Doença de Alzheimer
CID-10: G30 – Doença de Alzheimer
Introdução
Doença neurodegenerativa progressiva caracterizada por declínio cognitivo e perda funcional progressiva [10][15]
Principal causa de demência no mundo (≈60–70% dos casos) [10][15]
Curso insidioso, com piora gradual de memória, linguagem, funções executivas e autonomia [10]
Fatores de risco: [10]
Fatores não modificáveis:
Idade avançada (principal)
História familiar
Fatores modificáveis:
HAS
Diabetes
Sedentarismo
Tabagismo
Isolamento social
Fisiopatologia
Acúmulo de:
β-amiloide (placas extracelulares)
Proteína tau hiperfosforilada (emaranhados neurofibrilares) [6]
Neurodegeneração progressiva:
Perda sináptica e neuronal [6]
Modelo atual:
Cascata biológica precede sintomas clínicos (fase pré-clínica) [6]
Classificação AT(N): [6]
A: amiloide
T: tau
N: neurodegeneração
Quadro clínico
Fase inicial
Início insidioso e progressivo
Comprometimento de memória episódica recente
Dificuldade em aprendizado de novas informações
Desorientação leve
Fase intermediária
Afasia, apraxia, agnosia
Déficits executivos
Alterações comportamentais:
Apatia
Irritabilidade
Sintomas neuropsiquiátricos
Fase avançada
Dependência funcional completa
Mutismo
Imobilidade
Complicações clínicas (infecções, desnutrição)
Diagnóstico
Princípios gerais
Diagnóstico clínico + exclusão de causas secundárias [3]
Avaliação multidimensional: [3]
Cognitiva
Funcional
Comportamental
Avaliação inicial
História clínica + informante
Exame físico e neurológico
Avaliação cognitiva
Exames laboratoriais (para diagnóstico diferencial) [3]
Função tireoidiana
Vitamina B12
Outros conforme suspeita
Neuroimagem
TC ou RNM de crânio:
Excluir causas estruturais
Avaliar atrofia cortical
Biomarcadores (cenário atual)
Indicações:
Dúvida diagnóstica
Estágios iniciais com impacto terapêutico
Métodos:
PET amiloide
LCR (Aβ, tau) [6]
Não indicados:
Queixa subjetiva isolada
Demência avançada sem impacto terapêutico
Classificação clínica
Classificação: [13]
Comprometimento cognitivo leve (CCL) devido à Doença de Alzheimer
Demência leve
Demência moderada
Demência grave
Tratamento
Objetivos:
Controle sintomático
Retardar progressão
Manejo de sintomas comportamentais
Suporte ao cuidador
Tratamento não farmacológico
Estimulação cognitiva
Reabilitação funcional
Orientação familiar
Controle de fatores de risco vascular
Tratamento farmacológico (PCDT - SUS)
Considerações:
O tratamento farmacológico pode ser iniciado pelo médico da APS (Atenção Primária), mas o paciente só conseguirá adquirir o fármaco pelo SUS se tiver a solicitação assinada por um dos seguintes especialistas focais: psiquiatra, neurologista ou geriatra. Esta deverá ser entregue à Farmácia Estadual Cidadã.
A única associação com evidência robusta e uso rotineiro é com donepezila e memantina para casos moderados a graves. Porém, outros inibidores da acetilcolinesterase podem substituir a donepezila, caso seja necessário.
Inibidores da acetilcolinesterase
Donepezila (Eranz®) comp. 5 mg ou 10 mg
Iniciar: 5 mg à noite VO
Após 4–6 semanas: aumentar para 10 mg/dia
Indicado em todos os estágios
Dose máxima: 10 mg/dia
Rivastigmina (Exelon®) comp. 1,5 mg, 3 mg, 4,5 mg, 6 mg
Iniciar: 1,5 mg 2x/dia VO
Titulação progressiva
Dose máxima: 6 mg 2x/dia
Rivastigmina (Vivencia Patch®) adesivo transdérmico 4,6mg/24h, 9,5mg/24h, 13,3mg/24h
Iniciar 4,6 mg/24h. Após, considerar otimizar para 9,5 mg/24h.
Galantamina (Reminyl®) comp. ou cáps. lib. prolongada
Iniciar: 8 mg/dia VO
Titular até 16–24 mg/dia
Antagonista NMDA
Memantina (Ebix®) comp. 10 mg
Iniciar: 5 mg/dia VO
Aumentar semanalmente até 20 mg/dia (dividido 2x/dia)
Indicado em demência moderada a grave
Pode ser associada à donepezila
Terapias modificadoras da doença
Anticorpos antiamiloide: [13]
Medicamentos:
Lecanemabe
Donanemabe
Indicação:
Fases iniciais (CCL/demência leve)
Confirmação biológica necessária
Limitações:
Alto custo
Risco de ARIA (Anormalidades de Imagem Relacionadas à Amiloide), como edema e/ou hemorragia cerebral
Necessidade de monitorização especializada
Manejo de sintomas comportamentais
Primeira linha: medidas não farmacológicas
Se necessário:
Antipsicóticos (uso cauteloso)
Antidepressivos
Evitar uso indiscriminado (risco de eventos adversos)
Acompanhamento
Reavaliação periódica:
Cognitiva
Funcional
Comportamental
Avaliar:
Adesão
Efeitos adversos
Necessidade de ajuste terapêutico
Planejamento de cuidados:
Diretivas antecipadas de vontade
Suporte ao cuidador
Critérios de encaminhamento
No contexto da Atenção Primária, deve-se considerar encaminhamento para o serviço de referência se:
Dúvida diagnóstica
Início precoce (< 65 anos)
Progressão atípica
Indicação de biomarcadores
Avaliação para terapias modificadoras
Referências
[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Alzheimer. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: abr. 2026.
[2] PASSOS, C. E. et al. Lecanemabe e novas terapias para Alzheimer. SanarMed, 2026.
[3] BRASIL. Ministério da Saúde. Doença de Alzheimer – diagnóstico. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
[4] SCHILLING, L. P. et al. Diagnóstico da doença de Alzheimer. Dement Neuropsychol, 2022.
[5] STUDART-NETO, A. et al. Biomarcadores da doença de Alzheimer. 2024.
[6] ALZHEIMER’S ASSOCIATION. Revised criteria for diagnosis and staging of Alzheimer’s disease. 2024.
[7] BRASIL. Ministério da Saúde. PCDT Doença de Alzheimer (atualizações). 2024.
[8] BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos terapêuticos Alzheimer. 2024.
[9] ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA. Consenso em demências. 2023.
[10] BRASIL. Ministério da Saúde. Atualização PCDT Alzheimer. 2026.
[11] BRASIL. Ministério da Saúde. Relatório Nacional de Demência. 2024.
[12] STUDART-NETO, A. et al. Diretrizes brasileiras de biomarcadores. 2024.
[13] WU, C. K. et al. Treatment strategies for Alzheimer’s disease. 2025.
[14] CONITEC. Atualização terapêutica Alzheimer. 2025.
[15] MINISTÉRIO DA SAÚDE; HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ. Atualização PCDT Alzheimer. 2026.
Autoria e Curadoria
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