Náuseas e Vômitos na Gravidez
CID-10: O21.0 – Hiperêmese gravídica leve
CID-10: O21.1 – Hiperêmese gravídica com distúrbios metabólicos
Introdução
As náuseas e vômitos da gravidez (NVG) constituem uma das intercorrências mais frequentes do período gestacional, afetando aproximadamente 85% das gestantes em algum grau. [4]
Em 25% dos casos, o quadro se restringe à náusea matinal isolada. Início típico entre a 5ª e a 9ª semana, com resolução progressiva entre a 16ª e a 20ª semana; persiste até o terceiro trimestre em 15% a 20% dos casos e até o parto em 5%. [4]
A evolução com necessidade de tratamento farmacológico situa-se em torno de 10% das gestações. [4]
A hiperêmese gravídica (HG) é a forma mais grave desse espectro, caracterizada por vômitos persistentes, perda de peso significativa (≥ 5% do peso pré-gestacional), desidratação e distúrbios metabólicos, sendo uma das principais causas de hospitalização no início da gravidez. [2][3][4]
Prevalência entre 0,3% e 3% das gestações, com estimativa mundial em torno de 1,1% de todos os quadros de NVG. [2][3][4]
Definição de consenso internacional (definição de Windsor, 2021):
Início dos sintomas antes de 16 semanas; náusea e vômitos, sendo pelo menos um dos dois de intensidade grave; incapacidade de comer ou beber normalmente; e restrição importante das atividades diárias. Sinais de desidratação contribuem para a definição, mas não são obrigatórios [5]
A mortalidade materna por NVG/HG é inferior a 1/10.000 nascimentos no Brasil e no mundo desenvolvido. [4]
Recorrência é comum em gestações futuras. Entre as mulheres que descreveram vômitos graves em uma gestação, cerca de dois terços relatam sintomas semelhantes na gestação seguinte; entre as que tiveram quadro leve, metade relata piora na gestação seguinte. [4]
Diferentemente das NVG de curso benigno, a HG compromete significativamente a capacidade de manter ingestão oral adequada, com repercussões sobre o estado nutricional materno e a evolução fetal. Reconhecimento precoce e manejo proativo são determinantes para a redução da morbidade associada. [2]
🔑 Pontos-chave:
Sintomas com início após a 9ª semana de gestação, ou acompanhados de febre, cefaleia ou sinais neurológicos, não são explicados por NVG/HG e exigem investigação de diagnóstico diferencial. [2][3][4]
PUQE (24h) > 6 define quadro moderado a grave e indica avaliação para internação. [4]
Reposição de tiamina é obrigatória antes de qualquer infusão de glicose em paciente com vômitos prolongados, para prevenção de encefalopatia de Wernicke. [2][3]
Suplementação com sais de ferro deve ser evitada na vigência de NVG/HG, pois agrava os sintomas. [1][3][4]
Hiporreflexia e dor à palpação de panturrilhas e coxas precedem em cerca de uma semana o acometimento encefálico potencialmente irreversível; nesse ponto, reposição agressiva de tiamina e internação de urgência não podem ser adiadas. Interrupção da gestação não é conduta indicada por esse achado isolado. [2][3][5]
Uso de polivitamínico no período periconcepcional associa-se a menor necessidade de atenção médica por NVG. [3][4]
Corticosteroide é reservado a casos refratários aos antieméticos; evitar antes de 10 semanas de gestação pelo risco de malformações fetais. [1][2][3]
🎯 Fluxograma de Manejo

Etiologia e Fatores de Risco
A etiologia é multifatorial. Nenhuma das teorias propostas isoladamente explica todos os casos, sendo mais adequado compreendê-las como fatores que atuam de forma sinérgica. [2]
Teoria endócrina
A gonadotrofina coriônica humana (hCG) é o principal hormônio implicado: seu pico de produção coincide com o período de maior incidência das NVG (7ª a 10ª semana). [3][4]
Maior intensidade dos sintomas em gestação múltipla, doença trofoblástica gestacional e fetos do sexo feminino (situações com hCG mais elevado) reforça essa associação. [3][4]
A progesterona e o estrogênio reduzem o tônus da musculatura lisa e a atividade peristáltica do trato gastrointestinal, contribuindo para os estímulos eméticos. [3]
Tabagismo materno associa-se a níveis mais baixos de hCG e estradiol, e a menor frequência de HG. [4]
Entre 5% e 66% das mulheres com HG apresentam TSH suprimido ou T4 livre elevado (tireotoxicose bioquímica transitória), na maioria dos casos sem relevância clínica; antitireoidianos não são indicados nesse cenário. [5][6]
Teoria genética
Taxas elevadas de recorrência em gestações subsequentes reforçam a predisposição genética. [2][3][4]
Risco de desenvolver NVG é três vezes maior quando mãe ou irmã apresentaram o quadro. [2][3]
Variantes nos genes GDF15, IGFBP7 e PGR têm sido associadas à placentação, à regulação do apetite e à sinalização inflamatória. [2]
Infecção por Helicobacter pylori
Padrões mais elevados de infecção por H. pylori são descritos em mulheres com NVG. [4]
Investigação deve se restringir aos casos refratários ao manejo convencional, especialmente os que se estendem ao segundo trimestre. [3]
Teoria psicogênica
Historicamente postulada como distúrbio de somatização relacionado a conflitos intrapsíquicos e estresse gestacional. [3]
É questionável a evidência de que as NVG sejam causadas por distúrbio psicológico primário. [3][4]
Depressão e ansiedade frequentemente coexistem com a HG, sendo mais prováveis sequelas da doença do que causas contribuintes. [2]
Fatores de risco
História pessoal de HG em gestação anterior (risco de recorrência de aproximadamente 24%). [2]
História familiar de HG (mãe com HG aumenta o risco em até 3 vezes). [2][3]
Gestação com feto do sexo feminino ou portador de síndrome de Down. [4]
História de enjoo de movimento ou náuseas associadas a enxaqueca. [2][3]
Gestação múltipla e doença trofoblástica gestacional (massa placentária aumentada). [2][3][4]
Comorbidades: disfunção tireoidiana, diabetes mellitus tipo 1, hipercolesterolemia. [2]
Infecção por H. pylori. [2]
Uso de multivitamínico periconcepcional como fator de risco reduzido. [3][4]
Tabagismo materno como fator de risco reduzido (menor hCG/estradiol). [4]
Quadro Clínico e Estadiamento
O início dos sintomas ocorre tipicamente em torno da 6ª semana de gestação, com resolução entre a 16ª e a 20ª semana na maioria dos casos (ver dados de persistência na Introdução). Sintomas que surgem pela primeira vez após a 9ª semana devem levar à consideração ativa de outros diagnósticos. [2][3]
Gravidade clínica
Forma moderada: êmese por 2 a 4 semanas; perda ponderal discreta (5% do peso pré-gestacional); frequência cardíaca abaixo de 100 bpm. [4]
Forma grave: perda ponderal de 6% a 8%; frequência cardíaca acima de 100 bpm; cetonúria pontual; salivação excessiva; sinais de hipovolemia e hipotensão ortostática. [4]
Estadiamento evolutivo da HG
A HG apresenta evolução clínica progressiva, podendo ser estadiada em quatro fases: [3]
Fase de desidratação
Náusea e ptialismo intensos, vômitos fortes com quadro de desidratação
Achados ao exame: redução do turgor e elasticidade da pele, olhos encovados, mucosas secas e pegajosas, língua áspera, taquicardia, hipotensão e hipotermia
Distúrbios hidroeletrolíticos iniciais: sódio elevado, cloro e potássio discretamente reduzidos
Hematócrito discretamente elevado por hemoconcentração
Fase metabólica
Somam-se ao quadro anterior: perda de peso > 5%, alterações da função hepática com elevação de enzimas e bilirrubinas (icterícia discreta), cetoacidose e cetonúria 2+ a 3+
Hipoalbuminemia, hiponatremia, hipopotassemia e hipoglicemia
Pode ocorrer hipotermia e torpor
Fase neurológica
Comprometimento oftálmico com lesões retinianas
Alterações neurológicas iniciais: hiporreflexia e dor à palpação das panturrilhas e coxas
Este quadro antecede o acometimento encefálico potencialmente irreversível em aproximadamente uma semana ("interstício crítico de Briquet")
Reposição agressiva de tiamina IV e internação de urgência com suporte multidisciplinar intensivo não podem ser adiadas nesta fase
Fase da psicose de Wernicke-Korsakoff
Encefalopatia por deficiência de tiamina: tríade de confusão mental, oftalmoplegia/nistagmo e ataxia (Wernicke), podendo evoluir para amnésia anterógrada e confabulação (Korsakoff) se não tratada
Quadro potencialmente irreversível se a reposição de tiamina não for imediata
Escore PUQE
O Pregnancy Unique Quantification of Emesis (PUQE) é o instrumento mais utilizado para classificar a gravidade das NVG.
Consulte o escore completo no tópico abaixo.
Escore PUQE

Escore PUQE: O Pregnancy Unique Quantification of Emesis (PUQE) é o instrumento mais utilizado para classificar a gravidade das NVG. A versão de 24 horas é preferida para fins diagnósticos. [2][3][4]
Pergunta 1: por quanto tempo se sentiu nauseada nas últimas 24 horas?
Nunca (1)
até 4 horas (2)
até 8 horas (3)
até 12 horas (4)
mais de 12 horas (5)
Pergunta 2: quantos episódios de vômito apresentou nas últimas 24 horas?
Nenhum (1)
1 episódio (2)
até 3 episódios (3)
até 4 episódios (4)
mais de 5 episódios (5)
Pergunta 3: quantos momentos de salivação intensa ou esforço de vômito nas últimas 24 horas?
Nenhum (1)
até 3 vezes (2)
até 5 vezes (3)
até 8 vezes (4)
o tempo todo (5)
Classificação:
≤ 6 pontos: forma leve
7 a 11 pontos: forma moderada
≥ 12 pontos: forma grave
O HyperEmesis Level Prediction (HELP) score, instrumento validado de 12 perguntas, é uma alternativa ao PUQE que pode ser mais precisa na extremidade grave do espectro clínico [5]
Diagnóstico
O diagnóstico de Hiperêmese Gravídica (HG) é eminentemente clínico e de exclusão, baseado na presença de vômitos persistentes associados à ausência de outra doença de base que justifique o quadro. Não há critérios diagnósticos universalmente estabelecidos. [2]
Principais achados clínicos que sustentam o diagnóstico de Hiperêmese Gravídica (HG): [1][2][3]
Vômitos incoercíveis com início entre a 6ª e a 14ª semana de gestação
Perda de peso corporal ≥ 5% do peso pré-gestacional
Desidratação grave
Distúrbios hidroeletrolíticos: hiponatremia, hipocalemia, hipocloria e alcalose metabólica
Cetonúria
Distúrbio neurológico (nas formas graves)
A anamnese deve contemplar: [3][4]
Intensidade e frequência das náuseas e vômitos (aplicar Escore PUQE)
Perda de peso e redução do volume urinário
Antecedentes pessoais e familiares de NVG, principalmente em mães e irmãs
Sangramento vaginal e aumento uterino incompatível com a idade gestacional, com suspeição de doença trofoblástica
Uso de medicamentos e substâncias; histórico de doenças gastrointestinais prévias
O exame físico deve avaliar: [2][3][4]
Estado de hidratação: pressão arterial, frequência cardíaca, turgor cutâneo, mucosas, tempo de enchimento capilar
Peso atual para comparação evolutiva
Exame abdominal e pélvico quando indicado
Sinais de deficiências nutricionais: alterações neurológicas, oftalmológicas e de coagulação
Diagnóstico Diferencial
Hiperêmese Gravídica (HG) é diagnóstico de exclusão. Febre, dor abdominal, cefaleia, sinais neurológicos, diarreia ou hipertensão sugerem etiologia alternativa. Início dos sintomas após a 9ª semana deve aumentar o grau de suspeição para outras causas. [2][3][4]
Hipertireoidismo bioquímico ou tireotoxicose gestacional transitória podem ser vistos na própria HG, caracterizados por T4 livre elevado e TSH suprimido, geralmente limitados à primeira metade da gravidez; não é recomendado o uso de medicamentos antitireoidianos nesse cenário. Bócio palpável não é esperado na HG e deve levantar suspeita de doença tireoidiana primária. [4]
Causas obstétricas [1][3][4]
Neoplasia trofoblástica gestacional
Gestação múltipla
Esteatose hepática aguda da gravidez
Pré-eclâmpsia
Causas gastrointestinais [1][2][3][4]
Gastroenterite, gastroparesia, acalasia
Doença do trato biliar, colelitíase, colecistite
Hepatite
Obstrução intestinal
Úlcera péptica
Pancreatite
Hérnia de hiato
Apendicite
Causas geniturinárias [2][3][4]
Pielonefrite
Uremia
Torção ovariana
Calculose renal
Leiomioma uterino em degeneração
Causas metabólicas e endócrinas [2][3][4]
Cetoacidose diabética
Porfiria
Doença de Addison
Hipertireoidismo e crise tireotóxica
Hiperparatireoidismo
Causas neurológicas [2][3][4]
Pseudotumor cerebral
Lesões vestibulares
Enxaqueca
Tumores do sistema nervoso central
Hipofisite linfocítica
Causas diversas [2][3][4]
Intoxicação exógena: quimioterápicos, anti-inflamatórios, digoxina, anti-hipertensivos, betabloqueadores, diuréticos, anticonvulsivantes, aminofilina, álcool e drogas ilícitas
Distúrbios psiquiátricos e condições psicológicas
Exames Complementares
Os exames laboratoriais e de imagem são utilizados para subsidiar o diagnóstico diferencial, aferir o comprometimento sistêmico e monitorar a resposta terapêutica. A maioria das pacientes com NVG leve não necessita de exames laboratoriais. [3][4]
Avaliação inicial (quadros moderados a graves, ou dúvida diagnóstica) [3][4]
Hemograma
Sódio, potássio, cloro, cálcio e magnésio
Ureia e creatinina
Função hepática: AST, ALT, GamaGT, fosfatase alcalina, bilirrubinas
Amilase e lipase
TSH e T4 livre
Glicose
Sumário de urina e urocultura
Sorologias para não vacinadas: sífilis, HIV, toxoplasmose, rubéola e hepatites A, B e C
Achados laboratoriais esperados na HG [3]
Hematócrito elevado (hemoconcentração), que pode mascarar anemia megaloblástica subjacente por deficiência de B12/folato em quadros prolongados
Transaminases, amilase, lipase e bilirrubinas elevadas
Ureia e creatinina elevadas
Glicose e proteínas diminuídas
Tiamina baixa
TSH diminuído; T3 e T4 elevados
Cloro, potássio e sódio diminuídos; alcalose metabólica à gasometria
Densidade urinária elevada e cetonúria
Imagem [2][3][4]
Ultrassonografia obstétrica: indicada para afastar doença trofoblástica gestacional e gestação múltipla, especialmente na presença de sangramento genital ou volume uterino incompatível com a idade gestacional
Ultrassonografia abdominal: indicada quando há elevação significativa de enzimas hepáticas, para avaliação de colelitíase ou anormalidades vasculares
Ressonância magnética: preferida em situações não urgentes onde se suspeita de causa abdominal alternativa (ex.: apendicite), por poupar exposição à radiação
Avaliação complementar nos casos refratários [3]
Repetição das funções hepática e renal
Esofagogastroduodenoscopia, com pesquisa de H. pylori concomitante
Avaliação neurológica com punção liquórica e/ou neuroimagem (tomografia ou ressonância magnética), para afastar complicações encefálicas e avaliar risco de síndrome de Wernicke
Tratamento Não Farmacológico
Nas formas leves (PUQE ≤ 6), as medidas não farmacológicas constituem a primeira linha de abordagem e podem ser suficientes para controle dos sintomas. Devem ser orientadas a todas as gestantes com NVG, independentemente da gravidade. [3][4]
Prevenção [3][4]
Uso de polivitamínico no período periconcepcional associa-se a menor necessidade de atenção médica por NVG
Evitar suplementação à base de sais de ferro, que agrava os sintomas
Tratamento precoce das NVG pode reduzir a progressão para HG [4][7]
Apoio psicoemocional [3]
Fundamental em todos os casos; o medo e a ansiedade potencializam o quadro emético
O suporte deve ser familiar e profissional; psicoterapia pode ser indicada nos casos de maior complexidade
Deve-se evitar frases que minimizem as queixas da gestante
Orientações alimentares [1][3][4]
Fracionar a alimentação em pequenas porções a cada 1 a 3 horas; evitar jejum prolongado
Preferir alimentos secos, suaves e ricos em proteínas ou carboidratos (pão, torradas, arroz, batata, macarrão, biscoitos pela manhã antes de se levantar)
Refeições ricas em proteína têm maior efeito de alívio das NVG do que refeições ricas em carboidratos ou em gordura
Evitar alimentos gordurosos, apimentados, muito doces ou com odor forte
Reduzir a ingestão de líquidos durante as refeições; hidratação oral 30 a 60 minutos após
Preferir alimentos frios ou em temperatura ambiente, evitando o cheiro de comida quente
Descansar após as refeições; evitar movimentos bruscos; usar roupas soltas
Evitar estímulos sensoriais desencadeantes: odores, calor, umidade, ruído e estímulos luminosos
Terapias complementares [3][4]
Gengibre: doses de 250 mg por via oral 4 vezes ao dia (até 1 g/dia); evitar em pacientes em uso de anticoagulantes pela potencial inibição plaquetária [3]
Acupressão e acupuntura: ponto PC6 (pericárdio 6), a duas polegadas proximais à prega distal do punho, entre os tendões do músculo palmar longo e do flexor radial do carpo; a própria gestante pode pressionar o ponto [3][4]
Hidroginástica e atividades físicas de baixo impacto articular [3]
Tratamento Farmacológico Ambulatorial
Indicado quando as medidas não farmacológicas são insuficientes. A abordagem segue uma progressão escalonada, partindo dos agentes mais seguros. Nas formas leves (PUQE ≤ 6), o tratamento é ambulatorial por via oral. [2][3][4]
Primeira linha [1][2][3][4]
Piridoxina (Vitamina B6) comp. 40 mg
10 a 25 mg VO a cada 8 horas
Piridoxina + Doxilamina comp. 10+10mg ou 20+20mg (manipulado)
Comp. 10+10 mg: 2 comprimidos à noite inicialmente; pode-se acrescentar 1 comprimido pela manhã e 1 à tarde conforme necessidade
Comp. 20+20mg: 1 comprimido à noite inicialmente; pode-se acrescentar 1 comprimido pela manhã conforme necessidade
Considerações
Piridoxina: doses acima de 500 mg/dia estão associadas a neuropatia periférica [2]
A combinação (Piridoxina + Doxilamina) é recomendada pelo ACOG como primeira linha no tratamento ambulatorial das NVG [2][4]
A combinação (Piridoxina + Doxilamina) não é disponível no Brasil em formulação industrializada; pode ser manipulada [2]
Segunda linha [2][10]
Podem ser adicionados à primeira linha quando os sintomas permanecem insuficientemente controlados. [2]
Dimenidrinato (Dramin®) comp. 50 mg
25 a 50 mg VO a cada 4 a 6 horas, conforme necessidade
Meclozina (Meclizina) (Meclin®, Meclin® Move) comp. 25 mg e 50 mg
25 a 100 mg/dia, VO, em doses divididas de 12/12h
Prometazina (Fenergan®) comp. 25 mg
12,5 a 25 mg VO a cada 4 a 6 horas
Prometazina supositório retal 25 mg
Via retal: 1 supositório de 25 mg a cada 4 a 6 horas
Considerações
Efeito colateral principal da classe: sonolência
Terceira linha [2][4]
Podem ser adicionados às linhas anteriores para vômitos persistentes sem desidratação. [2]
Metoclopramida (Plasil®) comp. 10 mg
5 a 10 mg VO a cada 6 a 8 horas
Ondansetrona (Vonau®, Zofran®) comp. 4 mg e 8 mg
4 mg VO a cada 8 horas
Trimetobenzamida sol. inj. 100 mg/mL (ampola de 2 mL = 200 mg)
200 mg IM a cada 6 a 8 horas
Não comercializada no Brasil; conferir disponibilidade antes de prescrever
Considerações
Metoclopramida: monitorar manifestações extrapiramidais (tremores de extremidade e desequilíbrio postural) [2]
⚠️ Ondansetrona: evitar no primeiro trimestre sempre que possível; risco absoluto de malformação orofacial ou cardíaca considerado baixo [2][4]
Ondansetrona: risco de prolongamento do intervalo QT relevante para dose IV única acima de 16 mg (motivo da retirada da antiga dose única de 32 mg do mercado, alerta FDA 2012); atenção redobrada em combinação com anti-histamínicos [2]
Tratamento Hospitalar
A internação está indicada nas formas moderadas e graves (PUQE > 6), ou quando há vômitos persistentes apesar dos antieméticos orais, intolerância à ingesta oral, desidratação grave, distúrbios eletrolíticos ou necessidade de monitorização mais rigorosa. [2][3][4]
Cuidados gerais
Controle diário de peso e diurese [1][3][4]
Suspender alimentação nas primeiras 24 a 48 horas; após estabilização, reintroduzir progressivamente: dieta líquida → sólida/branda, pobre em lipídios e rica em carboidratos, em pequenas porções a cada 3 horas [1][3][4]
Evitar suplementação à base de sais de ferro [1][3][4]
Apoio psicológico à paciente e à família, com equipe multidisciplinar; psicoterapia quando necessário [1][4]
Avaliar risco de tromboembolismo venoso e oferecer tromboprofilaxia quando indicada, dado o risco aumentado por desidratação e imobilidade [5]
Rastrear ativamente sintomas de ansiedade, depressão e ideação suicida; encaminhar para saúde mental perinatal quando identificados [5]
Reposição hidroeletrolítica
Hidratação venosa [2][3][4]
Solução glicofisiológica: 2.000 a 4.000 mL em 24 horas; não exceder 6.000 mL/24h
Titular para manter débito urinário ≥ 100 mL/hora
Considerações
Soluções glicosadas devem ser usadas com cautela: podem precipitar a síndrome de Wernicke
Reposição de tiamina [2][3]
Tiamina 100 mg em 100 mL de SF 0,9%, IV, em 30 minutos, obrigatória antes de qualquer infusão de glicose
Nos casos de hidratação venosa prolongada: repor também vitaminas B6, C e K
Reposição eletrolítica [2][3]
Hiponatremia leve assintomática (Na: 130 a 135 mEq/L): SF 0,9%
Hipocalemia leve (K: 3,0 a 3,5 mEq/L): KCl xarope 6% ou comprimido 6 mEq, 10 a 20 mL ou 1 comprimido VO a cada 6 horas, após as refeições
Monitorar potássio, cálcio, magnésio e sódio, com reposição IV conforme necessidade
Antieméticos para casos moderados a graves e refratariedade [1][2][3][4][5][6][8][9][11][12][13][14][15]
Ondansetrona (Ansentron®) sol. inj. 2 mg/mL (ampola 2 e 4 mL)
8 mg IV a cada 6 horas
Administração: bolus direto, sem diluição, em 2 a 5 minutos
Metoclopramida (Plasil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
1 ampola de 2 mL (10 mg), IV, a cada 6 horas
Administração: diluir em 20-50 mL de SF 0,9% ou SG 5%, infundir em 5-15 minutos; respeitar intervalo mínimo de 6 horas entre doses
Dimenidrinato + Piridoxina sol. inj. (Dramin B6®) 3 mg/mL + 5 mg/mL (ampola 10 mL)
1 ampola de 10 mL, IV, a cada 6 horas
Administração: diluir em 100 mL de SF 0,9%, infundir em 60 minutos
Prometazina (Fenergan®) sol. inj. 25 mg/mL
1 ampola (25 mg), IM, a cada 8 horas
Administração: via IM profunda é a preferencial; evitar via IV, pois extravasamento ou injeção intra-arterial inadvertida pode causar necrose e gangrena periférica
Clorpromazina (Amplictil®) comp. 25 mg e 100 mg; sol. oral (gotas) 40 mg/mL (1 gota = 1 mg)
RCOG/Lancet 2026: 10 a 25 mg VO a cada 4 a 6 horas
Administração: comprimido não deve ser partido ou mastigado; a apresentação em gotas permite ajuste mais fino da dose
Clorpromazina (Clorpromaz®, Longactil®) sol. inj. 5 mg/mL
RCOG/Lancet 2026: 10 a 25 mg IM ou IV a cada 4 a 6 horas
ACOG 2018: 25 a 50 mg IM ou IV a cada 4 a 6 horas
Administração IV (off-label): diluir em SF 0,9% (500 mL para cada 25 mg); em injeção direta, não exceder 1 mg/minuto; manter a paciente deitada por 30 minutos após a aplicação, pelo risco de hipotensão; bula nacional (Clorpromaz®) restrita à via IM, sem estudo para via IV
Proclorperazina comp. 5mg ou 10mg
5 a 10 mg VO a cada 6 a 8 horas, ou 3 mg por via bucal a cada 6 a 8 horas
Proclorperazina sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
12,5 mg IM ou IV a cada 8 horas
Administração: via IV em infusão lenta, até 5 mg/minuto; dose única máxima de 10 mg; dose diária máxima (IM ou IV) de 40 mg; pode ser administrada sem diluição ou diluída em solução isotônica
Proclorperazina supositório retal 25 mg
RCOG/Lancet 2026: 25 mg 1 vez ao dia
ACOG: 25 mg a cada 12 horas
Considerações
Ondansetrona: melhor resposta nos casos de HG com hipovolemia; substituir por outro antiemético após resolução do quadro agudo, se ainda necessário
Ondansetrona: evitar no primeiro trimestre sempre que possível; risco absoluto de malformação orofacial ou cardíaca considerado baixo
Ondansetrona: risco de prolongamento do intervalo QT relevante para dose IV única acima de 16 mg (motivo da retirada da antiga dose única de 32 mg do mercado, alerta FDA 2012); atenção redobrada em combinação com anti-histamínicos
Metoclopramida: antiemético de segunda escolha nos casos moderados a graves; monitorar manifestações extrapiramidais; risco aumentado em combinação com fenotiazínicos
Fenotiazínicos (prometazina, clorpromazina, proclorperazina): monitorar sedação, distonia e hipotensão
Clorpromazina: a solução oral (Amplictil® gotas) contém 9,69% de álcool etílico e sacarose; atenção em diabéticas
Corticosteroides [1][2][3][16][17]
Reservados para casos refratários aos antieméticos. Têm capacidade de cessar os vômitos em até 2 horas. Evitar uso antes de 10 semanas de gestação pelo risco de malformações fetais.
Metilprednisolona (succinato sódico) sol. inj. 500 mg
16 mg IV a cada 8 horas por 3 dias; reduzir gradualmente ao longo de 2 semanas até a menor dose eficaz; duração máxima total de 6 semanas
Administração: infusão lenta; não administrar em bolus direto nas doses moderadas a altas, pelo risco de hipotensão e arritmia cardíaca
Metilprednisolona comp. 4 mg e 16 mg
16 mg VO a cada 8 horas por 3 dias; reduzir gradualmente ao longo de 2 semanas até a menor dose eficaz; duração máxima total de 6 semanas
Hidrocortisona comp. 5 mg, 10 mg e 20 mg
50 mg VO a cada 12 horas
Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg e 20 mg
10 mg VO a cada 12 horas
Dexametasona sol. inj. 2 mg/mL (ampola 1 mL) e 4 mg/mL (ampola 2,5 mL)
Dose equivalente a metilprednisolona 16mg:
3 mg de dexametasona IV a cada 8 horas por 3 dias; reduzir gradualmente ao longo de 2 semanas até a menor dose eficaz; duração máxima total de 6 semanas
Considerações
Todos os corticosteroides devem ser associados à reposição de vitaminas do complexo B, principalmente B1 e B6 [3]
💊 Como Prescrever?
Primeira linha (ambulatorial)
Piridoxina (Vitamina B6) comp. 40 mg
10 a 25 mg VO a cada 8 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Piridoxina + Doxilamina comp. 10 mg + 10 mg ou 20 mg + 20 mg (manipulado)
Comp. 10 mg + 10 mg: 2 comprimidos à noite inicialmente; pode-se acrescentar 1 comprimido pela manhã e 1 à tarde conforme necessidade
Comp. 20 mg + 20 mg: 1 comprimido à noite inicialmente; pode-se acrescentar 1 comprimido pela manhã conforme necessidade
Administração: via oral, sem orientações específicas
Não disponível no Brasil em formulação industrializada; pode ser manipulada
Segunda linha (ambulatorial)
Dimenidrinato (Dramin®) comp. 50 mg
25 a 50 mg VO a cada 4 a 6 horas, conforme necessidade
Administração: via oral, sem orientações específicas
Meclozina (Meclizina) (Meclin®) comp. 25 mg e 50 mg
25 a 100 mg/dia, VO, em doses divididas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Prometazina (Fenergan®) comp. 25 mg
12,5 a 25 mg VO a cada 4 a 6 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Prometazina supositório retal 25 mg
1 supositório de 25 mg a cada 4 a 6 horas
Administração: via retal, sem orientações específicas
Terceira linha (ambulatorial)
Metoclopramida (Plasil®) comp. 10 mg
5 a 10 mg VO a cada 6 a 8 horas
Administração: ingerir 10 minutos antes das refeições; comprimido deve ser ingerido inteiro, sem mastigar
Ondansetrona (Vonau®, Zofran®) comp. 4 mg e 8 mg
4 mg VO a cada 8 horas
Administração:
Zofran®, ingerir com água;
Vonau®, comprimido de desintegração oral, colocar na ponta da língua e deixar dissolver
Trimetobenzamida sol. inj. 100 mg/mL (ampola 2 mL = 200 mg)
200 mg IM a cada 6 a 8 horas
Administração: exclusivamente via IM; não recomendada por via intravenosa
Hospitalar: hidratação e eletrólitos
Solução glicofisiológica: 2.000 a 4.000 mL em 24 horas; não exceder 6.000 mL/24h
Tiamina 100 mg em 100 mL de SF 0,9%, IV, em 30 minutos, antes de qualquer infusão de glicose
KCl xarope 6% ou comprimido 6 mEq: 10 a 20 mL ou 1 comprimido VO a cada 6 horas, após as refeições (hipocalemia leve)
Hospitalar: antieméticos
Ondansetrona (Ansentron®) sol. inj. 2 mg/mL (ampola 2 e 4 mL)
8 mg IV a cada 6 horas
Administração: bolus direto, sem diluição, em 2 a 5 minutos
Metoclopramida (Plasil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
1 ampola de 2 mL (10 mg), IV, a cada 6-8 horas
Administração: diluir em 20-50 mL de SF 0,9% ou SG 5%, infundir em 15 minutos; respeitar intervalo mínimo de 6 horas entre doses
Dimenidrinato + Piridoxina sol. inj. (Dramin B6®) 3 mg/mL + 5 mg/mL (ampola 10 mL)
1 ampola, IV, a cada 6 horas
Administração: diluir em 100 mL de SF 0,9%, infundir em 60 minutos
Prometazina (Fenergan®) sol. inj. 25 mg/mL (ampola 2 mL)
1 ampola (25 mg), IM, a cada 8 horas
Administração: via IM profunda é a preferencial; evitar via IV, pois extravasamento ou injeção intra-arterial inadvertida pode causar necrose e gangrena periférica
Clorpromazina (Amplictil®) comp. 25 mg e 100 mg; sol. oral (gotas) 40 mg/mL (1 gota = 1 mg)
RCOG/Lancet 2026: 10 a 25 mg VO a cada 4 a 6 horas
Administração: comprimido não deve ser partido ou mastigado; a apresentação em gotas permite ajuste mais fino da dose
Clorpromazina (Clorpromaz®, Longactil®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 5 mL)
RCOG/Lancet 2026: 10 a 25 mg IM ou IV a cada 4 a 6 horas;
ACOG 2018: 25 a 50 mg IM ou IV a cada 4 a 6 horas
Administração:
IV (off-label): diluir em SF 0,9% (500 mL para cada 25 mg); não exceder 1 mg/minuto de infusão; manter a paciente deitada por 30 minutos após a aplicação
Proclorperazina comp. 5 mg e 10 mg
RCOG/Lancet 2026: 5 a 10 mg VO a cada 6 a 8 horas, ou 3 mg por via bucal a cada 6 a 8 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Proclorperazina sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
IM: RCOG/Lancet 2026, 12,5 mg a cada 8 horas
IV: RCOG/Lancet 2026, 12,5 mg a cada 8 horas
Administração:
IM: sem orientações específicas
IV: infusão lenta, até 5 mg/minuto; dose única máxima de 10 mg; dose diária máxima (IM ou IV) de 40 mg; pode ser administrada sem diluição ou diluída em solução isotônica
Proclorperazina supositório retal 25 mg
RCOG/Lancet 2026: 25 mg 1 vez ao dia
ACOG/StatPearls: 25 mg a cada 12 horas
Administração: via retal, sem orientações específicas
Hospitalar: corticosteroides
Metilprednisolona (succinato sódico) sol. inj. 500 mg
16 mg IV a cada 8 horas por 3 dias; reduzir gradualmente ao longo de 2 semanas até a menor dose eficaz; duração máxima total de 6 semanas
Administração: infusão lenta; não administrar em bolus direto nas doses moderadas a altas
Metilprednisolona comp. 4 mg e 16 mg
16 mg VO a cada 8 horas por 3 dias; reduzir gradualmente ao longo de 2 semanas até a menor dose eficaz; duração máxima total de 6 semanas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Hidrocortisona comp. 5 mg, 10 mg e 20 mg
50 mg VO a cada 12 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg e 20 mg
10 mg VO a cada 12 horas
Administração: via oral, sem orientações específicas
Dexametasona sol. inj. 2 mg/mL (ampola 1 mL) e 4 mg/mL (ampola 2,5 mL)
Dose equivalente a metilprednisolona 16mg:
3 mg de dexametasona IV a cada 8 horas por 3 dias; reduzir gradualmente ao longo de 2 semanas até a menor dose eficaz; duração máxima total de 6 semanas
Terapia adjuvante
Omeprazol (Losec®, Peprazol®) comp. 20 mg
20 mg VO 1 vez ao dia
Administração: via oral, sem orientações específicas
Pantoprazol (Pantozol®, PantoCal®) sol. inj. 40 mg
40 mg IV 1 vez ao dia
Administração: reconstituir com o diluente próprio (10 mL); pode ser administrado sem diluição adicional ou diluído em 100 mL de SF 0,9% ou SG 5%; em bolus, no mínimo 2 minutos, ou em infusão de 15 minutos
Suporte Nutricional
Indicado quando a ingestão oral permanece insuficiente apesar das demais intervenções. [2]
Nutrição enteral [2]
Método preferencial; a sonda nasogástrica é utilizada em primeiro lugar pela eficácia e menor risco de complicações
Nos casos de intolerância à sonda nasogástrica ou necessidade de suporte prolongado: considerar sonda nasojejunal ou gastrojejunostomia endoscópica percutânea (PEG-J)
Nutrição parenteral [2]
Reservada para casos em que a via enteral não é viável
Nutrição parenteral periférica: suporte de curto prazo, com capacidade de concentração limitada
Nutrição parenteral central (acesso PICC): suporte nutricional mais abrangente; risco aumentado de infecção e trombose, especialmente relevante na gestação; usar apenas como último recurso
Quando a via parenteral for utilizada por mais de 48 horas: repor vitaminas do complexo B e vitamina C
Metas nutricionais [2]
Necessidades calóricas calculadas por fórmulas preditivas, ajustadas para estresse e déficit nutricional
Proteínas: 1,1 a 1,52 g/kg/dia
Carboidratos: mínimo de 175 g/dia para prevenir cetose
Gorduras: 20% a 35% do aporte calórico total
Suplementação de DHA: 300 mg/dia
Hidratação: mínimo de 3 L de fluidos diários (incluindo líquidos dos alimentos)
Suplementação de micronutrientes: tiamina (B1), ferro, cálcio, magnésio, vitamina D e iodo
Monitorização laboratorial diária até estabilização; depois semanal em regime ambulatorial
Terapia Adjuvante
Omeprazol (Losec®, Peprazol®) comp. 20 mg
20 mg VO 1 vez ao dia [1]
Indicado na presença de refluxo gastroesofágico associado
Pantoprazol (Pantozol®) sol. inj. 40 mg
40 mg IV 1 vez ao dia [2]
Inibidor de bomba de prótons utilizado no contexto hospitalar para proteção gástrica
Ranitidina (uso banido)
Era anteriormente utilizada como adjuvante na dose de 150 mg VO a cada 12 horas ou 50 mg IV a cada 8 horas [1][3]
Em desuso após retirada global do mercado em 2020 devido à contaminação por N-nitrosodimetilamina (NDMA)
Complicações
Nos casos graves ou não tratados adequadamente, a HG pode evoluir com complicações maternas e fetais significativas. [1][2]
Complicações maternas [1][2]
Encefalopatia de Wernicke: deficiência de tiamina, com tríade de confusão mental, oftalmoplegia/nistagmo e ataxia, potencialmente irreversível [2][5]
Síndrome de Mallory-Weiss: laceração da mucosa esofagogástrica por vômitos repetidos
Síndrome de Boerhaave: ruptura esofágica (rara, porém grave)
Tromboembolismo venoso: razão de chances de 2,5 (IC95% 2,0 a 3,2) em relação à gestação sem HG, por desidratação e imobilidade [5]
Coagulopatia por deficiência de vitamina K
Insuficiência renal aguda por desidratação grave
Arritmias cardíacas por desequilíbrios eletrolíticos, incluindo prolongamento do intervalo QT por antieméticos (metoclopramida, ondansetrona) associado a distúrbio eletrolítico não corrigido [5]
Rabdomiólise
Disfunção hepática (elevação de transaminases em até metade dos casos)
Pneumotórax, hemorragias retinianas, lesão esplênica (raros)
Complicações psicológicas: ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático são mais frequentes que em gestações sem HG; ideação suicida ocasional em cerca de um quarto das pacientes e regular em torno de 7%; interrupção de gestação desejada ocorre em 5% a 15% dos casos, geralmente refletindo desespero pelo sintoma não controlado, não rejeição à gravidez [2][5]
Complicações fetais [2]
Restrição do crescimento fetal
Prematuridade
Baixo peso ao nascer
Pequeno para a idade gestacional
Descolamento prematuro de placenta e pré-eclâmpsia (especialmente no segundo trimestre)
Prognóstico
Prognóstico materno
Favorável quando o diagnóstico é precoce e o manejo é adequado; a maioria das mulheres se recupera sem sequelas permanentes com suporte nutricional, terapia farmacológica e monitorização rigorosa [2]
O principal risco de desfecho grave está associado ao atraso no diagnóstico e à não reposição de tiamina, que pode resultar em encefalopatia de Wernicke irreversível [2]
Risco de recorrência em gestação subsequente é 8,2 vezes maior após história de HG, e 10,8 vezes maior após HG grave (com necessidade de internação); risco de HG na terceira gestação chega a 30 vezes maior após duas gestações consecutivas afetadas [5]
Até 20% das mulheres permanecem com sintomas de transtorno de estresse pós-traumático após a gestação; ansiedade, depressão e sintomas emocionais também são mais frequentes após gestação com HG [5]
Possível aumento de incidência de câncer colorretal, de bexiga e de tireoide em mulheres com história de HG; evidência de maior risco cardiovascular após HG é inconsistente entre estudos [5]
Prognóstico fetal
As formas moderadas de NVG não estabelecem, de forma consistente, relação de causa e efeito com desfechos adversos fetais [2]
Nas formas graves de HG, a exposição prolongada da placenta e do feto aos desequilíbrios hidroeletrolíticos e metabólicos pode elevar as taxas de prematuridade, baixo peso ao nascer e crescimento fetal restrito [2][5]
Achados emergentes, ainda com confirmação pendente, apontam possível aumento do risco de TDAH, transtorno do espectro autista, alterações no desenvolvimento cognitivo e motor, distúrbios de sono e transtornos de ansiedade em filhos expostos à HG intrauterina; em filhos do sexo masculino, possível aumento do risco de câncer testicular até os 40 anos [2][5]
Terapias Emergentes
Para casos de HG refratária, algumas opções terapêuticas alternativas têm sido investigadas, com resultados iniciais promissores. As evidências ainda são limitadas e seu uso deve ser considerado individualmente. [2]
Gabapentina: redução na gravidade das náuseas e melhora da ingestão nutricional
Clonidina transdérmica: alívio dos sintomas em pacientes com intolerância à medicação oral
Diazepam IV: pode reduzir a taxa de reinternação quando associado à hidratação venosa
Droperidol associado à difenidramina: redução do tempo de internação; droperidol associado a risco de prolongamento do QT
Mirtazapina e olanzapina: consideradas em casos complexos e de difícil controle
Referências
[1] UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO. Maternidade-Escola. Rotinas Assistenciais: Hiperêmese Gravídica. Rio de Janeiro: UFRJ, s/d. Disponível em: https://www.me.ufrj.br
[2] VADAKEKUT, Elsa S.; MAHDY, Heba. Hyperemesis Gravidarum. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026. Última atualização: 6 jul. 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK532917/. Acesso em: 2 abr. 2026.
[3] RODRIGUES, Karina Sampaio Cavalcanti; LIMA, Priscilla Santos de Oliveira Santa Rosa; MOURA, Victor Alencar de. Hiperêmese Gravídica. Protocolo PRT.DM.010. Santa Cruz: Hospital Universitário Ana Bezerra – UFRN/EBSERH; 2021. Disponível em: https://huab-ufrn.ebserh.gov.br
[4] FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Náuseas e vômitos na gravidez. Femina. 2026;54(3):220-6. Protocolo Febrasgo de Obstetrícia, nº 68/Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-Natal. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br
[5] NANA, Melanie; PAINTER, Rebecca; WILLIAMSON, Catherine; NELSON-PIERCY, Catherine. Hyperemesis gravidarum. Lancet. 2026;407(10523):78-89. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(25)01454-0
[6] AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS. Committee on Practice Bulletins-Obstetrics. ACOG Practice Bulletin No. 189: Nausea and Vomiting of Pregnancy. Obstetrics & Gynecology. 2018;131(1):e15-e30.
[7] KOTHARI, Shivangi; AFSHAR, Yalda; FRIEDMAN, Lawrence S.; AHN, Joseph. AGA Clinical Practice Update on Pregnancy-Related Gastrointestinal and Liver Disease: Expert Review. Gastroenterology. 2024;167(5):1033-1045. Disponível em: https://doi.org/10.1053/j.gastro.2024.06.014
[8] UNIÃO QUÍMICA FARMACÊUTICA NACIONAL S/A. Clorpromaz® (cloridrato de clorpromazina) solução injetável 5 mg/mL: bula do medicamento (profissional de saúde), aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 29 out. 2025.
[9] BLANVER FARMOQUÍMICA E FARMACÊUTICA S.A. Amplictil® (cloridrato de clorpromazina) comprimido revestido 25 mg e 100 mg; solução oral 40 mg/mL: bula do medicamento (profissional de saúde), aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 31 mar. 2025.
[10] APSEN FARMACÊUTICA S.A. Meclin®/Meclin® Move (dicloridrato de meclozina) comprimidos 25 mg e 50 mg: bula do medicamento (profissional de saúde), aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 9 dez. 2025.
[11] CAPLIN STERILES LIMITED. Prochlorperazine Edisylate Injection, USP: prescribing information. Revisão abr. 2026.
[12] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico: Clorpromazina. São Paulo: HSL. Atualizado em 3 jun. 2026. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/clorpromazina
[13] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico: Ondansetrona. São Paulo: HSL. Atualizado em 12 jan. 2021. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/ondansetrona
[14] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico: Metoclopramida. São Paulo: HSL. Atualizado em 13 abr. 2023. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/metoclopramida
[15] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico: Prometazina. São Paulo: HSL. Atualizado em 9 ago. 2022. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/prometazina
[16] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico: Metilprednisolona, succinato sódico. São Paulo: HSL. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/metilprednisolona-succinato-sodico
[17] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico: Hidrocortisona. São Paulo: HSL. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/hidrocortisona
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