Crupe Viral na Criança
CID-10: J05
Informações Gerais
Doença infecciosa aguda do trato respiratório superior podendo gerar laringite (rouquidão e tosse ladrante), laringotraqueíte (rouquidão, tosse ladrante e estridor) e laringotraqueobronquite (rouquidão, tosse ladrante, estridor e sibilos).
Acomete crianças de 6 meses a 6 anos de idade, com pico de incidência aos 18 meses.
Patógenos:
Vírus parainfluenza
Rinovírus
Vírus sincicial respiratório
Adenovírus
Sars-cOv-2
Influenza.
Mycoplasma pneumoniae (em crianças maiores de 5 anos)
Quadro Clínico e Diagnóstico
Quadro clínico:
Rinorreia clara, faringite, tosse leve e febre baixa.
Após 12 a 48 horas iniciam-se os sintomas de obstrução de vias aéreas superiores, com tosse 'metálica', estridor inspiratório e rouquidão.
Os sinais de inflamação com progressão dos sinais de insuficiência respiratória (estridor, taquipneia e desconforto respiratório) e aumento da temperatura corpórea.
Os sintomas geralmente se resolvem em 3 a 7 dias, a tosse pode persistir até uma semana.
Diagnóstico:
O diagnóstico é clínico
Presença dos seguintes sintomas:
Tosse estridulosa, acompanhada ou não de rouquidão
Estridor inspiratório
Dispneia, salivação
Guinchos inspiratórios
Indicações de exames:
Considerar para investigação de outra etiologia para os sintomas de crupe, como aspiração de corpo estranho: Raio x de pescoço e broncoscopia.
Diagnóstico diferencial:
Traqueite bacteriana (ir para Traqueíte Bacteriana na Criança (Crupe Bacteriano))
Abscesos retrofaríngeos, parafaríngeos, peritrosilares
Epiglotite
Aspiração ou ingestão de corpo estranho
Reação alérgica aguda (ir para Anafilaxia no adulto)
Escore de risco:
Leve: tosse estridulosa, sem estridor inspiratório em repouso, sem ou leve tiragem intercostal/ supraesternal.
Moderada: estridor em repouso, pouca ou nenhuma agitação.
Grave: estridor expiratório, agitação e confusão mental.
Ameaça à vida: estridores pouco audíveis, letargia, rebaixamento do nível de consciência e cianose.
Manejo Inicial
Avaliar a aparência geral e estratificação do escore de risco.
Escore de risco:
Leve: tosse estridulosa, sem estridor inspiratório em repouso, sem ou leve tiragem intercostal/ supraesternal.
Moderada: estridor em repouso, pouca ou nenhuma agitação.
Grave: estridor expiratório, agitação e confusão mental.
Ameaça à vida: estridores pouco audíveis, letargia, rebaixamento do nível de consciência e cianose.
MOV: sinais vitais, oximetria de pulso, estabilidade das vias aéreas e estado mental.
Colher história sobre o início, a duração e a progressão dos sintomas:
Início súbito dos sintomas
Sintomas de progressão rápida (ou seja, sintomas de obstrução das vias aéreas superiores após menos de 12 horas de doença)
Episódios anteriores de Crupe
Anormalidade subjacente das vias aéreas superiores, condições médicas que predispõem à insuficiência respiratória (p. ex., distúrbios neuromusculares)
Crupe Leve
Características:
Crupe Leve: tosse estridulosa, sem estridor inspiratório em repouso, sem ou leve tiragem intercostal/ supraesternal.
Esquema de tratamento:
Dexametasona VO, IM ou IV (dose única) e alta para casa se todos os critério de altas estiverem presentes (tópico abaixo).
Se ausência de melhora ou piora do quadro, manejar como crupe moderada ou grave (tópicos abaixos).
Ferramentas úteis: Dose emergência pediatria
Corticoterapia (uma das opções):
Dexametasona inj. 2 mg/mL e 4 mg/mL
Dose 0,3 mg/kg, IM ou IV, dose única (máx. 10 mg/dia).
Dexametasona xp.0,1 mg/mL
Dose 0,3 mg/kg = 3 mL/kg/dia VO, dose única.
Dexametasona comp. 4 mg
Dose 0,3 mg/kg, diluir em água ou líquidos adocicados, VO (máx 10.mg/dia).
Crupe Moderado
Características:
Crupe Moderado: estridor em repouso, pouca ou nenhuma agitação.
Esquema de tratamento:
Corticoterapia VO, IM, IV ou inalatório (dose única)
Inalação com epinefrina
Oxigênio (se sat < 92%) com cateter nasal ou máscara
Observação por 3-4 horas e decisão entre alta para casa ou admissão hospitalar.
Se ausência de melhora ou piora do quadro manejar como Crupe grave (tópicos abaixos).
Ferramentas úteis: Dose emergência pediatria
Corticoterapia (uma das opções):
Dexametasona inj. 2 mg/mL e 4 mg/mL
Dose 0,6 mg/kg, IM ou IV, dose única (máx. 10 mg/dia).
Dexametasona xp.0,1 mg/mL
Dose 0,6 mg/kg = 6 mL/kg/dia VO, dose única.
Dexametasona comp. 4 mg
Dose 0,6 mg/kg, diluir em água ou líquidos adocicados, VO (máx 10 mg/dia)
Budesonida inalatório suspensão 0,25 mg/ml
Dose: 2 mg ou 8 ml via nebulização, dose única.
Aspirar 8 ml do medicamento, misturar com 5 ml SF 0,9%, administrada em via nebulizador ao longo de 15 minutos.
Inalação com epinefrina:
Epinefrina sol. inj. 1mg/mL
Dose de 0,5 mL/kg/dose (máximo 5 mL) na concentração de 1 mg/mL, administrada em via nebulizador ao longo de 15 minutos.
Leito de observação:
Manter o paciente em observação por 3-4 horas.
Após, decidir entre alta para casa ou admissão hospitalar.
Oxigenioterapia com cateter nasal ou máscara se sat <92%
A hospitalização geralmente não é necessária, mas pode ser justificada em casos de sintomas persistentes ou agravados após o tratamento com glicocorticoides e epinefrina nebulizada.
Crupe Grave
Características:
Crupe Grave: estridor expiratório, agitação e confusão mental.
Esquema de tratamento:
Dexametasona IM ou IV (via oral não é mais uma opção)
Inalação com Epinefrina.
Admissão na unidade de terapia intensiva
Oxigênio (se sat. < 92%) com cateter nasal, máscara ou intubação (conforme tolerância e monitorização)
Se a ausência de melhora ou piora do quadro manejar como Crupe que ameaça à vida (descrito em tópico abaixo)
Corticoterapia (uma das opções):
Dexametasona inj. 10 mg/2,5mL
Dose 0,6 mg/kg, IM ou IV, dose única.( Máx. 10 mg/dia).
Hidrocortisona pó inj. 100mg
Diluir 1 amp + 5 mL AD
Aplicar 0,13 a 0,25 mL/kg/dose (max 5 mL/dose) IV bolus
Dose: 2,5 a 5 mg/kg/dose (max 100 mg/dose)
Hidrocortisona pó inj. 500mg
Diluir 1 amp + 5 mL AD
Aplicar 0,03 a 0,05 mL/kg (max 1 mL/dose) IV bolus
Dose: 2,5 a 5 mg/kg/dose (max 100 mg/dose)
Obs: 8 mg/kg de hidrocortisona é equivalente é 2 mg/kg de prednisona
Inalação com Epinefrina:
Epinefrina sol. inj. 1mg/mL
Dose de 0,5 mL/kg/dose (máximo 5 mL) na concentração de 1 mg/mL, administrada em via nebulizador ao longo de 15 minutos.
Realizar inalação sem diluição.
Leito de observação:
Manter o paciente em observação por 3-4 horas.
Após, decidir entre alta para casa ou admissão hospitalar.
Oxigenioterapia com cateter nasal ou máscara se sat <92%
A internação hospitalar geralmente é necessária, a menos que ocorra melhora significativa após o tratamento com glicocorticoide e epinefrina nebulizada.
Crupe Ameaça à Vida
Características:
Crupe Ameaça à vida: estridores pouco audíveis, letargia, rebaixamento do nível de consciência e cianose.
Esquema de tratamento:
Dexametasona OU Hidrocortisona IM ou IV
Inalação com Epinefrina
Internação em UTI
Oxigênio (se sat < 92%) com cateter nasal, máscara ou intubação (conforme tolerância e monitorização)
Contraindicado VNI nessa condição
Corticoterapia (uma das opções):
Dexametasona inj. 10 mg/2,5mL
Dose 0,6 mg/kg, IM ou IV, dose única.( Máx. 10 mg/dia).
Hidrocortisona pó inj. 100mg
Diluir 1 amp + 5 mL AD
Aplicar 0,13 a 0,25 mL/kg/dose (max 5 mL/dose) IV bolus
Dose: 2,5 a 5 mg/kg/dose (max 100 mg/dose)
Hidrocortisona pó inj. 500mg
Diluir 1 amp + 5 mL AD
Aplicar 0,03 a 0,05 mL/kg (max 1 mL/dose) IV bolus
Dose: 2,5 a 5 mg/kg/dose (max 100 mg/dose)
Obs: 8 mg/kg de hidrocortisona é equivalente é 2 mg/kg de prednisona
Inalação com Epinefrina:
Epinefrina sol. inj. 1mg/mL
Dose de 0,5 mL/kg/dose (máximo 5 mL) na concentração de 1 mg/mL, administrada em via nebulizador ao longo de 15 minutos.
Realizar inalação sem diluição.
Internação em UTI:
Internação em UTI + Suporte Respiratório
Oxigênio (se sat < 92%) com cateter nasal, máscara ou intubação (conforme tolerância e monitorização)
Contraindicado VNI nessa condição
Critérios de Internação
Considerar internação hospitalar se:
Laringite moderada com pequena resposta ou que não respondeu às medidas iniciais.
Laringite grave com melhora parcial após medidas iniciais.
Laringite grave com melhora parcial após 4 horas de observação no pronto socorro.
Considerar internação em UTI se:
Laringite grave sem resposta às medidas iniciais.
Laringite grave que retornou ao estado anterior após conduta inicial e/ ou 2 horas de observação no pronto socorro
Desconforto respiratório grave: uso de musculatura acessória, rebaixamento do nível de consciência e hipoxemia.
Critérios de Alta
Considerar alta para casa apenas se todos os seguintes critérios estiverem presentes:
Ausência de desconforto respiratório e hipoxemia
Sem estridor em repouso
Cor normal
Nível normal de consciência
Capacidade demonstrada de tolerar líquidos por via oral
Os cuidadores compreendem as indicações para o retorno aos cuidados e poderão retornar se necessário
Referências
[1] Departamento de Emergências. Sociedade Brasileira de Pediatria. Crupe viral e bacteriana, 2017.
[2] Ferrari, M. E. M., Nogueira, R. A., Pacheco, N. M., de Oliveira, J. M. M., Leal, V. V. S. B., Jaegge, N. A. R., Guerra, D. R. da S. B., Barcelos, M. G. R., Boniolo, R. F., Boniolo, V. F., de Albuquerque, E. L. da S., da Silva , T. C., Silveira , M., Ferreira , A. C. M., & Mosquini, J. da C. E. (2024). Atualizações sobre laringotraqueobronquite na infância: uma revisão bibliográfica. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 6(9), 3400–3415.
[3] Moreira, G. I., Santos, M. P., Carneiro, L. M., & Assunção, J. V. X. (2024). CRUPE VIRAL EM PEDIATRIA: ETIOLOGIA, DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E PREVENÇÃO. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 10(9), 3612–3620.
[4] Dupin, L. L., Vieira, L. V., Alvim, L. R., & Salgado, A. L. C. (2024). SÍNDROME DE CROUPE: O MANEJO NA EMERGÊNCIA. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 10(8), 4097–4101.
[5] Thompson M, Vodicka TA, Blair PS, entre outros. Duração dos sintomas de infecções do trato respiratório em crianças: revisão sistemática. BMJ 2013; 347:f7027.
Autoria e Curadoria
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