Insuficiência Suprarrenal
CID-10: E27.1 – Insuficiência adrenocortical primária
CID-10: E27.2 – Crise adrenal
Introdução
Distúrbio caracterizado pela deficiência de produção de glicocorticoides, com ou sem deficiência de mineralocorticoides e andrógenos.
Classifica-se em:
Primária (lesão da adrenal).
Secundária (deficiência de ACTH).
Terciária (deficiência de CRH, geralmente após retirada de corticoides).
A crise adrenal constitui emergência endocrinológica com elevada mortalidade quando não tratada precocemente.
Fluxograma de manejo
![fluxograma_insuficiencia_suprarrenal Insuficiência Suprarrenal — Fluxograma de investigação e manejo: o fluxograma organiza a abordagem diagnóstica e terapêutica da insuficiência suprarrenal em seis etapas sequenciais com ramificações baseadas em valores laboratoriais. A Etapa 1, Suspeita Clínica, parte da presença de sintomas compatíveis com insuficiência suprarrenal. A Etapa 2, Avaliação Inicial, consiste em dosar o cortisol sérico às 8h e o ACTH plasmático. A partir do resultado do cortisol basal, o fluxo ramifica em três possibilidades: cortisol menor que 3 mcg/dL confirma insuficiência suprarrenal; cortisol entre 3 e 15 mcg/dL indica a realização do teste de estímulo com ACTH; e cortisol maior que 15–18 mcg/dL torna a insuficiência suprarrenal improvável, encerrando a investigação. A Etapa 3, Teste de Estímulo com ACTH, é indicada para o intervalo intermediário e consiste em dosar o cortisol 30 e/ou 60 minutos após administração de ACTH na dose de 250 mcg por via intravenosa; um cortisol de pico menor que 18 mcg/dL confirma a insuficiência suprarrenal, enquanto um pico maior ou igual a 18 mcg/dL descarta o diagnóstico. Tanto o cortisol basal menor que 3 mcg/dL quanto o cortisol de pico menor que 18 mcg/dL convergem para a confirmação diagnóstica e prosseguem para a Etapa 4, Definir o Tipo, na qual ACTH elevado indica insuficiência primária e ACTH baixo ou normal indica insuficiência secundária ou terciária. A Etapa 5, Reposição Hormonal, prevê hidrocortisona com ajuste de dose e fludrocortisona apenas na insuficiência primária. A Etapa 6, Seguimento e Educação, contempla o ajuste de doses em situações de estresse (sick day rules), o uso de carteira ou bracelete de identificação, o plano de ação para crise adrenal e o acompanhamento regular. ACTH: hormônio adrenocorticotrófico. IV: via intravenosa. PCDT: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Fontes: [1] SBEM. Posicionamentos e consensos sobre insuficiência adrenal. Disponível em: endocrino.org.br; [2] SBEM. Guia Prático em Doenças Adrenais e Hipertensão Endócrina. São Paulo: Clannad, 2021; [3] BRASIL. Ministério da Saúde. CONITEC. Consulta Pública nº 39/2020 – PCDT da Insuficiência Adrenal. Brasília, 2020.](https://assets.gpmed.app/undefined/1784068147115_44a3523f.png)
Classificação

Principais causas
Primária
Adrenalite autoimune;
Tuberculose adrenal;
Hemorragia adrenal bilateral;
Adrenoleucodistrofia;
Metástases;
Infecções oportunistas.
Secundária/Terciária
Uso prolongado de glicocorticoides;
Tumores hipofisários;
Cirurgia hipofisária;
Radioterapia;
Síndrome de Sheehan.
Quando suspeitar
Suspeitar em pacientes com:
fadiga persistente;
perda de peso;
hipotensão ortostática;
anorexia;
náuseas e vômitos;
dor abdominal recorrente;
desejo excessivo por sal;
hiperpigmentação (primária);
hiponatremia;
hipercalemia (primária);
hipoglicemia;
história de uso prolongado de corticoides.
Diagnóstico
Exames iniciais
Solicitar:
Cortisol sérico às 8h da manhã;
ACTH plasmático;
Sódio;
Potássio;
Glicemia;
Hemograma;
Ureia e creatinina.
Interpretação do cortisol (8h)
< 3 mcg/dL
Fortemente sugestivo de insuficiência suprarrenal
3–15 mcg/dL
Realizar teste de estímulo com ACTH
> 15–18 mcg/dL
Insuficiência suprarrenal improvável
Interpretação do ACTH
Elevado
Insuficiência suprarrenal primária
Baixo ou inadequadamente normal
Insuficiência suprarrenal secundária/terciária
Teste de estímulo com ACTH
Indicado quando:
cortisol basal entre 3 e 15 mcg/dL;
persistência da suspeita clínica.
Ausência de resposta adequada confirma insuficiência suprarrenal.
Achados laboratoriais
Hiponatremia.
Hipercalemia (primária).
Hipoglicemia.
Eosinofilia.
Linfocitose relativa.
Anemia discreta.
Crise adrenal
Suspeitar em
hipotensão ou choque;
febre;
vômitos intensos;
dor abdominal;
alteração do nível de consciência;
hipoglicemia;
hiponatremia grave;
hipercalemia.
Critérios de internação
Crise adrenal;
Hipotensão persistente;
Choque;
Hiponatremia grave;
Hipercalemia significativa;
Hipoglicemia;
Vômitos persistentes;
Necessidade de tratamento intravenoso.
Critérios de encaminhamento
Encaminhar ao endocrinologista quando houver:
confirmação diagnóstica;
suspeita de insuficiência suprarrenal primária;
dificuldade diagnóstica;
necessidade de investigação etiológica;
recorrência de crise adrenal.
Prognóstico
Excelente quando há reposição hormonal adequada.
A principal complicação é a crise adrenal.
Educação do paciente e ajuste das doses em situações de estresse reduzem significativamente a morbimortalidade.
Alertas clínicos
Nunca atrasar o tratamento da crise adrenal aguardando exames;
Coletar cortisol e ACTH antes da primeira dose de hidrocortisona, se isso não atrasar o tratamento;
Hiperpigmentação e hipercalemia sugerem insuficiência suprarrenal primária;
Pacientes em uso crônico de glicocorticoides devem realizar retirada gradual para evitar insuficiência suprarrenal secundária;
Orientar todos os pacientes sobre ajuste da dose em situações de estresse e uso de identificação médica.
Referências
[1] SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA (SBEM). Posicionamentos e consensos sobre insuficiência adrenal. Disponível em: https://www.endocrino.org.br.
[2] SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA (SBEM). Guia Prático em Doenças Adrenais e Hipertensão Endócrina. São Paulo: Clannad Editora Científica, 2021.
[3] BRASIL. Ministério da Saúde. CONITEC. Consulta Pública nº 39/2020 – Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Insuficiência Adrenal. Brasília, 2020.
Autoria e Curadoria
As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.


