Profilaxia Pós-Exposição (PEP) ao HIV
CID 10: Z20.6: Contato com exposição ao HIV
Introdução
Conceitos iniciais
A profilaxia pós-exposição (PEP) ao HIV consiste no uso de antirretrovirais após uma exposição potencialmente infectante, com o objetivo de reduzir o risco de aquisição do vírus.
É uma estratégia inserida na prevenção combinada e disponível no SUS desde 1999.
Deve ser tratada como urgência clínica, com início preferencial imediato e limite máximo de 72 horas após a exposição.
Abordagem inicial
Garantir:
privacidade;
acolhimento sem julgamento;
acesso facilitado.
Avaliar de forma objetiva:
tipo de exposição;
contexto (sexual, ocupacional e violência);
uso de substâncias;
possibilidade de indicação futura de PrEP (em exposições sexuais).
Fluxograma de Manejo

Critérios para Indicação
A decisão deve ser baseada na análise simultânea de 5 elementos:
1) Material biológico envolvido
2) Tipo de exposição
3) Intervalo desde a exposição
4) Status sorológico da pessoa exposta
5) Status sorológico da pessoa-fonte (quando disponível)
Indica-se PEP quando TODOS estiverem presentes:
material de risco;
exposição de risco;
tempo < 72 horas;
pessoa exposta com teste não reagente;
pessoa fonte com HIV positivo OU desconhecido OU com exposição de risco nos últimos 30 dias
Não indicar PEP:
Exposição após 72h;
Material ou exposição sem risco.
Avaliação do risco
Material biológico
⚠️ Com risco de transmissão:
sangue;
sêmen;
secreção vaginal;
líquidos de serosas;
líquido amniótico;
líquor.
✅ Sem risco de transmissão:
saliva;
urina;
fezes;
suor;
lágrimas;
vômito;
secreção nasal.
*Observação:
A presença de sangue nessas secreções torna esses materiais potencialmente infectantes, caso em que o uso de PEP pode ser indicado.
Tipo de exposição
⚠️ Com risco:
percutânea;
mucosa;
relação sexual desprotegida;
pele não íntegra;
mordedura com presença de sangue.
✅ *Sem risco:
pele íntegra;
mordedura sem presença de sangue.
Avaliação sorológica
Pessoa Exposta → Realizar teste rápido imediatamente.
Possíveis resultados:
Não reagente
Indica PEP (se demais critérios de indicação presentes).
Reagente em dois testes
Não indicar PEP;
Encaminhar para TARV.
Discordante ou inconclusivo
Repetir testagem;
Considerar início de PEP conforme avaliação clínica (se demais critérios de indicação presentes).
Pessoa-Fonte → Não é obrigatória para decisão.
Possíveis resultados:
Reagente
Indicar PEP (se demais critérios de indicação presentes).
Não reagente
Não indicar, exceto se suspeita de janela imunológica (exposição de risco nos últimos 30 dias).
Desconhecido
Decisão individualizada conforme risco.
O fluxograma do PCDT 2024 indica PEP (se demais critérios de indicação presentes).
Importante:
Carga viral indetectável por ≥ 6 meses → não há transmissão sexual.
Situações especiais
Gestação:
Manter esquema com Dolutegravir como preferencial.
Esquema:
Tenofovir + Lamivudina + Dolutegravir
Tenofovir + Lamivudina comp. 300/300 mg
1 cp VO 1x/dia por 28 dias
Dolutegravir comp. 50 mg
1 cp VO 1x/dia por 28 dias
Alternativa (se intolerância ao Dolutegravir):
Esquema:
Tenofovir + Lamivudina + Darunavir + Ritonavir
Tenofovir + Lamivudina comp. 300/300 mg
1 cp VO 1x/dia por 28 dias
Darunavir comp. 600 mg
1 cp VO 12/12h por 28 dias
Ritonavir comp. 100 mg
1 cp VO 12/12h por 28 dias
Considerações sobre o Dolutegravir:
Apresenta interações medicamentosas relevantes:
Indutores enzimáticos (rifampicina, carbamazepina, fenitoína e fenobarbital):
Ajustar Dolutegravir para 50 mg VO 12/12h.
Metformina:
Deve-se monitorar eventos adversos da metformina, pois a interação aumenta os níveis séricos de metformina.
Contraceptivos orais:
Pode ser usado com contraceptivos orais.
Acompanhamento
Considerações:
Pode ser realizado na APS (Atenção Primária).
Garantir sigilo e acesso ao serviço.
Orientações essenciais
adesão rigorosa;
completar 28 dias;
uso de preservativos durante o período.
Monitorização
efeitos adversos dos ARVs;
testagem para HIV:
30 dias;
90 dias.
Estratégias para adesão
lembretes (apps, alarmes);
organização de doses;
acompanhamento ativo.
Referências
[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Nota Informativa nº 007/2017 - DDAHV/SVS/MS. Atualização dos esquemas antirretrovirais e ampliação do uso de dolutegravir e darunavir. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
[2] Duncan BB, Schmidt MI, Giugliani ERJ, et al. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2022.
[3] Gusso G, Lopes JMC, Dias LC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade. 2. ed. Porto Alegre: Artmed; 2019.
[4] Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição (PEP) de Risco à infecção pelo HIV, ISTs e Hepatites Virais. Brasília: Ministério da Saúde; 2024.
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