Convulsão febril na criança
CID-10: R56
Informações gerais
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As convulsões febris são o tipo mais comum de distúrbio neurológico entre 6 meses a 5 anos, afetando entre 2% e 4% dos menores de 5 anos.
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Elas estão intimamente relacionadas à faixa etária e frequentemente têm origem genética. Embora causem apreensão em quem presencia os episódios, geralmente são benignas e associadas a um baixo risco de evolução para epilepsia.
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Cerca de um terço das crianças pode apresentar novos episódios durante os primeiros anos de vida, especialmente quando há fatores como primeira crise em idade muito jovem, febre pouco elevada, histórico familiar de convulsões febris ou sinais de atraso no desenvolvimento durante o primeiro episódio.
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Importante relatar que o causa a convulsão febril não é a temperatura alta mas a oscilação rápida da temperatura.
Classificação
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Convulsões febris simples:
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São as mais frequentes.
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Apresentam-se como um único episódio convulsivo.
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A crise é generalizada (afeta todo o corpo).
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A duração costuma ser curta, geralmente inferior a 10 a 15 minutos.
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Convulsões febris complexas:
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Incluem crises com características diferentes das simples.
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Podem ser focais, ou seja, acomete apenas uma parte do corpo.
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Têm duração mais prolongada, ultrapassando 15 minutos.
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Podem ocorrer múltiplas vezes dentro de um período de 24 horas.
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Estado de mal epiletico:
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Pacientes que apresentam crises convulsivas febris prolongadas ou recorrentes, mesmo após a administração inicial de benzodiazepínicos, são considerados em estado de mal epiléptico febril.
- Ir para Crise Convulsiva na Criança.
Avaliação Inicial
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Diferenciar convulsão febril de outras causas mais graves, como infecções do sistema nervoso central.
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Realização de anamnese completa (histórico clínico detalhado).
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Exame físico minucioso para identificar sinais neurológicos ou infecciosos.
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Realizar Dextro.
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Neuroimagem (como tomografia ou ressonância magnética) — indicada em casos selecionados.
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Punção lombar — recomendada quando há suspeita de infecção no sistema nervoso central ou sinais clínicos que justifiquem.
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Casos que exigem investigação mais aprofundada:
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Convulsões com características focais (afetando apenas parte do corpo).
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Convulsões prolongadas (duração superior a 15 minutos).
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Primeira convulsão com sinais atípicos.
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As opções terapêuticas consideradas a partir desse ponto partem do princípio de que outras causas foram descartadas e que se trata, de fato, de uma convulsão febril.
Manejo
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A convulsão febril trata-se de um quadro normalmente autolimitado, no qual os pacientes chegam ao PS sem crise ativa, portanto com o nível de consciência preservado. Em se tratando de crise febril, o manejo constitui orientação dos responsáveis e uso de antipiréticos (tópicos abaixo).
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Por outro lado, nos casos em que a criança chega ao PS em crise convulsiva, ou nos casos de crise convulsiva persistente (> 5 minutos), deve-se considerar a hipótese de estado epileptico e iniciar tratamento medicamentoso.
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Antipirético
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Ir para Dose sintomáticos pediatria.
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Gotas 500mg/1mL/20gotas
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Dar 0,6 a 1 gota/kg (max 40 gotas), a cada 6 h se dor ou febre
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Dose: 15 a 25 mg/kg/dose
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Obs: > 3 meses de idade
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Sol. oral 50mg/1mL
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Dar 0,3 a 0,5 mL/kg (max 20 mL), a cada 6 h se dor ou febre
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Dose: 15 a 25 mg/kg/dose
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Obs: > 3 meses de idade
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Sol. injetável 1g/2mL ou 500mg/1mL
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<= 8 kg: 0,1 a 0,2 mL IM, a cada 6h se necessário
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9-15 kg: 0,2 a 0,5 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
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16-23 kg: 0,3 a 0,8 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
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24-30 kg: 0,4 a 1,0 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
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31-45 kg: 0,5 a 1,5 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
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46-53 kg: 0,8 a 1,5 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
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>= 54 kg: 2 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
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Observação: Para menores de 1 ano deve-se utilizar via oral (VO) ou intramuscular (IM), sendo a via intravenosa (IV) reservada para maiores de 1 ano.
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Gotas 200mg/1mL/15gotas
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Dar 1 gota/kg (max 35 gotas), a cada 6 h
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Dose: 10 a 15 mg/kg/dose (max 75 mg/kg/dia ou 4g/dia)
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Sol. oral 32mg/1mL
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Dar 0,31 a 0,46 mL/kg (max 31 mL), a cada 6 h
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Dose: 10 a 15 mg/kg/dose (max 75 mg/kg/dia ou 4g/dia)
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Sol. oral 100mg/1mL
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Dar 0,1 a 0,15 mL/kg (max 10 mL), a cada 6 h
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Dose: 10 a 15 mg/kg/dose (max 75 mg/kg/dia ou 4g/dia
Orientações aos responsáveis
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Informar que a convulsão febril é, na maioria dos casos, uma condição benigna e autolimitada.
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Quando a criança for trazida após a resolução espontânea da crise, realizar avaliação clínica para excluir outras etiologias relevantes (como infecções do sistema nervoso central ou metabólicas).
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Na ausência de novos episódios ou sinais de gravidade, não há necessidade de intervenção medicamentosa imediata; apenas observação e orientação.
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Em caso de recorrência, os pais devem procurar prontamente atendimento médico.
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Recomenda-se evitar variações bruscas de temperatura corporal, utilizando antipiréticos conforme necessário e mantendo o conforto térmico da criança.
Referências
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Millichap JJJ, Nordli DR Jr, Dashe JF. Treatment and prognosis of febrile seizures. 2025.
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Glauser T, Shinnar S, Gloss D, et al. Evidence-Based Guideline: Treatment of convulsive status epilepticus in children and adults. Epilepsy Curr. 2016 Jan-Feb;16(1):48–61. doi:10.5698/1535-7597-16.1.48 PMID: 26900382
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Abend NS, Loddenkemper T. Management of pediatric status epilepticus. Curr Treat Options Neurol. 2014 Aug;16(8):301. doi:10.1007/s11940-014-0301-4 PMID: 24917051
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