Febre de Origem Desconhecida no Adulto
CID-10: R50.9 – Febre não especificada
Introdução
Define-se classicamente como:
temperatura ≥38,3°C em diversas ocasiões;
duração ≥3 semanas;
ausência de diagnóstico após investigação inicial apropriada.
As principais causas pertencem a quatro grupos:
infecções;
neoplasias;
doenças inflamatórias/autoimunes;
causas diversas.
Não considerar Febre de Origem Desconhecida quando:
infecção evidente;
diagnóstico já definido;
febre hospitalar;
neutropenia febril;
HIV avançado (possuem protocolos próprios).
Fluxograma diagnóstico inicial
![fluxograma_febre Fluxograma de Investigação Diagnóstica — Febre de Origem Desconhecida no Adulto: o fluxograma organiza a abordagem sequencial da febre de origem desconhecida (FOD) em adultos, iniciando na etapa 1 com a febre de duração igual ou superior a três semanas, na qual se deve confirmar os critérios de Febre de Origem Desconhecida (FOD). A etapa 2 consiste em anamnese e exame físico completos, dirigidos e repetidos, com busca de sinais focais e pistas diagnósticas. A etapa 3 compreende os exames iniciais: hemograma, PCR/VHS, função renal, função hepática, EAS, hemoculturas (3 pares) e radiografia de tórax. A etapa 4 é o ponto de decisão que questiona se o diagnóstico foi encontrado; se a resposta for sim, deve-se tratar a causa identificada; se a resposta for não, prossegue-se para a etapa 5, de investigação direcionada conforme hipóteses clínicas e achados iniciais. A investigação direcionada ramifica-se em seis categorias de exames escolhidas conforme a suspeita clínica. A categoria Imagem inclui TC de tórax, TC de abdome/pelve, ultrassonografia conforme necessidade e ressonância magnética em casos selecionados. A categoria Cardíaco inclui ecocardiograma transtorácico e ecocardiograma transesofágico quando há suspeita de endocardite. A categoria Sorologias inclui HIV e hepatites virais; Brucella, CMV, EBV e toxoplasmose; febre tifoide e leptospirose; e outras sorologias conforme o contexto. A categoria Autoimunidade inclui FAN, FR e ANCA; anti-DNA e ENA; ferritina; complemento; e outros exames conforme suspeita. A categoria Outros exames inclui provas inflamatórias, eletroforese de proteínas, beta-2 microglobulina, LDH e outros conforme suspeita. A categoria Medicina nuclear inclui PET-CT em casos selecionados e pesquisa de foco oculto ou neoplasia. As seis categorias convergem para a etapa 6, de biópsias dirigidas quando indicadas, abrangendo linfonodo, medula óssea, artéria temporal, fígado, pele, massas ou lesões suspeitas. A etapa 7 aborda a persistência da febre sem diagnóstico, orientando reavaliar hipóteses e repetir anamnese e exame físico, considerar exames de alta complexidade e manter acompanhamento clínico contínuo. Ao final, um bloco de lembrete reforça reavaliar constantemente, reconhecer que pistas clínicas são fundamentais e direcionar exames conforme a hipótese. Fonte: CUNHA, Burke A. Fever of Unknown Origin. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2025.](https://assets.gpmed.app/undefined/1784058276618_a49ea574.png)
Principais causas
Infecciosas
Tuberculose.
Endocardite infecciosa.
Abscessos profundos.
Osteomielite.
CMV.
EBV.
Neoplásicas
Linfoma.
Leucemia.
Carcinoma de células renais.
Carcinoma hepatocelular.
Mixoma atrial.
Inflamatórias
Arterite de células gigantes.
Polimialgia reumática.
Lúpus.
Vasculites.
Doença de Still.
Outras
Drogas.
Tromboembolismo.
Tireoidite.
Sarcoidose.
Febre factícia.
Abordagem inicial
Anamnese dirigida
Investigar:
viagens;
contato com animais;
ingestão de alimentos crus;
uso de medicamentos;
próteses;
dispositivos invasivos;
imunossupressão;
exposição ocupacional;
história sexual;
história familiar.
Exame físico
Avaliar cuidadosamente:
pele;
mucosas;
linfonodos;
sopros cardíacos;
abdome;
articulações;
fundo de olho;
sistema nervoso.
Exames laboratoriais
Solicitar:
Hemograma.
PCR.
VHS.
Função renal.
Função hepática.
EAS.
Hemoculturas (3 pares antes de antibiótico).
Radiografia de tórax.
Critérios de internação
Considerar internação hospitalar se:
Instabilidade hemodinâmica.
Sepse.
Hipoxemia.
Alteração do estado mental.
Imunossupressão grave.
Incapacidade de investigação ambulatorial.
Pontos de atenção
Repetir anamnese e exame físico aumenta significativamente a taxa diagnóstica.
Nunca iniciar corticoide antes de excluir infecção.
Hemoculturas devem ser coletadas antes do antibiótico.
PET-CT é reservado para casos selecionados.
Cerca de até 51% dos casos permanecem sem diagnóstico mesmo após investigação extensa.
Referências
[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 6. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/g/guia-de-vigilancia-em-saude. Acesso em: 28 jun. 2026.
[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 28 jun. 2026.
[3] SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA (SBI). Diretrizes e consensos em Infectologia. São Paulo: SBI, atualização contínua. Disponível em: https://infectologia.org.br. Acesso em: 28 jun. 2026.
[4] SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Recomendações para investigação das doenças reumáticas sistêmicas. São Paulo: SBR, atualização contínua. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br. Acesso em: 28 jun. 2026.
[5] SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretriz Brasileira de Endocardite Infecciosa. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. São Paulo: SBC. Disponível em: https://abccardiol.org. Acesso em: 28 jun. 2026.
[6] CUNHA, Burke A. Fever of Unknown Origin. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK532265/. Acesso em: 28 jun. 2026.
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