Puericultura: Visão Geral

Outros temas:

Calendário

  • Frequência mínima recomendada de consultas:

    • 1 a 6 meses: consultas mensais;

    • 6 até 12 meses: a cada 2 meses;

    • 12 a 24 meses: a cada 3 meses;

    • 2 a 3 anos: a cada 6 meses;

    • 3 a 16 anos: anual;

Conteúdo direto ao ponto, revisado e atualizado por médicos especialistas.
Exclusivo para médicos e estudantes de medicina.
Acesse o conteúdo completo

Estrutura das Consultas

  • Anamnese:

    • identificação do paciente e do seu acompanhante;

    • histórico familiar e social;

    • antecedentes obstétricos;

    • condições de nascimento;

    • queixas;

    • diário alimentar;

    • hábitos evacuatórios e urinários;

    • descrição de sono;

    • anotar queixas de desenvolvimento ou relacionamento familiar ou escolar (se presentes);

    • descrever calendário vacinal.

  • Exame físico completo e coletar os dados antropométricos da criança:

    • Comprimento, peso e perímetro cefálico (esse último deve ser medido até 2 anos).

    • Para crianças prematuras nas curvas da caderneta de saúde da criança é recomendável utilizar a idade corrigida do RN pré-termo; para colocação dos dados nas curvas, deve-se considerar o nascimento quando a criança atinge 40 semanas de idade pós-concepção, após segundo ano de vida, essa correção não é mais necessária. 

  • Crescimento e desenvolvimento da criança:

    • Embasado no gráfico de crescimento e nos marcos de desenvolvimento.

    • Descritos e detalhados nos tópicos abaixo deste tema.

  • Observar se criança apresenta sinais de alerta:

    • Recusa alimentar, vômitos, convulsões ou apneia, fontanelas deprimidas ou abauladas, bradicardia, taquipneia, letargia ou inconsciência, atividade reduzida, febre, hipotermia, cianose ou palidez importante, secreção purulenta do ouvido, umbigo hiperemiado e/ou com secreção purulenta, pústulas na pele, irritabilidade ou dor à manipulação e identificar os reflexos principais.

  • Rastreio para criptorquidia:

    • Se aos 6 meses não houver testículos palpáveis, a criança deve ser encaminhada ao cirurgião pediátrico.

    • Se forem retráteis, deve-se monitorar a cada 6-12 meses entre 4-10 anos de idade, pois pode ocorrer da criança crescer mais rápido que o cordão espermático e haver saída dos testículos da bolsa escrotal.

Sinais Vitais em Pediatria

  • Frequência cardíaca normal:

    • 0 - 6 meses: 120 a 160 bpm.

    • 6- 12 meses: 110 a 150 bpm.

    • 12-24 meses: 100 a 140  bpm.

    • 2 a 4 anos: 85 a 125 bpm.

    • 4 a 8 anos: 75 a 115  bpm.

    • 8 a 15 anos: 65 a 100 bpm.

    • 15 a 18 anos: 60 a 90 bpm.

  • Frequência respiratória normal:

    • 0-6 meses: 30 a 60 irpm.

    • 6-12 meses: 30 a 50 irpm.

    • 1 a 2 anos: 25 a 45 irpm.

    • 2 a 6 anos: 20 a 30 irpm.

    • 6 a 18 anos: 15 a 25 irpm.

  • Quando considerar taquipneia?

    • Até 6 meses: > 60 irpm.

    • 6 a 11 meses: > 50 irpm.

    • 1 a 4 anos: > 40 irpm.

Crescimento e Desenvolvimento

  • Perímetro cefálico:

    • 1 e 3 mês de vida: 2 cm por mês;

    • 4 e 6 mês de vida: 1,0 cm por mês;

    • 7 e 24 mês de vida: 0,5 cm por mês;

  • Crescimento:

    • Primeiro mês: 5 cm;

    • 1 a 3 meses: 3cm/mês;

    • 3 a 6 meses: 2cm/mês;

    • 1º semestre de vida: 15 cm;

    • 6 a 12 meses: 1-1,5cm/mês;

    • 2º semestre de vida: 10 cm;

    • 1 a 2 anos:  1cm/mês;

    • 1º ano de vida: 25 cm /ano;

    • 2º ano de vida: 10-12cm/ano; 

    • 2 a 4 anos:  0,75cm/mês;

    • 3 a 4 anos de vida: 7 cm/ano; 

    • até o início da puberdade: 5-6 cm/ano.

  • Peso:

    • primeira semana de vida:

      • Ocorre perda de peso esperada de até 10% do valor do peso ao nascer, recupera peso entre 10 a 14 dias de vida.

    • primeiro trimestre, 800g/mês; 30 g/dia;

    • segundo trimestre: 600g/mês; 20g/dia;

    • terceiro trimestre 500g/mês; 15g/dia;

    • quarto trimestre: 300g/mês; 10g/dia;

    • 4º ao 5º mês de vida: dobra peso do nascimento;

    • 12 meses: triplica peso de nascimento.

Marcos do Desenvolvimento

0-2 meses:

  • guia o olhar pela voz

  • expressa alguns sons

  • segue um objeto com olhar até 180°

  • se colocada de bruços, consegue elevar o pescoço 

  • tônus flexor

  • preensão reflexa 

  • presença de reflexos primitivos. 

2-4 meses:

  • sorriso social 

  • eleva e sustenta a cabeça quando está de bruços

  • leva a mão à linha média, conseguindo elevar até a boca

6- 9 meses:

  • senta sem apoio

  • rola quando de bruços

  • transfere objeto de uma mão para a outra, sem utilizar o movimento de pinça 

  • arrasta-se, iniciando os movimentos de engatinhar

  • consegue juntar sílabas, como “lalalá” ou “bababá”

  • reações a pessoas estranhas

9-12 meses:

  • movimento de pinça para agarrar objetos menores

  • engatinha ou anda com apoio

  • fica em pé sem apoio, sem necessariamente dar passos (em torno de 10 meses)

  • expressa palavras com maior complexidade, como “papa” ou “mama”.

12-18 meses:

  • anda sem apoio (limite: 18 meses)

  • entregar objetos a outras pessoas 

  • dá risada com brincadeiras mais complexas, como se esconder atrás de um pano na frente da criança e pedir para ela procurar

  • chora quando os pais saem do ambiente em que ela está

  •  acuidade visual de um adulto

  • comer sozinha com colher (18 meses)

  • pronuncia mais de 10 palavras, aponta partes do próprio corpo e objetos (18 meses)

2 anos:

  • responde o próprio nome quando questionado

  • começa a formar frases, repete palavras

  • começa a nomear cores e formas, empilha blocos, brinca de faz de conta

  • começa a correr, fica na ponta dos pés, arremessa bolas

  • brinca ao lado de outra criança, mostra mais independência 

  • inicia o desfralde (comunica a necessidade de ir no banheiro)

3 anos:

  • brinca com outras crianças e demonstra preocupação com amigos que choram

  • se comunica com frases maiores, fala seu nome e idade

  • empilha blocos, brinca de faz de conta e usa a imaginação, abre portas

  • sobe e desce escadas, corre com facilidade

  • geralmente completa o desfralde diurno (não possui data limite)

4 anos:

  • fala sobre gostos e interesses, aguça a imaginação nas brincadeiras

  • fala grandes sentenças de palavras, conta histórias

  • sabe o nome das cores e números, entende conceitos como igual e diferente, reconta histórias

  • pula de um pé só, agarra a bola, usa tesouras

  • geralmente completa o desfralde noturno (não possui data limite)

5 anos:

  • quer ser como os amigos, sabe diferenciar realidade de imaginação

  • fala com clareza grandes sentenças, usa o tempo futuro, fala seu nome e endereço

  • conta até 10 ou mais, reproduz algumas letras e números

  • pula de um pé só por mais tempo, nada e escala pequenas alturas

Reflexos Primitivos

  • Reflexo de marcha reflexa (vídeo): desaparece até 2 mês.

    • É desencadeado por inclinação do tronco do RN após obtenção do apoio plantar. Observa-se cruzamento das pernas, uma à frente da outra.

  • Reflexo tônico cervical ou do esgrimista: desaparece aos 3 meses.

    • É desencadeado por rotação da cabeça enquanto a outra mão do examinador estabiliza o tronco do RN. Observa-se extensão do membro superior ipsilateral à rotação e flexão do membro superior contralateral. A resposta dos membros inferiores obedece ao mesmo padrão, mas é mais sutil.

  • Reflexo de Galant (vídeo): desaparece aos 2-3 meses.

    • É desencadeado por estímulo tátil na região dorso lateral. Observa-se encurvamento do tronco ipsilateral ao estímulo.

  • Reflexo da sucção reflexa: desaparece aos 3 meses.

    • É desencadeado pela estimulação dos lábios. Observa-se sucção vigorosa. Sua ausência é sinal de disfunção neurológica grave.

  • Reflexo da procura ou voracidade: desaparece aos 4 meses.

    • É desencadeado por estimulação da face ao redor da boca. Observa-se rotação da cabeça na tentativa de “buscar” o objeto, seguido de sucção reflexa do mesmo.

  • Preensão palmar (vídeo): desaparece entre 4 - 6 meses.

    • É desencadeado pela pressão da palma da mão. Observa-se flexão dos dedos.

  • Reflexo de moro (vídeo): desaparece aos 5 meses.

    • É desencadeado por queda súbita da cabeça, amparada pela mão do examinador. Observa-se extensão e abdução dos membros superiores seguida por choro.

  • Preensão plantar (vídeo): desaparece com 9-15 meses.

    • É desencadeado pela pressão da base dos artelhos. Observa-se flexão dos dedos.

  • Reflexo cutâneo plantar (vídeo): apresenta extensão até cerca de 18 meses.

    • É em extensão no primeiro semestre de vida. No segundo semestre pode ser em flexão, indiferente ou em extensão. A partir da aquisição da marcha independente, deve ser sempre em flexão.

Gráficos de Crescimento

Clique aqui para acessar todos os gráficos de crescimento disponíveis no site da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Altura para idade:

Perímetro cefálico:

Peso para idade:

IMC:

Referências

[1] Ministério da Saúde. Linha de cuidado saúde: puericultura. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/puericultura/unidade-de-atencao-primaria/recem-nascido/#pills-exame-clinico 

[2] Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento.pdf 

[3] Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto. Protocolo de Atenção Integral à Saúde da Criança. Secretaria Municipal de Saúde, Departamento de Planejamento em Saúde, 2023 p.145. Disponível em: https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/portal/pdf/saude1320202302.pdf

[4] Fleming S, Thompson M, Stevens R, et al. Faixas normais de frequência cardíaca e respiratória em crianças do nascimento aos 18 anos: uma revisão sistemática de estudos observacionais. Lancet 2011; 377:1011.

[5] Cartilha de Desenvolvimento 2 meses a 5 anos. Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em:
https://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2024/02/Cartilha-de-Desenvolvimento-%E2%80%93-2-meses-a-5-anos.pdf

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.