Diabetes Gestacional (DMG) e DM Diagnosticado na Gestação
CID-10: O24.9 - Diabetes mellitus na gravidez, não especificado
CID-10: O24.4 - Diabetes mellitus que surge durante a gravidez
Outros temas:
Introdução
A hiperglicemia detectada pela primeira vez na gestação se divide em duas categorias, que se somam ao diabetes já conhecido antes da gravidez [1][2]:
Diabetes mellitus gestacional (DMG): intolerância aos carboidratos de gravidade variável, iniciada na gestação, que não preenche critérios de DM fora da gestação [1]
DM diagnosticado na gestação (overt diabetes): gestante sem diagnóstico prévio, com glicemia que atinge os critérios de DM fora da gestação [1]
DM prévio à gestação: DM1 ou DM2 com diagnóstico anterior à gravidez [2]
O DMG é a forma mais prevalente de hiperglicemia na gestação e afeta de 3% a 25% das gestações, conforme o grupo étnico e o critério diagnóstico [1]. No Brasil, estima-se que cerca de 400 mil gestantes por ano tenham algum tipo de hiperglicemia [2].
🔑 Pontos-chave:
Metformina: não iniciar ou suspender se qualquer um: feto abaixo do percentil 50; crescimento intrauterino restrito; doença renal crônica [3]
Qualquer um (glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5%, TOTG 2 horas ≥ 200 mg/dL): DM diagnosticado na gestação [1], conduzido como DM prévio, com investigação de malformação e de complicações crônicas [2]
Insulina é a primeira escolha; metformina só quando a insulina não for viável ou em associação; glibenclamida não é recomendada [3]
Iniciar fármaco se qualquer um: 2 ou mais glicemias acima da meta após 7 a 14 dias de terapia não farmacológica; circunferência abdominal fetal ≥ P75 entre 29 e 33 semanas [3]
Corticoide para maturação pulmonar: aumentar a insulina e intensificar o monitoramento por até 72 horas após a última dose [3]
TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas para todas as gestantes sem DM prévio, com ou sem fatores de risco; um único valor alterado define DMG [1]
HbA1c não serve para ajustar a terapia do DMG [4]; o ajuste é guiado pela automonitorização da glicemia [3]
Reclassificar com TOTG 75 g ou glicemia de jejum após o parto: o DMG aumenta o risco futuro de DM [1][2]
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza o diagnóstico da hiperglicemia na gestante sem DM prévio conhecido, a partir da idade gestacional no início do pré-natal. Antes de 20 semanas, solicita-se glicemia de jejum: abaixo de 92 mg/dL, TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas; de 92 a 125 mg/dL, diabetes mellitus gestacional; 126 mg/dL ou mais, DM diagnosticado na gestação. Entre 20 e 28 semanas, TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas; no pré-natal iniciado entre 20 e 28 semanas, o TOTG 75 g é feito a partir de 24 semanas; sem acesso ao TOTG, conferir em Rastreamento e diagnóstico. Após 28 semanas, TOTG 75 g o mais breve possível. No resultado do TOTG 75 g, qualquer um (jejum de 92 a 125 mg/dL; 1 hora de 180 mg/dL ou mais; 2 horas de 153 a 199 mg/dL) define diabetes mellitus gestacional, com seguimento para o fluxograma de tratamento; qualquer um (jejum de 126 mg/dL ou mais; 2 horas de 200 mg/dL ou mais) define DM diagnosticado na gestação, diagnóstico também feito com glicemia ao acaso de 200 mg/dL ou mais ou HbA1c de 6,5% ou mais (conferir em DM diagnosticado na gestação: cuidados adicionais); sem nenhum valor alterado, o resultado é normal. Abreviações: DM, diabetes mellitus; HbA1c, hemoglobina glicada; TOTG, teste oral de tolerância à glicose. Fonte: referência [1] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1792635127455_9438d7ab.png)
![O fluxograma organiza o tratamento do diabetes mellitus gestacional. Ao diagnóstico, iniciam-se terapia nutricional e exercício físico, com glicemia capilar em perfil de 4 pontos (conferir em Terapia não farmacológica). Em seguida, pergunta-se se há qualquer um: 2 ou mais glicemias acima da meta após 7 a 14 dias; 30% a 50% das medidas alteradas em 7 dias; circunferência abdominal fetal no percentil 75 ou acima em ultrassonografia entre 29 e 33 semanas. Se não, mantêm-se a terapia não farmacológica e o automonitoramento. Se sim, pergunta-se se a insulinoterapia é viável. Se for, inicia-se insulina subcutânea, NPH e/ou insulina prandial conforme o perfil glicêmico, com glicemia capilar em perfil de 6 pontos (conferir em Insulinoterapia), e pergunta-se se há qualquer um: insulina acima de 2 UI/kg/dia sem controle; ganho de peso materno ou fetal excessivo. Se sim, associa-se metformina por via oral, se não houver contraindicação (conferir em Metformina); se não, mantém-se a insulina, com ajustes no mínimo a cada 15 dias até 30 semanas e semanais após. Se a insulinoterapia não for viável, pergunta-se se há qualquer um: feto abaixo do percentil 50; crescimento intrauterino restrito; doença renal crônica. Se sim, a metformina está contraindicada (conferir em Metformina). Se não, inicia-se metformina por via oral, com glicemia capilar em perfil de 6 pontos (conferir em Metformina), e pergunta-se se a glicemia está nas metas: se sim, mantém-se a metformina; se não, inicia-se insulina subcutânea (conferir em Insulinoterapia). Os ramos de terapia não farmacológica, insulina e metformina seguem para seguimento fetal e programação do parto (conferir em Seguimento pré-natal e avaliação fetal e em Momento e via de parto). Um ícone de alerta marca a metformina, após o nome; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: DMG, diabetes mellitus gestacional; P75, percentil 75; SC, subcutânea; UI, unidade internacional; USG, ultrassonografia; VO, via oral. Fonte: referências [2], [3], [4] e [5] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1792635127597_e396d42c.png)
Rastreamento e diagnóstico
Primeira consulta de pré-natal, em gestante sem DM prévio conhecido [1]:
Solicitar glicemia plasmática de jejum [1]
HbA1c adicional pode ser considerada (classe IIb) [1]
Interpretar pela tabela abaixo; glicemia de jejum < 92 mg/dL: TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas [1]
Início do pré-natal após 20 semanas [1]:
Entre 20 e 28 semanas: TOTG 75 g a partir de 24 semanas [1]
Após 28 semanas: TOTG 75 g o mais breve possível [1]
TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas para todas as gestantes sem DM prévio, independentemente de fatores de risco, com glicemia de jejum, 1 hora e 2 horas [1]:
Preparo: dieta sem restrição de carboidratos (no mínimo 150 g/dia) nos 3 dias anteriores e jejum de 8 horas [1]
Interpretação: um único valor alterado define o diagnóstico (ver tabela) [1]
Armadilha no primeiro trimestre [1]:
Glicemia de jejum próxima de 92 mg/dL, principalmente em gestante sem fatores de risco: pode superestimar o diagnóstico, porque a glicemia de jejum cai cerca de 9 mg/dL entre o fim do primeiro e o início do segundo trimestre [1]
Serviço sem acesso ao TOTG (viabilidade financeira ou técnica parcial) [1]:
Glicemia de jejum no início do pré-natal, em qualquer idade gestacional [1]
Se < 92 mg/dL antes de 24 semanas: repetir a glicemia de jejum entre 24 e 28 semanas [1]
Repetição ≥ 92 mg/dL: DMG [1]
Exame | Normal | DMG | DM diagnosticado na gestação |
|---|---|---|---|
Glicemia de jejum (qualquer momento da gestação) | < 92 mg/dL | 92 a 125 mg/dL | ≥ 126 mg/dL |
Glicemia ao acaso | ≥ 200 mg/dL | ||
HbA1c (primeira consulta) | < 5,7% | 5,7% a 6,4%: risco aumentado de DMG, sem valor diagnóstico | ≥ 6,5% |
TOTG 75 g, jejum | 92 a 125 mg/dL | ≥ 126 mg/dL | |
TOTG 75 g, 1 hora | ≥ 180 mg/dL | ||
TOTG 75 g, 2 horas | 153 a 199 mg/dL | ≥ 200 mg/dL | |
Conduta | Glicemia de jejum na primeira consulta: TOTG entre 24 e 28 semanas | Iniciar tratamento | Iniciar tratamento |
Fonte: [1]
Fatores de risco
Antecedentes [1]:
DMG prévio
História familiar de diabetes em parentes de primeiro grau
Antecedentes obstétricos: abortamentos de repetição, malformações, morte fetal ou neonatal, macrossomia
Condições maternas [1]:
Idade materna avançada
Sobrepeso e obesidade
Condições associadas à resistência à insulina: acanthosis nigricans, obesidade central, hipertrigliceridemia, hipertensão arterial sistêmica, síndrome dos ovários policísticos
HbA1c ≥ 5,7% no primeiro trimestre
Gestação atual [1]:
Ganho excessivo de peso
Crescimento fetal excessivo
Polidrâmnio
Hipertensão ou pré-eclâmpsia
Complicações
Maternas [1]:
Desordens hipertensivas da gravidez
Polidrâmnio
Infecção urinária e candidíase vaginal
Cesárea
Surgimento ou agravamento das complicações crônicas do DM
Fetais e neonatais [1]:
Macrossomia e tocotraumatismo
Abortamento, malformações e óbito intrauterino
Prematuridade e desconforto respiratório
Hipoglicemia neonatal, hipocalcemia e hiperbilirrubinemia
Futuras [1]:
Mãe: risco aumentado de DM e recidiva do DMG em gestações seguintes
Prole: risco aumentado de síndrome metabólica, obesidade, DM e hipertensão arterial; sequelas de malformações
DM diagnosticado na gestação: a hiperglicemia já presente na embriogênese aumenta o risco de malformação fetal, investigada como no DM1 e no DM2 [2]
Esquema de tratamento
Desde o diagnóstico: terapia não farmacológica e automonitoramento, com terapia nutricional, exercício físico e glicemia capilar (conferir em "Terapia não farmacológica" e "Automonitoramento e metas") [3][4][5]
Reavaliar após 7 a 14 dias: iniciar fármaco se qualquer um (conferir em "Insulinoterapia") [3]:
2 ou mais medidas acima da meta
30% a 50% das medidas alteradas em 7 dias
Circunferência abdominal fetal ≥ percentil 75 em ultrassonografia entre 29 e 33 semanas
Escolha do fármaco [3]:
Insulina: primeira escolha
Metformina isolada: apenas quando a insulinoterapia não for viável
Metformina associada à insulina, qualquer um: dose de insulina > 2 UI/kg/dia sem controle; ganho de peso materno ou fetal excessivo
Não usar [3][5]:
Glibenclamida: não recomendada no DMG [3]
Outros antidiabéticos orais: contraindicados [5]
DM diagnosticado na gestação: conduzir como DM prévio sem tratamento, com insulinoterapia em esquema intensivo e rastreamento de complicações crônicas (conferir em "DM diagnosticado na gestação: cuidados adicionais") [2][3]
Medidas simultâneas: avaliação do crescimento e da vitalidade fetal (conferir em "Seguimento pré-natal e avaliação fetal") [2]
Automonitoramento e metas
Início e duração: glicemia capilar diária, iniciada logo após o diagnóstico e mantida até o parto [4]
Perfil glicêmico no DMG [4][5]:
Tratamento não farmacológico:
Perfil diário de 4 pontos: jejum, 1 hora após café, 1 hora após almoço e 1 hora após jantar [4]
Viabilidade financeira ou técnica parcial: perfil de 4 pontos 3 vezes por semana [4][5]
Tratamento farmacológico:
Perfil diário de 6 pontos: jejum, 1 hora após café, antes do almoço, 1 hora após almoço, antes do jantar e 1 hora após jantar [4]
Viabilidade financeira ou técnica parcial: perfil diário de 4 pontos (jejum, pós-café, pós-almoço e pós-jantar) [5]
Perfil glicêmico no DM diagnosticado na gestação [2][4]:
SBD (2026), DM pré-gestacional:
Antes e 1 hora após o início das três principais refeições, ao deitar e, esporadicamente, entre 2 e 4 horas da manhã [4]
Cuidados obstétricos (2021):
Recursos totais: perfil diário de no mínimo 6 pontos [2]
Recursos parciais: perfil diário de 4 pontos [2]
Técnica [4][5]:
Medida pós-prandial contada a partir do início da refeição [5]
Medida de 2 horas é alternativa à de 1 hora, principalmente em uso de insulina humana regular [4]
Punção nos dedos das mãos, sem locais alternativos [4]
Hematócrito < 30% pode superestimar e > 55% pode subestimar a glicemia capilar [4][5]
Monitorização contínua da glicose (CGM) no DMG [4]:
DMG em uso de insulina, com qualquer um (grande variabilidade glicêmica, risco de hipoglicemia sem aviso, feto grande para a idade gestacional): considerar CGM (classe IIa) [4]
DMG em terapia não farmacológica: CGM associado à glicemia capilar pode ser considerado por preferência e viabilidade financeira (classe IIb) [4]
Meta em uso de CGM: tempo no alvo de 63 a 140 mg/dL > 90% (classe IIb) [4]
O CGM não substitui a glicemia capilar [4]
Valor < 70 mg/dL no CGM sem sintomas de hipoglicemia: confirmar imediatamente em glicemia capilar [4]
Metas (ver tabela) [4]:
Em uso de insulina: pós-prandiais não inferiores a 100 mg/dL [2][5]
HbA1c: não usar para ajustar a terapia [4] nem como critério de controle glicêmico no DMG [2]
Horário | Baixo risco de hipoglicemia | Alto risco de hipoglicemia |
|---|---|---|
Jejum | > 65 e < 95 mg/dL | > 70 e < 99 mg/dL |
Pré-prandial | 65 a 95 mg/dL | |
1 hora após refeições | < 140 mg/dL | |
2 horas após refeições | < 120 mg/dL | |
Ao deitar | > 80 e < 120 mg/dL | |
Entre 2 e 4 horas da madrugada | > 80 e < 120 mg/dL |
Fonte: [4]
Terapia não farmacológica
Avaliação antropométrica em todas as consultas [5]:
Calcular o IMC pré-gestacional na primeira consulta; sem peso pré-gestacional, usar o peso atual e a classificação por idade gestacional [5]
Programar o ganho de peso semanal e total pelo IMC (ver tabela) [5]
Ganho excessivo após 20 semanas: avaliar edema e pré-eclâmpsia [5]
IMC pré-gestacional (kg/m²) | Ganho até a 14ª semana | Ganho semanal a partir da 14ª semana | Ganho total na gestação |
|---|---|---|---|
Baixo peso (< 18,5) | 1,0 a 3,0 kg | 0,51 kg (0,44 a 0,58) | 12,5 a 18,0 kg |
Adequado (18,5 a 24,9) | 1,0 a 3,0 kg | 0,42 kg (0,35 a 0,50) | 11,5 a 16,0 kg |
Sobrepeso (25,0 a 29,9) | 1,0 a 3,0 kg | 0,28 kg (0,23 a 0,33) | 7,0 a 11,5 kg |
Obesidade (≥ 30,0) | 0,2 a 2,0 kg | 0,22 kg (0,17 a 0,27) | 5,0 a 9,0 kg |
Fonte: [5]
Composição da dieta [5]:
Valor energético total individualizado, adequado ao ganho de peso recomendado [5]
Carboidratos [5]:
40% a 55% do valor energético total
Mínimo de 175 g/dia
Fibras: no mínimo 28 g/dia
Sacarose: < 5%
Proteínas: 15% a 20% do valor energético total; mínimo de 71 g/dia (cerca de 1,1 g/kg/dia) [5]
Lipídios: 30% a 40% do valor energético total; gordura saturada < 6%; colesterol < 300 mg/dia; evitar gordura trans [5]
Difícil controle glicêmico: preferir alimentos integrais e de baixo índice glicêmico; carboidratos em 40% do valor energético total [5]
Organização das refeições [5]:
3 refeições e 2 ou 3 lanches por dia, com intervalos de até 3 horas [5]
Em uso de insulina: horários fixos de refeição [5]
Insulina à noite: ceia com 25 g de carboidratos, além de proteínas ou lipídios [5]
Escolhas alimentares [5]:
Base de alimentos in natura ou minimamente processados; desestimular processados e ultraprocessados [5]
Evitar sacarose, glicose, mel, xarope de glicose e frutose como adoçante [5]
Edulcorantes com moderação: no máximo 6 sachês ou 15 gotas por dia [5]
Sal de adição: no máximo 5 g/dia [5]
Água: pelo menos 2 litros por dia, entre as refeições [5]
Exercício físico, na ausência de contraindicação [5]:
Intensidade moderada, 5 ou mais dias por semana, 30 a 40 minutos (5 minutos de aquecimento e 5 de desaceleração) [5]
Intensidade adequada: conseguir conversar durante o exercício e sentir-se relativamente cansada (Borg 13 a 14) [5]
Cuidados [5]:
Hidratação antes, durante e após
Em uso de insulina: ingestão calórica antes do exercício
Evitar o pico de ação da insulina
Exemplos seguros: caminhada, natação, bicicleta estacionária, aeróbica de baixo impacto, yoga e pilates sem posturas que dificultem o retorno venoso, corrida, esportes com raquete, treinamento de força [5]
Contraindicações absolutas [5]:
Doença cardíaca hemodinamicamente significativa
Doença pulmonar restritiva
Incompetência istmocervical ou cerclagem
Gestação múltipla com risco de parto prematuro
Hemorragia persistente no 2º ou 3º trimestre
Placenta prévia
Trabalho de parto prematuro
Membranas rotas
Pré-eclâmpsia
Anemia grave
Interromper e procurar atendimento se qualquer um [5]:
Sangramento vaginal
Contrações dolorosas ou regulares
Perda de líquido amniótico
Dispneia antes do exercício
Vertigem
Cefaleia
Dor torácica
Fraqueza muscular com perda de equilíbrio
Dor ou edema em panturrilha
Insulinoterapia
Quando iniciar [3]:
Qualquer um (classe IIb) [3]:
2 ou mais medidas acima da meta após 7 a 14 dias de terapia não farmacológica
30% a 50% das medidas alteradas em 7 dias
Circunferência abdominal fetal ≥ percentil 75 em ultrassonografia entre 29 e 33 semanas, independentemente da glicemia
Dose total inicial [3]:
0,3 a 1,0 UI/kg/dia, conforme a idade gestacional e a gravidade da hiperglicemia [3]
Hiperglicemia isolada (só em jejum ou só após o café da manhã): 0,1 a 0,2 UI/kg/dia [3]
Distribuição em 2 a 3 aplicações diárias, com a maior parte antes do café da manhã [5]
Escolha do esquema pelo perfil glicêmico [3]:
Hiperglicemia só em jejum: NPH à noite [3]
Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição [3]
Hiperglicemia de jejum e pós-prandial na maioria das refeições: múltiplas injeções, NPH associada a insulina rápida ou ultrarrápida [3]
Difícil controle pós-prandial: considerar análogos rápidos ou ultrarrápidos (classe IIa) [3]
Ajustes [3]:
Individualizados pela automonitorização, no mínimo a cada 15 dias até 30 semanas e semanalmente após 30 semanas [3]
Corticoide para maturação pulmonar fetal: aumentar a dose de insulina e intensificar o monitoramento da glicose por até 72 horas após a última dose do corticoide [3]
Esquemas [3][5]:
Insulina basal [3][5][6][7][8]:
Insulina NPH (Humulin N®, Novolin N®) susp. inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL, carpule 3 mL ou caneta 3 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só em jejum: NPH à noite, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Horários: antes do café da manhã, antes do almoço e/ou ao deitar, com a maior parte antes do café da manhã
Administração:
Via subcutânea; nunca por via intravenosa
Preparo: homogeneizar com 15 a 20 movimentos suaves de rotação antes de aspirar; na mesma seringa com insulina regular, aspirar primeiro a regular e aplicar logo após o preparo
Aplicação: manter a agulha sob a pele por pelo menos 6 segundos
Conservação:
Fechada: entre 2 e 8 °C, sem congelar
Em uso, Novolin N: frasco por até 4 semanas e carpule ou caneta por até 6 semanas, em temperatura ambiente
Em uso, Humulin N: frasco ou carpule por até 28 dias (carpule em temperatura ambiente, sem refrigerar; frasco de preferência na geladeira)
Insulina prandial [3][5][6][9][10][11][12][13]:
Insulina Regular (Humulin R®, Novolin R®) sol. inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL, carpule 3 mL ou caneta 3 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Horários: antes do café da manhã, do almoço e/ou do jantar
Administração:
Via subcutânea, 30 a 40 minutos antes da refeição
Aplicação: manter a agulha sob a pele por pelo menos 6 segundos
Conservação:
Fechada: entre 2 e 8 °C, sem congelar
Em uso, Novolin R: frasco, carpule ou caneta por até 6 semanas
Em uso, Humulin R: frasco ou carpule por até 28 dias (carpule em temperatura ambiente, sem refrigerar; frasco de preferência na geladeira)
Insulina Lispro (Humalog®) inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL ou caneta 3 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial
Administração:
Via subcutânea, no início da refeição ou até 15 minutos antes
Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, por até 28 dias, com a caneta em temperatura ambiente, sem refrigerar, e o frasco de preferência na geladeira
Insulina Asparte (NovoRapid®) sol. inj. 100 U/mL (caneta 3 mL, carpule 3 mL ou frasco-ampola 10 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial
Administração:
Via subcutânea, no início da refeição ou até 15 minutos antes
Aplicação: agulha nova a cada aplicação; manter o botão pressionado por pelo menos 6 segundos
Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, em temperatura ambiente (até 30 °C), por até 4 semanas
Insulina Fast Asparte (Fiasp®) sol. inj. 100 U/mL (caneta 3 mL, carpule 3 mL ou frasco-ampola 10 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial
Administração:
Via subcutânea, no início da refeição ou em até 20 minutos após o início
Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, em temperatura ambiente (até 30 °C), por até 4 semanas
Considerações:
Rodízio dos locais de aplicação dentro da mesma região, com distância mínima de 1,5 cm entre os pontos, para prevenir lipodistrofia [5]
Risco de hipoglicemia: conferir o protocolo Hipoglicemia no Adulto
Insulina ou análogo | Categoria de risco na gestação (Anvisa) |
|---|---|
Asparte | A |
Fast asparte | A |
Detemir (não está mais disponível) | A |
Degludeca | A |
Regular | B |
Lispro | B |
NPH | B |
Lispro Mix 75/25 e 50/50 | B |
Glulisina | C |
Glargina e biossimilar | C |
Glargina U300 | C |
Asparte Mix 70/30 | C |
Fonte: [3]
Metformina
Indicações [3]:
Isolada, sem controle com medidas não farmacológicas e com insulinoterapia inviável; qualquer um [3]:
Falta de adesão à insulinoterapia
Não acessibilidade à insulina
Dificuldade na autoadministração da insulina
Estresse exacerbado decorrente do uso de insulina
Restrição alimentar excessiva para evitar a insulina
Associada à insulina; qualquer um [3]:
Dose de insulina > 2 UI/kg/dia sem controle glicêmico adequado
Ganho de peso materno excessivo
Ganho de peso fetal excessivo
Contraindicações (não iniciar ou suspender); qualquer um [3]:
Feto abaixo do percentil 50
Crescimento intrauterino restrito
Doença renal crônica
Falha da metformina [3]:
Insulina é mandatória
Preditores de falha: idade materna avançada, glicemia de jejum elevada, diagnóstico precoce do DMG
Esquemas [3][5][6][14][15]:
Metformina (Glifage®) comp. rev. 500 mg, 850 mg ou 1 g
Dose inicial de 500 mg, 1 ou 2 vezes ao dia
Titular a cada 1 a 2 semanas até as metas glicêmicas
Dose máxima: 2.500 mg/dia
Administração: via oral, junto ou logo após as refeições.
Metformina (Glifage XR®) comp. liberação prolongada 500 mg ou 750 mg
Opção na intolerância gastrointestinal ou para simplificar a posologia
Dose diária total conforme a titulação acima, em dose única diária
Dose máxima:
Comp. 500 mg: 2.000 mg/dia (4 comprimidos)
Comp. 750 mg: 2.250 mg/dia (3 comprimidos)
Administração: via oral, com o jantar.
Considerações:
Uso fora da bula: a Anvisa não aprova a metformina para o tratamento do DMG; registrar em prontuário o motivo da indicação e aplicar termo de consentimento livre e esclarecido antes do início [5]
DM2 com hipertensão arterial crônica ou doença renal: cautela, pelo risco de recém-nascido pequeno para a idade gestacional [3]
💊 Como prescrever?
Insulina NPH [3][7]:
Insulina NPH (Humulin N®, Novolin N®) susp. inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL, carpule 3 mL ou caneta 3 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só em jejum: NPH à noite, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Horários: antes do café da manhã, antes do almoço e/ou ao deitar, com a maior parte antes do café da manhã
Administração:
Via subcutânea; nunca por via intravenosa
Preparo: homogeneizar com 15 a 20 movimentos suaves de rotação antes de aspirar; na mesma seringa com insulina regular, aspirar primeiro a regular e aplicar logo após o preparo
Aplicação: manter a agulha sob a pele por pelo menos 6 segundos
Conservação:
Fechada: entre 2 e 8 °C, sem congelar
Em uso, Novolin N: frasco por até 4 semanas e carpule ou caneta por até 6 semanas, em temperatura ambiente
Em uso, Humulin N: frasco ou carpule por até 28 dias (carpule em temperatura ambiente, sem refrigerar; frasco de preferência na geladeira)
Insulina Regular [3][9]:
Insulina Regular (Humulin R®, Novolin R®) sol. inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL, carpule 3 mL ou caneta 3 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Horários: antes do café da manhã, do almoço e/ou do jantar
Administração:
Via subcutânea, 30 a 40 minutos antes da refeição
Aplicação: manter a agulha sob a pele por pelo menos 6 segundos
Conservação:
Fechada: entre 2 e 8 °C, sem congelar
Em uso, Novolin R: frasco, carpule ou caneta por até 6 semanas
Em uso, Humulin R: frasco ou carpule por até 28 dias (carpule em temperatura ambiente, sem refrigerar; frasco de preferência na geladeira)
Insulina Lispro [3][11]:
Insulina Lispro (Humalog®) inj. 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL ou caneta 3 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial
Administração:
Via subcutânea, no início da refeição ou até 15 minutos antes
Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, por até 28 dias, com a caneta em temperatura ambiente, sem refrigerar, e o frasco de preferência na geladeira
Insulina Asparte [3][12]:
Insulina Asparte (NovoRapid®) sol. inj. 100 U/mL (caneta 3 mL, carpule 3 mL ou frasco-ampola 10 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial
Administração:
Via subcutânea, no início da refeição ou até 15 minutos antes
Aplicação: agulha nova a cada aplicação; manter o botão pressionado por pelo menos 6 segundos
Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, em temperatura ambiente (até 30 °C), por até 4 semanas
Insulina Fast Asparte [3][13]:
Insulina Fast Asparte (Fiasp®) sol. inj. 100 U/mL (caneta 3 mL, carpule 3 mL ou frasco-ampola 10 mL)
Dose total inicial de insulina: 0,3 a 1,0 UI/kg/dia, dividida entre NPH e insulina prandial conforme o perfil glicêmico
Hiperglicemia só após o café da manhã: insulina prandial nessa refeição, 0,1 a 0,2 UI/kg/dia
Aplicar antes das refeições com hiperglicemia pós-prandial
Administração:
Via subcutânea, no início da refeição ou em até 20 minutos após o início
Conservação: fechada entre 2 e 8 °C, sem congelar; em uso, em temperatura ambiente (até 30 °C), por até 4 semanas
Metformina [3][15]:
Metformina (Glifage®) comp. rev. 500 mg, 850 mg ou 1 g
Dose inicial de 500 mg, 1 ou 2 vezes ao dia
Titular a cada 1 a 2 semanas até as metas glicêmicas
Dose máxima: 2.500 mg/dia
Administração: via oral, junto ou logo após as refeições.
Metformina (Glifage XR®) comp. liberação prolongada 500 mg ou 750 mg
Opção na intolerância gastrointestinal ou para simplificar a posologia
Dose diária total conforme a titulação acima, em dose única diária
Dose máxima:
Comp. 500 mg: 2.000 mg/dia (4 comprimidos)
Comp. 750 mg: 2.250 mg/dia (3 comprimidos)
Administração: via oral, com o jantar.
DM diagnosticado na gestação: cuidados adicionais
Conduzir como DM prévio sem tratamento [2]:
Acompanhamento preferencial em nível terciário, com equipe multiprofissional [2]
Investigar malformação fetal como no DM1 e no DM2 [2]
Rastreamento de complicações crônicas ao diagnóstico, repetido no início de cada trimestre e no puerpério quando normal [2]:
Retinopatia: mapeamento de retina (retinografia) [2]
Doença renal: creatinina sérica com TFGe, mais qualquer um (albuminúria em amostra, relação albumina/creatinina, proteinúria de 24 horas) [2]
Neuropatia: exame clínico [2]
Doença cardiovascular: eletrocardiograma e ecocardiograma se qualquer um (DM há mais de 10 anos, sintomas sugestivos, cardiopatia prévia) [2]
Complicação ocular, renal ou cardiovascular: encaminhar ao especialista [2]
Tratamento [3]:
Insulinoterapia: esquema intensivo de insulinização (múltiplas doses ou sistema de infusão) [3]
Metformina associada à insulina no DM2: considerar se ganho de peso gestacional excessivo ou recém-nascido grande para a idade gestacional (classe IIa) [3]
Comorbidades e prevenção [2][3][16]:
Hipertensão arterial crônica associada: PA sistólica entre 110 e 140 mmHg e diastólica entre 80 e 85 mmHg; aferir pelo menos a cada 2 semanas [2]
TSH se fator de risco para tireoidopatia, como obesidade [2]
Ácido acetilsalicílico para prevenção de pré-eclâmpsia:
SBD (2026):
Indicado no DM1 e no DM2 pré-gestacional; no DMG, dados insuficientes [3]
Manual de gestação de alto risco (2022):
Diabetes tipo 1 ou 2 é fator de alto risco; um fator de alto risco indica AAS e cálcio [16]
Conferir o protocolo Eclâmpsia e Pré-eclâmpsia
Hipoglicemia em uso de insulina [2]:
Prevenção: ceia com pelo menos 25 g de carboidratos; ter sempre em mãos 15 g de carboidrato de absorção rápida [2]
Consciente e capaz de deglutir: 15 g de carboidrato; reavaliar em 15 minutos e repetir se glicemia < 65 mg/dL ou sintomas persistentes; evitar alimentos gordurosos [2]
Hipoglicemia grave (geralmente < 50 mg/dL), com alteração de consciência ou incapacidade de deglutir: glucagon parenteral, que deve estar disponível em casa para gestantes em risco [2]
Sintomas neuroglicopênicos graves com alteração cognitiva: acionar o serviço de urgência para glicose intravenosa [2]
Conduta detalhada: conferir o protocolo Hipoglicemia no Adulto
Cetoacidose diabética [2]:
Suspeitar se qualquer um: náusea, vômitos, dor abdominal, fraqueza, poliúria e polidipsia, desidratação, alteração de consciência; pode ocorrer com glicemia mais baixa que fora da gestação [2]
Desencadeantes: infecção, corticoide, diabetes não diagnosticado, baixa adesão, vômitos incoercíveis [2]
Tratamento em nível terciário, preferencialmente em UTI [2]
Conduta detalhada: conferir o protocolo Cetoacidose Diabética e Estado Hiperosmolar
Seguimento pré-natal e avaliação fetal
Nível de atenção [2]:
DMG em tratamento não farmacológico (classe A1), sem comorbidades e com crescimento fetal e líquido amniótico adequados: atenção primária [2]
Qualquer um (DMG em tratamento farmacológico, classe A2; comorbidade; difícil controle; alteração fetal): nível secundário ou terciário [2]
DM diagnosticado na gestação: prioritariamente nível terciário [2]
Intervalo entre consultas [2]:
DMG: no máximo 15 dias até 30 semanas e semanal até o parto [2]
DM diagnosticado na gestação:
Recursos totais: no máximo 7 dias [2]
Recursos parciais: no máximo 15 dias até 30 semanas e semanal até o parto [2]
Ultrassonografia [2]:
Datação precoce: todas as gestantes [2]
DMG:
No diagnóstico: ultrassonografia obstétrica; se DMG antes de 20 semanas com idade gestacional já confirmada, pode ser adiada para 24 a 28 semanas [2]
Morfológica de 1º e 2º trimestres: apenas com recursos totais [2]
DM diagnosticado na gestação:
Morfológica de 2º trimestre: todas [2]
Recursos totais: morfológica de 1º trimestre e ecocardiografia fetal [2]
Crescimento fetal [2]:
DMG:
Recursos totais: a partir de 24 semanas, a cada 4 semanas [2]
Recursos parciais: entre 28 e 32 semanas e repetir com 36 semanas [2]
DM diagnosticado na gestação: a partir de 24 semanas, a cada 4 semanas [2]
Crescimento < P10 ou > P95: individualizar, com intervalo mínimo de 15 dias [2]
Circunferência abdominal ≥ P75: controle glicêmico mais rigoroso na classe A2; avaliar tratamento farmacológico na classe A1 [2]
Vitalidade fetal [2]:
Contagem de movimentos fetais diária a partir de 28 semanas, por 1 hora após as principais refeições; procurar atendimento se redução de 50% em relação ao mesmo período do dia anterior [2]
Cardiotocografia anteparto semanal [2]:
DMG classe A1: a partir de 34 semanas [2]
DMG classe A2: a partir de 32 semanas [2]
DM diagnosticado na gestação: a partir de 28 semanas [2]
Perfil biofísico fetal pode substituir a cardiotocografia, com as mesmas indicações [2]
Doppler de artéria umbilical [2]:
DMG: sem indicação de rotina, salvo hipertensão arterial crônica ou pré-eclâmpsia
DM diagnosticado na gestação: entre 26 e 28 semanas (com artérias uterinas) e, com recursos totais, entre 32 e 34 semanas
Critérios de internação; qualquer um [2]:
Controle metabólico inadequado
Descompensação aguda do controle glicêmico
Agravamento de comorbidades
Repercussões maternas ou fetais
Intercorrências obstétricas ou necessidade de resolução da gestação
Momento e via de parto
Qualquer cenário: peso fetal estimado ≥ 4.000 g, considerar resolução imediata da gestação [2]
DMG [2]:
Controle glicêmico bom, tratamento não farmacológico: parto entre 39 0/7 e 40 6/7 semanas [2]
Controle glicêmico bom, tratamento farmacológico: parto entre 39 0/7 e 39 6/7 semanas [2]
Controle glicêmico ruim: parto entre 37 0/7 e 38 0/7 semanas [2]
DM diagnosticado na gestação [2]:
Controle glicêmico bom: parto entre 38 0/7 e 39 6/7 semanas [2]
Controle glicêmico ruim: considerar parto até 37 0/7 semanas [2]
Individualizar conforme complicações maternas e fetais [2]
Via de parto pelo peso fetal estimado ao ultrassom [2]:
< 4.000 g: indicação obstétrica [2]
4.000 a 4.500 g: individualizar pela história obstétrica, condições maternas e fetais e disponibilidade de UTI neonatal [2]
≥ 4.500 g: oferecer cesárea [2]
DMG com controle glicêmico ruim: individualizar pelo peso fetal estimado e pelo risco materno [2]
Local do parto [2]:
DMG: prioritariamente nível secundário; terciário se qualquer um: controle inadequado; parto pré-termo; alteração fetal; comorbidades; alta probabilidade de UTI neonatal [2]
DM diagnosticado na gestação: prioritariamente nível terciário [2]
Cuidados no parto
Meta glicêmica intraparto [5][16]:
Manter entre 70 e 120 mg/dL [5]
Preferencialmente entre 100 e 120 mg/dL [5][16]
Correção [5][16]:
< 70 mg/dL: glicose 5% ou 10% intravenosa contínua [5][16]
≥ 120 mg/dL: insulina regular subcutânea; dose não definida na fonte, seguir protocolo institucional [5][16]
Trabalho de parto espontâneo com insulina basal já aplicada [5][16]:
Glicose 5% intravenosa contínua [5][16]:
Em gestantes sem diabetes:
Habitualmente até 9 g/h (180 mL/h) [17]
Não exceder 20 g/h (400 mL/h) [18]
Em gestantes com diabetes:
Velocidade ajustável, com glicemia capilar frequente [19]
Evitar hipoglicemia materna, associada a hipoglicemia neonatal [20]
Ajustar pela meta glicêmica intraparto
Glicemia capilar a cada 1 a 2 horas [5][16]
Cesárea programada:
Jejum de no mínimo 8 horas [5][16]
DMG: metade a um terço da dose diária de NPH na manhã do parto [16]
NPH só ao deitar: dose na manhã do parto não definida na fonte; seguir protocolo institucional [5][16]
DM diagnosticado na gestação: um terço da dose habitual da manhã, ou suprimir a dose se a cesárea for no início da manhã [16]
Glicose 5% intravenosa contínua [5][16]:
Em gestantes sem diabetes:
Habitualmente até 9 g/h (180 mL/h) [17]
Não exceder 20 g/h (400 mL/h) [18]
Em gestantes com diabetes:
Velocidade ajustável, com glicemia capilar frequente [19]
Evitar hipoglicemia materna, associada a hipoglicemia neonatal [20]
Ajustar pela meta glicêmica intraparto
Glicemia capilar:
OPAS (2019):
a cada 1 a 2 horas [5]
Manual de gestação de alto risco (2022):
a cada 2 horas [16]
Indução do parto [5][16]:
NPH no mesmo esquema da cesárea programada
Desjejum com insulina regular no café da manhã: aplicar a regular
Pós-parto
Imediatamente após o parto [2][5]:
DMG:
Suspender o tratamento farmacológico [2][5]
Em tratamento farmacológico: monitorar a glicemia nas primeiras 24 horas [2]
Glicemia de jejum por 24 a 72 horas pode ser feita para identificar hiperglicemia persistente [5]
DM diagnosticado na gestação:
Monitorar a glicemia nas primeiras 24 horas [2]
Individualizar o tratamento pela avaliação glicêmica pós-parto [2]
Reclassificação [2][5]:
Momento:
Cuidados obstétricos (2021):
TOTG 75 g ou glicemia de jejum entre 6 e 8 semanas após o parto [2]
OPAS (2019):
TOTG 75 g (recursos totais) ou glicemia de jejum (recursos parciais) com 6 semanas [5]
Resultado normal: glicemia de jejum e/ou TOTG 75 g ou HbA1c anual [5]
Resultado alterado: conferir o protocolo Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2)
Gestante não testada para hiperglicemia na gestação [2]:
Recém-nascido ≥ 4.000 g: glicemia de jejum ou TOTG 75 g entre 6 e 8 semanas de puerpério [2]
Amamentação [2][5][14]:
Estimular logo após o parto, para reduzir o risco de hipoglicemia neonatal, e manter por no mínimo 6 meses [2]
Acrescentar 500 kcal/dia ao valor energético total e incluir lanches antes das mamadas [2]
Metformina:
Cuidados obstétricos (2021):
Melhor perfil de segurança entre os antidiabéticos orais na lactação [2]
Bula:
Amamentação não recomendada durante o tratamento; decidir entre interromper a lactação ou a metformina [14]
Contracepção [2]:
DMG sem comorbidade: todos os métodos em categoria 1 de elegibilidade [2]
DM diagnosticado na gestação: aplicar os critérios do DM pré-gestacional [2]
Prevenção de DM2: manter peso adequado, alimentação saudável e atividade física regular [2][5]
Referências
[1] ZAJDENVERG, Lenita; FAÇANHA, Cristina; DUALIB, Patrícia; et al. Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023 (última revisão em 25/08/2026). DOI: 10.29327/557753.2022-11. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/rastreamento-e-diagnostico-da-hiperglicemia-na-gestacao/. Acesso em: 20 out. 2026.
[2] BRASIL. Ministério da Saúde; ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE; FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Cuidados obstétricos em diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cuidados_obstetricos_diabetes_gestacional_brasil.pdf.
[3] ZAJDENVERG, Lenita; DUALIB, Patrícia Medici; LAUAND, Thais Cabral Gomes; et al. Tratamento farmacológico do diabetes na gestação. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2026 (última revisão em 04/09/2026). DOI: 10.29327/5881296.2026-10. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/tratamento-farmacologico-do-diabetes-na-gestacao/. Acesso em: 20 out. 2026.
[4] ZAJDENVERG, Lenita; LAUAND, Thais Cabral Gomes; FAÇANHA, Cristina; et al. Planejamento, metas e monitorização do diabetes durante a gestação. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2026 (última revisão em 05/10/2026). DOI: 10.29327/5937145.2026-1. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/planejamento-metas-e-monitorizacao-do-diabetes-durante-a-gestacao/. Acesso em: 20 out. 2026.
[5] ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE; BRASIL. Ministério da Saúde; FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Tratamento do diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília, DF: OPAS, 2019. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/11/Consenso_Brasileiro_Manejo_DMG_2019.pdf.
[6] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/. Acesso em: 20 out. 2026.
[7] NOVO NORDISK. Novolin® N (insulina humana NPH): suspensão injetável 100 UI/mL (frasco-ampola, Penfill® e FlexPen®). Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 17/04/2026.
[8] ELI LILLY DO BRASIL. Humulin® N (insulina humana NPH): suspensão injetável 100 UI/mL (refil 3 mL e frasco-ampola 10 mL). Bula para o profissional de saúde. Última alteração de texto em 13/11/2025.
[9] NOVO NORDISK. Novolin® R (insulina humana): solução injetável 100 UI/mL (frasco-ampola, Penfill® e FlexPen®). Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 17/04/2026.
[10] ELI LILLY DO BRASIL. Humulin® R (insulina humana): solução injetável 100 UI/mL (refil 3 mL e frasco-ampola 10 mL). Bula para o profissional de saúde. Última alteração de texto em 14/01/2026.
[11] ELI LILLY DO BRASIL. Humalog® e Humalog® KwikPen® (insulina lispro): solução injetável 100 UI/mL (frasco-ampola 10 mL e caneta 3 mL). Bula para o profissional de saúde. Última alteração de texto em 10/12/2025.
[12] NOVO NORDISK. NovoRapid® (insulina asparte): solução injetável 100 U/mL (FlexPen®, Penfill® e frasco-ampola). Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 17/04/2026.
[13] NOVO NORDISK. Fiasp® (insulina asparte): solução injetável 100 U/mL (FlexTouch®, Penfill® e frasco-ampola). Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 17/04/2026.
[14] MERCK S/A. Glifage® (cloridrato de metformina): comprimidos revestidos 500 mg, 850 mg e 1 g. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 14/09/2026.
[15] MERCK S/A. Glifage® XR (cloridrato de metformina): comprimidos de liberação prolongada 500 mg, 750 mg, 850 mg e 1 g. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 14/09/2026.
[16] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_gestacao_alto_risco.pdf.
[17] NORDSTRÖM, Lennart; ARULKUMARAN, S.; CHUA, Selina; et al. Continuous maternal glucose infusion during labor: effects on maternal and fetal glucose and lactate levels. American Journal of Perinatology, v. 12, n. 5, p. 357-362, set. 1995. DOI: 10.1055/s-2007-994496.
[18] MENDIOLA, Juanita; GRYLACK, Lawrence J.; SCANLON, John W. Effects of intrapartum maternal glucose infusion on the normal fetus and newborn. Anesthesia and Analgesia, v. 61, n. 1, p. 32-35, jan. 1982. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7032366.
[19] RINGHOLM, L.; SØHOLM, J. C.; PEDERSEN, B. W.; et al. Glucose control during labour and delivery in type 1 diabetes: an update on current evidence. Current Diabetes Reports, 2024. DOI: 10.1007/s11892-024-01563-1. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s11892-024-01563-1.
[20] HE, Yilin; LIU, Yiwei; PENG, Yiran; et al. Association of duration of intrapartum maternal hyperglycemia in well-controlled gestational diabetes mellitus women and risks of neonatal hypoglycemia: a retrospective cohort study. The Journal of Maternal-Fetal & Neonatal Medicine, v. 38, n. 1, 2431617, 2025. DOI: 10.1080/14767058.2024.2431617. Disponível em: https://doi.org/10.1080/14767058.2024.2431617.
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