Agitação Psicomotora no Adulto
CID-10: R45.1 - Agitação e inquietação
Introdução
Emergência psiquiátrica é a alteração de comportamento que coloca o paciente ou outras pessoas em risco e exige intervenção em minutos ou poucas horas [1]. A agitação psicomotora, com ou sem agressividade, responde por 23,6% a 23,9% das emergências psiquiátricas no Brasil [1]. Agitação grave frequentemente representa uma condição clínica crítica, com alta morbimortalidade [3].
O objetivo da tranquilização rápida é acalmar o paciente sem sedação excessiva [1], o que permite a participação do paciente no próprio cuidado e facilita o diagnóstico da causa [2].
🔑 Pontos-chave:
Agitação de causa não esclarecida: presumir causa clínica até prova em contrário [1].
Delirium pode ser confundido com quadro psicótico [1]; no idoso, presumir delirium até prova em contrário [2].
Intoxicação por álcool, benzodiazepínico ou opioide: evitar benzodiazepínico e preferir haloperidol; na abstinência alcoólica, o benzodiazepínico é o preferido [2].
Com fator de risco cardíaco, evitar antipsicótico e via parenteral; sem informação ou com fator de risco, considerar ECG na via parenteral [2].
Droperidol: ECG de 12 derivações antes da aplicação e por 2 a 3 horas depois; contraindicado com QT longo conhecido ou suspeito [10].
Via IV não recomendada; exceção: diazepam IV na abstinência alcoólica ou na intoxicação grave por cocaína [2].
Clorpromazina parenteral, inclusive IM, deve ser evitada [2].
Benzodiazepínico oral só associado a antipsicótico, salvo contraindicação ao antipsicótico [2].
Não usar via oral e IM ao mesmo tempo [2].
Contenção física é o último recurso, sempre com tranquilização rápida, por até 2 horas a princípio, com sinais vitais a cada 15 minutos na primeira hora [1].
🎯 Fluxograma de manejo
![O fluxograma organiza a abordagem inicial do adulto com agitação psicomotora. Começa pelo paciente agitado: garantir a segurança da equipe e do paciente e aferir sinais vitais com exame físico mínimo (conferir em Segurança e ambiente). Pergunta-se se há algum sinal de doença física grave (conferir em Avaliação inicial); na agitação de causa não esclarecida, presumir causa clínica até prova em contrário. Se sim, investigar e tratar a causa clínica, com exames conforme a hipótese, e seguir para a abordagem verbal; se não, seguir direto para a abordagem verbal (conferir em Abordagem verbal). Depois, pergunta-se se o paciente acalmou. Se sim, reavaliar o risco e definir o destino (conferir em Reavaliação e destino). Se não, pergunta-se se há intoxicação, abstinência alcoólica, delirium, idoso ou gestante: se sim, seguir para o fluxograma de situações especiais; se não, pergunta-se se o paciente é colaborativo, consegue deglutir e pode aguardar o efeito. Se sim, tranquilização rápida por via oral, com antipsicótico ou antipsicótico associado a benzodiazepínico (conferir em Tranquilização rápida por via oral). Se não, tranquilização rápida por via intramuscular: haloperidol isolado, com prometazina ou com midazolam; droperidol isolado ou com midazolam; ou midazolam isolado (conferir em Tranquilização rápida por via intramuscular). Nos dois ramos, monitorizar sinais vitais e nível de consciência (conferir em Monitorização após a tranquilização rápida) e perguntar se a agitação está controlada. Se sim, reavaliar o risco e definir o destino. Se não, repetir o mesmo fármaco até a dose máxima e, depois, trocar de fármaco; com agressividade ou violência sem resposta às demais medidas, contenção física, sempre com tranquilização rápida (conferir em Contenção física). Um ícone de alerta marca, após o nome, haloperidol e droperidol; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: IM, intramuscular; VO, via oral. Fonte: referências [1], [2], [3] e [4] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1792436693678_77dfd5d7.png)
![O fluxograma organiza a tranquilização rápida nas situações especiais. A partir da situação especial, pergunta-se qual é a situação, com cinco ramos. Na intoxicação por álcool, benzodiazepínico ou opioide (conferir protocolo Intoxicação e abstinência alcoólica): haloperidol por via oral (5 a 15 mg) ou intramuscular (2,5 a 10 mg) e evitar benzodiazepínico (conferir em Situações especiais). Na intoxicação por cocaína ou abstinência alcoólica (conferir protocolo Intoxicação e abstinência alcoólica): benzodiazepínico por via oral ou midazolam intramuscular; diazepam intravenoso (10 mg), só na abstinência alcoólica ou na intoxicação grave por cocaína; na agitação grave, associar risperidona por via oral ou haloperidol intramuscular (conferir em Situações especiais). No delirium: tratar a causa; risperidona em solução oral ou haloperidol intramuscular, em dose baixa; evitar benzodiazepínico, exceto na abstinência alcoólica (conferir protocolo Delirium no idoso). No idoso: presumir delirium até prova em contrário; antipsicótico em dose baixa, risperidona por via oral ou haloperidol intramuscular; evitar benzodiazepínico (conferir em Situações especiais). Na gestante: priorizar a abordagem verbal; haloperidol por via oral ou intramuscular, isolado, na menor dose eficaz (conferir em Situações especiais). Todos os ramos convergem para repetir até a dose máxima e, se falhar, trocar de fármaco, e monitorizar após a tranquilização rápida. Um ícone de alerta marca, após o nome, haloperidol e diazepam intravenoso; um quadro na parte inferior do fluxograma explica o ícone: antes de prescrever, confira cuidados e contraindicações referentes a esse medicamento. Abreviações: IM, intramuscular; IV, intravenoso; VO, via oral. Fonte: referência [2] do artigo.](https://assets.gpmed.app/treatments/1792436693857_64192177.png)
Segurança e ambiente
Equipe [1]:
Nunca se colocar em risco, como em sala fechada sem saída fácil
Não entrevistar o paciente agitado sozinho
Equipe treinada, com protocolo que defina o papel de cada profissional
Vestimenta neutra, crachá; evitar brincos pendentes, colares e cabelo longo solto
Sala [1]:
Saída livre atrás de quem atende
Remover ou fixar objetos que possam ser usados como arma
Ambiente silencioso e individual, com pouco estímulo; reduzir ao máximo a espera
Disponível no local [1]:
Equipamento de emergência: oxigênio, reanimador manual, material de intubação, aspirador, carrinho de emergência com desfibrilador
Glicemia capilar, oximetria e ECG
Material de contenção: faixas de punho, tornozelo e tórax
Avaliação inicial
Triagem e risco [1]:
Só aguarda na sala de espera quem se acalma ou responde a orientações verbais
Os demais: atendimento imediato
Paciente violento: muitas vezes precisa ser tranquilizado antes de completar a avaliação
Risco de evolução para agressão:
História: violência prévia, sexo masculino, idade mais jovem, internação involuntária, trazido por polícia ou ambulância
Sinais de alerta no comportamento: tensão, expressão de raiva, irritabilidade, hostilidade, impulsividade, inquietação, aumento do volume da voz, contato visual prolongado, recusa em se comunicar
Anamnese: quatro perguntas iniciais [1]:
O que está acontecendo? Quais mudanças de comportamento colocam o paciente ou outros em risco
Há quanto tempo? Mudança aguda sugere causa orgânica, mesmo com história longa de agitação
Por que hoje?
Quais as hipóteses diagnósticas? Preferir diagnóstico sindrômico (psicótico, do humor, orgânico)
Exame físico mínimo, mesmo simplificado, repetido periodicamente [1]:
Sinais vitais: temperatura, frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, saturação de oxigênio
Sistemas cardiovascular, respiratório, gastrointestinal e neurológico
Neurológico mínimo: movimento dos membros, assimetria facial, tremor, orientação, nível de consciência (estável ou flutuante), pupilas, sinais de trauma craniano
Sinais que sugerem doença física grave subjacente, qualquer um [1]:
Sintomas agudos a partir dos 45 anos
Sinais vitais alterados
Sinais neurológicos focais
Evidência de trauma craniano
Intoxicação ou abstinência de substância
Doença física prévia
Rebaixamento da consciência
Perda de memória
Alucinações visuais
Tentativa de suicídio
Sudorese, tremor, palidez
Cefaleia intensa
Rigidez muscular ou fraqueza extrema
Intolerância ao calor
Perda de peso involuntária
Dificuldade respiratória
Convulsões
Psicose de início recente
Causas de agitação [1]:
Condição médica geral: trauma craniano; encefalite, meningite ou outra infecção; encefalopatia (sobretudo hepática ou renal); toxinas ambientais; distúrbio metabólico (hiponatremia, hipocalcemia, hipoglicemia); hipóxia; doença tireoidiana; estado pós-ictal; nível tóxico de medicamento (psiquiátrico ou anticonvulsivante)
Intoxicação ou abstinência: álcool, outras drogas
Transtorno psiquiátrico: psicótico; mania ou estado misto; depressão agitada; ansiedade; transtorno de personalidade; agitação reativa ou situacional; transtorno do espectro autista
Agitação indiferenciada: presumir causa clínica até prova em contrário
Armadilha diagnóstica: delirium pode ser confundido com quadro psicótico; alteração de atenção pode ser sutil
Exames [1]:
Não há exames de rotina: pedir conforme a hipótese clínica
Opções conforme o caso: glicemia, eletrólitos, função renal e hepática, hemograma, CPK, ECG, exames toxicológicos, dosagem sérica de medicamentos (carbamazepina, valproato, lítio), função tireoidiana, teste de gravidez, líquor, neuroimagem, radiografia de tórax
Neuroimagem: suspeita de doença neurológica ou primeiro episódio psicótico
Gestante, pessoa em situação de rua, adolescente, criança e idoso: cuidado redobrado para excluir causa orgânica
Abordagem verbal
Primeira intervenção no paciente agitado, antes de medicação ou contenção [1]
Um profissional conduz a conversa e negocia a solução sem confronto [4]
Postura [1]:
Manter distância e respeitar o espaço pessoal
Evitar contato visual prolongado ou intenso
Evitar braços cruzados e mãos escondidas
Nunca dar as costas ao paciente agitado
Movimentos lentos
Comunicação [1]:
Apresentar-se com nome e função; estabelecer contato verbal
Frases curtas e palavras simples; falar devagar e com firmeza, sem tom hostil ou autoritário
Ouvir com atenção; identificar desejos e sentimentos
Não provocar nem confrontar; estimular o paciente a expressar em palavras o que sente
Concordar, ou concordar em discordar
Deixar claros, desde o início, os limites e as regras do serviço, sem ameaça nem humilhação
Oferecer escolhas e otimismo
Sem resposta e com piora da agitação: tranquilização rápida e, se necessário, contenção física [1]. Conferir em Esquema de tratamento e Contenção física
Esquema de tratamento
Princípios [2]:
Medicação só depois da falha das medidas não farmacológicas
Escolha do fármaco guiada pela causa da agitação, pelos efeitos colaterais e pelas contraindicações
Monitorizar todos os pacientes antes e depois da medicação
Primeiro, a causa [2]:
Intoxicação por depressor do SNC, intoxicação por estimulante, abstinência alcoólica, delirium, idoso ou gestante: conferir em Situações especiais
Transtorno psiquiátrico: escolher a via e o esquema abaixo
Escolha da via [2]:
Via oral: paciente colaborativo, capaz de deglutir e que pode aguardar o início do efeito; preferir solução oral. Conferir em Tranquilização rápida por via oral
Via IM: quando a via oral não é possível; mais indicada na agitação grave e violenta. Conferir em Tranquilização rápida por via intramuscular
Via IV: evitar. Conferir em Via intravenosa
Não usar duas vias ao mesmo tempo (VO e IM, por exemplo)
Escolha do esquema VO [2]:
Escolha entre antipsicótico de primeira e de segunda geração pela avaliação e experiência do médico (grau D)
Benzodiazepínico oral: só associado a antipsicótico (grau B), salvo contraindicação ao antipsicótico (grau D)
Escolha do esquema IM, por fonte:
ABP, protocolo nacional [2]:
Haloperidol isolado, haloperidol + prometazina, haloperidol + midazolam ou midazolam isolado: grau A
Droperidol isolado ou com midazolam: grau B
Agitação grave, sobretudo com comportamento violento: considerar associação
ACEP, agitação grave no pronto-socorro [3]:
Efeito mais rápido: droperidol + midazolam (nível B)
Agente único: droperidol, e não midazolam isolado (nível B)
Haloperidol isolado também é eficaz (nível B)
NICE [4]:
Haloperidol + prometazina IM
Evitar haloperidol + prometazina com doença cardiovascular, incluindo QT longo, ou sem ECG prévio
Medicamento | Via | Dose | Repetir após | Máximo em 24 h |
|---|---|---|---|---|
Risperidona | VO | 2 a 3 mg | 1 h | 8 mg |
Olanzapina | VO | 10 mg | 4 h | 30 mg |
Haloperidol | VO | 5 a 15 mg | 8 h | 15 mg |
Risperidona + lorazepam | VO | 2 mg + 2 mg | 1 h | Risperidona 6 mg; lorazepam 4 mg |
Risperidona + clonazepam | VO | 2 mg + 2 mg | 1 h | Risperidona 6 mg; clonazepam 6 mg |
Diazepam | VO | 10 mg | 1 h | 60 mg |
Clonazepam | VO | 2 mg | 1 h | 8 mg |
Lorazepam | VO | 2 a 4 mg | 2 h | 4 mg |
Haloperidol | IM | 2,5 a 10 mg | 30 min | 30 mg |
Haloperidol + prometazina | IM | 2,5 a 10 mg + 25 a 50 mg | 30 min | Haloperidol 30 mg; prometazina 100 mg |
Haloperidol + midazolam | IM | 2,5 mg + 7,5 a 15 mg | 30 min | Haloperidol 30 mg; midazolam não declarado |
Midazolam | IM | Até 15 mg | 30 min | Não declarado |
Droperidol | IM | 2,5 a 10 mg | 30 min | 20 mg |
Droperidol + midazolam | IM | 10 mg + 5 mg | 30 min | Droperidol 20 mg; midazolam 15 mg |
Diazepam, só abstinência alcoólica ou intoxicação grave por cocaína | IV | 10 mg | 30 min | 40 mg |
Fonte: [2] | ||||
Repetição e troca [2]:
Repetir o mesmo fármaco até a dose máxima diária; depois, trocar de fármaco
Paciente mais calmo: considerar a via oral na repetição
Prescrever a dose inicial como dose única; não repetir antes de avaliar o efeito [4]
Risco cardíaco [2]:
Fatores, qualquer um: doença cardíaca prévia; história familiar de morte súbita ou de taquiarritmia ventricular; alteração da repolarização ventricular; distúrbio eletrolítico
Com fator de risco: evitar antipsicóticos e a via parenteral, sobretudo IV
Com fator de risco ou sem informação: considerar monitorização por ECG na via parenteral; usar a menor dose
Com contraindicação ao antipsicótico: benzodiazepínico VO isolado (grau D)
Não usar [2]:
Clorpromazina parenteral, inclusive IM
Haloperidol, droperidol e olanzapina por via IV
Depois da medicação:
Monitorização: conferir em Monitorização após a tranquilização rápida
Falha das demais medidas: conferir em Contenção física
Situações especiais
Doses de referência nos tópicos Tranquilização rápida por via oral, Tranquilização rápida por via intramuscular e Via intravenosa, onde estão apresentação e administração.
Intoxicação por depressor do SNC (álcool, benzodiazepínico, opioide) [2]:
Evitar fármacos que somem risco de depressão respiratória, como benzodiazepínicos
Primeira escolha: haloperidol
VO: 5 a 15 mg; repetir em 8 h; máximo de 15 mg em 24 h
IM: 2,5 a 10 mg; repetir em 30 min; máximo de 30 mg em 24 h
Antipsicóticos de segunda geração (olanzapina, ziprasidona, risperidona): alternativas razoáveis, pouco estudadas na intoxicação alcoólica
Diferenciar intoxicação de abstinência alcoólica: na abstinência, benzodiazepínicos são preferidos
Conferir o protocolo Intoxicação e Abstinência alcoólica
Intoxicação por estimulante (cocaína) ou abstinência alcoólica [2]:
Benzodiazepínico, por via:
VO, na agitação leve a moderada, qualquer um:
Diazepam VO: 10 mg; repetir em 1 h; máximo de 60 mg em 24 h
Clonazepam VO: 2 mg; repetir em 1 h; máximo de 8 mg em 24 h
Lorazepam VO: 2 a 4 mg; repetir em 2 h; máximo de 4 mg em 24 h
IM:
Midazolam IM: até 15 mg; repetir em 30 min
IV, só na abstinência alcoólica ou na intoxicação grave por cocaína:
Diazepam IV: 10 mg; repetir em 30 min; máximo de 40 mg em 24 h
Agitação grave: considerar associar antipsicótico, qualquer um:
Risperidona VO: 2 a 3 mg; repetir em 1 h; máximo de 8 mg em 24 h
Haloperidol IM: 2,5 a 10 mg; repetir em 30 min; máximo de 30 mg em 24 h
Haloperidol: usar com cuidado na abstinência alcoólica, que predispõe a convulsões [7]
Abstinência alcoólica: conferir o protocolo Intoxicação e Abstinência alcoólica
Delirium [2]:
Primeira medida: investigar e tratar a causa (hipoglicemia, distúrbio eletrolítico, hipóxia, por exemplo)
Evitar sedação excessiva sem tratar a causa: a causa orgânica não revertida pode levar à morte
Controle imediato da agitação, quando o delirium não é por abstinência de álcool ou de benzodiazepínico nem por privação de sono:
Antipsicótico de segunda geração: preferido
Haloperidol ou risperidona em dose baixa: aceitáveis; dose não definida na fonte
Opções da ABP: risperidona em solução oral ou haloperidol IM
Evitar benzodiazepínico: pode agravar o delirium
Delirium por abstinência alcoólica: benzodiazepínico
Conferir o protocolo Delirium no Idoso
Idoso [2]:
Presumir delirium até prova em contrário, sobretudo com alteração de atenção, orientação ou nível de consciência
Excluída causa clínica: transtornos afetivos e ansiosos são as causas psiquiátricas mais frequentes
Esgotar as medidas não farmacológicas antes de medicar ou conter
Antipsicótico com cautela: começar com dose baixa e aumentar devagar; vigiar quedas, confusão e sedação excessiva
Evitar benzodiazepínico
Opções: risperidona VO ou solução oral, ou haloperidol IM
Acima de 65 anos: ACEP sem recomendação de fármaco específico [3]
Gestante [2]:
Priorizar intervenção verbal
Se for preciso medicar: a menor dose eficaz
Primeira linha: haloperidol isolado, VO se colaborativa ou IM se a via oral não for possível
Segunda linha: benzodiazepínico isolado ou risperidona isolada; com menos respaldo, benzodiazepínico + antipsicótico de primeira geração
Contenção manual com cuidado redobrado [4]
Tranquilização rápida por via oral
Indicação: paciente colaborativo, capaz de deglutir e que pode aguardar o início do efeito; preferir solução oral [2]
Antipsicótico isolado [2][6][8][15][16]:
Risperidona (Risperdal®) comp. rev. 1 mg, 2 mg e 3 mg
2 a 3 mg VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 8 mg em 24 h
Administração: via oral, com ou sem alimentos
Risperidona (Risperdal®) sol. oral 1 mg/mL (frasco 30 mL)
2 a 3 mg (2 a 3 mL) VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 8 mg em 24 h
Administração: medir com a pipeta dosadora; pode ser misturada a bebida não alcoólica, exceto chá
Olanzapina (Zyprexa®) comp. rev. 2,5 mg e 10 mg
10 mg VO; repetir após 4 h, se necessário
Dose máxima: 30 mg em 24 h
Administração: via oral, com ou sem alimentos; não partir nem mastigar
Haloperidol (Haldol®) comp. 1 mg e 5 mg
5 a 15 mg VO; repetir em 8 h, se necessário
Dose máxima: 15 mg em 24 h
Administração: via oral, com um pouco de água
Haloperidol (Haldol®) sol. oral 2 mg/mL (frasco gotejador 30 mL; 1 gota = 0,1 mg)
5 a 15 mg (50 a 150 gotas) VO; repetir em 8 h, se necessário
Dose máxima: 15 mg em 24 h
Administração: pode ser misturada com água; não misturar com outro líquido
Antipsicótico + benzodiazepínico VO [2][6][13][14][15]:
Risperidona + lorazepam:
Risperidona (Risperdal®) sol. oral 1 mg/mL (frasco 30 mL)
2 mg (2 mL) VO, junto com lorazepam; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 6 mg em 24 h
Administração: medir com a pipeta dosadora; pode ser misturada a bebida não alcoólica, exceto chá
Lorazepam (Lorax®) comp. 1 mg e 2 mg
2 mg VO, junto com risperidona; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 4 mg em 24 h
Administração: via oral; não partir nem mastigar
Risperidona + clonazepam:
Risperidona (Risperdal®) sol. oral 1 mg/mL (frasco 30 mL)
2 mg (2 mL) VO, junto com clonazepam; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 6 mg em 24 h
Administração: medir com a pipeta dosadora; pode ser misturada a bebida não alcoólica, exceto chá
Clonazepam comp. 0,5 mg e 2 mg
2 mg VO, junto com risperidona; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 6 mg em 24 h
Administração: via oral, sem orientações específicas.
Clonazepam sol. oral 2,5 mg/mL (frasco 20 mL; 1 gota = 0,1 mg)
2 mg (20 gotas) VO, junto com risperidona; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 6 mg em 24 h
Administração: dissolver as gotas em pouco líquido não alcoólico; nunca pingar direto na boca
Benzodiazepínico isolado VO [2][6][12][13][14]:
Só com contraindicação ao antipsicótico, ou na agitação leve a moderada por abstinência alcoólica ou intoxicação por cocaína
Diazepam comp. 5 mg e 10 mg
10 mg VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 60 mg em 24 h
Administração: via oral, com ou sem alimentos
Clonazepam comp. 0,5 mg e 2 mg
2 mg VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 8 mg em 24 h
Administração: via oral, sem orientações específicas.
Clonazepam sol. oral 2,5 mg/mL (frasco 20 mL; 1 gota = 0,1 mg)
2 mg (20 gotas) VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 8 mg em 24 h
Administração: dissolver as gotas em pouco líquido não alcoólico; nunca pingar direto na boca
Lorazepam (Lorax®) comp. 1 mg e 2 mg
2 a 4 mg VO; repetir em 2 h, se necessário
Dose máxima: 4 mg em 24 h
Administração: via oral; não partir nem mastigar
Considerações
Antipsicótico + benzodiazepínico: maior risco de sedação excessiva e de depressão respiratória do que o antipsicótico isolado [2]
Benzodiazepínico: evitar no uso de álcool ou opioides, no risco de reação paradoxal e no risco de depressão respiratória [2]
Idoso com demência: antipsicótico atípico aumenta a mortalidade; olanzapina não aprovada na psicose associada à demência [15][16]
Risperidona: cuidado com história de arritmia cardíaca [15]
Olanzapina, bula: faixa de 5 a 20 mg/dia, com aumentos em intervalos não inferiores a 24 horas; o esquema da ABP é uso fora da bula [16]
Haloperidol, contraindicado com qualquer um: estado comatoso; depressão do SNC por álcool ou outros depressores; doença de Parkinson; demência com corpos de Lewy; paralisia supranuclear progressiva [8]
Haloperidol: pode prolongar o intervalo QT, com risco de torsades de pointes [8]
Diazepam e clonazepam, contraindicados com qualquer um: insuficiência respiratória grave; insuficiência hepática grave; glaucoma de ângulo fechado [12][13]
Diazepam: contraindicado também na apneia do sono e na miastenia gravis [12]
Lorazepam: pode causar depressão respiratória potencialmente fatal [14]
Lorazepam VO: dose inicial de 4 mg já atinge o máximo de 24 h; repetir só depois de dose inicial de 2 mg [2]
Tranquilização rápida por via intramuscular
Indicação: via oral não é possível; agitação grave e violenta [2]
Antipsicótico isolado [2][6][7][10]:
Haloperidol (Haldol®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,5 a 10 mg IM; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 30 mg em 24 h
Administração: exclusivamente IM, na região glútea
Droperidol (Droperdal®) sol. inj. 2,5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,5 a 10 mg IM; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 20 mg em 24 h
Administração: IM, com agulha 21G a 23G
Haloperidol + prometazina [2][6][7][9]:
Haloperidol (Haldol®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,5 a 10 mg IM, junto com prometazina; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 30 mg em 24 h
Administração: exclusivamente IM, na região glútea
Prometazina (Fenergan®) sol. inj. 25 mg/mL (ampola 2 mL)
25 a 50 mg IM, junto com haloperidol; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 100 mg em 24 h
Administração: IM profunda; não aplicar por via subcutânea nem intra-arterial
Antipsicótico + midazolam [2][3][6][7][10][11]:
Haloperidol + midazolam:
Haloperidol (Haldol®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,5 mg IM, junto com midazolam; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 30 mg em 24 h
Administração: exclusivamente IM, na região glútea
Midazolam (Dormonid®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 3 mL e 10 mL)
7,5 a 15 mg IM, junto com haloperidol; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima diária: não declarada na fonte; reavaliar o efeito antes de cada repetição
Administração: IM profunda, em grande massa muscular; não misturar com outras soluções, como as alcalinas
Droperidol + midazolam:
Droperidol (Droperdal®) sol. inj. 2,5 mg/mL (ampola 1 mL)
10 mg IM, junto com midazolam; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 20 mg em 24 h
Administração: IM, com agulha 21G a 23G
Midazolam (Dormonid®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 3 mL e 10 mL)
5 mg IM, junto com droperidol; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 15 mg em 24 h
Administração: IM profunda, em grande massa muscular; não misturar com outras soluções, como as alcalinas
Benzodiazepínico isolado [2][3][6][11]:
Midazolam (Dormonid®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 3 mL e 10 mL)
Até 15 mg IM; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima diária: não declarada na fonte; reavaliar o efeito antes de cada repetição
Administração: IM profunda, em grande massa muscular; não misturar com outras soluções, como as alcalinas
Considerações
ACEP: droperidol + midazolam é o esquema de efeito mais rápido (nível B) [3]
ACEP: com agente único, preferir droperidol a midazolam isolado, pelo perfil de efeitos adversos (nível B) [3]
Associação com benzodiazepínico: maior risco de sedação excessiva e de depressão respiratória [2]
Benzodiazepínico: evitar no uso de álcool ou opioides, no risco de reação paradoxal e no risco de depressão respiratória [2]
Não usar haloperidol nem droperidol por via IV [2]
Haloperidol, contraindicado com qualquer um: estado comatoso; depressão do SNC por álcool ou outros depressores; doença de Parkinson; demência com corpos de Lewy; paralisia supranuclear progressiva [7]
Haloperidol: pode prolongar o intervalo QT, com risco de torsades de pointes [7]
Haloperidol: pode provocar convulsões; usar com cuidado na abstinência alcoólica e na doença cerebral [7]
Haloperidol, bula: 2,5 a 5 mg IM, repetir a cada hora se necessário; doses maiores só sem resposta às menores [7]
Haloperidol + prometazina, NICE: evitar a associação com doença cardiovascular, incluindo QT longo, ou sem ECG prévio [4]
Prometazina: injeção intra-arterial ou extravasamento pode causar necrose e gangrena periférica [9]
Prometazina: pode prolongar o intervalo QT [9]
Droperidol: ECG de 12 derivações antes da aplicação em todos os pacientes e monitorização do ECG por 2 a 3 horas depois [10]
Droperidol: contraindicado com QT longo conhecido ou suspeito, inclusive congênito [10]
Droperidol: extrema cautela com risco de QT longo, incluindo idade acima de 65 anos, abuso de álcool e uso de benzodiazepínicos [10]
Droperidol, bula: reservado a pacientes sem resposta aceitável a outros tratamentos adequados; iniciar com dose baixa [10]
Droperidol IM para agitação: uso fora da bula [10]
Midazolam: usar só com material de reanimação disponível; eventos cardiorrespiratórios graves mais prováveis acima de 60 anos, na insuficiência respiratória e no comprometimento cardíaco [11]
Midazolam: acima de 70 anos, aplicar IM com cautela e observação contínua, pelo risco de sonolência excessiva [11]
Midazolam: monitorizar sinais vitais, sobretudo com álcool ou outros depressores do SNC [11]
Midazolam: não repetir antes de avaliar o efeito da dose anterior [4]
Midazolam IM para agitação: uso fora da bula [11]
Via intravenosa
Não recomendada pela ABP: maior risco de efeitos graves, sobretudo depressão respiratória [2]
Se usada [2]:
Só em casos graves, depois da falha das demais medidas
Monitorização contínua de sinais vitais e equipamento de reanimação cardiopulmonar disponível
Evitar no alto risco cardíaco
ECG e sinais vitais no alto risco cardíaco ou com história desconhecida
Exceção: abstinência alcoólica ou intoxicação grave por cocaína [2][6][12]:
Diazepam sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
10 mg IV; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 40 mg em 24 h
Administração: IV lenta, 0,5 a 1 mL/min (2,5 a 5 mg/min); sem diluição; não misturar com outras soluções; evitar extravasamento e injeção intra-arterial
Considerações
Depressão respiratória e hipotensão; material de reanimação disponível [2]
Álcool e outros depressores do SNC aumentam a depressão respiratória [12]
Idoso: cuidado extremo na via IV [12]
Evitar na insuficiência respiratória grave, na apneia do sono e no glaucoma de ângulo fechado [12]
💊 Como prescrever?
Via oral
Antipsicótico isolado:
Risperidona (Risperdal®) comp. rev. 1 mg, 2 mg e 3 mg
2 a 3 mg VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 8 mg em 24 h
Administração: via oral, com ou sem alimentos
Risperidona (Risperdal®) sol. oral 1 mg/mL (frasco 30 mL)
2 a 3 mg (2 a 3 mL) VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 8 mg em 24 h
Administração: medir com a pipeta dosadora; pode ser misturada a bebida não alcoólica, exceto chá
Olanzapina (Zyprexa®) comp. rev. 2,5 mg e 10 mg
10 mg VO; repetir após 4 h, se necessário
Dose máxima: 30 mg em 24 h
Administração: via oral, com ou sem alimentos; não partir nem mastigar
Haloperidol (Haldol®) comp. 1 mg e 5 mg
5 a 15 mg VO; repetir em 8 h, se necessário
Dose máxima: 15 mg em 24 h
Administração: via oral, com um pouco de água
Haloperidol (Haldol®) sol. oral 2 mg/mL (frasco gotejador 30 mL; 1 gota = 0,1 mg)
5 a 15 mg (50 a 150 gotas) VO; repetir em 8 h, se necessário
Dose máxima: 15 mg em 24 h
Administração: pode ser misturada com água; não misturar com outro líquido Risperidona + lorazepam:
Risperidona (Risperdal®) sol. oral 1 mg/mL (frasco 30 mL)
2 mg (2 mL) VO, junto com lorazepam; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 6 mg em 24 h
Administração: medir com a pipeta dosadora; pode ser misturada a bebida não alcoólica, exceto chá
Lorazepam (Lorax®) comp. 1 mg e 2 mg
2 mg VO, junto com risperidona; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 4 mg em 24 h
Administração: via oral; não partir nem mastigar Risperidona + clonazepam:
Risperidona (Risperdal®) sol. oral 1 mg/mL (frasco 30 mL)
2 mg (2 mL) VO, junto com clonazepam; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 6 mg em 24 h
Administração: medir com a pipeta dosadora; pode ser misturada a bebida não alcoólica, exceto chá
Clonazepam comp. 0,5 mg e 2 mg
2 mg VO, junto com risperidona; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 6 mg em 24 h
Administração: via oral, sem orientações específicas.
Clonazepam sol. oral 2,5 mg/mL (frasco 20 mL; 1 gota = 0,1 mg)
2 mg (20 gotas) VO, junto com risperidona; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 6 mg em 24 h
Administração: dissolver as gotas em pouco líquido não alcoólico; nunca pingar direto na boca Benzodiazepínico isolado VO:
Diazepam comp. 5 mg e 10 mg
10 mg VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 60 mg em 24 h
Administração: via oral, com ou sem alimentos
Clonazepam comp. 0,5 mg e 2 mg
2 mg VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 8 mg em 24 h
Administração: via oral, sem orientações específicas.
Clonazepam sol. oral 2,5 mg/mL (frasco 20 mL; 1 gota = 0,1 mg)
2 mg (20 gotas) VO; repetir em 1 h, se necessário
Dose máxima: 8 mg em 24 h
Administração: dissolver as gotas em pouco líquido não alcoólico; nunca pingar direto na boca
Lorazepam (Lorax®) comp. 1 mg e 2 mg
2 a 4 mg VO; repetir em 2 h, se necessário
Dose máxima: 4 mg em 24 h
Administração: via oral; não partir nem mastigar
Via intramuscular
Antipsicótico isolado:
Haloperidol (Haldol®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,5 a 10 mg IM; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 30 mg em 24 h
Administração: exclusivamente IM, na região glútea
Droperidol (Droperdal®) sol. inj. 2,5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,5 a 10 mg IM; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 20 mg em 24 h
Administração: IM, com agulha 21G a 23G Haloperidol + prometazina:
Haloperidol (Haldol®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,5 a 10 mg IM, junto com prometazina; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 30 mg em 24 h
Administração: exclusivamente IM, na região glútea
Prometazina (Fenergan®) sol. inj. 25 mg/mL (ampola 2 mL)
25 a 50 mg IM, junto com haloperidol; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 100 mg em 24 h
Administração: IM profunda; não aplicar por via subcutânea nem intra-arterial Haloperidol + midazolam:
Haloperidol (Haldol®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 1 mL)
2,5 mg IM, junto com midazolam; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 30 mg em 24 h
Administração: exclusivamente IM, na região glútea
Midazolam (Dormonid®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 3 mL e 10 mL)
7,5 a 15 mg IM, junto com haloperidol; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima diária: não declarada na fonte; reavaliar o efeito antes de cada repetição
Administração: IM profunda, em grande massa muscular; não misturar com outras soluções, como as alcalinas Droperidol + midazolam:
Droperidol (Droperdal®) sol. inj. 2,5 mg/mL (ampola 1 mL)
10 mg IM, junto com midazolam; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 20 mg em 24 h
Administração: IM, com agulha 21G a 23G
Midazolam (Dormonid®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 3 mL e 10 mL)
5 mg IM, junto com droperidol; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 15 mg em 24 h
Administração: IM profunda, em grande massa muscular; não misturar com outras soluções, como as alcalinas Benzodiazepínico isolado:
Midazolam (Dormonid®) sol. inj. 5 mg/mL (ampola 3 mL e 10 mL)
Até 15 mg IM; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima diária: não declarada na fonte; reavaliar o efeito antes de cada repetição
Administração: IM profunda, em grande massa muscular; não misturar com outras soluções, como as alcalinas
Via intravenosa
Exceção: abstinência alcoólica ou intoxicação grave por cocaína:
Diazepam sol. inj. 5 mg/mL (ampola 2 mL)
10 mg IV; repetir em 30 min, se necessário
Dose máxima: 40 mg em 24 h
Administração: IV lenta, 0,5 a 1 mL/min (2,5 a 5 mg/min); sem diluição; não misturar com outras soluções; evitar extravasamento e injeção intra-arterial
Contenção física
Indicação [1]:
Último recurso, depois da falha da abordagem verbal e das demais medidas
Sempre acompanhada de tranquilização rápida
Antes de iniciar [1]:
Prescrição médica, por tempo determinado: a princípio, até 2 horas
Informar paciente, família e acompanhantes do motivo
Equipe treinada em técnica padronizada
Equipe [1]:
Cinco profissionais, um responsável por cada membro; podem ser necessários mais dois
Quem coordena protege cabeça e vias aéreas e verifica os sinais vitais durante todo o procedimento
Técnica, conforme a gravidade [1]:
4 pontos: antebraços e tornozelos, com o paciente deitado no leito, cabeceira elevada e membros superiores ao lado do tronco
5 pontos: os 4 membros e o tórax, com faixa larga perpendicular ao tronco
9 pontos, na agitação grave em que as demais técnicas falharam: extremidades dos 4 membros, braços, coxas e tórax
Usar leito, e não maca
Não passar faixa pelas axilas (risco de lesão do plexo braquial)
Na mulher, faixa larga que cubra as mamas ou logo abaixo delas
Não interromper a circulação das extremidades
Material [1]:
Faixas de tecido macias e resistentes
Não usar ataduras nem algemas
Monitorização [1]:
Sinais vitais, perfusão e local da contenção (dor, calor, edema, lesão), logo após a colocação
A cada 15 minutos na primeira hora; depois, a cada 30 minutos até o paciente despertar
Registrar no prontuário a justificativa, o procedimento e a monitorização
Complicações a vigiar: lesão ortopédica, desidratação, rabdomiólise, trombose, asfixia e morte
Retirar a contenção o mais cedo possível [1]
Contenção manual, NICE [4]:
Evitar levar o paciente ao chão; se necessário, decúbito dorsal; decúbito ventral pelo menor tempo possível
Não comprimir tórax, pescoço ou abdome; não obstruir boca e nariz
Cuidado redobrado em paciente com doença física, deficiência, gestante ou obeso
Não manter contenção manual por mais de 10 minutos de rotina; considerar tranquilização rápida como alternativa
Isolamento em quarto fechado:
ABP: evitar [1]
NICE: não usar no pronto-socorro [4]
Monitorização após a tranquilização rápida
Objetivo: paciente tranquilo, sem sedação excessiva [2]
NICE [4]:
Pulso, pressão arterial, frequência respiratória, temperatura, hidratação, nível de consciência e efeitos colaterais, no mínimo a cada hora, até não haver preocupação com o estado físico
A cada 15 minutos com qualquer um: dose máxima ultrapassada; paciente que parece dormir ou está sedado; uso de álcool ou drogas ilícitas; doença física prévia; dano físico por intervenção restritiva
ECG e sinais vitais: alto risco cardíaco ou história desconhecida [2]
Incluir saturação de oxigênio, sobretudo após benzodiazepínico ou associação [1][2]
Efeitos a vigiar [3]:
Antipsicóticos: sintomas extrapiramidais, como reação distônica; prolongamento do QTc e torsades de pointes com alguns antipsicóticos
Benzodiazepínicos: sedação excessiva e depressão respiratória
Reavaliação e destino
Com o paciente calmo, decidir entre alta com seguimento ambulatorial, observação no pronto-socorro ou internação [1]
Mais importante que o diagnóstico: risco para si e para outros e capacidade de autocuidado [1]
Compartilhar as orientações com a família [1]
Registrar todo o atendimento no prontuário, da triagem ao destino [1]
NICE, pronto-socorro [4]:
Não excluir do serviço o paciente com transtorno mental que se torna agressivo
Tratar como emergência psiquiátrica: avaliação psiquiátrica em até 1 hora
Após intervenção restritiva, conversar com paciente e equipe sobre o episódio [1][4]
Referências
[1] BALDAÇARA, Leonardo; ISMAEL, Flávia; LEITE, Verônica; et al. Brazilian guidelines for the management of psychomotor agitation. Part 1. Non-pharmacological approach. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 41, n. 2, p. 153-167, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1516-4446-2018-0163.
[2] BALDAÇARA, Leonardo; DIAZ, Alexandre P.; LEITE, Verônica; et al. Brazilian guidelines for the management of psychomotor agitation. Part 2. Pharmacological approach. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 41, n. 4, p. 324-335, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1516-4446-2018-0177.
[3] THIESSEN, Molly E. W.; GODWIN, Steven A.; HATTEN, Benjamin W.; et al. Clinical Policy: Critical Issues in the Evaluation and Management of Adult Out-of-Hospital or Emergency Department Patients Presenting With Severe Agitation. American College of Emergency Physicians. Annals of Emergency Medicine, v. 83, n. 1, p. e1-e30, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.annemergmed.2023.09.010.
[4] NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Violence and aggression: short-term management in mental health, health and community settings (NG10). Londres, publicado em 28 maio 2015. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng10.
[5] WORLD HEALTH ORGANIZATION. International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems 10th Revision (ICD-10), versão 2019: R45.1 Restlessness and agitation. Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2019/en. Acesso em: 17 out. 2026.
[6] HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Guia Farmacêutico. Disponível em: https://guiafarmaceutico.hsl.org.br/. Acesso em: 17 out. 2026.
[7] CRISTÁLIA. Halo (haloperidol) solução injetável: bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 09/12/2025. Disponível em: https://cristalia.com.br/produto/194/bula-profissional. Acesso em: 17 out. 2026.
[8] JANSSEN-CILAG. Haldol (haloperidol) comprimidos e solução oral: bula. Aprovada pela Anvisa em 04/10/2023. Disponível em: https://assets.jnjlabels.com/innovativemedicine/latam/brasil/haldol-com-pub-vps.pdf. Acesso em: 17 out. 2026.
[9] CRISTÁLIA. Pamergan (cloridrato de prometazina) solução injetável: bula para o profissional de saúde. Atualizada conforme Bula Padrão aprovada pela Anvisa em 06/12/2023. Disponível em: https://cristalia.com.br/produto/387/bula-profissional. Acesso em: 17 out. 2026.
[10] CRISTÁLIA. Droperdal (droperidol): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 13/05/2026. Disponível em: https://cristalia.com.br/produto/88/bula-profissional. Acesso em: 17 out. 2026.
[11] FARMOQUÍMICA. Dormonid (midazolam) solução injetável e comprimidos revestidos: bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 27/03/2026. Fornecida pelo usuário. Acesso em: 18 out. 2026.
[12] CRISTÁLIA. Compaz (diazepam) comprimidos e solução injetável: bula para o profissional de saúde. Solução injetável aprovada pela Anvisa em 01/07/2026; comprimidos aprovados em 06/04/2026. Disponível em: https://cristalia.com.br/produto/208/bula-profissional. Acesso em: 17 out. 2026.
[13] CRISTÁLIA. Clopam (clonazepam) solução oral: bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 05/04/2026. Disponível em: https://cristalia.com.br/produto/190/bula-profissional. Acesso em: 17 out. 2026.
[14] PFIZER. Lorax (lorazepam): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 08/04/2026. Disponível em: https://www.pfizer.com.br/files/Lorax_Profissional_de_Saude_18.pdf. Acesso em: 17 out. 2026.
[15] JANSSEN-CILAG. Risperdal (risperidona): bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 22/03/2021. Disponível em: https://www.cellerafarma.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Risperdal_Bula_do_Profissional.pdf. Acesso em: 17 out. 2026.
[16] BIOLAB. Olanzapina comprimidos revestidos: bula para o profissional de saúde. Aprovada pela Anvisa em 01/07/2026. Disponível em: https://cdn.biolabfarma.com.br/imagens/7898146827895-Bula.Pdf. Acesso em: 17 out. 2026.
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