Nitazoxanida
Nomes comerciais:
- Annita® (Farmoquímica S/A) — medicamento de referência disponível no Brasil [1]
Apresentações:
- Comprimido revestido 500 mg, em blíster com 6 comprimidos:
- Annita® [1]
- Nitazoxanida 500 mg genérico (Althaia) [4]
- Pó para suspensão oral 20 mg/mL, frasco com 45 mL ou 100 mL após reconstituição, acompanhado de seringa dosadora:
- Annita® [1]
- Nitazoxanida 20 mg/mL genérico (Althaia) [5]
Posologia:
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Adultos e adolescentes ≥12 anos (comprimido revestido 500 mg): [1]
- Gastroenterites virais por rotavírus e norovírus: 500 mg (1 comprimido) a cada 12 horas por 3 dias consecutivos
- Helmintíases (nematódeos, cestódeos e trematódeos), amebíase, giardíase, isosporíase, balantidíase e blastocistose: 500 mg a cada 12 horas por 3 dias consecutivos
- Criptosporidíase em pacientes imunocompetentes: 500 mg a cada 12 horas por 3 dias consecutivos
- Criptosporidíase em pacientes imunodeprimidos com CD4 superior a 50 células/mm³: 500 a 1.000 mg a cada 12 horas por 14 dias consecutivos
- Criptosporidíase em pacientes imunodeprimidos com CD4 inferior a 50 células/mm³: 500 a 1.000 mg a cada 12 horas por no mínimo 8 semanas, ou até resolução dos sintomas e negativação dos oocistos
- Nota: O label do FDA indica, para esta faixa etária, apenas o tratamento de diarreia por G. lamblia e C. parvum (500 mg a cada 12 horas por 3 dias), e não reconhece eficácia no tratamento de C. parvum em pacientes HIV-positivos ou imunodeprimidos, com base em ensaio clínico controlado que não demonstrou superioridade ao placebo nessa população. [2]
-
Pediátrico de 1 a 11 anos (pó para suspensão oral 20 mg/mL): [1]
- Dose: 7,5 mg/kg (correspondente a 0,375 mL/kg) a cada 12 horas
- Gastroenterites virais por rotavírus e norovírus: 7,5 mg/kg a cada 12 horas por 3 dias consecutivos
- Helmintíases, amebíase, giardíase, isosporíase, balantidíase e blastocistose: 7,5 mg/kg a cada 12 horas por 3 dias consecutivos
- Criptosporidíase em imunocompetentes: 7,5 mg/kg a cada 12 horas por 3 dias consecutivos
- Criptosporidíase em imunodeprimidos com CD4 superior a 50 células/mm³: 7,5 mg/kg a cada 12 horas por 14 dias consecutivos
- Criptosporidíase em imunodeprimidos com CD4 inferior a 50 células/mm³: 7,5 mg/kg a cada 12 horas por no mínimo 8 semanas, ou até resolução dos sintomas e negativação dos oocistos
- O comprimido revestido é contraindicado para menores de 12 anos, pois um único comprimido contém dose superior à recomendada para essa faixa etária. A suspensão oral é contraindicada para menores de 1 ano, visto que eficácia e segurança não foram estabelecidas. [1][2]
-
Administração:
- Administrar sempre com alimentos, o que garante maior absorção (aumenta significativamente a AUC e a Cmax dos metabólitos ativos). [1][2]
- Comprimido revestido: não deve ser partido, aberto ou mastigado; deve ser engolido inteiro. [1]
- Suspensão oral: antes do primeiro uso, agitar o frasco fechado para soltar o pó do fundo; adicionar água fervida ou filtrada até a marcação indicada no rótulo; inserir o adaptador para seringa; tampar e agitar vigorosamente até obter suspensão homogênea (repetir adição de água se necessário); o volume deve ser medido com a seringa dosadora fornecida; antes de cada administração, agitar bem o frasco; a suspensão reconstituída deve ser descartada após 7 dias. [1]
- Dose esquecida: as fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico.
Ajuste para Insuficiência Renal:
- Adultos:
- A bula brasileira (ANVISA) contraindica o uso da nitazoxanida na presença de doença renal, sem discriminar ajustes por grau de comprometimento da função renal. [1]
- O label do FDA informa que a farmacocinética da nitazoxanida em pacientes com comprometimento renal não foi estudada, não estabelecendo contraindicação nem posologia ajustada para essa condição. Ressalta que, em pacientes idosos, a maior frequência de disfunção renal deve ser considerada na prescrição. [2]
- Pediátrico:
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose em insuficiência renal para a população pediátrica. A contraindicação estabelecida pela bula brasileira é igualmente aplicável. [1]
Ajuste para Insuficiência Hepática:
- Adultos:
- A bula brasileira (ANVISA) contraindica o uso da nitazoxanida na presença de doença hepática, sem discriminar ajustes por grau de comprometimento da função hepática. [1]
- O label do FDA informa que a farmacocinética da nitazoxanida em pacientes com comprometimento hepático não foi estudada, não estabelecendo contraindicação nem posologia ajustada para essa condição. Ressalta que, em pacientes idosos, a maior frequência de disfunção hepática deve ser considerada na prescrição. [2]
- Pediátrico:
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose em insuficiência hepática para a população pediátrica. A contraindicação estabelecida pela bula brasileira é igualmente aplicável. [1]
Classe:
- Antiparasitário sintético de amplo espectro; antiprotozoário, anti-helmíntico e antiviral. [1][2]
Farmacologia:
- Mecanismo de ação:
- Antiprotozoário e anti-helmíntico: interfere na reação de transferência de elétrons dependente da enzima PFOR (piruvato-ferredoxina oxidorredutase) dos parasitas, essencial ao metabolismo energético anaeróbico. Para os helmintos, mecanismos adicionais ainda não totalmente esclarecidos podem estar envolvidos. [1][2]
- Antiviral: inibe a síntese da estrutura viral, bloqueando a capacidade de replicação do vírus. [1]
- Farmacocinética:
- Após administração oral, a nitazoxanida não é detectada no plasma: é rapidamente hidrolisada ao metabólito ativo tizoxanida (desacetil-nitazoxanida), que sofre conjugação predominantemente por glicuronização, originando a tizoxanida glicuronídeo. [1][2]
- Pico plasmático dos metabólitos ativos (Tmax): 1 a 4 horas após a administração oral. [1][2]
- Conforme descrito na bula, o tempo médio estimado para início de ação é de 2 a 4 horas após a administração — estimativa que corresponde ao intervalo de atingimento do pico plasmático dos metabólitos ativos (Tmax). [1]
- Ligação proteica: mais de 99% da tizoxanida ligada às proteínas plasmáticas. [1][2]
- Sem acúmulo significativo dos metabólitos com administração a cada 12 horas por até 7 dias consecutivos. [2]
- Eliminação: aproximadamente dois terços da dose oral são excretados nas fezes e um terço na urina (tizoxanida: excretada via urina, bile e fezes; tizoxanida glicuronídeo: excretada via urina e bile). [1][2]
- Sem inibição significativa das enzimas do citocromo P450 in vitro, o que minimiza o risco de interações medicamentosas por esse mecanismo. [1][2]
- Efeito do alimento sobre a biodisponibilidade:
- Comprimido: aumenta a AUC dos metabólitos em aproximadamente 2 vezes e a Cmax em ~50%. [1][2]
- Suspensão oral: aumenta a AUC em ~45-50% e a Cmax em ≤10%. [1][2]
- Biodisponibilidade relativa da suspensão oral comparada ao comprimido: 70% (formulações não são bioequivalentes). [1][2]
Tipo de Receita:
- Receituário simples (receita branca, uma via), para todas as apresentações disponíveis. [1][3]
Indicações:
- Adultos e pediátrico ≥12 anos (comprimido) / pediátrico ≥1 ano (suspensão): [1]
- Gastroenterites virais causadas por rotavírus e norovírus
- Helmintíases por nematódeos, cestódeos e trematódeos, incluindo: Enterobius vermicularis, Ascaris lumbricoides, Strongyloides stercoralis, Ancylostoma duodenale, Necator americanus, Trichuris trichiura, Taenia sp. e Hymenolepis nana
- Amebíase: diarreia por amebíase intestinal aguda e disenteria amebiana causadas pelo complexo Entamoeba histolytica/díspar
- Giardíase: diarreia causada por Giardia lamblia ou Giardia intestinalis
- Criptosporidíase: diarreia causada por Cryptosporidium parvum
- Blastocistose (Blastocystis hominis), balantidíase (Balantidium coli) e isosporíase (Isospora belli)
- O label do FDA restringe a indicação do comprimido 500 mg (para ≥12 anos) ao tratamento de diarreia por G. lamblia e C. parvum. Quanto ao uso em pacientes HIV-positivos ou imunodeprimidos para C. parvum, o FDA classifica como limitação de uso por falta de demonstração de eficácia, divergindo da bula brasileira, que fornece orientação posológica específica para imunodeprimidos baseada na contagem de CD4. [2]
Contraindicações:
- Hipersensibilidade a qualquer componente da fórmula. [1][2]
- Doenças hepáticas ou doença renal: contraindicação estabelecida pela bula brasileira (ANVISA). Ressalta-se que o label do FDA não contraindica nessas condições, informando apenas que a farmacocinética não foi estudada nesses pacientes. [1][2]
- Comprimido revestido: contraindicado para menores de 12 anos (dose unitária superior à recomendada para essa faixa etária). [1][2]
- Pó para suspensão oral: contraindicado para menores de 1 ano (eficácia e segurança não estabelecidas). [1]
Efeitos Adversos:
- Comuns (>1/100 e <1/10): [1]
- Dor abdominal tipo cólica, diarreia, náusea, vômito e cefaleia
- Incomuns (>1/1.000 e <1/100): [1]
- Reação alérgica; elevação de ALT (TGP — transaminase glutâmica pirúvica); anemia; aumento do apetite; elevação da creatinina sérica; hiperidrose; tontura; coloração amarelo-clara no olho; febre; flatulência; hipertensão; prurido; rinite; aumento das glândulas salivares; taquicardia; cromatúria (coloração amarelada ou amarelo-esverdeada da urina e/ou esperma, sem significado clínico, atribuída a componentes colorantes da fórmula). [1]
- Nota: o label do FDA classifica a cromatúria como reação comum (≥2%), ao passo que a bula brasileira a classifica como incomum. [2]
- Pós-comercialização (FDA): [2]
- Diarreia, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), tontura, dispneia, rash e urticária
Interações Medicamentosas:
- A tizoxanida não possui efeito inibitório significativo sobre as enzimas do citocromo P450 in vitro; interações medicamentosas mediadas por esse sistema não são esperadas. [1][2]
- Por apresentar elevada ligação às proteínas plasmáticas (>99%), a coadministração com outros fármacos de alta ligação proteica e índice terapêutico estreito pode resultar em competição pelos sítios de ligação, com potencial aumento das concentrações plasmáticas livres desses fármacos. Recomenda-se cautela especialmente com: [1][2]
- Varfarina (anticoagulante cumarínico): a seção de interações do label do FDA (seção 7.1) recomenda monitorar a ocorrência de reações adversas na coadministração; a seção de orientação ao paciente (seção 17) recomenda evitar o uso concomitante. [2]
- Fenitoína (anticonvulsivante): cautela recomendada pela bula brasileira. [1]
- A administração com alimento eleva de forma expressiva a biodisponibilidade dos metabólitos ativos; portanto, a ingestão com alimento é sempre recomendada. [1][2]
Gestação:
- ANVISA:
- Categoria B de risco na gestação. Estudos de reprodução em animais (ratos com doses de até 3.200 mg/kg/dia, aproximadamente 26 vezes a dose clínica para adultos ajustada pela área de superfície corporal; e coelhos com doses de até 100 mg/kg/dia, aproximadamente 2 vezes a dose clínica) não evidenciaram dano fetal. Na ausência de estudos controlados em mulheres grávidas, o uso deve ser considerado somente quando os benefícios justificarem o risco potencial para o feto, sempre com orientação médica. [1]
- FDA:
- Sem dados disponíveis em mulheres grávidas para avaliação de risco associado ao medicamento. Em estudos com animais, não foram observadas teratogenicidade ou fetotoxicidade em ratas (exposições de até 30 vezes a DHMR — dose humana máxima recomendada — de 500 mg duas vezes ao dia, calculada pela área de superfície corporal) nem em coelhas (exposições de até 2 vezes a DHMR). O risco basal de malformações congênitas maiores na população geral dos EUA é estimado em 2-4% e o de abortamento espontâneo em 15-20%. [2]
Lactação:
- ANVISA:
- Não se sabe se a nitazoxanida é excretada no leite humano. O uso durante a lactação deve ser considerado somente se os benefícios para a mãe justificarem o risco potencial para o lactente, sob avaliação e acompanhamento médico. [1]
- FDA:
- Não há dados sobre a presença de nitazoxanida no leite humano, sobre seus efeitos no lactente nem sobre a produção de leite. Os benefícios do aleitamento materno para o desenvolvimento e a saúde do lactente devem ser ponderados em relação à necessidade clínica materna pelo medicamento e aos potenciais efeitos adversos ao lactente. [2]
Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:
- O comprimido revestido não deve ser partido, aberto ou mastigado, o que inviabiliza seu uso por sonda nasogástrica ou nasoenteral. [1]
- A forma farmacêutica disponível para esse contexto seria a suspensão oral (20 mg/mL). Contém sorbitol em quantidade que pode causar efeito laxativo, o que deve ser considerado em pacientes com diarreia ativa. [1]
- As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas validadas sobre a administração de nitazoxanida por sonda nasogástrica ou nasoenteral. Não há dados sobre compatibilidade com diferentes tipos de sondas, risco de obstrução ou alteração farmacocinética por essa via de administração.
Fontes:
[1] Bula do Profissional de Saúde. Annita® (nitazoxanida). Farmoquímica S/A. Aprovada em 18/11/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[2] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Nitazoxanide Tablets, 500 mg. Revised: 1/2026. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search
[3] Portal Afya. Ivermectina e nitazoxanida voltam a ser comercializados sem receita de controle especial. Disponível em: https://portal.afya.com.br/clinica-medica/ivermectina-e-nitazoxanida-voltam-a-ser-comercializados-sem-receita-de-controle-especial
[4] Drogaria São Paulo. Nitazoxanida 500 mg Genérico Althaia 6 Comprimidos. Disponível em: https://www.drogariasaopaulo.com.br/nitazoxanida-500mg-6-comprimidos-revestidos-g-/p
[5] Drogaria Pacheco. Nitazoxanida 20 mg/mL Genérico Althaia 45 mL Pó Suspensão Oral. Disponível em: https://www.drogariaspacheco.com.br/nitazoxanida-20mg-ml-generico-althaia-45ml-po-suspensao-oral/p


