Epicondilite Lateral (cotovelo do tenista)

CID-10: M77.1 – Epicondilite lateral

Introdução

  • A epicondilite lateral, também denominada cotovelo do tenista, é a causa mais frequente de dor na face lateral do cotovelo em adultos.

  • Apesar do termo "epicondilite", atualmente reconhece-se que a doença apresenta natureza predominantemente degenerativa (tendinose), caracterizada por microlesões repetitivas na origem do tendão extensor comum, principalmente do extensor radial curto do carpo (Extensor Carpi Radialis Brevis – ECRB), com mínima ou nenhuma inflamação aguda.

  • A maioria dos casos está relacionada à sobrecarga mecânica ocupacional ou esportiva, sendo considerada uma tendinopatia por uso excessivo.

  • Aproximadamente 80–90% dos pacientes apresentam melhora com tratamento conservador, embora a recuperação possa exigir vários meses.

  • Epidemiologia:

    • Prevalência estimada na população geral:

      • Cerca de 1–3%.

    • Pico de incidência:

      • Entre 35 e 55 anos.

    • Distribuição entre os sexos:

      • Sem diferença consistente entre homens e mulheres.

    • Lado acometido:

      • Predominantemente o membro dominante.

    • Apenas 5–10% dos casos estão relacionados à prática do tênis.

    • Maior incidência em trabalhadores expostos a:

      • movimentos repetitivos do punho;

      • preensão vigorosa;

      • pronação e supinação repetidas;

      • uso de ferramentas vibratórias;

      • levantamento frequente de cargas.

  • Anatomia e fisiopatologia:

    • A lesão localiza-se predominantemente na origem do tendão extensor comum, no epicôndilo lateral.

    • O tendão mais frequentemente acometido é o:

      • Extensor radial curto do carpo (ECRB).

    • Outros tendões eventualmente envolvidos:

      • extensor comum dos dedos;

      • extensor ulnar do carpo;

      • extensor radial longo do carpo.

    • O mecanismo fisiopatológico envolve:

      • microtraumas repetitivos;

      • falha do processo normal de cicatrização;

      • degeneração do colágeno;

      • desorganização das fibras tendíneas;

      • aumento de fibroblastos e neovascularização.

    • Achado histológico clássico:

      • Hiperplasia angiofibroblástica (angiofibroblastic tendinosis).

    • Não há infiltrado inflamatório significativo na maioria dos casos crônicos.

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Fatores de risco

Ocupacionais

  • Trabalho manual repetitivo.

  • Uso frequente de ferramentas.

  • Movimentos repetitivos do punho contra resistência.

  • Movimentos vigorosos de preensão.

  • Ferramentas vibratórias.

  • Atividades acima do nível da cintura por tempo prolongado.

Esportivos

  • Tênis.

  • Squash.

  • Badminton.

  • Padel.

  • Golfe.

  • Escalada.

  • CrossFit.

  • Remo.

Fatores predisponentes no tênis:

  • Técnica inadequada.

  • Backhand de uma mão.

  • Encordoamento excessivamente rígido.

  • Empunhadura inadequada.

  • Raquete pesada.

  • Aumento abrupto do volume de treino.

Individuais

  • Tabagismo.

  • Obesidade.

  • Diabetes mellitus.

  • Idade acima de 40 anos.

  • Baixo condicionamento muscular.

  • Retorno precoce às atividades após lesões.

História natural

  • Evolução geralmente autolimitada.

  • Cerca de 80–90% evoluem favoravelmente com tratamento conservador.

  • A recuperação costuma ocorrer entre:

    • 6 e 24 meses.

  • Pequena parcela evolui para dor persistente e incapacidade funcional.

Manifestações clínicas

Sintoma principal

  • Dor localizada sobre o epicôndilo lateral.

Características da dor

  • Início insidioso.

  • Progressiva.

  • Relacionada ao esforço.

  • Pode irradiar para:

    • antebraço dorsal;

    • face lateral do braço.

Situações que pioram a dor

  • Apertar mãos.

  • Abrir potes.

  • Girar maçanetas.

  • Levantar chaleiras.

  • Segurar sacolas.

  • Uso de chave de fenda.

  • Digitação prolongada.

  • Levantar objetos com o cotovelo estendido.

Evolução

  • Inicialmente ocorre apenas durante atividades.

  • Posteriormente pode surgir:

    • durante atividades leves;

    • em repouso;

    • durante a noite (menos comum).

Alterações funcionais

  • Redução da força de preensão.

  • Dificuldade para atividades laborais.

  • Limitação esportiva.

  • Dificuldade nas atividades de vida diária.

Sintomas geralmente ausentes

  • Parestesias.

  • Fraqueza muscular verdadeira.

  • Febre.

  • Edema importante.

  • Rubor local.

  • Obs: A presença desses achados deve motivar investigação de diagnósticos alternativos.

Exame físico

O diagnóstico da epicondilite lateral é predominantemente clínico, baseado na história e no exame físico. A sensibilidade e a especificidade aumentam quando há concordância entre a história típica e testes provocativos positivos.

Inspeção

  • Geralmente sem alterações.

  • Em casos crônicos:

    • discreta atrofia muscular do antebraço pode estar presente.

  • Ausência de:

    • edema importante;

    • hiperemia;

    • deformidades articulares.

Palpação

  • Dor localizada sobre o epicôndilo lateral.

  • Maior sensibilidade dolorosa:

    • 5 a 10 mm distal e anterior ao epicôndilo lateral (origem do tendão do extensor radial curto do carpo – ECRB).

  • A palpação do tendão extensor comum reproduz a dor habitual do paciente.

Amplitude de movimento

  • Cotovelo:

    • geralmente preservada.

  • Punho:

    • preservado.

  • Limitação importante da mobilidade sugere diagnóstico alternativo.

Força muscular

  • Redução da força de preensão.

  • Fraqueza secundária à dor ("fraqueza antálgica"), e não por déficit neurológico.

Testes provocativos

  • Nenhum teste isoladamente confirma o diagnóstico. A combinação de história clínica típica, dor localizada e testes positivos apresenta melhor desempenho diagnóstico.

  • Teste de Cozen

    • Como realizar

      • Cotovelo em aproximadamente 90° de flexão.

      • Antebraço pronado.

      • Punho fechado.

      • Solicitar extensão do punho contra resistência.

    • Resultado positivo

      • Reprodução da dor sobre o epicôndilo lateral.

    • É o teste provocativo mais utilizado na prática clínica.

  • Teste de Mill

    • Como realizar

      • Cotovelo estendido.

      • Antebraço pronado.

      • Punho em flexão passiva.

    • Resultado positivo

      • Dor intensa sobre o epicôndilo lateral.

    • Avalia o alongamento do complexo extensor.

  • Teste de Maudsley

    • Como realizar

      • Resistência à extensão do terceiro dedo.

    • Resultado positivo

      • Dor sobre o epicôndilo lateral.

    • Apresenta boa capacidade para reproduzir sintomas relacionados ao ECRB.

  • Dinamometria

    • Pode ser utilizada para:

      • quantificar perda funcional;

      • acompanhar resposta terapêutica;

      • documentar evolução clínica.

    • O paciente frequentemente apresenta redução significativa da força de preensão quando comparado ao lado contralateral.

Diagnóstico

Critérios clínicos

  • O diagnóstico pode ser estabelecido quando houver:

    • dor localizada na face lateral do cotovelo;

    • piora da dor com atividades de preensão ou extensão do punho;

    • dor à palpação do epicôndilo lateral;

    • pelo menos um teste provocativo positivo (Cozen, Mill ou Maudsley).

  • Na ausência de sinais de alerta, exames complementares geralmente não são necessários.

Exames complementares

Radiografia simples

  • Indicações

    • Não é exame de rotina.

    • Solicitar quando houver:

      • trauma prévio;

      • suspeita de fratura;

      • limitação importante da mobilidade;

      • deformidade;

      • suspeita de artrose;

      • corpos livres articulares;

      • dor persistente sem diagnóstico definido.

  • Achados

    • Frequentemente normal.

    • Pode demonstrar:

      • calcificações na origem tendínea;

      • osteófitos;

      • alterações degenerativas do cotovelo.

Ultrassonografia

  • Pode ser utilizada quando:

    • persistência dos sintomas;

    • dúvida diagnóstica;

    • planejamento de infiltrações guiadas.

  • Achados possíveis:

    • espessamento do tendão;

    • áreas hipoecoicas;

    • roturas parciais;

    • neovascularização ao Doppler.

  • Vantagens:

    • baixo custo;

    • exame dinâmico;

    • comparação com lado contralateral.

Ressonância nuclear magnética

  • Não indicada rotineiramente.

  • Principais indicações:

    • falha do tratamento conservador;

    • planejamento cirúrgico;

    • suspeita de rotura extensa;

    • diagnósticos diferenciais complexos.

  • Achados:

    • degeneração do tendão extensor comum;

    • edema intratendíneo;

    • roturas parciais;

    • roturas completas (raras).

Eletroneuromiografia

  • Não indicada para confirmação da epicondilite.

  • Pode ser útil quando houver suspeita de:

    • síndrome do túnel radial;

    • síndrome do nervo interósseo posterior;

    • radiculopatia cervical;

    • neuropatias periféricas.

Diagnósticos diferenciais

Síndrome do túnel radial

  • Características sugestivas:

    • dor mais distal (3–5 cm abaixo do epicôndilo);

    • piora com supinação resistida;

    • dor à palpação sobre o túnel radial;

    • pouca dor diretamente sobre o epicôndilo.

Síndrome do nervo interósseo posterior

  • Fraqueza motora.

  • Déficit de extensão dos dedos.

  • Pouca dor local.

  • Déficit neurológico evidente.

Artrose do cotovelo

  • Dor mecânica.

  • Crepitação.

  • Rigidez.

  • Limitação da amplitude de movimento.

  • Alterações radiográficas.

Instabilidade ligamentar lateral

  • Mais provável quando houver:

    • trauma prévio;

    • sensação de falseio;

    • episódios de subluxação;

    • dor associada a movimentos de apoio.

Osteocondrite dissecante do capítulo

  • Mais comum em:

    • adolescentes;

    • atletas arremessadores;

    • ginastas.

Cervicobraquialgia

  • Sugere-se quando houver:

    • dor cervical associada;

    • irradiação para membro superior;

    • parestesias;

    • alterações sensitivas;

    • alterações reflexas.

Radiculopatia cervical

  • Considerar principalmente quando:

    • déficit neurológico;

    • dor irradiada além do cotovelo;

    • teste de Spurling positivo.

Outras causas

  • Epicondilite medial.

  • Bursite do olécrano.

  • Artrite séptica.

  • Artrite inflamatória.

  • Gota.

  • Fratura oculta.

  • Tumores ósseos (raros).

Sinais de alerta ("red flags")

  • A presença dos achados abaixo torna o diagnóstico de epicondilite menos provável e exige investigação adicional:

    • trauma de alta energia;

    • deformidade;

    • edema importante;

    • calor local intenso;

    • febre;

    • perda ponderal inexplicada;

    • limitação importante da mobilidade;

    • déficit motor verdadeiro;

    • alterações sensitivas persistentes;

    • dor noturna intensa e progressiva;

    • massa palpável;

    • história de neoplasia.

  • Na presença de sinais de alerta, deve-se ampliar a investigação e considerar encaminhamento para avaliação especializada.

Tratamento conservador

Objetivos do tratamento

  • Aliviar a dor.

  • Restaurar a função do membro.

  • Permitir retorno gradual às atividades laborais e esportivas.

  • Corrigir fatores biomecânicos predisponentes.

  • Evitar recorrências.

  • Reduzir a necessidade de tratamento cirúrgico.

Importante: A maioria dos pacientes (80–90%) apresenta melhora com tratamento conservador. Deve-se orientar que a recuperação é gradual e pode levar de 6 a 12 meses, podendo estender-se por até 24 meses em alguns casos.

Tratamento conservador

  • É considerado o tratamento de primeira linha para praticamente todos os pacientes.

  • Educação do paciente

  • Orientar:

    • Natureza degenerativa da doença (tendinopatia), e não inflamatória.

    • Evolução geralmente favorável.

    • Necessidade de adesão aos exercícios.

    • Recuperação frequentemente lenta.

    • Possibilidade de oscilações dos sintomas durante a reabilitação.

  • Evitar:

    • repouso absoluto prolongado;

    • imobilização prolongada;

    • retorno precoce às atividades desencadeantes.

Modificação das atividades

  • Recomenda-se reduzir temporariamente:

    • movimentos repetitivos do punho;

    • levantamento de cargas;

    • movimentos vigorosos de preensão;

    • uso prolongado de ferramentas;

    • atividades esportivas desencadeantes.

  • Quando possível:

    • alternar tarefas;

    • realizar pausas programadas;

    • corrigir ergonomia;

    • adequar equipamentos esportivos.

Crioterapia

  • Pode ser utilizada:

    • após atividades dolorosas;

    • durante exacerbações.

  • Orientação:

    • gelo protegido por tecido;

    • aplicar por 15–20 minutos;

    • repetir 3–5 vezes ao dia conforme necessidade.

Órteses

  • Podem ser utilizadas como tratamento adjuvante.

  • Faixa contraforça ("counterforce brace")

    • Posicionada aproximadamente 2–5 cm distal ao epicôndilo lateral.

    • Pode reduzir a sobrecarga sobre a origem do tendão extensor.

    • Útil principalmente durante atividades que desencadeiam sintomas.

  • Órtese de punho

  • Pode ser considerada:

    • em pacientes com dor intensa;

    • durante fases iniciais.

  • Não deve substituir o programa de fortalecimento.

Fisioterapia

É um dos pilares do tratamento conservador.

Exercícios excêntricos

  • São considerados o componente mais importante da reabilitação.

  • Objetivos:

    • reorganização das fibras colágenas;

    • melhora da resistência tendínea;

    • redução da dor;

    • melhora funcional.

  • Devem ser realizados de forma progressiva.

Exercícios concêntricos

  • Introduzidos conforme melhora da dor.

  • Objetivos:

    • fortalecimento muscular;

    • recuperação funcional.

Alongamentos

  • Alongamento dos músculos extensores do punho:

    • diariamente;

    • mantido por 30–45 segundos;

    • repetir 3–5 vezes.

Fortalecimento

  • Progressão habitual:

    • isométrico;

    • excêntrico;

    • concêntrico;

    • exercícios funcionais;

    • retorno esportivo específico.

Treino proprioceptivo

  • Pode ser incorporado durante fases mais avançadas da reabilitação.

Terapia manual

  • Pode proporcionar melhora de curto prazo quando associada ao programa de exercícios.

Modalidades físicas

  • As evidências para terapias passivas são limitadas.

  • Podem ser utilizadas como adjuvantes:

    • ultrassom terapêutico;

    • laser de baixa intensidade;

    • TENS.

  • Não devem substituir o fortalecimento progressivo.

Tratamento medicamentoso

Os medicamentos têm como principal objetivo proporcionar analgesia para facilitar a reabilitação, não modificando a história natural da tendinopatia.

Analgésicos

  • Dipirona (Novalgina®) comp. 500 mg

    • Tomar 1 a 2 comprimidos VO a cada 6 horas, se dor.

    • Dose máxima: 4 g/dia.

  • Dipirona (Novalgina®) sol. oral 500 mg/mL

    • Adultos: 20–40 gotas VO a cada 6 horas, se dor.

    • Dose máxima: 4 g/dia.

  • Paracetamol (Tylenol®) comp. 500 mg ou 750 mg

    • Tomar 500–1.000 mg VO a cada 6–8 horas, se dor.

    • Dose máxima: 3 g/dia (considerar até 4 g/dia em adultos sem fatores de risco para hepatotoxicidade, conforme protocolos locais).

Anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) - Via oral

  • Considerações:

    • Podem proporcionar alívio sintomático de curto prazo, principalmente quando utilizados durante períodos de exacerbação dolorosa. O benefício parece ser predominantemente analgésico, uma vez que a epicondilite lateral apresenta fisiopatologia degenerativa.

    • Devem ser utilizados pelo menor tempo possível, considerando risco gastrointestinal, cardiovascular e renal.

  • Ibuprofeno (Alivium®) comp. 400 mg ou 600 mg

    • Tomar 400 mg VO a cada 8 horas, após refeições, por 5–7 dias.

    • Dose máxima: 2.400 mg/dia.

  • Naproxeno (Flanax®) comp. 250 mg ou 500 mg

    • Tomar 250–500 mg VO a cada 12 horas por 5–10 dias.

    • Dose máxima: 1.000 mg/dia.

  • Diclofenaco potássico (Cataflam®) comp. 50 mg

    • Tomar 1 comprimido VO a cada 8 horas por até 7 dias.

    • Dose máxima: 150 mg/dia.

Formulações tópicas

  • Podem ser preferidas em pacientes idosos ou com maior risco de eventos adversos sistêmicos.

  • Diclofenaco dietilamônio gel 11,6 mg/g

    • Aplicar fina camada sobre a região dolorosa 3–4 vezes ao dia por até 14 dias.

Infiltração com corticosteroides

  • Não deve ser utilizada rotineiramente.

  • As evidências demonstram:

    • melhora significativa da dor nas primeiras semanas;

    • maior taxa de recorrência em médio e longo prazo;

    • piores desfechos funcionais após alguns meses quando comparada ao exercício supervisionado.

  • Pode ser considerada apenas em situações selecionadas:

    • dor intensa incapacitante;

    • impossibilidade temporária de reabilitação;

    • necessidade de analgesia de curto prazo após discussão dos riscos e benefícios.

  • A infiltração deve ser realizada preferencialmente por profissional experiente, utilizando técnica asséptica e evitando injeção intratendínea.

Plasma rico em plaquetas (PRP)

  • As evidências permanecem conflitantes.

    • Pode apresentar benefício em alguns pacientes com sintomas persistentes.

    • Não é considerado tratamento de primeira linha.

    • Não há consenso quanto à superioridade em relação ao tratamento conservador bem conduzido.

Ondas de choque extracorpóreas

  • As evidências são heterogêneas.

  • Pode ser considerada em:

    • pacientes com sintomas persistentes;

    • falha do tratamento conservador estruturado por vários meses.

  • Não é recomendada como terapia inicial.

Acupuntura

  • Pode proporcionar melhora analgésica de curto prazo em alguns pacientes, porém as evidências permanecem limitadas.

Retorno às atividades

Atividades laborais

  • Retorno gradual conforme:

    • melhora da dor;

    • recuperação da força;

    • capacidade funcional.

  • Sempre que possível:

    • ajustar ergonomia;

    • reduzir movimentos repetitivos;

    • programar pausas durante a jornada.

Retorno ao esporte

  • Recomenda-se progressão gradual.

  • Critérios desejáveis:

    • ausência de dor em repouso;

    • dor mínima durante exercícios;

    • amplitude de movimento completa;

    • força próxima ao membro contralateral;

    • execução dos gestos esportivos sem limitação significativa.

  • No tênis e esportes de raquete, deve-se revisar:

    • técnica esportiva;

    • tamanho da empunhadura;

    • tensão do encordoamento;

    • tipo de raquete;

    • volume de treinamento.

Acompanhamento

Reavaliar o paciente em aproximadamente 6 a 8 semanas para:

  • intensidade da dor;

  • capacidade funcional;

  • adesão aos exercícios;

  • necessidade de progressão do fortalecimento;

  • reconsideração diagnóstica caso não haja resposta clínica.

Na ausência de melhora após 6 a 12 meses de tratamento conservador bem conduzido, deve-se considerar encaminhamento ao especialista para avaliação de terapias intervencionistas ou tratamento cirúrgico.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é indicada para uma minoria dos pacientes. Deve ser considerada apenas após falha do tratamento conservador adequadamente conduzido.

Indicações

  • Persistência dos sintomas por 6–12 meses, apesar de tratamento conservador estruturado e adesão satisfatória.

  • Dor persistente com limitação funcional importante.

  • Incapacidade para atividades laborais ou esportivas após reabilitação adequada.

  • Confirmação diagnóstica e exclusão de diagnósticos diferenciais.

  • Roturas tendíneas significativas (menos frequentes).

A decisão cirúrgica deve considerar a intensidade dos sintomas, o impacto funcional e as expectativas do paciente, uma vez que muitos casos continuam apresentando melhora espontânea ao longo do tempo.

Técnicas cirúrgicas

  • As principais técnicas incluem:

    • Desbridamento do tecido tendíneo degenerado.

    • Liberação parcial da origem do tendão extensor comum.

    • Reparo ou reinserção tendínea, quando indicado.

  • Podem ser realizadas por:

    • técnica aberta;

    • técnica artroscópica;

    • técnica percutânea.

  • Até o momento, não há evidências consistentes de superioridade de uma técnica sobre as demais quando corretamente indicadas.

Pós-operatório

  • O protocolo varia conforme a técnica empregada e a preferência do cirurgião.

  • De modo geral:

    • mobilização precoce conforme tolerância;

    • fisioterapia para recuperação da amplitude de movimento;

    • fortalecimento progressivo após cicatrização inicial;

    • retorno às atividades leves em algumas semanas;

    • retorno às atividades de maior demanda após recuperação funcional completa.

Prognóstico

Considerações:

  • A evolução costuma ser favorável.

  • Aproximadamente 80–90% dos pacientes apresentam melhora satisfatória com tratamento conservador.

  • O tempo de recuperação é variável:

    • melhora inicial em semanas;

    • recuperação funcional geralmente entre 3 e 6 meses;

    • resolução completa pode levar 6–12 meses ou mais, especialmente em casos crônicos.

  • A persistência de dor não implica necessariamente falha terapêutica, sendo comum melhora gradual da função antes da resolução completa dos sintomas.

Fatores associados a pior prognóstico

  • Alta demanda ocupacional com movimentos repetitivos.

  • Retorno precoce às atividades desencadeantes.

  • Tabagismo.

  • Obesidade.

  • Diabetes mellitus.

  • Dor intensa na avaliação inicial.

  • Sintomas prolongados antes do início do tratamento.

  • Baixa adesão ao programa de reabilitação.

Complicações

Relacionadas à doença

  • Dor crônica.

  • Redução persistente da força de preensão.

  • Limitação funcional.

  • Incapacidade laboral temporária.

  • Recorrência dos sintomas.

Relacionadas ao tratamento

  • Infiltração com corticosteroides

    • Possíveis complicações:

      • atrofia cutânea;

      • despigmentação local;

      • lesão tendínea;

      • ruptura tendínea (rara);

      • infecção (incomum);

      • recorrência precoce da dor.

  • Tratamento cirúrgico

    • Possíveis complicações:

      • infecção;

      • rigidez do cotovelo;

      • lesão neurovascular (rara);

      • dor residual;

      • recidiva dos sintomas;

      • necessidade de reoperação (incomum).

Critérios de encaminhamento

Encaminhamento para Ortopedia

  • Considerar encaminhamento quando houver:

    • ausência de melhora após 6–12 meses de tratamento conservador bem conduzido;

    • dor persistente com importante limitação funcional;

    • dúvida diagnóstica;

    • suspeita de ruptura tendínea significativa;

    • indicação de infiltração em casos selecionados (conforme protocolo local);

    • avaliação para tratamento cirúrgico.

Encaminhamento para Fisioterapia

  • Indicado para praticamente todos os pacientes, especialmente quando houver:

    • limitação funcional;

    • dor persistente;

    • necessidade de programa estruturado de fortalecimento;

    • retorno esportivo;

    • recidivas.

Encaminhamento imediato

  • Avaliação especializada deve ser considerada precocemente diante de:

    • déficit neurológico;

    • instabilidade do cotovelo;

    • trauma importante;

    • suspeita de fratura;

    • infecção articular;

    • massa tumoral;

    • sinais sistêmicos inexplicados.

Orientações ao paciente

  • Explicar que a doença corresponde a uma tendinopatia por sobrecarga, e não a um processo inflamatório persistente.

  • Orientar que a recuperação costuma ser lenta, podendo exigir vários meses.

  • Manter as atividades cotidianas conforme tolerância, evitando apenas aquelas que exacerbem significativamente a dor.

  • Evitar repouso absoluto prolongado.

  • Realizar regularmente os exercícios prescritos.

  • Utilizar gelo após atividades que desencadeiem sintomas.

  • Corrigir fatores ergonômicos no trabalho e nas atividades domésticas.

  • Em esportistas, revisar técnica esportiva e equipamentos utilizados.

  • Retornar para reavaliação em caso de:

    • piora progressiva da dor;

    • surgimento de parestesias;

    • perda de força progressiva;

    • edema importante;

    • febre;

    • limitação importante da mobilidade.

Pontos-chave para a prática clínica

  • O diagnóstico é essencialmente clínico.

  • Exames de imagem não são necessários na maioria dos casos.

  • Exercícios de fortalecimento progressivo constituem a principal intervenção terapêutica.

  • AINEs promovem alívio sintomático, mas não modificam a evolução da tendinopatia.

  • Infiltrações com corticosteroides podem proporcionar melhora de curto prazo, porém apresentam maior risco de recorrência e não devem ser utilizadas rotineiramente.

  • A maioria dos pacientes evolui favoravelmente sem necessidade de cirurgia.

Referências

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Autoria e Curadoria

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