Cólica Renal e Ureterolitíase no Adulto

CID 10: N20
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Fluxograma de manejo

Manejo da Cólica Renal: o fluxograma organiza a abordagem do paciente com cólica renal desde o atendimento inicial até a definição de conduta ambulatorial, expectante ou urológica. O algoritmo parte da cólica renal e segue para o controle de dor, cuja conduta consiste em anti-inflamatórios, se não houver contraindicação, analgésicos e/ou opioides, se necessário, e antieméticos. Em seguida, avalia-se se há sinais de alerta ou se o paciente é de alto risco: consideram-se sinais de alerta a dor refratária, a intolerância à medicação ou hidratação por via oral e a febre; considera-se paciente de alto risco aquele com transplante renal, doença renal crônica, rim único ou anúria. Se a resposta for sim, deve-se coletar exames laboratoriais, incluindo hemograma, proteína C reativa, creatinina e urina tipo 1. A partir dessa coleta, dois caminhos são possíveis. Caso os exames revelem suspeita de infecção associada, risco de urosepse por pielonefrite obstrutiva, insuficiência renal aguda com obstrução, hidronefrose em rim único, obstrução bilateral ou dor refratária ao tratamento clínico, indica-se avaliação urológica urgente com desobstrução urinária, seguida de internação. Caso não haja sinais de alarme nos exames e a dor esteja controlada, segue-se para a avaliação de cálculo ureteral e/ou hidronefrose, que é estratificada por tamanho em três categorias: cálculo menor que 5 mm, para o qual a conduta é expectante; cálculo distal de 5 a 10 mm, para o qual se indica terapia expulsiva medicamentosa; e cálculo maior que 10 mm, para o qual se indica avaliação urológica eletiva. Se, na avaliação inicial, não houver sinais de alerta nem características de alto risco, há possibilidade de tratamento ambulatorial, com conduta expectante, analgesia domiciliar, orientações de seguimento e investigação ambulatorial. As abreviações utilizadas são PCR para proteína C reativa e VO para via oral. Fonte: Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da nefrolitíase. Sociedade Brasileira de Nefrologia, 2025.

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Sintomáticos

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Anti-inflamatórios não hormonais

  • São a primeira linha, na ausência de contraindicação (Grau A; Nível 1) [1].

  • Via parenteral:

    • Cetoprofeno (Profenid®) ampola de 100 mg, pó para solução injetável

      • 100 mg diluído em 100 mL de SF 0,9%, EV, infundir em 20 minutos [1]

      • 100 mg IM

      • Dose máxima: 300 mg/dia, o que limita a 3 aplicações

    • Cetorolaco (Toragesic®) solução injetável de 30 mg/mL

      • Abaixo de 65 anos: 30 mg (1 ampola) EV em bolus lento; máximo de 90 mg/dia

      • 65 anos ou mais: 15 mg (meia ampola) EV em bolus lento; máximo de 60 mg/dia

    • Diclofenaco ampola de 75 mg/3 mL

      • 75 mg IM

      • Dose máxima: 75 mg/dia, o que limita a 1 aplicação

  • Via oral:

    • Cetoprofeno (Profenid®) cápsulas de 50 mg, 100 mg ou 150 mg

      • 50 mg VO a cada 6h, ou 100 mg VO a cada 12h [1]

      • Dose máxima: 300 mg/dia

    • Cetorolaco (Toragesic®) comprimido sublingual de 10 mg

      • Ataque: 20 mg SL [1]

      • Manutenção: 10 mg a cada 4 a 6h, respeitando a dose máxima [1]

      • Dose máxima VO: 40 mg/dia, o que limita a 4 tomadas [1]

    • Diclofenaco comprimido de 50 mg

      • 50 mg VO a cada 8h

      • Dose máxima: 150 mg/dia

    • Ibuprofeno comprimido de 200 mg, 300 mg, 400 mg ou 600 mg

      • 1 comprimido VO a cada 6h

      • Dose máxima: 3,2 g/dia

  • Considerações

    • Contraindicação absoluta ou relativa a todos os AINH: insuficiência renal, doença péptica grave e gestação; nesses casos, considerar opioides [1]

    • Usar pelo menor tempo possível, geralmente de 3 a 10 dias

    • A diretriz também endossa a indometacina na cólica renal, sem trazer posologia [1]

    • Cetoprofeno:

      • Contraindicado em hipersensibilidade, úlcera péptica ativa, hemorragia gastrointestinal e 3º trimestre de gestação ou lactação; cautela em idosos, falência renal ou hepática e ICC [1]

      • Inconsistência da fonte: a Tabela 2 registra a apresentação oral como "Cáps. 500 a 1000 mg", incompatível com a posologia da mesma linha [1]

    • Cetorolaco:

      • Contraindicado em hipersensibilidade, úlcera péptica ativa, hemorragia cerebrovascular e 3º trimestre de gestação ou lactação; cautela em idosos, hipertensão e ICC [1]

      • Efeitos graves: hemorragia gastrointestinal, disfunção renal, anafilaxia, broncoespasmo e agranulocitose [1]

      • Erro da fonte: a Tabela 2 registra "360 mg IM", incompatível com o teto de 120 mg/dia declarado na mesma linha; a dose IM não é reproduzida aqui [1]

      • A diretriz declara teto de 120 mg/dia por via EV [1], acima do adotado acima

      • Inconsistência da fonte na via oral: 10 mg em 4 a 6 tomadas atingem 40 a 60 mg/dia, acima do teto de 40 mg/dia da mesma linha; o teto prevalece [1]

Analgésicos não opioides

  • Via parenteral:

    • Dipirona (Novalgina®) ampola de 1 g/2 mL

      • 1 g EV em bolus lento, ou IM, a cada 6h

      • Dose máxima: 4 g/dia

    • Dipirona + escopolamina ampola de 2,5 g + 20 mg/5 mL

      • 1 ampola EV em bolus lento a cada 12h

      • Dose máxima: 3 ampolas/dia

  • Via oral:

    • Dipirona (Novalgina®) comprimido de 500 mg ou 1 g

      • 500 mg a 1 g VO a cada 6h

      • Dose máxima: 4 g/dia

    • Dipirona + escopolamina comprimido de 250 mg + 10 mg

      • 1 a 2 comprimidos VO a cada 6h

    • Paracetamol (Tylenol®) comprimido de 500 mg ou 750 mg

      • 500 a 750 mg VO a cada 6h

      • Dose máxima: 4 g/dia

  • Considerações

    • Dipirona:

      • É a droga não opioide mais usada na cólica renal no Brasil, isolada ou associada à hioscina [1]

      • Contraindicada em hipersensibilidade; cautela em gestantes e lactantes, doença medular e deficiência de G6PD [1]

      • Efeitos graves: anafilaxia, hipotensão arterial e agranulocitose [1]

      • A diretriz não declara dose máxima, e seu regime literal (2 comprimidos 4x/dia) atinge 8 g/dia com comprimidos de 1 g, o dobro do teto adotado acima [1]

    • Paracetamol:

      • Contraindicado em hipersensibilidade; cautela na deficiência de G6PD e na doença hepática em atividade [1]

      • Hepatotoxicidade e alteração de transaminases [1]

Antiespasmódicos

  • Escopolamina (butilbrometo de escopolamina, Buscopan®) drágeas de 10 mg

    • 1 a 2 drágeas 4x/dia, respeitando a dose máxima [1]

    • Dose máxima VO: 60 mg/dia [1]

  • Escopolamina (butilbrometo de escopolamina, Buscopan®) ampola de 20 mg/mL (1 mL)

    • 1 a 2 ampolas (20 a 40 mg) EV, IM ou SC a cada 4 a 6h, respeitando a dose máxima [1][4]

    • Dose máxima EV: 100 mg/dia [1]

    • Dose máxima por via IM ou SC: não declarada na diretriz, que especifica o teto apenas para a via EV; conferir em bula [1]

  • Considerações

    • Efeito controverso e limitado, mesmo em associação a analgésicos [1]

    • Contraindicada em glaucoma, megacólon, íleo paralítico, hiperplasia prostática com retenção urinária, lesões estenóticas gastrointestinais, miastenia gravis, taquicardia por ICC e hipersensibilidade [1]

    • Efeitos anticolinérgicos: xerostomia, borramento visual e retenção urinária; confusão mental e alucinação em idosos e em doses elevadas [1]

    • Divergência de apresentação: a Tabela 2 registra ampola de 30 mg/mL [1], mas a apresentação disponível no Brasil é de 20 mg/mL, aqui adotada [4]

    • Inconsistência da fonte: 2 ampolas até 6x/dia excedem o teto de 100 mg/dia, e 2 drágeas 4x/dia atingem 80 mg/dia, acima do teto de 60 mg/dia; os tetos prevalecem e limitam o número de administrações [1]

Opioides

  • Reservados a quem tem contraindicação a AINH, e com uso minimizado (Grau A; Nível 1) [1].

  • Morfina (Dimorf®) comprimido de 10 mg

    • 5 a 30 mg VO a cada 4h [1]

  • Morfina (Dimorf®) ampola de 2 mg/2 mL ou 10 mg/mL

    • 2 mg diluído em 100 mL de SF 0,9%, EV lento; máximo de 60 mg/dia, ou

    • Diluir 1 ampola de 10 mg em 9 mL de SF 0,9% e aplicar alíquotas de 2 mL EV conforme a necessidade

    • IM ou SC (off-label): meia a 1 ampola de 10 mg/mL; máximo de 120 mg/dia

  • Tramadol (Tramal®) comprimido de 50 mg ou 100 mg

    • 50 a 100 mg VO a cada 12h

    • Dose máxima: 400 mg/dia

  • Tramadol (Tramal®) ampola de 50 mg/mL ou 100 mg/2 mL

    • 50 a 100 mg EV ou IM a cada 6h [1]

    • Diluir 1 mg/mL em SF ou SG, em infusão lenta por 30 a 60 minutos [1]

    • Por via SC: 50 mg

    • Dose máxima: 400 mg/dia [1]

  • Meperidina (Dolantina®) ampola de 50 mg/mL (2 mL)

    • 1 mg/kg IM (preferencialmente) a cada 4h [1]

    • Ataque: 25 a 50 mg EV, diluir em 10 mL de SF ou SG, lento; ou SC se necessário [1]

    • Dose máxima: 500 mg/dia [1]

  • Considerações

    • Contraindicações da classe, que a diretriz não discrimina por fármaco: hipersensibilidade, obstrução gastrointestinal incluindo íleo paralítico e uso de IMAO nos 14 dias antecedentes; cautela em idosos, depressão respiratória, alcoolismo e insuficiência hepática ou renal [1]

    • Efeitos da classe que mudam a conduta: depressão respiratória, hipotensão, náuseas e vômitos, constipação, retenção urinária e crise convulsiva [1]

    • Associar antiemético

    • Morfina:

      • Vigiar hipotensão e dessaturação

      • Erro da fonte: a Tabela 2 registra 1 mg/kg IM ou EV a cada 4h, incompatível com a ampola citada na mesma linha (1 mg/mL com 2 mL contém 2 mg no total) e com risco de depressão respiratória grave; não é reproduzido aqui [1]

      • A faixa oral não é estratificada por tolerância prévia a opioides [1]

    • Tramadol:

      • Menor risco de depressão respiratória que os demais opioides, porém com menor efeito analgésico [1]

    • Meperidina:

      • Induz vômitos frequentes, e sua ação pode se prolongar ou ser potencializada na insuficiência renal [1]

Antieméticos

  • Bromoprida ampola de 10 mg/2 mL

    • 10 mg diluído em 100 mL de SF 0,9%, EV a cada 8h; máximo de 30 mg/dia

    • Pode ser aplicada junto à solução de tramadol

  • Ondansetrona ampola de 4 mg/2 mL ou 8 mg/4 mL

    • 4 mg EV em bolus a cada 8h, ou 8 mg EV em bolus a cada 12h

    • Dose máxima: 48 mg/dia

  • Considerações

    • Indicados na conduta inicial da cólica renal e habitualmente associados ao opioide [1]

Hidratação

  • A hidratação intravenosa com o único propósito de forçar a passagem do cálculo deve ser evitada (Grau B; Nível 1) [1]

  • Reidratar apenas se hipovolemia, náuseas e vômitos significativos ou suspeita de lesão renal aguda pré-renal [1]

Terapia expulsiva

Indicada em cálculo ureteral distal de 5 a 10 mm, discutindo vantagens e desvantagens com o paciente em decisão compartilhada (Grau A; Nível 1) [1]. O papel da TEM é controverso, e a passagem forçada de cálculos não é respaldada pela literatura [1].

  • Probabilidade de eliminação espontânea [1]

    • Menores que 5 mm: até 80%, chegando a 90% com terapia expulsiva [3]

    • Maiores que 7 mm: cerca de 25% em ureter proximal, 45% em médio e 70% em distal

  • Tansulosina (Secotex®) comprimido 0,4 mg

    • 0,4 mg VO 1x/dia

    • Considerações

      • Facilita a passagem espontânea de cálculos ureterais, sobretudo distais e menores que 1 cm [1]

      • Usada também após litotripsia extracorpórea, para acelerar a eliminação de fragmentos [1]

      • Efeitos colaterais: tontura, hipotensão ortostática (principalmente na primeira dose), distúrbios da ejaculação, cefaleia, rinite [1]

      • Contraindicações absolutas: hipersensibilidade e uso concomitante com inibidor forte de CYP3A4, como o cetoconazol [1]

  • Citrato de potássio (Litocit®) comprimidos de liberação prolongada de 5, 10 e 15 mEq [1][5]

    • Dose média pós-litotripsia: 55 mEq/dia [1]

    • Ingerir após as refeições, para minimizar a intolerância gástrica [1]

    • Disponível também em farmácias de manipulação [1]

    • Considerações

      • Usado em alguns protocolos como adjuvante após litotripsia extracorpórea, para acelerar a eliminação de fragmentos [1]

      • Limitante principal: intolerância gástrica e refluxo gastroesofágico [1]

      • Atenção na doença renal crônica, pelo risco de hipercalemia ou alcalose metabólica [1]

  • Outras opções

    • São citados alfuzosina, nifedipino, silodosina e mirabegrona, esta com eficácia similar à tansulosina [3]

    • A desmopressina pode reduzir a dor da cólica renal [3]

Exames de imagem

Pacientes com suspeita de ureterolitíase e nefrolitíase devem ser submetidos a um exame de imagem para determinar se há presença de cálculo renal e para avaliar sinais de obstrução urinária (p. ex. hidronefrose).
  • Ultrassom de rins e vias urinárias.
  • TC helicoidal de rins e via urinárias.

A passagem espontânea é improvável com cálculos ≥10 mm de diâmetro. Os cálculos em ureter proximal também apresentam menor probabilidade de expulsão espontânea, necessitando a avaliação do urologista.

Indicações de internação

  • Ureterolitíase associado a febre ou sinais de infecção.

  • Dor refratária.

  • Ureterolitíase obstrutiva (especialmente se rim único ou transplantado renal).

  • Insuficiência renal.

Referências

[1] CARVALHO, Mauricio de; MATOS, Ana Cristina Carvalho de; SANTOS, Daniel Rinaldi dos; BARRETO, Daniela Veit; BARRETO, Fellype Carvalho; RODRIGUES, Fernanda Guedes; PIETROBOM, Igor Gouveia; LUZ, Lucas Gobetti da; CONSTANCIO, Natasha Silva; GOMES, Samirah Abreu; HEILBERG, Ita Pfeferman. Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da Nefrolitíase: Sociedade Brasileira de Nefrologia. Brazilian Journal of Nephrology, v. 47, n. 2, e20240189, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2175-8239-JBN-2024-0189pt.

[2] Diretrizes de litíase urinária da Sociedade Brasileira de Nefrologia. J Bras Nefrol 2002.

[3] Diagnóstico e Tratamento de Litíase Ureteral. J Bras Nefrol 2009.

[4] Medicina de emergência: abordagem prática / professor titular e coordenador Irineu Tadeu Velasco. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Barueri [SP]: Manole, 2019.

[5] Manual do Residente de Clínica Médica. Milton de Arruda Martins, Barueri, SP. Manole, 2015.

[6] Medicina de emergência : revisão rápida / editores Herlon Martins...[et al.]. – Barueri, SP : Manole, 2017.

Autoria e Curadoria

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