Entorse de Tornozelo em Adultos

CID 10: S93.4 – Entorse e distensão do tornozelo

Introdução

  • A entorse de tornozelo é uma das lesões musculoesqueléticas agudas mais prevalentes na população mundial, com incidência estimada de 1 caso a cada 10.000 indivíduos por dia [1][2].

    • Representa cerca de 10% a 15% de todas as lesões esportivas [1], podendo chegar a 10% a 30% entre atletas [2].

    • Acomete com maior frequência praticantes de futebol, basquete e vôlei, além de qualquer indivíduo com vida ativa [1].

  • Define-se entorse como um movimento violento com estiramento ou ruptura de ligamentos de uma articulação;

    • No tornozelo, a lesão geralmente envolve o complexo ligamentar lateral [1][2].

    • A estabilidade lateral depende dos ligamentos talo-fibular anterior, posterior e talo-calcâneo, em associação ao terço distal da fíbula [1].

  • O mecanismo de lesão mais comum é a inversão do pé com flexão plantar do tornozelo em intensidade além do normal, como ao pisar em terreno irregular ou degrau [1][2].

    • Essa supinação excessiva proporciona lesão que se inicia no ligamento talo-fibular anterior, podendo progredir para o ligamento calcâneo-fibular com o aumento da energia do trauma; a lesão do ligamento talo-fibular posterior é rara, ocorrendo apenas na luxação franca do tornozelo [1].

    • Quando a inversão ocorre com o tornozelo em ângulo reto, o ligamento calcâneo-fibular sofre impacto de distensão [2].

  • Entre 40% e 72% das pessoas com entorse de tornozelo evoluem com problemas crônicos, incluindo entorses recorrentes e limitação funcional persistente [2]

Conteúdo direto ao ponto, revisado e atualizado por médicos especialistas.
Exclusivo para médicos e estudantes de medicina.
Acesse o conteúdo completo

Classificação

  • Grau 1 (Estiramento ligamentar, sem rotura) [1][3]

    • Edema e/ou sensibilidade aumentada ou dor na região

    • Capacidade de deambular e sustentar peso sobre o tornozelo com mínimo de dor

    • Ausência de instabilidade articular (testes negativos)

  • Grau 2 (Rotura ligamentar parcial) [1][3]

    • Dor moderada, inchaço, sensibilidade e equimose

    • Dor ao deambular e ao sustentar peso sobre a articulação acometida

    • Instabilidade articular leve a moderada, com alguma restrição da amplitude de movimentos e perda de função

  • Grau 3 (Rotura ligamentar total) [1][3]

    • Dor intensa, inchaço, sensibilidade e equimose

    • Possível incapacidade de deambular e sustentar peso sobre a articulação acometida

    • Instabilidade articular importante ao exame, com perda significativa de amplitude e função

Quadro Clínico

  • O quadro clínico envolve: [1][2]

    • Dor, edema localizado na face ântero-lateral do tornozelo

    • Equimose (mais evidente após 48 horas) e dificuldade para deambular

    • Quanto mais grave a lesão, mais evidentes ficam os sinais.

  • Em relação à instabilidade articular, dois subtipos são descritos [2]:

    • Instabilidade Mecânica (IM): movimento do tornozelo além do limite fisiológico da amplitude de movimento [2]

    • Instabilidade Funcional (IF): sensação subjetiva de instabilidade e/ou presença de entorses recorrentes, decorrente de déficits neuromusculares e proprioceptivos [2]

Diagnóstico

  • Exame Físico:

    • Inspeção estática para identificar equimose ou hematoma

    • Inspeção dinâmica para avaliar amplitude de movimento e função

    • Palpação das estruturas do tornozelo:

      • Estruturas ósseas: maléolo lateral e medial, base do 5º metatarso e osso navicular

      • Estruturas ligamentares e tendíneas

    • Avaliação da estabilidade articular e deambulação

    • Identificação de edema, equimose ou hematoma à inspeção e palpação do tornozelo

  • Manobras específicas para identificação de lesões ligamentares laterais: [3]

    • Teste da gaveta anterior:

      • O examinador mantém o pé em posição neutra e estabiliza a parte inferior da perna com uma mão

      • A outra mão segura firmemente o calcanhar, com o pé da pessoa apoiado na face anterior do braço do examinador

      • O examinador traciona o calcanhar em direção a si mesmo (sentido anterior), mantendo a perna fixa

      • Movimento excessivo do calcanhar no sentido anterior sugere lesão ligamentar

      • A associação dos sintomas clínicos com o teste da gaveta anterior positivo permite caracterizar uma lesão grau 3 em 96% dos casos [1]

    • Teste de estresse em varo (paciente sentado ou deitado, com os pés para fora da maca):

      • O examinador segura firmemente a tíbia do paciente com uma mão

      • A outra mão exerce estresse em varo (inversão do pé), testando o ligamento calcâneo-fibular e a cápsula lateral do tornozelo

      • Atenção ao aparecimento de depressão na face lateral do tornozelo, logo abaixo do maléolo fibular, além do excesso de movimento comparado com o membro oposto

  • Manobras para identificação de lesões da sindesmose: [3]

    • Teste de rotação externa do tálus:

      • O examinador estabiliza a parte proximal da perna e, com a articulação em posição neutra, segura firmemente a face plantar do pé e roda o pé externamente em relação à tíbia

      • Dor na região do ligamento tibiofibular anterior (anterior ao maléolo lateral e proximal à articulação do tornozelo) é positiva para lesão de sindesmose

    • Teste de Pillings (ou compressão lateral da perna):

      • O examinador comprime a fíbula contra a tíbia ao nível médio da panturrilha

      • Provoca dor na região do ligamento tibiofibular anterior, proximal à articulação do tornozelo, quando há entorse sindesmótico

  • Manobras para identificação de lesões do tendão de Aquiles: [3]

    • Identificação de "gap" palpável na região do tendão

    • Teste de Simmonds/Thompson: em decúbito ventral com joelhos a 90° de flexão, comprimir a panturrilha; espera-se flexão plantar do pé; na rotura, essa resposta é reduzida ou ausente

    • Teste de Matles: solicitar ao paciente que flexione os joelhos a 90°; na rotura do tendão de Aquiles, o pé apresenta perda da flexão plantar passiva em relação ao lado contralateral

  • Regras de Ottawa para Tornozelo

    • Indicam a realização de radiografia quando houver [1][3]:

      • Dor maleolar associada a:

        • Dor à palpação óssea nos 6 cm distais na região posterior do maléolo lateral

        • Dor à palpação óssea nos 6 cm distais na região posterior do maléolo medial

        • Incapacidade de apoiar o membro imediatamente após o trauma e por pelo menos 4 passos no momento do atendimento

      • Dor no médio pé associada a:

        • Dor à palpação óssea da base do 5º metatarso

        • Dor à palpação óssea do navicular

        • Incapacidade de apoiar o membro imediatamente após o trauma e por pelo menos 4 passos no momento do atendimento

          • Das radiografias realizadas em pacientes com lesão de tornozelo, 85% são normais [1]. As regras de Ottawa apresentam sensibilidade de 99,7%, com especificidade variável (10% a 70%) [1].

  • Incidências radiográficas indicadas: [3]

    • Suspeita de lesão/dor maleolar: AP e perfil de tornozelo

    • Suspeita de lesão/dor em médio pé: AP e perfil de pé

  • Ressonância Magnética

    • Indicada nos seguintes contextos [1][3]:

      • Persistência da dor após 3 meses da lesão inicial, para investigar lesões associadas (osteocondral, impacto ântero-lateral) e lesões ligamentares crônicas

      • Evolução clínica duvidosa ou desfavorável em grau 1, sem resposta ao tratamento conservador

  • Diagnósticos Diferenciais [3]

    • Fratura da perna, tornozelo ou pé

    • Lesão da sindesmose

    • Lesão de Lisfranc

    • Lesão osteocondral

Tratamento não farmacológico

  • Protocolo P.R.I.C.E.

    • O objetivo do tratamento é o retorno às atividades diárias com remissão da dor, redução do edema e ausência de instabilidade articular [1].

  • Proteção (imobilização): [3]

    • Considerações:

      • A proteção articular com imobilizadores semi-rígidos nas lesões completas possibilita retorno mais rápido às atividades físicas e laborativas em comparação à imobilização gessada;

        • A ocorrência de edema, dor e instabilidade em longo prazo foi semelhante entre os grupos [1].

        • Imobilizadores elásticos e enfaixamentos apresentaram resultados inferiores aos imobilizadores rígidos e semi-rígidos [1].

        • Em pacientes com lesão ligamentar aguda grave, o tratamento com órtese curta funcional resultou em menor dor e melhor resultado funcional do que a imobilização com órtese longa [2].

    • Grau 1:

      • Imobilização funcional com tornozeleira ou estabilizador do tornozelo (ex.: Aircast)

      • A órtese é composta por estruturas rígidas nas laterais que impedem inversão, eversão e flexão máxima do tornozelo

    • Grau 2 e 3:

      • Tala gessada suropodálica, pela sua maior custo-efetividade

      • Alternativa quando a tala não estiver disponível: bota imobilizadora (ex.: Robofoot), cujas recomendações de uso são as mesmas do imobilizador funcional

    • Orientações gerais:

      • Utilizar o imobilizador continuamente, retirando apenas para banho/higiene pessoal ou para aplicação de gelo local

      • Nos períodos sem o imobilizador, manter o pé em posição neutra; evitar inversão e/ou flexão do tornozelo/pé

      • Estimular a carga conforme tolerância do paciente

      • Durante a carga, associar obrigatoriamente o imobilizador ao calçado esportivo (tênis)

      • No repouso, pode-se manter apenas o imobilizador funcional sem tênis

      • Duração mínima do imobilizador: 6 semanas completas

        • Da 7ª à 9ª semana: manter o imobilizador em locais de risco (terrenos irregulares, locais com pouca iluminação) e em esportes de contato ou alto risco (futebol, vôlei, lutas, etc.)

        • Da 10ª à 12ª semana: manter apenas em esportes de contato ou alto risco

      • Utilizar meia de algodão de cano alto entre o imobilizador e a pele; em caso de irritações ou alergias, buscar atendimento médico imediatamente

  • Repouso: [3]

    • Manter a área lesionada em repouso conforme os sintomas

  • Gelo (crioterapia): [3]

    • Bolsa ou compressa de gelo por 10 a 15 minutos, a cada 4 a 6 horas, nas primeiras 72 horas

    • Proteger a pele com toalha para evitar queimaduras

  • Compressão: [3]

    • Aplicar leve pressão durante a colocação da bolsa de gelo para auxiliar no controle do edema

  • Elevação: [3]

    • Elevar a área lesionada acima do nível do coração, quando possível, para reduzir o edema

Tratamento farmacológico e cirúrgico

Analgésicos comuns

  • Considerações:

    • Indicados conforme a necessidade do paciente e controle dos sintomas; devem ser a primeira escolha farmacológica [3].

  • Dipirona (Novalgina®) comp 500 mg; gotas 500 mg/mL; sol inj 500 mg/mL [3]

    • Dose habitual: 1 g a cada 6 horas, conforme sintomas.

    • Dose máxima: 4 g/dia. [4]

  • Paracetamol (Tylenol®) comp 500 mg e 750 mg [3]

    • Dose habitual: 750 mg a cada 6 horas, conforme sintomas.

    • Dose máxima: 4 g/dia em adultos saudáveis; 2 g/dia em pacientes com hepatopatia ou uso regular de álcool. [4]

Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs)

  • Considerações:

    • Utilizar por curtos períodos (3 a 7 dias), se não houver controle da dor com analgésico comum e medidas não farmacológicas [3].

    • Os AINEs demonstraram diminuição da dor e do edema com melhora precoce da função articular [1];

    • Contudo, não demonstraram benefícios claros no controle da dor em todos os estudos e podem apresentar mais efeitos adversos, além de possível interferência no processo de cicatrização ligamentar [3].

  • Diclofenaco sódico (Voltaren®) comp 50 mg [3]

    • 50 mg a cada 8 horas por 3 a 7 dias.

    • Dose máxima: 150 mg/dia. [4]

  • Nimesulida (Nimesil®) comp 100 mg; grânulos 100 mg/sachê [3]

    • 100 mg a cada 12 horas por 3 a 7 dias.

    • Dose máxima: 200 mg/dia. [4]

Analgésicos opioides

  • Considerações:

    • Indicados conforme a necessidade do paciente para controle de dor intensa [3].

  • Tramadol (Tramal®) comp 50 mg; sol oral 100 mg/mL [3]

    • Dor intensa: 50 mg a cada 6 a 4 horas, conforme intensidade da dor.

    • Dose máxima: 400 mg/dia. [4]

  • Codeína + Paracetamol comp 7,5 mg + 500 mg [3]

    • Dor intensa: 1 comprimido (7,5 mg + 500 mg) a cada 6 horas.

    • Dose máxima: 8 comprimidos/dia, limitada pelo componente paracetamol (4 g/dia). [4]

Tratamento Cirúrgico

  • O tratamento cirúrgico, comparado ao conservador, não mostrou superioridade no retorno precoce à atividade física, apresentando apenas menor instabilidade residual.

  • O tratamento deve ser individualizado, considerando que os riscos são maiores na abordagem cirúrgica; a preferência é dada ao tratamento conservador para as lesões agudas [1].

Fisioterapia e reabilitação

  • Recomenda-se iniciar fisioterapia precoce a partir da 3ª semana do trauma, inicialmente com restrições; após 6 semanas, a fisioterapia pode ser realizada sem restrições. [3]

  • Grau 1: [3]

    • Exercícios domiciliares por até 3 semanas, com foco em fortalecimento global do tornozelo/pé e propriocepção

  • Grau 2 e 3: [3]

    • 3ª a 6ª semana (fortalecimento e mobilização controlada):

      • Analgesia e controle do edema

      • Eversão e extensão do tornozelo de forma ativa, sem restrições

      • Inversão e flexão do tornozelo de forma ativa isométrica

      • Propriocepção controlada, impedindo mobilização do tornozelo

      • Contraindicado: inversão e flexão ativas do tornozelo

      • Frequência ideal: 3 sessões semanais (9 sessões no período)

    • Fase 1 (6ª a 9ª semana):

      • Fortalecimento dos músculos eversores, inversores, extensores e flexores do tornozelo, sem restrições

      • Fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé

      • Alongamento da cadeia posterior e ganho de extensão do tornozelo

      • Propriocepção e treino de marcha

      • Frequência ideal: 3 sessões semanais (9 sessões no período)

    • Fase 2 (9ª a 12ª semana):

      • Fortalecimento dos músculos eversores, inversores, extensores e flexores do tornozelo, sem restrições

      • Fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé

      • Propriocepção e treino de marcha

      • Ganho de arco de movimento global do tornozelo/pé

      • Gesto esportivo

      • Frequência ideal:

        • 3 sessões semanais (9 sessões no período)

        • A partir da 12ª semana, avaliar individualmente a necessidade de sessões adicionais conforme evolução do paciente [3].

      • Exercícios de treinamento proprioceptivo promovem aumento significativo da força máxima, redução dos tempos de aceleração e desaceleração e melhora da estabilidade do membro lesado; após 8 semanas de trabalho proprioceptivo, observa-se estabilização do tornozelo instável, podendo contribuir para interromper o ciclo vicioso de entorses recorrentes [2].

  • Retorno às atividades físicas: [3]

    • Permitido a partir da 3ª semana do trauma, desde que o paciente esteja bem e possa manter o imobilizador funcional associado ao calçado esportivo (tênis) durante a atividade

    • Após a 6ª semana, seguir as orientações de uso do imobilizador conforme grau de risco da atividade

Complicações

  • Cerca de 20% das entorses de tornozelo evoluem com algum tipo de instabilidade após 6 meses da lesão inicial, acompanhada ou não de frouxidão ligamentar [1]. As possíveis lesões associadas, em ordem decrescente de frequência, são [1]:

    • Instabilidade crônica

    • Lesão osteocondral

    • Impacto com processo inflamatório tíbio-fibular distal

    • Impacto anterior com exostose

  • A investigação pode ser realizada por exame clínico associado a radiografias simples e com estresse, ressonância magnética e artroscopia, sendo a artroscopia o método de maior sensibilidade e especificidade [1].

    • Instabilidade funcional: a causa principal é a falha na propriocepção; o tratamento é fisioterápico; mesmo pacientes com frouxidão ligamentar possuem déficit proprioceptivo e devem ser submetidos inicialmente à reabilitação [1].

    • Instabilidade sintomática persistente: pacientes que não respondem à reabilitação podem ser submetidos à correção cirúrgica; não existe evidência na literatura para determinar qual técnica leva a melhores resultados; pacientes com recuperação funcional utilizando imobilizadores semi-rígidos no pós-operatório apresentam retorno mais precoce às atividades diárias em comparação aos que utilizaram imobilização gessada [1].

  • Varo do retropé:

    • Sua associação com as lesões ligamentares foi determinante na evolução para artrose em longo prazo (30 anos); a tomografia computadorizada mostrou-se confiável para quantificar o varo; esse achado encoraja a realização de osteotomia valgizante do calcâneo nas instabilidades crônicas associadas a varo do retropé [1].

  • Lesões osteocondrais do talus:

    • Em pacientes sintomáticos com lesão condral graus 2b, 3 e 4 de Ferkel, pode ser indicada cirurgia; as principais técnicas são condroplastia, microfratura e transferência autóloga osteocondral, sem diferença nos resultados após 2 anos de acompanhamento [1].

Prevenção

  • Praticantes de esportes coletivos têm maior incidência de entorse de tornozelo, por ser esta a lesão ortopédica mais frequente nesse contexto; essa população deve ser orientada sobre medidas específicas de prevenção [3]:

    • Realização de alongamento e aquecimento prévios à prática de exercícios

    • Exercícios de fortalecimento da musculatura do tornozelo

    • Exercícios de propriocepção

    • Reabilitação adequada após lesões anteriores

    • Uso de calçados de cano alto

  • Existe associação positiva entre IMC elevado e número de ocorrências de lesões; pacientes com IMC acima do normal devem ser orientados quanto a esse risco [3].

  • Imobilizadores semi-rígidos podem reduzir em até 47% a incidência de entorse de tornozelo em atletas praticantes de modalidades esportivas de alto risco; o efeito protetor é ainda maior naqueles que já sofreram lesão ligamentar prévia [1].

  • Recomenda-se atenção à deambulação diária, em especial no uso de escadas ou em ambientes de trabalho; deve-se orientar o paciente a evitar o uso de celulares e outros dispositivos que tirem a atenção durante a caminhada [3].

Encaminhamento

  • Encaminhamento imediato para urgência da atenção secundária se: [3]

    • Critérios de Ottawa positivos com achado ou suspeita de fratura à radiografia

    • Suspeita de lesão de sindesmose ou do tendão de Aquiles sem possibilidade de avaliação ortopédica na mesma passagem

  • Encaminhamento para ortopedista em até 7 dias do trauma se: [3]

    • Lesões de grau 2 e 3

  • Seguimento na Atenção Primária se: [3]

    • Reavaliação presencial entre 5 e 7 dias pós-diagnóstico para todos os graus

    • Em lesão grau 1 sem melhora ou com piora do quadro: considerar RM e conduzir individualmente

    • Critério de alta do nível secundário/terciário: 12 semanas de seguimento com remissão dos sintomas

  • Inativação do problema na lista de problemas ativos se:

    • Se após 3 a 6 meses de acompanhamento pós-lesão o paciente se mantiver sem dor ou limitação funcional [3]

Referências

[1] RODRIGUES, F. L.; WAISBERG, G. Entorse de tornozelo. In: Projeto Diretrizes. Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina; Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Elaboração Final: 31 mar. 2008. Disponível em: https://amb.org.br/projeto-diretrizes/. Acesso em: 26 mai. 2026.

[2] SILVA, Luciana da. Entorse de tornozelo: melhores condutas terapêuticas: uma revisão narrativa. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Fisioterapia Ortopédica). Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016. Disponível em: https://www.eeffto.ufmg.br. Acesso em: 26 mai. 2026.

[3] DAHER, Gustavo et al. Guia de Linha de Cuidado: Entorse de Tornozelo. Código do Documento: CPTW370.1. Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Elaboração: 25 set. 2023. Aprovação: 05 out. 2023. Disponível em: https://www.einstein.br. Acesso em: 26 mai. 2026.

[4] AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Bulário Eletrônico: bulas dos medicamentos dipirona, paracetamol, diclofenaco sódico, nimesulida, tramadol e codeína. Brasília: ANVISA. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario. Acesso em: 26 mai. 2026.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.