Acebrofilina
Nomes comerciais:
- Brondilat®, Filinar®, Filinar® G®, Broncoflex®, Broncomucol®, Bronfilil®, Brontek®, Dilabronco®, Hiflux®, Lisomuc®, Melysse®, Respiran®, Dismucal®
Apresentações:
- Xarope pediátrico (5 mg/mL ou equivalentemente 25 mg/5 mL): frasco de 120 mL acompanhado de copo dosador. Uso pediátrico acima de 2 anos.
- Corresponde às apresentações pediátricas de Brondilat®, Filinar® e genéricos de diversas fabricantes (Airela, Eurofarma, Aché Biosintética, Cimed, EMS, Neo Química, Germed, entre outras).
- Xarope adulto (10 mg/mL ou equivalentemente 50 mg/5 mL): frasco de 120 mL acompanhado de copo dosador. Uso adulto.
- Corresponde às apresentações adultas de Brondilat®, Filinar® e genéricos das mesmas fabricantes.
- Gel oral (Filinar® G): apresentação disponível comercialmente no Brasil, também nas versões pediátrica e adulta. As bulas fornecidas não contemplam essa forma farmacêutica; orientar-se pela bula específica do produto.
- Observação institucional: a apresentação da Airela Indústria Farmacêutica (embalagem hospitalar contendo 50 frascos de 120 mL + copos dosadores) possui designação de "Venda proibida ao comércio", sendo destinada exclusivamente ao uso institucional/hospitalar. [1]
Posologia:
- Adultos e crianças a partir de 12 anos: [2]
- Dose: 1 copo dosador (10 mL) do xarope adulto (50 mg/5 mL) a cada 12 horas.
- Pediátrico (acima de 2 anos): [1,2]
- Crianças de 6 a 12 anos: 1 copo dosador (10 mL) do xarope pediátrico (25 mg/5 mL) a cada 12 horas.
- Crianças de 3 a 6 anos: ½ copo dosador (5 mL) do xarope pediátrico (25 mg/5 mL) a cada 12 horas.
- Crianças de 2 a 3 anos: 2 mg/kg de peso ao dia do xarope pediátrico (25 mg/5 mL), dividido em duas administrações a cada 12 horas.
- Observação: a bula da Airela [1] traz em seu cabeçalho a indicação "USO PEDIÁTRICO ACIMA DE 3 ANOS", porém a seção de posologia dessa mesma bula inclui esquema posológico para crianças de 2 a 3 anos, e a seção de contraindicações define a faixa proibida apenas para menores de 2 anos. A bula da Eurofarma [2] é internamente consistente, indicando uso pediátrico a partir de 2 anos. Diante dessa inconsistência, recomenda-se atenção ao produto específico prescrito.
- Duração do tratamento: [1,2]
- Não há tempo determinado de tratamento para uma patologia específica. A duração deve ser estabelecida a critério médico, de acordo com a gravidade da doença.
- Administração: [1,2]
- Via oral, com auxílio do copo dosador fornecido na embalagem.
- Dose esquecida: as fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico.
Ajuste para Insuficiência Renal:
- Adulto e pediátrico: [1,2]
- O uso da acebrofilina é contraindicado em pacientes com doenças renais graves. As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas de ajuste posológico para graus menores de comprometimento renal.
Ajuste para Insuficiência Hepática:
- Adulto e pediátrico: [1,2]
- O uso da acebrofilina é contraindicado em pacientes com doenças hepáticas graves. Adicionalmente, as bulas alertam que o medicamento pode causar hepatotoxicidade, requerendo uso cuidadoso sob vigilância médica estrita, com controles periódicos da função hepática. As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas de ajuste posológico para graus menores de comprometimento hepático.
Classe:
- Broncodilatador + mucolítico + expectorante (derivado de xantina combinado com agente mucorregulador). [1,2]
Farmacologia: [1,2]
- Estrutura molecular: a acebrofilina é o teofilinato de ambroxol, entidade molecular resultante da fusão do ambroxol (mucorregulador, mucocinético e indutor do surfactante pulmonar) com o ácido 7-teofilinacético, por reação de salificação. No organismo, dissocia-se em teofilina e ambroxol, exercendo os efeitos de ambas as moléculas.
- Mecanismo de ação broncodilatador: ocorre por inibição da fosfodiesterase, com consequente acúmulo de AMPc (adenosina monofosfato cíclico) na musculatura traqueobrônquica, promovendo relaxamento da musculatura lisa por fosforilação dos precursores do relaxamento muscular. Adicionalmente, há antagonismo competitivo pelos receptores de adenosina e ação sobre o fluxo de cálcio intracelular. Ao favorecer a broncodilatação, o fármaco reduz o consumo energético da musculatura diafragmática e auxilia a atividade ciliar traqueobrônquica.
- Mecanismo de ação mucorregulador: estimula a produção de surfactante pulmonar, o que reduz a mucoviscosidade das secreções brônquicas, impede a aglutinação das partículas de muco e diminui a adesividade do muco patológico.
- Meia-vida plasmática: as bulas informam meia-vida entre 3 e 5 horas para a molécula íntegra de acebrofilina. Vale ressaltar que, após a dissociação in vivo em teofilina e ambroxol, a meia-vida plasmática da teofilina livre em adultos não fumantes é consideravelmente mais longa (tipicamente 6 a 10 horas, com variação individual significativa dependendo de fatores como tabagismo, patologias hepáticas e interações medicamentosas), o que é relevante para a compreensão do perfil de duração do efeito broncodilatador.
- Estudos de toxicidade aguda (dose única ou doses repetidas) e de toxicidade fetal em animais mostraram que a acebrofilina não provoca alterações mesmo em doses muito acima das terapêuticas. Não foi demonstrada ação mutagênica.
Tipo de Receita: [1,2,4]
- Receituário simples (branco) — venda sob prescrição médica, em todas as apresentações disponíveis.
- A apresentação institucional da Airela (embalagem com 50 frascos) possui ainda a restrição adicional de "venda proibida ao comércio", sendo destinada a hospitais e clínicas. [1]
Indicações: [1,2]
- Tratamento sintomático e preventivo (profilaxia) das patologias agudas e crônicas do aparelho respiratório caracterizadas por hipersecreção e broncoespasmo, incluindo:
- Bronquite obstrutiva ou asmatiforme
- Asma brônquica
- Traqueobronquite
- Broncopneumonias
- Bronquiectasias
- Pneumoconioses
- Rinofaringites
- Laringotraqueítes
- Enfisema pulmonar
Contraindicações: [1,2]
- Hipersensibilidade comprovada à acebrofilina, a outras xantinas (aminofilina, teofilina) ou ao ambroxol.
- Doenças hepáticas, renais ou cardiovasculares graves.
- Úlcera péptica ativa.
- História pregressa de convulsões.
- Crianças menores de 2 anos de idade.
- Precauções adicionais (uso com cautela, não contraindicação absoluta): pacientes hipertensos, cardiopatas e com hipoxemia severa.
- Evitar uso durante o primeiro trimestre de gravidez (ver seção Gestação).
Efeitos Adversos: [1,2]
- Comuns (1% a 10%):
- Vômitos (2,1%)
- Náuseas e boca seca (1,4%)
- Incomuns (0,1% a 1%):
- Taquicardia (0,9%)
- Tremores (0,9%)
- Agitação (0,5%)
- Diarreia (0,5%)
- Dor abdominal e epigástrica (0,4%)
- Sonolência (0,3%)
- Falta de apetite (0,11%)
- Raros (0,01% a 0,1%):
- Vertigem (0,07%)
- Insônia (0,05%)
- Desidratação (0,02%)
- Queixas digestivas em geral (desaparecem com suspensão ou redução da dose)
- Sem frequência conhecida:
- Reações dermatológicas: prurido eritematoso, erupções vesiculares (região de nariz, lábios e bochechas), dor e espasmos faríngeos, dermatite de contato, urticária, exantemas, assaduras, erupções cutâneas e coceira. Nota: prurido pode ocorrer em até 4% dos pacientes em uso de 75 mg/dia.
- Reações neurológicas: fadiga (principal reação adversa neurológica relatada).
- Reações renais: disúria.
- Reações respiratórias: rinorreia.
Interações Medicamentosas: [1,2]
- Fármacos que reduzem a eficácia da acebrofilina (por aumentarem a metabolização hepática da teofilina):
- Carbamazepina, fenobarbital e fenitoína são indutores enzimáticos hepáticos que aumentam o metabolismo da teofilina, reduzindo seus níveis séricos e sua eficácia.
- Nota sobre sais de lítio: as bulas de referência [1,2] listam os sais de lítio neste grupo, associando-os ao mecanismo de aumento da metabolização hepática da teofilina. Contudo, essa classificação não corresponde ao mecanismo estabelecido na literatura farmacológica — o lítio não é indutor enzimático hepático. A interação reconhecida entre os dois fármacos ocorre no sentido oposto: a teofilina aumenta a depuração renal do lítio, podendo reduzir seus níveis séricos e comprometer o efeito terapêutico do lítio. Recomenda-se monitorar a litemia em pacientes que utilizam ambos os fármacos de forma concomitante.
- Fármacos que aumentam o risco de intoxicação por teofilina (por retardarem sua eliminação):
- Macrolídeos (eritromicina), quinolonas (norfloxacino, ciprofloxacino), alopurinol, diltiazem e ipriflavona podem retardar a eliminação da teofilina, aumentando o risco de intoxicação. Atenção especial em pacientes com níveis séricos de teofilina já elevados.
- Antagonistas H2: os três agentes listados nas bulas diferem substancialmente quanto à relevância clínica da interação com a teofilina. A cimetidina é inibidora potente do CYP1A2 e CYP3A4 (enzimas responsáveis pelo metabolismo hepático da teofilina), podendo elevar de forma clinicamente significativa seus níveis séricos — seu uso concomitante requer monitoramento. A ranitidina possui efeito inibitório muito fraco sobre o CYP, com relevância clínica limitada para a maioria dos pacientes. A famotidina não apresenta interação clinicamente significativa com a teofilina.
- Agonistas beta-2 (salbutamol, terbutalina):
- Risco de hipocalemia e aumento da frequência cardíaca, especialmente com altas doses de teofilina. Alguns pacientes podem apresentar redução significativa dos níveis séricos de teofilina quando a acebrofilina é associada a salbutamol ou isoprenalina (isoproterenol).
- Contraceptivos orais:
- Podem elevar discretamente os níveis séricos de teofilina, sem toxicidade relatada.
- Medicamentos alfa-adrenérgicos (ex.: efedrina):
- Podem aumentar as reações adversas, principalmente as relacionadas ao sistema nervoso central e ao trato gastrointestinal.
- Hypericum perforatum (erva de São João):
- Pode reduzir a eficácia da teofilina.
- Betabloqueadores seletivos:
- Associação não é totalmente contraindicada, porém deve ser empregada com cautela.
- Interações com alimentos:
- Dietas ricas em proteínas reduzem a duração do efeito da acebrofilina.
- Dietas ricas em carboidratos aumentam a duração do efeito da acebrofilina.
Gestação:
- ANVISA: [1,2]
- Categoria de risco C. É aconselhável evitar o uso durante o primeiro trimestre de gravidez. Não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista.
Lactação:
- ANVISA: [1,2]
- O uso durante o período de lactação depende de avaliação e acompanhamento médico. A bula da Eurofarma [2] acrescenta orientação de uso criterioso no aleitamento ou na doação de leite humano.
Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:
- As bulas consultadas [1,2] não dispõem de orientações específicas sobre a administração de acebrofilina por sonda nasogástrica ou nasoenteral. Do ponto de vista farmacotécnico, por tratar-se de formulação líquida (xarope), a administração via sonda é tecnicamente viável, não havendo a necessidade de trituração como ocorre com formas sólidas. Contudo, devem-se considerar a osmolalidade da formulação, o volume a ser administrado e a posição da sonda (gástrica vs. enteral), conforme as recomendações institucionais pertinentes. Não foram encontradas recomendações específicas sobre acebrofilina por essa via em fontes clínicas ou farmacêuticas consultadas de forma complementar; recomenda-se avaliação pelo farmacêutico clínico da instituição antes de proceder.
Fontes:
[1] Bula do Profissional de Saúde. Acebrofilina. Airela Indústria Farmacêutica Ltda. Aprovada em 13/03/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[2] Bula do Profissional de Saúde. Acebrofilina. Eurofarma Laboratórios S.A. Aprovada em 13/03/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/
[3] InfoSUS – Sistema de Informações em Saúde de Santa Catarina. Acebrofilina. Disponível em: https://infosus.saude.sc.gov.br/index.php/Acebrofilina
[4] Consulta Remédios. Medicamentos similares do acebrofilina. Disponível em: https://consultaremedios.com.br/b/similar-do-acebrofilina


