Di-hidroergotamina + Cafeína + Dipirona

Nomes comerciais:

  • Cefaliv®, Enxak®, Izenxaq®, Migraliv®, Xaqueliv®

Apresentações:

  • Comprimidos de mesilato de di-hidroergotamina 1 mg + cafeína 100 mg + dipirona monoidratada 350 mg.
  • As apresentações variam apenas no tamanho das embalagens: 
    • Enxak®: embalagem com 12 comprimidos [1]
    • Migraliv®: embalagens com 12, 20, 40, 60, 200 (fracionável) ou 300 (hospitalar) comprimidos [2]
    • Cefaliv®: embalagem com 12 comprimidos [3]
    • Xaqueliv®: embalagem com 12 comprimidos [4]
    • Izenxaq®: embalagem com 40 comprimidos [5]

Posologia:

  • Adultos: [1][2]
    • Dose inicial: 1 a 2 comprimidos ao primeiro sinal de enxaqueca
    • Caso não haja melhora da sintomatologia: 1 comprimido a cada 30 minutos
    • Dose máxima: 6 comprimidos por dia
    • Duração máxima de uso: não utilizar por mais de 10 dias consecutivos
  • Pediátrico: [1][2]
    • Contraindicado para menores de 18 anos
  • Administração: [1][2]
    • Via oral; os comprimidos não devem ser partidos, abertos ou mastigados
    • Por tratar-se de medicamento destinado ao tratamento de crises agudas e não ao uso regular programado, as bulas consultadas não contemplam orientações específicas sobre dose esquecida

Ajuste para Insuficiência Renal:

  • Adulto: [1][2]
    • Contraindicado em comprometimento severo da função renal
    • As bulas consultadas não dispõem de orientações específicas para casos de comprometimento leve a moderado
  • Pediátrico: [1][2]
    • Contraindicado para menores de 18 anos

Ajuste para Insuficiência Hepática:

  • Adulto: [1][2]
    • Contraindicado em comprometimento severo da função hepática
    • As bulas consultadas não dispõem de orientações específicas para casos de comprometimento leve a moderado
  • Pediátrico: [1][2]
    • Contraindicado para menores de 18 anos

Classe:

  • Antienxaquecoso de uso agudo; associação de derivado do ergot (mesilato de di-hidroergotamina), analgésico e antitérmico de ação central (dipirona monoidratada) e metilxantina com propriedade adjuvante analgésica (cafeína) [1][2]

Farmacologia:

  • Mesilato de di-hidroergotamina (DHE):

    • Mecanismo de ação: o principal mecanismo antimigranoso da di-hidroergotamina é o agonismo parcial nos receptores de serotonina 5-HT1B/1D (serotonina subtipo 1B/1D), resultando em vasoconstrição dos vasos cranianos e inibição da liberação de neuropeptídeos pró-inflamatórios no sistema trigeminovascular, de maneira análoga ao mecanismo dos triptanos. De forma complementar, as bulas consultadas descrevem a di-hidroergotamina como fármaco com atividade agonista parcial alfa-adrenérgica, produzindo efeito vasoconstritor direto sobre o músculo liso dos vasos sanguíneos periféricos cranianos, e como fármaco que deprime os centros vasomotores centrais; apresenta ainda interação com outros subtipos de receptores serotonérgicos [1][2]
    • Início de ação: 30 minutos [1][2]
    • Biodisponibilidade oral: 1% (muito baixa) [1][2]
    • Metabolismo: hepático [1][2]
    • Meia-vida de eliminação bifásica: 1ª fase de 0,7 a 1 hora; 2ª fase de 10 a 13 horas [1][2]
    • Eliminação: predominantemente extrarrenal, por metabolismo hepático e excreção pela bile e fezes [1][2]
  • Dipirona monoidratada: [1][2]

    • Mecanismo de ação: analgésico e antitérmico de ação central
    • Absorção: rápida, em virtude da elevada solubilidade
    • Metabolismo: hepático extenso; excreção predominantemente renal
  • Cafeína: [1][2]

    • Mecanismo de ação: metilxantina e estimulante do SNC (sistema nervoso central); potencializa a ação da di-hidroergotamina por aumentar sua absorção oral; adjuvante analgésico
    • Pico plasmático: 15 a 45 minutos
    • Meia-vida de eliminação: 4 a 5 horas
    • Metabolismo: hepático; excreção renal

Tipo de Receita:

  • Tarja vermelha; venda sob prescrição médica (receituário simples, sem retenção de receita). Os três componentes desta associação (mesilato de di-hidroergotamina, dipirona monoidratada e cafeína) não constam de nenhuma lista de substâncias sujeitas a controle especial da Portaria SVS/MS 344/1998 [6]; as bulas consultadas preveem apenas "venda sob prescrição", sem exigência de receituário especial ou retenção de receita [1][2]

Indicações:

  • Tratamento das crises agudas de enxaqueca e outras cefaleias de origem vascular [1][2]
  • Não indicado para tratamento prolongado ou profilático [1][2]
  • Precaução: em pacientes com gastrite ou úlceras gastroduodenais, o uso deve ser precedido de avaliação criteriosa dos riscos e benefícios, considerando o efeito estimulante da cafeína sobre a secreção gástrica [1][2]

Contraindicações:

  • Relacionadas à di-hidroergotamina e à associação: [1][2]

    • Hipersensibilidade a quaisquer componentes da fórmula ou a outros alcaloides do ergot
    • Doenças vasculares periféricas
    • Doença coronariana
    • Hipertensão arterial não controlada
    • Comprometimento severo da função renal ou hepática
    • Hipotensão prolongada
    • Choque
    • Sepse após cirurgia vascular
    • Enxaqueca basilar ou hemiplégica
    • Menores de 18 anos
    • Gestação (categoria de risco X)
    • Lactação: os alcaloides do ergot inibem a produção de leite humano e podem causar ergotismo no neonato
  • Relacionadas à dipirona monoidratada: [1][2]

    • Discrasias sanguíneas
    • Alergia a pirazolonas (fenazona, propifenazona) ou pirazolidinas (fenilbutazona, oxifembutazona), ou agranulocitose prévia relacionada a qualquer desses fármacos
    • Porfiria
    • Deficiência congênita de glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD)
    • Broncoespasmo ou outras reações alérgicas (rinite, urticária, angioedema) induzidas por AAS, paracetamol ou outros anti-inflamatórios
  • Relacionadas a excipientes específicos de determinadas formulações: [2]

    • Insuficiência de sacarose-isomaltase e síndrome de má-absorção de glicose-galactose (Migraliv®, devido à presença de sacarose nos excipientes)
    • Atenção: o corante amarelo de tartrazina, presente em algumas formulações (ex.: Migraliv®), pode desencadear reações alérgicas, incluindo asma brônquica, especialmente em pacientes hipersensíveis ao AAS
    • Pacientes com diabetes devem usar o Migraliv® com cautela: o comprimido contém sacarose (abaixo de 0,25 g por comprimido)

Efeitos Adversos:

  • Muito comuns (>1/10): [1][2]

    • Epigastralgia, sonolência, tontura, náuseas
  • Comuns (>1/100 e ≤1/10): [1][2]

    • Mialgia, vômitos, parestesias, azia, boca seca, astenia, hipotensão, taquicardia, rash cutâneo, sudorese, dor abdominal, confusão mental, dispepsia
    • Nota: pode ocorrer sedação; recomenda-se evitar a condução de veículos ou a operação de máquinas durante o tratamento
  • Incomuns (>1/1.000 e ≤1/100): [1][2]

    • Plenitude gástrica, insônia, diarreia
  • Relacionados a cada componente individualmente:

    • Di-hidroergotamina: [1][2]

      • Cardiovasculares: vasoespasmo, claudicação e dor nas extremidades; taquicardia sinusal transitória, bradicardia, dor precordial; hipotensão ou hipertensão. Com o uso de altas doses ou prolongado: ergotismo (vasoconstrição intensa com formação de trombos, podendo resultar em gangrena; a incidência de vasoconstrição e gangrena parece ser menor que com a ergotamina)
      • Dermatológicos: edemas localizados e pruridos (ergotismo crônico); necrose muscular e cutânea (em uso concomitante com heparina)
      • Metabólicos: crises agudas de porfiria
      • Gastrointestinais: náusea, vômito, desconforto epigástrico, constipação (especialmente com altas doses ou uso prolongado)
      • Neurológicos: parestesias em extremidades, fraqueza nas pernas, confusão, sedação; possivelmente convulsões (com altas doses ou uso prolongado). Sinais indicativos de ergotismo: esfriamento, dormência e palidez das extremidades
      • Oftálmicos: miose (ergotismo crônico)
      • Renais: falência renal (relatada com uso de altas doses)
      • Respiratórios: alterações pleuropulmonares (espessamento pleural ou efusão) com uso prolongado de 16 meses a 15 anos; reversão após suspensão do medicamento
    • Cafeína: [1][2]

      • Cardiovasculares (com doses >250 mg/dia): arritmia cardíaca, rubor facial, palpitações, taquicardia, hipertensão
      • Metabólicos: acidose; alterações glicêmicas (hipoglicemia ou hiperglicemia); alterações hormonais (diminuição da biodisponibilidade da testosterona; elevação de estrona e hormônios sexuais ligados a globulinas)
      • Neurológicos (com altas doses): agitação, excitação, insônia, nervosismo, irritabilidade, tremores, espasmos musculares
      • Psiquiátricos: psicose (raro)
      • Renais: diurese (doses >250 mg/dia)
      • Respiratórios: hiperventilação e taquipneia (doses >250 mg/dia)
    • Dipirona monoidratada: [1][2]

      • Hipotensão transitória (ocasional); queda crítica da pressão sanguínea (raro)
      • Reações anafiláticas (raras): prurido, ardor, rubor, urticária, edema, dispneia e sintomas gastrintestinais; formas graves: urticária generalizada, angioedema grave, broncoespasmo, arritmias cardíacas, choque circulatório
      • Cutâneos: exantema (raro); síndrome de Stevens-Johnson ou síndrome de Lyell (casos isolados)
      • Hematológicos: leucopenia (raro); agranulocitose ou trombocitopenia (muito raros)
      • Renais: piora aguda da função renal com oligúria, anúria ou proteinúria (muito raro); nefrite intersticial aguda (casos isolados)
      • Metabólicos: crises agudas de porfiria

Interações Medicamentosas:

  • As bulas consultadas listam as interações abaixo ressaltando que, apesar de descritas na literatura, muitas ainda carecem de significância clínica comprovada. [1][2]
    • Inibidores potentes do CYP3A4 (antirretrovirais inibidores de protease e de transcriptase reversa, macrolídeos, antifúngicos azólicos, fluoxetina, fluvoxamina, nefazodona, metronidazol, zileuton): elevam a concentração plasmática da di-hidroergotamina, aumentando o risco de ergotismo [1][2]
    • Triptanos e outros derivados do ergot: efeito vasoconstritor aditivo, com risco de prolongamento do vasoespasmo; respeitar intervalo mínimo de 24 horas entre o uso dessas classes [1][2]
    • Propranolol: pode potencializar a ação vasoconstritora da di-hidroergotamina; associação deve ser feita com cautela e sob orientação médica [1][2]
    • Lidocaína e agentes vasoconstritores: risco de elevação extrema da pressão arterial em uso concomitante [1][2]
    • Nitroglicerina: pode elevar a AUC (área sob a curva) da di-hidroergotamina em até 50%; uso concomitante requer cuidado [1][2]
    • Fármacos serotoninérgicos: risco de síndrome serotonérgica. As bulas consultadas mencionam especificamente dexfenfluramina — medicamento com atividades comerciais suspensas no Brasil desde 1998, conforme Portaria 344/98 [6] — e sibutramina [1][2]. Dado o mecanismo serotonérgico da di-hidroergotamina (agonismo 5-HT1B/1D), o risco é clinicamente relevante também na associação com: ISRSs (inibidores seletivos da recaptação de serotonina; ex.: fluoxetina, paroxetina, sertralina, escitalopram), IRSNs (inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina; ex.: venlafaxina, duloxetina) e IMAOs (inibidores da monoaminoxidase; ex.: fenelzina, tranilcipromina, isocarboxazida)
    • Heparina: uso concomitante com di-hidroergotamina aumenta o risco de vasoespasmo e de necrose muscular e cutânea [1][2]
    • Toranja (grapefruit): contraindicada em pacientes em uso deste medicamento; pode elevar os níveis séricos de derivados do ergot, aumentando o risco de ergotismo [1][2]
    • Nicotina: pode provocar vasoconstrição adicional, potencializando a resposta isquêmica à terapia com derivados do ergot [1][2]
    • Dronedarona, rilonacept e tocilizumabe: podem alterar os níveis séricos da di-hidroergotamina; monitoração adequada recomendada em uso concomitante [1][2]

Gestação:

  • ANVISA: [1][2]
    • Categoria de risco X: contraindicado durante a gestação. Não deve ser utilizado por mulheres grávidas ou que possam ficar grávidas durante o tratamento

Lactação:

  • ANVISA: [1][2]
    • Contraindicado durante o aleitamento materno. Os alcaloides do ergot inibem a produção de leite humano e podem causar ergotismo no neonato. O médico deve apresentar alternativas terapêuticas ou para a alimentação do bebê

Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • As bulas consultadas orientam que os comprimidos não devem ser partidos, abertos ou mastigados [1][2]. Como a administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral requer a trituração do comprimido, e nenhuma das fontes consultadas fornece orientações específicas ou validadas para essa via de administração, o uso por sonda não é recomendado com base nas informações atualmente disponíveis.

Fontes:

[1] Bula do Profissional de Saúde. Enxak® (mesilato de di-hidroergotamina + dipirona monoidratada + cafeína). Cazi Química Farmacêutica Ind. e Com. Ltda. Aprovada em 15/04/2026. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[2] Bula do Profissional de Saúde. Migraliv® (mesilato de di-hidroergotamina + cafeína + dipirona monoidratada). EMS S/A. Aprovada em 16/12/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[3] Bula do Profissional de Saúde. Cefaliv® (mesilato de di-hidroergotamina + cafeína + dipirona monoidratada). Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[4] Bula do Profissional de Saúde. Xaqueliv® (mesilato de di-hidroergotamina + cafeína + dipirona monoidratada). EMS S/A / Multilab Indústria e Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[5] Bula do Profissional de Saúde. Izenxaq® (mesilato de di-hidroergotamina + cafeína + dipirona monoidratada). Multilab Indústria e Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[6] Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância Sanitária. Portaria SVS/MS n.º 344, de 12 de maio de 1998. Aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/1998/prt0344_12_05_1998_rep.html