Sertralina

Nomes comerciais:

  • Zoloft®, Assert®, Tolrest®, Serenata®, Afetus®, Dieloft®, Ralzin®, Recapser®, Sercerin®, Seronip®, Trasolin®, Zysertin®, Zoltralina®

Apresentações:

  • Comprimidos revestidos de 25 mg: embalagens com 30 comprimidos.

    • Exemplos: Assert® 25 mg (Eurofarma/Momenta)
  • Comprimidos revestidos de 50 mg: embalagens com 30 comprimidos.

    • Exemplos: Assert® 50 mg (Eurofarma/Momenta), Zoloft® 50 mg (Viatris)
  • Comprimidos revestidos de 100 mg: embalagens com 30 comprimidos.

    • Exemplos: Assert® 100 mg (Eurofarma/Momenta), Zoloft® 100 mg (Viatris)

Posologia:

  • Adultos: [2][3]

    • Transtorno Depressivo Maior (TDM) e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC):
      • Dose inicial: 50 mg/dia, em dose única.
      • Titulação: aumentar em incrementos de 25 a 50 mg a cada, no mínimo, 1 semana, conforme resposta e tolerabilidade.
      • Dose máxima: 200 mg/dia.
    • Transtorno do Pânico (TP), Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e Fobia Social (Transtorno de Ansiedade Social):
      • Dose inicial: 25 mg/dia durante a primeira semana, aumentando para 50 mg/dia na segunda semana.
      • Titulação subsequente: incrementos de 50 mg a cada, no mínimo, 1 semana.
      • Dose máxima: 200 mg/dia.
    • Síndrome da Tensão Pré-Menstrual (STPM) e/ou Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM): [2][3]
      • Dose inicial: 50 mg/dia.
      • Pode ser administrado de forma contínua (durante todo o ciclo menstrual) ou de forma intermitente(apenas durante a fase lútea, iniciando 14 dias antes da menstruação prevista e interrompendo com o início da menstruação).
      • Dosagem contínua: em caso de resposta insuficiente a 50 mg/dia, aumentar em 50 mg por ciclo menstrual até, no máximo, 150 mg/dia.
      • Dosagem intermitente (fase lútea): em caso de resposta insuficiente, aumentar até, no máximo, 100 mg/dia no ciclo seguinte. Se utilizada a dose de 100 mg/dia na fase lútea, realizar titulação com 50 mg/dia nos primeiros 3 dias do ciclo lúteo, passando então para 100 mg/dia nos dias restantes.
    • Observação: Doses superiores a 150 mg/dia não devem ser administradas por mais de 8 semanas. [1]
  • Pediátrico (6 a 17 anos), exclusivamente para TOC: [2][3]

    • Crianças de 6 a 12 anos:
      • Dose inicial: 25 mg/dia, em dose única.
      • Após 1 semana, aumentar para 50 mg/dia.
      • Titulação subsequente: incrementos de 50 mg/dia a cada, no mínimo, 1 semana, conforme resposta clínica.
      • Dose máxima: 200 mg/dia.
      • Atenção: o menor peso corporal deve ser considerado ao titular a dose, a fim de evitar níveis plasmáticos excessivos.
    • Adolescentes de 13 a 17 anos:
      • Dose inicial: 50 mg/dia, em dose única.
      • Titulação subsequente: incrementos de 50 mg/dia a cada, no mínimo, 1 semana.
      • Dose máxima: 200 mg/dia.
    • Importante: a segurança e eficácia para indicações outras que não o TOC em pacientes com menos de 18 anos não foram estabelecidas. [2][3]
  • Administração: [1][2][3]

    • Administrar uma vez ao dia, pela manhã ou à noite, sempre no mesmo horário.
    • Pode ser tomado com ou sem alimentos. A ingestão com alimentos pode aumentar levemente a Cmáx em aproximadamente 25% e reduzir o tempo para atingir o pico plasmático.
    • Engolir o comprimido inteiro com líquido; não partir, mastigar ou triturar. [1]
    • Ao descontinuar o tratamento, reduzir a dose de forma gradual (ao longo de, no mínimo, 1 a 2 semanas) para minimizar sintomas de abstinência, que podem incluir tontura, parestesias, distúrbios do sono, agitação, ansiedade, náuseas, tremor e cefaleia. Em casos de sintomas intoleráveis após redução da dose, considerar retornar à dose anterior e proceder à redução de forma ainda mais gradual. [2][3]
    • Dose esquecida: se lembrar antes do horário da próxima dose, tomá-la assim que possível. Se já estiver próximo ao horário da dose seguinte, desconsiderar a dose esquecida e retomar o horário habitual. Nunca duplicar a dose para compensar. [2]

Ajuste para Insuficiência Renal:

  • Adulto: [1][2][3]

    • Nenhum ajuste de dose é necessário em pacientes com insuficiência renal leve, moderada ou grave, incluindo pacientes em hemodiálise. A sertralina é extensamente metabolizada pelo fígado, e a excreção renal do fármaco inalterado corresponde a menos de 0,2% da dose. Estudos farmacocinéticos de múltiplas doses em pacientes com clearance de creatinina de 10 a 60 mL/min e em pacientes em hemodiálise não demonstraram diferenças significativas nos parâmetros farmacocinéticos em relação a controles com função renal normal.
  • Pediátrico:

    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose em pacientes pediátricos com insuficiência renal. Pelo mesmo princípio farmacocinético aplicável aos adultos (mínima excreção renal), espera-se que o ajuste também não seja necessário nessa faixa etária.

Ajuste para Insuficiência Hepática:

  • Adulto: [2][3]

    • Insuficiência hepática leve (Child-Pugh 5 a 6): utilizar metade da dose recomendada, tanto para a dose inicial quanto para a faixa terapêutica. Em pacientes com cirrose estável leve, a exposição à sertralina foi aproximadamente 3 vezes maior e a meia-vida de eliminação se mostrou prolongada em comparação a indivíduos saudáveis.
    • Insuficiência hepática moderada (Child-Pugh 7 a 9) ou grave (Child-Pugh 10 a 15): uso não recomendado, pois os efeitos da sertralina nessa população não foram estudados e o fármaco é extensamente metabolizado pelo fígado.
  • Pediátrico:

    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste de dose em pacientes pediátricos com insuficiência hepática. Aplica-se, por analogia, o mesmo princípio de cautela descrito para adultos.

Classe:

  • Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS). [1][2][3]

Farmacologia:

  • Mecanismo de ação: [2][3]

    • A sertralina inibe de forma potente e seletiva a recaptação neuronal de serotonina (5-HT) no sistema nervoso central (SNC), potencializando a neurotransmissão serotoninérgica. Em doses terapêuticas, também bloqueia a recaptação de serotonina em plaquetas humanas.
    • Possui efeito muito fraco sobre a recaptação de dopamina e norepinefrina.
    • Não apresenta afinidade significativa por receptores adrenérgicos (alfa-1, alfa-2, beta), colinérgicos, GABAérgicos, dopaminérgicos, histaminérgicos, serotoninérgicos (5-HT1A, 5-HT1B, 5-HT2) ou benzodiazepínicos.
    • Não inibe a monoaminoxidase (MAO).
    • A administração crônica em animais foi associada à redução adaptativa dos receptores noradrenérgicos cerebrais.
  • Farmacocinética: [1][2][3]

    • Absorção: pico de concentração plasmática (Cmáx) ocorre entre 4,5 e 8,5 horas após a dose oral. A ingestão com alimentos pode aumentar a Cmáx em aproximadamente 25% e antecipar o pico para cerca de 5,5 horas.
    • Meia-vida: aproximadamente 26 horas (média); em adultos mais jovens e idosos pode variar de 22 a 36 horas. [2]
    • Estado de equilíbrio (steady state): em adultos jovens, atingido após aproximadamente 1 semana de administração diária, com concentrações de equilíbrio aproximadamente o dobro das obtidas com dose única. [2][3]
    • Ligação proteica: aproximadamente 98%. [2]
    • Metabolismo: extenso efeito de primeira passagem hepática. A principal via inicial é a N-desmetilação, originando o metabólito principal, a N-desmetilsertralina. A bula brasileira estima que esse metabólito possui atividade substancialmente menor que a sertralina in vitro (cerca de 20 vezes inferior) e refere ausência de evidência de atividade em modelos de depressão in vivo; [2] o FDA label descreve o metabólito como substancialmente menos ativo com base em testes in vitro e in vivo, sem especificar um ratio numérico preciso para essa diferença de potência e sem confirmar ausência de atividade antidepressiva in vivo. [3] A meia-vida da N-desmetilsertralina é de 62 a 104 horas. O metabolismo hepático envolve principalmente as isoenzimas CYP2B6 e CYP2C19, entre outras.
    • Excreção: aproximadamente 40 a 45% da dose radioativa é recuperada na urina e proporção equivalente nas fezes, em 9 dias. Menos de 0,2% é excretado inalterado na urina. [2][3]
    • Inibição do CYP2D6: a sertralina é um inibidor do CYP2D6, podendo aumentar a exposição de fármacos metabolizados por essa isoenzima. [1][2][3]
    • Farmacocinética em idosos: o clearance plasmático da sertralina é aproximadamente 40% menor em idosos. O estado de equilíbrio farmacocinético é atingido em torno de 2 a 3 semanas nessa população, conforme observado em estudo farmacocinético de referência. [3] Cabe distinguir esse dado do tempo necessário para a resposta terapêutica clínica, que constitui conceito distinto e pode ser ainda mais prolongado.
    • Farmacocinética pediátrica: crianças de 6 a 12 anos apresentam AUC e Cmáx aproximadamente 22% menores que adultos quando ajustados por peso, sugerindo metabolização ligeiramente mais eficiente. Doses mais baixas são especialmente recomendadas nessa faixa etária para evitar níveis plasmáticos excessivos. [2][3]
    • Prolongamento do intervalo QTc: existe relação positiva e dependente da concentração entre os níveis séricos de sertralina e o intervalo QTc. Em voluntários saudáveis expostos a doses supraterapêuticas (400 mg/dia), o maior ΔΔQTcF médio observado foi de aproximadamente 10 ms. Casos de Torsade de Pointes (TdP) foram relatados no pós-comercialização. [2][3]
    • Início do efeito terapêutico: pode ocorrer em até 7 dias, embora períodos mais longos sejam geralmente necessários, especialmente no TOC. [2]

Tipo de Receita:

  • Receita de Controle Especial (Lista C1), emitida em 2 vias (receita branca duplicada), com validade de 30 dias. A farmácia retém uma das vias no ato da dispensação. Aplica-se a todas as apresentações disponíveis (25 mg, 50 mg e 100 mg). [1][2]

Indicações:

  • Adultos: [1][2][3]

    • Transtorno Depressivo Maior (TDM), incluindo depressão acompanhada de sintomas de ansiedade, com ou sem história de mania. Após resposta satisfatória, o tratamento continuado é eficaz tanto na prevenção de recaída do episódio inicial quanto na prevenção de recorrência de novos episódios.
    • Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). O tratamento de manutenção é eficaz no longo prazo (estudos de até 2 anos).
    • Transtorno do Pânico (TP), com ou sem agorafobia.
    • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
    • Fobia Social (Transtorno de Ansiedade Social). Após resposta satisfatória, o tratamento continuado é eficaz na prevenção de recidivas.
    • Síndrome da Tensão Pré-Menstrual (STPM) e/ou Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM).
  • Pediátrico (6 a 17 anos): [1][2][3]

    • Exclusivamente para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

Contraindicações:

  • Uso concomitante de inibidores da monoaminoxidase (IMAO), incluindo IMAOs antidepressivos (selegilina, tranilcipromina, isocarboxazida, fenelzina, moclobemida) e IMAOs não antidepressivos como a linezolida e o azul de metileno intravenoso; bem como nos 14 dias após a descontinuação de qualquer IMAO. Da mesma forma, deve-se aguardar ao menos 14 dias após a suspensão da sertralina antes de iniciar qualquer IMAO. [1][2][3]
  • Uso concomitante de pimozida. [1][2][3]
  • Hipersensibilidade conhecida à sertralina ou a qualquer excipiente da formulação. [1][2][3]
  • Crianças menores de 6 anos de idade. [1][2]
  • Crianças e adolescentes de 6 a 17 anos para indicações outras que não o TOC. [1][2]
  • Uso concomitante com dissulfiram. Esta contraindicação consta apenas na bula de 25 mg [1], não sendo reproduzida na bula de 50 mg e 100 mg [2] nem no label da FDA [3].
  • Gestação sem orientação médica. [1][2]

Efeitos Adversos:

  • Muito comuns (> 1/10): [2][3]

    • Náuseas, diarreia, insônia, tontura, cefaleia, tremor, sudorese (hiperidrose), boca seca.
    • Distúrbios da ejaculação (atraso ou falha na ejaculação) e disfunção sexual.
  • Comuns (> 1/100 e < 1/10): [2][3]

    • Gastrointestinais: vômitos, constipação, dor abdominal, dispepsia, flatulência.
    • Neurológicos e psiquiátricos: sonolência, agitação, ansiedade, parestesia, bruxismo, pesadelos, diminuição da libido.
    • Cardiovasculares: palpitações.
    • Outros: fadiga, diminuição do apetite, ganho de peso, artralgia, mialgia, rubor, zumbido, deficiência visual, bocejo, rash, disfunção erétil.
    • Em crianças e adolescentes, adicionalmente: hipercinesia, febre, incontinência urinária, comportamento agressivo, epistaxe, púrpura e ansiedade. Recomenda-se monitorar peso e crescimento durante o tratamento nessa faixa etária. [3]
  • Incomuns (> 1/1.000 e < 1/100): [2][3]

    • Hipomania ou mania, alucinações, estado confusional, agressividade, humor eufórico.
    • Síncope, distúrbios extrapiramidais, contrações musculares involuntárias, acatisia.
    • Sangramento anormal (equimoses, epistaxe, hematoma, sangue nas evacuações), diminuição do peso.
    • Aumento de enzimas hepáticas (ALT, AST), midríase, edema periorbital, taquicardia, hipertensão.
    • Retenção urinária, hematúria.
  • Raros (> 1/10.000 e < 1/1.000) e reações pós-comercialização: [2][3]

    • Síndrome serotoninérgica (potencialmente fatal): cursa com agitação, alucinações, taquicardia, instabilidade autonômica, hipertermia, tremor, mioclonia, hiperreflexia e alteração do nível de consciência.
    • Prolongamento do intervalo QTc e Torsade de Pointes (TdP).
    • Hiponatremia, inclusive com natremia inferior a 110 mmol/L, provavelmente por SIADH (síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético); maior risco em idosos e pacientes em uso de diuréticos.
    • Convulsões e coma.
    • Lesão hepática grave (hepatite, icterícia, insuficiência hepática com desfechos fatais).
    • Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e Necrólise Epidérmica Tóxica (NET).
    • Trombocitopenia, leucopenia; agranulocitose, anemia aplásica e pancitopenia (pós-comercialização).
    • Priapismo, galactorreia, ginecomastia.
    • Pneumonia eosinofílica, hipertensão pulmonar.
    • Vasoconstrição cerebral, incluindo síndrome de vasoconstrição cerebral reversível e síndrome de Call-Fleming.
    • Rabdomiólise, trismo.
    • Insuficiência renal aguda.
    • Reação de fotossensibilidade cutânea.
    • Distúrbio psicótico, sonambulismo, paroniria.
    • Glaucoma de ângulo fechado, precipitado pela midríase induzida pela sertralina.
    • Síndrome de descontinuação: ao interromper abruptamente o tratamento, podem surgir tontura, parestesias, distúrbios do sono, agitação, ansiedade, náuseas, tremor e cefaleia; geralmente leves a moderados e autolimitados, mas podem ser graves em alguns pacientes. [2][3]
    • Pensamentos e comportamentos suicidas: antidepressivos aumentam o risco de ideação e comportamento suicida em crianças, adolescentes e adultos jovens (até 24 anos), especialmente nas primeiras semanas de tratamento e em mudanças de dose. Em adultos acima de 24 anos, o risco não se mostrou aumentado; em idosos (65 anos ou mais), observou-se redução do risco em comparação ao placebo. [3]
    • Disfunção sexual persistente: relatos de disfunção sexual de longa duração que persistiram após a descontinuação do ISRS. [2]

Interações Medicamentosas:

  • Contraindicadas: [1][2][3]

    • IMAOs (selegilina, tranilcipromina, fenelzina, isocarboxazida, moclobemida, linezolida, azul de metileno IV): risco de síndrome serotoninérgica grave, potencialmente fatal. Intervalo mínimo de 14 dias entre a descontinuação do IMAO e o início da sertralina, e vice-versa.
    • Pimozida: a sertralina aumenta as concentrações plasmáticas de pimozida em aproximadamente 40%, com risco de prolongamento do QTc e arritmias ventriculares.
  • De importância clínica maior: [1][2][3]

    • Outros fármacos serotoninérgicos (triptanos, antidepressivos tricíclicos, opioides como fentanila, tramadol, metadona, meperidina, tapentadol, dextrometorfano; buspirona, anfetaminas, lítio, triptofano, Erva-de-São-João/Hypericum perforatum, sibutramina): risco de síndrome serotoninérgica. Monitorar sinais e sintomas, especialmente no início do tratamento e em aumentos de dose. Se ocorrer, descontinuar a sertralina e os demais agentes serotoninérgicos.
    • Fármacos que prolongam o intervalo QTc (antipsicóticos como ziprasidona, iloperidona, clorpromazina, mesoridazina, droperidol; antibióticos como eritromicina, gatifloxacino, moxifloxacino, esparfloxacino; antiarrítmicos Classe 1A como quinidina e procainamida; antiarrítmicos Classe III como amiodarona e sotalol; metadona, pentamidina, tacrolimo, entre outros): risco aumentado de TdP. Evitar uso concomitante.
    • Anticoagulantes e antiagregantes plaquetários (varfarina, AAS, AINEs, clopidogrel, heparina): risco aumentado de sangramento. Para pacientes em uso de varfarina, monitorar o INR ao iniciar ou interromper a sertralina.
    • Substratos do CYP2D6 (propafenona, flecainida, antidepressivos tricíclicos, atomoxetina, desipramina, dextrometorfano, metoprolol, nebivolol, tioridazina, tolterodina, venlafaxina): a sertralina inibe o CYP2D6 e pode elevar as concentrações plasmáticas desses fármacos. Reduzir a dose do substrato CYP2D6 se necessário; ao descontinuar a sertralina, pode ser necessário aumentá-la novamente.
    • Fenitoína: a sertralina pode aumentar as concentrações plasmáticas de fenitoína (fármaco de índice terapêutico estreito); monitorar os níveis e ajustar a dose conforme necessário. Adicionalmente, a coadministração com fenitoína pode reduzir os níveis plasmáticos de sertralina. [1][2][3]
  • De importância clínica moderada: [1][2]

    • Lítio: possível interação farmacodinâmica (aumento do tremor) sem alteração farmacocinética significativa do lítio. Monitorar o paciente.
    • Cimetidina: reduz substancialmente o clearance da sertralina (aumento da AUC em ~50%, Cmáx em ~24% e meia-vida em ~26%). Significado clínico incerto.
    • Tramadol: além do risco serotoninérgico, há risco aumentado de convulsões com essa associação. Evitar sempre que possível.
    • Terfenadina: o risco de interação cardiotóxica consta da bula brasileira; [2] contudo, a terfenadina foi retirada do mercado na maioria dos países, incluindo o Brasil, em razão do seu próprio perfil de risco de prolongamento do QTc, não estando disponível para prescrição.
    • Dipirona (metamizol): induz CYP2B6 e CYP3A4, podendo reduzir as concentrações plasmáticas de sertralina e comprometer a eficácia clínica. Monitorar a resposta clínica quando em uso concomitante. [2]
  • Sem interação clínica relevante: diazepam, lítio (farmacocinética), atenolol, tolbutamida/glibenclamida, digoxina e substratos do CYP3A4 não requerem ajuste de dose. [1][2][3]

  • Álcool: embora a sertralina não potencialize os efeitos psicotrópicos do álcool em indivíduos saudáveis, o uso concomitante não é recomendado em pacientes com depressão. [1][2][3]

  • Terapia eletroconvulsiva (TEC): não existem estudos clínicos estabelecendo os riscos ou benefícios da associação. [1][2]


Gestação:

  • Anvisa: [1][2]

    • Categoria C de risco na gravidez. Não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica.
    • A sertralina deve ser usada durante a gestação somente se os benefícios para a mãe superarem os riscos potenciais para o feto.
    • Exposição no terceiro trimestre: neonatos expostos a ISRS no terceiro trimestre tardio podem desenvolver complicações exigindo hospitalização prolongada, suporte respiratório e alimentação por sonda. As manifestações clínicas incluem angústia respiratória, cianose, apneia, convulsões, instabilidade da temperatura, dificuldade de alimentação, vômitos, hipoglicemia, hipo ou hipertonia, hiperreflexia, tremor, irritabilidade e choro contínuo, quadro compatível com efeito tóxico direto dos ISRS ou síndrome de descontinuação.
    • Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPRN): o uso de ISRS após a 20ª semana de gestação foi associado a risco aproximadamente 6 vezes maior de HPRN em comparação com gestantes não expostas. Um estudo sueco com 831.324 neonatos (1997-2005) encontrou razão de risco de HPRN de 2,4 (IC 95%: 1,2 a 4,3) com exposição materna a ISRS no início da gravidez e de 3,6 (IC 95%: 1,2 a 8,3) quando combinada à prescrição de ISRS na gravidez avançada.
    • Hemorragia pós-parto: estudos observacionais indicam risco aumentado (inferior a 2 vezes) de hemorragia pós-parto com exposição a ISRS, especialmente no mês anterior ao parto.
    • Mulheres em idade fértil devem empregar métodos contraceptivos adequados durante o tratamento.
  • FDA: [3]

    • O conjunto de estudos epidemiológicos disponíveis sobre exposição à sertralina no primeiro trimestre não sugere aumento do risco de malformações congênitas maiores em relação à taxa de fundo. Uma metanálise de estudos não encontrou aumento do risco de malformações totais nem de malformações cardíacas, embora alguns estudos individuais tenham relatado elevação para certos defeitos septais específicos, com resultados inconclusivos.
    • Terceiro trimestre: a exposição tardia à sertralina pode ocasionar as complicações neonatais descritas acima, compatíveis com efeito serotoninérgico direto ou síndrome de descontinuação. Monitorar os neonatos expostos para HPRN e síndrome de descontinuação.
    • Risco de recaída: um estudo prospectivo longitudinal com 201 gestantes com histórico de transtorno depressivo maior demonstrou que aquelas que descontinuaram o antidepressivo durante a gestação apresentaram maior probabilidade de recaída em relação às que mantiveram o tratamento. Os riscos do transtorno não tratado devem ser considerados na decisão clínica.
    • Registro de gestação: profissionais de saúde devem incentivar pacientes a se cadastrar no National Pregnancy Registry for Antidepressants, pelo telefone 1-866-961-2388 ou pelo endereço https://womensmentalhealth.org/research/pregnancyregistry/antidepressants.

Lactação:

  • Anvisa: [1][2]

    • Estudos em um pequeno número de lactantes e seus recém-nascidos indicaram níveis de sertralina desprezíveis ou indetectáveis no soro do lactente, embora os níveis no leite materno sejam mais concentrados do que no soro materno.
    • O uso durante a lactação não é recomendado, a menos que, na avaliação do médico, os benefícios superem os riscos potenciais para o lactente.
  • FDA: [3]

    • Uma análise agrupada de 53 pares mãe-lactente demonstrou que lactentes amamentados exclusivamente ao seio apresentaram, em média, aproximadamente 2% (variação de 0% a 15%) dos níveis séricos de sertralina das mães. Nenhuma reação adversa foi observada nesses lactentes.
    • Não há dados disponíveis sobre os efeitos da sertralina na produção de leite materno.
    • Os benefícios da amamentação devem ser ponderados em relação à necessidade clínica da mãe e aos potenciais riscos ao lactente.

Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • As bulas consultadas contraindicam o uso do comprimido revestido de forma fracionada, estabelecendo que ele não deve ser partido, mastigado ou triturado, e que a segurança e eficácia somente são garantidas para a administração por via oral. [1]
  • O label da FDA não fornece orientações específicas sobre administração por sonda nasogástrica ou nasoenteral. [3]
  • Do ponto de vista prático, a sertralina em comprimido revestido convencional (não é formulação de liberação modificada nem comprimido com revestimento entérico) é, em geral, considerada passível de trituração para fins de administração enteral em contexto hospitalar, conforme guias farmacêuticos institucionais especializados nessa via de administração. Não obstante, recomenda-se consultar o farmacêutico clínico e o protocolo institucional antes de proceder com essa forma de administração, e considerar a disponibilidade de formulações líquidas alternativas quando disponíveis, visto que as bulas oficiais brasileiras não chancelam essa via.

Fontes:

[1] Bula do Profissional de Saúde. Assert® (cloridrato de sertralina) 25 mg. Eurofarma Laboratórios S.A. Aprovada em 28/01/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[2] Bula do Profissional de Saúde. Assert® (cloridrato de sertralina) 50 mg e 100 mg. Eurofarma Laboratórios S.A. Aprovada em 15/12/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[3] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Sertraline Hydrochloride Tablets. Revised: 3/2026. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search