Disidrose (eczema disidrótico) no Adulto
CID-10: L30.1 – Disidrose (Pompholyx)
Introdução
A disidrose, também denominada eczema disidrótico ou pompholyx, é uma dermatose inflamatória recorrente caracterizada pelo surgimento de vesículas profundas, intensamente pruriginosas, localizadas principalmente nas palmas das mãos, faces laterais dos dedos e plantas dos pés.
Apesar do nome histórico, não há evidências de que seja causada por disfunção das glândulas sudoríparas.
A doença apresenta evolução em surtos, frequentemente com períodos de remissão e recorrência. Sua etiologia é multifatorial, envolvendo predisposição atópica, dermatite de contato, fatores ambientais, estresse emocional e exposição à umidade ou irritantes.
Fluxograma diagnóstico

Epidemiologia
Predomina em adultos entre 20 e 40 anos;
Ambos os sexos podem ser acometidos;
Representa uma das principais causas de eczema das mãos;
Pode ocorrer de forma isolada ou associada à dermatite atópica;
Aproximadamente metade dos pacientes apresenta recorrências ao longo da vida.
Fisiopatologia
A fisiopatologia permanece incompletamente elucidada.
Os principais mecanismos envolvidos incluem:
Disfunção da barreira cutânea;
Ativação imunológica mediada por linfócitos T;
Predisposição genética;
Inflamação desencadeada por alérgenos ou irritantes;
Alterações da microbiota cutânea em alguns pacientes.
Importante destacar que a produção excessiva de suor pode desencadear surtos, porém não constitui sua causa primária.
Fatores desencadeantes
Os desencadeantes variam entre os pacientes. Os mais descritos incluem:
Estresse emocional;
Clima quente e úmido;
Sudorese excessiva;
Dermatite de contato alérgica;
Dermatite de contato irritativa;
Exposição frequente à água;
Sabões e detergentes;
Produtos químicos;
Luvas oclusivas;
Cimento;
Tabagismo;
Uso repetitivo de álcool em gel.
Manifestações clínicas
O quadro costuma iniciar abruptamente.
Lesões características
Vesículas pequenas (1–3 mm);
Vesículas profundas;
Aspecto semelhante a "grãos de tapioca";
Conteúdo claro;
Muito pruriginosas;
Simétricas na maioria dos casos.
Locais acometidos:
Palmas;
Faces laterais dos dedos;
Plantas;
Bordas dos pés.
Após alguns dias ocorre:
Rompimento das vesículas;
Descamação;
Xerose;
Fissuras dolorosas.
Nos casos crônicos podem surgir:
Liquenificação;
Hiperqueratose;
Dor;
Limitação funcional das mãos.

Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico:
Na maioria dos pacientes não são necessários exames laboratoriais.
O diagnóstico baseia-se em:
História típica;
Morfologia das lesões;
Distribuição característica;
Evolução recorrente.
Durante a consulta, investigar:
Tempo de evolução;
Episódios anteriores;
Frequência das recorrências;
Intensidade do prurido;
Dor;
Relação com estresse;
Exposição ocupacional;
Contato com água durante o trabalho;
Uso de detergentes;
Uso frequente de álcool em gel;
Utilização de luvas;
História de dermatite atópica;
História de rinite ou asma;
Uso de medicamentos;
História familiar de eczema;
Exposição a metais;
Presença de lesões nos pés;
Micose prévia;
Tabagismo.
Exame físico:
Distribuição das lesões;
Simetria;
Presença de vesículas;
Fissuras;
Descamação;
Liquenificação;
Sinais de infecção secundária;
Comprometimento ungueal;
Dermatofitose plantar;
Outras manifestações eczematosas.
Medidas gerais
São fundamentais para reduzir recorrências.
Orientar:
Evitar contato prolongado com água.
Evitar detergentes e solventes.
Utilizar sabonetes suaves.
Secar cuidadosamente as mãos.
Aplicar hidratantes frequentemente.
Preferir cremes ou pomadas sem fragrâncias.
Utilizar luvas de algodão sob luvas impermeáveis quando houver necessidade de exposição prolongada à água.
Evitar manipulação excessiva das vesículas.
Controlar fatores desencadeantes.
Tratar dermatofitoses concomitantes.
Tratamento
Tratamento tópico: Os corticosteroides tópicos de alta potência constituem a primeira linha durante os surtos.
Corticoides tópicos (uma das opções abaixo)
Propionato de clobetasol creme 0,05%
Aplicar fina camada 1 a 2 vezes ao dia por até 2 semanas, reduzindo conforme melhora.
Furoato de mometasona creme 0,1%
Aplicar 1 vez ao dia, por 2 a 4 semanas, conforme resposta clínica.
Emolientes
Devem ser utilizados continuamente.
Exemplos:Creme com ceramidas
Vaselina sólida
Creme com ureia até 10% (evitar sobre fissuras profundas)
Cremes sem perfume
Aplicar várias vezes ao dia, principalmente após lavagem das mãos.
Acompanhamento
Reavaliar em 2 a 4 semanas para verificar:
Controle do prurido.
Redução das vesículas.
Cicatrização das fissuras.
Adesão às medidas de proteção.
Necessidade de investigação adicional.
Indicação de terapia sistêmica.
Pacientes com recorrências frequentes devem ser investigados para fatores ocupacionais e dermatite de contato associada.
Critérios de encaminhamento
Critérios de encaminhamento ao dermatologista:
Dúvida diagnóstica;
Ausência de resposta ao tratamento tópico adequado;
Recorrências frequentes;
Suspeita de dermatite de contato alérgica;Necessidade de teste de contato;
Necessidade de imunossupressores ou fototerapia;
Incapacidade funcional importante;
Infecção recorrente.
Prognóstico
A disidrose apresenta curso crônico e recorrente, porém muitos pacientes alcançam bom controle com medidas de proteção da barreira cutânea, identificação dos desencadeantes e tratamento precoce dos surtos.
A adesão às medidas preventivas é um dos principais fatores associados à redução das recorrências.
Referências
[1] National Institute for Health and Care Excellence. Atopic eczema and related hand eczema: evidence and management resources. Londres: NICE. Disponível em: https://www.nice.org.uk. Acesso em: 30 jun. 2026.
[2] Sociedade Brasileira de Dermatologia. Consenso e materiais técnicos sobre eczema das mãos e dermatite de contato. Rio de Janeiro: SBD. Disponível em: https://www.sbd.org.br. Acesso em: 30 jun. 2026.
[3] Sociedade Brasileira de Dermatologia. Manual de Condutas em Dermatologia. Rio de Janeiro: SBD, 2021. Disponível em: https://www.sbd.org.br. Acesso em: 30 jun. 2026.
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