Hemoptise no Adulto
CID 10: R04.2 - Hemoptise
Introdução
Hemoptise é definida como a expectoração de sangue ou escarro sanguinolento originado na árvore traqueobrônquica ou no parênquima pulmonar. [1][2][4]
O volume expectorado pode variar desde raias de sangue vivo no escarro até a eliminação de grandes volumes, com risco imediato à vida.
Do ponto de vista epidemiológico, a hemoptise maciça historicamente correspondeu a uma emergência médica associada a taxas de mortalidade entre 50 e 85% antes da era da embolização arterial brônquica, com séries mais graves relatando valores próximos a 100%.
Com o desenvolvimento de técnicas de embolização e o manejo multidisciplinar moderno, a mortalidade em centros especializados reduziu de forma expressiva. [1][3]
Em países desenvolvidos, onde o controle da tuberculose é efetivo, o câncer de pulmão e as doenças inflamatórias crônicas pulmonares constituem as causas mais frequentes. [3]
Em países em desenvolvimento, a tuberculose mantém papel etiológico de destaque. [3]
A origem vascular do sangramento é predominantemente brônquica (sistêmica, alta pressão), responsável por aproximadamente 90% dos casos. [1][5]
O sangramento do sistema arterial pulmonar (baixa pressão) é responsável por menos de 5 a 10% dos casos e ocorre tipicamente por necrose vascular, como na pneumonia necrosante, no câncer de pulmão e na aspergilose intracavitária.
A hemoptise pode ser, em certos contextos, o primeiro sinal de alerta para o diagnóstico precoce de um pequeno câncer de pulmão. [3]
A abordagem diagnóstica adequada e sistematizada é fundamental para reduzir a mortalidade e orientar o tratamento definitivo.
Fluxogramas de Investigação

Classificação
A hemoptise não possui uma classificação uniforme na literatura. Não há consenso sobre um volume único que defina hemoptise maciça; os limiares citados variam entre 100 e 600 mL em 24 horas conforme o autor e a série estudada. [1][3]
As principais categorias são: [1][3][5]
Escarro hemoptoico: raias ou traços de sangue no escarro, sem expectoração predominantemente sanguínea
Hemoptise franca (não maciça): expectoração predominantemente de sangue
Hemoptise maciça: sem definição consensual; os principais limiares utilizados na literatura são:
100 mL/24h: adotado por parte dos autores [1]
300 mL/24h: limiar utilizado como referência em alguns critérios de adequação diagnóstica [4]
600 mL/24h: limiar adotado por outras séries [3]
Hemoptise ameaçadora da vida: definição preferencial por algumas diretrizes, independente do volume; considera o risco determinado pelo volume total, velocidade do sangramento e reserva cardiopulmonar do paciente [1]
Fatores de risco para caracterização: volume superior a 100 mL, presença de obstrução de via aérea, insuficiência respiratória ou instabilidade hemodinâmica [1]
Nota clínica: O principal perigo da hemoptise maciça é a asfixia por inundação da via aérea, e não o choque hemorrágico. A morte pode ocorrer mesmo com cessação temporária do sangramento, pois a recidiva é imprevisível. [3][5]
Etiologia
As causas de hemoptise são múltiplas e envolvem doenças das vias aéreas, do parênquima pulmonar e dos vasos pulmonares.
Doenças das vias aéreas: [1]
Bronquiectasias e bronquite crônica (causas mais frequentes globalmente)
Carcinoma broncogênico, tumor carcinoide, metástases endobrônquicas
Fístulas entre a árvore traqueobrônquica e vasos sanguíneos (aneurisma de aorta torácica)
Corpos estranhos, trauma
Doença de Dieulafoy do brônquio (artéria brônquica anômala contígua à mucosa brônquica)
Doenças do parênquima pulmonar: [1][5]
Infecções: pneumonia, tuberculose, abscesso pulmonar, infecções fúngicas (aspergiloma)
Doenças inflamatórias ou imunológicas (hemorragia alveolar difusa): síndrome de Goodpasture, lúpus eritematoso sistêmico, granulomatose com poliangiite (Wegener), poliarterite microscópica
Distúrbios de coagulação: trombocitopenia, anticoagulação, disfunção plaquetária, hemofilia, doença de Von Willebrand, CIVD
Iatrogênica: biópsia transbrônquica, punção aspirativa por agulha fina, cateter de Swan-Ganz
Outras: inalação de cocaína, hemoptise catamenial (endometriose), antiangiogênicos (bevacizumabe), pneumoconiose, linfangioleiomiomatose
Doenças vasculares pulmonares: [1][5]
Embolia pulmonar e infarto pulmonar
Malformações arteriovenosas, aneurismas e pseudoaneurismas
Estenose mitral, insuficiência cardíaca esquerda (aumento da pressão capilar pulmonar)
Vasculites (granulomatose de Wegener, doença de Behçet)
Hemoptise criptogênica:
Em torno de 20% dos casos, não se estabelece diagnóstico etiológico após broncoscopia e TC de tórax; esse percentual varia conforme a tecnologia de TC utilizada e a população estudada, sendo potencialmente menor com equipamentos multidetectores modernos. [1]
Em fumantes com hemoptise leve e exames negativos, a bronquite tabágica é a causa presumida mais frequente; nesses casos, a ausência de diagnóstico estrutural não implica necessariamente maior proporção de casos criptogênicos, mas reflete a inflamação da mucosa pelo tabagismo como fator causal sem correlato morfológico detectável pelos métodos disponíveis [1]
Relacionada também a bronquiectasias ocultas, tuberculose inativa, malformações vasculares e distúrbios de coagulação [1]
A bronquite é a causa mais frequente de hemoptise leve em ambulatório; nas hemoptises maciças, as etiologias mais comuns são bronquiectasias, tuberculose e diátese hemorrágica [3]
Hemoptise em crianças:
Aspiração de corpo estranho e anomalias vasculares são causas proeminentes [5]

Nota: Os percentuais acima refletem séries internacionais mistas. No contexto brasileiro, onde a tuberculose é endêmica, sua frequência como causa de hemoptise maciça tende a ser proporcionalmente maior. [3]
Fisiopatologia Vascular
O pulmão é suprido por dois sistemas vasculares com características distintas: [1][2]
Artérias brônquicas (circulação sistêmica): alta pressão, baixo fluxo; responsáveis pela irrigação dos brônquios e pleura visceral; origem da maioria das hemoptises
Os vasos que causam sangramento são geralmente neoformados, secundários a doenças inflamatórias (bronquiectasias, abscesso, tuberculose) [1]
A parede desses vasos contém fibra muscular lisa que contrai a estímulos físicos e farmacológicos, o que torna a embolização arterial eficaz [1]
Artérias pulmonares (circulação pulmonar): baixa pressão, alto fluxo; responsáveis pelas trocas gasosas
Causa de sangramento em pelo menos 10% dos casos [1]
O mecanismo é ulceração da parede vascular por destruição do parênquima (câncer, pneumonia necrosante, micetoma) [1][5]
Esses vasos têm paredes delgadas, não contraem ativamente e respondem menos aos estímulos físicos e farmacológicos; por isso, o sangramento é frequentemente contido por coágulo temporário, porém a recidiva pode ser grave [1]
Artérias sistêmicas não brônquicas: também podem ser fonte de sangramento, especialmente em pacientes com aderências pleurais [1][5]
Avaliação Clínica
Confirmação e Diagnóstico Diferencial
O primeiro passo é confirmar que o sangramento é de origem subglótica (hemoptise verdadeira), diferenciando-o de pseudo-hemoptise e hematêmese. [1][2]
Pseudo-hemoptise: sangramento de vias aéreas superiores (epistaxe, gengivas) que pode ser confundido com hemoptise, especialmente sangramento noturno percebido pela manhã [1]
Obrigatório: exame da cavidade oral e fossas nasais [1]
Se necessário, confirmar com rinolaringoscopia, gastroscopia e/ou broncoscopia [1]

Anamnese:
A história clínica pode orientar tanto a causa quanto a gravidade. Elementos essenciais a investigar: [1][2]
Caracterização do sangramento:
Volume e velocidade do sangramento (quantificar com precisão: colher de chá, xícara); pacientes e médicos tendem a superestimar [2]
Aspecto do escarro: sangue vivo (carcinoma, tuberculose, embolia), escarro purulento sanguinolento (bronquite, bronquiectasias, pneumonia), escarro espumoso róseo (ICC), escarro fétido sanguinolento (abscesso pulmonar) [2]
Primeiro episódio ou recorrente; extensão de avaliações anteriores [2]
Sintomas associados:
Tosse crônica com expectoração (bronquite, bronquiectasias)
Dispneia, dor torácica pleurítica, sibilância
Febre, perda de peso, fadiga (tuberculose, câncer)
Hematúria (síndrome de Goodpasture, vasculite)
Sintomas de membros inferiores (TEP)
Antecedentes e exposições:
Tabagismo (carga em maços/ano), asbestos, produtos químicos orgânicos
Exposição a tuberculose, viagens, parasitas
Uso de anticoagulantes, antiplaquetários, AINEs, antiangiogênicos
Imunossupressão, doenças autoimunes, sistêmicas ou hematológicas
Trauma torácico, manipulação recente de via aérea
Idade do paciente: [2]
Fibrose cística: crianças e adultos jovens
Estenose mitral, adenoma brônquico, hipertensão pulmonar primária: meia-idade
Síndrome de Goodpasture: distribuição bimodal, com pico em adultos jovens (20–30 anos, predominantemente homens) e segundo pico em idosos (60–70 anos); não se restringe à meia-idade [2]
Carcinoma broncogênico: geralmente acima de 50 anos
História familiar:
Distúrbios de coagulação, TVED, hemoptise, aneurismas cerebrais, epistaxe ou hemorragia digestiva (sugestivo de telangiectasia hemorrágica hereditária) [1]
Exame Físico
O exame físico raramente estabelece a causa do sangramento, mas pode orientar a localização e a gravidade. [5] Elementos relevantes:
Sinais vitais: pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, saturação de oxigênio
Ausculta: sibilos, roncos, crepitações, assimetria do murmúrio vesicular
Exame de orofaringe e fossas nasais
Sinais de doença sistêmica: telangiectasias (síndrome de Osler-Weber-Rendu), sopros cardíacos (estenose mitral), sinais de TVP
Exames Complementares Iniciais
Devem ser solicitados em todos os pacientes hospitalizados com hemoptise clinicamente significativa: [1]
Hemograma completo: anemia, leucocitose
Coagulação: trombocitopenia, distúrbios de coagulação, D-dímero
Gasometria arterial: hipoxemia, hipercapnia (avaliar impacto na oxigenação e ventilação)
Bioquímica: função hepática, função renal, marcadores tumorais, proBNP
Sorologias e autoanticorpos: ANA, ENA, ANCA, anticorpos antimembrana basal glomerular (suspeita de síndrome de Goodpasture ou vasculite)
Urina: sedimento, proteinúria
Escarro: citologia, microbiologia (Gram, Ziehl-Neelsen, culturas usuais e Löwenstein-Jensen)
ECG: especialmente se suspeita de cardiopatia ou tromboembolismo pulmonar
Ecocardiograma transtorácico: detecção de endocardite, estenose mitral, cardiopatias congênitas, sinais de hipertensão pulmonar ou shunts por malformações arteriovenosas [1]
Espirometria: contraindicada durante hemoptise ativa; indicada após controle do sangramento para avaliar função pulmonar em candidatos a cirurgia [1]
Mantoux: em pacientes com suspeita de tuberculose [1]
Hemocultura ou sorologias: se suspeita de doença infecciosa [1]
Investigação por Imagem
Radiografia de Tórax (PA e perfil)
Primeiro exame de imagem a ser realizado em todos os pacientes com hemoptise. [1][4]
Pode identificar a causa e localizar o sítio de sangramento em muitos casos [5]
Fornece informações limitadas; pode ser normal mesmo em bronquiectasias e neoplasias, duas das causas mais comuns [1]
Radiografia normal não exclui malignidade ou outra patologia subjacente [1][4]
Achados que sugerem patologia: consolidações, massas, opacidades apicais (tuberculose), imagens cavitárias, desvios mediastinais
Atenção: opacidades por aspiração de sangue podem confundir a avaliação; radiografias seriadas ajudam a diferenciar aspiração de doença subjacente. Mudanças posicionais de opacidades basais bilaterais frequentemente refletem consequência gravitacional de coágulos. [5]
Tomografia Computadorizada de Tórax
A TC multidetector (TCMD) deve ser realizada em todos os pacientes com: [1]
Hemoptise franca
Escarro hemoptoico com suspeita de bronquiectasias ou fatores de risco para carcinoma broncogênico (acima de 40 anos com carga tabágica superior a 30 maços/ano)
Radiografia de tórax com achados patológicos
Tipos de TC conforme a situação clínica: [1]
TCAR volumétrica sem contraste: indicada no escarro hemoptoico com suspeita de bronquiectasias
TCMD com contraste intravenoso: indicada no escarro hemoptoico com fatores de risco (tabagista, DPOC) ou radiografia patológica (recomendação forte, 1A) [1]
Angio-TCMD (do pescoço até as artérias renais): indicada em hemoptise ameaçadora com sangramento ativo, candidatos a embolização (recomendação fraca, 2C) [1]
Capacidades diagnósticas da TC: [1][5]
Identificação da causa do sangramento (tumor, bronquiectasias, aspergiloma) em reconstruções axiais de alta resolução
Áreas de sangramento ativo evidenciadas como opacidades em vidro fosco, consolidações e coágulos nos lúmens brônquicos, com ou sem atelectasia distal
TC e broncoscopia juntas alcançam rendimento diagnóstico de 93% dos casos [3]
Critérios para classificação de artérias brônquicas como patológicas na angio-TCMD: [1]
Diâmetro maior ou igual a 2 mm, tortuosas, com trajeto identificável desde a origem até o hilo pulmonar
A angio-TCMD detecta 100% das artérias brônquicas patológicas observadas na arteriografia convencional [1]
Artérias sistêmicas não brônquicas patológicas: [1]
Diâmetro maior ou igual a 2 mm e tortuosas; visualização em gordura extrapleural associada a espessamento pleural maior ou igual a 3 mm e alterações no parênquima pulmonar subjacente
Detectadas em 62 a 97% dos casos em relação à arteriografia convencional; a ampla variabilidade reflete diferenças metodológicas entre séries, incluindo critérios de definição de patologia e geração do equipamento de TC utilizado, sem indicar instabilidade do método em si [1]
Limitações da TC: [1]
Pacientes instáveis com sangramento ativo
Pacientes com anormalidades radiológicas bilaterais (dificuldade de localizar sítio de sangramento)
Pacientes candidatos a tratamento endobrônquico imediato
TC vs. broncoscopia — pontos de decisão: [1][4]
TC detecta bronquiectasias, massas e lesões adicionais não identificadas na broncoscopia
Broncoscopia identifica lesões mucosas iniciais (metaplasia escamosa, bronquite) não detectadas pela TC
Os exames são complementares; a escolha inicial depende da situação clínica
Recomendação para hemoptise com radiografia normal:
Quando há suspeita forte de carcinoma central: a broncoscopia pode ser utilizada inicialmente, pela capacidade de identificar lesões endobrônquicas e coletar material para análise [4]
Para lesões periféricas ou quando a broncoscopia convencional tem baixo rendimento esperado: a TC é preferencial como primeiro exame adicional [1]
Quando há suspeita de malignidade com broncoscopia e radiografia negativas: a TC é recomendada [4]
Quando a suspeita de malignidade é baixa com radiografia negativa: a TC é sugerida [4]
Arteriografia Brônquica
Atualmente indicada apenas como procedimento precedendo a embolização de artérias patológicas identificadas na angio-TCMD [1]
Em pacientes hemodinamicamente instáveis que requerem tratamento urgente, pode ser realizada diretamente sem angio-TCMD prévia [1]
Achados angiográficos que indicam artéria como fonte de sangramento: artérias tortuosas e dilatadas, hipervascularização peribrônquica ou neovascularização, shunts de artérias sistêmicas para artérias ou veias pulmonares, extravasamento de contraste e aneurisma de artéria brônquica [1]
Broncoscopia Diagnóstica
A broncoscopia flexível desempenha papel fundamental no diagnóstico da hemoptise, desde o escarro hemoptoico até a hemoptise franca. [1]
Objetivos: [1]
Confirmação da hemoptise
Localização do sítio de sangramento
Diagnóstico da causa do sangramento
Rendimento diagnóstico:
Localiza a origem do sangramento em 73 a 93% dos casos [1]
Maior rendimento quando realizada durante sangramento ativo ou nas primeiras 24 a 48 horas após a cessação (recomendação forte, 1C) [1]
Coleta de amostras: [1]
Citologia e microbiologia do aspirado brônquico
Lavado broncoalveolar (se suspeita de hemorragia alveolar)
Biópsias e/ou escovado brônquico (se suspeita de malignidade)
Indicações e timing da broncoscopia: [1]
Hemoptise franca de causa desconhecida: broncoscopia obrigatória, especialmente em pacientes com fatores de risco para malignidade
Hemoptise ameaçadora com instabilidade hemodinâmica: broncoscopia imediata como procedimento inicial de escolha (recomendação forte, 1C)
A broncoscopia rígida combinada com a flexível é o procedimento mais seguro na hemoptise ameaçadora (recomendação forte, 1C) [1]
Limitações: [1]
Broncoscopia rígida: exige sala cirúrgica e anestesia geral; não visualiza vias aéreas distais; não é utilizada como procedimento inicial de diagnóstico na hemoptise ameaçadora
Achados frequentemente inespecíficos (hipertrofia capilar, espessamento da mucosa, estenose brônquica): não permitem diagnóstico etiológico definitivo
Quando realizar TC antes da broncoscopia: [1][4]
Escarro hemoptoico recorrente: TC (TCAR ou TCMD) deve ser realizada antes da broncoscopia
Justificativas: bronquiectasias e pequenos tumores podem ser perdidos na broncoscopia; TC pode ser diagnóstica e dispensar o exame endoscópico; TC auxilia na escolha da técnica endoscópica mais adequada (broncoscopia flexível convencional vs. ultrassonografia endobrônquica)
Situações Especiais
Hemoptise com Radiografia de Tórax Normal
Radiografia normal não exclui malignidade ou outra patologia subjacente [1][4]
A incidência de malignidade pode atingir 10% em pacientes acima de 40 anos com história tabágica, mesmo em hemoptise leve [1]
Broncoscopia detecta lesão endobrônquica em 5% dos pacientes com hemoptise leve e radiografia normal [1]
TCAR detecta bronquiectasias em até 70% dos casos de hemoptise grave com radiografia normal [1]
Conduta conforme o tipo de hemoptise: [1][4]
Escarro hemoptoico sem fatores de risco para câncer: observação; exames adicionais apenas se hemoptise recorrer ou volume aumentar
Fatores de risco para malignidade no contexto de hemoptise com radiografia normal (critérios ACR): sexo masculino, idade maior ou igual a 50 anos, tabagismo superior a 40 maços/ano [4]
Esses critérios são específicos para a investigação de hemoptise com radiografia normal e diferem dos critérios de rastreamento de câncer de pulmão (USPSTF/INCA: 20 maços/ano, com outros parâmetros); não devem ser confundidos [4]
Se menos de 2 fatores de risco e radiografia normal: acompanhamento por observação [4]
Escarro hemoptoico recorrente:
TC de tórax (TCAR ou TCMD) como primeiro exame adicional [1]
Hemoptise franca de causa desconhecida: broncoscopia obrigatória, especialmente em pacientes com fatores de risco para malignidade; TC prévia pode ser recomendada dependendo da estabilidade do paciente [1]
Se TC normal, broncoscopia pode identificar causa em até 16 a 37% dos casos [1]
Combinação de TC e broncoscopia negativas tem probabilidade muito baixa de malignidade (1%) em 6 meses de seguimento [1]
Hemoptise em Pacientes com Câncer de Pulmão
Ocorre em 7 a 10% dos pacientes com câncer de pulmão; mais comum em lesões centrais [1]
Hemoptise ameaçadora nesse contexto tem prognóstico muito pior: mortalidade entre 59 e 100% [1]
Cirurgia geralmente não é alternativa (doença avançada); a embolização brônquica deve ser considerada [1]
Referências
[1] CORDOVILLA, Rosa et al. Diagnosis and Treatment of Hemoptysis. Archivos de Bronconeumología, v. 52, n. 7, p. 368–377, 2016. (SEPAR Guidelines). Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.arbr.2016.05.015. Acesso em: 29 mai. 2026.
[2] COREY, Ralph. Hemoptysis. In: WALKER, H.K.; HALL, W.D.; HURST, J.W. (eds.). Clinical Methods: The History, Physical, and Laboratory Examinations. 3. ed. Boston: Butterworths, 1990. Cap. 39. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK360/. Acesso em: 29 mai. 2026.
[3] AIDÉ, Miguel Abidon. Hemoptise. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 36, n. 3, p. 278–280, 2010. Editorial. Disponível em: https://www.jornaldepneumologia.com.br. Acesso em: 29 mai. 2026.
[4] AMERICAN COLLEGE OF RADIOLOGY (ACR). Critérios de Adequação do ACR — Hemoptise. Tradução e adaptação: Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Disponível em: https://www.cbr.org.br. Acesso em: 29 mai. 2026.
[5] GOMES, Nilton H. Hemoptise: Alternativas Terapêuticas. In: Manual de Pneumologia, Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT). Brasília, 2002. p. 119–123. Disponível em: https://www.sbct.org.br. Acesso em: 29 mai. 2026.
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