Surdez Súbita no Adulto

CID-10: H91.2 — surdez idiopática súbita

Introdução

  • Perda auditiva neurossensorial ≥ 30 dB em ≥ 3 frequências consecutivas, com instalação em até 72 horas

  • Predominantemente unilateral

  • 90% dos casos são idiopáticos

  • Incidência estimada: 5–27 casos/100.000 habitantes/ano

  • Condição considerada urgência otorrinolaringológica devido ao impacto prognóstico do tratamento precoce

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Quadro clínico

  • Hipoacusia súbita (principal sintoma)

  • Sintomas associados:

    • Zumbido

    • Sensação de ouvido tampado

    • Vertigem ou tontura (pode indicar pior prognóstico)

  • Sinais de alerta (red flags):

    • Déficit neurológico focal

    • Paresia facial

    • Sintomas vestibulares intensos com suspeita central

Avaliação Inicial

Objetivo principal: diferenciar perda condutiva x neurossensorial

Anamnese

  • Tempo de instalação

  • Sintomas associados (vertigem, zumbido)

  • Trauma recente

  • Uso de drogas ototóxicas

  • Doenças sistêmicas (autoimunes e infecciosas)

Exame físico

  • Otoscopia:

    • Excluir cerume, efusão, perfuração timpânica

  • Avaliação neurológica:

    • Indispensável se suspeita de causa central

  • Testes clínicos (quando disponíveis):

    • Diapasão (triagem rápida)

Diagnóstico

  • Confirmação por audiometria:

    • Perda neurossensorial ≥ 30 dB

    • ≥ 3 frequências consecutivas

    • Início ≤ 72 horas

  • Conduta prática:

    • Solicitar audiometria sem atrasar tratamento

Abordagem Diagnóstica

  • Exames obrigatórios

    • Audiometria tonal e vocal

  • Exames complementares

    • Ressonância magnética (preferencial):

      • Avaliar lesões retrococleares (ex.: schwannoma vestibular)

    • Exames laboratoriais:

      • Não solicitar de rotina

      • Indicar apenas se suspeita clínica específica

  • Exames não recomendados

    • Tomografia de crânio na avaliação inicial

  • Diagnóstico diferencial

    • Perda auditiva condutiva:

      • Cerume

      • Otite média com efusão

    • Outras causas:

      • Trauma acústico ou craniano

      • Doença autoimune

      • Neoplasia do ângulo ponto-cerebelar

      • AVE em território posterior

Conduta Inicial

  • A surdez súbita é considerada como uma urgência clínica.

  • Na Atenção Primária

    • Excluir causas condutivas simples

    • Suspeita de surdez súbita → encaminhar imediatamente

    • Não aguardar exames para iniciar discussão terapêutica

  • Encaminhamento

    • Avaliação especializada em até 24h se:

      • início ≤ 72h

      • quadro recente (< 30 dias)

    • Encaminhamento imediato se:

      • sinais neurológicos

      • suspeita de AVE

Tratamento

Corticoide sistêmico (primeira linha)

  • Indicado como tratamento inicial

  • Prednisona (Meticorten®) comp. 5 mg ou 20 mg

    • Dose: 1 mg/kg/dia VO (máx.: 60 mg/dia)

    • Duração:

      • 7 dias em dose plena

      • seguida de redução progressiva por ~7 dias

    • Exemplo de desmame (quando iniciar em 60 mg):

      • D1–D7: 60 mg/dia

      • D8: 50 mg

      • D9: 40 mg

      • D10: 30 mg

      • D11: 20 mg

      • D12: 10 mg

      • D13: suspender

  • Monitorização:

    • glicemia

    • pressão arterial

    • efeitos neuropsiquiátricos

Corticoide intratimpânico

  • Indicações:

    • Contraindicação ao corticoide oral

    • Falha terapêutica inicial

    • Terapia de resgate (2–6 semanas)

  • Dexametasona sol. intratimpânica (concentração: 4 a 24 mg/mL)

    • Aplicação intratimpânica, realizada exclusivamente pelo otorrinolaringologista.

    • Instilado no ouvido afetado por 15 a 30 minutos por injeção. A frequência de administração varia entre estudos e serviços (desde administração diária até semanal).

Oxigenoterapia hiperbárica

  • Uso:

    • Terapia adjuvante ao corticoide

  • Indicações:

    • Casos graves

    • Resposta insatisfatória

  • Janela terapêutica:

    • Ideal: até 2 semanas

    • Resgate: até 1 mês

Terapias não recomendadas

  • Não prescrever rotineiramente:

    • Antivirais

    • Trombolíticos

    • Vasodilatadores

    • Drogas vasoativas

Acompanhamento

  • Audiometria:

    • Ao término do tratamento

    • Repetir em até 6 meses

  • Em recuperação incompleta:

    • Considerar terapia de resgate

    • Encaminhar para reabilitação auditiva

  • Prognóstico

    • Melhor prognóstico:

      • Tratamento precoce

      • Perdas leves a moderadas

    • Pior prognóstico:

      • Perda severa/profunda

      • Vertigem associada

      • Atraso no início do tratamento

Referências

[1] WORLD HEALTH ORGANIZATION. ICD-10 Version: 2019. Disponível em: https://icd.who.int. Acesso em: 11 abr. 2026.

[2] NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Hearing loss in adults: assessment and management (NG98). 2018. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng98.

[3] CHANDRASEKHAR, S. S. et al. Clinical Practice Guideline: Sudden Hearing Loss (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 2019.

[4] AMERICAN ACADEMY OF OTOLARYNGOLOGY–HEAD AND NECK SURGERY. Sudden Hearing Loss Guideline Update. 2019.

[5] ENT UK. Management of sudden sensorineural hearing loss. 2020.

[6] NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS. Sudden Deafness. 2018.

[7] MILITARY HEALTH SYSTEM. SSNHL Guidance. 2024.

[8] ORGANON. Meticorten®: bula do paciente. 2023.

Autoria e Curadoria

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