Exacerbação da Asma em Adultos, Adolescentes e Crianças de 6-11 anos

CID 10: J45 - Asma

CID 10: J46 - Estado de mal asmático

Introdução

  • Definição [1]

    • Exacerbações da asma são episódios com aumento progressivo de sintomas (dispneia, tosse, sibilância ou aperto torácico) e queda progressiva da função pulmonar, representando mudança em relação ao estado habitual do paciente suficientemente relevante para exigir modificação do tratamento.

    • Podem ocorrer em pacientes com diagnóstico prévio de asma ou, ocasionalmente, como primeira manifestação da doença.

    • Exacerbações graves ocorrem mesmo em pacientes com asma leve ou bem controlada.

    • Os termos "crise", "ataque" e "asma aguda grave" são de uso amplo na literatura, porém com significados variáveis; para comunicação com a maioria dos pacientes, os termos "piora da asma" ou "agudização" são mais adequados.

  • Fatores Desencadeantes [1]

    • As exacerbações costumam ser desencadeadas por exposição a agentes externos e/ou baixa adesão à terapia com corticosteroide inalatório (CI). Em alguns pacientes, o início pode ser agudo e sem exposição identificável:

      • Infecções respiratórias virais (rinovírus, influenza, adenovírus, coqueluche, vírus sincicial respiratório)

      • Exposição a alérgenos (gramíneas, outros pólens, esporos fúngicos)

      • Alergia alimentar

      • Poluição atmosférica

      • Mudanças sazonais e/ou retorno às aulas no outono

      • Baixa adesão ao CI

      • Epidemias associadas a tempestades primaveris com alta concentração de alérgenos; epidemias também descritas em associação à exposição ambiental à poeira de soja

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Fluxogramas de Manejo

**Manejo das Exacerbações de Asma em Unidade de Pronto Atendimento:** o fluxograma apresenta o protocolo completo de abordagem da exacerbação asmática em adultos, adolescentes e crianças com idade igual ou superior a 6 anos atendidos em unidade de pronto atendimento. O fluxo se inicia com a identificação do perfil do paciente — adulto, adolescente ou criança ≥6 anos que se apresenta com asma aguda ou exacerbação — e avança para a Avaliação Inicial, composta por três perguntas-chave: os sintomas atuais são decorrentes de asma (considerando diagnósticos alternativos como pneumotórax, anafilaxia, obstrução laríngea induzível, pneumonia, insuficiência cardíaca aguda e embolia pulmonar); qual tratamento já foi instituído; e se há alguma característica de apresentação com risco de vida, como sonolência, confusão, cianose ou tórax quieto/silencioso.

A partir da Avaliação Inicial, o fluxo se bifurca com os rótulos NÃO e SIM. A ramificação SIM destina-se aos casos com risco de vida — definidos pela presença de sonolência, confusão, cianose ou escore clínico mais alto, como PRAM 11–12 — e direciona para Iniciar Tratamento Imediatamente com salbutamol nebulizado, ipratrópio, oxigênio e corticosteroide sistêmico; se houver anafilaxia associada, administrar epinefrina IM primeiro. Em seguida, orienta Solicitar Ajuda da UTIP ou Anestesia, com as seguintes medidas: estabelecer acesso IV; oxigênio 100% com máscara não-reinalante; sulfato de magnésio IV; raio-X de tórax; monitorar toxicidade de SABA; considerar gasometria; e monitorar continuamente.

A ramificação NÃO segue para Avalie a Gravidade da Apresentação, com avaliação de entrada de ar, saturação de oxigênio, frequência respiratória, uso de musculatura acessória e função pulmonar por PFE ou VEF₁; para pacientes com menos de 18 anos, recomenda-se utilizar escore clínico validado como o PRAM. O fluxo se divide em três colunas paralelas de gravidade. A Apresentação Leve requer todos os critérios: fala em frases e consegue deitar; FR normal ou levemente aumentada; uso leve ou ausente de musculatura acessória; sem sibilância expiratória; entrada de ar normal ou levemente reduzida; SpO₂ em ar ambiente ≥94%*; PFE ou VEF₁ acima de 70% do melhor pessoal ou previsto; e, se menor de 18 anos, PRAM 1–3. O tratamento indicado é salbutamol 4 jatos por IDPm mais espaçador, ou budesonida-formoterol 160/4,5 mcg 2 jatos; avaliar resposta e, se necessário, repetir uma vez após 30–60 minutos. A Apresentação Moderada considera: fala em frases, prefere sentar, não agitado; FR aumentada; uso de musculatura acessória; sibilância expiratória; entrada de ar reduzida; SpO₂ em ar ambiente ≥92%*; PFE ou VEF₁ entre 50 e 70% do melhor pessoal ou previsto; e PRAM 4–7 para menores de 18 anos. O tratamento é salbutamol 4–6 jatos mais ipratrópio 4 jatos por IDPm mais espaçador, ou salbutamol 2,5 mg mais ipratrópio 0,25 mg por nebulizador, até 3 vezes com intervalo de 20–30 minutos, e iniciar corticosteroide sistêmico. A Apresentação Grave exige qualquer um dos critérios: incapacidade de falar, beber ou deitar; SpO₂ em ar ambiente abaixo de 92%*; FR superior a 30/min; uso de musculatura acessória; tórax silencioso ou quieto; PFE ou VEF₁ abaixo de 50% do melhor pessoal ou previsto; e PRAM 8–10 para menores de 18 anos. O tratamento imediato inclui: se anafilaxia e asma, administrar epinefrina IM primeiro; salbutamol 6–10 jatos mais ipratrópio 4 jatos por IDPm mais espaçador, ou salbutamol 5 mg mais ipratrópio 0,25 mg por nebulizador, até 3 vezes com intervalo de 20–30 min; administrar O₂ com alvo SpO₂ 92–95%*; iniciar corticosteroide sistêmico; considerar sulfato de magnésio IV; e monitorar continuamente.

As três colunas de tratamento convergem para a etapa de Reavalie a Resposta Após 1 Hora ou Antes, com avaliação de saturação de O₂*, FR, uso de musculatura acessória, entrada de ar e função pulmonar por PFE ou VEF₁; para menores de 18 anos, reavaliar o PRAM; e, se necessário, administrar broncodilatador adicional e avaliar resposta. A partir daí, o fluxo se divide em três desfechos. Melhora significativa — sem necessidade adicional de SABA — direciona para Avalie para Alta, que requer: sinais e sintomas melhorados com critérios "leves" satisfeitos por pelo menos 1–2 horas após a última dose de salbutamol; SpO₂ ≥92%* em ar ambiente; PFE ou VEF₁ acima de 70% do melhor pessoal ou previsto; e recursos adequados em domicílio. Após a avaliação para alta, o fluxo segue para Planejamento de Alta. O box Reavalie Pelo Menos a Cada Hora recebe tanto o fluxo de Melhora parcial quanto de Piora, e contém uma seta de retorno para o caminho de Avalie para Alta, representando a possibilidade de melhora após reavaliação. Melhora parcial orienta: continuar monitorando com salbutamol adicional se necessário (monitorar toxicidade); considerar ipratrópio adicional; e corticosteroide sistêmico se ainda não iniciado. Piora orienta: considerar causas alternativas ou adicionais; salbutamol e ipratrópio adicionais se necessário, mas monitorar toxicidade de SABA; corticosteroide sistêmico se ainda não iniciado; sulfato de magnésio IV; e considerar transferência para UTIP/UTI. Ambos os desfechos desaguam no box Reavalie Pelo Menos a Cada Hora, que avalia saturação de O₂*, FR, musculatura acessória, entrada de ar, função pulmonar e escore clínico como o PRAM se menor de 18 anos, e que por sua vez encaminha para Considere Internação Hospitalar nos seguintes casos: SpO₂ abaixo de 92%* em ar ambiente; necessidade contínua de SABA a cada 1–2 horas; dispneia persistindo 4–6 horas após corticosteroide sistêmico; ou fatores que afetam adesão ou seguimento próximo, ou qualquer sinal vermelho de risco de morte por asma.

Ao final do fluxograma, uma caixa informativa orienta sobre como administrar broncodilatadores por IDPm e espaçador para asma aguda: salbutamol (albuterol) 100 mcg por jato; ipratrópio (se necessário) 20 mcg por jato; administrar pelo espaçador 1 jato por vez (se muito dispneico para respiração única, usar respiração tidal); e agitar o inalador de salbutamol antes de cada jato. Nota de rodapé: a saturação de oxigênio por oximetria de pulso pode ser superestimada em pessoas com pele mais escura; em altitudes elevadas (acima de 1.500–2.000 m), a saturação de oxigênio é normalmente mais baixa do que ao nível do mar. Abreviações: VEF₁: Volume expiratório forçado no 1º segundo; IM: intramuscular; IV: intravenoso; PFE: pico de fluxo expiratório; UTIP: unidade de terapia intensiva pediátrica; IDPm: inalador dosimetrado pressurizado; PRAM: Pediatric Respiratory Assessment Measure; SABA: agonista beta₂ de curta ação. Fonte: GINA: Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention. 2026.

Nota: a dose de ipratrópio citada no fluxograma de manejo da exacerbação em adultos do GINA 2026 é, de fato, 0,25 mg (1mL - 20 gotas), no entanto, outra fontes, bem como as bulas do profissional de saúde citam a dose de 0,5 mg (2 mL - 40 gotas) como recomendada. [1][2][3][4]

Fatores de Risco para Morte Relacionada à Asma

Pacientes com um ou mais dos fatores abaixo devem ter esse risco registrado no prontuário e ser orientados a buscar atendimento urgente precocemente no curso de qualquer exacerbação: [1]

  • Histórico de asma quase fatal com necessidade de intubação e ventilação mecânica

  • Internação ou múltiplas visitas a serviços de urgência por asma no último ano; mortes por asma também ocorrem em pacientes sem histórico prévio de urgências

  • Uso atual ou recente de corticosteroide oral (marcador da gravidade dos eventos)

  • Não uso de corticosteroide inalatório

  • Baixa adesão à terapia com CI e/ou ausência de plano de ação escrito

  • Uso excessivo de SABA, com risco extremamente alto quando o consumo médio supera um frasco de salbutamol por mês, ou com uso de SABA nebulizado

  • Histórico de doença psiquiátrica ou problemas psicossociais

  • Alergia alimentar ou histórico de anafilaxia em paciente com asma

  • Percepção deficiente da limitação ao fluxo aéreo ou do broncoespasmo

  • Hiperresponsividade grave das vias aéreas

  • Comorbidades: pneumonia, diabetes e arritmias, independentemente associadas a maior risco de morte após internação por exacerbação

Diagnóstico e Estratificação da Gravidade

Diagnóstico

  • O diagnóstico é fundamentado na identificação de mudanças nos sintomas e na função pulmonar em relação ao estado habitual do paciente. [1]

  • A queda no fluxo expiratório pode ser quantificada pelo pico de fluxo expiratório (PFE) ou pelo VEF1, comparados com os valores prévios do paciente ou com os preditos. [1]

  • Na fase aguda, as medidas objetivas de função pulmonar são indicadores mais confiáveis da gravidade do que os sintomas isolados; a frequência dos sintomas pode, no entanto, ser indicador mais sensível do início da exacerbação do que o PFE. [1]

  • Uma minoria dos pacientes percebe mal a limitação ao fluxo aéreo e pode apresentar queda significativa da função pulmonar sem mudança nos sintomas; isso é mais frequente em pacientes com histórico de asma quase fatal e no sexo masculino; a monitorização regular do PFE pode ser considerada nesse grupo. [1]

  • Considerar coqueluche em apresentações atípicas com tosse como sintoma predominante. [1]

Estratificação da Gravidade

  • 🟢 Apresentação leve (todos os critérios abaixo presentes): [1]

    • Fala em frases completas, consegue deitar, não agitado

    • FR normal ou levemente aumentada

    • Uso de musculatura acessória ausente ou leve; sibilância expiratória ausente ou leve

    • Entrada de ar normal

    • SpO₂ em ar ambiente ≥ 94%

    • PFE > 70% do previsto ou do melhor pessoal

    • Crianças: PRAM ou PAS 1–3

  • 🟡 Apresentação moderada (considerar quando presentes): [1]

    • Fala em frases curtas, prefere sentar a deitar, não agitado

    • FR aumentada, porém ≤ 30/min

    • Uso de musculatura acessória; sibilância expiratória; diminuição da entrada de ar

    • SpO₂ em ar ambiente ≥ 92%

    • PFE 50–70% do previsto ou do melhor pessoal

    • Crianças: PRAM ou PAS 4–7

  • 🟠 Apresentação grave (qualquer critério abaixo): [1]

    • Incapaz de falar, beber ou deitar

    • SpO₂ em ar ambiente < 92%

    • FR > 30/min; tórax silencioso ou com murmúrio vesicular muito diminuído

    • PFE < 50% do previsto ou do melhor pessoal

    • Crianças: PRAM 8–12

  • 🔴 Risco de vida imediato: sonolência, confusão mental ou cianose (crianças: PRAM 11–12) [1]

Avaliação Inicial no Pronto-Socorro

Manejo no Pronto-Socorro

  • Exacerbações graves são emergências médicas com risco de vida; o manejo é mais seguro em ambiente de urgência. [1]

  • Se houver anafilaxia associada à asma: administrar adrenalina (epinefrina) IM ou intranasal primeiro; depois iniciar imediatamente a terapia broncodilatadora. [1]

Avaliação

  • Avaliar se os sintomas são devidos à asma ou se há causa alternativa ou adicional: pneumotórax, obstrução laríngea induzível, pneumonia, insuficiência cardíaca, tromboembolismo pulmonar, cetoacidose diabética. [1]

  • Anamnese (concomitante ao início do tratamento): [1]

    • Tempo de início e causa conhecida da exacerbação atual

    • Gravidade dos sintomas: limitação ao exercício, distúrbio do sono

    • Sintomas sugestivos de anafilaxia

    • Fatores de risco para morte relacionada à asma

    • Todos os medicamentos em uso: doses, dispositivos, adesão, mudanças recentes, frequência e tipo de uso do alívio

    • Tratamento já realizado para o episódio atual e resposta

  • Exame físico: [1]

    • Sinais vitais: nível de consciência, temperatura, FC, PA, SpO₂, FR

    • Sinais de gravidade: FR, capacidade de completar frases, uso de musculatura acessória

    • Fatores complicadores: anafilaxia, pneumonia, atelectasia, pneumotórax, pneumomediastino

    • Sinais sugestivos de diagnósticos alternativos

    • Crianças abaixo de 18 anos: considerar escore clínico validado (PRAM)

  • Avaliações objetivas: [1]

    • Função pulmonar: fortemente recomendada; registrar PFE ou VEF1 antes do tratamento se possível, sem retardar a terapia; monitorar a 1 hora e em intervalos até resposta clara ou platô. Em crianças com asma aguda, a espirometria pode não ser possível.

    • SpO₂: monitoração contínua por oximetria. Em crianças, SpO₂ normalmente ≥ 95% em ar ambiente ao nível do mar; SpO₂ < 92% prediz necessidade de hospitalização (Evidência C); SpO₂ < 90% exige terapia agressiva. Em condições de hipoxemia, a oximetria pode superestimar a saturação em pessoas com pele escura.

    • Gasometria arterial: não indicada rotineiramente; considerar quando PFE ou VEF1 < 50% do predito, sem resposta ao tratamento inicial ou com piora progressiva. Durante a exacerbação, PaCO₂ costuma estar abaixo de 40 mmHg; aumento sugere fadiga respiratória. PaO₂ < 60 mmHg com PaCO₂ normal ou elevada (especialmente > 45 mmHg) indica insuficiência respiratória.

    • Radiografia de tórax: não recomendada rotineiramente. Em adultos: considerar se houver suspeita de processo cardiopulmonar alternativo (especialmente em idosos) ou sem resposta ao tratamento. Em crianças: considerar apenas com sinais sugestivos de pneumotórax, doença parenquimatosa ou corpo estranho.

Tratamento no Pronto-Socorro

Oxigenioterapia Controlada

  • Considerações: [1]

    • Em adultos com exacerbações graves, oxigenoterapia controlada de baixo fluxo guiada por oximetria (alvo 93–95%) está associada a melhores desfechos fisiológicos em comparação à administração de oxigênio a 100% (Evidência B).

    • Não suspender o oxigênio na ausência de oxímetro; monitorar deterioração, sonolência e fadiga pelo risco de hipercapnia e insuficiência respiratória.

    • Saturação não deve ultrapassar 96% em adultos durante suplementação.

    • Após estabilização: reduzir gradualmente guiado por oximetria.

  • Oxigênio suplementar por cateter nasal ou máscara [1]

    • Indicado quando SpO₂ < 92% (em crianças, quando acordadas).

    • Alvo de saturação: 92–95%.

Agonistas Beta-2 de Curta Ação Inalatórios (SABA)

  • Considerações: [1]

    • Administração por pMDI com espaçador ou DPI é equivalente à nebulização (Evidência A); a nebulização pode disseminar aerossóis e contribuir para a transmissão de infecções respiratórias.

    • Beta-2-agonista IV não tem suporte para uso rotineiro na maioria dos pacientes com exacerbação grave (Evidência A).

    • Toxicidade com altas doses: taquicardia, palpitações, ansiedade, hipocalemia, arritmias, acidose lática e hiperventilação; esses sinais não devem ser atribuídos à piora da asma.

    • Técnica: 1 jato por vez com espaçador; agitar o inalador antes de cada jato; se respiração insuficiente para inalação única, usar respiração tidal com espaçador.

  • Salbutamol (Aerolin®, Ventolin®) aerossol 100 mcg/jato; sol. para nebulização 5 mg/mL [1]

    • Apresentação leve: 4 jatos por pMDI com espaçador.

    • Apresentação moderada: 4–6 jatos por pMDI com espaçador, ou 2,5 mg por nebulização; repetir até 3 vezes com intervalos de 20–30 min.

    • Apresentação grave: 6–10 jatos por pMDI com espaçador, ou 5 mg por nebulização; repetir a cada 20–30 min, até 3 vezes.

  • Alternativa: Fenoterol aerossol 100 mcg/jato; sol. para nebulização 5 mg/mL

    • Apresentação leve: 4 jatos por pMDI com espaçador.

    • Apresentação moderada: 4–6 jatos por pMDI com espaçador, ou 2,5 mg por nebulização; repetir até 3 vezes com intervalos de 20–30 min.

    • Apresentação grave: 6–10 jatos por pMDI com espaçador, ou 5 mg por nebulização; repetir a cada 20–30 min, até 3 vezes.

    • Nota: Essa medicação não é citada no GINA 2026.

  • Alternativa: Terbutalina sol. inj. 0,5mg/1mL

    • Considerações:

      • Não é citada diretamente no capítulo 9 do GINA 2026 (Capítulo: “Management of worsening asthma and exacerbations in adults, adolescents and children 6–11 years”).

      • Normalmente é reservada para cenários onde a terapia com Salbutamol não é possível.

    • Intravenoso:

      • Diluir 5 mg (10 ampolas) + 1.000 mL de SG5% (concentração: 5 mcg/mL).

      • Dose inicial em IV bolus de 2 mcg/kg durante 5 minutos.

      • Seguida de infusão contínua 5 mcg/kg/h.

    • Subcutâneo:

      • Adultos: 0,5 mL a 1 mL por via subcutânea, até o máximo de quatro vezes ao dia.

      • Crianças: ¼ a ½ da dose do adulto, por via subcutânea, até o máximo de quatro vezes ao dia

      • Obs: a dose de 0,5 mg não deverá ser excedida em um período de 4 horas.

Anticolinérgico Inalatório de Curta Ação

  • Considerações: [1]

    • Em exacerbações moderadas a graves, a associação ao SABA no PS reduz hospitalizações (Evidência A adultos; Evidência B adolescentes e crianças) e promove maior melhora do PFE e VEF1.

    • Em crianças já internadas por asma aguda, não se observou benefício adicional ao SABA.

    • Não há benefício após as primeiras 1–2 horas de tratamento.

  • Brometo de ipratrópio (Atrovent®) aerossol 20 mcg/jato; sol. para nebulização 0,25 mg/mL [1]

    • Apresentação moderada a grave:

      • 4 jatos por pMDI com espaçador, repetir até 3 vezes com intervalos de 20–30 min, OU

      • 0,25 a 0,5 mg (1 a 2 mL - 20 a 40 gotas) por nebulização, repetir até 3 vezes com intervalos de 20–30 min.

    • Nota: a dose de ipratrópio citada no fluxograma de manejo da exacerbação em adultos do GINA 2026 é, de fato, 0,25 mg (1mL - 20 gotas), no entanto, outra fontes, bem como as bulas do profissional de saúde citam a dose de 0,5 mg (2 mL - 40 gotas) como recomendada. [1][2][3][4]

ICS-Formoterol como Alternativa ao SABA em Altas Doses

  • Considerações: [1]

    • Eficácia e segurança semelhantes ao SABA em adultos, adolescentes e crianças com asma aguda grave, com base em ECR e metanálise.

    • No ECR de referência (FEV1 médio 42–45% do predito): 2 inalações de budesonida/formoterol 320/9 mcg dose inalada (400/12 mcg dose medida) por Turbuhaler (DPI), repetidas 1 vez após 5 min; todos os pacientes receberam CO concomitante; FC foi maior no grupo SABA.

    • Estudos adicionais são necessários; formoterol isolado não é mais utilizado para esse fim.

  • Budesonida/formoterol (Symbicort® Turbuhaler®) DPI 400/12 mcg/dose (dose medida) [1]

    • Adultos e adolescentes no PS: 2 inalações de budesonida/formoterol 400/12 mcg (dose medida; 320/9 mcg dose inalada) por Turbuhaler (DPI); repetir 1 vez após 5 min.

    • Administrar concomitantemente ao corticoide oral.

Corticosteroide Sistêmico

  • Considerações: [1]

    • Indicado em todos, exceto nas exacerbações mais leves; administrar idealmente na primeira hora após a apresentação (Evidência A).

    • Via oral é tão eficaz quanto a IV; preferida por ser mais rápida, menos invasiva e menos custosa (Evidência A); em crianças, preferir formulação líquida.

    • Via IV: quando o paciente não consegue deglutir, está vomitando ou requer ventilação não invasiva ou intubação; evidência não demonstra benefício da via IM sobre a oral.

    • Os corticoides orais (CO) requerem pelo menos 4 horas para produzir melhora clínica.

    • Indicações especialmente importantes no PS:

      • SABA inicial sem melhora sustentada dos sintomas

      • Exacerbação desenvolvida durante uso de CO

      • Histórico de exacerbações prévias com necessidade de CO

    • Efeitos adversos a curto prazo em adultos: distúrbio do sono, aumento do apetite, refluxo, alterações de humor, sepse e tromboembolismo.

    • Em adultos, 4–5 ciclos ao longo da vida associam-se a aumento dose-dependente de risco de diabetes, catarata, insuficiência cardíaca e osteoporose.

  • Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg, 20 mg

    • Adultos: 50 mg/dia em dose única matinal (ou 1 mg/kg/dia, máx. 50 mg), por 5–7 dias.

    • Crianças 6–11 anos: 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia), por 3–5 dias.

    • Redução gradual não necessária se duração inferior a 2 semanas.

  • Prednisolona (Prelone®) comp. 5 mg; sol. oral 3 mg/mL

    • Adultos: 50 mg/dia em dose única matinal (ou 1 mg/kg/dia, máx. 50 mg), por 5–7 dias.

    • Crianças 6–11 anos: 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia), por 3–5 dias.

    • Redução gradual não necessária se duração inferior a 2 semanas.

  • Dexametasona (Decadron®) comp. 0,5 mg, 4 mg; sol. oral 0,1 mg/mL (somente crianças)

    • 0,3–0,6 mg/kg VO (máx. 12 mg), 1x/dia, por 1–2 dias no total.

    • Melhor adesão e menor risco de vômitos em comparação à prednisolona.

    • Não prolongar além de 2 dias; se falha de resolução ou recidiva, substituir por prednisona/prednisolona.

  • Hidrocortisona (Solu-Cortef®) sol. inj. 100 mg, 500 mg

    • 200 mg/dia IV em doses fracionadas.

Corticosteroide Inalatório (CI) no Pronto-Socorro

  • Considerações: [1]

    • CI em altas doses na primeira hora após a apresentação reduz necessidade de internação em pacientes sem corticosteroide sistêmico (Evidência A).

    • Em crianças: CI com ou sem CO concomitante nas primeiras horas pode reduzir risco de internação e necessidade de CO (Evidência B).

    • O agente, a dose e a duração exatos do CI no contexto do PS não foram padronizados pelo GINA 2026; o uso em "altas doses" é suportado pela evidência, sem especificação de regime.

    • Referência de dose alta por agente (doses medidas): budesonida > 800 mcg/dia; dipropionato de beclometasona partícula padrão > 1.000 mcg/dia; propionato de fluticasona > 500 mcg/dia (adultos e adolescentes). [1]

    • Pacientes internados por exacerbação devem manter ou iniciar CI de manutenção.

    • Na alta: regime preferido para adultos e adolescentes é MART com ICS-formoterol (Evidência B).

  • Budesonida (Pulmicort® Respules) sol. para nebulização 0,25 mg/2 mL (500 mcg/ampola); 0,5 mg/2 mL (1.000 mcg/ampola)

    • Alta dose na 1ª hora (> 800 mcg/dia em adultos; > 400 mcg/dia em crianças).

Sulfato de Magnésio IV

  • Considerações: [1]

    • Não recomendado para uso rotineiro.

    • Sulfato de magnésio nebulizado não demonstra benefício significativo em adultos, adolescentes ou crianças (Evidência B).

  • Indicações (Evidência A):

    • Adultos e crianças sem resposta ao tratamento inicial com hipoxemia persistente

    • Crianças com VEF1 que não atinge 60% do predito após 1 hora de tratamento

    • Adultos com VEF1 < 25–30% do predito na apresentação

  • Sulfato de magnésio sol. inj. 10% (100 mg/mL) ou 50% (500 mg/mL) [1]

    • 2 g IV em infusão única ao longo de 20 minutos.

Revisão da Resposta

  • Reavaliar frequentemente estado clínico e SpO₂; titular o tratamento conforme a resposta. [1]

  • Medir função pulmonar; pacientes que deterioram apesar de broncodilatação e corticosteroide intensivos devem ser reavaliados para transferência à UTI. [1]

Avaliação Inicial na Atenção Primária

A avaliação inicial na Atenção Primária inclui:

  • Realizar anamnese e exame físico concomitantemente ao início do tratamento; registrar os achados no prontuário. [1]

  • Anamnese: [1]

    • Tempo de início e causa conhecida da exacerbação atual

    • Gravidade dos sintomas: limitação ao exercício, distúrbio do sono

    • Sintomas sugestivos de anafilaxia

    • Fatores de risco para morte relacionada à asma

    • Todos os medicamentos em uso: inaladores, doses, dispositivos, adesão, mudanças recentes de dose e frequência de uso do alívio

    • Tratamento já realizado para o episódio atual e resposta obtida

  • Exame físico: [1]

    • Sinais vitais: nível de consciência, FC, cianose, temperatura, PA, FR, SpO₂

    • Sinais de gravidade: FR, capacidade de completar frases, entrada de ar, uso de musculatura acessória, sibilância, SpO₂, PFE ou VEF1

    • Crianças abaixo de 18 anos: utilizar escore clínico validado (PRAM ou PAS)

    • Fatores complicadores: anafilaxia, pneumonia, pneumotórax

    • Sinais sugestivos de diagnósticos alternativos: insuficiência cardíaca, obstrução laríngea induzível, corpo estranho inalado, tromboembolismo pulmonar

  • Medidas objetivas: [1]

    • Oximetria de pulso: SpO₂ < 92% indica apresentação grave; em condições de hipoxemia, a oximetria pode superestimar a saturação em pessoas com pele escura; ajustar alvos em altitudes elevadas.

    • PFE: em pacientes com mais de 5 anos.

  • Se houver anafilaxia associada à asma: administrar adrenalina primeiro; depois iniciar imediatamente a terapia broncodilatadora. [1]

Tratamento na Atenção Primária

Abordagem geral por gravidade: [1]

  • Leve: SABA 4 jatos por pMDI com espaçador; associar ICS-formoterol se prescrito como alívio; avaliar resposta em 30–60 min.

  • Moderada: SABA + ipratrópio (até 3 ciclos, a cada 20–30 min) + corticosteroide oral + oxigênio se SpO₂ < 92%.

  • Grave: providenciar transferência imediata ao serviço de urgência; iniciar SABA + ipratrópio + oxigênio + corticosteroide sistêmico durante o transporte.

Agonistas Beta-2 de Curta Ação Inalatórios (SABA)

  • Considerações: [1]

    • Salbutamol inalatório é o broncodilatador de escolha no manejo agudo.

    • Administração por pMDI com espaçador é equivalente à nebulização; em crianças, resulta em menos efeitos adversos e menor tempo de permanência no PS.

    • Toxicidade com altas doses: taquicardia, palpitações, ansiedade, hipocalemia, arritmias, acidose lática e hiperventilação; esses sinais não devem ser atribuídos à piora da asma, evitando escalada desnecessária de doses.

    • Técnica: 1 jato por vez com espaçador; agitar o inalador antes de cada jato; se respiração insuficiente para inalação única, usar respiração tidal com espaçador.

  • Salbutamol (Aerolin®, Ventolin®) aerossol 100 mcg/jato; sol. para nebulização 5 mg/mL [1]

    • Apresentação leve: 4 jatos por pMDI com espaçador; repetir 1 vez após 30–60 min se necessário.

    • Apresentação moderada: 4–6 jatos por pMDI com espaçador, ou 2,5 mg por nebulização; repetir até 3 vezes com intervalos de 20–30 min.

    • Apresentação grave (durante transferência): 6–10 jatos por pMDI com espaçador, ou 5 mg por nebulização; repetir a cada 20–30 min, até 3 vezes.

  • Alternativa: Fenoterol aerossol 100 mcg/jato; sol. para nebulização 5 mg/mL

    • Apresentação leve: 4 jatos por pMDI com espaçador.

    • Apresentação moderada: 4–6 jatos por pMDI com espaçador, ou 2,5 mg por nebulização; repetir até 3 vezes com intervalos de 20–30 min.

    • Apresentação grave: 6–10 jatos por pMDI com espaçador, ou 5 mg por nebulização; repetir a cada 20–30 min, até 3 vezes.

    • Nota: Essa medicação não é citada no GINA 2026.

Anticolinérgico Inalatório de Curta Ação

  • Considerações: [1]

    • Em exacerbações moderadas a graves, a associação ao SABA reduz hospitalizações e promove maior melhora do PFE e VEF1 em comparação ao SABA isolado.

    • Administrar concomitantemente ao salbutamol em cada dose, por até 3 vezes.

    • Não há benefício após as primeiras 1–2 horas de tratamento.

  • Brometo de ipratrópio (Atrovent®) aerossol 20 mcg/jato; sol. para nebulização 0,25 mg/mL [1]

    • Apresentação moderada a grave: 4 jatos por pMDI com espaçador a cada administração de salbutamol, por até 3 doses; ou 0,25 mg (1 mL) por nebulização da mesma forma.

ICS-Formoterol como Broncodilatador Anti-inflamatório de Alívio

  • Considerações: [1]

    • O ICS-formoterol (GINA Track 1) como alívio reduz o risco de exacerbações graves e a necessidade de corticosteroide oral em comparação ao SABA isolado.

    • Doses adicionais podem ser tomadas alguns minutos depois se necessário; doses repetidas ao retorno dos sintomas, mesmo dentro de 4 horas.

    • Pacientes em uso de ICS-formoterol devem manter esse regime durante e após a exacerbação.

  • Budesonida/formoterol (Symbicort® Turbuhaler®) DPI 100/6 mcg, 200/6 mcg/dose (dose medida); (Vannair®) aerossol pMDI 80/4,5 mcg, 160/4,5 mcg/dose (dose inalada) [1]

    • Adultos e adolescentes (AIR-only ou MART): 1 inalação de budesonida/formoterol 200/6 mcg (dose medida; equivalente a 160/4,5 mcg dose inalada) sempre que necessário; para formulações com formoterol 3 mcg/inalação em dose medida, tomar 2 inalações.

      • Buscar atendimento médico se o total (manutenção + alívio) superar 12 inalações em 24 horas.

    • Crianças 6–11 anos (MART): 1 inalação de budesonida/formoterol 100/6 mcg (dose medida; equivalente a 80/4,5 mcg dose inalada) sempre que necessário.

      • Buscar atendimento médico se o total superar 8 inalações em 24 horas.

Corticosteroide Inalatório de Manutenção

  • Considerações: [1]

    • Pacientes em uso de CI com SABA como alívio (GINA Track 2) devem aumentar a dose de manutenção de CI ou CI-LABA pelas próximas 2–4 semanas.

    • Pacientes sem terapia controladora prévia devem iniciar CI; tratamento exclusivo com SABA não é mais recomendado.

    • Iniciação preferencial no Passo 4, idealmente com MART.

    • A dose baixa de CI provê a maior parte do benefício clínico para a maioria dos pacientes; a dose alta é necessária para poucos pacientes e seu uso prolongado está associado a maior risco de efeitos adversos locais e sistêmicos. [1]

    • Em adultos com deterioração aguda, CI em alta dose por 7–14 dias (equivalente a 500–1.600 mcg/dia de dipropionato de beclometasona HFA partícula padrão) demonstrou benefício equivalente ao ciclo curto de CO (Evidência A). [1]

    • As doses abaixo são doses medidas (metered dose); não representam equivalência entre agentes. [1]

  • Budesonida (Pulmicort® Turbuhaler®) DPI 100 mcg, 200 mcg, 400 mcg/dose

    • Adultos e adolescentes (≥ 12 anos): dose baixa 200–400 mcg/dia; dose média > 400–800 mcg/dia; dose alta > 800 mcg/dia.

    • Crianças 6–11 anos: dose baixa 100–200 mcg/dia; dose média > 200–400 mcg/dia; dose alta > 400 mcg/dia.

  • Budesonida (Pulmicort® Respules) sol. para nebulização 0,25 mg/2 mL (500 mcg/ampola); 0,5 mg/2 mL (1.000 mcg/ampola)

    • Crianças 6–11 anos: dose baixa 250–500 mcg/dia; dose média > 500–1.000 mcg/dia; dose alta > 1.000 mcg/dia.

  • Propionato de fluticasona (Flixotide®) aerossol pMDI HFA 50 mcg, 125 mcg, 250 mcg/jato

    • Adultos e adolescentes (≥ 12 anos): dose baixa 100–250 mcg/dia; dose média > 250–500 mcg/dia; dose alta > 500 mcg/dia.

    • Crianças 6–11 anos: dose baixa 50–100 mcg/dia; dose média > 100–200 mcg/dia; dose alta > 200 mcg/dia.

  • Dipropionato de beclometasona (Clenil® Modulite®) aerossol pMDI partícula padrão HFA 50 mcg, 100 mcg, 250 mcg/jato

    • Adultos e adolescentes (≥ 12 anos): dose baixa 200–500 mcg/dia; dose média > 500–1.000 mcg/dia; dose alta > 1.000 mcg/dia.

    • Crianças 6–11 anos: dose baixa 100–200 mcg/dia; dose média > 200–400 mcg/dia; dose alta > 400 mcg/dia.

  • Furoato de fluticasona (Arnuity® Ellipta) DPI 100 mcg, 200 mcg/dose — administração 1x/dia

    • Adultos e adolescentes (≥ 12 anos): dose baixa 100 mcg/dia; dose alta 200 mcg/dia.

    • Crianças 6–11 anos: dose baixa 50 mcg/dia.

    • Verificar disponibilidade comercial no Brasil antes de prescrever.

  • Ciclesonida (Alvesco®) aerossol pMDI partícula extrafina HFA 80 mcg, 160 mcg/jato

    • Adultos e adolescentes (≥ 12 anos): dose baixa 80–160 mcg/dia; dose média > 160–320 mcg/dia; dose alta > 320 mcg/dia.

    • Crianças 6–11 anos: dose baixa 80 mcg/dia; dose média > 80–160 mcg/dia; dose alta > 160 mcg/dia.

    • Nota: aprovação regulatória em crianças pode variar conforme o país ou região; verificar situação vigente no Brasil antes de prescrever. [1]

Corticosteroide Oral

  • Considerações: [1]

    • Indicar nas exacerbações moderadas a graves ou quando a resposta à terapia inalatória for insuficiente.

    • O paciente deve entrar em contato com o médico preferencialmente antes de iniciar.

    • Administração matinal preferida para minimizar insônia.

    • Redução gradual não necessária quando a duração for inferior a 2 semanas.

    • Orientar sobre efeitos adversos a curto prazo: distúrbio do sono, aumento do apetite, refluxo, alterações de humor.

    • Mesmo cursos esporádicos de CO associam-se a efeitos adversos dose-dependentes; otimizar a terapia inalatória para reduzir a necessidade de CO.

  • Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg, 20 mg

    • Adultos e adolescentes: 40–50 mg/dia por 5–7 dias.

    • Crianças 6–11 anos: 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia) por 3–5 dias.

  • Prednisolona (Prelone®) comp. 5 mg; sol. oral 3 mg/mL

    • Adultos e adolescentes: 40–50 mg/dia por 5–7 dias.

    • Crianças 6–11 anos: 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia) por 3–5 dias.

  • Dexametasona (Decadron®) comp. 0,5 mg, 4 mg; sol. oral 0,1 mg/mL

    • Somente crianças: 0,3–0,6 mg/kg VO (máx. 12 mg), 1x/dia, por 1–2 dias no total.

    • Não prolongar além de 2 dias; se falha de resolução ou recidiva, substituir por prednisona/prednisolona.

Revisão da Resposta (1 hora ou antes)

  • Reavaliar: SpO₂, FR, uso de musculatura acessória, entrada de ar, PFE. Em crianças: reavaliar PRAM. [1]

  • Se necessário, administrar broncodilatador adicional e reavaliar.

  • Transferir imediatamente ao serviço de urgência em caso de: [1]

    • Sinais de exacerbação grave ou risco de vida

    • Ausência de resposta ao tratamento

    • Piora progressiva

  • Critérios para alta da atenção primária: [1]

    • Melhora dos sintomas satisfazendo os critérios de apresentação "leve" por pelo menos 1–2 horas após a última dose de salbutamol

    • SpO₂ ≥ 92% em ar ambiente

    • PFE melhorando e > 70% do previsto ou do melhor pessoal

    • Recursos domiciliares adequados para seguimento

Seguimento Pós-Exacerbação na Atenção Primária

  • Agendar retorno em 1–2 semanas, preferencialmente antes de suspender o CO oral, se prescrito. [1]

  • Na consulta de seguimento: [1]

    • Avaliar resolução da exacerbação; se não resolvida, considerar encaminhamento ao PS.

    • Reforçar continuidade do CI de manutenção, preferencialmente GINA Track 1 com ICS-formoterol; se já em uso de CI, manter doses aumentadas por 2–4 semanas sem suspender.

    • Revisar ou fornecer plano de ação escrito.

    • Avaliar fatores desencadeantes e de risco, incluindo vacinações pertinentes.

    • Verificar técnica inalatória e adesão.

    • Agendar próxima consulta.

    • Pacientes com mais de 1–2 exacerbações por ano apesar do Passo 4–5 (ou Passo 4 em crianças 6–11 anos), ou com múltiplas visitas ao PS, devem ser encaminhados a centro especializado.

Tratamentos Não Recomendados ou Contraindicados

  • Hélio-oxigênio: sem papel na prática rotineira (Evidência B); pode ser considerado em exacerbações graves sem resposta ao tratamento padrão, avaliando disponibilidade, custo e questões técnicas. [1]

  • Ventilação não invasiva (VNI): evidência fraca; não tentar em pacientes agitados; não sedar para VNI; monitorar de perto se utilizada (Evidência D). [1]

  • Antagonistas dos receptores de leucotrienos (ARLT) orais ou IV: evidência limitada para uso em asma aguda; papel clínico e segurança requerem mais estudos. [1]

  • Aminofilina e teofilina IV (xantinas): não recomendadas pela fraca eficácia e perfil de segurança desfavorável; risco de efeitos adversos graves, especialmente em pacientes já em uso de teofilina de liberação prolongada; em adultos com exacerbação grave, a aminofilina não melhora desfechos em comparação ao SABA isolado. [1]

  • Antibióticos: não recomendados rotineiramente; indicar apenas na presença de forte evidência de infecção pulmonar (febre com escarro purulento ou evidência radiológica de pneumonia). [1]

  • Sedativos: contraindicados pelo efeito depressor respiratório de ansiolíticos e hipnóticos; associação com mortes evitáveis por asma descrita na literatura. [1]

Critérios de Internação Hospitalar

  • Indicações para internação: [1]

    • SpO₂ < 92% em ar ambiente

    • Necessidade contínua de SABA a cada 1–2 horas

    • Dispneia persistente 4–6 horas após início dos corticosteroides sistêmicos

    • Qualquer sinal de alerta para risco de morte ou fatores que dificultam adesão e seguimento ambulatorial próximo

  • Outros fatores associados a maior probabilidade de internação: [1]

    • Sexo feminino, idade avançada e desvantagem socioeconômica

    • Uso de mais de 8 acionamentos de beta-2-agonista nas últimas 24 horas

    • Gravidade da exacerbação: necessidade de ressuscitação ou intervenção médica rápida na chegada, FR > 22/min, SpO₂ < 95%, PFE final < 50% do predito

    • Histórico de exacerbações graves (intubação, internações prévias por asma)

    • Visitas não programadas ao PS com necessidade de CO

    • Ausência de resposta ao broncodilatador inicial

    • Circunstâncias sociais do paciente

Plano de Ação por Escrito

  • Todo paciente com asma, e pais/cuidadores de crianças com asma, deve receber educação guiada para o autogerenciamento, incluindo: [1]

    • Monitorização dos sintomas e/ou da função pulmonar

    • Plano de ação escrito (impresso, digital ou pictórico, adequado ao letramento do paciente)

    • Revisão periódica por profissional de saúde

  • O plano deve ser adaptado ao tipo de inalador de alívio utilizado: ICS-formoterol, ICS-SABA ou SABA. [1]

    • Para pacientes em uso de ICS-formoterol como alívio (GINA Track 1): [1]

      • Passos 1–2 (somente alívio): tomar 1 inalação de ICS-formoterol sempre que necessário; buscar atendimento se necessitar de mais de 12 inalações em 24 horas.

      • Passos 3–5 (MART): manter a dose habitual de manutenção; tomar 1 inalação adicional de ICS-formoterol sempre que necessário para alívio; buscar atendimento se o total (manutenção + alívio) superar 12 inalações em 24 horas.

      • Crianças: buscar atendimento se o total superar 8 inalações em 24 horas.

    • Para pacientes em uso de ICS-SABA como alívio (GINA Track 2): [1]

      • Tomar 2 inalações de ICS-SABA conforme necessário; buscar atendimento se necessitar de mais de 6 doses (mais de 12 inalações) em 24 horas.

    • Para pacientes em uso de SABA como alívio (GINA Track 2): [1]

      • Tomar 2 inalações de SABA a cada 4–6 horas conforme necessário; buscar atendimento se necessitar de mais de 12 inalações em 24 horas.

      • Considerar quadruplicar a dose de manutenção de CI por 1–2 semanas diante de piora.

  • Corticosteroide oral via plano de ação — quando indicar: [1]

    • Sintomas sem resposta ao aumento da terapia inalatória por 2–3 dias

    • Deterioração clínica rápida ou PFE/VEF1 < 60% do melhor pessoal ou predito

    • Piora da asma em paciente com histórico de exacerbações graves súbitas

    • Orientar o paciente a entrar em contato com o médico preferencialmente antes de iniciar o CO

    • Doses habituais de corticosteroide oral no plano de ação:

      • Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg, 20 mg / Prednisolona (Prelone®) comp. 5 mg; sol. oral 3 mg/mL [1]

        • Adultos e adolescentes: 40–50 mg/dia por 5–7 dias.

        • Crianças 6–11 anos: 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia) por 3–5 dias.

        • Redução gradual não necessária se duração inferior a 2 semanas. Preferir administração matinal para minimizar insônia.

      • Dexametasona (Decadron®) comp. 0,5 mg, 4 mg; sol. oral 0,1 mg/mL — somente crianças [1]

        • 0,3–0,6 mg/kg VO (máx. 12 mg), 1x/dia, por 1–2 dias no total.

        • Não prolongar além de 2 dias; se falha de resolução ou recidiva, substituir por prednisona/prednisolona.

  • Pacientes com histórico de deterioração rápida devem ir imediatamente a um serviço de urgência ou procurar seu médico assim que a asma começar a piorar. [1]

Alta e Seguimento Pós-Exacerbação

💊 Medicamentos na Alta

  • Considerações:

    • Iniciar ou manter CI de manutenção antes da alta se ainda não prescrito. [1]

    • Pacientes que já usavam ICS-formoterol como alívio antes da exacerbação devem retornar ao mesmo regime na alta. [1]

    • Revisar e corrigir técnica inalatória antes da alta; garantir fornecimento de medicamentos até o seguimento. [1]

  • Adultos e adolescentes:

  • Alívio:

    • Orientar uso conforme necessidade; uso regular de SABA por até 1–2 semanas pode piorar a asma ou mascarar deterioração; não há benefício do ipratrópio após as primeiras 1–2 horas de tratamento. [1]

  • Corticosteroide oral na alta: [1]

    • Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg, 20 mg

      • Adultos: 40–50 mg/dia por 5–7 dias.

      • Crianças 6–11 anos: 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia) por 3–5 dias;

      • Revisar a evolução antes de suspender.

    • Prednisolona (Prelone®) comp. 5 mg; sol. oral 3 mg/mL

      • Adultos: 40–50 mg/dia por 5–7 dias.

      • Crianças 6–11 anos: 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia) por 3–5 dias;

      • Revisar a evolução antes de suspender.

    • Dexametasona (Decadron®) comp. 0,5 mg, 4 mg; sol. oral 0,1 mg/mL — crianças (alternativa)

      • 0,3–0,6 mg/kg VO (máx. 12 mg), 1x/dia, por 1–2 dias;

      • Substituir por prednisona/prednisolona em caso de recidiva.

Seguimento após Alta do Pronto-Socorro ou Internação

  • Agendar retorno em 2–7 dias (2–5 dias para crianças), presencialmente se possível. [1]

  • Na consulta de seguimento: [1]

    • Avaliar resolução da exacerbação; se não resolvida, considerar novo encaminhamento ao PS.

    • Confirmar continuidade do CI de manutenção; considerar migrar para GINA Track 1 com ICS-formoterol se ainda não prescrito; manter doses aumentadas de CI por 2–4 semanas.

    • Revisar ou fornecer plano de ação escrito.

    • Verificar técnica inalatória e adesão.

    • Revisar fatores de risco modificáveis, incluindo tabagismo quando relevante.

    • Revisar com o paciente: causa da exacerbação, objetivos e usos corretos dos medicamentos, ações a tomar frente a sintomas em piora ou queda do PFE.

    • Programas de intervenção abrangentes pós-PS, incluindo otimização do tratamento, técnica inalatória e educação para o automonitoramento, são custo-efetivos e melhoram desfechos da asma (Evidência B).

    • Agendar próxima consulta em 2–3 meses.

Fatores de Risco e Desencadeantes que Contribuíram para a Exacerbação

  • Identificar os fatores contribuintes e implementar estratégias para reduzir os riscos modificáveis: [1]

    • Exposição a irritantes ou alérgenos

    • Infecções respiratórias virais

    • Tratamento inadequado com CI a longo prazo, incluindo problemas de adesão

    • Ausência de plano de ação escrito

  • Estratégias de higiene (higiene das mãos, máscaras e distanciamento) auxiliam na prevenção de infecções virais. [1]

Encaminhamento ao Especialista

  • Considerar encaminhamento para centro especializado quando: [1]

    • Mais de 1–2 exacerbações por ano apesar do Passo 4–5 (ou Passo 4 em crianças 6–11 anos), ou múltiplas visitas ao PS

    • Internação por asma

    • Múltiplas apresentações em serviço de urgência apesar de médico assistente na atenção primária

    • Uma ou mais exacerbações com necessidade de CO ou atendimento urgente no último ano

    • Necessidade de UTI

  • O seguimento por especialista está associado a menor número de visitas subsequentes ao PS ou internações e melhor controle da asma. [1]

Uso Criterioso do Corticosteroide Oral (CO)

  • O CO é potencialmente “salva-vidas” nas exacerbações graves, porém cursos esporádicos associam-se a efeitos adversos com pronunciado efeito dose-resposta: [1]

    • Efeitos adversos a curto prazo em adultos: distúrbio do sono, aumento do apetite, refluxo, alterações de humor, sepse, pneumonia, tromboembolismo.

    • Em adultos, 4–5 ciclos ao longo da vida associam-se a aumento dose-dependente de risco de diabetes, catarata, insuficiência cardíaca e osteoporose.

  • Estratégias para reduzir a necessidade de CO: [1]

    • Otimizar a terapia com CI, especialmente AIR/MART com ICS-formoterol

    • Tratar fatores de risco modificáveis e comorbidades

    • Garantir educação, treinamento de técnica inalatória, adesão e plano de ação escrito

    • Encaminhar para avaliação especializada quando necessário

    • Usar CO apenas quando claramente indicado, na menor dose eficaz e pelo menor tempo necessário

Referências

[1] GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA (GINA). Global Strategy for Asthma Management and Prevention. 2026. Capítulo 9: Management of worsening asthma and exacerbations in adults, adolescents and children 6–11 years. p. 170–191. Box 4-2: Low, medium and high daily metered doses of inhaled corticosteroids (alone or with LABA). p. 77. Disponível em: https://ginasthma.org. Acesso em: 28 mai. 2026.

[2] Patel P, Saab H, Aboeed A. Ipratropium. [Updated 2024 Feb 19]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK544261/

[3] Bula do Profissional de Saúde. ATROVENT® (brometo de ipratrópio). Boehringer Ingelheim do Brasil Química e Farmacêutica Ltda, aprovada em 07/01/2025.

[4] Aaron SD. The use of ipratropium bromide for the management of acute asthma exacerbation in adults and children: a systematic review. J Asthma. 2001 Oct;38(7):521-30. doi: 10.1081/jas-100107116. PMID: 11714074.

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