Rastreamento de Câncer Colorretal
CID-10: Z12.1 – Exame especial para rastreamento de neoplasia maligna do intestino
Introdução
O câncer colorretal (CCR) está entre as principais causas de incidência e mortalidade por neoplasias no Brasil. A maioria dos casos desenvolve-se a partir da sequência adenoma–carcinoma ao longo de vários anos, tornando o rastreamento uma estratégia altamente efetiva para redução da incidência e da mortalidade.
Em 2026, o Brasil passou a adotar como estratégia prioritária o Teste Imunoquímico Fecal (FIT), substituindo progressivamente o teste de sangue oculto baseado em guáiaco devido à sua maior sensibilidade, especificidade e adesão da população. O toque
🎯 Os objetivos do rastreamento são:
Detectar lesões precursoras (adenomas avançados e pólipos serrilhados avançados);
Diagnosticar câncer em estágio inicial, o que reduz a mortalidade e a necessidade de tratamentos agressivos.
Fluxograma de Rastreamento

Fluxograma-resumo de condutas do rastreamento do CCR.
Legenda: CCR: câncer colorretal, FIT: Teste imunoquímico fecal.
Nota: 1 Se houver suspeita de adenocarcinoma de cólon e reto, seguir o cuidado preconizado no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Adenocarcinoma de cólon e reto.
Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer de cólon e reto: protocolo clínico e diretrizes terapêuticas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026.
Quem deve ser rastreado?
Segundo o Ministério da Saúde:
✅ Quem deve ser rastreado?
O rastreamento é indicado para homens e mulheres, de 50 a 75 anos, assintomáticos e de risco habitual.
Pacientes sintomáticos não devem ser submetidos ao protocolo de rastreamento, devendo iniciar investigação diagnóstica imediata.
❌ Quem NÃO deve ser rastreado?
O protocolo do Ministério da Saúde (descrito abaixo) não se aplica a indivíduos com maior risco para câncer colorretal. Esses pacientes seguem protocolos específicos de vigilância.
Incluem-se:
História pessoal de câncer colorretal;
Adenomas avançados prévios;
Doença de Crohn com acometimento colônico;
Retocolite ulcerativa;
Síndrome de Lynch;
Polipose Adenomatosa Familiar (PAF);
Polipose associada ao MUTYH;
Familiar de primeiro grau com CCR diagnosticado precocemente;
Colonoscopia recente dentro do intervalo recomendado.
Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP):
A SBCP adota como referência o posicionamento do American College of Physicians (ACP) para o rastreamento do câncer colorretal em adultos assintomáticos e de risco habitual.
Considera-se risco habitual o indivíduo que não apresenta:
diagnóstico prévio de câncer colorretal;
pólipos adenomatosos prévios;
doença inflamatória intestinal;
história pessoal ou familiar de síndromes hereditárias associadas a alto risco de CCR, como síndrome de Lynch;
sintomas sugestivos de câncer colorretal.
População elegível
Recomenda-se iniciar o rastreamento aos 45 anos.
Métodos recomendados
A escolha do método deve considerar disponibilidade, riscos, frequência necessária, acesso à colonoscopia após teste alterado e preferência do paciente.
São estratégias aceitas:
Teste imunoquímico fecal (FIT): a cada 2 anos.
Pesquisa de sangue oculto nas fezes pelo método guáiaco de alta sensibilidade (gFOBT): a cada 2 anos.
Colonoscopia: a cada 10 anos.
Retossigmoidoscopia flexível associada ao FIT: retossigmoidoscopia a cada 10 anos + FIT a cada 2 anos.
Teste imunoquímico fecal (FIT)
Coleta do FIT:
O paciente deve ser orientado quanto à coleta conforme instruções do laboratório.
Não é necessário:
dieta especial;
suspensão de carnes;
suspensão de vitamina C;
suspensão de anti-inflamatórios;
suspensão de anticoagulantes.
Interpretação do FIT:
Resultado Negativo -> Repetir FIT conforme intervalo recomendado
Resultado Positivo -> Encaminhar para colonoscopia diagnóstica
Importante: um FIT positivo não confirma câncer, mas indica necessidade obrigatória de colonoscopia.
Colonoscopia após FIT positivo
Todo FIT positivo deve ser seguido por colonoscopia completa.
Objetivos:
localizar a fonte do sangramento;
remover pólipos;
diagnosticar câncer;
coletar biópsias quando indicado.
Caso a colonoscopia seja normal, o seguimento dependerá dos achados e das recomendações endoscópicas.
Ministério da Saúde vs SBCP

Referências
[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde anuncia novo protocolo para rastreamento de câncer colorretal durante agenda em Lyon, na França. Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/ministro-da-saude-anuncia-novo-protocolo-para-rastreamento-de-cancer-colorretal-durante-agenda-em-lyon-na-franca. Acesso em: 30 jun. 2026.
[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer Colorretal: relatório para consulta pública. Brasília: CONITEC, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2026/relatorio-preliminar-diretrizes-brasileiras-do-rastreamento-do-cancer-de-colon-e-reto-cp-20. Acesso em: 30 jun. 2026.
[3] INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Câncer de intestino (cólon e reto). Rio de Janeiro: INCA, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/intestino. Acesso em: 30 jun. 2026.
[4] SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA (SBCP); SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOSCOPIA DIGESTIVA (SOBED). Campanha Março Azul 2025 recomenda exames preventivos de câncer de intestino a partir dos 45 anos. São Paulo, 13 fev. 2025. Disponível em: https://www.marcoazul.org.br/campanha-marco-azul-2025-recomenda-exames-preventivos-de-cancer-de-intestino-a-partir-dos-45-anos/. Acesso em: 14 jul. 2026.
Autoria e Curadoria
As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.


