Nefrolitíase no Adulto

CID-10: N20 Calculose do rim e do ureter

CID-10: N21 Calculose do trato urinário inferior

CID-10: N23 Cólica nefrética não especificada

Introdução

A nefrolitíase é uma das condições clínico-cirúrgicas mais frequentes, caracterizada pelo surgimento de estruturas sólidas cristalinas no interior do sistema urinário [1]. Forma-se por supersaturação urinária, decorrente de redução do volume urinário ou de aumento da excreção de componentes litogênicos (cálcio, oxalato, ácido úrico, cistina, xantina e fosfato), podendo também resultar de citratúria baixa ou de acidez urinária excessiva [3].

  • Prevalência de 10% a 15% da população, com aumento global progressivo [1]

  • Frequência maior em homens, na proporção de 2 a 3:1; pico entre a terceira e a quinta décadas [1]

  • Recorrência sem tratamento de até 50% em 10 anos [1][3]

    • Rule et al.: 11%, 20%, 31% e 39% após 2, 5, 10 e 15 anos [1]

  • Composição: 75% a 85% cálcio (oxalato ou fosfato), 8% a 10% ácido úrico, 7% a 8% estruvita, 1% a 2% cistina [3]

  • Associa-se a doença cardiovascular, diabetes mellitus, obesidade e doença renal crônica [1]

  • Causas monogênicas estão presentes em até 30% das crianças e 10% dos adultos, com mais de 35 genes implicados [1]

  • A prevenção é a melhor maneira de evitar novos cálculos, dada a alta taxa de recorrência [1]

Os graus de recomendação (A a D) e níveis de evidência (1 a 4) citados ao longo do texto seguem o sistema de Oxford de 2011, adotado pela diretriz brasileira [1].

  • Grau A: estudos randomizados controlados de alta qualidade

  • Grau B: estudos observacionais bem conduzidos e ensaios randomizados de baixa qualidade

  • Grau C: estudos de caso-controle e séries de casos

  • Grau D: opinião de especialistas

  • Os níveis de evidência seguem a mesma lógica, de metanálises e ensaios randomizados bem conduzidos (1) a opinião de especialistas (4)

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Fisiopatologia

A maioria dos cálculos inicia-se como placa de Randall, na papila, junto à junção do túbulo coletor com a pelve renal. A placa cresce no suburotélio até romper o urotélio e, exposta à urina, serve de nicho ancorado sobre o qual se depositam camadas de oxalato de cálcio. Todas as placas de Randall são compostas por fosfato de cálcio [3].

  • A dor decorre do espasmo da musculatura lisa ureteral com edema e inflamação da obstrução, somados ao aumento da peristalse e da pressão proximal ao cálculo [1]

    • Contribuem a dilatação do ureter e o estiramento da cápsula renal [3]

  • Os 4 distúrbios químicos mais comuns são hipercalciúria, hiperoxalúria, hiperuricosúria e hipocitratúria [3]

  • As causas mais comuns são hidratação inadequada e baixo volume urinário [3]

  • Inibidores naturais da formação: citrato, glicosaminoglicanos, nefrocalcina, proteína de Tamm-Horsfall, uropontina e água [3]

Tipos de cálculo

  • O tipo define o tratamento preventivo e a modalidade cirúrgica, por isso a análise do cálculo é determinante.

    • Oxalato de cálcio: 70% a 75% do total [3]

      • Formam-se em urina ácida (pH abaixo de 7,2), podendo ter fosfato de cálcio como nicho central

      • Mono-hidratado (whewellita): muito duros, lisos, castanho-escuros

      • Di-hidratado (weddellita): quebradiços, com bordas afiadas, amarelos a castanho-claros

      • Causas: hiperparatireoidismo, vazamento renal de cálcio, hipercalciúria absortiva ou idiopática, hiperoxalúria, hipomagnesemia, hipocitratúria

    • Fosfato de cálcio: cerca de 10% [3]

      • Carbonato-apatita (hidroxiapatita) ou brushita (hidrogenofosfato de cálcio di-hidratado) [1][3]

      • Formam-se em urina alcalina; crescem mais rápido e atingem maior tamanho

      • Associam-se a hiperparatireoidismo e acidose tubular renal

    • Ácido úrico: 8% a 10%, com incidência crescente [3]

      • Formam-se apenas em urina ácida, geralmente pH menor que 5,5; radiotransparentes

      • A causa primária é a urina ácida, e não a hiperuricosúria

      • Associação estreita com diabetes, obesidade mórbida e síndrome metabólica

      • São os únicos dissolvíveis apenas com alcalinização

    • Estruvita (fosfato triplo): 7% a 8% [3]

      • Sempre associados a infecção por bactérias produtoras de urease, que elevam o pH e geram amônia

      • Organismos comuns: Pseudomonas, Proteus e Klebsiella; E. coli não produz urease

      • Formam frequentemente cálculos coraliformes

      • O tratamento exige eliminação completa de todo o material do cálculo

    • Cistina: 1% a 2%, por defeito genético recessivo [3]

      • Não são calcificados, mas resistem à litotripsia por ondas de choque; preferir laser

    • Maior probabilidade de recorrência: ácido úrico e cistina [3]

    • Maior resistência à fragmentação: brushita, oxalato de cálcio mono-hidratado e cistina [1]

      • Incoerência da fonte: a diretriz grafa a brushita como "fosfato dihidratado de cálcio" no corpo do texto e como "fosfato de cálcio" na recomendação sobre avaliação metabólica [1]

Fatores de risco

  • Clínicos [3]

    • História familiar: aumenta o risco em 2,5 vezes

    • Cálculo prévio: aumenta o risco em 15% no primeiro ano e cerca de 50% em 10 anos

    • Diabetes, hipertensão, gota, síndrome metabólica, obesidade, sexo masculino

    • Baixo volume urinário

    • pH urinário ≤ 5 (diarreia crônica, gota, acidose metabólica): cálculo de ácido úrico

    • Disabsorção e bypass gástrico: hiperoxalúria

    • Infecção por bactérias produtoras de urease: estruvita

    • Rim único, nefropatia obstrutiva, acidose tubular renal, hiperparatireoidismo, sarcoidose, doença gastrointestinal, distúrbios ósseos

  • Dietéticos [3]

    • Sal em excesso: hipercalciúria

    • Proteína animal em excesso: hiperuricosúria, hipocitratúria, hipercalciúria e pH baixo

    • Alimentos ricos em oxalato: hiperoxalúria

    • Cálcio dietético muito baixo: aumenta a absorção de oxalato

    • Vitamina C acima de 1.000 mg/dia: aumenta a oxalúria

    • Refrigerante açucarado diário: aumenta a formação de cálculos em 22% a 33%

  • Medicamentos: atazanavir, indinavir, guaifenesina, sulfonamida, triantereno, silicato em excesso [3]

  • Fatores de risco para recorrência, úteis no nomograma de ROKS [1]

    • Idade jovem, sexo masculino, etnia branca, história familiar

    • Cálculos prévios assintomáticos ou não obstrutivos

    • Cálculo pélvico sintomático ou de polo inferior

    • Hematúria macroscópica e composição de ácido úrico

    • O nomograma não foi validado em brasileiros

  • Doenças hereditárias a considerar em início precoce: hiperoxalúria primária, cistinúria, síndrome de Bartter, doença de Dent, acidose tubular distal, FHHNC, xantinúria, Lesch-Nyhan, deficiência de adenina fosforribosiltransferase [3]

Quadro clínico

A apresentação característica é a cólica ureteral: dor súbita, intensa e unilateral, em ondas ou paroxismos de 20 a 60 minutos. A gravidade relaciona-se mais à velocidade de instalação da obstrução do que à sua intensidade. Pode também ser assintomática, achado incidental de imagem, ou causar apenas dor vaga nos flancos [1].

  • Dor [1]

    • Lombar, em flanco ou fossa ilíaca, irradiando para trajeto ureteral, bexiga e genitália externa

    • Não alivia com repouso ou mudança de posição

    • Pico em 90 a 120 minutos; irradiação nos dermátomos T10 a S4 [3]

  • Sintomas associados [1]

    • Disúria e hematúria macroscópica

    • Anorexia (54%), vômitos (51%), náuseas (44%), constipação ou diarreia (10%)

  • Hematúria

    • Micro ou macroscópica, não glomerular (isomórfica) [1]

    • Ausente em 10% a 30% dos casos; a ausência não exclui o diagnóstico [1]

    • A sensibilidade cai com o tempo desde o início da dor: presente em 95% no dia 1 e em 65% a 68% nos dias 3 e 4 [1]

  • Exame físico [1]

    • Taquicardia, palidez, sudorese, distensão abdominal leve, sem irritação peritoneal

    • Sinal de Giordano: sensibilidade de 15%, especificidade de 99%, razão de verossimilhança +30

    • Febre é rara sem infecção; febre com piúria e leucocitose sugere pielonefrite ou pionefrose [3]

  • Outras apresentações [1]

    • Eliminação espontânea sem dor

    • Infecções urinárias de repetição, sobretudo por Proteus

    • Dor lombar com febre, calafrios e sepse: pielonefrite obstrutiva calculosa, de elevada morbimortalidade

  • STONE score: auxilia quando há incerteza diagnóstica e necessidade de tratamento imediato (Grau B; Nível 2) [1]

    • Variáveis: sexo, raça, duração da dor, náuseas e/ou vômitos e hematúria

  • Dor abdominal de início recente (até 12 horas) com dor lombar ou ureteral e hematúria é sugestiva de cólica renal aguda (Grau B; Nível 2) [1].

⚠️ Sinais de alerta:

  • Indicam TC não contrastada imediata e avaliação de complicação [1].

    • Primeiro episódio acima de 50 anos

    • Febre

    • Alterações hemodinâmicas

    • Rim único

    • Disfunção renal

    • Quadro atípico

Diagnóstico diferencial

  • Obrigatório afastar causas graves de abdome agudo antes de assumir cólica renal [1].

    • Vascular: ruptura ou dissecção de aneurisma de aorta, trombose ou infarto renal, hematoma retroperitoneal

    • Abdominal: apendicite, diverticulite, colecistite, obstrução intestinal

    • Ginecológico e urológico: torção ovariana ou testicular, gestação ectópica, doença inflamatória pélvica [1][3]

    • Torácico: embolia pulmonar, pneumonia

    • Neoplasia renal ou ovariana

    • Outros: pielonefrite, glomerulonefrite, costocondrite, hérnia [3]

Investigação na cólica aguda

O alívio da dor não deve ser adiado para a realização de exames de imagem. A avaliação imediata por imagem é indicada em febre, rim único e diagnóstico duvidoso [1].

Fluxo

  • Dor lombar ou abdominal, anamnese e exame físico, controle da dor [1]

  • Avaliar sinais de alerta

  • Com sinais de alerta: TC não contrastada [1]

  • Sem sinais de alerta [1]

    • Gestante: ultrassonografia

    • Histórico de cálculo radiopaco: raio-X simples

    • Demais pacientes: TC ou ultrassonografia

    • Cálculo não confirmado com suspeita mantida: TC não contrastada

Imagem

  • TC não contrastada: padrão-ouro, preferencialmente em protocolo de baixa dose (Grau A; Nível 1) [1]

    • Visualiza quase todos os tipos de cálculo, mede tamanho e determina a repercussão obstrutiva

    • Precisão reduzida em obesos; considerar modulação da dose

    • Não usar contraste inicialmente: obscurece o cálculo e dificulta medir tamanho, número e formato [3]

    • Densidade em unidades Hounsfield (UH) estima a composição [1][3]

      • Escala crescente: ácido úrico, estruvita, cistina, oxalato de cálcio mono-hidratado, hidroxiapatita

      • Ácido úrico 200 a 400 UH; oxalato de cálcio 600 a 1.200 UH

      • Acima de 1.000 UH: difícil fragmentação à litotripsia extracorpórea

    • TC de dupla energia é superior para diferenciar ácido úrico de cálculos de cálcio [1]

  • Ultrassonografia com raio-X simples: modalidade inicial razoável para a cólica nefrética (Grau A; Nível 1) [1]

    • A US detecta todos os tipos de cálculo e avalia hidronefrose, e pode ser usada na gestação

    • Sensibilidade baixa para cálculo ureteral (45%), e depende do equipamento e do operador [1]

    • O Rx exige cálculo de ao menos 2 mm e sensibilidade inferior a 50% no ureter, mas 90% dos cálculos são radiopacos [1]

    • O Rx é mais útil no seguimento do crescimento intervalar do que na crise aguda [1]

    • Índice de resistividade à US [3]

      • Normal até 0,70; elevação unilateral ≥ 0,75 sugere obstrução

      • Quanto menor o índice, maior a chance de passagem espontânea

  • Ressonância magnética: apenas em situações especiais em gestantes e crianças [1]

    • Na gestação, é a segunda opção após a US, para definir o nível da obstrução

Laboratório

  • Urina tipo I em todo paciente com suspeita [3]

    • Nitrito, leucócitos e bactérias positivos sugerem infecção: colher urocultura e tratar agressivamente

    • Cristalúria pode sugerir o tipo de cálculo

  • Hemograma, PCR e creatinina (Grau C; Nível 4) [1]

    • Hemograma normal ou com leucocitose discreta, sem desvio à esquerda

    • Creatinina geralmente normal, exceto em rim único, obstrução bilateral, cálculo vesical grande ou uretral impactado

    • Idade acima de 54 anos e PCR acima de 5 vezes o valor de referência ajudam a decidir a prescrição de antibiótico

  • Coagulograma se houver perspectiva cirúrgica [3]

Cristalúria

A cristalúria isolada não firma o diagnóstico, mas sugere o tipo de cálculo que pode se formar e indica que estão presentes condições que permitem a formação [3].

  • Oxalato de cálcio: envelope, octaédricos, halteres, com "X" central; o tipo em cerca associa-se a etilenoglicol

  • Fosfato de cálcio: incolores, em placas, estrelas, agulhas ou rosetas; urina alcalina

  • Cistina: hexagonais, semelhantes a anéis benzênicos

  • Estruvita: formato de tampa de caixão, urina alcalina, sempre com infecção

  • Ácido úrico: romboidais, rosetas ou placas, urina com pH ≤ 5,5

Tratamento da cólica renal aguda

Manejo da Cólica Renal: o fluxograma organiza a abordagem do paciente com cólica renal desde o atendimento inicial até a definição de conduta ambulatorial, expectante ou urológica. O algoritmo parte da cólica renal e segue para o controle de dor, cuja conduta consiste em anti-inflamatórios, se não houver contraindicação, analgésicos e/ou opioides, se necessário, e antieméticos. Em seguida, avalia-se se há sinais de alerta ou se o paciente é de alto risco: consideram-se sinais de alerta a dor refratária, a intolerância à medicação ou hidratação por via oral e a febre; considera-se paciente de alto risco aquele com transplante renal, doença renal crônica, rim único ou anúria. Se a resposta for sim, deve-se coletar exames laboratoriais, incluindo hemograma, proteína C reativa, creatinina e urina tipo 1. A partir dessa coleta, dois caminhos são possíveis. Caso os exames revelem suspeita de infecção associada, risco de urosepse por pielonefrite obstrutiva, insuficiência renal aguda com obstrução, hidronefrose em rim único, obstrução bilateral ou dor refratária ao tratamento clínico, indica-se avaliação urológica urgente com desobstrução urinária, seguida de internação. Caso não haja sinais de alarme nos exames e a dor esteja controlada, segue-se para a avaliação de cálculo ureteral e/ou hidronefrose, que é estratificada por tamanho em três categorias: cálculo menor que 5 mm, para o qual a conduta é expectante; cálculo distal de 5 a 10 mm, para o qual se indica terapia expulsiva medicamentosa; e cálculo maior que 10 mm, para o qual se indica avaliação urológica eletiva. Se, na avaliação inicial, não houver sinais de alerta nem características de alto risco, há possibilidade de tratamento ambulatorial, com conduta expectante, analgesia domiciliar, orientações de seguimento e investigação ambulatorial. As abreviações utilizadas são PCR para proteína C reativa e VO para via oral. Fonte: Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da nefrolitíase. Sociedade Brasileira de Nefrologia, 2025.

Anti-inflamatórios não hormonais

  • São a primeira linha, na ausência de contraindicação (Grau A; Nível 1) [1].

  • Via parenteral:

    • Cetoprofeno (Profenid®) ampola de 100 mg, pó para solução injetável

      • 100 mg diluído em 100 mL de SF 0,9%, EV, infundir em 20 minutos [1]

      • 100 mg IM

      • Dose máxima: 300 mg/dia, o que limita a 3 aplicações

    • Cetorolaco (Toragesic®) solução injetável de 30 mg/mL

      • Abaixo de 65 anos: 30 mg (1 ampola) EV em bolus lento; máximo de 90 mg/dia

      • 65 anos ou mais: 15 mg (meia ampola) EV em bolus lento; máximo de 60 mg/dia

    • Diclofenaco ampola de 75 mg/3 mL

      • 75 mg IM

      • Dose máxima: 75 mg/dia, o que limita a 1 aplicação

  • Via oral:

    • Cetoprofeno (Profenid®) cápsulas de 50 mg, 100 mg ou 150 mg

      • 50 mg VO a cada 6h, ou 100 mg VO a cada 12h [1]

      • Dose máxima: 300 mg/dia

    • Cetorolaco (Toragesic®) comprimido sublingual de 10 mg

      • Ataque: 20 mg SL [1]

      • Manutenção: 10 mg a cada 4 a 6h, respeitando a dose máxima [1]

      • Dose máxima VO: 40 mg/dia, o que limita a 4 tomadas [1]

    • Diclofenaco comprimido de 50 mg

      • 50 mg VO a cada 8h

      • Dose máxima: 150 mg/dia

    • Ibuprofeno comprimido de 200 mg, 300 mg, 400 mg ou 600 mg

      • 1 comprimido VO a cada 6h

      • Dose máxima: 3,2 g/dia

  • Considerações

    • Contraindicação absoluta ou relativa a todos os AINH: insuficiência renal, doença péptica grave e gestação; nesses casos, considerar opioides [1]

    • Usar pelo menor tempo possível, geralmente de 3 a 10 dias

    • A diretriz também endossa a indometacina na cólica renal, sem trazer posologia [1]

    • Cetoprofeno:

      • Contraindicado em hipersensibilidade, úlcera péptica ativa, hemorragia gastrointestinal e 3º trimestre de gestação ou lactação; cautela em idosos, falência renal ou hepática e ICC [1]

      • Inconsistência da fonte: a Tabela 2 registra a apresentação oral como "Cáps. 500 a 1000 mg", incompatível com a posologia da mesma linha [1]

    • Cetorolaco:

      • Contraindicado em hipersensibilidade, úlcera péptica ativa, hemorragia cerebrovascular e 3º trimestre de gestação ou lactação; cautela em idosos, hipertensão e ICC [1]

      • Efeitos graves: hemorragia gastrointestinal, disfunção renal, anafilaxia, broncoespasmo e agranulocitose [1]

      • Erro da fonte: a Tabela 2 registra "360 mg IM", incompatível com o teto de 120 mg/dia declarado na mesma linha; a dose IM não é reproduzida aqui [1]

      • A diretriz declara teto de 120 mg/dia por via EV [1], acima do adotado acima

      • Inconsistência da fonte na via oral: 10 mg em 4 a 6 tomadas atingem 40 a 60 mg/dia, acima do teto de 40 mg/dia da mesma linha; o teto prevalece [1]

Analgésicos não opioides

  • Via parenteral:

    • Dipirona (Novalgina®) ampola de 1 g/2 mL

      • 1 g EV em bolus lento, ou IM, a cada 6h

      • Dose máxima: 4 g/dia

    • Dipirona + escopolamina ampola de 2,5 g + 20 mg/5 mL

      • 1 ampola EV em bolus lento a cada 12h

      • Dose máxima: 3 ampolas/dia

  • Via oral:

    • Dipirona (Novalgina®) comprimido de 500 mg ou 1 g

      • 500 mg a 1 g VO a cada 6h

      • Dose máxima: 4 g/dia

    • Dipirona + escopolamina comprimido de 250 mg + 10 mg

      • 1 a 2 comprimidos VO a cada 6h

    • Paracetamol (Tylenol®) comprimido de 500 mg ou 750 mg

      • 500 a 750 mg VO a cada 6h

      • Dose máxima: 4 g/dia

  • Considerações

    • Dipirona:

      • É a droga não opioide mais usada na cólica renal no Brasil, isolada ou associada à hioscina [1]

      • Contraindicada em hipersensibilidade; cautela em gestantes e lactantes, doença medular e deficiência de G6PD [1]

      • Efeitos graves: anafilaxia, hipotensão arterial e agranulocitose [1]

      • A diretriz não declara dose máxima, e seu regime literal (2 comprimidos 4x/dia) atinge 8 g/dia com comprimidos de 1 g, o dobro do teto adotado acima [1]

    • Paracetamol:

      • Contraindicado em hipersensibilidade; cautela na deficiência de G6PD e na doença hepática em atividade [1]

      • Hepatotoxicidade e alteração de transaminases [1]

Antiespasmódicos

  • Escopolamina (butilbrometo de escopolamina, Buscopan®) drágeas de 10 mg

    • 1 a 2 drágeas 4x/dia, respeitando a dose máxima [1]

    • Dose máxima VO: 60 mg/dia [1]

  • Escopolamina (butilbrometo de escopolamina, Buscopan®) ampola de 20 mg/mL (1 mL)

    • 1 a 2 ampolas (20 a 40 mg) EV, IM ou SC a cada 4 a 6h, respeitando a dose máxima [1][4]

    • Dose máxima EV: 100 mg/dia [1]

    • Dose máxima por via IM ou SC: não declarada na diretriz, que especifica o teto apenas para a via EV; conferir em bula [1]

  • Considerações

    • Efeito controverso e limitado, mesmo em associação a analgésicos [1]

    • Contraindicada em glaucoma, megacólon, íleo paralítico, hiperplasia prostática com retenção urinária, lesões estenóticas gastrointestinais, miastenia gravis, taquicardia por ICC e hipersensibilidade [1]

    • Efeitos anticolinérgicos: xerostomia, borramento visual e retenção urinária; confusão mental e alucinação em idosos e em doses elevadas [1]

    • Divergência de apresentação: a Tabela 2 registra ampola de 30 mg/mL [1], mas a apresentação disponível no Brasil é de 20 mg/mL, aqui adotada [4]

    • Inconsistência da fonte: 2 ampolas até 6x/dia excedem o teto de 100 mg/dia, e 2 drágeas 4x/dia atingem 80 mg/dia, acima do teto de 60 mg/dia; os tetos prevalecem e limitam o número de administrações [1]

Opioides

  • Reservados a quem tem contraindicação a AINH, e com uso minimizado (Grau A; Nível 1) [1].

  • Morfina (Dimorf®) comprimido de 10 mg

    • 5 a 30 mg VO a cada 4h [1]

  • Morfina (Dimorf®) ampola de 2 mg/2 mL ou 10 mg/mL

    • 2 mg diluído em 100 mL de SF 0,9%, EV lento; máximo de 60 mg/dia, ou

    • Diluir 1 ampola de 10 mg em 9 mL de SF 0,9% e aplicar alíquotas de 2 mL EV conforme a necessidade

    • IM ou SC (off-label): meia a 1 ampola de 10 mg/mL; máximo de 120 mg/dia

  • Tramadol (Tramal®) comprimido de 50 mg ou 100 mg

    • 50 a 100 mg VO a cada 12h

    • Dose máxima: 400 mg/dia

  • Tramadol (Tramal®) ampola de 50 mg/mL ou 100 mg/2 mL

    • 50 a 100 mg EV ou IM a cada 6h [1]

    • Diluir 1 mg/mL em SF ou SG, em infusão lenta por 30 a 60 minutos [1]

    • Por via SC: 50 mg

    • Dose máxima: 400 mg/dia [1]

  • Meperidina (Dolantina®) ampola de 50 mg/mL (2 mL)

    • 1 mg/kg IM (preferencialmente) a cada 4h [1]

    • Ataque: 25 a 50 mg EV, diluir em 10 mL de SF ou SG, lento; ou SC se necessário [1]

    • Dose máxima: 500 mg/dia [1]

  • Considerações

    • Contraindicações da classe, que a diretriz não discrimina por fármaco: hipersensibilidade, obstrução gastrointestinal incluindo íleo paralítico e uso de IMAO nos 14 dias antecedentes; cautela em idosos, depressão respiratória, alcoolismo e insuficiência hepática ou renal [1]

    • Efeitos da classe que mudam a conduta: depressão respiratória, hipotensão, náuseas e vômitos, constipação, retenção urinária e crise convulsiva [1]

    • Associar antiemético

    • Morfina:

      • Vigiar hipotensão e dessaturação

      • Erro da fonte: a Tabela 2 registra 1 mg/kg IM ou EV a cada 4h, incompatível com a ampola citada na mesma linha (1 mg/mL com 2 mL contém 2 mg no total) e com risco de depressão respiratória grave; não é reproduzido aqui [1]

      • A faixa oral não é estratificada por tolerância prévia a opioides [1]

    • Tramadol:

      • Menor risco de depressão respiratória que os demais opioides, porém com menor efeito analgésico [1]

    • Meperidina:

      • Induz vômitos frequentes, e sua ação pode se prolongar ou ser potencializada na insuficiência renal [1]

Antieméticos

  • Bromoprida ampola de 10 mg/2 mL

    • 10 mg diluído em 100 mL de SF 0,9%, EV a cada 8h; máximo de 30 mg/dia

    • Pode ser aplicada junto à solução de tramadol

  • Ondansetrona ampola de 4 mg/2 mL ou 8 mg/4 mL

    • 4 mg EV em bolus a cada 8h, ou 8 mg EV em bolus a cada 12h

    • Dose máxima: 48 mg/dia

  • Considerações

    • Indicados na conduta inicial da cólica renal e habitualmente associados ao opioide [1]

Hidratação

  • A hidratação intravenosa com o único propósito de forçar a passagem do cálculo deve ser evitada (Grau B; Nível 1) [1]

  • Reidratar apenas se hipovolemia, náuseas e vômitos significativos ou suspeita de lesão renal aguda pré-renal [1]

Terapia médica expulsiva (TEM)

Indicada em cálculo ureteral distal de 5 a 10 mm, discutindo vantagens e desvantagens com o paciente em decisão compartilhada (Grau A; Nível 1) [1]. O papel da TEM é controverso, e a passagem forçada de cálculos não é respaldada pela literatura [1].

  • Probabilidade de eliminação espontânea [1]

    • Menores que 5 mm: até 80%, chegando a 90% com terapia expulsiva [3]

    • Maiores que 7 mm: cerca de 25% em ureter proximal, 45% em médio e 70% em distal

  • Tansulosina (Secotex®) comprimido 0,4 mg

    • 0,4 mg VO 1x/dia, por 4 semanas.

    • Considerações

      • Facilita a passagem espontânea de cálculos ureterais, sobretudo distais e menores que 1 cm [1]

      • Usada também após litotripsia extracorpórea, para acelerar a eliminação de fragmentos [1]

      • Efeitos colaterais: tontura, hipotensão ortostática (principalmente na primeira dose), distúrbios da ejaculação, cefaleia, rinite [1]

      • Contraindicações absolutas: hipersensibilidade e uso concomitante com inibidor forte de CYP3A4, como o cetoconazol [1]

  • Citrato de potássio (Litocit®) comprimidos de liberação prolongada de 5, 10 e 15 mEq [1][5]

    • Indicada pós-litotripsia: 55 mEq/dia [1]

    • Ingerir após as refeições, para minimizar a intolerância gástrica [1]

    • Disponível também em farmácias de manipulação [1]

    • Considerações

      • Usado em alguns protocolos como adjuvante após litotripsia extracorpórea, para acelerar a eliminação de fragmentos [1]

      • Limitante principal: intolerância gástrica e refluxo gastroesofágico [1]

      • Atenção na doença renal crônica, pelo risco de hipercalemia ou alcalose metabólica [1]

  • Outras opções

    • São citados alfuzosina, nifedipino, silodosina e mirabegrona, esta com eficácia similar à tansulosina [3]

    • A desmopressina pode reduzir a dor da cólica renal [3]

Intervenção urgente e internação

  • 🚨 Exigem intervenção urgente [3]

    • Cálculo obstrutivo com infecção, febre ou sepse (pionefrose ou pielonefrite obstrutiva): descompressão cirúrgica urgente

    • Cálculo obstrutivo em rim único

    • Obstrução bilateral simultânea, de qualquer grau

    • Obstrução com creatinina em elevação

    • Dor ou náuseas não controladas em manejo ambulatorial

  • Obstrução infectada [3]

    • Aliviar a obstrução primeiro, com cateter duplo J ou nefrostomia

    • Quanto mais grave o quadro, maior o benefício da nefrostomia, ao menos inicialmente

    • Preferir cateter duplo J em obesidade mórbida e quando não se pode suspender anticoagulante

    • Tratar o cálculo em definitivo apenas com a infecção inativa

    • A pionefrose progride rapidamente para urossepse, choque e morte sem drenagem

  • Internação [3]

    • Dor não controlada com analgésico oral

    • Pielonefrite obstruída (pionefrose) ou cálculo renal com pielonefrite ou sepse

    • Rim transplantado com cálculo

    • Náuseas e vômitos intratáveis

  • Qualquer indício de infecção urinária deve ser tratado agressivamente com antibiótico, sobretudo no diabético [3]

Tratamento cirúrgico e dissolução

Tratamento cirúrgico

  • Litotripsia extracorpórea (LECO) [3]

    • Usada primariamente no rim e no ureter superior; menos invasiva, mas pode exigir repetição

    • Não preferencial acima de 2,5 cm, nem em cálculo de cistina

    • Cateter duplo J se carga litiásica maior que 10 mm, para evitar steinstrasse

    • Múltiplos tratamentos não parecem afetar a função renal de forma permanente

  • Ureteroscopia com laser: preferencial para cálculo ureteral, sobretudo distal [3]

  • Nefrolitotomia percutânea: preferencial para cálculo maior que 2,5 cm na pelve renal [3]

  • Combinações: ureteroscopia com cirurgia percutânea em casos complexos; pielolitotomia laparoscópica robô-assistida em casos selecionados, como rim em ferradura [3]

Terapia de dissolução

  • Não funciona para cálculo de cálcio [3]

  • Ácido úrico: dissolve apenas com alcalinização consistente, por citrato de potássio ou bicarbonato de sódio [3]

    • Preferir o citrato de potássio, pela menor carga de sódio

    • Associar alopurinol para reduzir a excreção de ácido úrico

  • Cistina: não dissolve só com álcali [3]

    • Exige pH ≥ 7,5, tiopronina e hidratação vigorosa

  • Estruvita: ácido acetohidroxâmico, inibidor irreversível da urease [3]

    • Efeitos adversos graves, incluindo anemia hemolítica; contraindicado na falência renal

    • Adjuvante à cirurgia, e sem diferença significativa versus placebo na recorrência [2]

    • A irrigação com hemiacidrina (Renacidin) é reservada a casos muito selecionados, pois o uso inadequado pode ser letal [3]

Investigação metabólica

Quem investigar

Devem ser submetidos a avaliação metabólica completa e individualizada (Grau B; Nível 2) [1]:

  • Formadores recorrentes, bilaterais ou múltiplos

  • Formadores de cálculo único de alto risco

  • Portadores de rim único

  • Metabolicamente ativos (novo cálculo, crescimento em imagem seriada ou evento clínico no seguimento)

  • Pacientes com múltiplos fatores de risco

    • Início precoce, história familiar, recorrência elevada, cálculo de brushita, ácido úrico ou de infecção (estruvita)

Definições úteis [1]:

  • Formador único: episódio único e solitário, sintomático ou não

  • Nefrolitíase recorrente: 2 ou mais episódios, sincrônicos ou em momentos distintos

  • Ocasionalmente recorrente: recorrência com intervalo superior a 5 anos, de risco intermediário

  • Formador metabolicamente ativo: nova formação de cálculo, crescimento em imagem seriada ou evento clínico relacionado à nefrolitíase no seguimento

  • Formador metabolicamente inativo: sem atividade aparente de cálculo em exames de imagem e no seguimento clínico

Divergência entre fontes: o ACP considera a evidência insuficiente para concluir que avaliar ou monitorar composição do cálculo e bioquímica reduza a recorrência [2]. A conduta acima segue a diretriz brasileira, fonte principal deste texto.

O que solicitar

A avaliação deve abranger sangue, urina de amostra isolada e urina de 24 horas (Grau B; Nível 2) [1].

  • Sangue, no mínimo: creatinina, Na, K, ácido úrico, HCO₃, cálcio total com albumina ou cálcio ionizável, e PTH [1]

  • Urina de amostra isolada: sedimento urinário e pH de jejum [1]

  • Urina de 24 horas, no mínimo: volume, creatinina, Ca, Na, K, oxalato, citrato, ácido úrico e pH [1]

    • O teste qualitativo de cistina pode indicar a determinação quantitativa a posteriori

Pontos que mudam a conduta [1]:

  • Cálcio e PTH devem ser sempre avaliados em conjunto: a causa mais comum de hipercalcemia é o hiperparatireoidismo primário, e o HPTP é uma das causas mais comuns de nefrocalcinose no adulto

  • Na suspeita de ATR distal, a gasometria deve ser colhida no mesmo dia do pH urinário de 12 horas de jejum (segunda micção)

    • Com HCO₃ normal, complementar com prova de sobrecarga de NH₄Cl para as formas incompletas

  • Oxalato sérico apenas se nefrolitíase recorrente ou nefrocalcinose de início precoce com TFGe < 30 mL/min/1,73 m², situação em que o oxalato urinário pode não se elevar

  • Ácido úrico urinário só tem valor interpretado junto ao pH urinário de 24 horas

  • Hipocalemia: calcular o TTKG, que diferencia perda renal (> 4) de origem gastrintestinal (< 2)

  • Estados fosfatúricos: calcular a fração de excreção de fósforo (FEP) em amostra isolada, com creatinina na mesma amostra

Coleta da urina de 24 horas

  • Ao menos duas amostras, em 2 dias não consecutivos, sob dieta habitual (Grau B; Nível 2) [1]

  • Pelo menos 3 a 8 semanas após a última eliminação de cálculo, espontânea ou cirúrgica, e sem cateter duplo J [1]

  • Trato urinário desobstruído e sem infecção em curso terapêutico, comprovado por urocultura [1]

  • Todos os analitos podem ser dosados na mesma amostra, sem conservantes no recipiente [1]

    • Os conservantes podem ser adicionados depois, no laboratório

    • Timol ou ácido bórico evitam contaminação e interferência sobre a dosagem de citrato

Seguimento

  • Nova urina de 24 horas em 3 a 6 meses, para avaliar resposta e eventos adversos [1]

  • Depois, anual, para avaliar eficácia e adesão [1]

  • Reavaliação radiológica em 1 a 2 anos [1]

  • Não há evidência de que normalizar os testes preveja redução da recorrência; individualizar conforme a etiologia [1]

  • Divergência interna da fonte: o fluxo da diretriz inclui exames de imagem no bloco inicial de investigação, ao lado de sangue e urina, enquanto a recomendação formal lista apenas os três pilares laboratoriais [1]

Parâmetros séricos em adultos [1]

  • Os valores de referência são apenas uma sugestão, pois variam entre laboratórios e populações [1].

Avaliação Laboratorial Sérica na Nefrolitíase: a tabela reúne os parâmetros laboratoriais séricos da investigação da nefrolitíase, apresentando para cada exame o valor de referência e a relevância clínica correspondente. A creatinina tem valores de referência de 0,6 a 1,0 mg/dL no sexo feminino e de 0,8 a 1,2 mg/dL no sexo masculino, sendo utilizada para o cálculo da taxa de filtração glomerular estimada. O sódio, com referência de 135 a 145 mEq/L, serve para descartar hiponatremia. O potássio, de 3,0 a 5,0 mEq/L, tem como relevância a hipocalemia, que deve motivar a checagem de acidose tubular renal e tubulopatias. O cálcio apresenta referência de 8,6 a 10,2 mg/dL na forma total e de 1,12 a 1,32 mmol/L na forma ionizada; quando elevado, sugere hiperparatireoidismo primário, devendo ser avaliado em conjunto com o paratormônio, e quando reduzido, sugere hipoparatireoidismo. O ácido úrico tem valor de referência inferior a 4,6 mg/dL; elevado, associa-se a gota e síndrome metabólica, e reduzido, a xantinúria. O cloro, de 98 a 112 mmol/L, é utilizado para o cálculo do ânion gap. O fósforo, com referência de 3,0 a 4,5 mg/dL, quando reduzido sugere tubulopatia perdedora de fosfato ou hiperparatireoidismo primário, e quando elevado sugere doença renal crônica ou hipoparatireoidismo. O magnésio, de 1,6 a 2,6 mg/dL, relaciona-se às tubulopatias, incluindo síndrome de Bartter e hipomagnesemia familiar com hipercalciúria e nefrocalcinose. O oxalato tem referência inferior a 20,0 a 26,6 µmol/L e é relevante nos casos de nefrocalcinose ou nefrolitíase recorrente com taxa de filtração glomerular estimada abaixo de 30 mL/min/1,73 m². A gasometria venosa apresenta pH de 7,35 a 7,45, pressão parcial de oxigênio de 30 a 50 mmHg, pressão parcial de gás carbônico de 35 a 45 mmHg, bicarbonato de 22 a 26 mmol/L e excesso de base de ± 2 mmol/L, sendo o bicarbonato utilizado para identificar acidose, no contexto de acidose tubular renal, ou alcalose, na síndrome de Bartter. O paratormônio tem referência de 20 a 66 pg/mL entre 40 e 49 anos, de 21 a 71 pg/mL entre 50 e 59 anos e de 22 a 84 pg/mL acima de 59 anos; elevado, sugere hiperparatireoidismo primário, devendo ser avaliado em conjunto com o cálcio, e reduzido, sugere hipoparatireoidismo. A 25-hidroxivitamina D₃ tem referência superior a 20 ng/mL na população sadia e superior a 30 ng/mL em pacientes com risco de perda óssea, sendo relevante para identificar hipovitaminose D e perda de densidade óssea. As abreviações utilizadas são 25(OH)D₃ para 25-hidroxivitamina D₃, ATR para acidose tubular renal, BE para excesso de base, DRC para doença renal crônica, F para feminino, FHHNC para hipomagnesemia familiar com hipercalciúria e nefrocalcinose, HCO₃ para bicarbonato, HPTP para hiperparatireoidismo primário, M para masculino, PTH para paratormônio e TFGe para taxa de filtração glomerular estimada. Consta ainda a nota de que a fonte original imprime o excesso de base como "+2 mmol/L", omitindo o limite inferior, e que a faixa foi grafada como ± 2 mmol/L. Fonte: Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da nefrolitíase. Sociedade Brasileira de Nefrologia, 2025.

Parâmetros urinários em adultos, urina de 24 horas [1]

  • Decisões terapêuticas podem ser tomadas a partir do nível de atenção e são recomendadas a partir do nível de ação, considerando o risco de recorrência individual [1].

Parâmetros Laboratoriais Urinários em Adultos: a tabela apresenta os analitos avaliados na urina de 24 horas na investigação da nefrolitíase, com valor de referência, nível de atenção, nível de ação e relevância clínica de cada um. O volume urinário tem referência acima de 2,0 a 2,5 L/d, correspondendo a 25 a 30 mL/kg/d, com nível de atenção abaixo de 1,5 L/d e nível de ação abaixo de 1 L/d, refletindo a adequação da ingestão líquida. A creatinina urinária em adultos com menos de 50 anos varia de 14 a 20 mg/kg/d no sexo feminino e de 20 a 25 mg/kg/d no masculino, sem níveis de atenção ou ação definidos, servindo para verificar a adequação da coleta de 24 horas. O cálcio tem referência abaixo de 150 mg/d, variando com a dieta, nível de atenção de 150 a 200 mg/d e nível de ação acima de 250 mg/d no sexo feminino, acima de 300 mg/d no masculino ou acima de 4 mg/kg/d em ambos os sexos, lembrando que o risco de litíase é contínuo com a calciúria. O ácido úrico tem referência de 250 a 750 mg/d, sem nível de atenção definido, e nível de ação acima de 750 mg/d no sexo feminino e acima de 800 mg/d no masculino, devendo ser avaliado junto com o pH urinário. O oxalato tem referência abaixo de 45 mg/d em pacientes com taxa de filtração glomerular estimada acima de 60 mL/min/1,73 m², nível de atenção de 4 a 31 mg/d no sexo feminino e de 7 a 44 mg/d no masculino, e nível de ação acima de 40 mg/d no sexo feminino e acima de 45 mg/d no masculino; valores acima de 90 mg/d, equivalentes a 1,0 mmol/d, sugerem hiperoxalúria primária. O citrato tem referência acima de 320 mg/d, nível de atenção de 320 a 450 mg/d e nível de ação abaixo de 320 mg/d, indicando hipocitratúria ou acidose tubular renal distal. O sódio tem referência de 50 a 100 mEq/d, nível de atenção de 100 a 150 mEq/d e nível de ação de 150 mEq/d, refletindo a adequação da ingestão de sal. O pH é avaliado em duas modalidades: na urina de 24 horas não há valor de referência e o nível de atenção varia com a dieta, com nível de ação de pH abaixo de 5,5, que levanta a hipótese de litíase úrica, ou acima de 7,0, que levanta a hipótese de fosfato de cálcio ou estruvita; na urina pós-jejum de 12 horas, correspondente à segunda micção em amostra isolada, a referência é pH abaixo de 5,8, com nível de ação de pH acima de 5,8 na amostra isolada e acima de 6,2 na urina de 24 horas, situação em que se deve excluir acidose tubular renal, devendo ser avaliado em conjunto com o bicarbonato plasmático. O fósforo tem referência de 400 a 1.300 mg/d, com nível de atenção que varia com a dieta e sem nível de ação definido, sendo a fração de excreção de fosfato e o transporte tubular máximo de fosfato melhor avaliados na urina de amostra isolada. O potássio tem referência de 20 a 100 mEq/d, com nível de atenção que varia com a dieta e sem nível de ação definido, relacionando-se ao gradiente transtubular de potássio. A ureia tem referência de 15 a 40 g/d, sem níveis de atenção ou ação, refletindo a adequação da ingestão proteica. O magnésio tem referência de 1,3 a 1,7 mg/kg/d, sem níveis de atenção ou ação, com baixa evidência associada. O cloro tem referência de 110 a 250 mEq/d, sem níveis de atenção ou ação, sendo utilizado no cálculo do ânion gap urinário. A cistina tem referência de 6,7 a 27,6 mg/d, correspondendo a 28 a 115 µmol/d, com nível de atenção acima de 0,8 mmol/d e sem nível de ação definido, sendo relevante para o diagnóstico de cistinúria. A amônia tem referência abaixo de 50 mmol/d e o sulfato, de 20 a 80 mmol/d, ambos sem níveis de atenção ou ação definidos e considerados pouco disponíveis na prática. As abreviações utilizadas são ATR para acidose tubular renal, F para feminino, FEP% para fração de excreção de fosfato, HCO₃ para bicarbonato, M para masculino, TFGe para taxa de filtração glomerular estimada, TmP para transporte tubular máximo de fosfato e TTKG para gradiente transtubular de potássio. Fonte: Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da nefrolitíase. Sociedade Brasileira de Nefrologia, 2025.

Fórmulas citadas na tabela [1]:

  • TTKG = [K(urina) × Osm(sérica)] / [K(sérico) × Osm(urina)]

    • A fonte imprime a fórmula sem os parênteses do denominador, o que altera o resultado se lida literalmente

  • FEP = [P(urina) × creatinina(sérica)] / [P(sérico) × creatinina(urinária)] × 100

  • Reabsorção tubular de fósforo: a fonte imprime [1 − FEP] × 100; como a fórmula da FEP já multiplica por 100, a expressão coerente é RTP(%) = 100 − FEP(%)

Análise do cálculo

Todo cálculo eliminado deve ser recuperado e analisado: a composição orienta a prevenção e a escolha do tratamento [1].

  • Orientar o paciente a filtrar a urina nos primeiros dias após a crise e guardar o material em recipiente seco e limpo [1]

  • Encaminhar para análise morfológica associada a método físico ou cristalográfico, idealmente espectroscopia infravermelha ou difração de raios-X, que são o padrão-ouro (Grau C; Nível 3) [1]

    • Inconvenientes no Brasil: pouca disponibilidade, alto custo e ausência no rol do SUS e dos planos de saúde

  • A análise química é a mais usada no Brasil, mas é considerada obsoleta: identifica íons e radicais isolados, sem quantificar ou diferenciar componentes [1]

    • Divergência entre fontes: o StatPearls orienta enviar sempre para análise química [3]; prevalece aqui a posição da diretriz brasileira [1]

  • Repetir a análise se houver recorrência apesar do tratamento, recorrência precoce após remoção completa ou recorrência tardia (Grau C; Nível 3) [1]

    • A composição muda em até 21% dos casos

Distúrbio mineral ósseo

Pacientes litiásicos, sobretudo hipercalciúricos, devem ser avaliados por densitometria óssea, pois apresentam maior risco de doença metabólica óssea e de fraturas (Grau B; Nível 2) [1].

  • Investigar condições subjacentes que se associam a distúrbio mineral ósseo (Grau C; Nível 3) [1]

    • Hipercalciúria idiopática

    • Acidose tubular renal distal, completa ou incompleta

    • Nefrocalcinose ou rim espongiomedular

    • Hiperparatireoidismo primário

    • Síndromes de má absorção ou cirurgia bariátrica

    • Tubulopatias e doenças monogênicas

  • Critérios [1]

    • Osteoporose em mulheres na pós-menopausa e homens com 50 ou mais anos: escore T ≤ -2,5 em coluna lombar, colo de fêmur ou fêmur total

    • Em mulheres pré-menopausa, crianças e homens abaixo de 50 anos, usar o escore Z: ≤ -2,0 define baixa massa óssea para a idade

    • O termo "osteopenia" foi abandonado pela OMS; usar "baixa massa óssea", que não indica necessariamente maior risco de fratura

  • Estabilizam a perda óssea: adequação de proteína, sódio e cálcio na dieta, reposição de vitamina D e as próprias terapias antilitiásicas (tiazídicos, citrato ou álcalis) [1]

Seguimento radiológico

Recomenda-se acompanhamento por imagem para confirmar a passagem do cálculo, com Rx simples de abdome e ultrassonografia, conforme as características do cálculo (Grau B; Nível 2) [1]. A TC deve ser reservada a pacientes sintomáticos ou à avaliação pré-operatória, para minimizar a exposição à radiação (Grau C; Nível 3) [1].

  • A resolução dos sintomas e o relato do paciente sobre a eliminação do cálculo não são confirmatórios (Grau D; Nível 4) [1]

  • Livre de cálculos após intervenção, isto é, sem fragmentos em imagem pós-operatória [1]

    • Radiopacos: seguimento por 2 anos (margem de segurança de 80%)

    • Radiotransparentes: seguimento por 3 anos (margem de 80%)

    • Para margem de 90%: 5 anos, se não houve recorrência

  • Fragmentos residuais [1]

    • Menores que 4 mm: seguimento por 4 anos, ou intervenção

    • Maiores que 4 mm: oferecer nova intervenção urológica definitiva, cuja taxa de sucesso é alta

  • Alto risco metabólico, isto é, com anormalidade bioquímica identificada ou cálculo de estruvita ou cistina [1]

    • Em tratamento medicamentoso: 4 anos, se doença estável

    • Sem tratamento medicamentoso: 3 anos

  • Divergências internas da fonte: para cálculos radiotransparentes, a figura da diretriz indica 2 anos, e o texto, 3 anos; para alto risco sem tratamento, a figura indica considerar 10 anos, e o texto, 3 anos [1]

Prevenção da recorrência

Recomendação Nutricional na Nefrolitíase: a tabela organiza as recomendações dietéticas na nefrolitíase conforme o fator de risco ou distúrbio identificado, apresentando para cada condição a orientação nutricional correspondente e o grau de recomendação. Na obesidade, recomenda-se adequação do índice de massa corporal (grau A), redução calórica balanceada e proteína de 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia, evitando dietas hiperproteicas com potencial acidogênico, com grau A/D. Na síndrome metabólica, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão, dislipidemia e hiperuricemia, orienta-se foco no critério diagnóstico do paciente, redução calórica com adequação de proteína animal, menor consumo de colesterol, gordura saturada e alimentos de alto índice glicêmico, sal abaixo de 6 g/dia e aumento acentuado de vegetais e frutas, com grau D. Após cirurgia bariátrica, recomenda-se cálcio de 1.000 a 1.200 mg/dia, considerando suplementação, redução de oxalato, sal abaixo de 6 g/dia, gordura correspondendo a 25% a 30% do valor energético, líquidos de 30 mL/kg/dia acrescidos de 400 mL para diurese de 2,5 a 3,0 L/dia, proteína de 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia e maior consumo de vegetais e frutas, com grau D. No baixo volume urinário, indica-se ingestão de líquidos de 30 mL/kg/dia mais 400 mL referentes às perdas insensíveis, visando diurese de 2,5 a 3,0 L/dia, com grau A. Na hipercalciúria, recomenda-se sal abaixo de 6 g/dia, proteína de 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia, maior consumo de vegetais e frutas, adequação do índice de massa corporal (grau A) e cálcio de 1.000 a 1.200 mg/dia (grau D), com grau global A/D. Na hiperoxalúria secundária, orienta-se cálcio de 1.000 a 1.200 mg/dia (grau A), redução de alimentos ricos em oxalato (grau B) e proteína de 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia (grau D), com grau global A/B/D. No pH ácido associado à hiperuricosúria, recomenda-se ingestão de líquidos para diurese de 2,5 a 3,0 L/dia, proteína de 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia com redução da fonte animal, maior consumo de vegetais e frutas no padrão DASH e adequação do índice de massa corporal, ressaltando que não há evidência de benefício na redução de purinas na litíase úrica e que se deve reduzir o álcool, sobretudo cerveja, nos casos de gota, com grau D. Na hipocitratúria, indica-se proteína de 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia com redução da fonte animal, maior consumo de vegetais e frutas no padrão DASH (grau A) e alimentos ricos em citrato ou malato, como limão, laranja, tangerina e melão (grau B), com grau global A/B. Na cistinúria, recomenda-se ingestão de líquidos para diurese superior a 3,0 L em 24 horas e cistina abaixo de 250 mg/L, consumo de vegetais e frutas no padrão DASH, proteína de 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia e sal abaixo de 6 g/dia, com grau D. Na litíase sem distúrbio identificado, orienta-se ingestão de líquidos para diurese de 2,5 a 3,0 L/dia, padrão alimentar DASH ou mediterrâneo, cálcio de 1.000 a 1.200 mg/dia, proteína de 0,8 a 1,0 g/kg de peso ideal por dia, sal abaixo de 6 g/dia, maior consumo de vegetais e frutas, além de adequação do índice de massa corporal e redução de oxalato, medidas consideradas controversas (grau A/D), com grau global A/D. As abreviações utilizadas são DASH para Dietary Approaches to Stop Hypertension, DM2 para diabetes mellitus tipo 2 e IMC para índice de massa corporal. Fonte: Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da nefrolitíase. Sociedade Brasileira de Nefrologia, 2025.

Ingestão hídrica

  • Aumentar a ingestão distribuída ao longo do dia, para atingir ao menos 2 L de urina por dia [2]

    • Volume urinário ótimo: 2.500 mL/dia ou mais [3]

    • Nenhuma terapia medicamentosa tem chance de sucesso sem débito urinário adequado [3]

  • Não orientar aumento adicional a quem já ingere o recomendado ou a quem tem contraindicação [2]

  • Água de torneira e água mineral não diferem entre si [2]

Suplementos e vitaminas

  • Os efeitos são controversos e devem ser avaliados individualmente (Grau D; Nível 4) [1].

    • Cálcio: o suplemento, ao contrário do cálcio da dieta, pode aumentar em até 20% o risco de cálculo, por ser ingerido longe das refeições e sem efeito quelante sobre o oxalato [1]

      • Priorizar o aumento de alimentos ricos em cálcio (Grau D)

    • Vitamina C: evitar suplementos; acima de 1.000 mg/dia aumenta a oxalúria e a ocorrência de cálculos em 16% (Grau D) [1]

    • Vitamina D: pode aumentar a calciúria; avaliar individualmente conforme necessidade, cálcio sérico e efeito no cálcio urinário (Grau D) [1]

    • Probióticos: Oxalobacter formigenes, Lactobacillus e Bifidobacterium degradam oxalato dietético, mas os resultados são contraditórios; prescrição individualizada como adjuvante (Grau D) [1]

    • Proteicos: whey protein e albumina não alteraram fatores litogênicos em curto prazo; avaliar individualmente com monitorização urinária (Grau D) [1]

    • Não recomendar dieta pobre em cálcio: aumenta a absorção intestinal de oxalato [3]

    • O café, apesar do teor de oxalato, parece reduzir a nefrolitíase [3]

Na orientação ao paciente [3]:

  • Advertir que mesmo em tratamento ótimo ainda pode haver formação de cálculos, ainda que menos do que sem tratamento

  • Alertar sobre a tendência natural ao abandono do regime e ao retorno aos hábitos prévios, e reavaliar periodicamente

  • Evitar a dependência excessiva da medicação, que leva ao descuido com a dieta e com a meta de ingestão hídrica

Tratamento farmacológico preventivo

Tratamento Farmacológico Preventivo da Nefrolitíase: a tabela orienta a escolha do tratamento farmacológico preventivo da nefrolitíase conforme o distúrbio metabólico identificado, organizando o conteúdo em três colunas — tipo de cálculo, distúrbio e tratamento. Nos cálculos de cálcio são apresentados quatro distúrbios: na hipercalciúria, o tratamento indicado é tiazídico e citrato de potássio; na hipocitratúria, citrato de potássio; na hiperoxalúria entérica, suplemento de cálcio, investigando a causa; e na hiperoxalúria primária tipo 1, piridoxina e lumasirana, com teste genético. Nos cálculos de ácido úrico, o distúrbio correspondente é a hiperuricosúria, tratada com alopurinol e citrato de potássio. Nos cálculos de estruvita, o distúrbio é a infecção, cujo manejo consiste em retirada cirúrgica e antibiótico. Nos cálculos de cistina, o distúrbio é a cistinúria, tratada com citrato de potássio, tióis e D-penicilamina. Fonte: Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da nefrolitíase. Sociedade Brasileira de Nefrologia, 2025.

Nefrolitíase cálcica recorrente sem alteração metabólica identificada

  • Tiazídico (um dos abaixo):

    • Hidroclorotiazida (Clorana®) comprimidos de 25 mg e 50 mg

      • 25 mg VO 2x/dia, ou 50 mg VO 1x/dia [1]

    • Clortalidona (genérico) comprimidos de 12,5 mg, 25 mg e 50 mg

      • 25 a 50 mg VO 1x/dia [1]

    • Indapamida SR (Natrilix SR®) comprimidos revestidos de liberação prolongada de 1,5 mg

      • 1,5 mg VO 1x/dia, pela manhã, engolir inteiro sem mastigar [1][11]

  • Citrato de potássio (Litocit®) comprimidos de liberação prolongada de 5 mEq (540 mg), 10 mEq (1.080 mg) e 15 mEq (1.620 mg); também em farmácias de manipulação

    • 20 a 60 mEq/dia VO, divididos nas refeições, conforme a tolerância [1]

    • Ingerir após as refeições, para minimizar a intolerância gástrica [1]

  • Considerações

    • Apropriados quando dieta e hidratação não bastam para controlar a recorrência [1]

    • Diuréticos tiazídicos:

      • Monitorizar o potássio sérico; associar citrato de potássio ou amilorida minimiza a hipocalemia [1]

      • Limitar o sódio é essencial para a ação hipocalciúrica [3]

      • Uso prolongado associa-se a maior risco de câncer de pele, sobretudo carcinoma cutâneo e labial de células escamosas, pela propriedade fotossensibilizante [1]

      • Clortalidona e indapamida têm meia-vida mais longa (24 a 36h) e são preferíveis à hidroclorotiazida (8 a 12h), que exigiria dose noturna; nenhuma das duas está no SUS [1]

      • As doses acima são as da diretriz brasileira [1]; o ACP revisou evidência com doses mais altas (hidroclorotiazida 50 mg, clortalidona 25 ou 50 mg, indapamida 2,5 mg de liberação imediata), e a efetividade das menores em comparação não é conhecida [2][11]

    • Citrato de potássio:

      • Atenção na doença renal crônica: risco de hipercalemia ou alcalose metabólica, maior se associado a outros álcalis [1]

Hipercalciúria com nefrolitíase cálcica recorrente

  • Tiazídico (um dos abaixo):

    • Hidroclorotiazida (Clorana®) comprimidos de 25 mg e 50 mg

      • 25 mg VO 2x/dia, ou 50 mg VO 1x/dia [1]

    • Clortalidona (genérico) comprimidos de 12,5 mg, 25 mg e 50 mg

      • 25 a 50 mg VO 1x/dia [1]

    • Indapamida SR (Natrilix SR®) comprimidos revestidos de liberação prolongada de 1,5 mg

      • 1,5 mg VO 1x/dia, pela manhã, engolir inteiro sem mastigar [1][11]

  • Citrato de potássio (Litocit®) comprimidos de liberação prolongada de 5 mEq (540 mg), 10 mEq (1.080 mg) e 15 mEq (1.620 mg); também em farmácias de manipulação

    • 20 a 60 mEq/dia VO, divididos nas refeições, conforme a tolerância [1]

    • Ingerir após as refeições, para minimizar a intolerância gástrica [1]

  • Considerações

    • Indicados quando dieta e hidratação não bastam, e nos casos de perda de massa óssea; apropriados tanto para oxalato quanto para fosfato de cálcio [1]

    • Diuréticos tiazídicos:

      • Monitorizar o potássio sérico, para evitar risco cardiovascular e intolerância à glicose; associar citrato de potássio ou amilorida minimiza a hipocalemia [1]

      • Limitar o sódio é essencial para a ação hipocalciúrica: cada 100 mEq/dia de sódio eleva a calciúria em 50 mg [3]

      • Podem elevar o ácido úrico sérico e reduzir o citrato urinário [3]

      • Uso prolongado associa-se a maior risco de câncer de pele, sobretudo carcinoma cutâneo e labial de células escamosas, pela propriedade fotossensibilizante [1]

      • A hidroclorotiazida tem meia-vida de 8 a 12 horas e exigiria dose 12/12h, inadequada à noite pelo impacto no sono e risco de queda em idosos; clortalidona e indapamida têm meia-vida de 24 a 36 horas e são preferíveis sob esse aspecto, mas não estão disponíveis no SUS [1]

      • A marca de referência da clortalidona, Higroton®, teve o registro cancelado na ANVISA em 2019; o fármaco permanece disponível como genérico [7][9]

      • As doses acima são as da diretriz brasileira [1]; a base de evidência revisada pelo ACP usou doses mais altas, com hidroclorotiazida 50 mg, clortalidona 25 ou 50 mg e indapamida 2,5 mg, e a efetividade das doses menores em comparação não é conhecida [2]

    • Citrato de potássio:

      • Atenção na doença renal crônica, pelo risco de hipercalemia ou alcalose metabólica [1]

Hipocitratúria com nefrolitíase cálcica recorrente

  • Citrato de potássio (Litocit®) comprimidos de liberação prolongada de 5 mEq (540 mg), 10 mEq (1.080 mg) e 15 mEq (1.620 mg); também em farmácias de manipulação

    • 20 a 60 mEq/dia VO, divididos nas refeições, conforme a tolerância [1]

    • Ingerir após as refeições, para minimizar a intolerância gástrica [1]

  • Bicarbonato de sódio comprimidos de 325 mg e 650 mg, ou pó para solução oral

    • 650 mg VO 3x/dia [16]

    • Ajustar pelo pH urinário-alvo [16]

  • Considerações

    • Preferir o sal de potássio ao de sódio: o sódio eleva o cálcio urinário [1]

    • Citrato de potássio:

      • Atenção na doença renal crônica: risco de hipercalemia ou alcalose metabólica, maior se associado a outros álcalis [1]

    • Bicarbonato de sódio:

      • Alternativa quando há intolerância gástrica ao potássio ou risco de hipercalemia, como na doença renal crônica [1][3]

      • Pode não ser tão eficaz quanto o sal de potássio para reduzir o cálcio urinário [1]

      • A diretriz brasileira e o StatPearls endossam o agente sem trazer posologia; a dose acima provém de fonte externa [1][3][16]

      • No Brasil, é obtido sobretudo por manipulação [16]

Hiperoxalúria entérica

  • Citrato de cálcio ou carbonato de cálcio comprimidos de 500 a 600 mg de cálcio elementar

    • 1 a 4 g/dia VO, divididos em 3 a 4 tomadas, sempre com as refeições [16]

  • Citrato de potássio (Litocit®) comprimidos de liberação prolongada de 5 mEq (540 mg), 10 mEq (1.080 mg) e 15 mEq (1.620 mg); também em farmácias de manipulação

    • 20 a 60 mEq/dia VO, divididos nas refeições, conforme a tolerância [1]

    • Ingerir após as refeições, para minimizar a intolerância gástrica [1]

  • Considerações

    • A causa deve ser investigada [1].

    • Associar dieta pobre em oxalato e pobre em gordura [3][16]

    • Suplemento de cálcio:

      • O cálcio precipita o oxalato na luz intestinal, impedindo sua absorção; por isso deve ser tomado sempre junto às refeições [16]

      • O citrato de cálcio é preferível ao carbonato no formador de cálculos, pelo aporte adicional de citrato e pela maior solubilidade na acloridria [16]

      • Costuma haver hipocalciúria, por ligação do cálcio a ácidos graxos não absorvidos, o que torna improvável que a suplementação induza hipercalciúria [1][16]

      • A diretriz brasileira endossa a suplementação sem trazer posologia; a dose acima provém de fonte externa [1][16]

    • Citrato de potássio:

      • Atenção na doença renal crônica, pelo risco de hipercalemia ou alcalose metabólica [1]

      • Em doença intestinal com perdas entéricas de sódio, os sais de sódio podem ser usados com segurança e sem elevar a calciúria [16]

Hiperoxalúria primária tipo 1

  • Piridoxina (vitamina B6) comprimidos de 40 mg (genérico, RENAME) e de 100 mg (Seis-B®)

    • 5 a 20 mg/kg/dia VO, em 1 ou 2 doses [1]

    • Exemplo para 70 kg: 350 a 1.400 mg/dia

    • As doses altas podem exigir manipulação [14]

  • Lumasirana (Oxlumo®) solução injetável de 94,5 mg/0,5 mL, em frasco-ampola de dose única

    • Via subcutânea, em abdome, coxa ou face lateral ou posterior do braço, com rodízio dos locais [12]

    • Dose pelo peso corpóreo, com 3 doses de ataque mensais e manutenção iniciada 1 mês após a última dose de ataque [12]

    • Abaixo de 10 kg: ataque de 6 mg/kg 1x/mês por 3 doses; manutenção de 3 mg/kg 1x/mês [12]

    • De 10 a menos de 20 kg: ataque de 6 mg/kg 1x/mês por 3 doses; manutenção de 6 mg/kg a cada 3 meses [12]

    • A partir de 20 kg: ataque de 3 mg/kg 1x/mês por 3 doses; manutenção de 3 mg/kg a cada 3 meses [12]

    • Volume máximo por injeção: 1,5 mL; dividir volumes maiores em seringas distintas, com locais afastados em ao menos 2 cm [12]

  • Considerações

    • Piridoxina:

      • Até 50% dos pacientes respondem, sobretudo com mutações homozigóticas AGXT p.Gly170Arg ou p.Phe152Ile [1]

      • Resposta positiva: redução do oxalato urinário acima de 30% [1]

      • Doses de 2 a 6 g/dia por meses podem causar neuropatia sensorial grave, com perda de sensibilidade em mãos e pés [14]

    • Lumasirana:

      • Aprovada por FDA, EMA e ANVISA, mas ainda não disponibilizada no Brasil, e o custo elevado compromete o acesso [1]

      • A diretriz brasileira não fornece o valor numérico da dose; o esquema acima provém da bula do produto [1][12]

      • Deve ser iniciada e supervisionada por médico com experiência em hiperoxalúria [12]

      • Nos dias de hemodiálise, administrar após a sessão [12]

Cálculo de ácido úrico com hiperuricemia ou hiperuricosúria

  • Alopurinol (Zyloric®) comprimidos de 100 mg e 300 mg

    • 100 a 300 mg VO 1x/dia [1]

    • Individualizar conforme ácido úrico sérico e urinário e função renal [1]

  • Citrato de potássio (Litocit®) comprimidos de liberação prolongada de 5 mEq (540 mg), 10 mEq (1.080 mg) e 15 mEq (1.620 mg); também em farmácias de manipulação

    • 20 a 60 mEq/dia VO, divididos nas refeições, conforme a tolerância [1]

    • Ingerir após as refeições, para minimizar a intolerância gástrica [1]

  • Bicarbonato de sódio comprimidos de 325 mg e 650 mg, ou pó para solução oral

    • 650 mg VO 3x/dia [16]

    • Ajustar pelo pH urinário-alvo [16]

  • Considerações

    • Citrato de potássio para elevar o pH urinário acima de 6,5 (Grau B; Nível 2) [1].

    • A hiperuricosúria é definida como excreção acima de 800 mg/dia [1].

    • O alopurinol também é indicado na prevenção em cálculo de oxalato de cálcio associado à hiperuricosúria [1]

    • Alopurinol:

      • Manter concomitantemente o pH urinário alcalino, para aumentar a solubilidade do ácido úrico [1]

      • Efeitos adversos: erupções cutâneas, efeitos gastrointestinais e, raramente, hipersensibilidade grave, como a síndrome de Stevens-Johnson [1]

    • Citrato de potássio:

      • A maioria dos pacientes com cálculo de ácido úrico tem acidúria e requer alcalinização, usualmente com citrato de potássio [3]

      • Cálculos de ácido úrico são os únicos dissolvíveis apenas com alcalinização, mantida de forma consistente [3]

      • Atenção na doença renal crônica, pelo risco de hipercalemia ou alcalose metabólica [1]

    • Bicarbonato de sódio:

      • Alternativa ao citrato de potássio, preterida por sua maior carga de sódio [3]

      • A diretriz brasileira e o StatPearls endossam o agente sem trazer posologia; a dose acima provém de fonte externa [1][3][16]

Cistinúria

  • Citrato de potássio (Litocit®) comprimidos de liberação prolongada de 5 mEq (540 mg), 10 mEq (1.080 mg) e 15 mEq (1.620 mg); também em farmácias de manipulação

    • 20 a 60 mEq/dia VO, divididos nas refeições, conforme a tolerância [1]

    • Cistinúria: a dose pode ser aumentada até 90 mEq/dia [1]

    • Ingerir após as refeições, para minimizar a intolerância gástrica [1]

  • Tiopronina (Thiola®) comprimidos revestidos de 100 mg; (Thiola® EC) comprimidos de liberação retardada de 100 mg e 300 mg

    • Adultos: 600 a 900 mg/dia VO, divididos em 3 tomadas [1]

    • Ajustar para manter a cistina urinária abaixo de 250 mg/L [1][13]

    • Crianças com 20 kg ou mais: 15 mg/kg/dia, evitando ultrapassar 50 mg/kg/dia [13]

    • A formulação convencional exige jejum (1h antes ou 2h após as refeições); a entérica pode ser tomada com alimento [13]

  • D-penicilamina (Cuprimine®) cápsulas de 250 mg

    • Adultos: 500 a 1.500 mg/dia VO, em 2 a 3 doses [1]

    • Ajustar para manter a cistina não ligada na urina abaixo de 250 mg/L (1 mmol/L) [1]

  • Piridoxina (vitamina B6) comprimidos de 40 mg (genérico, RENAME) e de 100 mg (Seis-B®)

    • 50 mg VO 1x/dia, no uso prolongado de D-penicilamina [1]

    • A dose exata pode exigir manipulação, pois não há apresentação registrada de 50 mg [14]

  • Considerações

    • Medidas conservadoras iniciais: aumento importante da diurese, alcalinização vigorosa com citrato de potássio e redução de sódio e metionina na dieta [1]

    • Efeitos adversos da classe dos tióis: febre, erupção cutânea, alteração do paladar, artrite, leucopenia, anemia aplástica, hepatotoxicidade, deficiência de piridoxina e proteinúria, geralmente por nefropatia membranosa [1]

    • Citrato de potássio:

      • Divergência entre fontes no alvo de pH: a diretriz brasileira indica acima de 6,5 [1], e o StatPearls, 7,5 ou mais [3]

      • Atenção na doença renal crônica, pelo risco de hipercalemia ou alcalose metabólica [1]

    • Tiopronina:

      • Preferida à D-penicilamina, pela menor incidência de efeitos adversos [1]

      • Não é comercializada no Brasil [1]

      • Divergência de dose entre fontes: a diretriz brasileira indica 600 a 900 mg/dia [1], enquanto a bula do produto indica início com 800 mg/dia e média de 1.000 mg/dia [13]

      • Monitorização: cistina urinária 1 mês após o início e a cada 3 meses; proteinúria antes do tratamento e a cada 3 a 6 meses, suspendendo se surgir [13]

    • D-penicilamina:

      • Alternativa na cistinúria refratária, com mais efeitos adversos que a tiopronina [1]

      • No uso prolongado, suplementar piridoxina, pois causa deficiência dessa vitamina [1]

Cálculo de estruvita

  • Antibiótico

    • Não há esquema fixo: agente e dose são guiados por urocultura e antibiograma [1][3]

  • Ácido acetohidroxâmico (Lithostat®) comprimidos de 250 mg

    • 250 mg VO 3 a 4x/dia, em intervalos de 6 a 8h, com o estômago vazio [15]

    • Dose diária total de 10 a 15 mg/kg/dia; início habitual com 12 mg/kg/dia [15]

    • Dose máxima: 1,5 g/dia, independentemente do peso [15]

    • Creatinina acima de 1,8 mg/dL: máximo de 1 g/dia, em intervalos de 12h [15]

    • Crianças: 10 mg/kg/dia, em 2 a 3 tomadas [15]

  • Considerações

    • A antibioticoterapia associada à remoção cirúrgica é o componente primário; a esterilização da urina reduz a recorrência [1]. Exige controle da infecção e remoção completa de todos os fragmentos infectados [3].

    • Antibiótico:

      • Qualquer indício de infecção urinária deve ser tratado agressivamente, sobretudo no diabético [3]

    • Ácido acetohidroxâmico:

      • Inibidor irreversível da urease, adjuvante à cirurgia e à antibioticoterapia; não substitui nenhuma das duas [3][15]

      • Indicado a pacientes com fragmentos residuais ou cálculo recorrente pós-cirurgia, ou sem condições cirúrgicas [1]

      • Tem efeitos colaterais graves, incluindo anemia hemolítica, que limitam seu uso, já muito raro no Brasil, onde não é comercializado [1][3]

      • Contraindicado na falência renal [3]

      • A diretriz brasileira não traz posologia; o esquema acima provém da bula do produto [1][15]

Perspectiva: gliflozinas (iSGLT2)

  • Não constituem indicação para prevenção de cálculo no momento [1].

  • Considerações

    • Em estudos não desenhados para litíase, aumentaram o volume urinário e a citratúria, reduziram o pH urinário e o ácido úrico sérico, e diminuíram a supersaturação para fosfato de cálcio [1]

    • Precisam ser testadas em pacientes litiásicos antes de qualquer indicação formal [1]

    • Abordagem viável: manter ou considerar a associação em quem já tem indicação estabelecida por outra razão, como doença renal diabética, e nesse caso a dose é a da indicação de origem [1]

Complicações e encaminhamento

  • Complicações [3]

    • Obstrutivas: hidronefrose, cólica renal, extravasamento urinário, urinoma, ruptura de fórnice

    • Infecciosas: pielonefrite, pionefrose, abscesso renal ou perinéfrico, sepse e urossepse

    • Renais: falência renal, atrofia e doença renal em estágio terminal

  • Maior risco de doença renal em estágio terminal:

    • Cálculos de fosfato de cálcio, cistina, estruvita e ácido úrico, hiperoxalúria primária, cistinúria, recorrências repetidas, cálculos grandes e coraliformes [3]

    • Persiste taxa de 28% de deterioração renal em cálculos coraliformes e pionefrose [3]

  • Encaminhar ao urologista o paciente com cálculos recorrentes, para investigação e para afastar problema anatômico ou metabólico [3]

  • A diretriz brasileira propõe a cogestão do nefrologista no cuidado longitudinal, em cooperação com atenção primária, internistas, nutricionistas e urologistas [1]

  • O nutricionista é especialmente importante para o sucesso em longo prazo, sobretudo em múltiplas recorrências, rim único, alto risco cirúrgico ou faixa etária pediátrica [3]

Referências

[1] CARVALHO, Mauricio de; MATOS, Ana Cristina Carvalho de; SANTOS, Daniel Rinaldi dos; BARRETO, Daniela Veit; BARRETO, Fellype Carvalho; RODRIGUES, Fernanda Guedes; PIETROBOM, Igor Gouveia; LUZ, Lucas Gobetti da; CONSTANCIO, Natasha Silva; GOMES, Samirah Abreu; HEILBERG, Ita Pfeferman. Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento clínico da Nefrolitíase: Sociedade Brasileira de Nefrologia. Brazilian Journal of Nephrology, v. 47, n. 2, e20240189, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2175-8239-JBN-2024-0189pt. Acesso em: 16 jul. 2026.

[2] QASEEM, Amir; DALLAS, Paul; FORCIEA, Mary Ann; STARKEY, Melissa; DENBERG, Thomas D. Dietary and Pharmacologic Management to Prevent Recurrent Nephrolithiasis in Adults: A Clinical Practice Guideline From the American College of Physicians. Annals of Internal Medicine, v. 161, n. 9, p. 659-667, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.7326/M13-2908. Acesso em: 16 jul. 2026.

[3] LESLIE, Stephen W.; SAJJAD, Hussain; MURPHY, Patrick B. Renal Calculi, Nephrolithiasis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026. Última atualização: 20 abr. 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK442014/. Acesso em: 16 jul. 2026.

[4] BOEHRINGER INGELHEIM. Buscopan (butilbrometo de escopolamina): bula do profissional de saúde. Utilizada exclusivamente para a apresentação comercial do produto. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 16 jul. 2026.

[5] APSEN FARMACÊUTICA. Litocit (citrato de potássio monoidratado): bula do profissional de saúde. Utilizada exclusivamente para a apresentação comercial do produto. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 16 jul. 2026.

[6] EMS SIGMA PHARMA. Toragesic (trometamol cetorolaco): bula do profissional de saúde. Utilizada exclusivamente para a apresentação comercial do produto. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 16 jul. 2026.

[7] BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Lista de medicamentos de referência: registros excluídos. Utilizada exclusivamente para verificar a situação de registro do produto Higroton (clortalidona). Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/setorregulado/regularizacao/medicamentos/medicamentos-de-referencia. Acesso em: 16 jul. 2026.

[8] ASPEN PHARMA. Zyloric (alopurinol): bula do profissional de saúde. Utilizada exclusivamente para a apresentação comercial do produto. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 16 jul. 2026.

[9] EMS S/A. Clortalidona (medicamento genérico): bula do profissional de saúde. Comprimidos de 12,5 mg, 25 mg e 50 mg. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 16 jul. 2026.

[10] SANOFI MEDLEY FARMACÊUTICA. Clorana (hidroclorotiazida): bula do profissional de saúde. Comprimidos de 25 mg e 50 mg. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 16 jul. 2026.

[11] LABORATÓRIOS SERVIER DO BRASIL. Natrilix SR (indapamida): bula do profissional de saúde. Comprimidos revestidos de liberação prolongada de 1,5 mg. Disponível em: https://servier.com.br/wp-content/uploads/sites/42/2026/01/bula-profissional_Natrilix_SR.pdf. Acesso em: 16 jul. 2026.

[12] ALNYLAM PHARMACEUTICALS. Oxlumo (lumasiran): highlights of prescribing information. Solução injetável 94,5 mg/0,5 mL. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2020/214103lbl.pdf. Acesso em: 16 jul. 2026.

[13] TRAVERE THERAPEUTICS. Thiola e Thiola EC (tiopronin): highlights of prescribing information. Comprimidos de 100 mg e 300 mg. Disponível em: https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2019/211843s000lbl.pdf. Acesso em: 16 jul. 2026.

[14] BRASIL. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e bula do cloridrato de piridoxina. Comprimidos de 40 mg e 100 mg. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 16 jul. 2026.

[15] MISSION PHARMACAL COMPANY. Lithostat (acetohydroxamic acid): prescribing information. Comprimidos de 250 mg. Disponível em: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=6660b616-a82d-9109-19ce-2bdf9747acea. Acesso em: 16 jul. 2026.

[16] Dietary and medical management of recurrent nephrolithiasis. Cleveland Clinic Journal of Medicine, v. 83, n. 6, p. 463-471, 2016. Disponível em: https://www.ccjm.org/content/83/6/463. Acesso em: 16 jul. 2026.

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