Dermatite de contato
CID 10: L25 — Dermatite de contato não especificada
Introdução
A dermatite de contato é uma dermatose eczematosa inflamatória desencadeada por exposição cutânea a substâncias externas. Pode ocorrer por mecanismo irritativo direto ou por sensibilização imunológica tardia.
As apresentações principais são:
Dermatite de contato irritativa (DCI)
Decorre de dano direto à barreira cutânea por agentes físicos ou químicos.
É a forma mais frequente, especialmente em dermatoses ocupacionais.
Pode ocorrer após exposição única intensa ou exposições repetidas de menor intensidade.
Dermatite de contato alérgica (DCA)
Reação de hipersensibilidade tardia mediada por linfócitos T.
Exige sensibilização prévia ao alérgeno.
Pode surgir após anos de tolerância ao produto ou substância.
A identificação e o afastamento do agente causal constituem a principal medida terapêutica.
Principais agentes desencadeantes
Irritantes - Água, detergentes, sabões, álcool, solventes, desinfetantes, cimento, óleos, ácidos, álcalis, suor e fricção.
Cosméticos - Fragrâncias, conservantes, tinturas capilares, esmaltes, maquiagens, cremes e filtros solares.
Metais - Níquel, cobalto e cromo.
Medicamentos tópicos - Neomicina, anestésicos locais, corticoides tópicos e antissépticos.
Borracha e resinas - Látex, aceleradores da borracha, colas e resinas epóxi.
Plantas - Toxicodendron spp., espécies da família Asteraceae e cítricos associados à fotoexposição.
Ocupacionais - Produtos de limpeza, cimento, luvas, lubrificantes, óleos, tintas, solventes, resinas e metais.
Dermatite de contato ocupacional
A dermatite de contato ocupacional deve ser suspeitada quando há relação temporal entre o início ou piora das lesões e a atividade laboral, com melhora em afastamentos, férias ou fins de semana.
Profissões frequentemente envolvidas:
Profissionais de saúde.
Trabalhadores da limpeza.
Cabeleireiros.
Manipuladores de alimentos.
Trabalhadores da construção civil.
Mecânicos.
Trabalhadores da indústria química, têxtil ou metalúrgica.
As dermatoses ocupacionais podem ser causadas, mantidas ou agravadas pelo trabalho e devem ser avaliadas quanto à necessidade de notificação e vigilância em saúde do trabalhador.
Quadro clínico
A apresentação depende do agente, intensidade e duração da exposição, área corporal envolvida e integridade da barreira cutânea.
Fase aguda
Eritema.
Edema.
Pápulas e vesículas.
Exsudação.
Crostas.
Prurido, ardor ou queimação.
Fase subaguda
Eritema persistente.
Descamação.
Fissuras superficiais.
Prurido variável.
Fase crônica
Xerose.
Liquenificação.
Hiperqueratose.
Fissuras dolorosas.
Alterações pigmentares pós-inflamatórias.
Distribuição sugestiva
Mãos - Sabões, detergentes, álcool, luvas, cimento, borracha, metais, cosméticos e exposição ocupacional.
Face e pálpebras - Cosméticos, esmaltes, tinturas capilares, fragrâncias, conservantes, produtos capilares e alérgenos transportados pelas mãos.
Lobos auriculares, pescoço e punhos - Níquel, bijuterias, perfumes, relógios e acessórios.
Couro cabeludo - Tinturas, shampoos, condicionadores, fragrâncias e conservantes.
Axilas - Desodorantes, fragrâncias, conservantes e depiladores.
Pés - Calçados, borracha, couro, corantes, colas e metais.
Área perianal ou genital - Medicamentos tópicos, absorventes, lenços umedecidos, fragrâncias, preservativos e produtos de higiene íntima.
Tratamento não medicamentos
Evitar o uso abusivo de sabonetes, buchas, lavagens excessivas, água quente.
Afastamento do agente causador.
Uso de vestuário que anule o contato (luvas, sapatos, etc).
Tratamento medicamentoso
Compressas com água boricada
Aplicar 2x/dia por 5 a 10 minutos (para os casos agudos).
Creme hidratante
Cold cream, ou superior (hipoalergênicos).
Corticoides tópicos:
Potência mínima / baixa:
Acetato de Dexametasona 0,1% creme - 2x/dia por 7 dias.
Potência média:
Furoato de Mometasona 0,1% creme - 1x/dia por 7 dias.
Alta potência:
Devem ser usados com parcimônia, em áreas pequenas, por tempo limitado (7 dias) em lesões liquenificadas (crônicas),e não devem ser usados na face.
Propionato de Clobetasol 0,025% creme - 2x/dia por 7 dias.
Muito alta potência:
Devem ser usados com parcimônia, em áreas pequenas, por tempo limitado (7 dias) em lesões liquenificadas (crônicas),e não devem ser usados na face.
Propionato de Clobetasol 0,05% creme - 2x/dia por 7 dias.
Anti-histamínicos de segunda geração:
Loratadina comp. 10mg
Tomar 1 cp uma vez ao dia (max 10 mg/dia)
Obs: para adultos, gestantes e lactantes
Loratadina xp. 1mg/1mL
≥ 30 kg: Tomar 10 mL uma vez ao dia (max 10 mg/dia)
< 30 kg: Tomar 5 mL uma vez ao dia (max 5 mg/dia)
Obs: para maiores de 2 anos
Desloratadina xp. 0,5mg/1mL
≥ 12 anos: 10 mL uma vez ao dia (max 5 mg/dia)
6-11 anos: 5 mL uma vez ao dia
1-5 anos: 2,5 mL uma vez ao dia.
6-11 meses: 2 mL uma vez ao dia.
Obs: para maiores de 6 meses
Fexofenadina comp. 60mg ou 120mg ou 180 mg
Tomar 1 cp uma vez ao dia (max 180 mg/dia), ou
Tomar 1 cp (de 60 mg) a cada 12 h
Obs: para maiores de 12 anos (categoria B de risco na gravidez)
Fexofenadina susp oral 6 mg/mL
6 meses a 2 anos (ou < 10,5 kg): dar 2,5 mL a cada 12 h (max 30 mg/dia)
2 a 11 anos (ou > 10,5 kg): dar 5 mL a cada 12 h (max 60 mg/dia)
Obs: para crianças de 6 meses a 11 anos
Cetirizina comp. 10 mg
Tomar 1 cp uma vez ao dia (max 10 mg 12/12h)
Obs: para maiores de 12 anos, gestantes e lactantes.
Cetirizina susp oral 1 mg/mL
> 12 anos: tomar 10 mL uma vez ao dia (max 10 mg a cada 12h)
6 a 12 anos: dar 5 a 10 mL uma vez ao dia (max 10 mg/dia)
2 a 5 anos: dar 5 mL uma vez ao dia (max 5 mg/dia)
1 a 2 anos: dar 2,5 mL uma vez ao dia (max 2,5 mL a cada 12h)
6 meses a 1 ano: dar 2,5 mL uma vez ao dia (max 2,5 mg/dia)
Levocetirizine comp. 5 mg
Tomar 1 cp à noite (max 5 mg a cada 12h)
Obs: para maiores de 12 anos
Levocetirizine gotas 5 mg/ mL/ 20 gotas
> 6 anos: tomar 20 gotas à noite (max 20 gotas /dia)
2 a 6 anos: dar 10 gotas à noite (max 10 gotas/dia)
Obs: para maiores de 2 anos
Anti-histamínicos de primeira geração
Considerando efeito sedativo, são indicados se presença de prurido significativo que prejudique o sono (evitar em idosos).
Dexclorfeniramina comp. 2 mg
Tomar 1 cp antes ao deitar (max 2mg a cada 6h)
Obs: para adultos
Dexclorfeniramina sol. oral 0,4mg/mL
> 12 anos: 5 mL, 3-4 vezes ao dia (max 30 mL/dia)
6-12 anos: 2,5 mL, 3 vezes ao dia (max 15 mL/dia)
2-6 anos: 1,25 mL, 3 vezes ao dia (max 7,5 mL/dia)
Obs: para maiores de 2 anos
Hidroxizina comp. 10 ou 25 mg
Adultos: tomar 1 cp, a cada 6-8 h (max 100 mg/dia) (evitar em idosos).
Crianças: 0,7 mg/kg (max 25 mg/dose e 50 mg/dia)
Obs: para maiores de 6 anos.
Corticoterapia sistêmica:
Indicado apenas para casos graves.
Prednisona comp. 5mg ou 20mg
Tomar 1 cp de 20mg uma vez ao dia, pela manhã, por 5 a 10 dias.
Se for necessário tratamento prolongado ou com doses mais elevadas, deve-se realizar redução gradual da dose (desmame).
Corticoides tópicos (potência)

Referências
[1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALERGIA E IMUNOLOGIA. Dermatite de contato. Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, v. 34, n. 3. Disponível em: ASBAI — Dermatite de contato. Acesso em: 8 jul. 2026.
[2] ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA; CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Diagnóstico e tratamento do eczema de contato. Projeto Diretrizes. São Paulo: Associação Médica Brasileira, 2006. Disponível em: AMB — Diagnóstico e tratamento do eczema de contato. Acesso em: 8 jul. 2026.
[3] BRASIL. Ministério da Saúde. Dermatoses ocupacionais. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: Ministério da Saúde — Dermatoses ocupacionais. Acesso em: 8 jul. 2026.
[4] FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ; REDE NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO TRABALHADOR. Protocolo de complexidade diferenciada: dermatoses ocupacionais. Rio de Janeiro: Fiocruz. Disponível em: RENAST — Protocolo de dermatoses ocupacionais. Acesso em: 8 jul. 2026.
[5] SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Dermatite de contato. Rio de Janeiro: SBD. Disponível em: Sociedade Brasileira de Dermatologia — Dermatite de contato. Acesso em: 8 jul. 2026.
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