Tromboembolismo Pulmonar (TEP) no Adulto
CID-10: I26 - Embolia pulmonar
CID-10: I26.0 - Embolia pulmonar com menção de cor pulmonale agudo
CID-10: I26.9 - Embolia pulmonar sem menção de cor pulmonale agudo
Introdução
Definição
Obstrução da circulação arterial pulmonar por trombo, em geral originado de trombose venosa profunda (TVP).
Espectro clínico
Varia de assintomático e achado incidental até choque cardiogênico e parada cardiorrespiratória.
Exige estratificação de risco rápida para definir prognóstico e conduta.
Abordagem multidisciplinar: pronto-socorro, internação e ambulatório.
Epidemiologia
Menos de 10% dos investigados por suspeita têm TEP confirmado. [1]
Gestação: fator de risco independente; até 11% das mortes relacionadas à gestação nos EUA. [1]
Trombo em trânsito em 2% a 4% dos casos. [1]
Evolução para hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (CTEPH) em cerca de 3%. [1]
Fluxograma de Manejo

Classificação
Categorias Clínicas AHA/ACC (A a E)
Considerações:
Sistema que integra dados clínicos, laboratoriais e de imagem para refinar gravidade e conduta.
A categoria é definida pelo indicador mais grave presente; o paciente pode transitar entre categorias.
Modificador "R": hipoxemia, taquipneia ou necessidade de O2 suplementar (ex.: C3R, E-R).
A. Subclínico (incidental, assintomático)
A1: subsegmentar; A2: segmentar ou mais proximal.
B. Sintomático de baixa gravidade (PESI I-II, sPESI 0, Hestia 0, Bova ≤ 4)
B1: subsegmentar; B2: segmentar ou mais proximal.
C. Sintomático com escore elevado (PESI > 85, sPESI ≥ 1, Hestia ≥ 1 ou Bova > 4)
Subcategorias conforme disfunção cardiopulmonar (biomarcadores e imagem do VD).
D. Falência cardiopulmonar incipiente (choque normotenso)
D1: hipotensão transitória/breve ou responsiva a volume, sem hipoperfusão.
D2: hipotensão transitória com marcador de hipoperfusão (lactato, LRA, entre outros).
E. Falência cardiopulmonar
E1: hipotensão persistente com choque cardiogênico (SCAI C).
E2: choque refratário (SCAI D-E) ou parada sem retorno da circulação após 30 min de reanimação.
E-R: falência respiratória com necessidade de ventilação por pressão positiva.

Fatores de Risco (para recorrência)
Reversíveis maiores [1]
Cirurgia com anestesia geral ≥ 30 min.
Hospitalização por doença aguda ≥ 72 h em repouso no leito.
Cesariana.
Fratura de membro inferior.
Reversíveis menores [1]
Cirurgia com anestesia geral < 30 min.
Hospitalização por doença aguda < 72 h.
Doença aguda fora do hospital ≥ 72 h em repouso.
Terapia estrogênica (reposição ou contraceptivo).
Período periparto.
Trauma com redução de mobilidade ≥ 72 h.
Persistentes [1]
Câncer ativo (com ou sem tratamento).
Doença autoimune (ex.: artrite reumatoide, lúpus).
Doença inflamatória intestinal.
Imobilidade crônica.
Quadro Clínico
Sintomas comuns
Dor torácica pleurítica.
Dispneia.
Sintomas menos comuns
Hemoptise.
Síncope.
Choque.
Sinais ao exame
Instabilidade: taquicardia, hipotensão.
Trocas gasosas: taquipneia, hipoxemia.
Pulmonar: redução do murmúrio, atrito pleural.
Sobrecarga do VD: turgência jugular, hiperfonese de B2 pulmonar, impulsão paraesternal.
TVP: edema e dor em membro inferior.
⚠️ Muitos sintomas são inespecíficos, o que torna o diagnóstico desafiador. [1]
Probabilidade Pré-Teste (Escores)



D-Dímero
Considerações: [1]
É indicado para pacientes com probabilidade clínica baixa ou intermediária (< 50%).
Um teste de D-dímero negativo de alta sensibilidade em combinação com uma baixa probabilidade pré-teste pode excluir a TEP com limiar de segurança (taxa de falha) aceito das estratégias diagnósticas (2%).
Um teste de D-dímero positivo não modifica a probabilidade pré-teste (clínica) e, portanto, não é capaz de confirmar o diagnóstico.
A maioria dos estudos que validaram estratégias por D-dímero excluiu pacientes em anticoagulação terapêutica.
Qual o ponto de corte? [1]
Conforme idade
≤ 50 anos: limiar padrão 500 mcg/L
> 50 anos: idade × 10 mcg/L = ponto de corte do D-dímero
Algoritmo YEARS
Avaliar critérios:
Sinais de TVP
Hemoptise
TEP como diagnóstico mais provável
Aplicação:
Considerar limiar 500 mcg/L se ≥ 1 critério presente.
Considerar limiar 1.000 mcg/L se nenhum critério presente.
Gestação:
Usar os mesmos 3 critérios YEARS e mesmos limiares: ≥ 1 critério, 500 mcg/L; nenhum critério, 1.000 mcg/L.
Diante de sintomas de TVP em membro inferior: realizar ultrassonografia por compressão; se positiva, iniciar anticoagulação, sem necessidade obrigatória de angioTC.
Essa abordagem evita cerca de 65% das angioTC nas gestantes que se apresentam no primeiro trimestre.
Exames de Imagem
AngioTC de artérias pulmonares (CTPA): modalidade padrão [1]
Exame positivo é suficiente para o diagnóstico.
Preferida à V/Q (detecta TEP periférico, avalia VD e diagnósticos alternativos).
Cintilografia V/Q [1]
Exame de alta probabilidade é suficiente; escolha quando a CTPA não é possível.
V/Q SPECT preferível ao planar (mais reprodutível e específico, menos radiação).
Angio-RM:
Quando a CTPA não é possível, o V/Q é preferível à angio-RM. [1]
USG venoso de MMII:
Razoável se achados sugestivos de TVP ou se a TVP muda conduta/prognóstico; sem utilidade após CTPA negativa ou V/Q SPECT normal. [1]
Ecocardiograma:
Não serve para confirmar/excluir TEP, mas é essencial para avaliar a função do VD no TEP confirmado. [1]
Relato no TEP confirmado [1]
CTPA: relatar razão VD/VE numérica (não subjetiva).
Eco: razão VD/VE, diâmetro do VD, TAPSE, PSAP estimada, sinal de McConnell, movimento septal paradoxal, colapso da VCI.
Estratificação de Risco (Escores)
Escores clínicos [1]
Categorias A-B: usar Hestia, PESI e/ou sPESI para identificar baixo risco.
Categorias C-D estáveis: razoável usar escore específico para identificar maior risco.
Os escores identificam melhor baixo risco do que preveem deterioração.
sPESI: 1 ponto por fator (idade > 80, câncer, doença cardiopulmonar crônica, PAS < 100, FC ≥ 110, SatO2 < 90%); 0 = baixo risco de morte em 30 dias.
Bova: PAS 90 a 100 (2), troponina elevada (2), disfunção do VD (2), FC ≥ 110 (1); estágios I a III.
Hestia: se todos os itens negativos, considerar manejo ambulatorial.
NEWS/NEWS2: alternativa razoável nas categorias C-D.
Avaliação hemodinâmica [1]
Janela crítica de colapso: primeiras 24 a 72 h.
Choque normotenso (D2): hipoperfusão sem hipotensão. Marcadores: lactato > 2 mmol/L; diurese < 720 mL/24 h; aumento de creatinina ≥ 0,3 mg/dL/24 h; índice cardíaco ≤ 2,2 L/min/m².
PAM < 80 mmHg na C3: pode indicar necessidade de escalonar terapia (dado de estratificação, não meta de titulação).
Biomarcadores [1]
Categoria C: dosar ao menos um biomarcador cardíaco (troponina ou BNP).
Categorias C a E na urgência: dosar lactato (dado incremental aos biomarcadores cardíacos).
Imagem do VD [1]
Categorias C-D sem choque: obter imagem do VD (eco preferível à TC).
Disfunção do VD associa-se a maior mortalidade de curto prazo e relacionada ao TEP.
Carga trombótica [1]
Categorias A-C: não quantificar carga angiográfica (ex.: Miller modificado) para prognóstico.


Sinais de Alarme e Gravidade
Achados que indicam maior risco e possível necessidade de escalonamento (categorias C a E). [1]
Instabilidade hemodinâmica: hipotensão persistente, choque, PCR (categorias E1-2).
Choque normotenso: hipoperfusão sem hipotensão (categoria D2).
Disfunção do VD por eco, TC ou BNP/NT-proBNP.
Biomarcadores elevados: troponina, BNP, lactato.
Falência respiratória: hipoxemia, taquipneia ou necessidade de ventilação por pressão positiva (modificador R).
Trombo em trânsito (favorece terapia avançada).
Decisão de Internação e Nível de Cuidado
Ambulatorial [1]
Usar ferramenta (Hestia, PESI ou sPESI) para selecionar candidatos.
Opção razoável em categorias A-B com baixa taxa de desfechos adversos em 90 dias.
Pré-requisitos: acesso imediato ao anticoagulante e seguimento rápido e confiável.
Por categoria [1]
A: alta segura do pronto-socorro.
B: em geral, alta precoce.
C a E: internação.
Nível de cuidado [1]
Trombólise (sistêmica ou por cateter): unidade com monitorização estreita (UTI/intermediários).
Pós-trombectomia estável: telemetria contínua e equipe familiarizada com complicações do dispositivo.
PERT (equipe de resposta ao TEP) [1]
Avaliação por PERT nas categorias C a E.
Reduz tempo até anticoagulação terapêutica e uso de filtros.
Anticoagulação
Princípios gerais [1]
É o alicerce do tratamento; iniciar em todo paciente sem contraindicação absoluta. [1]
Categorias C1 a E1 que requerem parenteral: HBPM sobre HNF (menos recorrência e menos sangramento).
Elegíveis à via oral: DOAC sobre AVK, salvo contraindicação.
Imagem indisponível/postergada e baixo risco de sangramento: considerar anticoagulação empírica na suspeita de categoria C2 ou superior.
Anticoagulantes Parenterais
Enoxaparina (Clexane®) seringas 20 mg/0,2 mL, 40 mg/0,4 mL, 60 mg/0,6 mL, 80 mg/0,8 mL e 100 mg/1,0 mL [5]
Tratamento do TEV: 1 mg/kg SC a cada 12h ou 1,5 mg/kg SC 1x/dia. [1][5]
ClCr < 30 mL/min: 1 mg/kg SC 1x/dia. [5]
Preferida sobre a HNF nas categorias C1 a E1. [1]
Heparina não fracionada (HNF) (Liquemine®) sol. inj. 5.000 UI/mL (fr.-amp. 5 mL) [12]
Bolus EV 80 UI/kg (ou 5.000 UI), seguido de infusão contínua 18 UI/kg/h (ou 1.300 UI/h). [12]
Ajustar por TTPa a cada 6h; alvo 1,5 a 2,5x o controle. [12]
Preferida em instabilidade hemodinâmica, ClCr < 30 mL/min ou alto risco de sangramento; antídoto: protamina. [1][12]
Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs)
Apixabana (Eliquis®) comp. 2,5 mg e 5 mg [3]
Iniciação: 10 mg VO a cada 12h por 7 dias. [1]
Manutenção: 5 mg VO a cada 12h. [1][3]
Fase estendida: 2,5 mg VO a cada 12h. [1]
Não requer parenteral inicial. [1]
Rivaroxabana (Xarelto®) comp. 10 mg, 15 mg e 20 mg [4]
Iniciação: 15 mg VO a cada 12h por 21 dias (com alimento). [1][4]
Manutenção: 20 mg VO 1x/dia (com alimento). [1][4]
Fase estendida: preferir a meia dose de 10 mg VO 1x/dia; 20 mg 1x/dia permanece opção conforme o risco de recorrência. [1][4]
Comprimidos de 15 e 20 mg com alimento; não requer parenteral inicial. [4]
Não recomendada no TEP instável ou candidato a trombólise/embolectomia. [4]
Dabigatrana (Pradaxa®) cáps. 110 mg e 150 mg [6]
150 mg VO a cada 12h, após ≥ 5 dias de parenteral. [1][6]
Manter por ≥ 6 meses. [6]
Edoxabana (Lixiana®) comp. 30 mg e 60 mg [7]
60 mg VO 1x/dia, após ≥ 5 dias de parenteral. [1][7]
30 mg VO 1x/dia se ClCr 30 a 50, peso ≤ 60 kg ou uso de inibidor da P-gp (verapamil/quinidina). [7]
Antagonista da Vitamina K (AVK)
Varfarina (Marevan®) comp. 1 mg, 2,5 mg e 5 mg [8]
Iniciar 5 mg VO 1x/dia, sem dose de ataque. [8]
Sobrepor com parenteral por ≥ 5 dias, até RNI ≥ 2 em duas medidas. [1][8]
Ajustar por RNI (alvo 2 a 3). [8]
Populações Especiais
Obesidade (IMC > 30): oral preferir DOAC (apixabana/rivaroxabana) a AVK. Classe III (IMC > 40) em HBPM: razoável reduzir dose.
SAF trombótica: AVK sobre DOAC. Anticorpo isolado (anticardiolipina ou beta-2-GP): DOAC pode ser alternativa.
Tumor cerebral: DOAC pode ser preferível à HBPM (menor risco de hemorragia intracraniana).
DRC: leve a moderada (estágios 2-3), DOAC sobre AVK; grave (4-5) ou diálise, benefício da apixabana sobre AVK incerto.
Gestação: HBPM ou HNF; DOAC e varfarina potencialmente prejudiciais.
Amamentação: HBPM, HNF ou varfarina sobre DOAC.
Hepatopatia: Child A, DOAC sobre AVK; Child B, DOAC pode ser razoável; Child C, DOAC não recomendado.
Monitorização (anti-Xa)
Quando indicada, medir anti-Xa de pico 3 a 5 h após a dose, em estado de equilíbrio (≥ 3 doses).
HBPM em dose por peso: monitorização de rotina não indicada.
DRC grave (ClCr < 30): razoável monitorar anti-Xa para ajuste.
Suporte Hemodinâmico e Ventilatório
Suporte crítico nas categorias com instabilidade ou disfunção do VD [1]
Vasopressores/inotrópicos: no choque cardiogênico (D2 a E2). [1]
Volume: em D1-2 com pré-carga reduzida, pequenos bólus (≤ 500 mL), evitando sobrecarga do VD. [1]
Vasodilatadores pulmonares inalatórios: em C2 a E, para reduzir pós-carga do VD. [1]
Vasopressor de escolha [1][13]
Noradrenalina sol. inj. 4mg/4ml
Doses ≤ 15 mcg/min têm efeito mínimo na resistência vascular pulmonar; acima disso, associar 2º vasopressor (vasopressina ou fenilefrina) em vez de aumentar. [1]
Diluição usual (exemplo, seguir protocolo do serviço): 4 amp (16 mg) em SG 5% até 250 mL, EV em BIC por acesso venoso central [13]
Titular para PAM ≥ 65 mmHg.
2º vasopressor (quando a noradrenalina ultrapassa 15 mcg/min) [1]
Vasopressina (Encrise®) sol. inj. 20 UI/mL (amp. 1 mL)
0,01 a 0,04 UI/min, EV em BIC, dose fixa (não titular por peso). [15]
Diluição usual (exemplo): 1 amp (20 UI) em 100 mL de SF 0,9% ou SG 5% (0,2 UI/mL); seguir protocolo do serviço. [15]
A fenilefrina é alternativa de 2º vasopressor; a posologia deve seguir o protocolo institucional.
Inotrópico [1][14]
Dobutamina (Dobutrex®) sol. inj. 250 mg/20 mL
2,5 a 10 mcg/kg/min. Titular dose conforme necessidade. [1][14]
Associada à noradrenalina no baixo débito com hipotensão (E1-2) ou inicial no choque normotenso (D2). [1]
Diluição usual (exemplo): 1 amp em SF 0,9% até 250 mL (1 mg/mL), EV em BIC. [14]
Sedação e Suporte Ventilatório
Sedação para intubação nas categorias C a E: ter suporte hemodinâmico disponível (vasopressores, inotrópicos, VA-ECMO) pelo risco de colapso. [1]
Hipoxia moderada a grave: cateter nasal de alto fluxo (CNAF) pode ser benéfico sobre o cateter nasal padrão. [1]
Evitar sedação profunda e ventilação mecânica sem indicação clara; qualquer sedação com cautela na disfunção do VD. [1]
Suporte Circulatório Mecânico (VA-ECMO)
Manter anticoagulação parenteral durante o VA-ECMO, na ausência de sangramento. [1]
Choque refratário (E2): razoável instituir VA-ECMO, se houver recursos. [1]
Em E2 sob VA-ECMO, o valor de terapias avançadas adicionais é incerto. [1]
Filtro de Veia Cava Inferior (FVCI)
Intolerância à anticoagulação com filtro considerado necessário: preferir filtros recuperáveis. [1]
Retirar assim que o risco diminuir e a anticoagulação for tolerada (programa de seguimento estruturado). [1]
Não colocar FVCI de rotina em paciente efetivamente anticoagulado. [1]
Benefício incerto nas categorias D-E em terapias avançadas. [1]
Trombólise
Considerações:
Abrange a trombólise sistêmica e a trombólise dirigida por cateter (CDL). A decisão depende da categoria AHA/ACC e do risco de sangramento; o maior benefício ocorre em pacientes com alto risco de morte por TEP e baixo risco de sangramento. [1]
Agentes
Aprovados para trombólise no TEP: estreptoquinase, uroquinase e rt-PA (alteplase). [1]
Estreptoquinase e uroquinase (1ª geração): não usadas na prática atual (tempo de infusão longo e baixa disponibilidade). [1]
Alteplase (rt-PA): agente mais utilizado; não há estudos comparativos diretos que demonstrem superioridade de um agente sobre outro. [1]
Tenecteplase: testada em estudos de TEP (ex.: PEITHO), sem aprovação para TEP. [1]
Trombólise Sistêmica
Indicações por categoria: [1]
E1-2 com risco de sangramento aceitável: trombólise sistêmica associada à anticoagulação é razoável sobre anticoagulação isolada, para reduzir mortalidade e recorrência (COR 2a).
D1-2 com risco de sangramento aceitável: pode ser considerada sobre anticoagulação isolada, para prevenir deterioração clínica (COR 2b).
C3 com risco de sangramento aceitável: benefício incerto (COR 2b).
A1 a C2: não usar trombólise sistêmica, pelo aumento de sangramento maior e hemorragia intracraniana (COR 3: Dano).
Menor dose (25 a 50 mg de rt-PA): pode ser considerada para reduzir o risco de sangramento (COR 2b).
Medicamentos:
Alteplase (rt-PA) (Actilyse®) pó liofilizado 10 mg, 20 mg e 50 mg (reconstituir para 1 mg/mL) [10]
Esquema padrão (≥ 65 kg): 100 mg EV em 2h (10 mg em bólus em 1 a 2 min, seguidos de 90 mg em infusão nas 2h). [1][10]
Peso < 65 kg: 10 mg em bólus, seguidos de infusão em 2h, sem exceder dose total de 1,5 mg/kg. [10]
Menor dose (reduz sangramento): 25 a 50 mg. [1]
Regime acelerado (não oficialmente aprovado; usado em instabilidade hemodinâmica extrema, como parada cardíaca): 0,6 mg/kg EV em 15 min (máx 50 mg). [16]
Reconstituir com água para injeção (1 mg/mL); diluir em SF 0,9% até ≥ 0,2 mg/mL; não usar glicose nem misturar com outros fármacos, inclusive heparina; administrar em acesso e equipo exclusivos. [10]
Anticoagulação adjunta: após o alteplase, iniciar ou retomar heparina quando o TTPa for < 2x o limite superior do normal; ajustar para TTPa de 50 a 70 s (1,5 a 2,5x a referência). [10]
Tenecteplase (Metalyse®) pó liofilizado 40 mg (8.000 U) e 50 mg (10.000 U) [11]
Uso off-label no TEP (bula aprovada apenas para IAM); testada em estudos de TEP como o PEITHO. [1][11]
Bólus IV único em 5 a 10 segundos, por peso (mesmo esquema por peso da bula): [11]
< 60 kg: 6.000 U (30 mg);
60 a < 70 kg: 7.000 U (35 mg);
70 a < 80 kg: 8.000 U (40 mg);
80 a < 90 kg: 9.000 U (45 mg);
≥ 90 kg: 10.000 U (50 mg).
Dose máxima 10.000 U (50 mg); reconstituir para 5 mg/mL; incompatível com glicose; não misturar com outros fármacos. [11]
Trombólise Dirigida por Cateter (CDL)
Considerações:
Administração de trombolítico (comumente rt-PA) por cateter multiperfurado na artéria pulmonar. [1]
Manter anticoagulação concomitante: terapêutica (HBPM ou HNF) ou subterapêutica (HNF). [1]
Indicações por categoria: [1]
E1: CDL associada à anticoagulação é razoável, para prevenir deterioração e mortalidade precoce (COR 2a).
D1-2: pode ser considerada (COR 2b).
C2-3: benefício incerto (COR 2b).
D1 a E1 em que se cogita trombólise: a eficácia da CDL sobre a sistêmica é incerta, mas a CDL pode ser considerada sobre a sistêmica para reduzir o risco de sangramento (COR 2b).
Medicamento:
Alteplase (rt-PA) (Actilyse®) pó liofilizado 10 mg, 20 mg e 50 mg (reconstituir para 1 mg/mL) [10]
Dose na CDL: 5 a 10 mg de alteplase por artéria pulmonar; não usar dose < 5 mg/AP em relação à dose padrão. [1]
Reconstituir com água para injeção (1 mg/mL); pode diluir em SF 0,9%; não usar glicose nem misturar com outros fármacos. [10]
Contraindicações e Risco de Sangramento
Por categoria (diretriz): trombólise contraindicada nas categorias A1 a C2, pelo aumento de sangramento maior e hemorragia intracraniana (COR 3: Dano). [1]
Risco de sangramento aceitável: o maior benefício líquido ocorre em alto risco de morte por TEP com baixo risco de sangramento; há provável dano em baixo risco de morte com alto risco de sangramento. [1]
Magnitude do risco com trombólise sistêmica: [1]
cerca de 9,9% de sangramento grave e 1,7% de hemorragia intracraniana em meta-análise;
no PEITHO (categorias C3-D2): sangramento extracraniano em 6,3% (vs 1,2% com placebo) e AVC em 2,4%, majoritariamente hemorrágico (vs 0,2% com placebo).
❌ Contraindicações absolutas à fibrinólise sistêmica (ESC 2019): [16]
História de AVC hemorrágico ou AVC de origem desconhecida (independentemente do tempo).
AVC isquêmico nos últimos 6 meses.
Neoplasia do sistema nervoso central.
Trauma grave, cirurgia ou traumatismo craniano nas últimas 3 semanas.
Diátese hemorrágica (discrasia sanguínea).
Sangramento ativo.
⚠️ Contraindicações relativas à fibrinólise sistêmica (ESC 2019): [16]
Ataque isquêmico transitório nos últimos 6 meses.
Anticoagulação oral.
Gravidez ou primeira semana pós-parto.
Locais de punção não compressíveis.
Ressuscitação cardiopulmonar traumática.
Hipertensão refratária (PAS > 180 mmHg).
Doença hepática avançada.
Endocardite infecciosa.
Úlcera péptica ativa.
Trombectomia e Embolectomia
Trombectomia Mecânica (TM)
Extração percutânea do trombo, em geral por acesso femoral; dispensa lítico.
Indicação: razoável na E1; pode ser considerada em D1-2; incerta em C2-3.
Contraindicada de rotina nas categorias A a C1.
Embolectomia Cirúrgica
Embolectomia em circulação extracorpórea, tipicamente por esternotomia.
Indicação: razoável na E1; pode ser considerada em D1-2.
Não recomendada de rotina em A a C3; em E2 sem suporte circulatório mecânico, não recomendada sobre outras terapias avançadas.
Seguimento Pós-TEP
Acompanhamento e investigação
1ª semana pós-alta: educação, adesão, barreiras à anticoagulação, detecção de sangramento. [1]
Até 3 meses: discutir duração da anticoagulação, exames adicionais, sintomas persistentes. [1]
Por ≥ 1 ano: perguntar sobre sintomas e limitação funcional a cada consulta (rastreio de doença pulmonar tromboembólica crônica, CTEPD). [1]
Reavaliar risco-benefício da anticoagulação na fase estendida. [1]
Razoável rastrear ansiedade e depressão. [1]
Sintomáticos em 3 a 6 meses: razoável teste de caminhada de 6 minutos. [1]
Câncer oculto: história, exame e rastreio apropriado à idade; imagem de rotina (TC/PET-CT) não recomendada. [1]
Trombofilia: teste pode ser razoável sem fator reversível maior + história familiar ou idade < 55 anos, se mudar conduta; não testar na fase aguda nem sob anticoagulante. [1]
Reprodução: orientar contracepção; gestação após TEP com equipe especializada; no sangramento uterino anormal, ajustar manejo em vez de suspender anticoagulação. [1]
Atividade Física e Viagens
Estimular deambulação precoce em vez de repouso no leito. [1]
Meias de compressão em viagens ≥ 5 h para quem tem história de TEP. [1]
TEP prévio relacionado a viagem, não anticoagulado: razoável dose única profilática no dia da viagem longa. [1]
Categorias C2 a E: razoável restringir viagens longas por 4 semanas ou até resolução dos sintomas. [1]
Anticoagulação por Risco de Recorrência
Quanto tempo?
Primeiro TEP sem fator reversível maior: continuar na fase estendida (benefício em prevenir recorrência).
Primeiro TEP por fator reversível maior: suspender ao fim de 3 a 6 meses.
Fator persistente: razoável continuar na fase estendida.
Fator reversível menor: decisão compartilhada.
Qual agente escolher?
Agente na fase estendida: DOAC sobre AVK; em câncer, DOAC ou HBPM sobre AVK.
Sem opção de anticoagular: AVK preferível ao AAS (se não houver câncer); AAS em baixa dose sobre nenhuma terapia.
Como prescrever?
Dose reduzida na fase estendida: preferir a meia dose para reduzir sangramento.
Apixabana (Eliquis®) comp. 2,5 mg e 5 mg [3]
Fase estendida (meia dose): 2,5 mg VO a cada 12h. [1][3]
Rivaroxabana (Xarelto®) comp. 10 mg, 15 mg e 20 mg [4]
Fase estendida (meia dose): 10 mg VO 1x/dia; 20 mg 1x/dia permanece opção conforme o risco de recorrência. [1][4]
Comprimido de 20 mg com alimento; 10 mg pode ser com ou sem alimento. [4]
Ácido acetilsalicílico (AAS) (AAS Protect®, Aspirina Prevent®) comp. 100 mg [1]
100 mg VO 1x/dia, como alternativa na fase estendida quando o anticoagulante não é possível. [1]
TEP Recorrente
Considerações:
Confirmar por imagem (CTPA ou V/Q); diagnóstico por acometimento de vaso/segmento antes não envolvido.
Investigar contribuintes: adesão, dose subterapêutica, interações, câncer, anticorpos antifosfolípides.
Aderente e em dose terapêutica: razoável trocar de classe; recorrência com anticoagulação terapêutica costuma migrar para parenteral (HBPM ou fondaparinux).
Recorrência em dose reduzida: retomar dose plena da mesma classe.
Câncer com recorrência apesar de HBPM: escalonar a HBPM em 20% a 25%.
Medicações:
Enoxaparina (Clexane®) seringas 20 mg/0,2 mL, 40 mg/0,4 mL, 60 mg/0,6 mL, 80 mg/0,8 mL e 100 mg/1,0 mL [5]
Base do TEV: 1 mg/kg SC a cada 12h ou 1,5 mg/kg SC 1x/dia. [1][5]
Recorrência no câncer: escalonar a dose em 20% a 25% sobre a base. [1]
ClCr < 30 mL/min: 1 mg/kg SC 1x/dia. [5]
Fondaparinux (Arixtra®) sol. inj. 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg [9]
Tratamento do TEV, por peso: < 50 kg, 5 mg; 50 a 100 kg, 7,5 mg; > 100 kg, 10 mg SC 1x/dia. [9]
Evitar em ClCr < 30 mL/min; não recomendado na lactação. [9]
Complicações e Sequelas
Até metade mantém dispneia/limitação após 3 meses; cerca de metade tem defeitos de perfusão persistentes (obstrução vascular pulmonar residual, RPVO). [1]
CTEPD (doença pulmonar tromboembólica crônica):
TEP prévio + sintomas persistentes + RPVO + limitação de origem vascular pulmonar, com ou sem hipertensão pulmonar (HP).
Quando há HP, denomina-se CTEPH (hipertensão pulmonar tromboembólica crônica). [1]
Avaliação (dispneia/limitação após ≥ 3 meses) [1]
Ecocardiograma transtorácico + cintilografia de perfusão (planar, SPECT ou SPECT/CT), em vez do eco isolado.
Teste cardiopulmonar de exercício (TCPE) razoável para excluir CTEPD.
Eco normal no TEP agudo: repetir em 3 a 6 meses tem baixo rendimento e pode ser omitido.
Manejo [1]
Manter anticoagulação durante a investigação, salvo alto risco de sangramento.
CTEPD sem HP com sintomas persistentes: reabilitação pulmonar.
CTEPD com HP: encaminhar a centro especializado (angioplastia pulmonar por balão, tromboendarterectomia).
Critérios de Encaminhamento e Transferência
Internação: Categorias C a E. [1]
Transferência para centro com terapias avançadas [1]
Considerar em C3-D estáveis com alto risco (disfunção do VD, biomarcadores elevados).
Não transferir paciente instável (categoria E) antes da estabilização.
Acionar PERT (equipe de resposta ao TEP) nas categorias C a E. [1]
Encaminhar para Centro especializado em Hipertensão Pulmonar (HP) se:
CTEPD (doença pulmonar tromboembólica crônica) com HP para avaliar tromboendarterectomia ou angioplastia por balão. [1]
Referências
[1] CREAGER, Mark A. et al. 2026 AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism in Adults. Journal of the American College of Cardiology, v. 87, n. 13, p. 1626-1710, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jacc.2025.11.005. Acesso em: 13 jul. 2026.
[2] BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. CID-10: I26 Embolia pulmonar (I26.0; I26.9). Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/i26_i28.htm. Acesso em: 13 jul. 2026.
[3] BRISTOL-MYERS SQUIBB; PFIZER. Eliquis (apixabana): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[4] BAYER S.A. Xarelto (rivaroxabana): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[5] SANOFI MEDLEY. Clexane (enoxaparina sódica): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[6] BOEHRINGER INGELHEIM. Pradaxa (etexilato de dabigatrana): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[7] DAIICHI SANKYO BRASIL. Lixiana (edoxabana): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[8] FARMOQUÍMICA (FQM). Marevan (varfarina sódica): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[9] Fondaparinux (Arixtra®): posologia por peso no tratamento do TEV. Referência de prescrição em TEP. Disponível em: https://sanarmed.com/tromboembolismo-pulmonar-tep-como-prescrever-os-anticoagulantes-e-tromboliticos-yellowbook/. Acesso em: 13 jul. 2026.
[10] BOEHRINGER INGELHEIM. Actilyse (alteplase): bula do profissional de saúde (indicação embolia pulmonar). Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[11] BOEHRINGER INGELHEIM. Metalyse (tenecteplase): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[12] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico: heparina (heparina não fracionada). Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/heparina. Acesso em: 13 jul. 2026.
[13] Noradrenalina (hemitartarato): apresentação, diluição e infusão. Guia de drogas vasoativas. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[14] Dobutamina (Dobutrex®): apresentação, diluição e infusão. Guia Farmacêutico Hospital São Camilo. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br. Acesso em: 13 jul. 2026.
[15] Vasopressina (Encrise®): apresentação, diluição e infusão. Guia de drogas vasoativas. Acesso em: 13 jul. 2026.
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