Opção na intolerância gastrointestinal ou para simplificar a posologia

    • Dose diária total conforme a titulação acima, em dose única diária

    • Dose máxima:

      • Comp. 500 mg: 2.000 mg/dia (4 comprimidos)

      • Comp. 750 mg: 2.250 mg/dia (3 comprimidos)

    • Administração: via oral, com o jantar.

DM diagnosticado na gestação: cuidados adicionais

  • Conduzir como DM prévio sem tratamento [2]:

    • Acompanhamento preferencial em nível terciário, com equipe multiprofissional [2]

    • Investigar malformação fetal como no DM1 e no DM2 [2]

  • Rastreamento de complicações crônicas ao diagnóstico, repetido no início de cada trimestre e no puerpério quando normal [2]:

    • Retinopatia: mapeamento de retina (retinografia) [2]

    • Doença renal: creatinina sérica com TFGe, mais qualquer um (albuminúria em amostra, relação albumina/creatinina, proteinúria de 24 horas) [2]

    • Neuropatia: exame clínico [2]

    • Doença cardiovascular: eletrocardiograma e ecocardiograma se qualquer um (DM há mais de 10 anos, sintomas sugestivos, cardiopatia prévia) [2]

    • Complicação ocular, renal ou cardiovascular: encaminhar ao especialista [2]

  • Tratamento [3]:

    • Insulinoterapia: esquema intensivo de insulinização (múltiplas doses ou sistema de infusão) [3]

    • Metformina associada à insulina no DM2: considerar se ganho de peso gestacional excessivo ou recém-nascido grande para a idade gestacional (classe IIa) [3]

  • Comorbidades e prevenção [2][3][16]:

    • Hipertensão arterial crônica associada: PA sistólica entre 110 e 140 mmHg e diastólica entre 80 e 85 mmHg; aferir pelo menos a cada 2 semanas [2]

    • TSH se fator de risco para tireoidopatia, como obesidade [2]

    • Ácido acetilsalicílico para prevenção de pré-eclâmpsia:

      • SBD (2026):

        • Indicado no DM1 e no DM2 pré-gestacional; no DMG, dados insuficientes [3]

      • Manual de gestação de alto risco (2022):

        • Diabetes tipo 1 ou 2 é fator de alto risco; um fator de alto risco indica AAS e cálcio [16]

      • Conferir o protocolo Eclâmpsia e Pré-eclâmpsia

  • Hipoglicemia em uso de insulina [2]:

    • Prevenção: ceia com pelo menos 25 g de carboidratos; ter sempre em mãos 15 g de carboidrato de absorção rápida [2]

    • Consciente e capaz de deglutir: 15 g de carboidrato; reavaliar em 15 minutos e repetir se glicemia < 65 mg/dL ou sintomas persistentes; evitar alimentos gordurosos [2]

    • Hipoglicemia grave (geralmente < 50 mg/dL), com alteração de consciência ou incapacidade de deglutir: glucagon parenteral, que deve estar disponível em casa para gestantes em risco [2]

    • Sintomas neuroglicopênicos graves com alteração cognitiva: acionar o serviço de urgência para glicose intravenosa [2]

    • Conduta detalhada: conferir o protocolo Hipoglicemia no Adulto

  • Cetoacidose diabética [2]:

    • Suspeitar se qualquer um: náusea, vômitos, dor abdominal, fraqueza, poliúria e polidipsia, desidratação, alteração de consciência; pode ocorrer com glicemia mais baixa que fora da gestação [2]

    • Desencadeantes: infecção, corticoide, diabetes não diagnosticado, baixa adesão, vômitos incoercíveis [2]

    • Tratamento em nível terciário, preferencialmente em UTI [2]

    • Conduta detalhada: conferir o protocolo Cetoacidose Diabética e Estado Hiperosmolar

Seguimento pré-natal e avaliação fetal

  • Nível de atenção [2]:

    • DMG em tratamento não farmacológico (classe A1), sem comorbidades e com crescimento fetal e líquido amniótico adequados: atenção primária [2]

    • Qualquer um (DMG em tratamento farmacológico, classe A2; comorbidade; difícil controle; alteração fetal): nível secundário ou terciário [2]

    • DM diagnosticado na gestação: prioritariamente nível terciário [2]

  • Intervalo entre consultas [2]:

    • DMG: no máximo 15 dias até 30 semanas e semanal até o parto [2]

    • DM diagnosticado na gestação:

      • Recursos totais: no máximo 7 dias [2]

      • Recursos parciais: no máximo 15 dias até 30 semanas e semanal até o parto [2]

  • Ultrassonografia [2]:

    • Datação precoce: todas as gestantes [2]

    • DMG:

      • No diagnóstico: ultrassonografia obstétrica; se DMG antes de 20 semanas com idade gestacional já confirmada, pode ser adiada para 24 a 28 semanas [2]

      • Morfológica de 1º e 2º trimestres: apenas com recursos totais [2]

    • DM diagnosticado na gestação:

      • Morfológica de 2º trimestre: todas [2]

      • Recursos totais: morfológica de 1º trimestre e ecocardiografia fetal [2]

  • Crescimento fetal [2]:

    • DMG:

      • Recursos totais: a partir de 24 semanas, a cada 4 semanas [2]

      • Recursos parciais: entre 28 e 32 semanas e repetir com 36 semanas [2]

    • DM diagnosticado na gestação: a partir de 24 semanas, a cada 4 semanas [2]

    • Crescimento < P10 ou > P95: individualizar, com intervalo mínimo de 15 dias [2]

    • Circunferência abdominal ≥ P75: controle glicêmico mais rigoroso na classe A2; avaliar tratamento farmacológico na classe A1 [2]

  • Vitalidade fetal [2]:

    • Contagem de movimentos fetais diária a partir de 28 semanas, por 1 hora após as principais refeições; procurar atendimento se redução de 50% em relação ao mesmo período do dia anterior [2]

    • Cardiotocografia anteparto semanal [2]:

      • DMG classe A1: a partir de 34 semanas [2]

      • DMG classe A2: a partir de 32 semanas [2]

      • DM diagnosticado na gestação: a partir de 28 semanas [2]

    • Perfil biofísico fetal pode substituir a cardiotocografia, com as mesmas indicações [2]

    • Doppler de artéria umbilical [2]:

      • DMG: sem indicação de rotina, salvo hipertensão arterial crônica ou pré-eclâmpsia

      • DM diagnosticado na gestação: entre 26 e 28 semanas (com artérias uterinas) e, com recursos totais, entre 32 e 34 semanas

  • Critérios de internação; qualquer um [2]:

    • Controle metabólico inadequado

    • Descompensação aguda do controle glicêmico

    • Agravamento de comorbidades

    • Repercussões maternas ou fetais

    • Intercorrências obstétricas ou necessidade de resolução da gestação

Momento e via de parto

  • Qualquer cenário: peso fetal estimado ≥ 4.000 g, considerar resolução imediata da gestação [2]

  • DMG [2]:

    • Controle glicêmico bom, tratamento não farmacológico: parto entre 39 0/7 e 40 6/7 semanas [2]

    • Controle glicêmico bom, tratamento farmacológico: parto entre 39 0/7 e 39 6/7 semanas [2]

    • Controle glicêmico ruim: parto entre 37 0/7 e 38 0/7 semanas [2]

  • DM diagnosticado na gestação [2]:

    • Controle glicêmico bom: parto entre 38 0/7 e 39 6/7 semanas [2]

    • Controle glicêmico ruim: considerar parto até 37 0/7 semanas [2]

    • Individualizar conforme complicações maternas e fetais [2]

  • Via de parto pelo peso fetal estimado ao ultrassom [2]:

    • < 4.000 g: indicação obstétrica [2]

    • 4.000 a 4.500 g: individualizar pela história obstétrica, condições maternas e fetais e disponibilidade de UTI neonatal [2]

    • ≥ 4.500 g: oferecer cesárea [2]

    • DMG com controle glicêmico ruim: individualizar pelo peso fetal estimado e pelo risco materno [2]

  • Local do parto [2]:

    • DMG: prioritariamente nível secundário; terciário se qualquer um: controle inadequado; parto pré-termo; alteração fetal; comorbidades; alta probabilidade de UTI neonatal [2]

    • DM diagnosticado na gestação: prioritariamente nível terciário [2]

Cuidados no parto

  • Meta glicêmica intraparto [5][16]:

    • Manter entre 70 e 120 mg/dL [5]

    • Preferencialmente entre 100 e 120 mg/dL [5][16]

  • Correção [5][16]:

    • < 70 mg/dL: glicose 5% ou 10% intravenosa contínua [5][16]

    • ≥ 120 mg/dL: insulina regular subcutânea; dose não definida na fonte, seguir protocolo institucional [5][16]

  • Trabalho de parto espontâneo com insulina basal já aplicada [5][16]:

    • Glicose 5% intravenosa contínua [5][16]:

      • Em gestantes sem diabetes:

        • Habitualmente até 9 g/h (180 mL/h) [17]

        • Não exceder 20 g/h (400 mL/h) [18]

      • Em gestantes com diabetes:

        • Velocidade ajustável, com glicemia capilar frequente [19]

        • Evitar hipoglicemia materna, associada a hipoglicemia neonatal [20]

      • Ajustar pela meta glicêmica intraparto

    • Glicemia capilar a cada 1 a 2 horas [5][16]

  • Cesárea programada:

    • Jejum de no mínimo 8 horas [5][16]

    • DMG: metade a um terço da dose diária de NPH na manhã do parto [16]

    • NPH só ao deitar: dose na manhã do parto não definida na fonte; seguir protocolo institucional [5][16]

    • DM diagnosticado na gestação: um terço da dose habitual da manhã, ou suprimir a dose se a cesárea for no início da manhã [16]

    • Glicose 5% intravenosa contínua [5][16]:

      • Em gestantes sem diabetes:

        • Habitualmente até 9 g/h (180 mL/h) [17]

        • Não exceder 20 g/h (400 mL/h) [18]

      • Em gestantes com diabetes:

        • Velocidade ajustável, com glicemia capilar frequente [19]

        • Evitar hipoglicemia materna, associada a hipoglicemia neonatal [20]

      • Ajustar pela meta glicêmica intraparto

    • Glicemia capilar:

      • OPAS (2019):

        • a cada 1 a 2 horas [5]

      • Manual de gestação de alto risco (2022):

        • a cada 2 horas [16]

  • Indução do parto [5][16]:

    • NPH no mesmo esquema da cesárea programada

    • Desjejum com insulina regular no café da manhã: aplicar a regular

Pós-parto

  • Imediatamente após o parto [2][5]:

    • DMG:

      • Suspender o tratamento farmacológico [2][5]

      • Em tratamento farmacológico: monitorar a glicemia nas primeiras 24 horas [2]

      • Glicemia de jejum por 24 a 72 horas pode ser feita para identificar hiperglicemia persistente [5]

    • DM diagnosticado na gestação:

      • Monitorar a glicemia nas primeiras 24 horas [2]

      • Individualizar o tratamento pela avaliação glicêmica pós-parto [2]

  • Reclassificação [2][5]:

    • Momento:

      • Cuidados obstétricos (2021):

        • TOTG 75 g ou glicemia de jejum entre 6 e 8 semanas após o parto [2]

      • OPAS (2019):

        • TOTG 75 g (recursos totais) ou glicemia de jejum (recursos parciais) com 6 semanas [5]

    • Resultado normal: glicemia de jejum e/ou TOTG 75 g ou HbA1c anual [5]

    • Resultado alterado: conferir o protocolo Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2)

  • Gestante não testada para hiperglicemia na gestação [2]:

    • Recém-nascido ≥ 4.000 g: glicemia de jejum ou TOTG 75 g entre 6 e 8 semanas de puerpério [2]

  • Amamentação [2][5][14]:

    • Estimular logo após o parto, para reduzir o risco de hipoglicemia neonatal, e manter por no mínimo 6 meses [2]

    • Acrescentar 500 kcal/dia ao valor energético total e incluir lanches antes das mamadas [2]

    • Metformina:

      • Cuidados obstétricos (2021):

        • Melhor perfil de segurança entre os antidiabéticos orais na lactação [2]

      • Bula:

        • Amamentação não recomendada durante o tratamento; decidir entre interromper a lactação ou a metformina [14]

  • Contracepção [2]:

    • DMG sem comorbidade: todos os métodos em categoria 1 de elegibilidade [2]

    • DM diagnosticado na gestação: aplicar os critérios do DM pré-gestacional [2]

  • Prevenção de DM2: manter peso adequado, alimentação saudável e atividade física regular [2][5]

Referências

[1] ZAJDENVERG, Lenita; FAÇANHA, Cristina; DUALIB, Patrícia; et al. Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023 (última revisão em 25/08/2026). DOI: 10.29327/557753.2022-11. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/rastreamento-e-diagnostico-da-hiperglicemia-na-gestacao/. Acesso em: 20 out. 2026.

[2] BRASIL. Ministério da Saúde; ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE; FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Cuidados obstétricos em diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cuidados_obstetricos_diabetes_gestacional_brasil.pdf.

[3] ZAJDENVERG, Lenita; DUALIB, Patrícia Medici; LAUAND, Thais Cabral Gomes; et al. Tratamento farmacológico do diabetes na gestação. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2026 (última revisão em 04/09/2026). DOI: 10.29327/5881296.2026-10. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/tratamento-farmacologico-do-diabetes-na-gestacao/. Acesso em: 20 out. 2026.

[4] ZAJDENVERG, Lenita; LAUAND, Thais Cabral Gomes; FAÇANHA, Cristina; et al. Planejamento, metas e monitorização do diabetes durante a gestação. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2026 (última revisão em 05/10/2026). DOI: 10.29327/5937145.2026-1. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/planejamento-metas-e-monitorizacao-do-diabetes-durante-a-gestacao/. Acesso em: 20 out. 2026.

[5] ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE; BRASIL. Ministério da Saúde; FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Tratamento do diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, DF: OPAS, 2019. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/11/Consenso_Brasileiro_Manejo_DMG_2019.pdf.

[6] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/. Acesso em: 20 out. 2026.

[7] NOVO NORDISK. Novolin® N (insulina humana NPH): suspensão injetável 100 UI/mL (frasco-ampola, Penfill® e FlexPen®). Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 17/04/2026.

[8] ELI LILLY DO BRASIL. Humulin® N (insulina humana NPH): suspensão injetável 100 UI/mL (refil 3 mL e frasco-ampola 10 mL). Bula para o profissional de saúde. Última alteração de texto em 13/11/2025.

[9] NOVO NORDISK. Novolin® R (insulina humana): solução injetável 100 UI/mL (frasco-ampola, Penfill® e FlexPen®). Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 17/04/2026.

[10] ELI LILLY DO BRASIL. Humulin® R (insulina humana): solução injetável 100 UI/mL (refil 3 mL e frasco-ampola 10 mL). Bula para o profissional de saúde. Última alteração de texto em 14/01/2026.

[11] ELI LILLY DO BRASIL. Humalog® e Humalog® KwikPen® (insulina lispro): solução injetável 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL e caneta 3 mL). Bula para o profissional de saúde. Última alteração de texto em 10/12/2025.

[12] NOVO NORDISK. NovoRapid® (insulina asparte): solução injetável 100 U/mL (FlexPen®, Penfill® e frasco-ampola). Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 17/04/2026.

[13] NOVO NORDISK. Fiasp® (insulina asparte): solução injetável 100 U/mL (FlexTouch®, Penfill® e frasco-ampola). Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 17/04/2026.

[14] MERCK S/A. Glifage® (cloridrato de metformina): comprimidos revestidos 500 mg, 850 mg e 1 g. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 14/09/2026.

[15] MERCK S/A. Glifage® XR (cloridrato de metformina): comprimidos de liberação prolongada 500 mg, 750 mg, 850 mg e 1 g. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 14/09/2026.

[16] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gestacao_alto_risco.pdf.

[17] NORDSTRÖM, Lennart; ARULKUMARAN, S.; CHUA, Selina; et al. Continuous maternal glucose infusion during labor: effects on maternal and fetal glucose and lactate levels. American Journal of Perinatology, v. 12, n. 5, p. 357-362, set. 1995. DOI: 10.1055/s-2007-994496.

[18] MENDIOLA, Juanita; GRYLACK, Lawrence J.; SCANLON, John W. Effects of intrapartum maternal glucose infusion on the normal fetus and newborn. Anesthesia and Analgesia, v. 61, n. 1, p. 32-35, jan. 1982. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7032366.

[19] RINGHOLM, L.; SØHOLM, J. C.; PEDERSEN, B. W.; et al. Glucose control during labour and delivery in type 1 diabetes: an update on current evidence. Current Diabetes Reports, 2024. DOI: 10.1007/s11892-024-01563-1. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s11892-024-01563-1.

[20] HE, Yilin; LIU, Yiwei; PENG, Yiran; et al. Association of duration of intrapartum maternal hyperglycemia in well-controlled gestational diabetes mellitus women and risks of neonatal hypoglycemia: a retrospective cohort study. The Journal of Maternal-Fetal & Neonatal Medicine, v. 38, n. 1, 2431617, 2025. DOI: 10.1080/14767058.2024.2431617. Disponível em: https://doi.org/10.1080/14767058.2024.2431617.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.