Dor Torácica no Adulto: Diagnósticos Diferenciais

CID 10: R07.4 — Dor torácica não especificada

Introdução

  • Dor torácica é uma das principais causas de atendimento em serviços de emergência e APS. A maioria dos casos possui etiologia benigna e não cardiovascular, entretanto, o principal objetivo da avaliação inicial é identificar rapidamente causas potencialmente fatais.

  • O raciocínio clínico deve priorizar:

    • Identificação de instabilidade hemodinâmica

    • Reconhecimento de diagnósticos tempo-dependentes

    • Estratificação de risco

    • Definição racional de exames complementares

  • Principais diagnósticos ameaçadores à vida:

    • Síndrome coronariana aguda (SCA)

    • Dissecção aguda da aorta

    • Tromboembolismo pulmonar (TEP)

    • Pneumotórax hipertensivo

    • Tamponamento cardíaco

    • Ruptura esofágica

  • Na atenção primária, as causas mais prevalentes são:

    • Dor musculoesquelética

    • Doença do refluxo gastroesofágico

    • Transtornos ansiosos/pânico

  • Observações importantes:

    • A ausência de fatores de risco cardiovasculares não exclui doença grave.

    • A abordagem deve ser sistemática, protocolar e orientada pela probabilidade pré-teste.

Conteúdo direto ao ponto, revisado e atualizado por médicos especialistas.
Exclusivo para médicos e estudantes de medicina.
Acesse o conteúdo completo

Fluxograma Diagnóstico de Dor Torácica Aguda

Fluxograma de Abordagem Diagnóstica Inicial da Dor Torácica Aguda: o fluxograma organiza em cinco blocos sequenciais o raciocínio clínico na avaliação inicial do paciente com dor torácica aguda ou sintoma equivalente na unidade de emergência. O Bloco 1 (Avaliação Primária) apresenta a pergunta central sobre instabilidade hemodinâmica, listando como sinais de alerta: hipotensão/choque, hipoxemia, rebaixamento de consciência, arritmia grave e cianose; na resposta afirmativa, a conduta imediata inclui o MOV (Monitorização contínua, Oxigenioterapia se saturação baixa, Acesso venoso com coleta de exames), seguido de ECG seriado a cada 10–20 minutos, POCUS ou ecocardiograma urgente, e busca ativa pelos diagnósticos de SCA, Dissecção, TEP, Tamponamento, Pneumotórax hipertensivo e Ruptura esofágica; na resposta negativa, o fluxo continua para o Bloco 2. O Bloco 2 orienta a realização do ECG de 12 derivações em até 10 minutos com avaliação médica imediata, gerando três desfechos: ECG Diagnóstico, que orienta seguir rota terapêutica específica conforme o achado identificado — supra de ST correspondendo a IAMCSST, equivalentes de supra correspondendo a oclusão coronária aguda, e supra difuso associado a infra de PR correspondendo a Pericardite; ECG Limítrofe, que exige investigação acelerada com apoio de médico experiente, ECG seriado a cada 10–20 minutos e POCUS complementar; e ECG Não Diagnóstico, presente em mais de 90% dos casos, que continua o fluxo abaixo. O Bloco 3 orienta a caracterização clínica dirigida por meio de anamnese e exame físico para identificação da hipótese diagnóstica principal, apresentando quatro hipóteses em paralelo: SCA, caracterizada por dor retroesternal em aperto, pressão ou peso, com possível irradiação para membros superiores, mandíbula, dorso ou epigástrio, relação com esforço ou estresse, fatores de risco cardiovascular e equivalentes isquêmicos como dispneia, diaforese e síncope, com indicação de aplicação do Escore HEART; Dissecção Aórtica, caracterizada por dor súbita, lancinante e descrita como rasgando, com irradiação para o dorso ou caráter migratório, assimetria de pulso ou pressão arterial bilateral, sopro de insuficiência aórtica novo, e fatores de risco como HAS grave, síndrome de Marfan e válvula bicúspide, com indicação do ADD-RS; TEP, caracterizado por dispneia súbita associada a dor pleurítica, taquicardia, hipoxemia, sinais de TVP e fatores de risco incluindo imobilização, neoplasia, cirurgia recente e uso de estrogênio, com indicação dos escores Wells e PERC; e Pneumotórax, caracterizado por dor torácica unilateral súbita, dispneia aguda e murmúrio vesicular reduzido unilateralmente, com alerta para o sinal de tensão representado por hipotensão associada a desvio traqueal. O Bloco 4 apresenta em tabela os exames dirigidos por hipótese: para SCA, troponina ultrassensível com algoritmo 0-1h ou 0-2h como preferencial, ECG seriado a cada 10–20 minutos se sintoma persistente e estratificação com escore HEART; para Dissecção Aórtica, ADD-RS igual ou inferior a 1 indica D-dímero seguido de AngioTC de aorta se o resultado for igual ou superior a 500 ng/mL, e ADD-RS superior a 1 indica AngioTC direta como exame de escolha; para TEP, PERC zero dispensa o D-dímero, probabilidade baixa ou intermediária pelo escore de Wells indica D-dímero seguido de AngioTC se positivo, e alta probabilidade indica AngioTC direta; para Pneumotórax, radiografia de tórax ou POCUS com avaliação de ausência de deslizamento pleural. O Bloco 5 apresenta a decisão em três desfechos: Rule-In, com internação e tratamento específico conforme diagnóstico estabelecido seguindo diretriz correspondente; Zona Intermediária, com observação incluindo terceira dosagem de troponina, repetição do ECG, escore GRACE e exames não invasivos conforme suspeita clínica; e Rule-Out, com alta e seguimento ambulatorial precoce quando o escore HEART for igual ou inferior a 3, troponina negativa em tempo hábil e ECG sem alterações isquêmicas. Ao final, um quadro completo de diagnósticos diferenciais divide os diagnósticos em dois grupos: tempo-sensíveis com prioridade, incluindo Síndrome Coronariana Aguda, Dissecção Aórtica Aguda, Tromboembolismo Pulmonar, Pneumotórax Hipertensivo, Tamponamento Cardíaco e Ruptura Esofágica (Síndrome de Boerhaave); e outros diagnósticos, incluindo Pericardite Aguda e Miopericardite, Dor Musculoesquelética e Costocondrite, Refluxo Gastroesofágico, Espasmo Esofágico e Causas Psiquiátricas como diagnóstico de exclusão. A legenda esclarece as abreviações ECG (eletrocardiograma), SCA (síndrome coronariana aguda), TEP (tromboembolismo pulmonar), MOV (Monitorização, O₂ se SatO₂ inferior a 90%, acesso Venoso), POCUS (point-of-care ultrasound, ultrassom à beira do leito), ADD-RS (Aortic Dissection Detection Risk Score), IAMCSST (infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST), HEART (History, ECG, Age, Risk factors, Troponin), TVP (trombose venosa profunda), MS (membros superiores), MV (murmúrio vesicular), HAS (hipertensão arterial sistêmica), PA (pressão arterial) e RGE (refluxo gastroesofágico), indicando que os itens marcados com asterisco devem ser consultados no tópico "Estratificação de Risco" do conteúdo correspondente. Fonte: adaptado de de Barros e Silva PGM et al. Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025; 122(9):e20250620.

Objetivos da Avaliação Inicial

  • 🎯 Principal objetivo da avaliação inicial:

    • Identificar imediatamente situações de risco iminente de morte

  • Definir necessidade de:

    • Sala de emergência

    • Monitorização contínua

    • ECG seriado

    • Internação

    • Investigação complementar urgente

  • Diferenciar:

    • Dor isquêmica

    • Dor pleurítica

    • Dor musculoesquelética

    • Dor gastrointestinal

    • Dor psicogênica

  • Reduzir:

    • Subdiagnóstico de doenças graves

    • Excesso de exames desnecessários

Fluxo Inicial da Avaliação da Dor Torácica

Passo 1 — Avaliação Primária

  • Avaliar:

    • Via aérea

    • Respiração

    • Circulação

    • Estado neurológico

  • Verificar sinais de gravidade:

    • Hipotensão

    • Choque

    • Hipoxemia

    • Rebaixamento do nível de consciência

    • Cianose

    • Congestão pulmonar

    • Arritmias

  • Monitorização:

    • Oximetria

    • Monitor cardíaco

    • Pressão arterial

  • ECG em até 10 minutos

    • Em qualquer suspeita cardiovascular.

Passo 2 — Identificação de Diagnósticos Tempo-Sensíveis

  • Diagnósticos prioritários

    • Síndrome Coronariana Aguda - Dor em aperto, esforço, irradiação, fatores de risco;

    • Dissecção aórtica - Dor súbita, lancinante, migratória, assimetria de pulso;

    • TEP - Dispneia súbita, dor pleurítica, taquicardia;

    • Pneumotórax - Dor súbita + redução do MV;

    • Tamponamento cardíaco - Hipotensão + turgência jugular;

    • Ruptura esofágica - Dor após vômitos intensos + enfisema subcutâneo.

Caracterização da Dor Torácica

Anamnese Direcionada

  • Caracterização obrigatória da dor (Utilizar sistematicamente):

    • Início - Súbito ou progressivo;

    • Localização - Retroesternal, lateral, difusa;

    • Irradiação - Braço, mandíbula, dorso;

    • Qualidade - Aperto, peso, pontada, queimação;

    • Intensidade - Escala numérica;

    • Duração - Segundos, minutos, horas;

    • Fatores desencadeantes - Esforço, alimentação, movimento;

    • Fatores de melhora - Repouso, posição, analgésicos;

    • Sintomas associados - Dispneia, síncope, febre.

  • 🫀 Dor tipicamente isquêmica

    • Retroesternal

    • Em aperto, pressão ou peso

    • Relacionada ao esforço ou estresse

    • Pode irradiar para:

      • Membros superiores

      • Mandíbula

      • Dorso

      • Epigástrio

    • Duração geralmente:

      • 2–15 minutos

    • Melhora:

      • Repouso

      • Nitrato

  • 🤔 Dor menos sugestiva de isquemia

    • Localizada à palpação

    • Pleurítica

    • Dependente da posição

    • Reprodutível ao movimento

    • Em pontada isolada

    • Duração de horas ou dias contínuos

Fatores de Risco Importantes

Cardiovasculares

  • HAS

  • DM

  • Dislipidemia

  • Tabagismo

  • DAC prévia

  • História familiar precoce

Tromboembólicos

  • Imobilização

  • Cirurgia recente

  • Neoplasia

  • TVP prévia

  • Uso de estrogênio

Aórticos

  • HAS grave

  • Síndrome de Marfan

  • Valva bicúspide

  • Cocaína

Exame Físico

Avaliação cardiovascular

  • Frequência cardíaca

  • Perfusão periférica

  • Ausculta cardíaca

  • Pulsos periféricos

  • PA em ambos os braços

Achados importantes

  • Assimetria de pulsos → Dissecção aórtica

  • Atrito pericárdico na ausculta → Pericardite

  • Hipofonese unilateral → Pneumotórax

  • Crepitações → Edema pulmonar

  • Dor reprodutível → Musculoesquelética

Principais Diagnósticos Diferenciais

🫀Síndrome Coronariana Aguda (SCA)

  • Quando suspeitar

    • Dor retroesternal em aperto

    • Relação com esforço

    • Dispneia associada

    • Náuseas ou sudorese

    • Equivalentes isquêmicos:

      • Dispneia isolada

      • Síncope

      • Mal-estar

  • ECG

    • Realizar em até 10 minutos

    • Repetir se persistência da dor:

      • A cada 10–20 minutos

    • Lembrar:

      • ECG inicial pode ser normal

  • Troponina

    • Preferir troponina ultrassensível

    • Interpretar conforme:

      • Tempo de início dos sintomas

      • Delta seriado

      • Valor absoluto

🫁Tromboembolismo Pulmonar

  • Quando suspeitar

    • Dispneia súbita

    • Dor pleurítica

    • Taquicardia

    • Hipoxemia

    • Hemoptise

    • Sinais de TVP

  • Estratégia diagnóstica

    • Baixa probabilidade

      • Wells ou YEARS

      • D-dímero

    • Probabilidade intermediária/alta

      • AngioTC de tórax

🫀Dissecção Aguda da Aorta

  • Sinais de alerta

    • Dor abrupta e intensa

    • Irradiação para dorso

    • Dor migratória

    • Assimetria de pulso/PA

    • Sopro de insuficiência aórtica

  • Exames úteis

    • Radiografia:

      • Mediastino alargado

    • D-dímero:

      • Pode auxiliar exclusão em baixo risco

    • AngioTC:

      • Exame de escolha

🫁Pneumotórax

  • Suspeitar quando

    • Dor torácica súbita unilateral

    • Dispneia aguda

    • Redução do murmúrio vesicular

  • Sinais de tensão

    • Hipotensão

    • Desvio traqueal

    • Hipoxemia grave

  • Exames

    • Radiografia

    • Ultrassom point-of-care

🫀Pericardite Aguda

  • Características

    • Dor ventilatório-dependente

    • Melhora sentado/inclinado para frente

    • Piora em decúbito

  • Achados

    • Atrito pericárdico

    • Supra difuso no ECG

    • Derrame pericárdico ao ECO

🦴Dor Musculoesquelética

  • Sugestiva quando

    • Dor localizada

    • Reprodutível à palpação

    • Relação com movimento

    • Ausência de sintomas sistêmicos

  • Diagnósticos comuns

    • Costocondrite

    • Contratura muscular

    • Trauma torácico

🤮Causas Gastrointestinais

  • Refluxo gastroesofágico

    • Queimação retroesternal

    • Relação pós-prandial

    • Piora ao deitar

  • Espasmo esofágico

    • Pode simular angina

    • Associado à disfagia

  • Ruptura esofágica

    • Dor intensa após vômitos

    • Enfisema subcutâneo

    • Instabilidade

🧠Causas Psiquiátricas

  • Considerar quando

    • Dor recorrente

    • Exames prévios normais

    • Associação com ansiedade

    • Hiperventilação

  • Atenção

    • Diagnóstico de exclusão

    • Não atribuir dor à ansiedade antes de excluir causas orgânicas relevantes

Estratificação de Risco

Escore HEART para Avaliação de Pacientes com Suspeita de Isquemia Coronariana Aguda: a tabela apresenta o escore HEART, ferramenta de estratificação de risco cardiovascular composta por cinco variáveis, cada uma pontuada de 0 a 2, totalizando de 0 a 10 pontos. A variável Histórico recebe 2 pontos quando altamente suspeito para síndrome coronariana aguda, 1 ponto quando moderadamente suspeito e 0 pontos quando pouco suspeito. O ECG recebe 2 pontos na presença de depressão significativa do segmento ST, 1 ponto para anormalidades inespecíficas e 0 pontos quando normal. A Idade recebe 2 pontos para pacientes acima de 65 anos, 1 ponto para a faixa etária de 45 a 65 anos e 0 pontos para menores de 45 anos. Os Fatores de risco recebem 2 pontos quando há 3 ou mais fatores presentes, 1 ponto para 1 ou 2 fatores e 0 pontos na ausência de fatores de risco. A Troponina recebe 2 pontos quando superior a 3 vezes o limite superior da normalidade, 1 ponto quando entre 1 e 3 vezes esse limite e 0 pontos quando igual ou inferior ao limite superior da normalidade. Abaixo da tabela, um bloco de interpretação dividido em três faixas destaca: Baixo risco corresponde a 0 a 3 pontos; Risco moderado corresponde a 4 a 6 pontos; Alto risco corresponde a pontuação igual ou superior a 7. As abreviações indicam que ECG corresponde a eletrocardiograma e HEART é acrônimo de histórico, ECG, idade, fatores de risco e troponina. Fonte: Januzzi, J. et al. Recommendations for Institutions Transitioning to High-Sensitivity Troponin Testing: JACC Scientific Expert Panel. JACC. 2019.

Modelo de Wells de Predição Clínica de Tromboembolismo Pulmonar: a tabela apresenta o Escore de Wells para estratificação da probabilidade pré-teste de tromboembolismo pulmonar (TEP), composto por sete variáveis clínicas com pontuações individuais. A presença de sinais clínicos de trombose venosa profunda (TVP) confere 3 pontos. Frequência cardíaca superior a 100 batimentos por minuto soma 1,5 ponto. Imobilização ou cirurgia recente acrescenta 1,5 ponto. Episódios prévios de TEP ou TVP somam 1,5 ponto. A presença de hemoptise adiciona 1 ponto. Câncer ativo contribui com 1 ponto. Por fim, quando o diagnóstico alternativo é considerado menos provável do que TEP, são somados 3 pontos. Abaixo da tabela, um bloco de interpretação em duas faixas indica: TEP improvável para pontuação igual ou inferior a 4 pontos, e TEP provável para pontuação superior a 4 pontos. As abreviações no rodapé esclarecem que TVP corresponde a trombose venosa profunda, TEP a tromboembolismo pulmonar e bpm a batimentos por minuto. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Conjunta sobre Tromboembolismo Venoso – 2022.

Modelo de Genebra Revisado para Predição Clínica de Tromboembolismo Pulmonar (TEP): a tabela apresenta o Modelo de Genebra Revisado, ferramenta de estratificação da probabilidade pré-teste de TEP, com pontuações disponíveis tanto na versão original quanto na versão simplificada. A variável TEP ou TVP prévia soma 3 pontos na versão original e 1 ponto na simplificada. A frequência cardíaca é subdividida em duas faixas: entre 75 e 94 bpm corresponde a 3 pontos (original) e 1 ponto (simplificado); frequência igual ou superior a 95 bpm corresponde a 5 pontos (original) e 2 pontos (simplificado). Cirurgia ou fratura ocorrida há 1 mês ou menos soma 2 pontos (original) e 1 ponto (simplificado). Hemoptise acrescenta 2 pontos (original) e 1 ponto (simplificado). Câncer ativo contribui com 2 pontos (original) e 1 ponto (simplificado). Dor unilateral em membro inferior soma 3 pontos (original) e 1 ponto (simplificado). Dor à palpação no trajeto venoso profundo do membro associada a edema unilateral acrescenta 4 pontos (original) e 1 ponto (simplificado). Idade superior a 65 anos soma 1 ponto em ambas as versões. A seção de probabilidade clínica apresenta dois sistemas de estratificação: o escore de 3 níveis classifica como baixo risco a pontuação de 0 a 3 (original) ou 0 a 1 (simplificado), risco intermediário de 4 a 10 (original) ou 2 a 4 (simplificado), e alto risco igual ou superior a 11 (original) ou igual ou superior a 5 (simplificado). O escore de 2 níveis classifica como TEP improvável a pontuação de 0 a 5 (original) ou 0 a 2 (simplificado), e TEP provável a pontuação igual ou superior a 6 (original) ou igual ou superior a 3 (simplificado). As abreviações no rodapé indicam que TEP corresponde a tromboembolismo pulmonar, TVP a trombose venosa profunda e bpm a batimentos por minuto. Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Conjunta sobre Tromboembolismo Venoso – 2022.

Critérios PERC para Exclusão de Tromboembolismo Pulmonar: a tabela apresenta os 8 critérios da regra PERC, utilizada para excluir tromboembolismo pulmonar sem necessidade de exames adicionais em pacientes de baixa probabilidade pré-teste, sendo obrigatória a presença de todos os critérios simultaneamente. Os critérios estão dispostos em pares e são: (1) idade inferior a 50 anos; (2) frequência cardíaca inferior a 100 bpm; (3) saturação de oxigênio igual ou superior a 95% em ar ambiente; (4) ausência de edema unilateral de membro inferior; (5) ausência de hemoptise; (6) ausência de trauma ou cirurgia recente nas últimas 4 semanas; (7) ausência de TEP ou TVP prévios; (8) ausência de uso exógeno de estrogênio, incluindo anticoncepcionais orais e reposição hormonal. O subtítulo esclarece que todos os 8 critérios devem estar presentes para excluir TEP sem necessidade de exames adicionais. O bloco de interpretação abaixo da tabela apresenta duas situações: quando todos os 8 critérios estão presentes, TEP é excluído e nenhum exame adicional é necessário; quando 1 ou mais critérios estão ausentes, o PERC é considerado positivo e deve-se prosseguir com a dosagem de D-dímero. As abreviações no rodapé indicam que PERC corresponde a Pulmonary Embolism Rule-out Criteria, TEP a tromboembolismo pulmonar, TVP a trombose venosa profunda e bpm a batimentos por minuto. Fonte: Kline JA, et al. Clinical criteria to prevent unnecessary diagnostic testing in emergency department patients with suspected pulmonary embolism. J Thromb Haemost. 2004.

Escore de Detecção de Dissecção Aórtica (ADD-RS): a tabela apresenta o ADD-RS, ferramenta de estratificação clínica para suspeita de dissecção aórtica aguda, organizada em três colunas de fatores de alto risco. Na coluna de condições de alto risco constam: síndrome de Marfan ou outra doença do tecido conjuntivo, história familiar de doença aórtica, doença valvar aórtica conhecida, manipulação aórtica recente e aneurisma aórtico torácico conhecido. Na coluna de características da dor de alto risco, introduzida pela frase "dor torácica, dorsal ou abdominal descrita como:", constam: início abrupto, grande intensidade e qualidade de rasgo ou laceração. Na coluna de achados de alto risco ao exame constam: déficit de pulso ou diferencial de pressão arterial sistólica, déficit neurológico focal associado à dor, sopro de regurgitação aórtica novo com dor e hipotensão ou choque. Abaixo da tabela, um bloco explicativo em destaque esclarece a regra de pontuação: cada categoria — condições, dor e exame — recebe 1 ponto se pelo menos 1 fator estiver presente, independentemente de quantos fatores forem identificados naquela categoria, resultando em pontuação total de 0 a 3. O bloco de interpretação em três faixas indica: baixo risco para ADD-RS igual a 0, risco moderado para ADD-RS igual a 1 e alto risco para ADD-RS entre 2 e 3. A abreviação no rodapé indica que ADD-RS corresponde a Aortic Dissection Detection Risk Score. Fonte: 2022 ACC/AHA Guideline for the Diagnosis and Management of Aortic Disease.

Exames Complementares

Eletrocardiograma

  • Indicações

    • Todo paciente com suspeita cardiovascular

    • Dor torácica aguda não explicada

  • Utilidades

    • SCA

    • Arritmias

    • Pericardite

    • Sobrecarga de VD

Radiografia de Tórax

  • Útil para identificar

    • Pneumotórax

    • Pneumonia

    • Derrame pleural

    • Alargamento mediastinal

Troponina

  • Utilidade

    • Diagnóstico de injúria miocárdica

    • Estratificação de risco

  • Limitações

    • Não define etiologia isoladamente

D-dímero

  • Indicações

    • Suspeita de TEP

    • Suspeita de dissecção em baixo risco

  • Não indicado

    • Alta probabilidade clínica

Ecocardiograma e POCUS

  • Utilidade na emergência

    • Disfunção segmentar

    • Derrame pericárdico

    • Sobrecarga de VD

    • Avaliação rápida da aorta

    • Pneumotórax

Situações que Exigem Investigação Acelerada

  • Dor persistente

  • ECG alterado

  • Troponina elevada

  • Instabilidade hemodinâmica

  • Hipoxemia

  • Síncope

  • Arritmias

  • Congestão pulmonar

  • Suspeita de:

    • TEP

    • Dissecção

    • Tamponamento

    • Pneumotórax hipertensivo

Armadilhas Comuns e Dicas Clínicas

⚠️Armadilhas Comuns:

  • ECG inicial normal não exclui SCA

  • Troponina normal isolada não exclui IAM precoce

  • Jovens também podem apresentar SCA

  • Ansiedade não deve ser diagnóstico inicial sem exclusão orgânica

  • Dor reprodutível não exclui totalmente SCA

  • Dissecção pode coexistir com IAM

💡Dicas Clínicas:

  • Palpar pulsos nos quatro membros em toda dor torácica aguda

  • Aferir PA bilateralmente

  • Repetir ECG em sintomas persistentes

  • Lembrar / considerar os equivalentes isquêmicos:

    • Dispneia (o equivalente mais frequente, especialmente em idosos)

    • Fadiga ou diminuição da tolerância ao esforço

    • Síncope ou sensação de tontura

    • Dor ou desconforto no ombro, mandíbula, pescoço, braço ou dorso

    • Dor epigástrica

    • Náuseas e vômitos

    • Diaforese

    • Palpitações

    • Sensação de queimação torácica

    • Dormência ou peso torácico

    • Novas anormalidades eletrocardiográficas

  • POCUS acelera diferenciação diagnóstica

  • Diagnósticos graves frequentemente coexistem com exames iniciais pouco alterados

Dor Torácica na Atenção Primária à Saúde

Avaliação inicial

  • Excluir sinais de gravidade

  • Identificar fatores de risco cardiovascular

  • Definir necessidade de encaminhamento

Encaminhar imediatamente se:

  • Dor típica anginosa

  • Dispneia importante

  • Síncope

  • Hipotensão

  • Saturação reduzida

  • Dor súbita intensa

Baixo risco

  • Dor reprodutível

  • Dor crônica estável

  • Associação clara com movimento

  • Ausência de sinais sistêmicos

Telemedicina

Encaminhar para avaliação presencial imediata se:

  • Dor súbita intensa

  • Dispneia

  • Síncope

  • Dessaturação

  • Dor típica isquêmica

  • Sinais de esforço respiratório

Limitações

  • Impossibilidade de:

    • Exame físico

    • ECG

    • Estratificação adequada de emergência

Referências

[1] COLLET, J. P. et al. 2020 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes in patients presenting without persistent ST-segment elevation. European Heart Journal, 2021. Disponível em: https://academic.oup.com/eurheartj. Acesso em: 15 maio 2026.

[2] DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I.; GIUGLIANI, E. R. J. et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.

[3] GULATI, M. et al. 2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR Guideline for the Evaluation and Diagnosis of Chest Pain. Circulation, 2021. Disponível em: https://www.ahajournals.org. Acesso em: 15 maio 2026.

[4] GUSSO, G.; LOPES, J. M. C.; DIAS, L. C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

[5] IBAÑEZ, B. et al. 2017 ESC Guidelines for the management of acute myocardial infarction in patients presenting with ST-segment elevation. European Heart Journal, 2018. Disponível em: https://academic.oup.com/eurheartj. Acesso em: 15 maio 2026.

[6] KOHN, M. A.; WORSTER, A. ED Chest Pain Rules: Follow Your HEART? Academic Emergency Medicine, 2019. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com. Acesso em: 15 maio 2026.

[7] MOTT, T.; JONES, G.; ROMAN, K. Costochondritis: Rapid Evidence Review. American Family Physician, 2021. Disponível em: https://www.aafp.org. Acesso em: 15 maio 2026.

[8] NICOLAU, J. C. et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2021. Disponível em: https://abccardiol.org. Acesso em: 15 maio 2026.

[9] SILVA, P. G. M. B. et al. Diretriz Brasileira de Atendimento à Dor Torácica na Unidade de Emergência – 2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2025. Disponível em: https://abccardiol.org. Acesso em: 15 maio 2026.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.