Infecção por HIV: Manejo Ambulatorial e TARV
CID-10: B24 – Doença pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
Introdução
Após a confirmação do diagnóstico de HIV, o manejo ambulatorial deve ser iniciado precocemente e envolve avaliação clínica completa, investigação de coinfecções e comorbidades, início imediato da terapia antirretroviral (TARV), monitorização laboratorial e acompanhamento longitudinal.
O objetivo é alcançar supressão viral sustentada, recuperação imunológica, redução da morbimortalidade e prevenção da transmissão do HIV.
A abordagem inicial deve incluir avaliação clínica completa, investigação de coinfecções e comorbidades, solicitação de exames laboratoriais basais, atualização do calendário vacinal e início oportuno da TARV.
O seguimento ambulatorial tem como objetivos alcançar supressão viral sustentada, promover recuperação imunológica, monitorar eventos adversos, identificar falha terapêutica e fortalecer a adesão ao tratamento.
Objetivos do manejo ambulatorial
O acompanhamento da pessoa vivendo com HIV deve ser direcionado para:
Iniciar a TARV o mais precocemente possível;
Alcançar e manter carga viral indetectável;
Promover recuperação e preservação da função imunológica;
Diagnosticar e tratar coinfecções e infecções oportunistas;
Identificar e controlar comorbidades;
Monitorar toxicidades relacionadas à TARV;
Promover adesão ao tratamento;
Reduzir a transmissão do HIV.
Primeira consulta após o diagnóstico
A primeira consulta deve ser realizada preferencialmente logo após a confirmação diagnóstica e não deve retardar o início da TARV, exceto em situações clínicas específicas.
Avaliação clínica
Investigar na anamnese:
História da infecção
Data do diagnóstico;
Motivo da realização do teste;
Data provável da infecção, quando conhecida;
Uso prévio de PEP ou PrEP;
Uso anterior de TARV.
Sinais e sintomas atuais
Febre;
Perda ponderal;
Sudorese noturna;
Tosse persistente;
Dispneia;
Diarreia crônica;
Cefaleia persistente;
Alterações visuais;
Disfagia;
Odinofagia;
Lesões cutâneas;
Lesões orais.
Antecedentes
Tuberculose;
Hepatites virais;
Infecções sexualmente transmissíveis;
Doença renal;
Hepatopatias;
Diabetes mellitus;
Hipertensão arterial;
Doença cardiovascular;
Neoplasias.
História sexual
Uso de preservativos;
Parceiros vivendo com HIV;
Histórico de IST;
Planejamento reprodutivo.
Hábitos de vida
Tabagismo;
Consumo de álcool;
Uso de drogas;
Uso de drogas injetáveis.
Saúde mental
Ansiedade;
Depressão;
Outros transtornos psiquiátricos;
Rede de apoio;
Possíveis barreiras à adesão.
Seguimento ambulatorial
Após o início da TARV, recomenda-se acompanhamento mais próximo nos primeiros meses para avaliação da adesão, tolerabilidade e resposta virológica.
Após estabilização clínica e supressão viral sustentada, o seguimento pode ser individualizado conforme estabilidade clínica, presença de comorbidades e recomendações do serviço.
Critérios para encaminhamento
Encaminhar ao infectologista ou discutir o caso diante de:
Falha virológica;
Resistência aos antirretrovirais;
Intolerância grave à TARV;
Coinfecções complexas;
Infecções oportunistas graves;
Gestação de alto risco;
Necessidade de esquemas antirretrovirais não usuais.
Referências
[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/pcdts. Acesso em: 30 jun. 2026.
[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/manuais. Acesso em: 30 jun. 2026.
[3] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2024. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/boletins-epidemiologicos. Acesso em: 30 jun. 2026.
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