Bacteriúria Assintomática no Adulto
CID-10: R82.7 Achados anormais ao exame microbiológico da urina
Introdução
Bacteriúria assintomática é a presença de bactéria em contagem significativa na urina, sem sinais ou sintomas de ITU, com ou sem piúria [1][2]; critério [3][1][2]:
Jato médio: 10⁵ UFC/mL ou mais, em duas amostras consecutivas na mulher e em uma amostra no homem [3][1]
Cateterismo: 10² UFC/mL ou mais [2]
Prevalência estimada [3]:
Mulher saudável na pré-menopausa: 1% a 5%
Idosos saudáveis: 4% a 19%
Diabetes: 0,7% a 27%
Gestante: 2% a 10%
Idoso institucionalizado: 15% a 50%
Lesão medular: 23% a 89%
O tratamento só é indicado quando há benefício comprovado, para evitar a seleção de resistência antimicrobiana e a erradicação de uma cepa possivelmente protetora [3]
🔑 Pontos-chave:
Bacteriúria assintomática é colonização: só é tratada quando há benefício comprovado [3]
Bacteriúria com febre ou outro sinal sistêmico sem outra causa: avaliar como ITU sistêmica ou ITU associada a cateter, e não como bacteriúria assintomática [3]
Cor, aspecto ou odor da urina no paciente assintomático não indicam urocultura [2]
Rastrear e tratar apenas na gestante e antes de procedimento urológico com lesão de mucosa [3][1][2]
Não rastrear no diabetes, no idoso institucionalizado, no paciente com cateter vesical e antes de cirurgia não urológica [3][1][2]
Idoso com delirium ou queda e bacteriúria, com comprometimento funcional ou cognitivo, sem sintomas geniturinários nem sinais sistêmicos: investigar outras causas e observar, sem tratar a bacteriúria [1]
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza a conduta diante de urocultura positiva em adulto sem sintomas urinários. A primeira pergunta é se há febre ou outro sinal sistêmico sem outra causa identificada; se sim, não é bacteriúria assintomática: avaliar como ITU sistêmica ou, com cateter, ITU associada a cateter; na sepse sem foco definido, antibiótico de amplo espectro para foco urinário e não urinário, conferindo os protocolos Infecção do Trato Urinário (ITU) e Pielonefrite no Adulto e Sepse e Choque Séptico. Se não, pergunta-se se é gestante; se sim, segue o protocolo ITU na Gestação. Se não, pergunta-se se há procedimento urológico com lesão de mucosa programado; se sim, urocultura antes do procedimento e antibiótico dirigido pelo antibiograma, 1 ou 2 doses, iniciado 30 a 60 minutos antes, com remissão ao tópico Antes de procedimento urológico. Se não, pergunta-se se é idoso com comprometimento funcional ou cognitivo, com delirium ou queda, sem febre nem instabilidade hemodinâmica; se sim, investigar outras causas e observar, sem tratar a bacteriúria, com remissão ao tópico Situações frequentes. Em todos esses casos sem indicação de tratamento, a conduta final é não tratar e não pedir nova urocultura sem sintomas urinários, com remissão ao tópico Quando rastrear e tratar. Fonte: referências [1], [2] e [3] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1793550365793_8f826ff8.webp)
Quando rastrear e tratar
Rastrear e tratar apenas nas situações abaixo; nas demais, não pedir urocultura no paciente sem sintomas urinários [3][1][2]:
Rastrear e tratar | Não rastrear nem tratar |
|---|---|
Gestante: conferir o protocolo Infecção do Trato Urinário (ITU) na Gestação | Mulher saudável, na pré-menopausa ou na pós-menopausa |
Antes de procedimento urológico com lesão de mucosa (ex.: ressecção transuretral da próstata) | Diabetes |
Idoso institucionalizado ou com comprometimento funcional ou cognitivo | |
Transplante renal (IDSA: há mais de 1 mês) ou de outro órgão sólido | |
Cateter vesical de curta ou de longa permanência | |
Lesão medular; trato urinário inferior disfuncional ou reconstruído | |
Antes de cirurgia não urológica, como artroplastia; EAU, recomendação fraca: antes de cirurgia cardiovascular | |
ITU recorrente | |
Antes de implante de dispositivo urológico ou com dispositivo implantado |
Fonte: [3][1][2]
Antes de procedimento urológico
Antes de procedimento urológico endoscópico [1]:
Urocultura antes do procedimento e antibiótico dirigido pelo antibiograma
Esquema curto, de 1 ou 2 doses, iniciado 30 a 60 minutos antes do procedimento
Situações frequentes
Bacteriúria com febre ou outro sinal sistêmico sem outra causa identificada não é bacteriúria assintomática: avaliar como ITU sistêmica ou, no paciente com cateter, ITU associada a cateter [3]; conferir o protocolo Infecção do Trato Urinário (ITU) e Pielonefrite no Adulto
Idoso com bacteriúria e delirium ou queda, com comprometimento funcional ou cognitivo, sem sintomas geniturinários nem outros sinais sistêmicos (febre, instabilidade hemodinâmica): investigar outras causas e observar, em vez de tratar a bacteriúria [1]
Bacteriúria com febre e sinais de sepse sem foco definido: antibiótico de amplo espectro para foco urinário e não urinário [1]; conferir o protocolo Sepse e Choque Séptico
Alteração de cor, aspecto ou odor da urina no paciente assintomático não indica urocultura [2]
Sem recomendação a favor ou contra [1][2]:
Neutropenia de alto risco (neutrófilos abaixo de 100/mm³ por 7 dias ou mais após quimioterapia)
Retirada do cateter vesical de demora
Gestante: rastrear e tratar; conferir o protocolo Infecção do Trato Urinário (ITU) na Gestação [3][1][2]
Criança: conferir o protocolo Infecção do Trato Urinário (ITU) na Criança
Referências
[1] NICOLLE, Lindsay E.; GUPTA, Kalpana; BRADLEY, Suzanne F.; et al. Clinical Practice Guideline for the Management of Asymptomatic Bacteriuria: 2019 Update by the Infectious Diseases Society of America. Clinical Infectious Diseases, v. 68, n. 10, p. e83-e110, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1093/cid/ciy1121. Acesso em: 29 out. 2026.
[2] DE ROSSI, Patricia; CIMERMAN, Sergio; TRUZZI, José Carlos; et al. Joint report of SBI (Brazilian Society of Infectious Diseases), FEBRASGO (Brazilian Federation of Gynecology and Obstetrics Associations), SBU (Brazilian Society of Urology) and SBPC/ML (Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine): recommendations for the clinical management of lower urinary tract infections in pregnant and non-pregnant women. Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 24, n. 2, p. 110-119, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.bjid.2020.04.002. Acesso em: 29 out. 2026.
[3] BONKAT, G. (chair); KRANZ, J.; CAI, T.; et al. EAU Guidelines on Urological Infections. Limited update March 2026. Arnhem: European Association of Urology, 2026. Disponível em: https://uroweb.org/guidelines/urological-infections. Acesso em: 29 out. 2026.
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