Pterígio e Pinguécula

CID-10: H11.0 - Pterígio

CID-10: H11.1 - Degenerações e depósitos da conjuntiva

Introdução

  • Pterígio é a proliferação fibrovascular da conjuntiva bulbar, em forma de asa, que cruza o limbo e avança sobre a córnea, quase sempre a partir do lado nasal [1].

  • Pinguécula é a degeneração benigna da conjuntiva bulbar, elevada, branco-amarelada, junto ao limbo, que não invade a córnea [2].

  • Ambas se associam à exposição cumulativa à radiação ultravioleta, ao vento, à poeira e ao trabalho ao ar livre, e aumentam com a idade [1][2].

🔑 Pontos-chave:

  • Lesão de crescimento rápido, leucoplásica (placa branca), nodular, papilomatosa, pigmentada irregular, com vaso nutridor proeminente ou recidivada com aspecto atípico: suspeitar de neoplasia da superfície ocular e encaminhar ao oftalmologista [1]

  • Idade avançada e localização ou aparência atípicas aumentam a suspeita de neoplasia que simula pterígio ou pinguécula [1][2]

  • Pterígio sintomático ou com risco de atingir a área pupilar: encaminhar ao oftalmologista; pterígio que atingiu o eixo visual tem prioridade muito alta [3]

  • Tratamento clínico alivia sintomas, mas não remove o tecido; a cirurgia é a opção definitiva para o pterígio com indicação [1]

  • Corticoide tópico apenas sob supervisão do oftalmologista, pelo risco de afinamento escleral, glaucoma, catarata e infecção [1]

  • Proteção contra radiação ultravioleta é a principal medida de prevenção e pode reduzir a recidiva após a cirurgia [1]

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🎯 Fluxograma de manejo

O fluxograma organiza a avaliação da lesão elevada na conjuntiva bulbar, junto ao limbo. Pergunta-se se há qualquer um: crescimento rápido; leucoplasia; vaso nutridor proeminente; pigmentação irregular; aspecto nodular, gelatinoso ou papilomatoso; recidiva atípica; ulceração ou fixação aos planos profundos. Idade avançada e localização ou aparência atípicas aumentam a suspeita. Se sim, suspeita de neoplasia: encaminhar ao oftalmologista para biópsia (conferir em Sinais de alarme e encaminhamento). Se não, pergunta-se se a lesão cruza o limbo e invade a córnea. Se cruza, é pterígio, e pergunta-se se há qualquer um: sintomático; risco de atingir a área pupilar ou crescimento; baixa visual; inflamação persistente; restrição ocular; queixa estética importante. Se não cruza, é pinguécula, e pergunta-se se está inflamada (pingueculite): se sim, compressa fria e lágrima artificial por via oftálmica. Com ou sem pingueculite, pergunta-se se há qualquer um: irritação persistente; pingueculite recorrente; interferência com lente de contato; queixa estética. No pterígio e na pinguécula, se sim, encaminhar ao oftalmologista, com prioridade muito alta se o pterígio atingiu o eixo visual (conferir em Sinais de alarme e encaminhamento); se não, proteção UV com óculos de sol e chapéu, evitar poeira e vento, lágrima artificial por via oftálmica se houver sintomas e acompanhamento (conferir em Conduta). Abreviações: UV, ultravioleta. Fonte: referências [1], [2] e [3] do artigo.

Sinais de alarme e encaminhamento

  • Suspeita de neoplasia [1]:

    • Suspeitar se qualquer um:

      • Crescimento rápido

      • Leucoplasia (placa branca)

      • Vaso nutridor proeminente

      • Pigmentação irregular

      • Aspecto nodular, gelatinoso ou papilomatoso

      • Lesão recidivada com aspecto atípico

      • Ulceração ou fixação aos planos profundos

    • Contexto que aumenta a suspeita: idoso; lesão em localização ou com aparência atípicas [1][2]

    • Conduta: encaminhar ao oftalmologista, para avaliação e biópsia [1]

  • Pterígio [1][3]:

    • Encaminhar ao oftalmologista se qualquer um:

      • Sintomático

      • Risco de atingir a área pupilar ou crescimento documentado

      • Baixa visual ou astigmatismo induzido

      • Sintomas ou inflamação persistentes apesar do tratamento clínico

      • Restrição da movimentação ocular

      • Interferência com o uso de lente de contato

      • Queixa estética importante

      • Recidiva após cirurgia

    • Prioridade [3]:

      • Muito alta: pterígio que atingiu o eixo visual

      • Baixa: pterígio sem risco de comprometer o eixo visual

  • Pinguécula [2]:

    • Encaminhar ao oftalmologista se qualquer um:

      • Irritação crônica persistente apesar do tratamento clínico

      • Pingueculite recorrente

      • Interferência com o uso de lente de contato

      • Queixa estética

Diagnóstico

  • Clínico, pelo aspecto da lesão; exames laboratoriais não são necessários [1][2]

Achado

Pterígio

Pinguécula

Lesão suspeita de neoplasia

Aspecto

Tecido fibrovascular triangular, em asa

Massa elevada, arredondada, branco-amarelada

Gelatinosa, leucoplásica, papilomatosa ou nodular

Localização

Fenda palpebral, geralmente nasal

Fenda palpebral, às 3 ou 9 horas, geralmente nasal

Geralmente na fenda palpebral

Relação com a córnea

Cruza o limbo e invade a córnea

Não cruza o limbo

Aproxima-se progressivamente do limbo

Vasos

Vascularização variável

Geralmente pouco vascularizada

Vaso nutridor proeminente

Evolução

Estável ou progressiva

Estável ou crescimento lento

Crescimento rápido

Fonte: [1][2]

  • Pterígio: tipos [1]:

    • Atrófico: fino, pouco vascularizado, estável

    • Carnoso: espesso, vascularizado, com maior tendência à progressão e à recidiva após cirurgia

  • Sintomas [1][2]:

    • Muitas lesões são assintomáticas; a queixa pode ser só estética

    • Hiperemia, irritação, ardor, sensação de corpo estranho, lacrimejamento e ressecamento

    • Pterígio avançado: baixa visual por astigmatismo ou por cobrir a área pupilar; ofuscamento e diplopia monocular

    • Pinguécula não afeta a acuidade visual

  • Pingueculite: pinguécula inflamada, com hiperemia local, ardor, prurido e sensação de corpo estranho [2]

  • Diferenciais [1][2]:

    • Pseudopterígio: aderência da conjuntiva à córnea após trauma, queimadura química ou inflamação; pode ocorrer em qualquer posição

    • Esclerite nodular: nódulo com dor intensa

    • Flictênula: nódulo elevado em qualquer ponto da conjuntiva, que cora com fluoresceína

    • Corpo estranho conjuntival: sensação de corpo estranho e lacrimejamento

    • Nevo, melanose adquirida e melanoma da conjuntiva: lesões pigmentadas; o melanoma é elevado e tem vaso nutridor

    • Neoplasia da superfície ocular: conferir em "Sinais de alarme e encaminhamento"

Conduta

  • Para todos [1][2]:

    • Óculos de sol com proteção UV e chapéu de aba larga ao ar livre

    • Evitar exposição prolongada ao sol nos horários de pico, poeira, vento e fumaça

    • Óculos de proteção no trabalho em ambiente empoeirado, com vento ou muito sol

    • Suspender o tabagismo

    • Tratar olho seco e blefarite associados

  • Sintomas leves de ressecamento ou corpo estranho: lágrima artificial (conferir em "Lágrima artificial") [1][2]

  • Pingueculite [2]:

    • Compressa fria

    • Lágrima artificial

    • Inflamação mais intensa: corticoide tópico de curta duração, indicado e acompanhado pelo oftalmologista

  • Pterígio pequeno e assintomático: acompanhamento periódico, sem cirurgia; procurar avaliação se crescer, ficar persistentemente vermelho, piorar a irritação ou reduzir a visão [1]

  • Corticoide e mitomicina C tópicos: apenas sob supervisão do oftalmologista; uso sem supervisão pode causar afinamento da esclera ou da córnea, glaucoma, catarata, infecção e perda visual [1]

  • Após cirurgia de pterígio: recidiva é mais comum no primeiro ano; manter proteção UV por toda a vida [1]

Lágrima artificial

  • Indicação: ressecamento, irritação ou sensação de corpo estranho [1][2]

  • Esquemas [1][4][5]:

    • Carmelose Sódica (colírio) (Fresh Tears®) sol. oft. 0,5% (frasco 5, 10 ou 15 mL)

      • 1 a 2 gotas no olho afetado, quantas vezes forem necessárias

      • Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies; manter fechado após o uso

    • Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®) sol. oft. 0,1% + 0,3% (frasco 15 mL)

      • 1 a 2 gotas no olho afetado, quantas vezes forem necessárias

      • Administração: via oftálmica, no saco conjuntival; não encostar a ponta do frasco nos olhos

    • Considerações:

      • Uso frequente e prolongado: o conservante pode irritar a superfície ocular; preferir lubrificante sem conservante [1]

      • Carmelose (Fresh Tears®): uso adulto; Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®): uso adulto e pediátrico [4][5]

💊 Como prescrever?

Lágrima artificial [1][4]:

  • Carmelose Sódica (colírio) (Fresh Tears®) sol. oft. 0,5% (frasco 5, 10 ou 15 mL)

    • 1 a 2 gotas no olho afetado, quantas vezes forem necessárias

    • Administração: via oftálmica; não encostar a ponta do frasco nos olhos, nos dedos ou em outras superfícies; manter fechado após o uso

  • Dextrana 70 + hipromelose (Lacrima Plus®) sol. oft. 0,1% + 0,3% (frasco 15 mL)

    • 1 a 2 gotas no olho afetado, quantas vezes forem necessárias

    • Administração: via oftálmica, no saco conjuntival; não encostar a ponta do frasco nos olhos

Referências

[1] GURNANI, Bharat; TRIPATHY, Koushik. Pterygium. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026. Atualizado em 14 set. 2026. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK558907/. Acesso em: 22 out. 2026.

[2] SOMNATH, Anjana; TRIPATHY, Koushik. Pinguecula. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023. Atualizado em 25 ago. 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK558965/. Acesso em: 22 out. 2026.

[3] ESPÍRITO SANTO. Secretaria de Estado da Saúde. Protocolo de Oftalmologia: Autorregulação Formativa Territorial. Vitória, 2021. Disponível em: https://saude.es.gov.br/Media/sesa/Publicações%20em%20PDF/ARFT%20Oftalmologia%20site.pdf.

[4] ALLERGAN PRODUTOS FARMACÊUTICOS. Fresh Tears® (carmelose sódica): solução oftálmica 5 mg/mL. Bula para o profissional de saúde.

[5] NOVARTIS BIOCIÊNCIAS. Lacrima® Plus (dextrana 70 + hipromelose): solução oftálmica 1,0 mg/mL + 3,0 mg/mL. Bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 01/09/2021.

[6] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª revisão (CID-10). Capítulo VII: Doenças do olho e anexos (H00-H59). Versão em português, DATASUS.

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