Rinossinusite Crônica no Adulto
CID 10: J32 — Sinusite crônica
Introdução
A rinossinusite crônica (RSC) é definida pela presença de ≥ 2 dos seguintes sintomas (sendo obrigatoriamente um dos dois primeiros), por > 12 semanas:
Obstrução/congestão nasal
Secreção nasal (anterior ou posterior)
Dor/pressão facial
Redução ou perda do olfato
Alta prevalência: acomete cerca de 5–15% da população
Doença inflamatória crônica, com ou sem pólipos nasais
Pode apresentar períodos de agudização sobrepostos
⚠️ Dor facial isolada não caracteriza RSC.
Fisiopatologia
Fatores e mecanismo:
É uma doença inflamatória multifatorial
Fatores envolvidos:
Infecção persistente (biofilmes, osteíte)
Alergia e distúrbios imunológicos
Superantígenos
Colonização fúngica
Alterações metabólicas (ex.: sensibilidade ao AAS)
Alterações estruturais/anatômicas
Mecanismo central:
Disfunção do transporte mucociliar → estase de secreção
↓ pH e ↓ oxigenação local
Ambiente favorável à proliferação bacteriana → perpetuação da inflamação
Classificação atual
Primária
Eosinofílica
Não eosinofílica
Secundária
Associada a doença de base
Microbiologia
Principais agentes isolados:
Staphylococcus aureus
Staphylococcus coagulase-negativo
Streptococcus pneumoniae
Quadro clínico
Sintomas principais
Obstrução nasal
Rinorreia mucopurulenta (anterior/posterior)
Dor ou pressão facial
Hiposmia/anosmia
Sintomas associados
Cefaleia
Tosse (piora ao deitar)
Halitose
Dor dentária
Fadiga
⚠️ Sinais de gravidade
Baixa visual
Diplopia ou alteração da motilidade ocular
Proptose
Edema periorbitário
Sinais meníngeos
Sepse
Confusão mental
Fatores de risco
Fatores de risco:
Rinite alérgica
Asma
Tabagismo
Imunossupressão
Baixo nível socioeconômico
Associados à polipose
Asma
Intolerância ao AAS (DREA)
Fibrose cística
Discinesia ciliar
Alterações no exame físico
Rinoscopia anterior:
Mucosa hiperemiada e edemaciada
Secreção mucopurulenta
Endoscopia nasal:
Secreção em meato médio
Presença de pólipos
Oroscopia:
Gotejamento posterior
Diagnóstico
Base diagnóstica
Clínico: anamnese + exame físico
Exames de rotina
Endoscopia nasal
TC de seios paranasais (quando indicado)
Indicações de TC
Casos persistentes/refratários
Planejamento cirúrgico
Avaliação anatômica
Exclusão de diagnósticos diferenciais
Exames adicionais
RNM: suspeita de neoplasia
Cultura: casos refratários
❌ Exames não indicados
Radiografia de seios da face
🔍 Diagnóstico diferencial
Rinite alérgica
Enxaqueca/cefaleia tensional
Disfunção temporomandibular
Rinite vasomotora
Tumores nasossinusais
Infecção odontogênica
Tratamento farmacológico
Princípios gerais
É uma doença de base inflamatória
Antibióticos devem ser reservados para agudizações
Lavagem nasal
Cloreto de sódio 0,9% sol. nasal
Irrigação nasal com alto volume 1–2x/dia
Corticoides nasais tópicos
Budesonida (Busonid®) spray nasal 32 mcg/dose ou 64 mcg/dose
64–128 mcg em cada narina 1–2x/dia
Dose máxima: 256 mcg/dia
Duração: 8–12 semanas
Mometasona (Nasonex®) spray nasal 50 mcg/dose
2 jatos em cada narina 1x/dia (200 mcg/dia)
Fluticasona (Avamys® / Flixonase®) spray nasal 50 mcg/dose
2 jatos em cada narina 1x/dia (200 mcg/dia)
Corticoide sistêmico
Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg ou 20 mg
20–40 mg/dia por 5–10 dias
Antibioticoterapia (agudização)
Amoxicilina + clavulanato (Clavulin®) comp. 875/125 mg
1 cp 12/12h por 7–14 dias
Levofloxacino (Tavanic®) comp. 500 mg
500 mg 1x/dia por 7–10 dias
Clindamicina (Dalacin C®) comp. 300 mg
300 mg 8/8h por 7–10 dias
Metronidazol (Flagyl®) comp. 400 mg
400 mg 8/8h +
Cefalexina (Keflex®) comp. 500 mg
500 mg 6/6h por 7–10 dias
Macrolídeos (uso prolongado)
Azitromicina (Zitromax®) comp. 500 mg
500 mg 3x/semana por 8–12 semanas
Claritromicina (Klaricid®) comp. 250 mg
250 mg 12/12h por até 12 semanas
Imunobiológicos (casos selecionados)
Omalizumabe (Xolair®)
Dose conforme peso e IgE
Dupilumabe (Dupixent®) 300 mg
300 mg SC a cada 2 semanas
Mepolizumabe (Nucala®) 100 mg
100 mg SC a cada 4 semanas
Tratamento cirúrgico
Indicação
Falha do tratamento clínico após ≥ 3 meses
Objetivos
Restaurar ventilação dos seios paranasais
Melhorar clearance mucociliar
Facilitar ação de terapias tópicas
Acompanhamento
Indicações de internação
Complicações orbitárias ou neurológicas
Sepse
Cefaleia intensa refratária
Referências
[1] DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I.; GIUGLIANI, E. R. J. et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2022.
[2] FOKKENS, W. J. et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology. 2020. Disponível em: https://www.rhinologyjournal.com.
[3] GRAYSON, J. W. et al. Contemporary classification of chronic rhinosinusitis. JAMA Otolaryngol. 2020.
[4] GUSSO, G.; LOPES, J. M. C.; DIAS, L. C. Tratado de Medicina de Família e Comunidade. 2. ed. Porto Alegre: Artmed; 2019.
[5] SEDAGHAT, A. R.; KUAN, E. C.; SCADDING, G. K. Epidemiology of chronic rhinosinusitis. J Allergy Clin Immunol Pract. 2022. Disponível em: https://www.jaci-inpractice.org.
[6] XU, Z. et al. Advances in chronic rhinosinusitis. J Allergy Clin Immunol. 2022. Disponível em: https://www.jacionline.org.
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