Tromboembolismo Pulmonar (TEP) no Adulto

CID-10: I26 - Embolia pulmonar

CID-10: I26.0 - Embolia pulmonar com menção de cor pulmonale agudo

CID-10: I26.9 - Embolia pulmonar sem menção de cor pulmonale agudo

Introdução

  • Definição

    • Obstrução da circulação arterial pulmonar por trombo, em geral originado de trombose venosa profunda (TVP).

  • Espectro clínico

    • Varia de assintomático e achado incidental até choque cardiogênico e parada cardiorrespiratória.

    • Exige estratificação de risco rápida para definir prognóstico e conduta.

    • Abordagem multidisciplinar: pronto-socorro, internação e ambulatório.

  • Epidemiologia

    • Menos de 10% dos investigados por suspeita têm TEP confirmado. [1]

    • Gestação: fator de risco independente; até 11% das mortes relacionadas à gestação nos EUA. [1]

    • Trombo em trânsito em 2% a 4% dos casos. [1]

    • Evolução para hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (CTEPH) em cerca de 3%. [1]

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Fluxograma de Manejo

Avaliação Clínica de Pacientes com Suspeita de TEP Aguda: o fluxograma organiza a investigação diagnóstica do tromboembolismo pulmonar agudo a partir de sintomas suspeitos, estruturado em três vias conforme a probabilidade clínica. O passo inicial é realizar anamnese e exame físico para avaliar a probabilidade clínica de TEP aguda (classe de recomendação 1) e, em seguida, quantificar essa probabilidade utilizando uma ferramenta validada, como o escore de Wells, o escore de Genebra revisado ou a avaliação clínica global (impressão clínica do médico). A partir dessa quantificação, o fluxo se ramifica em três colunas paralelas. Na coluna de probabilidade baixa (probabilidade clínica inferior a 15%), avaliam-se os critérios PERC: se todos os critérios forem atendidos, conclui-se que a probabilidade clínica é muito baixa e não há necessidade de investigação adicional; se não forem todos atendidos, segue-se para a coluna de probabilidade intermediária, no card de realização de D-dímero e avaliação dos critérios YEARS. Na coluna de probabilidade intermediária (probabilidade clínica de 15 a 50%), realiza-se o D-dímero e avaliam-se os critérios YEARS (classe de recomendação 2a), com quatro desfechos independentes: 0 critério YEARS e D-dímero inferior a 1000 ng/mL indica TEP excluída; 1 ou mais critérios YEARS e D-dímero inferior a 500 ng/mL ou abaixo do limiar ajustado à idade também indica TEP excluída; 0 critério YEARS e D-dímero igual ou superior a 1000 ng/mL indica realizar imagem diagnóstica; e 1 ou mais critérios YEARS e D-dímero igual ou superior a 500 ng/mL ou acima do limiar ajustado à idade também indica realizar imagem diagnóstica. Na coluna de probabilidade alta (probabilidade clínica superior a 50%), indica-se diretamente a realização de imagem diagnóstica (classe de recomendação 1). Notas complementares esclarecem que as ferramentas validadas incluem o escore de Wells, o escore de Genebra revisado ou a avaliação clínica global do médico, e que os critérios YEARS incluem sinais clínicos de trombose venosa profunda, hemoptise ou TEP como diagnóstico mais provável, sendo o uso de D-dímero ajustado à idade uma alternativa aos critérios YEARS; para gestantes, devem-se utilizar os critérios YEARS adaptados à gravidez. Fonte: American Heart Association / American College of Cardiology Foundation. 2026 Adults With Acute Pulmonary Embolism.

Classificação

Categorias Clínicas AHA/ACC (A a E)

  • Considerações:

    • Sistema que integra dados clínicos, laboratoriais e de imagem para refinar gravidade e conduta.

    • A categoria é definida pelo indicador mais grave presente; o paciente pode transitar entre categorias.

    • Modificador "R": hipoxemia, taquipneia ou necessidade de O2 suplementar (ex.: C3R, E-R).

  • A. Subclínico (incidental, assintomático)

    • A1: subsegmentar; A2: segmentar ou mais proximal.

  • B. Sintomático de baixa gravidade (PESI I-II, sPESI 0, Hestia 0, Bova ≤ 4)

    • B1: subsegmentar; B2: segmentar ou mais proximal.

  • C. Sintomático com escore elevado (PESI > 85, sPESI ≥ 1, Hestia ≥ 1 ou Bova > 4)

    • Subcategorias conforme disfunção cardiopulmonar (biomarcadores e imagem do VD).

  • D. Falência cardiopulmonar incipiente (choque normotenso)

    • D1: hipotensão transitória/breve ou responsiva a volume, sem hipoperfusão.

    • D2: hipotensão transitória com marcador de hipoperfusão (lactato, LRA, entre outros).

  • E. Falência cardiopulmonar

    • E1: hipotensão persistente com choque cardiogênico (SCAI C).

    • E2: choque refratário (SCAI D-E) ou parada sem retorno da circulação após 30 min de reanimação.

    • E-R: falência respiratória com necessidade de ventilação por pressão positiva.

Categorias Clínicas da Embolia Pulmonar Aguda (AHA/ACC 2026): a tabela organiza a classificação clínica da embolia pulmonar aguda em cinco categorias de risco crescente, de A até E, cada uma com subcategorias e um possível modificador respiratório. A categoria A corresponde à embolia pulmonar subclínica, incidental e assintomática, e representa o menor risco. A categoria B corresponde à embolia pulmonar sintomática com baixo escore de gravidade clínica e divide-se em B1, embolia subsegmentar única ou múltipla, e B2, embolia não subsegmentar. A categoria C corresponde à embolia pulmonar sintomática com escore de gravidade clínica elevado e divide-se em C1, ventrículo direito normal e biomarcadores normais; C2, ventrículo direito anormal ou pelo menos um biomarcador anormal; e C3, ventrículo direito anormal e pelo menos um biomarcador anormal. A categoria D corresponde à insuficiência cardiopulmonar incipiente e divide-se em D1, hipotensão transitória, e D2, choque normotensivo. A categoria E corresponde à insuficiência cardiopulmonar e divide-se em E1, hipotensão recorrente ou persistente com choque cardiogênico, e E2, choque cardiogênico refratário ou parada cardíaca, representando o maior risco. As categorias C, D e E podem receber um modificador respiratório opcional, indicado pela letra R: em C, definido por saturação de oxigênio menor que 90%, frequência respiratória maior ou igual a 30 ou necessidade de oxigênio suplementar; em D, definido por fluxo maior que 6 litros em cânula nasal ou uso de máscara não reinalante; e em E, definido por insuficiência respiratória hipoxêmica ou insuficiência ventilatória. Quando o paciente preenche os critérios do modificador respiratório, adiciona-se a letra R à descrição da categoria, como em C3R ou D2R. O baixo escore de gravidade clínica é definido por PESI menor ou igual a 85, ou sPESI igual a 0, ou Bova menor ou igual a 4; o escore de gravidade clínica elevado é definido por PESI maior que 85, ou sPESI maior ou igual a 1, ou Bova maior que 4. A hipotensão transitória é definida por pressão arterial sistólica menor que 90 mmHg ou queda maior que 40 mmHg com duração menor que 15 minutos ou responsiva a fluidos intravenosos. O choque normotensivo é definido por qualquer um dos seguintes achados: lactato maior que 2 mmol/L, lesão renal aguda, débito urinário menor que 0,5 mL/kg/h, alteração do estado mental, índice cardíaco menor que 2,2 L/min/m², pressão arterial média menor que 60 mmHg ou aumento do escore ou estágio de choque, incluindo estágio SCAI e escore CPES. As abreviações utilizadas são EP para embolia pulmonar, VD para ventrículo direito, FR para frequência respiratória, O₂ para oxigênio, PESI para Pulmonary Embolism Severity Index, sPESI para PESI simplificado, Bova para o escore de Bova, IV para intravenoso, SCAI para Society for Cardiovascular Angiography and Interventions e CPES para Composite Pulmonary Embolism Shock. Fonte: adaptação de 2026 AHA/ACC Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism in Adults. American Heart Association / American College of Cardiology Foundation.

Fatores de Risco (para recorrência)

  • Reversíveis maiores [1]

    • Cirurgia com anestesia geral ≥ 30 min.

    • Hospitalização por doença aguda ≥ 72 h em repouso no leito.

    • Cesariana.

    • Fratura de membro inferior.

  • Reversíveis menores [1]

    • Cirurgia com anestesia geral < 30 min.

    • Hospitalização por doença aguda < 72 h.

    • Doença aguda fora do hospital ≥ 72 h em repouso.

    • Terapia estrogênica (reposição ou contraceptivo).

    • Período periparto.

    • Trauma com redução de mobilidade ≥ 72 h.

  • Persistentes [1]

    • Câncer ativo (com ou sem tratamento).

    • Doença autoimune (ex.: artrite reumatoide, lúpus).

    • Doença inflamatória intestinal.

    • Imobilidade crônica.

Quadro Clínico

  • Sintomas comuns

    • Dor torácica pleurítica.

    • Dispneia.

  • Sintomas menos comuns

    • Hemoptise.

    • Síncope.

    • Choque.

  • Sinais ao exame

    • Instabilidade: taquicardia, hipotensão.

    • Trocas gasosas: taquipneia, hipoxemia.

    • Pulmonar: redução do murmúrio, atrito pleural.

    • Sobrecarga do VD: turgência jugular, hiperfonese de B2 pulmonar, impulsão paraesternal.

    • TVP: edema e dor em membro inferior.

⚠️ Muitos sintomas são inespecíficos, o que torna o diagnóstico desafiador. [1]

Probabilidade Pré-Teste (Escores)

Modelo de Wells de Predição Clínica de Tromboembolismo Pulmonar: a ferramenta apresenta as variáveis do escore de Wells e suas pontuações para estimar a probabilidade clínica de tromboembolismo pulmonar. As variáveis e respectivos pontos são: sinais clínicos de TVP, 3 pontos; frequência cardíaca maior que 100 bpm, 1,5 ponto; imobilização por 3 dias ou mais ou cirurgia nas últimas 4 semanas, 1,5 ponto; TEP ou TVP prévias, 1,5 ponto; hemoptise, 1 ponto; câncer ativo, 1 ponto; e diagnóstico alternativo menos provável que TEP, 3 pontos. Na interpretação pelo sistema dicotômico de dois níveis, uma pontuação menor ou igual a 4 pontos indica TEP improvável, enquanto uma pontuação maior que 4 pontos indica TEP provável. Na interpretação pelo sistema tradicional de três níveis, uma pontuação menor que 2 pontos indica baixa probabilidade, de 2 a 6 pontos indica probabilidade moderada, e maior que 6 pontos indica alta probabilidade. O câncer ativo é definido como em tratamento, tratado nos últimos 6 meses ou sob cuidados paliativos, conforme Wells PS, et al., Thromb Haemost, 2000;83(3):416-20. As abreviações utilizadas são TVP para trombose venosa profunda, TEP para tromboembolismo pulmonar e bpm para batimentos por minuto. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Conjunta sobre Tromboembolismo Venoso – 2022.

Critérios PERC para Exclusão de Tromboembolismo Pulmonar: a ferramenta apresenta os oito critérios do PERC utilizados para descartar tromboembolismo pulmonar sem necessidade de exames complementares, aplicável exclusivamente em pacientes já classificados pelo médico como de baixa probabilidade pré-teste de TEP, seja pela impressão clínica ou por escore de Wells baixo, não devendo ser utilizada como ferramenta de triagem inicial em pacientes de risco moderado ou alto. Para excluir TEP, todos os oito critérios devem estar presentes: idade menor que 50 anos; frequência cardíaca menor que 100 bpm; saturação de oxigênio maior ou igual a 95% em ar ambiente; ausência de edema unilateral de membro inferior; ausência de hemoptise; ausência de cirurgia ou trauma que tenha exigido hospitalização nas últimas 4 semanas; ausência de TEP ou TVP prévios; e ausência de uso exógeno de estrogênio, incluindo anticoncepcionais orais e reposição hormonal. A interpretação estabelece que, com todos os oito critérios presentes, o TEP é excluído e nenhum exame adicional é necessário; havendo um ou mais critérios ausentes, o PERC é considerado positivo, devendo-se prosseguir com a dosagem de D-dímero. As abreviações utilizadas são PERC para Pulmonary Embolism Rule-out Criteria, TEP para tromboembolismo pulmonar, TVP para trombose venosa profunda e bpm para batimentos por minuto. Fonte: Kline JA, et al. Clinical criteria to prevent unnecessary diagnostic testing in emergency department patients with suspected pulmonary embolism. J Thromb Haemost. 2004.

Modelo de Genebra Revisado para Predição Clínica de Tromboembolismo Pulmonar: a tabela apresenta as variáveis clínicas do escore de Genebra revisado com as pontuações nas versões original e simplificada, além dos pontos de corte de probabilidade clínica. As variáveis e seus respectivos pontos, na forma original e simplificada, são: TEP ou TVP prévia, 3 pontos no original e 1 ponto no simplificado; frequência cardíaca de 75 a 94 bpm, 3 pontos no original e 1 no simplificado; frequência cardíaca maior ou igual a 95 bpm, 5 pontos no original e 2 no simplificado; cirurgia ou fratura em até 1 mês, 2 pontos no original e 1 no simplificado; hemoptise, 2 pontos no original e 1 no simplificado; câncer ativo, 2 pontos no original e 1 no simplificado; dor unilateral em membro inferior, 3 pontos no original e 1 no simplificado; dor à palpação no trajeto venoso profundo e edema unilateral, 4 pontos no original e 1 no simplificado; e idade maior que 65 anos, 1 ponto tanto no original quanto no simplificado. Para a probabilidade clínica no escore de três níveis, a categoria baixa corresponde a 0 a 3 pontos no original e 0 a 1 ponto no simplificado; a categoria intermediária corresponde a 4 a 10 pontos no original e 2 a 4 pontos no simplificado; e a categoria alta corresponde a pontuação maior ou igual a 11 no original e maior ou igual a 5 no simplificado. Para o escore de dois níveis, TEP improvável corresponde a 0 a 5 pontos no original e 0 a 2 pontos no simplificado; e TEP provável corresponde a pontuação maior ou igual a 6 no original e maior ou igual a 3 no simplificado. O critério original de cirurgia ou fratura especifica cirurgia sob anestesia geral ou fratura de membro inferior ocorridas no último mês, sendo a formulação simplificada amplamente utilizada em diretrizes e materiais clínicos, conforme Le Gal G, et al., Ann Intern Med, 2006;144(3):165-171. As abreviações utilizadas são TEP para tromboembolismo pulmonar, TVP para trombose venosa profunda e bpm para batimentos por minuto. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Conjunta sobre Tromboembolismo Venoso – 2022.

D-Dímero

Considerações: [1]

  • É indicado para pacientes com probabilidade clínica baixa ou intermediária (< 50%).

  • Um teste de D-dímero negativo de alta sensibilidade em combinação com uma baixa probabilidade pré-teste pode excluir a TEP com limiar de segurança (taxa de falha) aceito das estratégias diagnósticas (2%).

  • Um teste de D-dímero positivo não modifica a probabilidade pré-teste (clínica) e, portanto, não é capaz de confirmar o diagnóstico.

  • A maioria dos estudos que validaram estratégias por D-dímero excluiu pacientes em anticoagulação terapêutica.

Qual o ponto de corte? [1]

  • Conforme idade

    • ≤ 50 anos: limiar padrão 500 mcg/L

    • > 50 anos: idade × 10 mcg/L = ponto de corte do D-dímero

  • Algoritmo YEARS

    • Avaliar critérios:

      • Sinais de TVP

      • Hemoptise

      • TEP como diagnóstico mais provável

    • Aplicação:

      • Considerar limiar 500 mcg/L se ≥ 1 critério presente.

      • Considerar limiar 1.000 mcg/L se nenhum critério presente.

  • Gestação:

    • Usar os mesmos 3 critérios YEARS e mesmos limiares: ≥ 1 critério, 500 mcg/L; nenhum critério, 1.000 mcg/L.

    • Diante de sintomas de TVP em membro inferior: realizar ultrassonografia por compressão; se positiva, iniciar anticoagulação, sem necessidade obrigatória de angioTC.

    • Essa abordagem evita cerca de 65% das angioTC nas gestantes que se apresentam no primeiro trimestre.

Exames de Imagem

  • AngioTC de artérias pulmonares (CTPA): modalidade padrão [1]

    • Exame positivo é suficiente para o diagnóstico.

    • Preferida à V/Q (detecta TEP periférico, avalia VD e diagnósticos alternativos).

  • Cintilografia V/Q [1]

    • Exame de alta probabilidade é suficiente; escolha quando a CTPA não é possível.

    • V/Q SPECT preferível ao planar (mais reprodutível e específico, menos radiação).

  • Angio-RM:

    • Quando a CTPA não é possível, o V/Q é preferível à angio-RM. [1]

  • USG venoso de MMII:

    • Razoável se achados sugestivos de TVP ou se a TVP muda conduta/prognóstico; sem utilidade após CTPA negativa ou V/Q SPECT normal. [1]

  • Ecocardiograma:

    • Não serve para confirmar/excluir TEP, mas é essencial para avaliar a função do VD no TEP confirmado. [1]

  • Relato no TEP confirmado [1]

    • CTPA: relatar razão VD/VE numérica (não subjetiva).

    • Eco: razão VD/VE, diâmetro do VD, TAPSE, PSAP estimada, sinal de McConnell, movimento septal paradoxal, colapso da VCI.

Estratificação de Risco (Escores)

  • Escores clínicos [1]

    • Categorias A-B: usar Hestia, PESI e/ou sPESI para identificar baixo risco.

    • Categorias C-D estáveis: razoável usar escore específico para identificar maior risco.

    • Os escores identificam melhor baixo risco do que preveem deterioração.

    • sPESI: 1 ponto por fator (idade > 80, câncer, doença cardiopulmonar crônica, PAS < 100, FC ≥ 110, SatO2 < 90%); 0 = baixo risco de morte em 30 dias.

    • Bova: PAS 90 a 100 (2), troponina elevada (2), disfunção do VD (2), FC ≥ 110 (1); estágios I a III.

    • Hestia: se todos os itens negativos, considerar manejo ambulatorial.

    • NEWS/NEWS2: alternativa razoável nas categorias C-D.

  • Avaliação hemodinâmica [1]

    • Janela crítica de colapso: primeiras 24 a 72 h.

    • Choque normotenso (D2): hipoperfusão sem hipotensão. Marcadores: lactato > 2 mmol/L; diurese < 720 mL/24 h; aumento de creatinina ≥ 0,3 mg/dL/24 h; índice cardíaco ≤ 2,2 L/min/m².

    • PAM < 80 mmHg na C3: pode indicar necessidade de escalonar terapia (dado de estratificação, não meta de titulação).

  • Biomarcadores [1]

    • Categoria C: dosar ao menos um biomarcador cardíaco (troponina ou BNP).

    • Categorias C a E na urgência: dosar lactato (dado incremental aos biomarcadores cardíacos).

  • Imagem do VD [1]

    • Categorias C-D sem choque: obter imagem do VD (eco preferível à TC).

    • Disfunção do VD associa-se a maior mortalidade de curto prazo e relacionada ao TEP.

  • Carga trombótica [1]

    • Categorias A-C: não quantificar carga angiográfica (ex.: Miller modificado) para prognóstico.

sPESI — PESI Simplificado para Tromboembolismo Pulmonar: a ferramenta apresenta a versão simplificada do PESI, composta por seis variáveis não ponderadas, na qual se soma 1 ponto para cada critério presente. Os critérios, todos valendo 1 ponto, são: idade maior que 80 anos; câncer; doença cardiopulmonar crônica; frequência cardíaca maior ou igual a 110 bpm; pressão arterial sistólica menor que 100 mmHg; e saturação de oxigênio menor que 90%. Na interpretação, uma pontuação igual a 0 indica baixo risco, podendo ser considerado tratamento ambulatorial; uma pontuação maior ou igual a 1 indica maior risco, com internação e monitoramento indicados. As abreviações utilizadas são sPESI para simplified Pulmonary Embolism Severity Index e bpm para batimentos por minuto. Fonte: 2026 AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism in Adults.

PESI — Índice de Gravidade do Tromboembolismo Pulmonar: a ferramenta descreve o cálculo e a estratificação de risco do PESI, cuja pontuação total corresponde à idade do paciente em anos somada aos pontos de cada preditor presente. Os preditores e suas respectivas pontuações são: idade, que equivale à idade em anos (por exemplo, 75 anos correspondem a 75 pontos); sexo masculino, mais 10 pontos; história de câncer, mais 30 pontos; história de insuficiência cardíaca, mais 10 pontos; história de doença pulmonar crônica, mais 10 pontos; frequência cardíaca maior ou igual a 110 bpm, mais 20 pontos; pressão arterial sistólica menor que 100 mmHg, mais 30 pontos; frequência respiratória maior ou igual a 30 por minuto, mais 20 pontos; temperatura menor que 36 graus Celsius, mais 20 pontos; estado mental alterado, mais 60 pontos; e saturação arterial de oxigênio menor que 90%, mais 20 pontos. O estado mental alterado é definido como desorientação, letargia, estupor ou coma, conforme Aujesky D, et al., Arch Intern Med, 2006. A classificação de risco por classes é a seguinte: classe I, com pontuação menor ou igual a 65 pontos, risco muito baixo; classe II, com 66 a 85 pontos, risco baixo; classe III, com 86 a 105 pontos, risco intermediário; classe IV, com 106 a 125 pontos, risco alto; e classe V, com mais de 125 pontos, risco muito alto. Na interpretação, as classes I e II, com pontuação menor ou igual a 85 pontos, representam baixo risco, sendo os pacientes candidatos a tratamento ambulatorial ou alta hospitalar precoce; as diretrizes AHA/ACC/ACCP 2026 recomendam PESI menor ou igual a 85 como critério para identificar pacientes de baixo risco adequados para manejo ambulatorial, com Classe de recomendação 1 e Nível de evidência B-R. Observa-se que os operadores de menor que em pressão arterial sistólica menor que 100 mmHg, temperatura menor que 36 graus Celsius e saturação arterial de oxigênio menor que 90% foram incluídos conforme o artigo de derivação original de Aujesky D, et al., Arch Intern Med, 2006;166(2):169-175. As abreviações utilizadas são PESI para Pulmonary Embolism Severity Index e bpm para batimentos por minuto. Fonte: Yoo HHB, et al. Outpatient versus inpatient treatment for acute pulmonary embolism. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2022.

Sinais de Alarme e Gravidade

Achados que indicam maior risco e possível necessidade de escalonamento (categorias C a E). [1]

  • Instabilidade hemodinâmica: hipotensão persistente, choque, PCR (categorias E1-2).

  • Choque normotenso: hipoperfusão sem hipotensão (categoria D2).

  • Disfunção do VD por eco, TC ou BNP/NT-proBNP.

  • Biomarcadores elevados: troponina, BNP, lactato.

  • Falência respiratória: hipoxemia, taquipneia ou necessidade de ventilação por pressão positiva (modificador R).

  • Trombo em trânsito (favorece terapia avançada).

Decisão de Internação e Nível de Cuidado

  • Ambulatorial [1]

    • Usar ferramenta (Hestia, PESI ou sPESI) para selecionar candidatos.

    • Opção razoável em categorias A-B com baixa taxa de desfechos adversos em 90 dias.

    • Pré-requisitos: acesso imediato ao anticoagulante e seguimento rápido e confiável.

  • Por categoria [1]

    • A: alta segura do pronto-socorro.

    • B: em geral, alta precoce.

    • C a E: internação.

  • Nível de cuidado [1]

    • Trombólise (sistêmica ou por cateter): unidade com monitorização estreita (UTI/intermediários).

    • Pós-trombectomia estável: telemetria contínua e equipe familiarizada com complicações do dispositivo.

  • PERT (equipe de resposta ao TEP) [1]

    • Avaliação por PERT nas categorias C a E.

    • Reduz tempo até anticoagulação terapêutica e uso de filtros.

Anticoagulação

Princípios gerais [1]

  • É o alicerce do tratamento; iniciar em todo paciente sem contraindicação absoluta. [1]

  • Categorias C1 a E1 que requerem parenteral: HBPM sobre HNF (menos recorrência e menos sangramento).

  • Elegíveis à via oral: DOAC sobre AVK, salvo contraindicação.

  • Imagem indisponível/postergada e baixo risco de sangramento: considerar anticoagulação empírica na suspeita de categoria C2 ou superior.

Anticoagulantes Parenterais

  • Enoxaparina (Clexane®) seringas 20 mg/0,2 mL, 40 mg/0,4 mL, 60 mg/0,6 mL, 80 mg/0,8 mL e 100 mg/1,0 mL [5]

    • Tratamento do TEV: 1 mg/kg SC a cada 12h ou 1,5 mg/kg SC 1x/dia. [1][5]

    • ClCr < 30 mL/min: 1 mg/kg SC 1x/dia. [5]

    • Preferida sobre a HNF nas categorias C1 a E1. [1]

  • Heparina não fracionada (HNF) (Liquemine®) sol. inj. 5.000 UI/mL (fr.-amp. 5 mL) [12]

    • Bolus EV 80 UI/kg (ou 5.000 UI), seguido de infusão contínua 18 UI/kg/h (ou 1.300 UI/h). [12]

    • Ajustar por TTPa a cada 6h; alvo 1,5 a 2,5x o controle. [12]

    • Preferida em instabilidade hemodinâmica, ClCr < 30 mL/min ou alto risco de sangramento; antídoto: protamina. [1][12]

Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs)

  • Apixabana (Eliquis®) comp. 2,5 mg e 5 mg [3]

    • Iniciação: 10 mg VO a cada 12h por 7 dias. [1]

    • Manutenção: 5 mg VO a cada 12h. [1][3]

    • Fase estendida: 2,5 mg VO a cada 12h. [1]

    • Não requer parenteral inicial. [1]

  • Rivaroxabana (Xarelto®) comp. 10 mg, 15 mg e 20 mg [4]

    • Iniciação: 15 mg VO a cada 12h por 21 dias (com alimento). [1][4]

    • Manutenção: 20 mg VO 1x/dia (com alimento). [1][4]

    • Fase estendida: preferir a meia dose de 10 mg VO 1x/dia; 20 mg 1x/dia permanece opção conforme o risco de recorrência. [1][4]

    • Comprimidos de 15 e 20 mg com alimento; não requer parenteral inicial. [4]

    • Não recomendada no TEP instável ou candidato a trombólise/embolectomia. [4]

  • Dabigatrana (Pradaxa®) cáps. 110 mg e 150 mg [6]

    • 150 mg VO a cada 12h, após ≥ 5 dias de parenteral. [1][6]

    • Manter por ≥ 6 meses. [6]

  • Edoxabana (Lixiana®) comp. 30 mg e 60 mg [7]

    • 60 mg VO 1x/dia, após ≥ 5 dias de parenteral. [1][7]

    • 30 mg VO 1x/dia se ClCr 30 a 50, peso ≤ 60 kg ou uso de inibidor da P-gp (verapamil/quinidina). [7]

Antagonista da Vitamina K (AVK)

  • Varfarina (Marevan®) comp. 1 mg, 2,5 mg e 5 mg [8]

    • Iniciar 5 mg VO 1x/dia, sem dose de ataque. [8]

    • Sobrepor com parenteral por ≥ 5 dias, até RNI ≥ 2 em duas medidas. [1][8]

    • Ajustar por RNI (alvo 2 a 3). [8]

Populações Especiais

  • Obesidade (IMC > 30): oral preferir DOAC (apixabana/rivaroxabana) a AVK. Classe III (IMC > 40) em HBPM: razoável reduzir dose.

  • SAF trombótica: AVK sobre DOAC. Anticorpo isolado (anticardiolipina ou beta-2-GP): DOAC pode ser alternativa.

  • Tumor cerebral: DOAC pode ser preferível à HBPM (menor risco de hemorragia intracraniana).

  • DRC: leve a moderada (estágios 2-3), DOAC sobre AVK; grave (4-5) ou diálise, benefício da apixabana sobre AVK incerto.

  • Gestação: HBPM ou HNF; DOAC e varfarina potencialmente prejudiciais.

  • Amamentação: HBPM, HNF ou varfarina sobre DOAC.

  • Hepatopatia: Child A, DOAC sobre AVK; Child B, DOAC pode ser razoável; Child C, DOAC não recomendado.

Monitorização (anti-Xa)

  • Quando indicada, medir anti-Xa de pico 3 a 5 h após a dose, em estado de equilíbrio (≥ 3 doses).

  • HBPM em dose por peso: monitorização de rotina não indicada.

  • DRC grave (ClCr < 30): razoável monitorar anti-Xa para ajuste.

Suporte Hemodinâmico e Ventilatório

Suporte crítico nas categorias com instabilidade ou disfunção do VD [1]

  • Vasopressores/inotrópicos: no choque cardiogênico (D2 a E2). [1]

  • Volume: em D1-2 com pré-carga reduzida, pequenos bólus (≤ 500 mL), evitando sobrecarga do VD. [1]

  • Vasodilatadores pulmonares inalatórios: em C2 a E, para reduzir pós-carga do VD. [1]

Vasopressor de escolha [1][13]

  • Noradrenalina sol. inj. 4mg/4ml

    • Doses ≤ 15 mcg/min têm efeito mínimo na resistência vascular pulmonar; acima disso, associar 2º vasopressor (vasopressina ou fenilefrina) em vez de aumentar. [1]

    • Diluição usual (exemplo, seguir protocolo do serviço): 4 amp (16 mg) em SG 5% até 250 mL, EV em BIC por acesso venoso central [13]

    • Titular para PAM ≥ 65 mmHg.

2º vasopressor (quando a noradrenalina ultrapassa 15 mcg/min) [1]

  • Vasopressina (Encrise®) sol. inj. 20 UI/mL (amp. 1 mL)

    • 0,01 a 0,04 UI/min, EV em BIC, dose fixa (não titular por peso). [15]

    • Diluição usual (exemplo): 1 amp (20 UI) em 100 mL de SF 0,9% ou SG 5% (0,2 UI/mL); seguir protocolo do serviço. [15]

  • A fenilefrina é alternativa de 2º vasopressor; a posologia deve seguir o protocolo institucional.

Inotrópico [1][14]

  • Dobutamina (Dobutrex®) sol. inj. 250 mg/20 mL

    • 2,5 a 10 mcg/kg/min. Titular dose conforme necessidade. [1][14]

    • Associada à noradrenalina no baixo débito com hipotensão (E1-2) ou inicial no choque normotenso (D2). [1]

    • Diluição usual (exemplo): 1 amp em SF 0,9% até 250 mL (1 mg/mL), EV em BIC. [14]

Sedação e Suporte Ventilatório

  • Sedação para intubação nas categorias C a E: ter suporte hemodinâmico disponível (vasopressores, inotrópicos, VA-ECMO) pelo risco de colapso. [1]

  • Hipoxia moderada a grave: cateter nasal de alto fluxo (CNAF) pode ser benéfico sobre o cateter nasal padrão. [1]

  • Evitar sedação profunda e ventilação mecânica sem indicação clara; qualquer sedação com cautela na disfunção do VD. [1]

Suporte Circulatório Mecânico (VA-ECMO)

  • Manter anticoagulação parenteral durante o VA-ECMO, na ausência de sangramento. [1]

  • Choque refratário (E2): razoável instituir VA-ECMO, se houver recursos. [1]

  • Em E2 sob VA-ECMO, o valor de terapias avançadas adicionais é incerto. [1]

Filtro de Veia Cava Inferior (FVCI)

  • Intolerância à anticoagulação com filtro considerado necessário: preferir filtros recuperáveis. [1]

  • Retirar assim que o risco diminuir e a anticoagulação for tolerada (programa de seguimento estruturado). [1]

  • Não colocar FVCI de rotina em paciente efetivamente anticoagulado. [1]

  • Benefício incerto nas categorias D-E em terapias avançadas. [1]

Trombólise

Considerações:

  • Abrange a trombólise sistêmica e a trombólise dirigida por cateter (CDL). A decisão depende da categoria AHA/ACC e do risco de sangramento; o maior benefício ocorre em pacientes com alto risco de morte por TEP e baixo risco de sangramento. [1]

  • Agentes

    • Aprovados para trombólise no TEP: estreptoquinase, uroquinase e rt-PA (alteplase). [1]

      • Estreptoquinase e uroquinase (1ª geração): não usadas na prática atual (tempo de infusão longo e baixa disponibilidade). [1]

      • Alteplase (rt-PA): agente mais utilizado; não há estudos comparativos diretos que demonstrem superioridade de um agente sobre outro. [1]

    • Tenecteplase: testada em estudos de TEP (ex.: PEITHO), sem aprovação para TEP. [1]

Trombólise Sistêmica

  • Indicações por categoria: [1]

    • E1-2 com risco de sangramento aceitável: trombólise sistêmica associada à anticoagulação é razoável sobre anticoagulação isolada, para reduzir mortalidade e recorrência (COR 2a).

    • D1-2 com risco de sangramento aceitável: pode ser considerada sobre anticoagulação isolada, para prevenir deterioração clínica (COR 2b).

    • C3 com risco de sangramento aceitável: benefício incerto (COR 2b).

    • A1 a C2: não usar trombólise sistêmica, pelo aumento de sangramento maior e hemorragia intracraniana (COR 3: Dano).

    • Menor dose (25 a 50 mg de rt-PA): pode ser considerada para reduzir o risco de sangramento (COR 2b).

  • Medicamentos:

    • Alteplase (rt-PA) (Actilyse®) pó liofilizado 10 mg, 20 mg e 50 mg (reconstituir para 1 mg/mL) [10]

      • Esquema padrão (≥ 65 kg): 100 mg EV em 2h (10 mg em bólus em 1 a 2 min, seguidos de 90 mg em infusão nas 2h). [1][10]

      • Peso < 65 kg: 10 mg em bólus, seguidos de infusão em 2h, sem exceder dose total de 1,5 mg/kg. [10]

      • Menor dose (reduz sangramento): 25 a 50 mg. [1]

      • Regime acelerado (não oficialmente aprovado; usado em instabilidade hemodinâmica extrema, como parada cardíaca): 0,6 mg/kg EV em 15 min (máx 50 mg). [16]

      • Reconstituir com água para injeção (1 mg/mL); diluir em SF 0,9% até ≥ 0,2 mg/mL; não usar glicose nem misturar com outros fármacos, inclusive heparina; administrar em acesso e equipo exclusivos. [10]

      • Anticoagulação adjunta: após o alteplase, iniciar ou retomar heparina quando o TTPa for < 2x o limite superior do normal; ajustar para TTPa de 50 a 70 s (1,5 a 2,5x a referência). [10]

    • Tenecteplase (Metalyse®) pó liofilizado 40 mg (8.000 U) e 50 mg (10.000 U) [11]

      • Uso off-label no TEP (bula aprovada apenas para IAM); testada em estudos de TEP como o PEITHO. [1][11]

      • Bólus IV único em 5 a 10 segundos, por peso (mesmo esquema por peso da bula): [11]

        • < 60 kg: 6.000 U (30 mg);

        • 60 a < 70 kg: 7.000 U (35 mg);

        • 70 a < 80 kg: 8.000 U (40 mg);

        • 80 a < 90 kg: 9.000 U (45 mg);

        • ≥ 90 kg: 10.000 U (50 mg).

      • Dose máxima 10.000 U (50 mg); reconstituir para 5 mg/mL; incompatível com glicose; não misturar com outros fármacos. [11]

Trombólise Dirigida por Cateter (CDL)

  • Considerações:

    • Administração de trombolítico (comumente rt-PA) por cateter multiperfurado na artéria pulmonar. [1]

    • Manter anticoagulação concomitante: terapêutica (HBPM ou HNF) ou subterapêutica (HNF). [1]

  • Indicações por categoria: [1]

    • E1: CDL associada à anticoagulação é razoável, para prevenir deterioração e mortalidade precoce (COR 2a).

    • D1-2: pode ser considerada (COR 2b).

    • C2-3: benefício incerto (COR 2b).

    • D1 a E1 em que se cogita trombólise: a eficácia da CDL sobre a sistêmica é incerta, mas a CDL pode ser considerada sobre a sistêmica para reduzir o risco de sangramento (COR 2b).

  • Medicamento:

    • Alteplase (rt-PA) (Actilyse®) pó liofilizado 10 mg, 20 mg e 50 mg (reconstituir para 1 mg/mL) [10]

      • Dose na CDL: 5 a 10 mg de alteplase por artéria pulmonar; não usar dose < 5 mg/AP em relação à dose padrão. [1]

      • Reconstituir com água para injeção (1 mg/mL); pode diluir em SF 0,9%; não usar glicose nem misturar com outros fármacos. [10]

Contraindicações e Risco de Sangramento

  • Por categoria (diretriz): trombólise contraindicada nas categorias A1 a C2, pelo aumento de sangramento maior e hemorragia intracraniana (COR 3: Dano). [1]

  • Risco de sangramento aceitável: o maior benefício líquido ocorre em alto risco de morte por TEP com baixo risco de sangramento; há provável dano em baixo risco de morte com alto risco de sangramento. [1]

  • Magnitude do risco com trombólise sistêmica: [1]

    • cerca de 9,9% de sangramento grave e 1,7% de hemorragia intracraniana em meta-análise;

    • no PEITHO (categorias C3-D2): sangramento extracraniano em 6,3% (vs 1,2% com placebo) e AVC em 2,4%, majoritariamente hemorrágico (vs 0,2% com placebo).

❌ Contraindicações absolutas à fibrinólise sistêmica (ESC 2019): [16]

  • História de AVC hemorrágico ou AVC de origem desconhecida (independentemente do tempo).

  • AVC isquêmico nos últimos 6 meses.

  • Neoplasia do sistema nervoso central.

  • Trauma grave, cirurgia ou traumatismo craniano nas últimas 3 semanas.

  • Diátese hemorrágica (discrasia sanguínea).

  • Sangramento ativo.

⚠️ Contraindicações relativas à fibrinólise sistêmica (ESC 2019): [16]

  • Ataque isquêmico transitório nos últimos 6 meses.

  • Anticoagulação oral.

  • Gravidez ou primeira semana pós-parto.

  • Locais de punção não compressíveis.

  • Ressuscitação cardiopulmonar traumática.

  • Hipertensão refratária (PAS > 180 mmHg).

  • Doença hepática avançada.

  • Endocardite infecciosa.

  • Úlcera péptica ativa.

Trombectomia e Embolectomia

Trombectomia Mecânica (TM)

  • Extração percutânea do trombo, em geral por acesso femoral; dispensa lítico.

  • Indicação: razoável na E1; pode ser considerada em D1-2; incerta em C2-3.

  • Contraindicada de rotina nas categorias A a C1.

Embolectomia Cirúrgica

  • Embolectomia em circulação extracorpórea, tipicamente por esternotomia.

  • Indicação: razoável na E1; pode ser considerada em D1-2.

  • Não recomendada de rotina em A a C3; em E2 sem suporte circulatório mecânico, não recomendada sobre outras terapias avançadas.

Seguimento Pós-TEP

Acompanhamento e investigação

  • 1ª semana pós-alta: educação, adesão, barreiras à anticoagulação, detecção de sangramento. [1]

  • Até 3 meses: discutir duração da anticoagulação, exames adicionais, sintomas persistentes. [1]

  • Por ≥ 1 ano: perguntar sobre sintomas e limitação funcional a cada consulta (rastreio de doença pulmonar tromboembólica crônica, CTEPD). [1]

  • Reavaliar risco-benefício da anticoagulação na fase estendida. [1]

  • Razoável rastrear ansiedade e depressão. [1]

  • Sintomáticos em 3 a 6 meses: razoável teste de caminhada de 6 minutos. [1]

  • Câncer oculto: história, exame e rastreio apropriado à idade; imagem de rotina (TC/PET-CT) não recomendada. [1]

  • Trombofilia: teste pode ser razoável sem fator reversível maior + história familiar ou idade < 55 anos, se mudar conduta; não testar na fase aguda nem sob anticoagulante. [1]

  • Reprodução: orientar contracepção; gestação após TEP com equipe especializada; no sangramento uterino anormal, ajustar manejo em vez de suspender anticoagulação. [1]

Atividade Física e Viagens

  • Estimular deambulação precoce em vez de repouso no leito. [1]

  • Meias de compressão em viagens ≥ 5 h para quem tem história de TEP. [1]

  • TEP prévio relacionado a viagem, não anticoagulado: razoável dose única profilática no dia da viagem longa. [1]

  • Categorias C2 a E: razoável restringir viagens longas por 4 semanas ou até resolução dos sintomas. [1]

Anticoagulação por Risco de Recorrência

  • Quanto tempo?

    • Primeiro TEP sem fator reversível maior: continuar na fase estendida (benefício em prevenir recorrência).

    • Primeiro TEP por fator reversível maior: suspender ao fim de 3 a 6 meses.

    • Fator persistente: razoável continuar na fase estendida.

    • Fator reversível menor: decisão compartilhada.

  • Qual agente escolher?

    • Agente na fase estendida: DOAC sobre AVK; em câncer, DOAC ou HBPM sobre AVK.

    • Sem opção de anticoagular: AVK preferível ao AAS (se não houver câncer); AAS em baixa dose sobre nenhuma terapia.

  • Como prescrever?

    • Dose reduzida na fase estendida: preferir a meia dose para reduzir sangramento.

    • Apixabana (Eliquis®) comp. 2,5 mg e 5 mg [3]

      • Fase estendida (meia dose): 2,5 mg VO a cada 12h. [1][3]

    • Rivaroxabana (Xarelto®) comp. 10 mg, 15 mg e 20 mg [4]

      • Fase estendida (meia dose): 10 mg VO 1x/dia; 20 mg 1x/dia permanece opção conforme o risco de recorrência. [1][4]

      • Comprimido de 20 mg com alimento; 10 mg pode ser com ou sem alimento. [4]

    • Ácido acetilsalicílico (AAS) (AAS Protect®, Aspirina Prevent®) comp. 100 mg [1]

      • 100 mg VO 1x/dia, como alternativa na fase estendida quando o anticoagulante não é possível. [1]

TEP Recorrente

Considerações:

  • Confirmar por imagem (CTPA ou V/Q); diagnóstico por acometimento de vaso/segmento antes não envolvido.

  • Investigar contribuintes: adesão, dose subterapêutica, interações, câncer, anticorpos antifosfolípides.

  • Aderente e em dose terapêutica: razoável trocar de classe; recorrência com anticoagulação terapêutica costuma migrar para parenteral (HBPM ou fondaparinux).

  • Recorrência em dose reduzida: retomar dose plena da mesma classe.

  • Câncer com recorrência apesar de HBPM: escalonar a HBPM em 20% a 25%.

Medicações:

  • Enoxaparina (Clexane®) seringas 20 mg/0,2 mL, 40 mg/0,4 mL, 60 mg/0,6 mL, 80 mg/0,8 mL e 100 mg/1,0 mL [5]

    • Base do TEV: 1 mg/kg SC a cada 12h ou 1,5 mg/kg SC 1x/dia. [1][5]

    • Recorrência no câncer: escalonar a dose em 20% a 25% sobre a base. [1]

    • ClCr < 30 mL/min: 1 mg/kg SC 1x/dia. [5]

  • Fondaparinux (Arixtra®) sol. inj. 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg [9]

    • Tratamento do TEV, por peso: < 50 kg, 5 mg; 50 a 100 kg, 7,5 mg; > 100 kg, 10 mg SC 1x/dia. [9]

    • Evitar em ClCr < 30 mL/min; não recomendado na lactação. [9]

Complicações e Sequelas

  • Até metade mantém dispneia/limitação após 3 meses; cerca de metade tem defeitos de perfusão persistentes (obstrução vascular pulmonar residual, RPVO). [1]

  • CTEPD (doença pulmonar tromboembólica crônica):

    • TEP prévio + sintomas persistentes + RPVO + limitação de origem vascular pulmonar, com ou sem hipertensão pulmonar (HP).

    • Quando há HP, denomina-se CTEPH (hipertensão pulmonar tromboembólica crônica). [1]

  • Avaliação (dispneia/limitação após ≥ 3 meses) [1]

    • Ecocardiograma transtorácico + cintilografia de perfusão (planar, SPECT ou SPECT/CT), em vez do eco isolado.

    • Teste cardiopulmonar de exercício (TCPE) razoável para excluir CTEPD.

    • Eco normal no TEP agudo: repetir em 3 a 6 meses tem baixo rendimento e pode ser omitido.

  • Manejo [1]

    • Manter anticoagulação durante a investigação, salvo alto risco de sangramento.

    • CTEPD sem HP com sintomas persistentes: reabilitação pulmonar.

    • CTEPD com HP: encaminhar a centro especializado (angioplastia pulmonar por balão, tromboendarterectomia).

Critérios de Encaminhamento e Transferência

  • Internação: Categorias C a E. [1]

  • Transferência para centro com terapias avançadas [1]

    • Considerar em C3-D estáveis com alto risco (disfunção do VD, biomarcadores elevados).

    • Não transferir paciente instável (categoria E) antes da estabilização.

  • Acionar PERT (equipe de resposta ao TEP) nas categorias C a E. [1]

  • Encaminhar para Centro especializado em Hipertensão Pulmonar (HP) se:

    • CTEPD (doença pulmonar tromboembólica crônica) com HP para avaliar tromboendarterectomia ou angioplastia por balão. [1]

Referências

[1] CREAGER, Mark A. et al. 2026 AHA/ACC/ACCP/ACEP/CHEST/SCAI/SHM/SIR/SVM/SVN Guideline for the Evaluation and Management of Acute Pulmonary Embolism in Adults. Journal of the American College of Cardiology, v. 87, n. 13, p. 1626-1710, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jacc.2025.11.005. Acesso em: 13 jul. 2026.

[2] BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. CID-10: I26 Embolia pulmonar (I26.0; I26.9). Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/i26_i28.htm. Acesso em: 13 jul. 2026.

[3] BRISTOL-MYERS SQUIBB; PFIZER. Eliquis (apixabana): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[4] BAYER S.A. Xarelto (rivaroxabana): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[5] SANOFI MEDLEY. Clexane (enoxaparina sódica): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[6] BOEHRINGER INGELHEIM. Pradaxa (etexilato de dabigatrana): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[7] DAIICHI SANKYO BRASIL. Lixiana (edoxabana): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[8] FARMOQUÍMICA (FQM). Marevan (varfarina sódica): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[9] Fondaparinux (Arixtra®): posologia por peso no tratamento do TEV. Referência de prescrição em TEP. Disponível em: https://sanarmed.com/tromboembolismo-pulmonar-tep-como-prescrever-os-anticoagulantes-e-tromboliticos-yellowbook/. Acesso em: 13 jul. 2026.

[10] BOEHRINGER INGELHEIM. Actilyse (alteplase): bula do profissional de saúde (indicação embolia pulmonar). Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[11] BOEHRINGER INGELHEIM. Metalyse (tenecteplase): bula do profissional de saúde. Anvisa. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[12] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico: heparina (heparina não fracionada). Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/heparina. Acesso em: 13 jul. 2026.

[13] Noradrenalina (hemitartarato): apresentação, diluição e infusão. Guia de drogas vasoativas. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[14] Dobutamina (Dobutrex®): apresentação, diluição e infusão. Guia Farmacêutico Hospital São Camilo. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hospitalsaocamilosp.org.br. Acesso em: 13 jul. 2026.

[15] Vasopressina (Encrise®): apresentação, diluição e infusão. Guia de drogas vasoativas. Acesso em: 13 jul. 2026.

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