Tenossinovite de De Quervain

CID-10: M65.4 - Tenossinovite estilóide radial [de Quervain]

Introdução

  • A tenossinovite de De Quervain é uma tendinopatia estenosante que acomete o primeiro compartimento extensor do punho, envolvendo os tendões do abdutor longo do polegar (APL) e do extensor curto do polegar (EPB). Caracteriza-se por dor na região da estiloide radial, exacerbada pelos movimentos do polegar e do punho.

  • É uma causa frequente de dor no punho na Atenção Primária e no pronto atendimento. O diagnóstico é essencialmente clínico e a maioria dos pacientes apresenta boa resposta ao tratamento conservador, especialmente quando instituído precocemente.

Conteúdo direto ao ponto, revisado e atualizado por médicos especialistas.
Exclusivo para médicos e estudantes de medicina.
Acesse o conteúdo completo

Epidemiologia e fatores de risco

Epidemiologia

  • Predomina em mulheres entre 40 e 60 anos.

  • Incidência maior durante a gestação e principalmente no puerpério, relacionada ao manejo repetitivo do recém-nascido.

  • Associa-se a atividades com:

    • movimentos repetitivos do polegar;

    • pinça forte;

    • desvio ulnar e radial repetidos do punho;

    • uso prolongado de ferramentas manuais;

    • atividades ocupacionais repetitivas.

  • Pode ocorrer bilateralmente, principalmente em puérperas.

Fatores de risco

  • Sexo feminino

  • Puerpério

  • Gravidez

  • Movimentos repetitivos

  • Trauma local

  • Variações anatômicas do primeiro compartimento extensor

  • Artrite reumatoide e outras doenças inflamatórias (menos frequentes)

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico.

Exame físico

  • Achados típicos:

    • dor localizada sobre a estiloide radial;

    • dor à palpação do primeiro compartimento extensor;

    • discreto espessamento local;

    • piora com extensão e abdução resistida do polegar.

Testes provocativos

  • Teste de Finkelstein

    • É o teste clínico mais utilizado.

  • Como realizar

    1. O examinador segura o polegar do paciente.

    2. Realiza desvio ulnar passivo do punho.

    3. O teste é considerado positivo quando reproduz intensa dor sobre a estiloide radial.

Teste de Eichhoff

  • O paciente:

    • coloca o polegar dentro da palma;

    • fecha os dedos sobre ele;

    • realiza desvio ulnar do punho.

  • Também pode provocar dor intensa, porém apresenta maior número de resultados falso-positivos.

Exames complementares

  • Na maioria dos casos não são necessários.

  • Podem ser indicados quando houver dúvida diagnóstica.

  • Ultrassonografia

  • Pode demonstrar:

    • espessamento da bainha tendínea;

    • líquido peritendíneo;

    • espessamento do retináculo;

    • septação do primeiro compartimento.

  • Radiografia

  • Indicada para excluir:

    • artrose trapézio-metacarpiana;

    • fraturas;

    • outras alterações ósseas.

  • Ressonância magnética

  • Reservada para casos atípicos ou persistentes.

Anamnese

Queixa principal

  • Dor na face radial do punho, próxima à base do polegar.

Características da dor

  • Início insidioso.

  • Piora ao:

    • segurar objetos;

    • abrir tampas;

    • torcer panos;

    • levantar crianças;

    • usar celular;

    • realizar pinça entre polegar e indicador.

  • Pode irradiar para o antebraço.

Sintomas associados

  • Sensação de fraqueza na mão.

  • Dificuldade para segurar objetos.

  • Edema discreto sobre a estiloide radial.

  • Crepitação durante alguns movimentos.

Perguntas importantes

  • Atividade ocupacional repetitiva?

  • Esportes com uso intenso do punho?

  • Gestação ou puerpério?

  • Trauma recente?

  • Sintomas bilaterais?

  • História de doenças reumatológicas?

Tratamento inicial (controle da dor)

O objetivo inicial é reduzir dor e incapacidade funcional, enquanto se aguarda a recuperação do processo estenosante ou avaliação especializada.

Medidas não farmacológicas

  • Repouso relativo.

  • Evitar movimentos repetitivos do polegar.

  • Evitar pinça vigorosa.

  • Ajuste ergonômico das atividades.

  • Gelo local por 15–20 minutos, 3–4 vezes ao dia.

  • Imobilização com órtese tipo thumb spica, mantendo punho e polegar em posição funcional por 2 a 4 semanas, conforme tolerância.

Analgesia

  • Dipirona comp. 500 mg

    • Tomar 01 a 02 comprimidos de 6/6 horas, se dor (máximo 4 g/dia).

  • Paracetamol comp. 500 mg

    • Tomar 01 a 02 comprimidos de 6/6 horas, se dor (máximo 3 g/dia em adultos sem hepatopatia).


Anti-inflamatórios não esteroidais (quando não houver contraindicações)

  • Naproxeno comp. 500 mg

    • Tomar 01 comprimido de 12/12 horas, por 5 a 7 dias, após as refeições.

  • Ibuprofeno comp. 400 mg

    • Tomar 01 comprimido de 8/8 horas, por 5 dias, após as refeições.

  • Sempre avaliar risco gastrointestinal, renal e cardiovascular antes da prescrição.

Critérios de encaminhamento

Encaminhar para Ortopedia (Cirurgia da Mão) quando houver:

  • persistência da dor após 4–8 semanas de tratamento conservador adequado;

  • limitação funcional importante;

  • recorrência frequente;

  • dúvida diagnóstica;

  • suspeita de doença inflamatória sistêmica;

  • necessidade de infiltração quando indisponível na APS;

  • falha após infiltração;

  • indicação de tratamento cirúrgico.

Fluxo prático

Referências

[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Primária à Saúde: manejo das condições musculoesqueléticas. Brasília: Ministério da Saúde, versão vigente.

[2] HUISSTEDE, B. M. A. et al. Consensus on a multidisciplinary treatment guideline for De Quervain disease: results from the European HANDGUIDE study. Physical Therapy, v. 94, n. 8, p. 1095–1110, 2014. DOI: 10.2522/ptj.20130069.

[3] LARSEN, C. G.; FITZGERALD, M. J.; NELLANS, K. W.; LANE, L. B. Management of De Quervain Tenosynovitis: A Critical Analysis Review. JBJS Reviews, v. 9, n. 9, 2021. DOI: 10.2106/JBJS.RVW.20.00149.

[4] SATTESON, E.; TANNAN, S. C. De Quervain Tenosynovitis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, atualização em 22 nov. 2023. Disponível em: NCBI Bookshelf – De Quervain Tenosynovitis. Acesso em: 30 jul. 2026.

[5] SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DA MÃO. Diretrizes e recomendações para afecções da mão e punho. São Paulo: SBCM, versão vigente.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.