Rastreamento do Câncer de Próstata
CID-10: Z12.5 - exame especial de rastreamento para neoplasia da próstata
CID-10: C61 - neoplasia maligna da próstata
Introdução
Definição
A detecção precoce se divide em duas estratégias, distintas pelas indicações, critérios de implementação e riscos associados: [2]
Diagnóstico precoce: identificação do câncer em estágios iniciais em pessoas com sinais e sintomas. [2]
Rastreamento: aplicação sistemática de exames em pessoas assintomáticas. [2]
O câncer de próstata é heterogêneo e sua apresentação varia de lesão assintomática detectada por rastreamento, que pode nunca progredir, até malignidade agressiva. São necessárias estratégias individualizadas de rastreamento e manejo para evitar o sobretratamento e, ao mesmo tempo, prevenir a progressão para doença metastática. [7]
Histologia
Origina-se, na maioria dos casos, nas células epiteliais das glândulas prostáticas, sendo composto predominantemente por adenocarcinomas acinares, responsáveis por mais de 95% dos casos diagnosticados. [8]
Subtipos menos comuns: carcinomas ductais, escamosos e neuroendócrinos. [8]
Divergência menor entre as fontes quanto à proporção: mais de 95% de adenocarcinomas acinares [8] versus adenocarcinoma em 99% dos casos [7].
A elevação do PSA sérico é o achado laboratorial inicial mais comum. [4]
O PSA é específico da próstata, mas suas elevações também ocorrem em condições não malignas, como hiperplasia prostática benigna e prostatite. [7]
Epidemiologia no Brasil (INCA, Estimativa 2026) [8]
77.920 casos novos por ano estimados para cada ano do triênio 2026-2028, com risco estimado de 74,62 casos novos a cada 100 mil homens (taxa ajustada: 45,31).
Entre os homens, é o câncer mais incidente no Brasil e em todas as regiões, desconsiderados os tumores de pele não melanoma, correspondendo a 30,5% dos casos.
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, ocupa a segunda posição entre os cânceres mais incidentes no país, considerados ambos os sexos.
Risco estimado por região, a cada 100 mil homens:
Sudeste: 94,90
Nordeste: 70,49
Centro-oeste: 68,95
Sul: 56,09
Norte: 29,94
Mortalidade: em 2023 ocorreram 17.258 óbitos por câncer de próstata no Brasil, risco estimado de 16,71 mortes por 100 mil homens.
Nota: as estimativas anteriores de 71.730 casos novos por ano referiam-se ao triênio 2023-2025 e são as citadas em [2] e [3]. A Estimativa 2026 [8] as substitui.
Nota sobre a errata: a errata da Estimativa 2026 corrige a tiragem, as páginas 36 e 39, as Tabelas 2 e 3 (páginas 64-69), a Tabela 42 (traqueia, brônquio e pulmão), a Tabela 44 (traqueia, brônquio e pulmão), a Tabela 56 (pâncreas e fígado), a Tabela 59 e a Figura 57 (fígado), a Tabela 61 e a Figura 59 (fígado, leucemias, sistema nervoso central e pâncreas) e as referências da página 155. Nenhum dos itens corrigidos se refere ao câncer de próstata; os valores reproduzidos acima permanecem os da publicação original. [8]
Epidemiologia mundial
Quarto câncer mais incidente entre todos os tipos e segundo mais incidente entre os homens. [8]
Convergente com [7]: segundo câncer mais comum em homens no mundo.
Em 2022: aproximadamente 1,5 milhão de casos novos, representando 14,2% de todos os cânceres em homens e 7,3% de todos os cânceres na população em geral. [8]
[7] especifica 1.466.680 novos casos e 396.792 óbitos em 2022.
Maiores taxas de incidência: Norte da Europa, Austrália, Nova Zelândia, Caribe e América do Norte. [8]
[7] quantifica as taxas padronizadas por idade: Europa Setentrional 82,8/100.000 pessoas-ano; Austrália 78,1; Caribe 73,8; América do Norte 73,5, provavelmente por combinação de maior rastreamento com PSA, expectativa de vida, genética e fatores modificáveis como dieta e obesidade.
Idade mediana ao diagnóstico: 67 anos. [7]
Apresentação ao diagnóstico: contraste entre cenários
Em população com rastreamento disseminado (dados norte-americanos): [7]
~75% com doença localizada, associada a sobrevida em 5 anos de quase 100%.
14% com metástases em linfonodos regionais.
10% com metástases à distância, associadas a sobrevida em 5 anos de 37%.
No SUS (Brasil): 27% dos pacientes são diagnosticados já com doença metastática (estádio IV), proporção elevada mesmo frente a países que não adotam rastreamento populacional de rotina. [3]
Esse contraste é o argumento central do posicionamento da SBU/SBOC/SBRT: mais de um quarto dos homens diagnosticados no Brasil morrerá da doença caso seja mantida a cobertura de detecção e assistência atual. [3]
História natural e o problema dos tumores indolentes
A evolução clínica varia conforme a idade ao diagnóstico e o estádio da doença [8], e ainda não é bem conhecida, a despeito de alguns fatores prognósticos. [2]
Parte dos tumores cresce progressivamente; outra parte é indolente, sem manifestar sinais durante a vida. [2][3]
Muitos homens com doença menos agressiva morrem com o câncer, não do câncer; não é possível determinar ao diagnóstico quais tumores serão agressivos. [2][3]
Um câncer localizado típico leva pelo menos 10 anos para causar sintomas significativos. [4]
Séries de autópsia mostram aumento não linear de câncer oculto com o avançar da idade: [7]
59% dos homens acima de 79 anos tinham evidência histológica de câncer de próstata. [7]
Dados convergentes em [2]: 37% entre 40 e 50 anos e 60% acima de 79 anos.
O próprio INCA reconhece a inflação da incidência pelo rastreamento: há perspectiva de inflação das taxas de incidência de cânceres nos quais pode ter havido extensa investigação de doença assintomática. O câncer de próstata, pelo advento do teste de PSA, é citado como exemplo desse fenômeno, observado na maior parte dos Registros de Câncer de Base Populacional utilizados. Para evitar interpretação falaciosa do resultado, o INCA optou por utilizar a mediana da região das localidades onde tais situações foram identificadas. [8]
A detecção de doença localizada se correlaciona a índices de cura superiores a 90%. [3]
Sintomas
Casos de câncer de próstata localizado raramente são sintomáticos. [7]
Sintomas do trato urinário inferior, como hesitação urinária e noctúria, são frequentemente descritos como sintomas de câncer de próstata localizado; entretanto, associação forte não foi demonstrada. [7]
A evidência da associação entre sintomas do trato urinário inferior e câncer de próstata, particularmente o clinicamente significativo, é equívoca. Estudos de atenção secundária sugerem que os sintomas não discriminam bem entre câncer de próstata e hiperplasia prostática benigna, embora essa premissa permaneça largamente não testada em populações de atenção primária e contraste com estudos que mostram que a maioria dos pacientes diagnosticados procurou o clínico geral com sintomas urinários antes do diagnóstico. [9]
A maioria dos tumores localizados é assintomática, razão pela qual o diagnóstico precoce está ligado à investigação de homens sem sintomas. [3]
Fatores de risco
Mais fortes [7]
Idade avançada.
Fatores genéticos.
Etnia negra.
Idade
Principal fator de risco. O risco aumenta com o envelhecimento, especialmente após os 60 anos. [8]
Mais incidente a partir da sexta década de vida. [2]
Idade mediana ao diagnóstico de 67 anos. [7]
Etnia negra
Ocorrência mais frequente em homens negros. [8]
Homens negros são mais afetados. [1][3][4]
Dados norte-americanos (não transponíveis diretamente ao Brasil, cuja incidência global estimada é de 74,62 casos por 100 mil homens [8]): [7]
Incidência anual de 173,0 casos por 100.000 homens negros versus 97,1 por 100.000 homens brancos.
Mortalidade de 38,7 por 100.000 homens negros/ano versus 18,0 por 100.000 homens brancos/ano.
As razões das disparidades são complexas e não inteiramente compreendidas. Descontadas as diferenças de incidência, as disparidades de mortalidade persistem e podem refletir iniquidades de acesso e de qualidade do cuidado, além de biologia tumoral mais agressiva.
Esta é precisamente a limitação apontada pelo posicionamento da SBU/SBOC/SBRT: os dados disponíveis sobre rastreamento não abrangem a população brasileira, que tem maior proporção de afrodescendentes, e os mecanismos genéticos de predisposição e progressão em nossa população provavelmente diferem dos de populações caucasianas da literatura. [3]
Hereditariedade e história familiar
A hereditariedade é fator de risco relevante, destacando-se as mutações no gene BRCA2 e a síndrome de Lynch. [8]
Mais de 50% do risco de câncer de próstata é atribuível a fatores genéticos (estudos de gêmeos). [7]
Registro sueco com 51.897 irmãos de 32.807 homens com câncer de próstata: homem com irmão acometido tem probabilidade de 14,9% (IC 95% 14,1%-15,8%) de ter câncer de próstata aos 65 anos e de 30,3% (IC 95% 29,3%-31,3%) aos 75 anos. [7]
História familiar de câncer de próstata, principalmente antes dos 60 anos. [2][3]
Particularmente se parente de 1º grau diagnosticado com < 65 anos. [1][4]
História familiar de múltiplas neoplasias. [4]
História pessoal positiva. [1]
Escore de risco poligênico baseado em 451 variantes genômicas estratifica efetivamente: 51,2% dos casos ocorreram no quintil superior de risco versus 4,4% no quintil inferior. [7]
Mutações germinativas de alto risco
ATM, BRCA1, BRCA2, CHEK2, HOXB13, TP53. [1]
BRCA1 e BRCA2 em testagem germinativa positiva. [4]
Síndrome de Lynch. [1][4][8]
Alterações germinativas em genes de reparo de dano ao DNA são encontradas em cerca de 12% dos pacientes com câncer de próstata metastático. [7]
Análise germinativa de 692 homens com doença metastática, não selecionados por história familiar: 11,8% com alteração patogênica em gene de reparo de DNA, mais comumente BRCA2 (5,3%). [7]
Modificáveis
Excesso de gordura corporal: destaque entre os fatores modificáveis. [8]
Obesidade: associada a tipos histológicos avançados [2][3] e a doença agressiva ou avançada. [1]
Tabagismo: aumenta o risco, particularmente de doença agressiva ou avançada. [1]
Síndrome metabólica: até 56% mais risco. [3]
Dieta. [7]
Exposições ocupacionais
Trabalho noturno, exposição à radiação ionizante, a alguns metais e a agentes utilizados na produção de borracha estão associados a aumento do risco, embora com evidências ainda limitadas em humanos. [8]
Exposição a agentes químicos relacionados ao trabalho: responsável por 1% dos casos de câncer de próstata no país. [2][3]
Prevenção
Medidas recomendadas [1]
Hábitos de vida saudáveis.
Combate à obesidade e ao sedentarismo.
Não fumar.
Segundo a OMS, reduzem fatores de risco de prevalência do câncer:
Controle do tabaco, prevenção ao uso do álcool, promoção da atividade física, alimentação saudável, combate ao sedentarismo e à obesidade. [2]
Quimioprevenção: não indicada [1]
Licopeno, vitaminas, micronutrientes, inibidores da 5-alfa redutase, estatinas e metformina apresentaram resultados conflitantes e não sustentam, isoladamente, papel preventivo.
Inibidores da 5-alfa redutase reduzem a incidência de câncer de próstata em ensaios randomizados (finasterida ~25-30% no PCPT; dutasterida ~23% no REDUCE), porém à custa de câncer de baixo grau e sem ganho de sobrevida global, e nenhum é aprovado pela FDA para prevenção. [13] Não devem ser usados com essa finalidade.
Hábitos alimentares saudáveis podem contribuir na prevenção do início e da progressão da doença e devem ser encorajados.
Quem rastrear
Público-alvo (segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica 2026)
Homens > 45-50 anos (NE moderado / FR fraca). [1]
Homens > 40 anos, se alto risco (NE moderado / FR forte): [1]
Negros.
Portadores de mutações germinativas de alto risco (ATM, BRCA1, BRCA2, CHEK2, HOXB13, TP53).
História pessoal ou familiar positiva.
Considerações de outras fontes: [4]
Também considerados como alto risco: portadores de Síndrome de Lynch e história familiar de múltiplas neoplasias. [4]
O Ministério da Saúde do Brasil não recomenda rastreamento populacional. [2]
Divergência entre as recomendações
O rastreio do câncer de próstata é motivo de grande controvérsia na atualidade. [1]

Como os benefícios do rastreamento com PSA não são claros, as diretrizes encorajam a decisão compartilhada, incorporando os valores e as preferências do paciente. [7]
Argumento do MS: revisões sistemáticas identificaram que a prática aumenta significativamente o diagnóstico sem redução significativa da mortalidade específica e com importantes danos à saúde do homem. [2]
Argumento da SBU/SBOC/SBRT: os dados atuais sobre rastreamento e sobrevida não abrangem a população brasileira, que tem maior proporção de afrodescendentes e disparidades educacionais/econômicas relevantes, com mecanismos genéticos de predisposição e progressão provavelmente distintos dos de populações caucasianas da literatura. [3]
Alertam ainda que estigmatizar o cuidado com a saúde da próstata reduz a oportunidade de diagnóstico precoce, já que a ida ao urologista é, em muitos casos, a única ocasião em que o homem comparece ao médico de forma preventiva no Brasil. [3]
Recomendações da AUA/SUO (2023, emendada 2026), da fonte primária [11]
Decisão compartilhada com as pessoas para quem o rastreamento seria apropriado, conduzida segundo os valores e preferências do indivíduo (princípio clínico). [11]
PSA como primeiro exame de rastreamento (recomendação forte, grau A). [11]
Início aos 45-50 anos para risco habitual (recomendação condicional, grau B), e aos 40-45 anos para risco aumentado por etnia negra, mutações germinativas ou forte história familiar (recomendação forte, grau B). [11]
Rastreamento regular a cada 2 a 4 anos dos 50 aos 69 anos (recomendação forte, grau A). [11]
Diante de PSA recém-elevado, repetir o PSA antes de solicitar biomarcador secundário, imagem ou biópsia (opinião de especialista). [11]
Toque retal pode ser usado ao lado do PSA para estabelecer o risco de câncer clinicamente significativo (recomendação condicional, grau C), mas não é necessário para o rastreamento inicial. [11]
Não usar a velocidade do PSA como indicação isolada de biomarcador secundário, imagem ou biópsia (recomendação forte, grau B). [11]
Contexto histórico: o rastreamento baseado em PSA foi amplamente adotado no início da década de 1990. Quando se tornou claro que a detecção de muitos casos por PSA não resultava em redução da morbidade ou da mortalidade relacionadas ao câncer, e que o rastreamento levava a danos relacionados à biópsia e ao tratamento, ensaios randomizados foram conduzidos para esclarecer os possíveis benefícios. [7]
A despeito das controvérsias, a maioria das organizações profissionais recomenda o rastreamento com PSA. [4]
Periodicidade
A cada 2 a 4 anos para homens entre 50 e 69 anos (NE alto / FR forte). [1]
Convergente com a AUA/SUO: rastreamento a cada 2 a 4 anos dos 50 aos 69 anos (recomendação forte, grau A). [11]
Anual naqueles de alto risco (NE baixo / FR fraca). [1]
Testagem anual é razoável em homens de maior risco a partir dos 45 anos. [4]
Pacientes saudáveis com expectativa de vida de pelo menos 10 anos: manter a cada 2-4 anos, desde que se julgue possível se beneficiarem de intervenções terapêuticas, se indicadas. [1]
Após iniciado, o intervalo e a decisão de interrupção devem ser personalizados e baseados em estratificação de risco, considerando preferências do paciente, idade, PSA prévio, risco de câncer, saúde geral, comorbidades e, principalmente, expectativa de vida. [1]
Quando interromper
Sem rastreamento com PSA além dos 70 anos de idade (USPSTF 2018, conforme [7]).
Expectativa de vida ≤ 10 anos por comorbidades, ou idade ≥ 75 anos. [4]
Não rastrear de rotina indivíduos saudáveis e assintomáticos de 70 a 75 anos. [4]
Não rastrear homens que não se beneficiam da testagem ou que recusam tratamento caso o câncer seja detectado. [4]
Fundamento: o câncer localizado típico leva ao menos 10 anos para causar sintomas significativos e o homem médio de 75 anos tem expectativa de vida de pouco mais de 11 anos; a grande maioria acima de 75 anos não obtém benefício em identificar ou tratar câncer de próstata localizado. [4]
Nota da fonte [4]: a referência afirma que homens fora dos critérios das diretrizes, mas plenamente informados e que solicitam a testagem, devem ter o PSA dosado, sem conciliar essa afirmação com os critérios de interrupção acima.
Como rastrear
PSA sérico
Papel
Exame de rastreamento recomendado (NE alto / FR forte). [1]
O rastreamento pode ser realizado pela dosagem da concentração sérica de PSA. [7]
Ferramenta isolada mais útil para a detecção precoce, oferecendo ao paciente a melhor chance de cura. [4]
Deve ser solicitado apenas após discussão abrangente dos riscos e benefícios. [4][7]
Preparo para a coleta
Ressalva de hierarquia: os intervalos abaixo derivam de dois protocolos institucionais ([5] e [10]). Nenhuma das diretrizes ou revisões fornecidas ([1], [2], [3], [7], [9]) define preparo para a coleta do PSA. Nenhuma fonte de alta hierarquia menciona jejum ou restrição dietética, motivo pelo qual esses itens não são reproduzidos aqui.
Intervalos concordantes entre os dois protocolos [5][10]
30 dias após biópsia de próstata.
15 dias após colonoscopia.
7 dias após ultrassonografia transretal.
72 horas (3 dias) após toque retal.
Intervalos divergentes entre os protocolos
Abstinência sexual/ejaculação: 48 horas [10] versus 3 dias [5].
Bicicleta, cavalo ou moto: 48 horas [10] versus 3 dias para bicicleta (ergométrica ou não) e equitação [5].
Itens presentes em apenas um protocolo
Sondagem uretral: aguardar 3 dias [5].
Exercício físico: aguardar 3 dias [5].
Correspondência com as fontes de maior hierarquia: [4] confirma que toque retal, instrumentação urológica, ejaculação recente, evacuação endurecida, prostatite, infecção, trauma e inflamação elevam o PSA; [7] e [9] confirmam HPB e prostatite como causas de elevação.
Fatores que elevam o PSA
Hiperplasia prostática benigna e prostatite. [7][9]
Até 86% dos indivíduos com HPB podem ter PSA elevado. [4]
Infecção, trauma e inflamação. [4]
Toque retal. [4]
Evacuação endurecida. [4]
Instrumentação urológica. [4]
Ejaculação recente. [4]
Fatores que reduzem o PSA
Inibidores da 5-alfa redutase: medicamentos podem afetar os níveis de PSA. [7]
Magnitude e tempo do efeito sobre o PSA:
[7]: a finasterida reduz o PSA em ~2 vezes nos 2 primeiros anos e ~2,5 vezes a partir de então.
[4]: reduzem o PSA em 50%, com efeito que leva de 6 a 12 meses para se estabelecer; em uso prolongado, dobrar o valor.
[11]: os 5-ARI reduzem o PSA após ao menos 6 meses de uso; estudos mais antigos sugerem dobrar o PSA como linha de base ajustada, mas a cinética varia entre pacientes, e um ensaio sugere que apenas um terço dos usuários apresenta queda de 40% a 60% do PSA em um ano.
Conduta comum: corrigir o valor do PSA para cima em usuários crônicos antes de interpretá-lo, ciente de que a magnitude da correção é individual.
Rastrear antes de iniciar a droga, justamente pelo efeito tardio. [4]
Efeito sobre a incidência de câncer: ao contrário do que sugere [4] (que afirma não haver mudança na incidência), há evidência randomizada de que os inibidores da 5-alfa redutase reduzem a detecção de câncer de próstata, à custa de câncer de baixo grau:
Finasterida (PCPT): redução de cerca de 25% no risco de desenvolver câncer de próstata na análise inicial, confirmada como ~30% com seguimento mais longo (10,5% no grupo finasterida versus 14,9% no placebo). A diferença deveu-se inteiramente à redução de cânceres de baixo grau (Gleason 2-6). Houve leve excesso de doença de alto grau no braço finasterida (3,5% versus 3,0%), diferença que deixou de ser estatisticamente significativa no seguimento e é atribuída, ao menos em parte, à melhor detecção pela redução do volume prostático. A sobrevida global em 15 anos foi equivalente entre os grupos (78%). [13]
Dutasterida (REDUCE): redução de cerca de 23% no risco de câncer de próstata versus placebo. [13]
Nenhum dos dois é aprovado pela FDA para prevenção do câncer de próstata. [13]
Isto reconcilia o dado com a posição de [1], que classifica os resultados como conflitantes e não endossa os 5-ARI como quimioprevenção. A orientação prática de corrigir o PSA para cima em usuários crônicos permanece válida.
Estatinas, anti-inflamatórios não esteroidais, paracetamol e tiazídicos. [4]
Obesidade: maior volume intravascular gera PSA menor por efeito dilucional; permanece incerto se a faixa normal deve ser ajustada. [4]
Outras fontes de variabilidade [4]
Erros técnicos e medidas imprecisas do volume prostático geram densidade de PSA errônea.
Ensaios laboratoriais diferentes causam variação nos resultados.
Não há nível de PSA que garanta, de forma confiável, a presença ou a ausência de câncer de próstata.
Toque retal
Divergência central entre as fontes
Leitura prática:
A convergência entre as fontes é estreita e se limita a não usar o toque retal isoladamente como teste de triagem.
A SBOC o mantém entre os exames de rastreamento, na condição de adjuvante ao PSA (NE baixo / FR fraca) [1], enquanto [7] o desaconselha como método de rastreamento por baixa acurácia. Há convergência entre [1], [2] e [4] quanto ao seu papel na avaliação de um PSA já elevado.
Como método de rastreamento: o rastreamento do câncer de próstata com toque retal não é recomendado, por baixa acurácia diagnóstica. [7]
Metanálise de 4 coortes prospectivas e 3 estudos retrospectivos, com 9.241 pacientes submetidos a toque retal e biópsia prostática: sensibilidade agrupada de 51% e especificidade agrupada de 59%. [7]
Como complemento ao PSA: a AUA/SUO permite o toque retal ao lado do PSA para estabelecer o risco de câncer clinicamente significativo (recomendação condicional, grau C), mas o considera não necessário para o rastreamento inicial. [11]
Como método isolado de triagem: não deve ser utilizado. [1]
Como complemento ao PSA ou na avaliação de um PSA já elevado: considerar acrescentar (NE baixo / FR fraca) [1]; sua inclusão pode ser explorada [1]; deve ser realizado em todos os indivíduos com PSA alterado, ainda que nenhum achado isolado confirme ou afaste com segurança o câncer, pois melhora a sensibilidade global do rastreamento e pode ser fator importante na definição do manejo caso o câncer seja detectado. [4]
Na avaliação de homens de elevado risco e de homens com sintomas urinários: endossado pelo MS, que ao mesmo tempo não recomenda campanhas de convocação de homens assintomáticos para PSA e/ou toque retal. [2]
O que avaliar
Tamanho, volume, textura e forma da próstata. [2]
Sinais de neoplasia: nódulo, endurecimento ou assimetria. [6]
Estimativa do peso prostático pela palpação: calota palpável de 3 cm equivale a próstata de aproximadamente 30 g. [6]
O toque retal integra a avaliação do estádio tumoral clínico na estratificação de risco da doença já diagnosticada. [7]
Cuidado operacional
O toque retal eleva o PSA. [4] Se realizado antes da coleta, os protocolos institucionais preveem intervalo de 72 horas até a dosagem. [5][10]
Métodos com papel limitado ou não indicados para rastreamento
RM de próstata: divergência entre as fontes.
Segundo [4]: não deve ser usada como ferramenta de rastreio. É cara e demorada; mesmo T1 e T2 carecem de especificidade e sensibilidade suficientes, e a RM pode deixar de detectar cerca de 25% das malignidades clinicamente significativas. Sua utilidade está em identificar nódulos suspeitos quando a decisão de considerar a biópsia já foi tomada.
Segundo [7]: a RM realizada antes da biópsia pode auxiliar na detecção de câncer clinicamente significativo (definido como Gleason ≥ 7).
Ensaio de não inferioridade com 1.532 homens com PSA ≥ 3 ng/mL, randomizados para biópsia padrão de 10 a 12 fragmentos versus RM seguida de biópsia dirigida e padrão apenas se a RM fosse sugestiva: 36% do grupo experimental foi biopsiado versus 73% do grupo padrão. [7]
Câncer clinicamente significativo: 21% no grupo experimental versus 18% no padrão (diferença de 3%, IC 95% −1% a 7%; P < 0,001 para não inferioridade). [7]
Cânceres clinicamente insignificantes: 4% versus 12% (diferença de −8%, IC 95% −11% a −5%). [7]
Ressalva da própria fonte: dados de desfecho de longo prazo sobre o benefício da RM antes da biópsia ainda não estão disponíveis, e não há consenso sobre quais pacientes devem realizar o exame. [7]
Bioensaios de estratificação de risco (PHI, 4K Score, PCA3, SelectMDx, EPI Exosome): inapropriados para rastreamento geral em razão do custo e da complexidade. [4]
Testes alternativos ao PSA foram extensamente pesquisados e alguns são promissores, mas nenhum entrou na prática da atenção primária até o momento. [9]
Fosfatase alcalina e hemograma: anemia e FALC elevada podem sugerir câncer de próstata, mas são muito inespecíficas e tipicamente indicam doença avançada, sendo inúteis para rastreamento ou detecção precoce. [4]
Interpretação de PSA
Valor absoluto
< 4,0 ng/mL: normal. [6]
4 a 10 ng/mL: indeterminado. [6]
> 10 ng/mL: altamente suspeito. [6]
Considerações:
PSA ≥ 4,0 ng/mL é o padrão de consenso para prosseguir a avaliação; o valor maximiza a especificidade às custas da sensibilidade. [4]
O corte fixo de 4 ng/mL é o utilizado pela maioria dos estudos de acurácia diagnóstica. [9]
O limite superior normal de consenso é de no máximo 4 ng/mL. As unidades ng/mL e mcg/L são equivalentes (1 ng/mL = 1 mcg/L). [4]
Trade-off do ponto de corte [4]
Corte mais baixo encontra mais cânceres, mas exige mais exames e biópsias: valores tão baixos quanto 1,1 ng/mL deixam de detectar até 17% dos cânceres.
Corte de 10 ng/mL reduz avaliações desnecessárias, porém estima-se que metade dos cânceres detectados já não estará órgão-confinada, anulando o benefício da detecção precoce.
Faixas de referência por idade
40-49 anos: ≤ 2,5 ng/mL. [4][6]
Convergente com [7]: < 2,5 ng/mL para homens com menos de 50 anos.
50-59 anos: ≤ 3,5 ng/mL. [4][6]
60-69 anos: ≤ 4,5 ng/mL. [4][6]
70-79 anos: ≤ 6,5 ng/mL. [4][6][7]
Justificativa
O PSA aumenta com a idade (0,04 ng/mL por ano) em razão do aumento do volume prostático; por isso, faixas de referência específicas por idade devem ser consideradas na interpretação. [7]
Há correlação direta entre idade e PSA, com aumento esperado de 3,2% ao ano em homens saudáveis de 60 anos; o valor único de 4 ng/mL não contempla esse aumento natural. [4]
Impacto do uso de faixas ajustadas por idade, em análise retrospectiva de 4.597 homens submetidos a prostatectomia radical: [7]
Aumento de 18% na detecção de câncer em homens com menos de 60 anos.
Redução de 22% na detecção em homens mais velhos; entretanto, 76% dos tumores não detectados tinham risco patológico muito baixo ou baixo.
Ressalva: nenhum dos estudos incluídos na metanálise de acurácia reportou informação suficiente para metanalisar limiares ajustados por idade. [9]
Ajuste pelo volume prostático
A cada 10 g de próstata correspondem 1 a 1,5 ng/mL de PSA. [6]
Exemplo: próstata de 50 g tem PSA esperado de 5 a 7,5 ng/mL. [6]
Densidade do PSA [4]
Volume prostático (cm³) = (largura cm × altura cm × comprimento cm) × 0,52, medido por RM ou ultrassom prostático.
Densidade = PSA total (ng/mL) ÷ volume prostático (cc).
Densidade ≥ 0,15 é suspeita para câncer.
Aplicação: refinamento de um PSA já alterado, pois exige PSA dosado e volume prostático medido por imagem. Não constitui critério para decidir se rastrear.
Registre-se que [4] arrola densidade de PSA ≥ 0,15 entre os marcadores de indivíduo de alto risco, uso que pressupõe PSA e imagem já realizados.
Na diretriz SBOC, densidade de PSA < 0,15 ng/mL/g aparece como critério de estratificação de risco de tumor já diagnosticado (grupo de risco muito baixo), não de rastreamento. [1]
Velocidade do PSA
Aumento anual de até 0,75 ng/mL e de até 25% é aceitável; aumentos maiores são suspeitos. [4]
< 0,75 ng/mL em 1 ano: sugere HPB. [6]
> 0,75 ng/mL em 1 ano: sugere câncer. [6]
O cálculo requer 3 dosagens separadas ao longo de pelo menos 18 meses. [4]
Ressalva: a AUA/SUO recomenda não usar a velocidade do PSA como indicação isolada de biomarcador secundário, imagem ou biópsia (recomendação forte, grau B). [11] A velocidade serve como dado auxiliar, não como gatilho único.
Relação PSA livre / PSA total
Útil quando o PSA total está entre 4 e 10 ng/mL. [4][6]
A fração livre/total tende a diminuir na malignidade: quanto maior o % de PSA livre, menor o risco de câncer. [4]
Divergência entre as fontes:
Segundo [6]: > 15% sugere HPB; < 15% sugere câncer.
Segundo [4], com risco variando conforme a idade: PSA livre < 10% implica risco de câncer de 50%; PSA livre > 25% implica risco < 10%.
Dado de apoio: em um dos estudos incluídos na metanálise, a relação PSA livre/total diferiu de forma estatisticamente significativa entre Gleason ≥ 7 e Gleason ≤ 6 (11,69 ± 0,98 versus 16,47 ± 2,25; p = 0,029). [9]
Desempenho dos testes e dados de estudos
PSA em população de rastreamento com verificação universal por biópsia (Prostate Cancer Prevention Trial, braço placebo; 5.587 homens biopsiados, dos quais 1.225 com câncer) [12]
Único estudo em que todos os homens sem câncer foram biopsiados ao final, independentemente do valor do PSA, o que elimina o viés de verificação parcial. Descreve o desempenho do PSA como teste de rastreamento em homens assintomáticos. No corte de 4,1 ng/mL: [12]
Qualquer câncer: sensibilidade 20,5%, especificidade 93,8%.
Gleason ≥ 7: sensibilidade 40,4%, especificidade 90,0%.
Gleason ≥ 8: sensibilidade 50,9%, especificidade 89,1%.
Área sob a curva ROC: 0,678 (IC 95% 0,666-0,689) para qualquer câncer; 0,782 para Gleason ≥ 7; 0,827 para Gleason ≥ 8.
Não há ponto de corte de PSA com sensibilidade e especificidade simultaneamente altas: há um continuum de risco em todos os valores. No corte de 4,1 ng/mL, a taxa de falso-positivos entre homens sem câncer (1 − especificidade) é de 6,2%; baixar o corte para 1,1 ng/mL eleva a sensibilidade a 83,4% mas submete 61,1% dos homens sem câncer à biópsia. [12]
Atenção a não confundir esse 6,2% com a proporção de PSA elevados que não são câncer. São medidas distintas: a taxa de falso-positivos entre não-doentes é o complemento da especificidade; a proporção de PSA elevados sem câncer é o complemento do valor preditivo positivo, e essa última é alta (o VPP real é de cerca de 30%, ou seja, a maioria dos PSA elevados não é câncer).
Limitações da própria fonte: [12]
Verificação quase universal, não perfeita: dos 8.575 homens com PSA e toque no mesmo ano, 5.587 (65,2%) foram biopsiados ao longo do estudo; o restante teve o status de câncer imputado por ajuste de viés de verificação, com curvas ROC praticamente idênticas com e sem o ajuste.
População selecionada: todos com PSA basal ≤ 3,0 ng/mL e toque normal na entrada, mais velhos (média 62 anos), mais compliantes e predominantemente brancos (95,6%). Os autores advertem que isso pode afetar a generalização das estimativas para a população geral.
Essa limitação conversa com o argumento de [3]: não há dados de rastreamento que abranjam a população brasileira, e a extrapolação de estimativas de acurácia derivadas de coortes predominantemente brancas tem limites.
PSA em pacientes sintomáticos, corte ≥ 4 ng/mL (revisão sistemática de 19 estudos; metanálise de acurácia com 14 estudos e 14.489 pacientes) [9]
Os números deste bloco não descrevem o PSA como teste de rastreamento. Aplicam-se ao homem sintomático avaliado em ambulatório de urologia, com biópsia realizada apenas em quem já tinha PSA elevado ou exame anormal (verificação parcial), o que infla a sensibilidade e deprime a especificidade. Contraste com os dados do PCPT acima, de verificação universal.
Sensibilidade: 0,93 (IC 95% 0,88-0,96).
Especificidade: 0,20 (IC 95% 0,12-0,33).
Área sob a curva HSROC: 0,72 (IC 95% 0,68-0,76).
Valor preditivo positivo nos estudos individuais: 0,13 a 0,59. Valor preditivo negativo: 0,76 a 1,00.
Ressalvas declaradas pela própria fonte, que restringem a aplicação desses números: [9]
Escopo: a metanálise avaliou pacientes sintomáticos, não rastreamento de assintomáticos. Coortes exclusivamente de rastreamento foram excluídas.
Cenário: 18 dos 19 estudos foram conduzidos em ambulatórios hospitalares de urologia. Nenhum estudo foi realizado em atenção primária, onde a maior parte das dosagens de PSA é feita. O viés de espectro impede que dados de atenção secundária ou de rastreamento sejam transpostos à atenção primária.
Risco de viés: todos os estudos foram avaliados como tendo alto risco de viés em ao menos um domínio do QUADAS-2. Nenhum teve baixo risco de viés quanto ao teste de referência.
Viés de verificação parcial: a maioria dos estudos só realizou o teste de referência (biópsia guiada por ultrassom transretal) em pacientes com PSA elevado ou exame prostático anormal. Portanto, a verdadeira sensibilidade do PSA em pacientes sintomáticos é desconhecida e provavelmente menor do que a reportada.
Teste de referência: a biópsia TRUS tem sensibilidade reconhecidamente baixa, pela amostragem aleatória da glândula, gerando viés de classificação.
Heterogeneidade: significativa entre os estudos (sensibilidade I² = 98,97; especificidade I² = 99,61).
Lacuna: dados insuficientes para estimar a acurácia do PSA para câncer clinicamente significativo, consideração crucial para o uso ótimo do exame.
Toque retal (metanálise, 9.241 pacientes) [7]
Sensibilidade: 51%. Especificidade: 59%.
Leitura comparativa
Os números de [7] e [9] provêm de metanálises com populações, desenhos e limitações distintas, e não devem ser confrontados diretamente entre si. O que se sustenta:
O PSA é altamente sensível, porém pouco específico para a detecção do câncer de próstata. [9]
O toque retal tem acurácia diagnóstica insuficiente para ser usado como método de rastreamento. [7]
Como teste de rastreamento (verificação universal, PCPT [12]), o PSA no corte de 4,1 ng/mL tem baixa sensibilidade (20,5% para qualquer câncer, 50,9% para Gleason ≥ 8) e alta especificidade (93,8%). A sensibilidade aparentemente alta relatada por [4] e [9] reflete viés de verificação parcial.
Nenhum dos dois exames é adequado isoladamente.
Nota sobre a fonte [4] e sobre o que estes números medem. [4] reporta sensibilidade de 91% e especificidade de 9% a 33% para o PSA no corte de 4 ng/mL, valores próximos aos de [9] (0,93 e 0,20). Ambos derivam de desenhos com verificação parcial (biópsia só em quem tinha PSA elevado ou exame anormal), que infla a sensibilidade e deprime a especificidade. Quando todos os homens são biopsiados, como no PCPT [12], o desempenho real do PSA como teste de rastreamento é o inverso: sensibilidade de 20,5% e especificidade de 93,8% no corte de 4,1 ng/mL. Os 91% de [4] e os 0,93 de [9] são, portanto, artefato metodológico, e não o desempenho do PSA no rastreamento de assintomáticos.
Separadamente, [4] afirma que a especificidade de 9-33% "indica que até 91% dos indivíduos com PSA elevado não têm câncer": a proporção de PSA elevados sem câncer é o complemento do valor preditivo positivo, não a especificidade. Os VPPs medidos em [9] variam de 0,13 a 0,59, compatíveis com o "risco real de aproximadamente 30%" também afirmado por [4]. Use o VPP de aproximadamente 30% no aconselhamento.
Outros dados de [4]
Apenas cerca de 2% dos valores de PSA acima de 3 ng/mL chegam a exigir intervenção por forma agressiva de câncer.
A maioria das malignidades encontradas por PSA elevado é de baixo risco, frequentemente manejada com vigilância ativa.
Conduta diante de PSA alterado
1) Repetir o PSA para confirmar a elevação
Entre homens com PSA novo e moderadamente elevado (4 a 10 ng/mL), o valor retorna à faixa normal em 25% a 40% dos casos quando reexaminado. Portanto, deve ser realizado um novo PSA para confirmar a elevação, tipicamente em alguns meses. [7] A AUA/SUO recomenda repetir o PSA antes de solicitar biomarcador secundário, imagem ou biópsia, considerando a meia-vida do PSA de 2 a 3 dias. [11]
São necessários ao menos 2 exames de PSA elevados separados para confirmar o aumento; em razão da alta variabilidade dos resultados, recomendam-se 2 amostras separadas antes de prosseguir a investigação. [4]
Antes de valorizar o resultado, checar interferentes que elevam o PSA: HPB (até 86% dos portadores podem ter PSA elevado) e prostatite [4][7][9], além de infecção, trauma, inflamação, toque retal, evacuação endurecida, instrumentação urológica e ejaculação recente. [4]
Se o paciente usa inibidor da 5-alfa redutase, corrigir o valor antes de interpretá-lo: [4] orienta dobrar o PSA após 6 a 12 meses de uso; [7] descreve redução de 2 vezes nos primeiros 2 anos e de 2,5 vezes a partir de então.
Conferir o preparo da coleta, conforme os protocolos institucionais [5][10]: 30 dias após biópsia de próstata, 15 dias após colonoscopia, 7 dias após ultrassonografia transretal e 72 horas após toque retal; abstinência sexual de 48 horas [10] ou 3 dias [5]; e 48 horas [10] ou 3 dias [5] após bicicleta, cavalo ou moto.
2) Toque retal
Realizar em todos os indivíduos com PSA anormal, ainda que nenhum achado isolado confirme ou afaste o câncer. [4]
Ressalva: [7] considera o toque retal inadequado como teste de rastreamento (sensibilidade 51%, especificidade 59%), sem afastar seu uso na avaliação de um PSA já alterado, papel endossado por [1] e [4].
Avaliar tamanho, volume, textura e forma da próstata [2] e sinais de neoplasia: nódulo, endurecimento ou assimetria. [6]
Estimativa do peso prostático: calota palpável de 3 cm equivale a aproximadamente 30 g. [6]
Se realizado antes da coleta, os protocolos institucionais preveem 72 horas de intervalo até o PSA [5][10], pois o toque retal eleva o marcador. [4]
3) Refinar o risco antes da biópsia
Comparar com a faixa de referência para a idade: [4][6][7]
40-49 anos ≤ 2,5;
50-59 ≤ 3,5;
60-69 ≤ 4,5;
70-79 ≤ 6,5 ng/mL.
Relação PSA livre/total, se PSA total entre 4 e 10 ng/mL: [4][6]
> 15% sugere HPB, sendo que se > 25% apresenta risco de câncer muito baixo (< 10%).
< 15% sugere câncer, sendo que se < 10% apresenta risco alto de câncer (~50%).
Densidade de PSA = PSA total ÷ volume prostático (cc)
volume = (largura × altura × comprimento) × 0,52.
Densidade ≥ 0,15 é suspeita. [4]
Velocidade de PSA: [4][6]
Aumento > 0,75 ng/mL/ano ou > 25% é suspeito;
O cálculo exige 3 dosagens em pelo menos 18 meses.
Ajuste pelo volume prostático: [6]
Aada 10 g correspondem a 1 a 1,5 ng/mL de PSA esperado.
RM de próstata
Segundo [1]: deve ser realizada antes da biópsia. Estratifica melhor os pacientes; reduz a necessidade de biópsias e os falsos-negativos, aumenta a acurácia e a sensibilidade e reduz o diagnóstico de tumores não clinicamente significativos (ISUP 1).
Segundo [7]: pode auxiliar na detecção de câncer clinicamente significativo (Gleason ≥ 7) e, em ensaio de não inferioridade, reduziu a proporção de biopsiados (36% versus 73%) e a detecção de cânceres insignificantes (4% versus 12%), sem perda na detecção dos significativos (21% versus 18%). Não há consenso sobre quais pacientes devem realizá-la, e faltam dados de desfecho de longo prazo.
Segundo [4]: pode deixar de detectar cerca de 25% das malignidades clinicamente significativas.
Bioensaios (PHI, 4K Score, PCA3, SelectMDx, EPI Exosome), se disponíveis: [4]
VPN de ao menos 90%: menos de 10% de chance de câncer significativo se o teste for negativo.
25% a 30% dos pacientes testam negativo e podem evitar a biópsia com segurança.
4) Encaminhar e indicar biópsia
Pacientes com PSA elevado no exame repetido devem ser encaminhados ao urologista para consideração de biópsia prostática, que pode ser realizada por via transretal ou transperineal, guiada por ultrassom. [7]
[9] descreve a prática de forma não prescritiva: pacientes com PSA elevado são usualmente encaminhados ao urologista para investigação diagnóstica, que pode incluir RM de próstata e/ou biópsia prostática.
A decisão deve incluir pelo menos 2 valores de PSA elevados e considerar idade, comorbidades, história médica, história familiar, fatores de alto risco, exame físico, sintomas urinários, expectativa de vida razoável e preferência pessoal, após revisão completa dos riscos e benefícios. Resultados de RM ou bioensaio, se disponíveis, também devem ser incluídos. [4]
Técnica: a AUA recomenda que sejam colhidos ao menos 10 a 12 fragmentos, de forma simétrica, incluindo todas as áreas da glândula prostática. [7]
Existe preferência pela realização de biópsia randômica e da lesão-alvo, o que aumenta a acurácia. [1]
Complicações, em ensaio randomizado com 718 pacientes (transretal versus transperineal): [7]
Infecciosas: 2,6% versus 2,7%.
Não infecciosas (sangramento, retenção urinária): 1,7% versus 2,2%.
O paciente deve ser plenamente informado dos riscos e benefícios e ter tempo suficiente para decidir. [4]
5) Quando não indicar biópsia [4]
Risco inaceitável, como pacientes que não podem suspender com segurança a terapia anticoagulante.
Pacientes que não aceitam tratamento mesmo diante de um câncer perigoso.
Expectativa de vida por idade ou comorbidades bem abaixo do mínimo de 10 anos necessários para benefício significativo do tratamento.
6) Após o diagnóstico
A estratificação de risco, o estadiamento e a definição terapêutica seguem as diretrizes de doença localizada, com base em achados clínicos, laboratoriais e de imagem. [1]
A estratificação usa o grau de elevação do PSA, a avaliação do tamanho tumoral pelo toque retal e o escore e o grupo de Gleason. [7]
Diante de um diagnóstico positivo, é crucial adequar as intervenções (vigilância ativa, cirurgia, radioterapia e terapias sistêmicas) às características do tumor identificado. [3]
Exames de estadiamento não pertencem ao rastreamento e seguem o grupo de risco, não o valor isolado de PSA. Na diretriz SBOC, a cintilografia óssea é indicada nos riscos intermediário, alto e muito alto, ou, nos de baixo e muito baixo risco, se FALC elevada ou dor óssea. [1]
O que discutir com o paciente
Como os benefícios do rastreamento com PSA não são claros, as diretrizes encorajam a decisão compartilhada, incorporando os valores e as preferências do paciente. [7]
O PSA deve ser solicitado apenas após discussão abrangente dos riscos e benefícios. [4]
A NT 9/2023 orienta ampla discussão sobre os possíveis riscos e benefícios para a tomada de decisão compartilhada com os homens que solicitarem exames de rastreio. [2]
As diretrizes clínicas encorajam uma discussão equilibrada com o paciente sobre os potenciais benefícios e danos de se apoiar no PSA para detectar câncer de próstata; [9] conclui que essa é uma abordagem pragmática no cuidado de pacientes com sintomas do trato urinário inferior, que é a população da revisão.
Considerar: preferências do paciente, saúde geral, história familiar, comorbidades, etnia, idade e níveis prévios de PSA. [1][4]
Roteiro da conversa
A maioria dos homens com PSA elevado não tem câncer. O risco real de câncer diante de um PSA elevado é de aproximadamente 30%. [4]
Um PSA elevado com frequência normaliza sozinho. Entre PSA de 4 a 10 ng/mL, o valor retorna à faixa normal em 25% a 40% dos homens apenas com a repetição do exame, motivo pelo qual a confirmação precede qualquer investigação. [7]
O PSA é sensível, mas pouco específico. [9] Resultados falso-positivos decorrem também de condições não cancerosas da próstata, como hiperplasia prostática benigna e prostatite. [9]
Os valores de sensibilidade e especificidade disponíveis nas fontes foram medidos em pacientes sintomáticos avaliados em ambulatórios de urologia (ver "Desempenho dos testes") e não são transponíveis ao aconselhamento de um homem assintomático na atenção primária. Para essa conversa, os parâmetros úteis são o risco real de aproximadamente 30% [4] e a taxa de normalização de 25% a 40% na repetição. [7]
A maioria dos cânceres descobertos não precisará de tratamento. Em estudo observacional prospectivo com 2.155 pacientes de baixo risco em vigilância ativa, seguidos com PSA a cada 3 a 6 meses e biópsias aos 6 a 12 meses, aos 24 meses e a cada 2 anos: aos 10 anos do diagnóstico, 49% permaneciam livres de progressão ou de tratamento, menos de 2% desenvolveram metástases e menos de 1% morreram de câncer de próstata. [7]
Se optar por tratar, a doença localizada tem sobrevida câncer-específica em 5 anos próxima de 100%. [7]
Possibilidade de diagnóstico de tumores indolentes ou que não necessitam de tratamento imediato. [3]
Possíveis riscos dos tratamentos e impactos negativos na qualidade de vida, incluindo disfunção sexual e urinária. [2][3]
Um PSA falsamente elevado pode levar a biópsia desnecessária de condição benigna, com dor, sangramento e infecção, além de ansiedade e estresse no indivíduo e na família. [2][4]
Risco de complicação infecciosa da biópsia: cerca de 2,6% a 2,7%. [7]
Testes de rastreamento nunca são urgentes: o paciente tem tempo amplo para revisar as informações e considerar suas opções. [4]
A escolha, para muitos pacientes, se resume a duas alternativas: [4]
Realizar rastreamento regular, ainda que sob risco de sobrediagnóstico de cânceres indolentes, com possíveis procedimentos ou tratamentos que causem dano psicológico ou físico.
Evitar o rastreamento, eliminando o sobrediagnóstico, mas aceitando que um câncer potencialmente grave só seja descoberto em estágio tardio, quando o tratamento curativo já não é efetivo ou disponível.
Avaliação genética germinativa
Sugerida pela SBOC em pacientes com tumores localizados e: [1]
Ancestrais judeus ashkenazi.
Risco alto ou muito alto.
Histologia intraductal/ductal.
ISUP ≥ 3.
Painel mínimo: BRCA1/2, ATM, DNA MMR e genes suspeitos à síndrome suspeita. Recomendações embasadas no Consenso de Filadélfia. [1]
Diretrizes da NCCN e da ESMO recomendam testagem genética germinativa por painel para todos os pacientes com câncer de próstata localizado de alto risco ou metastático, independentemente da história familiar, para orientar a testagem em cascata de familiares e o uso de terapias de precisão dirigidas a essas alterações. [7]
Bases científicas: benefícios e danos
Evidência randomizada (referência para estimativa de efeito)
Ensaios randomizados apoiam que o rastreamento por PSA promove benefício significativo no aumento do diagnóstico, na detecção de doença mais localizada e um pequeno benefício na redução da mortalidade câncer-específica. [1]
ERSPC (europeu)
Atualização de 23 anos, mais de 160.000 pacientes: 13% de redução do risco de morte por câncer de próstata; 1 morte evitada a cada 12 pacientes diagnosticados no grupo que realizou PSA. [1]
Demonstrou redução modesta da mortalidade por câncer de próstata com o rastreamento por PSA, porém sem melhora em anos de vida ajustados pela qualidade (QALY). [7]
Na atualização de 16 anos, mostrou redução na mortalidade específica acompanhada de elevadas taxas de sobrediagnóstico. [2]
PLCO (norte-americano): não reportou benefício de mortalidade, embora isso possa ter decorrido de testagem prévia com PSA em cerca de 90% dos participantes antes da inclusão. [7]
CAP (Inglaterra e País de Gales): análise secundária de ensaio randomizado por conglomerados, com homens de 50 a 69 anos de 573 unidades de atenção primária, reportou pequena redução da mortalidade por câncer de próstata com o rastreamento por PSA, mas nenhum efeito sobre a mortalidade global. [7]
Metanálise desses e de outros 3 ensaios de rastreamento com PSA, totalizando 721.718 homens: pouco ou nenhum efeito sobre a mortalidade câncer-específica ou sobre a mortalidade por todas as causas; todos os ensaios incluídos, exceto o europeu, tinham alto risco de viés. [7]
Síntese convergente: revisão sistemática de 2018 dos grandes ensaios randomizados de rastreamento baseado em PSA (Ilic et al., BMJ 2018;362:k3519) mostrou pequena redução potencial da mortalidade câncer-específica, sem mudança na mortalidade por todas as causas, e com aumento do risco de complicações da biópsia, de sobrediagnóstico de câncer clinicamente insignificante e de sobretratamento, conforme reportado por [9]. A mesma revisão de Ilic é uma das referências primárias da diretriz [1].
Evidência observacional, ecológica e de modelagem
Estimativas de efeito substancialmente maiores do que as dos ensaios randomizados acima. Interpretar com essa ressalva.
Comparações entre populações rastreadas e não rastreadas mostraram repetidamente redução de 50% na mortalidade câncer-específica quando o PSA é amplamente utilizado ao longo do tempo. [4]
Dados do NIH: redução de 44% na mortalidade câncer-específica à medida que o PSA se tornou amplamente disponível no início dos anos 1990. [4]
SEER 1975-2017: mortalidade nos EUA caiu de 39/100.000 para 19/100.000 homens entre 1992 e 2017 (redução de 51%). Segundo modelos de simulação, 45% a 70% dessa queda seria atribuível à testagem do PSA. [4]
A própria [2] pondera que houve importantes avanços no tratamento para o controle das taxas de mortalidade da doença no período.
Kaiser Permanente (2018), mais de 400.000 pacientes: rastreamento anual entre 55 e 75 anos reduziu a mortalidade câncer-específica em 64% (IC 95% 50%-78%, P<0,001). [4]
Divergência entre as fontes quanto à mortalidade global
[4] atribui ao estudo Kaiser Permanente redução de 24% na mortalidade global (IC 95% 15%-34%, P<0,001).
[7] reporta que o ensaio CAP não encontrou efeito sobre a mortalidade global e que a metanálise de 721.718 homens encontrou pouco ou nenhum efeito sobre a mortalidade por todas as causas.
[9] reporta que a revisão sistemática dos grandes ensaios randomizados mostrou nenhuma mudança na mortalidade por todas as causas.
[1] afirma explicitamente que o rastreamento aumenta falso-positivos, overdiagnosis e overtreatment sem reduzir a mortalidade geral.
O peso da evidência randomizada disponível nas fontes ([1], [7], [9]) não sustenta redução de mortalidade global com o rastreamento por PSA.
Danos
Há aumento de testes falso-positivos, de overdiagnosis e de overtreatment, sem redução da mortalidade geral, expondo parcela dos pacientes a riscos e eventos adversos desnecessários, com prejuízo à qualidade de vida e ansiedade por uma condição sem repercussão clinicamente significativa. [1]
Revisões sistemáticas identificaram que a prática aumenta de forma significativa o diagnóstico do câncer, sem redução significativa da mortalidade específica e com importantes danos à saúde do homem. [2]
O rastreamento por PSA levou a danos relacionados à biópsia e ao tratamento do câncer. [7]
Sobrediagnóstico
Diagnóstico de uma condição que nunca teria causado morte precoce, sintomas ou problemas clínicos. É prejudicial quando leva a tratamentos desnecessários ou a estresse e ansiedade indevidos. [4]
Não é diagnóstico errado nem alarme falso, e é parte inevitável de todo rastreamento em algum grau; a única forma de eliminá-lo é evitar todos os testes de rastreamento. [4]
Reconhecido pelo INCA como fenômeno que infla as taxas de incidência do câncer de próstata após o advento do PSA, a ponto de exigir ajuste metodológico nas estimativas nacionais. [8]
Mitigação: explicar, antes do PSA, que a maioria dos homens com PSA elevado não tem câncer e que a grande maioria dos cânceres descobertos pelo PSA nunca precisará de tratamento. [4]
Sobretratamento
Tratamento de cânceres que não evoluiriam a ponto de ameaçar a vida, com impacto importante na qualidade de vida, incluindo disfunção sexual e urinária. [2]
A introdução da vigilância ativa para doença de baixo risco e baixo estádio eliminou efetivamente o sobretratamento em 70% a 75% dos pacientes que antes recebiam terapia definitiva. [4]
O uso da vigilância ativa aumentou substancialmente e segue aumentando em homens com câncer de próstata de baixo risco recém-diagnosticado. [7]
Biópsias desnecessárias
A doença detectada pode gerar necessidade de biópsia e complicações como dor, sangramento e infecções, além de ansiedade e estresse. [2]
Redução possível com faixas de referência ajustadas por idade, limitação do rastreamento aos que provavelmente se beneficiarão do tratamento e uso de RM e bioensaios, que eliminam 25% a 30% ou mais das biópsias de baixo rendimento. [4]
Estratégia baseada em RM reduziu a proporção de homens biopsiados de 73% para 36%, com menos cânceres insignificantes detectados e sem perda na detecção de cânceres significativos. [7]
Posição da OMS: os principais obstáculos para um programa efetivo são a maior frequência de tumores indolentes com o aumento da idade e a morbidade significativa relacionada aos procedimentos usados para tratar o câncer de próstata. [2]
Organização da rede e recomendações a gestores
Recomendações do Ministério da Saúde aos gestores estaduais e municipais: [2]
Organizar a rede de atenção à saúde, com a Atenção Primária à Saúde como porta de entrada e lócus de seguimento prioritários, permitindo investigação célere de queixas urinárias.
Embora o câncer de próstata não apresente sintomas em fases iniciais, iniciar investigação diagnóstica em pacientes de elevado risco de neoplasia significativa e naqueles com:
Dificuldade de urinar.
Diminuição do jato de urina.
Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.
Sangue na urina.
Ressalva: [7] registra que sintomas do trato urinário inferior, como hesitação urinária e noctúria, são frequentemente descritos como manifestações de câncer de próstata localizado, mas que associação forte não foi demonstrada; [9] classifica essa evidência como equívoca e aponta que os sintomas não discriminam bem entre câncer de próstata e HPB. A investigação de queixas urinárias permanece indicada por si mesma, sem que os sintomas sirvam de marcador confiável de câncer.
Implementar, em larga escala, estratégias de disseminação de informações sobre a importância de os homens procurarem a unidade de saúde, independentemente da idade.
Informar aos homens que demandarem espontaneamente PSA e/ou toque retal sobre o balanço entre benefícios e riscos, estimulando a decisão compartilhada.
Não realizar campanhas para convocar homens assintomáticos para rastreamento com PSA e/ou toque retal.
Capacitar os profissionais da Atenção Primária sobre o câncer de próstata, em parceria com serviços de saúde e instituições de ensino.
Fortalecer ações educativas e de comunicação em saúde sobre autocuidado e prevenção dos cânceres mais prevalentes e de outras doenças crônicas não transmissíveis.
Instrumentalizar o trabalho das equipes e orientar a população por meio de publicações institucionais.
Em casos suspeitos, a investigação célere e o possível tratamento (ou vigilância) devem ser instituídos.
Referências
[1] SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA. Diretrizes de tratamentos oncológicos 2026: tumores geniturinários. Próstata: doença localizada. São Paulo: SBOC, 2026. Disponível em: https://www.sboc.org.br. Acesso em: 16 jul. 2026.
[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Nota Técnica nº 9/2023-COSAH/CGACI/DGCI/SAPS/MS: recomendação pelo não rastreamento populacional do câncer de próstata. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 16 jul. 2026.
[3] SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE RADIOTERAPIA. Posicionamento da SBU, SBOC e SBRT sobre o rastreamento do câncer de próstata. 2023. Disponível em: https://portaldaurologia.org.br. Acesso em: 16 jul. 2026.
[4] DAVID, Michael K.; LESLIE, Stephen W. Prostate-Specific Antigen. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557495/. Acesso em: 16 jul. 2026.
[5] AME VOTUPORANGA; SANTA CASA DE VOTUPORANGA; GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Manual de preparos de exames e procedimentos: exame de antígeno prostático específico (PSA). Versão nº 04. Votuporanga. Protocolo institucional local. Disponível em: https://www.saude.sp.gov.br. Acesso em: 16 jul. 2026.
[6] GPMED. Hiperplasia prostática benigna (HPB). Disponível em: Hiperplasia prostática benigna (HPB). Acesso em: 16 jul. 2026.
[7] RAYCHAUDHURI, Ruben; LIN, Daniel W.; MONTGOMERY, R. Bruce. Prostate Cancer: A Review. JAMA, v. 333, n. 16, p. 1433-1446, 2025. DOI: 10.1001/jama.2025.0228. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2831147. Acesso em: 16 jul. 2026.
[8] INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026. 168 p. ISBN 978-65-88517-50-5 (versão impressa); ISBN 978-65-88517-52-9 (versão eletrônica). Disponível em: https://www.inca.gov.br. Acesso em: 16 jul. 2026.
[8a] INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (Brasil). Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil. Errata. Rio de Janeiro: INCA, 2026. Corrige a página de créditos (tiragem), as páginas 36 e 39, as Tabelas 2 e 3 (páginas 64-69), a Tabela 42 (página 108), a Tabela 44 (página 110), a Tabela 56 (página 122), a Tabela 59 (página 125), a Figura 57, a Tabela 61 (página 127), a Figura 59 e as referências da página 155. Não corrige nenhum dado relativo ao câncer de próstata. Disponível em: https://www.inca.gov.br. Acesso em: 16 jul. 2026.
[9] MERRIEL, Samuel W. D.; POCOCK, Lucy; GILBERT, Emma; CREAVIN, Sam; WALTER, Fiona M.; SPENCER, Anne; HAMILTON, Willie. Systematic review and meta-analysis of the diagnostic accuracy of prostate-specific antigen (PSA) for the detection of prostate cancer in symptomatic patients. BMC Medicine, v. 20, n. 54, 2022. DOI: 10.1186/s12916-021-02230-y. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8819971/. Acesso em: 16 jul. 2026.
[10] CAMPINAS (SP). Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal de Saúde. Recomendação de exame de PSA: preparo do paciente masculino para coleta de exame de PSA (antígeno prostático). FO884/NOV/10-SMS. Campinas: SMS. Protocolo institucional local. Disponível em: https://saude.campinas.sp.gov.br. Acesso em: 16 jul. 2026.
[11] AMERICAN UROLOGICAL ASSOCIATION; SOCIETY OF UROLOGIC ONCOLOGY. Early Detection of Prostate Cancer: AUA/SUO Guideline (2023, emendada em 2026). Painel original: WEI, John T. et al., publicado em J Urol, v. 210, n. 1, p. 46-53, 2023 (DOI: 10.1097/JU.0000000000003491). Emenda de 2026: LIN, Daniel W.; CARLSSON, Sigrid; FILSON, Christopher P.; KONETY, Badrinath R.; PURYSKO, Andrei S. (J Urol, DOI: 10.1097/JU.0000000000004995). As recomendações de idade de início e periodicidade citadas neste artigo constam de ambas as versões. Disponível em: https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/early-detection-of-prostate-cancer-guideline. Acesso em: 16 jul. 2026.
[12] THOMPSON, Ian M.; ANKERST, Donna Pauler; CHI, Chen; et al. Operating Characteristics of Prostate-Specific Antigen in Men With an Initial PSA Level of 3.0 ng/mL or Lower. JAMA, v. 294, n. 1, p. 66-70, 2005. DOI: 10.1001/jama.294.1.66. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/201171. Acesso em: 16 jul. 2026.
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