Lesão por Queimadura Térmica em Crianças
CID 10: T30 - Queimadura e corrosão, parte não especificada do corpo
CID 10: T29 - Queimaduras e corrosões de múltiplas regiões do corpo
CID 10: T20 - Queimadura e corrosão da cabeça e pescoço
Introdução
Queimaduras constituem uma das principais causas de trauma em crianças, com implicações clínicas, funcionais e psicossociais relevantes. [1]
A maioria das queimaduras pediátricas são leves e pode ser tratada em regime ambulatorial, sem necessidade de encaminhamento imediato a um centro especializado. [1]
Crianças pequenas representam um grupo de risco especial:
vias aéreas mais estreitas e mais propensas à obstrução por inflamação ou edema [1]
maior risco de hipotermia durante o resfriamento e curativos úmidos [1]
maior vulnerabilidade a queimaduras por escaldão (líquidos quentes) [1]
maior risco de desenvolvimento de cicatrizes hipertróficas: inevitáveis quando a epitelização leva mais de 10–14 dias em crianças negras e pequenas, e mais de 14–21 dias nas demais [1]
A mortalidade por queimaduras é maior em crianças de países de baixa renda; queimaduras são a terceira principal causa de morte por trauma não intencional em crianças nos Estados Unidos. [3]
O manejo adequado desde a fase inicial é determinante para o prognóstico funcional e estético a longo prazo. [1][2]
Classificação
Queimaduras são classificadas por:
Profundidade e por extensão (área total da superfície corporal, TBSA). [1]
A classificação precisa determina o tratamento, o prognóstico e a necessidade de internação ou encaminhamento especializado. [1]
Uma classificação precisa nem sempre é possível inicialmente e pode levar até três semanas para ser estabelecida. [1]
Por Profundidade
Queimadura superficial (epidérmica; 1º grau)
Envolve apenas a epiderme
Seca, vermelha, dolorosa, sem bolhas, branqueia à pressão
Cicatriza em 2–6 dias sem cicatrizes
Não requer curativo [1][2]
Queimadura de espessura parcial superficial (2º grau superficial)
Envolve epiderme e porção superficial da derme
Bolhas em até 24 horas, úmida, vermelha, dolorosa, branqueia à pressão
Cicatriza em 7–21 dias; cicatrizes são incomuns, mas podem ocorrer alterações pigmentares
Requer desbridamento, agentes tópicos e curativos [1][2]
Queimadura de espessura parcial profunda (2º grau profundo)
Envolve epiderme e porção profunda da derme
Bolhas (frequentemente rompidas), coloração variável (branco a vermelho), dolorosa apenas à pressão
Cicatrização lenta (>21 dias); frequentemente requer intervenção cirúrgica
Risco elevado de cicatrizes hipertróficas e contraturas [2]
Queimadura de espessura total (3º grau)
Envolve toda a espessura da pele
Aspecto ceroso ou acinzentado, sem branqueamento, indolor ou com dor apenas à pressão
Raramente cicatriza sem enxerto cirúrgico [1][2]
Queimadura mais profunda (4º grau)
Estende-se à fáscia e/ou músculo
Sempre requer tratamento cirúrgico [2]
Por Extensão (TBSA)
A extensão é estimada pela Regra dos Nove (adaptada para crianças) ou pelo Diagrama de Lund-Browder, mais preciso na faixa etária pediátrica, pois considera as proporções corporais variáveis com a idade. [1]
Queimaduras superficiais (epidérmicas) não são contabilizadas no TBSA para fins de conduta. [1]

Os números referem-se à porcentagem de superfície corporal, baseadas nos gráficos Lund-Browder modificados.
Critérios para queimadura leve e indicação de internação
Critérios para Queimadura Leve (manejo ambulatorial)
Queimaduras leves podem ser tratadas em regime ambulatorial quando todos os critérios abaixo estiverem presentes: [1]
Espessura parcial
Tamanho pequeno
Não circunferencial
Sem suspeita de lesão por inalação ou lesão por alta voltagem
Sem necessidade de manejo cirúrgico
Indicações de Internação Hospitalar (preferencialmente em centro de queimados)
O manejo hospitalar é obrigatório em qualquer das seguintes situações: [2]
Queimadura >10% de TBSA em adolescentes e adultos
Queimadura >5% de TBSA em crianças e idosos
Trauma múltiplo associado
Envolvimento de face, mãos, períneo ou pés
Queimadura que cruza articulação principal
Queimadura circunferencial
Comorbidades relevante
Confiabilidade duvidosa do paciente ou responsável
Não conformidade ou suspeita de abuso
Indicações de Internação em UTI
Indicada quando o paciente necessita de: [3]
Ventilação mecânica (lesão por inalação, ressuscitação com grandes volumes)
Monitoramento hemodinâmico contínuo
Fator de risco para falência multiorgânica
Suspeita de Maus-Tratos
Queimaduras classificadas como leves podem ter sido causadas intencionalmente, especialmente em crianças. [1]
Características que levantam suspeita de queimadura intencional: [1]
Queimaduras escaldadas com borda bem demarcada
Queimaduras com formato de objeto específico
Pequenas queimaduras circulares compatíveis com ponta de cigarro ou charuto
Queimaduras na área perineal em padrão de "mergulho" (criança mergulhada em água quente)
Nesses casos, avaliação para abuso físico é obrigatória. [1]
Tratamento inicial
Considerações:
O tratamento inicial de queimaduras térmicas isoladas e leves consiste em: [1]
Remoção de roupas e detritos
Resfriamento
Limpeza
Curativos adequados
Controle da dor
Profilaxia antitetânica.
Deve-se avaliar possíveis lesões associadas (lesão interna, inalação de monóxido de carbono) antes de assumir que o trauma é exclusivamente local. [1]
Resfriamento
Remover roupas, joias e detritos não aderentes antes do resfriamento. [1]
Resfriar com água da torneira em temperatura ambiente ou fria por até 20 minutos em queimaduras <5% de TBSA. [1]
Isso pode diminuir a profundidade da queimadura, mas deve ser ponderado com o risco de maceração da ferida. [1]
Alternativa: cobrir com gaze úmida ou toalhas, que reduzem a dor sem imergir a ferida, por até 20 minutos. [1]
A aplicação de água ou gaze embebida em soro resfriado a aproximadamente 12°C é eficaz. [1]
No ambiente ambulatorial: misturar uma parte de soro fisiológico refrigerado com uma parte em temperatura ambiente. [1]
Gelo ou água gelada são contraindicados, pois aumentam a dor e a lesão tecidual. [1]
Crianças pequenas devem ser monitoradas rigorosamente para hipotermia durante o resfriamento. [1]
Limpeza
Lavar queimaduras leves com sabão suave e água da torneira. [1]
O uso de desinfetantes de pele como povidona-iodo pode inibir a cicatrização e não é recomendado. [1]
Lavado com clorexidina sem álcool é uma alternativa eficaz. [1]
Orientar o paciente ou responsável a lavar a queimadura diariamente com sabão suave durante a troca de curativos. [1]
Desbridamento
Pele descamada ou necrótica, incluindo bolhas rompidas, deve ser desbridada antes da aplicação do curativo. [1]
Remanescentes de pele necrótica aumentam o risco de infecção e limitam a ação dos agentes antimicrobianos tópicos. [1]
O desbridamento extenso raramente é necessário na consulta inicial e pode ser postergado para o acompanhamento, permitindo avaliação mais precisa da lesão. [1]
Em ambiente hospitalar, técnicas mecânicas suaves (escovação, raspagem, curetagem, corte) são utilizadas; gaze umedecida ou escovas de clorexidina bem umedecidas são opções. [2]
Enzimas proteolíticas (colagenase, bromelaína) podem ser usadas seletivamente; não devem ser aplicadas em sítios infectados ou com risco de contaminação ocular. [2]
Manejo das Bolhas
Bolhas rompidas: desbridar integralmente, removendo toda a epiderme flácida. [1][2]
Bolhas intactas <2 cm: podem ser mantidas intactas. [1]
Aspiração por agulha de bolhas intactas: deve ser evitada, pois aumenta o risco de infecção. [1]
O manejo de bolhas intactas permanece tema de debate; não há padrão universal de prática. [2]
Bolhas que persistem por várias semanas sem reabsorção indicam possível queimadura profunda subjacente e requerem encaminhamento para centro especializado. [1]
Controle da dor
Controle da dor ambulatorial
Para queimaduras pequenas: paracetamol e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), isolados ou em combinação, são frequentemente suficientes. [1]
Preferir analgesia não opioide, otimizando com doses alternadas e programadas de paracetamol e ibuprofeno, desde que sem contraindicações. [1]
Se necessário, opioide (ex: oxicodona) pode ser utilizado a cada 4–6 horas. [1]
Os analgésicos devem ser administrados em intervalos posológicos regulares (paracetamol e ibuprofeno a cada 6–8 horas), com dose adicional de "resgate" antes de trocas de curativo e aumento de atividade física. [1]
A reavaliação clínica deve ocorrer no dia seguinte à lesão para ajuste do esquema analgésico. [1]
O paciente ou responsável deve administrar analgésico pelo menos 30 minutos antes da troca de curativo. [1]
Elevação de membros queimados acima do nível do coração reduz a dor e o edema nos primeiros dias. [1]
Medicamentos para Controle da Dor
Paracetamol (Tylenol®, Dorflex®) comp. 500 mg; gotas 200 mg/mL [1]
Crianças: 10–15 mg/kg/dose a cada 6h VO (dose máx.: 60–75 mg/kg/dia, limitada pelo peso).
O teto absoluto de 4 g/dia aplica-se a adultos; em crianças, o limite é baseado exclusivamente no peso.
Pode ser associado a ibuprofeno em esquema alternado.
Ibuprofeno (Advil®, Alivium®) comp. 200 mg, 300 mg, 600 mg; susp. oral 100 mg/5 mL [1]
Crianças ≥6 meses: 5–10 mg/kg/dose a cada 6–8h VO (dose máx.: 40 mg/kg/dia ou 1,2 g/dia).
O limite de 2,4 g/dia aplica-se apenas a adolescentes com peso adulto; não deve ser utilizado como referência pediátrica geral.
Não utilizar em lactentes <6 meses.
Lidocaína-prilocaína (EMLA®) creme 25 mg/25 mg por grama [1]
Aplicar sobre a área a ser desbridada, cobrir com curativo oclusivo por 60 minutos antes do procedimento.
Indicado para desbridamento de queimaduras de espessura parcial <25 cm² em ambulatório.
Atenção ao risco de metemoglobinemia em lactentes; utilizar com cautela em menores de 3 meses.
Desbridamento Ambulatorial
Para desbridamento de queimaduras de espessura parcial <25 cm² em pronto-socorro ou ambulatório, creme de lidocaína-prilocaína (EMLA) pode ser utilizado para redução da dor. [1]
Desbridamento Hospitalar
Queimaduras menores: paracetamol e AINEs, isolados ou com opioides orais. [2]
Para trocas de curativo ou fisioterapia: opioides e ansiolíticos adicionais podem ser utilizados. [2]
Dor intensa em queimaduras maiores de TBSA: requer opioides intravenosos. [2]
Trocas de curativo em regime de internação frequentemente exigem estratégias combinadas IV para sedação e analgesia; cetamina, fentanil e propofol são comumente utilizados, com monitoramento por oximetria de pulso. [2]
As necessidades de controle da dor diminuem significativamente após a epitelização da ferida. [1]
Antibioticoprofilaxia
Antibióticos sistêmicos profiláticos não são indicados:
Não são indicados para prevenção de infecção em queimaduras agudas, independentemente do tamanho ou localização. [1][2]
Queimaduras superficiais (epidérmicas):
Não requerem agente antimicrobiano tópico; aplicação de creme hidratante não perfumado é suficiente. [1][2]
Queimaduras de espessura parcial:
Indicado antibiótico tópico para prevenção de colonização e manutenção de ambiente úmido de cicatrização. [1][2]
Opção inicial: pomada ou creme antibiótico combinado de bacitracina + neomicina (ex: Nebacetin®) coberto com curativo não aderente (ex: Xeroform ou Adaptic). [2]
Quando próximo aos olhos: pomada oftálmica sem corticoides. [2]
Corticoides tópicos:
Não têm papel no tratamento inicial de queimaduras leves; aumentam o risco de infecção e prejudicam a cicatrização. [1]
Sulfadiazina de prata (SSD):
Pode retardar a cicatrização e aumentar a frequência das trocas de curativo, resultando em maior dor; curativos modernos impregnados de prata ou mel podem ser superiores. [1]
Aloe vera e bacitracina:
Opções de baixo custo para queimaduras superficiais; sem evidências claras de melhora de desfecho. [1]
Curativos
Considerações:
Queimaduras superficiais: geralmente não requerem curativo. [1]
Queimaduras de espessura parcial e total: geralmente requerem curativo. [1]
Queimaduras menores no rosto ou na mão (sem envolver dedos) podem ser tratadas sem curativo: limpeza suave com sabão e aplicação de agente tópico 2–3 vezes ao dia. [1]
Essa abordagem pode ser impraticável para bebês, crianças pequenas e pacientes com risco de contaminação da ferida. [1]
Curativo Básico de Gaze
Indicado especialmente no tratamento de emergência. [1]
Composição: [1]
1ª camada: gaze não aderente sobre a queimadura (ex: Adaptic ou Xeroform)
2ª camada: gaze seca fofa
Camada externa: rolo de gaze elástica (ex: Kerlix)
Dedos dos pés e mãos devem ser enfaixados individualmente, com gaze fofa entre eles, para evitar aderência e maceração. [1]
Curativos Biológicos e Sintéticos
Reduzem a frequência de trocas de curativo, podem diminuir a dor, ajudar a prevenir infecções e promover cicatrização tanto em adultos quanto em crianças. [1]
Feridas superficiais de espessura parcial definidas, limpas e úmidas, especialmente em pacientes pediátricos ou em regiões funcionais e estéticas (face, mãos, pés), geralmente são tratadas definitivamente com curativos biológicos ou biossintéticos. [2]
Tipos: produtos derivados de placenta (ex: AmnioExcel, Amnioburn, EpiBurn), curativos biossintéticos (ex: Suprathel, PermeaDerm). [2]
Frequência de Trocas
Varia conforme o tipo de curativo: de duas vezes ao dia a semanalmente. [1]
Pomada antibiótica tópica e curativos não aderentes: trocar uma vez ao dia. [1]
Trocar sempre que o curativo estiver encharcado com exsudato excessivo ou outros fluidos. [1][2]
Deixar o curativo de molho em água fria antes da remoção pode diminuir a dor; esfregar e desbridamento brusco devem ser evitados. [1]
Após epitelização: aplicar creme hidratante não perfumado (ex: vaselina, Eucerin, Nivea, óleo mineral, manteiga de cacau) até o retorno dos mecanismos naturais de lubrificação. [1]
Evitar preparações com lanolina e ceras espessas, que podem irritar a pele. [1]
Locais anatômicos especiais
Mãos e Pés
Queimaduras nas mãos e pés geralmente não são consideradas leves, pois o manejo inadequado pode resultar em deficiência grave. [1]
A maioria das queimaduras isoladas de espessura parcial nas mãos ou pés pode ser tratada ambulatorialmente, com desbridamento, educação sobre cuidados e acompanhamento em até uma semana. [1]
Transferência imediata para centro de queimados é necessária quando houver: [1]
Queimaduras de espessura total com comprometimento de movimento
Preocupação com síndrome compartimental
Feridas circunferenciais de espessura total
Necessidade de escarotomia
A maioria das queimaduras na palma da mão em crianças cicatriza com manejo conservador (87% dos casos em uma revisão retrospectiva pediátrica). [2]
A pele dorsal da mão é mais fina e os tendões são mais superficiais; tendões e articulações expostos requerem excisão precoce e cobertura. [2]
Face
Queimaduras superficiais de espessura parcial na face são manejadas com lavagens suaves diárias e agente citoprotetor ou hidratante tópico. [2]
Ressecamento excessivo deve ser evitado. [2]
Queimaduras faciais que não cicatrizam em 14–21 dias requerem tratamento cirúrgico ou químico. [2]
Ouvidos
A cartilagem auricular não possui subcutâneo; a condrite ocorre em 5–25% das orelhas queimadas. [2]
Tratamento conservador: raspagem de pelos ao redor, limpeza diária e pomada tópica. [2]
Pomadas antimicrobianas tópicas como acetato de mafenida são recomendadas para evitar conversão a queimaduras mais profundas. [2]
Pressão externa sobre o ouvido deve ser evitada. [2]
Olhos
Queimaduras palpebrais, perioculares, esclerais, conjuntivais e corneanas devem ser avaliadas em todas as queimaduras faciais. [2]
Tratar com pomadas antimicrobianas tópicas sem corticoides no olho e na pálpebra. [2]
Compressas de soro fisiológico frio podem ser aplicadas nas pálpebras. [2]
Queimaduras por agente químico: irrigação imediata e generosa com solução fisiológica estéril; anestésico tópico pode facilitar a irrigação. [2]
Consulta oftalmológica obrigatória. [2]
Períneo
Requer atenção especial com limpeza diária e curativos antimicrobianos. [2]
A dor ao urinar por envolvimento periuretral pode requerer cateterismo. [2]
Queimaduras Orais
Podem ocorrer por ingestão de líquidos muito quentes, inalação de vapores quentes ou manutenção de objetos inflamáveis/corrosivos na boca. [1]
Manejo deve incluir resfriamento com água e monitoramento rigoroso de comprometimento das vias aéreas. [1]
Em crianças pequenas, as vias aéreas são mais estreitas e mais propensas à obstrução por inflamação leve. [1]
Qualquer preocupação com comprometimento das vias aéreas ou extensão da lesão indica avaliação no pronto-socorro. [1]
Queimaduras menores na mucosa oral: higiene bucal básica; enxaguantes com álcool devem ser evitados. [1]
Queimaduras leves nos lábios e comissura oral: pomada antibiótica tópica e vaselina intermitente para evitar ressecamento. [1]
Queimaduras na comissura oral são mais complexas e podem evoluir com microstomia; encaminhar a especialista se houver dúvida sobre a profundidade. [1]
Profilaxia Antitetânica
A imunização contra o tétano deve ser atualizada, especialmente em queimaduras mais profundas que a superficial. [1][2]
A imunoglobulina antitetânica deve ser administrada a pacientes que não receberam imunização primária completa. [1][2]
Triagem e transferência para centro de queimados
Se o paciente não se apresentar inicialmente a um centro de queimados designado, deve ser transferido assim que estabilizado, quando houver critérios para tal. [3]
Durante a transferência: [1]
Cobrir todas as queimaduras apenas com gaze antiaderente seca, sem pomadas ou curativos úmidos
Curativos úmidos aumentam o risco de hipotermia, maceração e podem aprofundar a queimadura
Manter temperatura corporal elevada e evitar atrasos desnecessários
Queimaduras maiores (>10% de TBSA): gaze seca minimiza tempo e recursos na unidade de origem. [1]
Em caso de dúvida sobre o curativo a aplicar, contatar o centro receptor. [1]
Escore de Baux (idade + TBSA): correlaciona-se com mortalidade; escore revisado inclui +17 pontos pela presença de lesão inalatória. [3]
Cuidados de acompanhamento
Calendário de Consultas
Examinar o paciente no dia seguinte à lesão para ajuste de analgesia e avaliação da competência na troca de curativos. [1]
Acompanhamento subsequente semanal até epitelização da ferida. [1]
Epitelização é identificada por ilhas opalescentes de epitélio ao longo da ferida; cicatrização completa ocorre geralmente em 2–3 semanas. [1]
Se ilhas de epitelização não forem detectadas em 7–10 dias, ou se a cicatrização levar mais de 3 semanas: encaminhar para centro de queimados. [1]
Após epitelização: consultas a cada 4–6 semanas para monitoramento de cicatriz hipertrófica. [1]
Se curativos biológicos ou sintéticos forem utilizados: acompanhamento mais frequente na primeira semana. [1]
Reavaliação da Profundidade
A profundidade da ferida pode evoluir de superficial para profunda; reavaliação nas primeiras 72 horas é importante. [2]
Avaliação clínica deve continuar por 7–14 dias conforme necessário. [2]
Diagnóstico e manejo da infecção
Considerações:
Infecção é a causa mais comum de morbidade e mortalidade em pacientes com queimaduras, estimando-se que seja responsável por 75% da mortalidade após lesões térmicas. [4]
A incidência de sepse por queimadura caiu de 6 para 1% desde a adoção da excisão precoce; contudo, em queimaduras com TBSA >15%, a taxa permaneceu em torno de 6%. [4]
Crianças muito jovens estão entre os grupos de maior risco para infecção invasiva por queimadura. [4]
A incidência de infecções em pacientes ambulatoriais com queimaduras superficiais ou de espessura parcial leves é baixa. [1]
As próprias queimaduras geram inflamação com eritema leve, edema, dor e sensibilidade como resposta normal, o que torna o diagnóstico de infecção desafiador. [1][4]
Microbiologia
Imediatamente após a queimadura, a ferida é predominantemente colonizada por bactérias gram-positivas (estafilococos) presentes em glândulas sudoríparas e folículos pilosos. [4]
Na primeira semana, ocorre colonização adicional por bactérias gram-negativas e leveduras provenientes da flora intestinal, respiratória e do ambiente hospitalar. [4]
Os principais organismos envolvidos: [4]
Staphylococcus aureus (gram-positivo mais comum, incluindo MRSA)
Pseudomonas aeruginosa (gram-negativo mais frequente)
Escherichia coli
Enterococcus spp.
Candida spp. (fungo mais comum, quarta causa mais frequente de infecção por queimadura)
Vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1): organismo viral mais comum em queimaduras
Cepas multirresistentes (MRSA, Acinetobacter, Stenotrophomonas maltophilia, VRE) têm emergido e são de difícil tratamento. [4]
A flora de cada unidade de queimados deve ser conhecida e revisada regularmente para orientar o tratamento empírico. [4]
Sinais Clínicos de Infecção
Sinais Locais
Mudança rápida na aparência da ferida é o principal sinal de alerta: [4]
Conversão de queimadura de espessura parcial para espessura total
Descoloração focal, multifocal ou generalizada (marrom-escuro, preto ou violáceo) da ferida ou enxerto
Drenagem purulenta, edema, odor fétido
Eritema perilesional que se estende >2 cm além da borda da queimadura (celulite) [1]
Separação ou descoloração da escara de queimadura
Pigmento verde (piocianina) na gordura subcutânea: indicativo de infecção por Pseudomonas [4]
Nódulos eritematosos que evoluem para necrose negra (ectima gangrenoso) em pele não queimada adjacente [4]
Lesões vesiculares em queimaduras de 2º grau em cicatrização: sugestivo de HSV-1 [4]
Separação rápida da escara com edema subcutâneo e necrose isquêmica central: sugestivo de infecção fúngica [4]
Sinais Sistêmicos de Sepse por Queimadura
Atenção: taquicardia, taquipneia e febre baixa são parte da resposta hipermetabólica normal à queimadura (temperatura basal resetada para ~38,5°C); sua presença isolada não confirma sepse. [4]
Sinais sistêmicos sugestivos de sepse por queimadura: [4]
Temperatura >39°C ou <36,5°C
Taquicardia progressiva (adultos >90 bpm; crianças >2 desvios-padrão acima do normal para a idade)
Taquipneia progressiva (adultos >30 irpm; crianças >2 desvios-padrão acima do normal para a idade)
Hipotensão refratária (adultos: PAS <90 mmHg ou redução >40 mmHg; crianças: <2 desvios-padrão abaixo do normal)
Leucocitose (>12.000/µL em adultos; >2 desvios-padrão acima do normal em crianças) ou leucocitopenia (<4.000/µL)
Trombocitopenia (adultos <100.000 plaquetas/µL; crianças <2 desvios-padrão abaixo do normal) após 3 dias da ressuscitação
Hiperglicemia >110 mg/dL na ausência de diabetes mellitus prévio
Intolerância à dieta enteral por mais de 24 horas (distensão abdominal, resíduo gástrico elevado, diarreia incontrolável)
Critérios da American Burn Association (ABA) para Sepse por Queimadura
O diagnóstico de sepse por queimadura exige: [4]
Cumprimento de um dos seguintes critérios de confirmação:
Cultura positiva (ferida, sangue, urina)
Identificação da fonte tecidual patológica (>10⁵ bactérias/g de tecido em biópsia quantitativa ou invasão microbiana na biópsia)
Melhora clínica atribuída à administração de antimicrobianos
E presença de pelo menos três dos parâmetros sistêmicos listados acima (temperatura, taquicardia, taquipneia, hipotensão, leucocitose/leucocitopenia, trombocitopenia, hiperglicemia ou intolerância enteral)
Diagnóstico Laboratorial e Microbiológico
Culturas qualitativas de superfície identificam a flora presente, mas não diferenciam colonização de infecção. [1][4]
Culturas quantitativas (>10⁵ bactérias/g de tecido) e histopatologia por biópsia são necessárias para confirmar o diagnóstico. [4]
A biópsia deve ter aproximadamente 1–2 cm de comprimento e 1,5 cm de profundidade, estendendo-se ao subcutâneo ou pesando ~0,5 g. [4]
Correlação entre cultura negativa (<10⁵ bactérias/g) e histopatologia negativa: 96%; culturas positivas correlacionam-se com invasão tecidual em apenas 36% dos casos. [4]
Swabs de vigilância: recomendados na admissão, semanalmente e sempre que houver alteração preocupante na aparência da ferida. [4]
Procalcitonina sérica: pode auxiliar na diferenciação de infecção bacteriana de outras causas de febre; contudo, o valor de corte específico é difícil de determinar; tendências seriadas são mais úteis do que valores isolados. [4]
Classificação e Conduta por Categoria
Colonização
Bactérias presentes na superfície da ferida em concentrações <10⁵/g de tecido, sem sinais clínicos ou histopatológicos de infecção. [4]
Geralmente não prejudica a cicatrização; tratamento conservador voltado para prevenção de infecção. [4]
Terapia antimicrobiana sistêmica não está indicada. [4]
Infecção Não Invasiva
Inclui quatro subcategorias: [4]
Infecção não invasiva da ferida: características clínicas típicas de infecção sem sinais sistêmicos, contagem bacteriana >10⁵/g de tecido, sem invasão no tecido não queimado
Celulite não invasiva: características clínicas de infecção que se estendem à pele saudável adjacente, contagem bacteriana >10⁵/g de tecido, sem invasão tecidual
Infecção do sítio cirúrgico relacionada a queimadura: feridas excisadas ou locais doadores ainda não reepitelizados, sem sinais sistêmicos, sem invasão tecidual
Impetigo por queimadura: perda de epitélio em superfície previamente reepitelizada (queimadura enxertada ou cicatrizada por segunda intenção)
Conduta na infecção não invasiva: [4]
Tratamento principal: terapia antimicrobiana tópica (sulfadiazina de prata, antibióticos combinados, clorexidina) e curativos adequados
Excisão da queimadura para feridas não excisadas; reexcisão considerada em feridas previamente excisadas
Quando houver eritema perilesional significativo, mesmo na ausência de invasão confirmada, iniciar antibioticoterapia sistêmica empírica: [4]
Primeira opção: cefazolina IV
Se suspeita de MRSA: vancomicina IV
Se envolvimento de membros inferiores, pés ou paciente diabético: associar cefepima ou piperacilina-tazobactam
Medicamentos para Infecção Não Invasiva com Celulite
Cefazolina (Kefazol®) sol. inj. 500 mg ou 1 g [4]
25–50 mg/kg/dia IV divididos a cada 8h (dose máx.: 6 g/dia).
Primeira escolha para celulite perilesional sem suspeita de MRSA.
Vancomicina (Vancocina®) sol. inj. 500 mg ou 1 g [4]
40–60 mg/kg/dia IV divididos a cada 6h (dose máx.: 3–4 g/dia), com ajuste conforme nível sérico.
Indicada quando há suspeita de MRSA.
Monitorar função renal e nível sérico (alvo de vale: 10–20 µg/mL).
Piperacilina-tazobactam (Tazocin®) sol. inj. 2 g/0,25 g ou 4 g/0,5 g [4]
300–400 mg/kg/dia IV (componente piperacilina) divididos a cada 6–8h (dose máx.: 16 g/dia de piperacilina).
Indicado quando há envolvimento de membros inferiores, pés ou paciente diabético.
Cefepima (Maxcef®) sol. inj. 500 mg ou 1 g [4]
150 mg/kg/dia IV divididos a cada 8h (dose máx.: 6 g/dia).
Alternativa à piperacilina-tazobactam nos mesmos contextos.
Infecção Invasiva e Sepse por Queimadura
Caracterizada por sinais sistêmicos, contagem bacteriana >10⁵/g de tecido e invasão microbiana ou fúngica no tecido não queimado, confirmada por histopatologia. [4]
O tratamento visa estabilização hemodinâmica e erradicação do foco infeccioso. [4]
Conduta: [4]
Iniciar imediatamente antibioticoterapia sistêmica empírica de amplo espectro
Após estabilização: excisão ampla de todo o tecido infectado até leito tecidual saudável, guiada por biópsia intraoperatória
Reavaliação da ferida em 24–48 horas; novo desbridamento se houver tecido necrótico residual
Se a ferida estiver limpa e viável: cobertura com aloenxerto
Agentes antifúngicos ou antivirais sistêmicos somente com diagnóstico comprovado
Esquema empírico para sepse por queimadura: [4]
A escolha deve ser baseada no antibiograma institucional. As opções empíricas descritas na fonte são:
Piperacilina-tazobactam IV (esquema acima), ou
Carbapenem (imipenem ou meropenem), ou
Cefalosporina de 4ª geração (cefepima) (esquemas acima)
Associar vancomicina IV se houver suspeita de MRSA
Considerar aminoglicosídeo se suspeita de P. aeruginosa multirresistente; descontinuar assim que cultura e sensibilidade estiverem disponíveis, para minimizar nefrotoxicidade
Medicamentos para Sepse por Queimadura
Meropenem (Meronem®) sol. inj. 500 mg ou 1 g [4]
60–120 mg/kg/dia IV divididos a cada 8h (dose máx.: 6 g/dia).
Indicado em sepse por queimadura com suspeita de gram-negativos multirresistentes.
Imipenem-cilastatina (Tienam®) sol. inj. 500 mg/500 mg [4]
60–100 mg/kg/dia IV divididos a cada 6–8h (dose máx.: 4 g/dia).
Alternativa ao meropenem.
Amicacina (Novamin®) sol. inj. 500 mg [4]
15–22,5 mg/kg/dia IV em dose única diária (dose máx.: 1,5 g/dia).
Utilizada quando há suspeita de P. aeruginosa multirresistente; descontinuar assim que o antibiograma estiver disponível.
Monitorar função renal e nível sérico.
Diagnóstico Diferencial
Colonização por queimadura: presença de bactérias sem os sinais clínicos acima e com contagem de feridas baixa. [4]
Resposta hipermetabólica à queimadura: taquicardia, taquipneia e temperatura basal elevada (~38,5°C) são achados normais após queimaduras extensas; não devem ser interpretados isoladamente como sepse. [4]
Reações mucocutâneas a medicamentos: síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica podem mimetizar infecção; as lesões geralmente são generalizadas (incluem pele não queimada) e envolvem mucosas. [4]
Outras fontes de sepse: infecção relacionada a cateter venoso central, pneumonia associada ao ventilador, infecção do trato urinário; devem ser excluídas por exame físico e culturas de outros sítios. [4]
Desfechos das Infecções por Queimadura
As infecções por queimadura estão associadas a: [4]
Perda de enxerto em feridas excisadas e enxertadas
Aumento do número de intervenções cirúrgicas
Maior taxa de infecções nosocomiais
Prolongamento do tempo de internação
Conversão do sítio doador de pele
Complicações
Cicatrizes Hipertróficas e Contraturas
Cicatrizes hipertróficas são consideradas inevitáveis quando a epitelização leva mais de: [1]
10–14 dias em crianças negras e pequenas
14–21 dias em todas as idades, outras raças
É melhor aguardar duas semanas antes de indicar cirurgia em crianças com queimaduras por escaldão por água quente; excisão agressiva precoce resulta em piores desfechos. [1]
Aplicação precoce de folhas de gel de silicone reduz o risco de cicatrizes hipertróficas. [1]
Para cicatrizes hipertróficas já estabelecidas: silicone pode reduzir significativamente a cicatriz existente. [1]
Contraturas cicatriciais resultam em desfiguração e incapacidade; podem requerer imobilização, excisão cirúrgica ou reconstrução. [1]
Roupas de pressão e massagem são frequentemente recomendadas após a reepitelização. [2]
Prurido
Coceira é um problema comum durante a cicatrização; causas são multifatoriais. [1]
Agravada por calor, atividade física e estresse. [1]
Geralmente diminui com o tempo e cessa após a cicatrização completa; raramente persiste além de 18 meses. [2]
Tratamento de primeira linha: anti-histamínicos de 2ª geração por via oral, como loratadina, pelo melhor perfil de segurança em crianças. [1][2]
Anti-histamínicos de 1ª geração como a hidroxizina são alternativa útil, especialmente ao deitar, pelo efeito sedativo adicional. [2]
Outros agentes: bloqueadores H1 e H2, ciproheptadina, antidepressivos tricíclicos (doxepina), agentes tópicos. [2]
Preparações ricas em lanolina devem ser evitadas. [2]
O uso de hidrocortisona tópica é limitado em muitos centros de queimados pelo risco de afinamento da pele, infecção e absorção sistêmica. [2]
Medicamentos para Prurido
Hidroxizina (Hixizine®) solução oral 2 mg/mL — frasco 120 mL [2]
Administrar 2 vezes ao dia (intervalo de 12h), VO.
Posologia conforme peso:
6 a 8 kg: 1,5 a 2,0 mL por tomada
8 a 10 kg: 2,0 a 2,5 mL por tomada
10 a 12 kg: 2,5 a 3,0 mL por tomada
12 a 24 kg: 3,0 a 6,0 mL por tomada
24 a 40 kg: 6,0 a 12,5 mL por tomada
Efeito sedativo adicional; preferir administração ao deitar quando o objetivo for também melhora do sono.
Monitorar sedação excessiva, especialmente em lactentes.
Loratadina (Claritin®) xarope 1 mg/mL — frasco 100 mL [2]
De 2 a 12 anos (até 30 kg): 5 mg (5 mL) VO 1 vez ao dia.
Maiores de 12 anos ou peso >30 kg: 10 mg (10 mL) VO 1 vez ao dia.
Anti-histamínico de 2ª geração; não sedativo; opção preferencial quando sedação não é desejada.
Encaminhamento
Encaminhar a um centro de queimados imediatamente ao primeiro sinal de: [1]
Cicatriz hipertrófica
Ferida que não inicia epitelização após uma semana
Avaliação subsequente revelar queimadura de espessura total >2 cm
Complicação da ferida (infecção, tecido necrótico)
Outros critérios de encaminhamento: [1]
Queimaduras em áreas funcionais (articulações, mãos, pés) com sinais de queimadura de espessura total
Queimaduras em pele delgada (muito jovens, períneo)
Queimaduras em áreas estéticas (face) com qualquer sinal de evolução para espessura total
Queimaduras que levam mais de 3–4 semanas para reepitelização completa ou quase completa [2]
Incapacidade de controle adequado da dor em regime ambulatorial
Preocupações com abuso físico, confiabilidade, acompanhamento ou doença comórbida relevante [1]
Aspectos psicossociais
Crianças com queimaduras graves podem apresentar problemas de somatização, distúrbios do sono e dificuldades de adaptação social. [3]
Depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) são as complicações psicológicas mais comuns após queimaduras. [3]
O suporte psiquiátrico e psicológico deve ser um componente precoce e rotineiro do manejo. [3]
Intervenções terapêuticas incluem: otimização do funcionamento social, terapias direcionadas às condições específicas (depressão, TEPT, ansiedade) e exercícios para melhora da qualidade de vida. [3]
A estratégia de dessensibilização e o apoio psicossocial são componentes essenciais do plano de acompanhamento. [2]
Referências
[1] WIKTOR, Arek; RICHARDS, David. Treatment of minor thermal burns. In: UpToDate [Internet]. Waltham (MA): Wolters Kluwer; 2024. Atualizado em: 25 jun. 2024. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/treatment-of-minor-thermal-burns.
[2] TENENHAUS, Mayer; RENNEKAMPFF, Hans-Oliver. Treatment of epidermal/superficial partial-thickness burn injury requiring hospital admission. In: UpToDate [Internet]. Waltham (MA): Wolters Kluwer; 2025. Atualizado em: 14 mar. 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/treatment-of-epidermal-superficial-partial-thickness-burn-injury-requiring-hospital-admission.
[3] GAUGLITZ, Gerd G.; WILLIAMS, Felicia N. Overview of the management of the severely burned patient. In: UpToDate [Internet]. Waltham (MA): Wolters Kluwer; 2025. Atualizado em: 25 jul. 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/overview-of-the-management-of-the-severely-burned-patient.
[4] GAUGLITZ, Gerd G.; SHAHROKHI, Shahriar; WILLIAMS, Felicia N. Burn wound infection and sepsis. In: UpToDate [Internet]. Waltham (MA): Wolters Kluwer; 2025. Atualizado em: 18 mar. 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/burn-wound-infection-and-sepsis.
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