Alergia Alimentar na Criança
CID-10: K52.2 — Gastroenterite e colite alérgicas ou ligadas à dieta
CID-10: T78.1 — Outras reações de intolerância alimentar
CID-10: T78.0 — Choque anafilático por alimento
CID-10: L27.2 — Dermatite de contato por alimento ingerido
Introdução
A alergia alimentar (AA) é uma condição clínica na qual o sistema imunológico responde de forma exagerada e consistente a um alimento específico, sempre que a ele for exposto. É fundamental distingui-la da intolerância alimentar, que não envolve mecanismos imunológicos. [6]
A AA é um problema de saúde pública global, afetando cerca de 8% a 10% das crianças e adultos, com prevalência variável ao redor do mundo. [6]
A alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) é a forma mais comum na infância precoce, com prevalência de 1,9% a 4,9% conforme a Organização Mundial de Alergia.
[4] No Brasil, estudo com gastroenterologistas pediátricos observou incidência de suspeita de APLV de 2,2% e prevalência de 5,4% nas crianças avaliadas; apenas 1,9% das suspeitas clínicas foram confirmadas por teste de provocação oral (TPO), sendo o leite de vaca o principal agente causador. [6]
O diagnóstico errôneo, com dietas restritivas desnecessárias, pode acarretar prejuízo ao neurodesenvolvimento e distúrbios nutricionais graves. O diagnóstico tardio, por outro lado, implica sofrimento evitável e risco à saúde do lactente. [1]
Classificação
Os mecanismos imunológicos implicados nas diversas manifestações clínicas de AA permitem a classificação das reações em três categorias: [6]
Mediadas por IgE (reações imediatas): ocorrem em minutos a até 2 horas após a exposição alimentar
Urticária de contato
Urticária sistêmica e angioedema
Hipersensibilidade gastrintestinal imediata
Síndrome da alergia oral (SAO)
Anafilaxia
Anafilaxia dependente de exercício induzida por alimento
Não mediadas por IgE (reações tardias): sintomas gastrintestinais e cutâneos surgem horas a dias após a exposição
Proctite e proctocolite induzida por proteína alimentar (FPIAP)
Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES)
Enteropatia induzida por proteína alimentar (FPE)
Síndrome de Heiner
Dermatite herpetiforme
Dermatite de contato por alimento
Mistas (IgE e não-IgE): envolvem ambos os mecanismos
Esofagite eosinofílica (EoE)
Gastrite eosinofílica
Gastroenterite eosinofílica
Colite eosinofílica
Dermatite atópica com piora do eczema pelo alimento
Fisiopatologia
A etiopatogenia da alergia alimentar está ancorada em três eixos: disfunção imunológica, ruptura da integridade da barreira epitelial e acometimento da sinapse neuroimune. [1]
No início da vida, o intestino apresenta permeabilidade aumentada, sistema imunológico imaturo e microbiota em estágio sensível de desenvolvimento. A ruptura precoce do equilíbrio homeostático intestinal por gatilhos inflamatórios alérgicos pode predispor ao aparecimento de distúrbios da interação intestino-cérebro ao longo da vida. [4]
Nas formas não-IgE mediadas, os mecanismos imunológicos específicos ainda não foram totalmente estabelecidos. O que se conhece é que: [4]
FPIAP: há inflamação da mucosa colônica mediada por células, com infiltrado eosinofílico e aumento dos linfócitos intraepiteliais CD8+; a marcada infiltração eosinofílica altera as tight junctions e aumenta a permeabilidade intestinal aos alérgenos
FPIES: envolve ativação da imunidade inata (neutrófilos, eosinófilos, monócitos, células NK), resposta mediada por células T (TH2, TH1, TH17), defeitos na barreira epitelial mucosa e provável participação do eixo intestino-imune-cérebro; a disbiose intestinal e seus metabólitos estimulam células enteroendócrinas a produzir serotonina, influenciando a motilidade e o eixo cérebro-intestino
Dismotilidade alérgica: interação entre células inflamatórias, sistema nervoso entérico e secreção de citocinas pró-inflamatórias; aumento da permeabilidade intestinal, inflamação e alterações da microbiota contribuem para os distúrbios motores
Quadro clínico
IgE não mediadas
Os sintomas surgem 2 horas ou mais após a ingestão — ao contrário das formas IgE-mediadas, nas quais aparecem em minutos até 2 horas. [4]
Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) não-IgE mediada
Leve e moderada
Sintomas 2 a 72 horas após ingestão de leite de vaca, em lactente geralmente saudável: [4]
Irritabilidade, cólicas, vômitos, refluxo, DRGE
Fezes amolecidas, sangue ou muco nas fezes, constipação ou disquesia
Prurido, eritema, rashes não específicos, dermatite atópica moderada persistente
Grave:
Um ou mais dos seguintes, 2 a 72 horas após ingestão: [4]
Dor abdominal intensa, diarreia, vômitos
Sangue e/ou muco significativo nas fezes
Insuficiência ou parada do crescimento
Dermatite atópica grave
Proctocolite alérgica (FPIAP)
Forma não-IgE mediada mais frequente na prática pediátrica. [4]
Raias de sangue vermelho vivo nas fezes, com ou sem diarreia ou muco, nos primeiros 6 meses de vida em lactente com boa aparência geral [4]
60% dos casos em lactentes amamentados cujas mães ingerem leite de vaca ou soja [4]
Alimento envolvido: proteína do leite de vaca (65%), ovo (19%), milho, soja e trigo [4]
Início habitual entre 2 e 8 semanas de vida; resolução espontânea em torno do 1º ano [4]
Diagnóstico diferencial obrigatório: fissuras anais, intussuscepção, colite infecciosa, enterocolite necrosante, DII de início muito precoce [4]
Sinais de dismotilidade induzidos por proteína alimentar
Regurgitação, vômitos, cólicas, irritabilidade, constipação, disquesia em criança com ganho de peso preservado [4]
NASPGHAN e ESPGHAN recomendam exclusão da proteína do leite de vaca como primeira linha no tratamento da DRGE em lactentes [4]
Constipação por APLV deve ser considerada na falha do tratamento da constipação funcional [4]
Enteropatia induzida por proteína alimentar (FPE)
Início entre 2 e 9 meses; quadro de diarreia crônica e insuficiência do crescimento [4]
Diagnóstico por endoscopia e biópsias; tratamento por 1 a 3 anos [4]
Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES):
FPIES aguda
Vômitos repetitivos em projétil 1 a 4 horas após ingestão intermitente do alimento [4]
Letargia, hipotonia, palidez, hipotermia, desidratação, choque, acidose metabólica
Diarreia pode surgir em 6 a 8 horas; sintomas resolvem em 24 horas
Entre crises, a criança mantém estado de saúde basal [4]
Critérios diagnósticos clínicos — FPIES aguda (sem TPO): [4]
Critério maior: vômitos 1 a 4 horas após ingestão, sem sintomas IgE-mediados (pele ou respiratórios)
Critérios menores: segundo episódio de vômitos após o mesmo alimento; vômitos após alimento diferente; letargia extrema; palidez acentuada; necessidade de emergência ou fluidos IV; diarreia em 24 horas; hipotensão; hipotermia
Diagnóstico clínico (sem TPO): critério maior + 3 ou mais critérios menores
Se apenas 1 episódio ocorreu, o TPO diagnóstico deve ser fortemente considerado [4]
FPIES crônica
Ingestão regular do alimento: vômitos intermitentes progressivos, diarreia (às vezes com sangue), baixo ganho de peso ou perda de peso [4]
Pode evoluir para desidratação, acidose metabólica e choque hipovolêmico [4]
Formas IgE-mediadas
As reações mediadas por IgE consistem em sintomas imediatos, desencadeados minutos a até 2 horas após o contato com o alimento causador. [6]
Urticária e angioedema:
Manifestação cutânea mais frequente nas formas IgE-mediadas
Urticária sistêmica visível poucos minutos após o contato [4]
Angioedema pode afetar lábios, língua, face e laringe
Síndrome da alergia oral (SAO):
Prurido, formigamento e eritema localizados nos lábios, língua, palato e orofaringe
Desencadeada por frutas, vegetais e frutos secos com reatividade cruzada com pólens [6]
Hipersensibilidade gastrintestinal imediata:
Náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia de instalação rápida após ingestão [6]
Anafilaxia:
Manifestação mais grave das formas IgE-mediadas [6]
Envolve dois ou mais sistemas simultaneamente: cutâneo, respiratório, cardiovascular e/ou gastrintestinal
Alimentos são os principais agentes etiológicos de anafilaxia em crianças [6]
Em lactentes e pré-escolares: leite de vaca e clara de ovo
Em crianças maiores, adolescentes e adultos: crustáceos, amendoim, nozes e castanhas [6]
Sinais de alarme: hipotensão, broncoespasmo, estridor, urticária generalizada, vômitos profusos, perda de consciência
Anafilaxia dependente de exercício induzida por alimento:
Reação sistêmica grave desencadeada pela combinação de ingestão do alimento e exercício físico subsequente [6]
Diagnóstico
IgE não mediada
O diagnóstico das alergias alimentares não-IgE mediadas é essencialmente clínico, baseado na tríade: [4]
Reconhecimento dos sintomas compatíveis
Melhora com dieta de exclusão do alérgeno suspeito por 2 a 4 semanas
Recorrência dos sintomas com o desencadeamento (TPO)
A sequência exclusão-reintrodução é a única forma de confirmar o diagnóstico das manifestações gastrointestinais da APLV não-IgE mediada. [4]
História clínica e exame físico são o ponto de partida; a anamnese deve determinar se as manifestações são imediatas ou tardias e classificar a gravidade [4]
Alergias alimentares devem ser especialmente consideradas em: lactentes com história familiar de doenças alérgicas, sintomas persistentes em múltiplos órgãos, dermatite atópica moderada/grave, sintomas gastrointestinais sem resposta a intervenções habituais [4]
Exames de utilidade limitada ou sem indicação rotineira nas formas não-IgE mediadas: [4]
Pesquisa de IgE sérica específica e testes cutâneos: não têm valor diagnóstico nas formas tardias; podem ser solicitados apenas se houver suspeita de reação imediata associada ou dermatite atópica importante
Diagnóstico molecular por microarray (ImmunoCAP ISAC) e métodos de diagnóstico por componentes: ferramentas com indicação estabelecida nas alergias IgE-mediadas, especialmente para discriminar sensibilização primária de reatividade cruzada; não têm indicação nem validação nas formas não-IgE mediadas abordadas neste artigo [4]
Pesquisa de IgG sérica específica, testes de permeabilidade intestinal e marcadores de inflamação de mucosa: indicados apenas em pesquisa [4]
Pesquisa de sangue oculto nas fezes: não específica e não confiável para diagnóstico ou acompanhamento [4]
Calprotectina fecal: interesse crescente como potencial biomarcador, sem validação suficiente para recomendação clínica; valores de referência não estabelecidos para menores de 1 ano [4]
Patch test: não padronizado, leva a resultados conflitantes; não recomendado na prática clínica [4]
Ultrassonografia abdominal: não suficientemente sensível ou específica [4]
Endoscopia digestiva: reservada para exclusão de outros diagnósticos ou quando não há resposta ao tratamento [4]
Teste de provocação oral (TPO) na FPIES: [4]
O TPO diagnóstico na FPIES aplica critérios distintos do diagnóstico clínico sem desafio:
Critério maior: vômitos 1 a 4 horas após ingestão, sem sintomas IgE-mediados
Critérios menores: letargia, palidez, diarreia 5 a 10 horas após ingestão, hipotensão, hipotermia, neutrofilia acima de 1.500 células acima da linha de base
TPO positivo: critério maior e 2 ou mais critérios menores (diferentemente do diagnóstico clínico sem TPO, que requer critério maior e 3 ou mais critérios menores) [4]
Com uso rápido de ondansetrona, vômitos repetitivos, palidez e letargia podem ser evitados durante o TPO [4]
Contraindicações ao TPO domiciliar: dermatite atópica grave, sinais de manifestações IgE-mediadas, FPIES, manifestações graves de alergia alimentar ou alergias múltiplas; nesses casos, encaminhar ao especialista para TPO supervisionado [4]
Formas IgE-mediadas
O diagnóstico das formas IgE-mediadas baseia-se na história clínica compatível com reação imediata, associada à confirmação de sensibilização: [2][4]
Teste cutâneo de leitura imediata (TCLI / prick test):
Avalia sensibilização mediada por IgE
Resultado positivo isolado não confirma alergia clínica — requer correlação com a história [4]
Indicado quando há suspeita de reação imediata ou DA importante [4]
Dosagem de IgE sérica específica:
Complementar ao TCLI; útil para alimentos de difícil acesso ao prick test
Sensibilização (IgE positiva) sem sintomas não é sinônimo de alergia [4]
Teste de provocação oral (TPO):
Padrão-ouro para confirmação da AA, independentemente do mecanismo [2][4]
Nas formas IgE-mediadas, o TPO deve ser realizado sob supervisão médica em ambiente preparado para atender reações graves [4]
Contraindicado em domicílio nas formas IgE-mediadas, independentemente da gravidade [4]
Tratamento das Formas IgE não-mediadas
Dieta de exclusão
A dieta de exclusão do alérgeno implicado é o pilar principal do tratamento das alergias não-IgE mediadas. [4]
Criança em aleitamento materno: [4]
Incentivar e apoiar a continuidade do aleitamento materno
Orientar dieta materna isenta de proteína do leite de vaca por 2 a 4 semanas para diagnóstico; em geral, 6 meses de dieta materna, até 9 a 12 meses de idade da criança
Suplementar cálcio e vitamina D para a mãe nutriz
Encaminhar à nutricionista para adequação da dieta
Se dermatite atópica ou doença GI mais grave: considerar exclusão de ovo
Criança em uso de fórmula:
Fórmula extensamente hidrolisada (FeH): primeira escolha nas formas leves a moderadas [4]
Fórmula de aminoácidos (FAA): primeira escolha nas formas graves (anafilaxia, FPIES, esofagite eosinofílica, dermatite atópica severa, alergias múltiplas, insuficiência de crescimento) [3][4]
Proteína hidrolisada do arroz: opção para crianças de 0 a 3 anos com alergia mediada ou não mediada, com dados ainda preliminares [3][4]
Proteína isolada de soja purificada: opção para crianças acima de 6 meses com sintomas leves; atenção: até 60% dos casos não-IgE mediados podem reagir à soja; não recomendada abaixo de 6 meses [3][4]
Leites de outros mamíferos: não indicados (homologia entre as proteínas) [4]
Leites vegetais (amêndoas, aveia): nutricionalmente incompletos [4]
Observações sobre as FeH: [4]
Disponíveis com e sem lactose; as com lactose não contêm proteínas do leite de vaca (a lactose é produzida industrialmente) e podem ser utilizadas
Evitar lactose somente em enteropatia grave com muita diarreia (risco de intolerância à lactose secundária à destruição de vilosidades intestinais)
Para maiores de 1 ano: fórmulas de aminoácidos ou de soja são as únicas disponíveis no Brasil; não há fórmulas hidrolisadas para esse grupo etário
Duração da dieta de exclusão: [4]
Formas leves a moderadas: 2 a 4 semanas para diagnóstico; em geral, 6 meses ou até 9 a 12 meses de vida
Enteropatia: 1 a 3 anos
Proctocolite: maioria resolve ao redor dos 6 a 12 meses de vida
Suplementação em APLV: [3]
Vitaminas A e D: suplementar quando necessário
Cálcio: suplementar quando necessário
Probiótico (Lactobacillus rhamnosus): evidências ainda limitadas e inconsistentes nas formas não-IgE mediadas da APLV; seu uso pode ser considerado de forma individualizada, porém não há recomendação formal nas diretrizes atuais para essa indicação específica [3][4]
Tratamento das crises de FPIES
A abordagem das crises de FPIES baseia-se em reidratação com fluidos e controle dos vômitos. A adrenalina não tem lugar no tratamento da reação aguda da FPIES. [4]
Ondansetrona (Vonau®, Zofran®) comp. 4 mg ou 8 mg; sol. oral 4 mg/5 mL; sol. inj. 2 mg/mL [4]
Dose: 0,15 mg/kg/dose (dose máxima: 16 mg/dose)
Reduz a gravidade e a frequência de vômitos profusos nas crises de FPIES aguda
Contraindicado em: lactentes menores de 6 meses (falta de dados de segurança); síndrome do QT longo congênito ou adquirido; uso concomitante de fármacos que prolongam o intervalo QT; distúrbios eletrolíticos significativos (hipocalemia, hipomagnesemia), situação relevante em crianças com FPIES grave cursando com desidratação e desequilíbrio hidroeletrolítico [4]
Metilprednisolona (Solu-Medrol®) sol. inj. [4]
Indicado nos casos graves
Dose: 1 mg/kg, via endovenosa; dose máxima: 60 a 80 mg/dose
Reintrodução gradual (milk ladder / escada do leite)
Após confirmação diagnóstica e período de exclusão, a reintrodução deve ser feita de forma gradual e crescente, com aumento progressivo das quantidades e da alergenicidade. O processamento térmico desnatura as proteínas do leite de vaca e reduz sua alergenicidade, embasando o conceito de que alimentos assados são menos alergênicos como ponto de partida da reintrodução. [4]
Menores de 1 ano não amamentados ou com alimentação mista: [4]
Degrau 1: 1 mamadeira/dia com 1 medida da fórmula de partida ou seguimento, pela manhã; acrescentar 1 medida por dia até completar 1 mamadeira inteira
Degrau 2: a cada 2 a 3 dias, substituir 1 mamadeira da fórmula de tratamento (FeH/FAA) pela fórmula em teste
Degrau 3: após completar 1 mamadeira/dia com a fórmula em teste, manter por 2 a 3 dias
Degrau 4: continuar até que todas as mamadeiras sejam da fórmula de partida ou seguimento; dieta livre conforme a idade
Maiores de 1 ano: [4]
Degrau 1: cookies ou biscoitos com 1 mL de leite de vaca/porção, assados a 180ºC por 10 a 15 minutos; iniciar com 1 unidade/dia, aumentar até 3 unidades/dia
Degrau 2: muffins ou bolinhos com 12,5 mL de leite de vaca/porção, assados a 180ºC por pelo menos 20 minutos; progredir para 25 mL/porção
Degrau 3: panquecas com 21 mL de leite de vaca/porção, progressão para 42 mL/porção
Degrau 4: queijos (15 g); se tolerado, introduzir queijos assados na comida
Degrau 5: iogurte (125 mL)
Degrau 6: fórmula polimérica
Contraindicações à reintrodução domiciliar: dermatite atópica grave, sinais de manifestações IgE-mediadas, FPIES, alergias múltiplas; nesses casos, reintrodução supervisionada em ambiente de saúde [4]
Tratamento das Formas IgE-mediadas
Exclusão do alérgeno
A exclusão do alimento causador é a conduta principal em todas as formas de AA. [2][4]
Anafilaxia — tratamento de emergência
Adrenalina (epinefrina): medicamento de primeira linha no tratamento da anafilaxia;
Epinefrina sol. inj. 1mg/1mL
Adultos / adolescentes: meia amp (0,5mg) IM na face ântero-lateral da coxa.
Crianças: 0,01 mL/kg (máx. 0,3 mL) IM na face ântero-lateral da coxa.
Repetir dose em até 2 vezes, em intervalos de 5 a 15 min (monitorar toxicidade pela frequência cardíaca).
Imunoterapia oral (ITO)
Consiste na exposição gradual e controlada ao alérgeno, com o objetivo de induzir dessensibilização e, a longo prazo, tolerância [2]
Indicada principalmente para alergia ao amendoim, leite e ovo [2]
Requer acompanhamento rigoroso por especialista, devido ao risco de reações adversas, incluindo anafilaxia, durante o processo [2]
Anticorpos monoclonais (omalizumabe) têm sido utilizados como adjuvantes para reduzir reações durante a ITO [2]
Critérios para encaminhamento
Indicam encaminhamento ao gastropediatra e/ou alergologista: [4]
Formas IgE-mediadas (confirmadas ou suspeitas)
Formas graves de alergia não-IgE mediada
FPIES (para TPO diagnóstico e de tolerância supervisionados)
Dermatite atópica moderada a grave com suspeita de alergia alimentar
IgE sérica elevada
Alergias múltiplas
Ausência de resposta à dieta de exclusão adequada após 2 a 4 semanas
Comprometimento do crescimento e desenvolvimento
Dúvida diagnóstica consistente após manejo inicial
Referências
[1] SARINHO, Emanuel Sávio Cavalcanti. Alergia alimentar: um guia padrão ouro. Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, v. 9, n. 1, p. 3-4, 2025. Disponível em: https://aaai-asbai.org.br/article/10.5935/2526-5393.2025002/pdf/aaai-9-1-3.pdf. Acesso em: jun. 2026.
[2] ZAVARISE, Lara Fardin et al. Abordagem Pediátrica Para o Manejo de Alergias Alimentares. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 1, p. 1525-1535, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v7n1p1536-1550. Acesso em: jun. 2026.
[3] PINHEIRO, Josilene Maria Ferreira et al. Guia de Avaliação e Recomendações Nutricionais em Pediatria. 2. ed. Natal: HUOL/UFRN, 2024. Disponível em: https://www.huol.ufrn.br. Acesso em: jun. 2026.
[4] FERREIRA, Cristina Targa et al. Alergia Alimentar não-IgE mediada: formas leves e moderadas. Guia Prático de Atualização da Sociedade Brasileira de Pediatria, n. 9, 27 set. 2022. Departamento Científico de Gastroenterologia (gestão 2019-2021). São Paulo: SBP, 2022. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23562e-GPA_Diretriz_-_AlergiaAlim_nao-IgE_mediada-_LevesModeradas.pdf. Acesso em: jun. 2026.
[5] FERREIRA, Cristina Helena Targa et al. Síndrome de enterocolite induzida por proteínas alimentares (FPIES). Diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria, n. 152, 13 maio 2024. Departamentos Científicos de Gastroenterologia e de Alergia (gestão 2022-2024). Rio de Janeiro: SBP, 2024. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/24311e-DIRETRIZ_Sindrome_Enterocolite_Induzida_por_Proteinas_Alimentares_-FPIES.pdf. Acesso em: jun. 2026.
[6] OLIVEIRA, Lucila Camargo Lopes de et al. Atualização em Alergia Alimentar 2025: posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Sociedade Brasileira de Pediatria. Arquivos de Asma, Alergia e Imunologia, v. 9, n. 1, p. 5-96, 2025. Disponível em: https://asbairj.org.br/wp-content/uploads/2026/02/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp.pdf. Acesso em: jun. 2026.
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