Blefarite (Adulto e Criança)
CID-10: H01.0 - Blefarite
Introdução
Blefarite é a inflamação crônica que acomete principalmente a margem palpebral e é causa comum de irritação ocular crônica [1]. Divide-se pela localização [1]:
Anterior: pele palpebral, base e folículos dos cílios; formas estafilocócica e seborreica
Posterior: glândulas de meibômio (disfunção das glândulas de meibômio, DGM)
As formas se sobrepõem com frequência e coexistem com olho seco e com doenças de pele, como rosácea e dermatite seborreica [1]. A doença evolui com períodos de exacerbação e remissão e não tem cura definitiva; o controle depende da adesão a cuidados diários [1].
🔑 Pontos-chave:
Blefarite unilateral, assimétrica, sem resposta ao tratamento, com perda localizada de cílios ou calázio recorrente no mesmo local: suspeitar de carcinoma e encaminhar ao oftalmologista [1]
Criança com conjuntivite, ceratite, hordéolo ou calázio recorrentes: suspeitar de blefaroceratoconjuntivite, subdiagnosticada e com risco de ambliopia e perda visual [1]
A base do tratamento é diária e contínua: compressa morna e higiene palpebral; os sintomas voltam quando os cuidados são interrompidos [1]
Piora pela manhã sugere blefarite; piora no fim do dia sugere olho seco por deficiência aquosa [1]
Doxiciclina: contraindicada em gestantes, na lactação e abaixo de 8 anos; na criança, antibiótico oral a critério do oftalmologista [1][5]
Azitromicina oral pode causar arritmia em pacientes com doença cardiovascular [1]
Corticoide tópico: indicação e seguimento pelo oftalmologista, pelo risco de aumento da pressão intraocular e de catarata [1]
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza o manejo da irritação crônica com inflamação da margem palpebral. Pergunta-se se há qualquer um: blefarite unilateral ou muito assimétrica; perda localizada de cílios; nódulo, ulceração ou perda da anatomia da margem; calázio recorrente no mesmo local; cicatrização conjuntival. Se sim, suspeita de carcinoma ou penfigoide: encaminhar ao oftalmologista para biópsia (conferir em Sinais de alarme e encaminhamento). Se não, pergunta-se se há qualquer um: baixa visual; dor moderada a intensa; vermelhidão intensa; acometimento orbitário. Se sim, encaminhar ao oftalmologista (conferir em Sinais de alarme e encaminhamento). Se não, indicam-se compressa morna e higiene palpebral, 1 a 2 vezes ao dia, e lágrima artificial por via oftálmica (conferir em Conduta). Com controle dos sintomas, manter os cuidados diários contínuos. Sem controle, define-se o tipo predominante. Na blefarite anterior: tobramicina pomada oftálmica na margem palpebral, 1 ou mais vezes ao dia ou ao deitar, por algumas semanas (conferir em Antibiótico tópico). Na disfunção das glândulas de meibômio: antibiótico oral; no adulto, doxiciclina por via oral ou azitromicina por via oral; na gestante, na lactante ou na mulher em idade fértil, azitromicina por via oral; na criança, encaminhar ao oftalmologista (conferir em Antibiótico oral). Os dois ramos seguem para a pergunta sobre melhora: se sim, manter os cuidados diários, com antibiótico intermitente conforme a gravidade; se não, encaminhar ao oftalmologista (conferir em Sinais de alarme e encaminhamento). Um ícone de alerta marca a doxiciclina e a azitromicina, após o nome; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: DGM, disfunção das glândulas de meibômio; VO, via oral. Fonte: referências [1] e [2] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1792790664228_3b9198b6.png)
Sinais de alarme e encaminhamento
Suspeita de carcinoma palpebral, se qualquer um [1]:
Blefarite crônica unilateral ou muito assimétrica
Ausência de resposta ao tratamento
Perda localizada de cílios, perda da anatomia normal da margem palpebral, nódulo, ulceração ou cicatriz extensa
Calázio recorrente no mesmo local
Idoso com blefarite ou conjuntivite unilateral crônica sem resposta: considerar carcinoma sebáceo
Suspeita de penfigoide ocular: blefarite crônica refratária com cicatrização conjuntival, como encurtamento do fundo de saco [1]
Conduta nas duas suspeitas: encaminhar ao oftalmologista, para biópsia [1]
Encaminhar ao oftalmologista, sobretudo na criança, se qualquer um [1]:
Baixa visual
Dor moderada a intensa
Vermelhidão intensa ou crônica
Acometimento orbitário
Episódios recorrentes
Ausência de resposta ao tratamento
Prioridade muito alta: blefarite secundária a rosácea ocular refratária ao tratamento clínico otimizado [2]
Tratamentos indicados e acompanhados pelo oftalmologista [1]:
Corticoide tópico de curta duração: inflamação palpebral ou da superfície ocular importante, inclusive ceratite marginal ou flictênulas
Antiparasitário: suspeita de Demodex sem melhora
Cirurgia intraocular programada: controlar a blefarite antes do procedimento, pelo risco de endoftalmite [1]
Diagnóstico
Sintomas [1]:
Vermelhidão, irritação, ardor, lacrimejamento e prurido
Crostas nos cílios, pálpebras grudadas e perda de cílios
Visão embaçada ou flutuante, fotofobia, intolerância a lentes de contato
Hordéolos de repetição
Piora pela manhã
Características por tipo (ver tabela) [1]
Achado | Estafilocócica | Seborreica | DGM |
|---|---|---|---|
Perda de cílios | Frequente | Rara | Ausente |
Depósitos palpebrais | Escamas duras, colaretes | Oleosos | Excesso de lipídio, secreção espumosa |
Calázio | Raro | Raro | Ocasional a frequente, às vezes múltiplo |
Hordéolo | Pode ocorrer | Ausente | Ausente |
Conjuntiva | Hiperemia leve a moderada; pode haver flictênulas | Hiperemia leve | Hiperemia leve a moderada; reação papilar tarsal |
Doença de pele associada | Atopia, raramente | Dermatite seborreica | Rosácea |
Fonte: [1]
Achados que mudam a conduta [1]:
Colaretes ou "mangas" cilíndricas na base dos cílios: sugerem Demodex, sobretudo na blefarite refratária
Piolhos na base dos cílios e lêndeas aderidas às hastes, com debris sanguinolentos: pediculose palpebral (Phthirus pubis), geralmente de transmissão sexual; na criança, considerar abuso sexual (conferir o protocolo Violência / abuso sexual)
Rosácea: sinais cutâneos discretos (telangiectasias, rubor facial fácil) muitas vezes passam despercebidos, sobretudo em pele escura e em crianças
Condições associadas, a investigar e tratar [1]:
Olho seco
Dermatite seborreica, rosácea, dermatite atópica e psoríase
Medicamentos: isotretinoína e dupilumabe
Conduta
Orientação: doença crônica, sem cura definitiva; o tratamento contínuo melhora os sintomas, e a adesão define o resultado [1]
Etapa 1, para todos [1][2]:
Compressa morna nas pálpebras por alguns minutos, 1 a 2 vezes ao dia [1]:
Água quente da torneira em pano limpo, bolsa térmica ou saco de arroz ou feijão aquecido
Evitar temperatura que queime a pele
Higiene palpebral, 1 a 2 vezes ao dia [2]:
Esfregar suavemente a base dos cílios com xampu infantil diluído ou limpador palpebral, em gaze, algodão, cotonete ou ponta do dedo limpa [1]
DGM: massagem vertical da pálpebra para expressar as glândulas [1]
Glaucoma avançado: não pressionar as pálpebras com força na massagem [1]
Córnea neurotrófica ou baixa destreza manual: adaptar a higiene, pelo risco de lesão da córnea [1]
Lágrima artificial (conferir em "Lágrima artificial") [1][2]
Etapa 2, sem controle com a etapa 1 [1]:
Blefarite anterior: antibiótico tópico em pomada na margem palpebral (conferir em "Antibiótico tópico")
DGM: antibiótico oral (conferir em "Antibiótico oral")
Sem resposta: encaminhar ao oftalmologista (conferir em "Sinais de alarme e encaminhamento") [1]
Antibiótico tópico
Indicação: blefarite anterior, para alívio dos sintomas e redução das bactérias da margem palpebral [1]
Esquemas [1][3][4]:
Tobramicina sol. oft. (Tobrex®, Tobracin®) pomada oft. 3 mg/g (bisnaga 3,5 g)
Aplicar na margem palpebral 1 ou mais vezes ao dia ou ao deitar, por algumas semanas
Administração: via oftálmica; manter a bisnaga fechada e não tocar a ponta no olho ou em superfícies; com colírios associados, aplicar a pomada por último, com intervalo de pelo menos 5 minutos
Considerações:
Frequência e duração guiadas pela gravidade e pela resposta [1]
Tratamentos repetidos: alternar antibióticos de mecanismos diferentes, para evitar resistência [1]
Tobramicina: uso a partir de 2 meses de idade [3][4]
Antibiótico oral
Indicação: DGM com sintomas e sinais crônicos sem controle com higiene palpebral e expressão das glândulas [1]
Escolha [1]:
Adulto: doxiciclina ou azitromicina
Gestante, lactante e mulher em idade fértil: azitromicina no lugar da tetraciclina
Criança: antibiótico oral a critério do oftalmologista [1][8][9]:
Eritromicina, em esquema de 7 a 9 semanas: risco de hepatite colestática com uso acima de 10 dias
Azitromicina, em esquema de 2 meses: a dose total supera o máximo de 1.500 mg por tratamento da bula pediátrica
Pode ser suspenso e reiniciado de forma intermitente, conforme a gravidade e a tolerância
Esquemas [1][5][6][7]:
Adulto:
Doxiciclina (Vibramicina®) comp. solúvel 100 mg
Bula:
200 mg no primeiro dia (dose única ou 100 mg a cada 12 horas), seguidos de 100 mg uma vez ao dia
Guia Farmacêutico HSL:
100 a 200 mg/dia, em 1 ou 2 doses; dose máxima de 300 mg/dia
Reduzir gradualmente após a melhora clínica
Administração: via oral, com líquido em quantidade adequada, ou dissolvido em 50 mL de água; tomar com alimento ou leite se houver irritação gástrica; não tomar imediatamente antes de deitar, pelo risco de esofagite
Azitromicina (Zitromax®) comp. rev. 500 mg
Esquemas descritos:
500 mg uma vez ao dia por 3 dias, em 3 ciclos com intervalo de 7 dias
1 g uma vez por semana, por 3 semanas
Administração: via oral, com ou sem alimento
Considerações:
Uso fora da bula: blefarite não consta das indicações de bula da doxiciclina nem da azitromicina; a AAO descreve a azitromicina oral como uso fora da bula [1][5][7]
Doxiciclina [1][5]:
Contraindicada em gestantes, na lactação e abaixo de 8 anos [5]
Fotossensibilidade, desconforto gastrointestinal, vaginite, raramente azotemia e hipertensão intracraniana idiopática [1]
Reduz a eficácia do contraceptivo oral e potencializa a varfarina [1]
Azitromicina oral [1][7]:
Risco de arritmia em pacientes com doença cardiovascular; idosos têm maior suscetibilidade a torsades de pointes [1][7]
Gestação: categoria B; usar apenas se clinicamente necessário [7]
Lágrima artificial
Indicação: adjuvante à higiene palpebral, pela instabilidade do filme lacrimal; na blefarite posterior, produtos com óleo ou lipídio podem ajudar [1]
Esquemas [1][2][10][11]:
Carmelose Sódica (colírio) (Fresh Tears®) sol. oft. 0,5% (frasco 5, 10 ou 15 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 3 a 4 vezes ao dia
Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies; manter fechado após o uso
Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®) sol. oft. 0,1% + 0,3% (frasco 15 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 3 a 4 vezes ao dia
Administração: via oftálmica, no saco conjuntival; não encostar a ponta do frasco nos olhos
Considerações:
Uso acima de 4 vezes ao dia: preferir lubrificante sem conservante, pela toxicidade do conservante [1]
Carmelose (Fresh Tears®): uso adulto; Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®): uso adulto e pediátrico [10][11]
💊 Como prescrever?
Tobramicina [1][3]:
Tobramicina sol. oft. (Tobrex®, Tobracin®) pomada oft. 3 mg/g (bisnaga 3,5 g)
Aplicar na margem palpebral 1 ou mais vezes ao dia ou ao deitar, por algumas semanas
Administração: via oftálmica; manter a bisnaga fechada e não tocar a ponta no olho ou em superfícies; com colírios associados, aplicar a pomada por último, com intervalo de pelo menos 5 minutos
Doxiciclina [5][6]:
Doxiciclina (Vibramicina®) comp. solúvel 100 mg
Bula:
200 mg no primeiro dia (dose única ou 100 mg a cada 12 horas), seguidos de 100 mg uma vez ao dia
Guia Farmacêutico HSL:
100 a 200 mg/dia, em 1 ou 2 doses; dose máxima de 300 mg/dia
Reduzir gradualmente após a melhora clínica
Administração: via oral, com líquido em quantidade adequada, ou dissolvido em 50 mL de água; tomar com alimento ou leite se houver irritação gástrica; não tomar imediatamente antes de deitar, pelo risco de esofagite
Azitromicina [1][7]:
Azitromicina (Zitromax®) comp. rev. 500 mg
Esquemas descritos:
500 mg uma vez ao dia por 3 dias, em 3 ciclos com intervalo de 7 dias
1 g uma vez por semana, por 3 semanas
Administração: via oral, com ou sem alimento
Lágrima artificial [2][10]:
Carmelose Sódica (colírio) (Fresh Tears®) sol. oft. 0,5% (frasco 5, 10 ou 15 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 3 a 4 vezes ao dia
Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies; manter fechado após o uso
Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®) sol. oft. 0,1% + 0,3% (frasco 15 mL)
1 a 2 gotas no olho afetado, 3 a 4 vezes ao dia
Administração: via oftálmica, no saco conjuntival; não encostar a ponta do frasco nos olhos
Particularidades na criança
Blefaroceratoconjuntivite: comum e subdiagnosticada, com risco de ambliopia, perda visual e perfuração da córnea [1]
Suspeitar se qualquer um [1]:
Conjuntivite recorrente
Ceratite ou neovascularização da córnea
Hordéolo ou calázio recorrente
Opacidade da córnea ou ambliopia
Apresentação muitas vezes assimétrica, confundida com doença herpética [1]
Rosácea ocular: pode se apresentar com ceratoconjuntivite recorrente, calázios de repetição e acometimento ocular assimétrico, com risco de perfuração da córnea [1]
Antibiótico oral: tetraciclinas contraindicadas abaixo de 8 anos; esquemas orais da criança a critério do oftalmologista (conferir em "Antibiótico oral") [1][5]
Encaminhamento: os critérios valem sobretudo para a criança (conferir em "Sinais de alarme e encaminhamento") [1]
Hordéolo e calázio: conferir o protocolo Hordéolo e calázio (terçol)
Referências
[1] AMERICAN ACADEMY OF OPHTHALMOLOGY; LIN, Amy; AHMAD, Sumayya; AMESCUA, Guillermo; et al. Blepharitis Preferred Practice Pattern®. San Francisco: American Academy of Ophthalmology, 2023 (aprovado em 22 set. 2023). Disponível em: https://www.aao.org/education/preferred-practice-pattern/new-preferredpracticepatternguideline-4. Acesso em: 22 out. 2026.
[2] ESPÍRITO SANTO. Secretaria de Estado da Saúde. Protocolo de Oftalmologia: Autorregulação Formativa Territorial. Vitória, 2021. Disponível em: https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Publicações%20em%20PDF/ARFT%20Oftalmologia%20site.pdf.
[3] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Tobrex® (tobramicina): solução oftálmica 3 mg/mL e pomada oftálmica 3 mg/g. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 10/09/2025.
[4] CRISTÁLIA PRODUTOS QUÍMICOS FARMACÊUTICOS. Tobracin® (tobramicina): pomada oftálmica 3 mg/g e solução oftálmica 3 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 10/06/2026.
[5] PFIZER BRASIL. Vibramicina® (doxiciclina): comprimidos solúveis 100 mg. Bula para o profissional de saúde. Histórico de alteração até 23/09/2026.
[6] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico: doxiciclina. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/doxiciclina. Acesso em: 22 out. 2026.
[7] PFIZER BRASIL. Zitromax® (azitromicina): comprimidos revestidos 500 mg. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 29/09/2026.
[8] ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS. Eritrex® (estolato de eritromicina): suspensão oral 250 mg/5 mL. Bula para o profissional de saúde.
[9] EUROFARMA LABORATÓRIOS. Astro® (azitromicina di-hidratada): pó para suspensão oral 600 mg, 900 mg e 1.500 mg (200 mg/5 mL após reconstituição). Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 23/04/2021.
[10] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Fresh Tears® (carmelose sódica): solução oftálmica 5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde.
[11] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Lacrima® Plus (dextrana 70 + hipromelose): solução oftálmica 1,0 mg/mL + 3,0 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 01/09/2021.
[12] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão (CID-10). Capítulo VII: Doenças do olho e anexos (H00-H59). Versão em português, DATASUS.
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