Osteoporose

CID 10: M81 (Osteoporose sem fratura patológica)

CID 10: M80 (Osteoporose com fratura patológica)

Definição e Classificação

  • Definição

    • Osteoporose é uma doença esquelética caracterizada por redução da massa óssea e deterioração da microarquitetura óssea, levando a aumento do risco de fraturas por fragilidade.

    • Diagnóstico pode ser feito por:

      • Densitometria óssea (DXA)

      • Fratura por fragilidade, independentemente do T-score.

  • Classificação densitométrica (OMS)

    • Classificação baseada no T-score da densitometria:

      • Normal: ≥ -1,0

      • Osteopenia: entre -1,0 e -2,5

      • Osteoporose: ≤ -2,5

      • Osteoporose grave: ≤ -2,5 + fratura por fragilidade

    • Locais de referência:

      • coluna lombar

      • colo do fêmur

      • fêmur total

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Rastreamento

  • Rastreamento:

    • Indicar densitometria óssea para:

    • > Mulheres

      • ≥ 65 anos

      • < 65 anos com fatores de risco

    • > Homens

      • ≥ 70 anos

      • ≥ 50 anos com fatores de risco

  • Fatores de risco relevantes:

    • fratura prévia por fragilidade

    • uso prolongado de glicocorticoide

    • baixo peso (IMC < 20)

    • menopausa precoce

    • tabagismo

    • alcoolismo

    • artrite reumatoide

    • hipogonadismo

Medidas Não Farmacológicas

  • Devem ser recomendadas para todos os pacientes:

    • exercício físico com carga e resistência

    • cessação do tabagismo

    • redução do consumo de álcool

    • prevenção de quedas

    • ingestão adequada de cálcio e vitamina D

Suplementação

  • Esquema:

    • Carbonato de cálcio + Colecalciferol OU Citrato de cálcio + Colecalciferol

Quando Indicar Bisfosfonato?

  • A terapia com bisfosfonato normalmente é indicada para mulheres na pós-menopausa com:

    • Histórico de fratura por fragilidade

    • T-score ≤-2,5

    • Alto risco de fraturas com T-score entre -1,0 e -2,5.

  • Os bisfosfonatos orais não devem ser usados em pacientes com:

    • Distúrbios esofágicos

    • Incapacidade de seguir as recomendações (por exemplo, manter posição vertical por pelo menos 30 a 60 minutos)

    • Doença renal crônica (TFG <= 30 ml/min)

    • Certos tipos de cirurgia bariátrica (por exemplo, Y de Roux).

  • Cuidados adicionais:

    • Deve-se corrigir a hipocalcemia e deficiência de vitamina D antes de iniciar o bisfosfonato, além de garantir ingestão adequada de cálcio e vitamina D durante a terapia.

Bisfosfonato

  • Esquema:

    • Alendronato OU Risendronato.

  • Alendronato comp. 10mg ou 70 mg

    • Tomar 1 cp (de 70 mg) uma vez por semana, pela manhã em jejum com copo cheio d'água.

    • Esperar pelo menos 40 min para ingerir alimentos ou outros remédios.

    • Não deitar por pelo menos 40 min após ingerir o comprimido, e não tomar a noite.

  • Risendronato comp. 35mg

    • Tomar 1 cp (35 mg) uma vez por semana, pela manhã em jejum com copo cheio d'água.

    • Esperar pelo menos 40 min para ingerir alimentos ou outros remédios.

    • Não deitar por pelo menos 40 min após ingerir o comprimido, e não tomar a noite.

  • Tempo de tratamento:

    • O tratamento pode ser mantido por, no máximo, 5 a 10 anos.

    • O uso de longo prazo de bisfosfonatos aumenta o risco de complicações, como osteonecrose da mandíbula e as fraturas atípicas de fêmur, principalmente se usados para além de 5 anos.

    • Por outro lado, pacientes de alto risco para fraturas decorrentes da osteoporose, a terapia por 6 a 10 anos oferece mais benefícios do que riscos.

Cuidados com Bisfosfonatos

  • Recomenda-se manter sempre anotado em prontuário a data de início do tratamento com bisfosfonato para seguimento e suspensão da terapia quando indicado.

  • Após o período de 5 a 10 anos de tratamento com bisfosfonato oral, considerar encaminhamento para reumatologia para avaliação de outras terapias disponíveis.

  • Orientar sobre os riscos de osteonecrose de mandíbula após procedimento odontológico invasivo em paciente em uso de bisfosfonato.

    • Os pacientes devem ser instruídos a evitar qualquer procedimento odontológico invasivo e a preferir a terapia odontológica conservadora, se possível.

    • Caso se verifique a necessidade de procedimento odontológico invasivo, antes do início da terapia com bisfosfonato, deve-se avaliar risco-benefício e, se possível, adiar o início do bisfosfonato.

    • A suspensão por curtos períodos de tempo do medicamento, durante o procedimento odontológico, não reduz o risco da osteonecrose, exceto se suspensão por mais de 2 anos.

Outros Fármacos Disponíveis

  • As alternativas terapêuticas descritas abaixo devem ser iniciadas e monitoradas por médico especialista (reumatologista).

  • Anticorpo monoclonal que bloqueia o RANK-L

    • Indicação:

      • intolerância a bisfosfonatos

      • contraindicação aos bisfosfonatos

      • insuficiência renal.

    • Considerações:

      • A suspensão deve ser seguida de bisfosfonato para evitar perda rápida de massa óssea.

    • Denosumabe sol. inj. 60mg

      • Aplicar 1 amp SC a cada 6 meses.

  • Análogo do PTH com ação anabólica

    • Indicação:

      • Pacientes com muito alto risco de fratura.

    • Teriparatida sol. inj. 20mcg

      • Aplicar 20 mcg SC uma vez ao dia.

      • Duração máxima: 24 meses.

  • Anticorpo monoclonal que inibe a esclerostina

    • Considerações:

      • Contraindicado em pacientes com IAM ou AVC recente.

    • Romosozumabe sol. inj. 210mg

      • Aplicar 210 mg SC uma vez por mês.

      • Duração do tratamento: 12 meses.

Referências

[1] BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 10 mar. 2026.

[2] COSMAN, Felicia et al. Clinician’s guide to prevention and treatment of osteoporosis. Osteoporosis International, v. 33, n. 10, p. 2049–2102, 2022. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00198-022-06472-3. Acesso em: 10 mar. 2026.

[3] EASTELL, Richard et al. Pharmacological management of osteoporosis in postmenopausal women: an Endocrine Society clinical practice guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 105, n. 3, p. 587–594, 2020. Disponível em: https://academic.oup.com/jcem/article/105/3/587/5701656. Acesso em: 10 mar. 2026.

[4] GUSSO, G.; LOPES, J. M. C.; DIAS, L. C. (Orgs.) Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

[5] KANIS, John A. et al. European guidance for the diagnosis and management of osteoporosis in postmenopausal women. Osteoporosis International, v. 30, n. 1, p. 3–44, 2019. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00198-018-4704-5. Acesso em: 10 mar. 2026.

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